quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Jairo Jose da Silva

 Quando eu cheguei a Berkeley em setembro de 1980, dias antes do início do trimestre de outono, quando começa o ano letivo, para fazer meu doutorado em matemática, eu chegava a um mundo completamente diferente do atual. Não havia computadores pessoais, internet, telefone celular, impressoras a laser, e-mail, CD’s, redes sociais. Escrevíamos cartas com papel e caneta e as colocávamos no correio em envelopes selados - levava dias até elas chegarem a seus destinos. Usávamos máquinas de escrever com tipos que às vezes acavalavam e travavam, com fita de tinta que manchava os dedos. Fazíamos cópias em máquinas xerox a álcool. Para ler trabalhos científicos precisávamos consultar revistas impressas em bibliotecas e se elas não tinham o artigo que queríamos, tínhamos que solicita-lo a outras bibliotecas que nos enviavam cópias xerox por correio. Levava dias, semanas, meses.


Um dia, em Berkeley, meu colega Ruy Exel e eu estávamos comentando como os discos em vinil, que reproduzem música de modo analógico, eram primitivos. Mas era o que tínhamos. Dias, literalmente dias depois, apareceram no mercado os primeiros CD’s, que utilizavam tecnologia digital. Meu primeiro foi uma gravação do Réquiem alemão de Brahms, comprado em Berkeley mesmo. Hoje, tenho uma cd-teca com mais de 2.000 discos, sentados em minha biblioteca como fósseis pré-históricos, pois em 40 e poucos anos a tecnologia se tornou obsoleta. Assim como bibliotecas. Hoje, não possuímos mais nada, livros ou discos, tudo está disponível sob aluguel em “nuvens” digitais públicas. O que antes tomava dias ou semanas de espera pode ser obtido hoje em milissegundos. Pode-se consultar qualquer revista científica on-line, pode-se baixar legal ou ilegalmente qualquer livro já publicado. O acesso ao conhecimento foi completamente democratizado. Pode-se visitar qualquer museu ou cidade no mundo digitalmente. Pode-se ouvir um concerto do outro lado do mundo em tempo real.


Antes, se um amigo se mudava e o novo endereço nos era desconhecido, esse amigo estava perdido. Hoje, localizamos em segundos o paradeiro de praticamente qualquer ser humano. Hoje, todos nós deixamos inúmeros traços digitais nos campos quânticos que nos envolvem. No meu tempo de estudante, se queríamos encontrar parceiros(as) sexuais, tínhamos que busca-los(las) no mundo real. Hoje, basta uma busca rápida em supermercados de carne conhecidos por aplicativos de paquera. Toda essa mudança, de vida, de valores, de hábitos, levou pouco mais de uma ou duas décadas.

E tudo por causa de uma única invenção: a comunicação digital.


Pois estamos no começo de uma revolução ainda mais formidável, o advento da inteligência artificial. Em muito menos tempo, esse mundo que conhecemos ruirá, espetacularmente, e um “admirável mundo novo” emergirá. E assim como não tínhamos em 1980 a menor ideia de como seria o mundo em 2026, não conseguimos imaginar como ele será em 2040.

Os que, por medo, buscam limitar o uso ou o desenvolvimento da I.A. são tolos românticos. Ela será desenvolvida e utilizada em toda a sua capacidade.

Mudará o mundo do trabalho, radicalmente. Mudará o modo de fazer ciência, espetacularmente. Mudarão a sociedade e as relações humanas. Mudarão a política e a moral. E não há nada que podemos fazer para impedir essas mudanças. São inevitáveis. Precisamos, contrariamente, estar preparados para elas.

Mas como?


Precisamos, por exemplo, e urgentemente, mudar o modo como ensinamos e as escolas onde ensinamos. Infelizmente, não é o que se vê. As universidades, onde esse debate já deveria ter começado, estão com as cabeças enterradas na areia como avestruzes. Cursos serão inevitavelmente extintos, toda a estrutura acadêmica e seus recursos serão alterados e redimensionados. Perspectivas laborais terão que ser reavaliadas. Não há escapatória e é melhor prever que remediar.


Ouvi ontem um debate no IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) sobre o futuro da matemática com a I.A., que hoje já opera como matemático profissional, resolvendo problemas abertos importantes. Alguns são otimistas e acham que a disciplina irá se adaptar, desde que matemáticos humanos busquem atuar de modo mais criativo, deixando para as máquinas a parte mais computacional e meramente prospectiva da atividade matemática (por isso quero dizer a atividade de busca de padrões e relações formais que podem levar a soluções de problemas, atividade em que a I.A. é muito boa principalmente devido à velocidade em que opera). A I.A. ainda não inventa teorias novas. Ainda. Mas até quando? E quando ela estiver à vontade também nessa área, o que restará aos humanos na matemática?


Como irá a medicina se adaptar à capacidade da I.A. ler e interpretar exames e propor tratamentos? Como poderá um médico com sua limitada experiência pessoal e limitado conhecimento competir com uma máquina capaz de acessar em segundos a história médica de toda a humanidade e toda a literatura médica já publicada?

Eu já faço exercícios na academia orientado por I.A. a partir das informações que lhe forneço. Eu não vou a médico antes de consultar a I.A. contando-lhe meus sintomas e minha história médica. Ela me oferece possíveis diagnósticos e me diz o que perguntar a ele(a).

Eu peço orientações de leitura  e bibliografias à I.A. Eu até já pedi que ela me comparasse em termos de produtividade e relevância acadêmicas a meus colegas. Em milissegundos ele fuçou minha vida acadêmica e descobriu coisas sobre mim que até eu não sabia, citações em todas as bases de dados disponíveis, resenhas dos meus livros, exemplares já vendidos deles, até a originalidade relativa do meu trabalho - (Jairo José da Silva has a strong, internationally established scholarly profile in philosophy of mathematics and phenomenology, with a citation record that is unusually substantial for a Brazilian philosopher working in this specialized intersection - informo que, comparativamente, meus colegas brasileiros não ficaram tão bem na foto rsrs.


Tudo isso é só o começo. Estamos entrando em uma nova era e passou da hora da discussão começar sobre o que fazer.

Mercado de Carbono

 


terça-feira, 18 de agosto de 2026

Call Matinal

 Call Matinal

18/08/2026

Julio Hegedus Netto, economista

MERCADOS EM GERAL

FECHAMENTO (1708)

MERCADOS

Na segunda-feira (17), o Ibovespa recuou praticamente nada ontem, apenas 0,09%, aos 166.783,57 pontos, indicando que pode estar “cansado de cair”. Mas ainda não foi desta vez que conseguiu interromper a sequência negativa de dez pregões. O dólar à vista fechou em queda de 0,36%, cotado a R$ 5,2012, mesmo com os desafios do fluxo e do ambiente fiscal.

 

PRINCIPAIS MERCADOS

Os índices futuros de Nova York operam em baixa nesta terça-feira (18), pressionados pela alta dos preços do petróleo e dos rendimentos de títulos, devido à incerteza em torno do cessar-fogo entre EUA e Irã, que expirou na segunda-feira.

 

 

MERCADOS 5h30

 

EUA

Índices

Comentários

Dow Jones Futuro: -0,23%

S&P 500 Futuro: -0,58%

Nasdaq Futuro: -1,18%

 

Ásia-Pacífico

 🇨🇳 Shanghai SE: +0,19%

🇯🇵 Nikkei: -2,54%

🇭🇰 Hang Seng: +0,07%

🇮🇳 Nifty 50: -0,34%

🇦🇺 ASX 200: -0,04%

 

Europa

 🇪🇺 STOXX 600: -0,55%

🇩🇪 DAX: -0,53%

🇬🇧 FTSE 100: -0,13%

🇫🇷 CAC 40: -0,57%

🇮🇹 FTSE MIB: -0,69%

 

Commodities

 Petróleo WTI: +1,01%, a US$ 85,35 o barril

Petróleo Brent: +0,51%, a US$ 91,33 o barril

Minério de ferro em Dalian: +0,85%, a 714,00 iuanes (US$ 105,92)

Bitcoin: -0,11%, a US$ 64.228,28

O petróleo volta ao centro das atenções nesta terça-feira e complica o cenário para os juros. O Brent supera novamente os US$ 90 por barril, enquanto o WTI avança, refletindo o aumento das tensões no Oriente Médio.

 

Dia 1808

No Brasil, o quadro ficou ainda mais dividido. De um lado, sinais de desaceleração da atividade reforçam as apostas em novo corte da Selic em setembro. Do outro, petróleo mais caro, câmbio pressionado, incerteza fiscal e ambiente eleitoral elevam o prêmio de risco e podem exigir maior cautela do BCB.

No cenário político, o mercado acompanha o avanço da campanha presidencial sobre a Faria Lima e os desdobramentos das relações entre Brasil e EUA, incluindo as discussões envolvendo a Margem Equatorial. Na temporada de balanços, a XP encerrou a safra de resultados com lucro recorde, mas a reação inicial no after market foi contida.

Agenda

Terça-feira, 1808

05h00 — Brasil: IPC-Fipe — 2ª quadrissemana de agosto

06h00 — Alemanha: ZEW — Índice de Expectativas Econômicas de agosto

09h30 — Chile: PIB do 2º trimestre

09h30 — EUA: Construções de moradias iniciadas de julho

10h15 — EUA: Fed — Produção industrial de julho

11h00 — EUA: Vendas pendentes de imóveis de julho

12h00 — Colômbia: PIB do 2º trimestre

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Petróleo complica alívio dos juros*


… O petróleo voltou aos US$ 90 e recolocou a inflação no caminho dos juros, justamente quando a atividade brasileira começa a dar sinais mais claros de desaceleração. O IBC-Br mais fraco que o esperado reforçou as apostas em novo corte da Selic em setembro, mas a escalada das tensões no Oriente Médio devolveu pressão às curvas e mostrou que os próximos passos do BC serão mais difíceis. Além do petróleo, câmbio, fiscal e eleição entram nessa corrida de obstáculos, enquanto a campanha presidencial chega à Faria Lima e Lula usa a Margem Equatorial para antagonizar com Trump. Na temporada de balanços, a XP encerrou os resultados com lucro recorde, mas a reação foi morna no after hours.

ORMUZ ELEVA A TEMPERATURA – O petróleo voltou aos US$ 90 por barril e recolocou o risco inflacionário no radar dos mercados, diante dos sinais de uma nova escalada da guerra no Oriente Médio. O Brent fechou em alta de 2,65%, a US$ 90,87, e o WTI subiu 2,55%, a US$ 84,50.

… O prazo de 60 dias do memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã terminou sem um acordo definitivo para encerrar o conflito.

… Embora o entendimento tenha sido violado pelos dois lados durante sua vigência, Teerã afirmou que ele ainda pode ser retomado, desde que Washington mude de atitude. Ao mesmo tempo, disse estar pronto para agir contra eventuais ataques dos Estados Unidos ou de Israel.

… Segundo a Reuters, o Irã decidiu passar de uma postura defensiva para “totalmente ofensiva” e estaria preparado para intensificar as tensões em Ormuz caso a diplomacia fracasse. Do lado americano, Donald Trump também elevou o tom.

… Além de dizer que não acredita que o Irã aceite os parâmetros necessários para um acordo, o presidente ameaçou bombardear Omã caso o país “se intrometa” nos planos dos Estados Unidos para Ormuz e afirmou que Mascate “não tem se comportado bem”.

… Trump voltou a defender que os Estados Unidos assumam o controle do estreito. Questionado sobre a possibilidade de transformar Ormuz em território americano, hipótese cogitada por ele há alguns dias, respondeu: “gosto da ideia”.


… A ameaça a Omã ocorre justamente quando o país avança com o Irã numa tentativa de destravar a navegação pela região, sem a participação dos Estados Unidos. Teerã anunciou ontem um entendimento com Mascate sobre o mapa de uma rota para o trânsito de navios.


… Os dois países estariam trabalhando nos detalhes de uma declaração conjunta.


… A situação no estreito, por onde passava cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo antes da guerra, continua crítica. Segundo a Marine Traffic, o tráfego marítimo caiu quase 20% nos últimos dias, de 118 para 95 embarcações.


… Apenas três navios passaram pela rota no domingo, enquanto centenas aguardam ao sul de Ormuz autorização iraniana para fazer a travessia.


… Um petroleiro de uma empresa dos Emirados Árabes Unidos também foi parado ontem próximo da ilha de Qeshm. O Irã vem exigindo que as embarcações sigam a rota estabelecida por Teerã e obtenham autorização para atravessar o estreito.


… Washington tenta minimizar os riscos para a oferta. O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou que o aumento da produção americana compensa o fluxo reduzido por Ormuz e insistiu que o país controla o que acontece na região.


… O mercado, porém, voltou a cobrar um prêmio maior pelo risco geopolítico.


… Para o MUFG, as incertezas envolvendo as principais rotas de navegação continuam sustentando um prêmio relevante nos preços do petróleo, enquanto os Estados Unidos permanecem fora das negociações entre Irã e Omã e preparam novas medidas econômicas contra Teerã.


… Também não houve avanço em outra frente importante para as negociações.


… Após reunião com Jared Kushner, Netanyahu disse que Israel não deixará Gaza até que o Hamas esteja completamente desarmado. A retirada israelense e o fim dos ataques a Gaza e ao Líbano estão entre as condições impostas pelo Irã para um acordo com os Estados Unidos.


CORRIDA DE OBSTÁCULOS – A atividade finalmente dá sinais mais claros de que os juros altos estão fazendo efeito, mas o espaço para o BC continuar reduzindo a Selic esbarra em obstáculos, entre eles, o risco de um choque do petróleo.


… Divulgado nesta segunda-feira, o IBC-Br mais fraco que o esperado reforçou as apostas em um corte de 0,25 ponto porcentual em setembro, mas a disparada do Brent acima de US$ 90 tratou de devolver parte do alívio dos juros futuros.


… O IBC-Br caiu 0,64% em junho, ante expectativa de recuo de 0,50%, confirmando a trajetória de desaceleração da economia. Após o resultado, a mediana das projeções para o PIB/2TRI caiu de 0,5% para 0,4%, bem abaixo da expansão de 1,1% nos primeiros três meses do ano.


… Para o PicPay, a diferença evidencia o caráter “artificial” do impulso observado no início do ano. Já o ASA vê uma economia ainda resiliente, mas em moderação, com riscos adicionais vindos da deterioração do crédito e do avanço da inadimplência.


… A Way Investimentos foi além e reduziu sua projeção para o PIB do segundo trimestre de 0,4% para 0,2%. Segundo a casa, a política monetária restritiva passou a atingir de forma mais direta as decisões de consumo e investimento.


… Foi essa leitura que chegou a derrubar cerca de 10 pontos-base das taxas dos DIs em vários vencimentos. Mas as opções do Copom ainda indicam probabilidade de 77% de um corte de 0,25 ponto em setembro contra apenas 22% de chance de manutenção da Selic.


… O alívio, porém, durou pouco, só até Trump ameaçar um ataque a Omã, pressionando os preços do Brent (leia abaixo).


… O próprio Gabriel Galípolo reforçou ontem, no evento do Santander, que o Banco Central continua “pilotando” a política de juros em terreno contracionista, diante de uma economia que ainda opera em pleno emprego e com crescimento da demanda acima da oferta.


… Se o corte de setembro parece cada vez mais encaminhado, o debate sobre os passos seguintes tende a ficar mais complicado.


… Para o Santander, o câmbio pode se transformar no fator central para definir se haverá espaço para novas reduções da Selic no 4TRI.


… O economista Marco Antonio Caruso estima que, retirado o efeito da fraqueza global do dólar, a cotação estaria próxima de R$ 6,10. Para ele, o colchão do dólar fraco é “emprestado” e pode desaparecer se o cenário externo mudar ou se aumentar o prêmio de risco brasileiro.


… O Santander prevê um último corte de 0,25 ponto em setembro, seguido de pausa. Pelas contas do banco, uma estabilização do dólar acima de R$ 5,40 já seria suficiente para manter a inflação acima da meta mesmo com a Selic em 13,75%.


… E é justamente aí que eleição e fiscal voltam à equação.


… Em reunião com o BC, economistas avaliaram que há espaço para mais um corte da Selic, mas que o cenário de 2027 é altamente dependente do resultado das urnas e, principalmente, da disposição do próximo governo para conter a trajetória de déficits e da dívida pública.


… A desaceleração da atividade, portanto, pode ter aberto a porta para setembro. Para atravessá-la e continuar cortando os juros depois disso, o Copom terá de passar por uma corrida de obstáculos que agora inclui petróleo, câmbio, eleição e fiscal.


CAMPANHA CHEGA À FARIA LIMA – Um dia depois da largada oficial nas ruas, a corrida presidencial chegou à Faria Lima. O Santander colocou ontem candidatos diante de investidores e empresários, e quem roubou a cena foi Renan Santos (Missão).


… O candidato “revelação” esgotou a lotação do auditório, deixou gente em pé e atraiu mais público que Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), nomes bem mais conhecidos nesse ambiente.


… Os três disputam espaço na corrida presidencial, ainda distantes dos líderes Lula e Flávio Bolsonaro, mas aproveitaram a primeira agenda oficial da campanha com o setor financeiro para apresentar propostas econômicas e atacar o governo.


… Em comum, fiscal, juros, inadimplência, recuperação judicial de empresas e ambiente de negócios apareceram no discurso dos candidatos. A crise das Casas Bahia, que pediu recuperação judicial, virou uma espécie de retrato dos efeitos dos juros elevados sobre as empresas.


… Zema prometeu levar a Selic a 6%, nível que chamou de “civilizado”, e afirmou que pretende promover um corte de gastos maior que o realizado durante o governo Michel Temer. Também defendeu privatizações, uma nova reforma da Previdência e revisão dos programas sociais.


… Caiado usou a situação do varejo para atacar a política econômica do governo. Disse haver uma distância entre o discurso do ministro da Fazenda e a “vida como ela é”. Citou a recuperação judicial das Casas Bahia e afirmou que o setor está “quebrado”.


… Renan defendeu uma nova reforma trabalhista, com possibilidade de contratação por hora, além de redução de despesas como condição para baixar os juros e recuperar os investimentos.


… Geraldo Alckmin, que representou Lula no evento, também defendeu maior rigor fiscal e juros menores. Flávio Bolsonaro não compareceu. Daniella Marques, coordenadora de seu plano econômico, participa hoje da conferência.


… Para o Eurasia Group, a eleição ainda não está definida, apesar da vantagem de Lula.


… Christopher Garman estima em 60% a probabilidade de reeleição do presidente, mas considera factível o avanço de uma terceira via e aponta Caiado e Renan como os nomes mais fortes nesse campo. Segundo ele, o primeiro grande teste será no início de setembro.


… O fiscal de 2027, de qualquer forma, já entrou definitivamente na campanha. O Eurasia espera algum tipo de ajuste independentemente de quem vencer a eleição, embora avalie que uma eventual vitória de Flávio abriria espaço para uma reforma mais robusta.


ENQUANTO ISSO… – O presidente Lula fazia campanha antagonizando com Donald Trump durante uma visita a um navio-sonda na costa do Amapá, onde está sendo feita a prospecção de petróleo na Margem Equatorial.


… “Se Trump quiser ficar fazendo guerra com o Irã e fechar o Estreito de Ormuz, nós vamos abrir para o mundo inteiro a Margem Equatorial”, disse ele, afirmando que a descoberta é um “passaporte para o futuro do Brasil”.


… Lula também criticou as privatizações feitas por Bolsonaro, dizendo que ainda “sonha” em recomprar as refinarias vendidas pela Petrobras.


… A defesa da exploração na Margem Equatorial ocorre depois de uma longa disputa dentro do próprio governo, diante da resistência ambiental à abertura da nova fronteira petrolífera. Lula disse que “valeu a pena” enfrentar as divergências.


… Segundo ele, um país com petróleo da qualidade encontrada na região “não pode permitir que outros países metam o dedo”.


PETROBRAS – A descoberta de petróleo em Morpho aumentou o otimismo da Petrobras com a Margem Equatorial, mas ainda será preciso medir o tamanho e a viabilidade comercial do reservatório.


… “Tudo indica que vai ser bom. Tem petróleo, tem descoberta. Ainda não sabemos quanto”, afirmou a presidente, Magda Chambriard.


… A região é considerada estratégica para a reposição de reservas a partir da próxima década, quando a produção do pré-sal deve atingir o pico, por volta de 2034/2035, e começar a declinar. Sem novas descobertas, Magda alerta que o Brasil corre o risco de voltar a importar petróleo.


… Se confirmado o potencial da Bacia da Foz do Amazonas, os reservatórios da região poderão garantir pelo menos mais 40 anos de produção, segundo Wagner Victer, gerente executivo de Projetos Estruturantes da Petrobras.


… A estimativa, porém, ainda depende da comprovação do volume e da viabilidade comercial das descobertas.


… A perfuração de Morpho ainda não terminou. A sonda deve chegar ao fundo do poço em aproximadamente 15 dias. Depois disso, a Petrobras terá de delimitar a descoberta e calcular quanto petróleo pode efetivamente ser recuperado.


… A produção, caso se confirme a viabilidade comercial, pode levar de seis a sete anos.


… A primeira avaliação da qualidade do óleo também é positiva. Segundo a diretora de Exploração e Produção, Sylvia Anjos, ele apresenta “características interessantes e parece muito bom”, mas as amostras ainda serão analisadas pelo centro de pesquisas da Petrobras, o Cenpes.


… A aposta já custou cerca de US$ 300 milhões. Segundo Magda, a perfuração de Morpho consome US$ 1 milhão por dia.


… Os dados obtidos no poço já permitem à companhia definir onde pretende perfurar os próximos três, mas a continuidade da campanha depende de novas licenças do Ibama. A Petrobras ainda prevê outros cinco poços e possui 32 blocos na Margem Equatorial.


… No plano de negócios 2026-2030, estão previstos US$ 2,5 bilhões em investimentos na região e 15 novos poços. Magda afirmou esperar “muitos reservatórios pela frente”, enquanto Sylvia definiu Morpho como apenas o início da exploração dessa nova fronteira.


… A descoberta é positiva, mas ainda insuficiente para mudar a avaliação das ações da Petrobras, segundo a Ativa Investimentos. Para que Morpho comece a “fazer preço”, será necessário comprovar escala comercial, produtividade e competitividade econômica.


LUCRO RECORDE, RECEITA NO RADAR – A XP encerrou a temporada de balanços do setor financeiro com um lucro líquido ajustado recorde de R$ 1,38 bilhão no segundo trimestre, alta de 5% em um ano, e lucro antes dos impostos também recorde, de R$ 1,56 bilhão.


… A receita bruta cresceu 8%, para R$ 5,06 bilhões, enquanto a captação líquida total chegou a R$ 28 bilhões, o dobro do primeiro trimestre e três vezes o volume de um ano antes. Apesar dos recordes, a receita ficou no centro das atenções na teleconferência.


… Falando no final da tarde a investidores e analistas, o CEO Thiago Maffra reiterou a expectativa de crescimento de dois dígitos, mas reconheceu que o ambiente de juros elevados vem alterando o comportamento dos clientes e reduzindo as comissões.


… Cerca de 70% dos produtos vendidos atualmente têm liquidez diária, ante 30% há pouco mais de três trimestres, reflexo da migração dos investidores para aplicações mais conservadoras.


… No banco de investimento, a fraqueza do mercado de capitais também pesou: segundo Maffra, a XP fez menos transações no mercado primário durante todo o trimestre do que normalmente realiza em um único mês.


… O ROE ajustado caiu de 24,4% para 22,5% em um ano, movimento atribuído pela XP à decisão de manter excesso de capital diante de um cenário considerado desafiador. Excluído esse colchão, Maffra afirmou que o retorno estaria acima de 26%.


… O executivo disse que a XP está preparada para qualquer cenário eleitoral ou macroeconômico, mas admitiu que um ambiente mais benigno, com ajuste fiscal e juros mais baixos, permitiria uma aceleração maior do crescimento.


… Para o terceiro trimestre, espera recuperação do mercado primário, ainda distante, porém, dos volumes registrados no ano passado.


… A primeira reação ao balanço foi morna. As ações da XP caíram 0,98% no after hours em Nova York.


BRASKEM – Ainda no after em Nova York, os ADRs da Braskem subiram 1,8%, com investidores atentos à possibilidade de a Petrobras dar apoio comercial à petroquímica para ajudar a destravar um pedido de recuperação extrajudicial nos próximos dias.


… Segundo a Broadcast, a alternativa na mesa é um limite de crédito de até quatro meses para a compra de nafta, sem desembolso imediato.


AGENDA DO MERCADO – A terça-feira traz poucos indicadores domésticos, com destaque para o IPC-Fipe da segunda quadrissemana de agosto.


… No Exterior, o índice ZEW de expectativas econômicas será divulgado às 6h e, nos Estados Unidos, saem as construções de moradias iniciadas em julho (9h30), a produção industrial (10h15) e as vendas pendentes de imóveis (11h).


HOME DEPOT – A varejista americana divulga balanço antes da abertura do mercado em Nova York. Na quinta, tem Walmart.


IBGE – Servidores do IBGE iniciaram greve contra medidas da gestão de Marcio Pochmann, com adesão em unidades da Bahia e do Rio de Janeiro. Até o momento, não há indicação de impacto no calendário de divulgação das pesquisas. O IBGE segue funcionando normalmente.


A CASA CAIU – O pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, na sequência do prejuízo bilionário, abriu uma onda vendedora nos papéis da empresa, que tiveram as negociações suspensas na bolsa por sucessivas vezes e viraram pó.


… As ações despencaram 33,33% e fecharam na mínima histórica de R$ 0,44, contaminando o setor financeiro, que desperta preocupações com a deterioração da situação financeira de diversas empresas nos últimos meses.


… Atualmente, entre os casos de maior destaque no cenário doméstico, outras quatro companhias (Americanas, Oi e Light), além de Casas Bahia, estão em recuperação judicial, desencadeada por juros altos e endividamento.


… De acordo com fontes do Broadcast, a Casas Bahia negocia um empréstimo DIP, modalidade específica para empresas em recuperação judicial, de R$ 1 bilhão junto a bancos e gestoras. As tratativas já teriam começado.


… O pedido de recuperação judicial aponta que a dívida declarada do grupo chega a R$ 17,322 bilhões. Deste total, são R$ 2,622 bilhões devidos ao banco Digio, R$ 2,392 bilhões ao Banco do Brasil e R$ 1,504 bilhão ao Bradesco.


… Sob o impacto da crise, os papéis dos bancos se tornaram alvos de vendas pesadas nesta segunda-feira: Itaú PN, -1,59%, a R$ 38,38; Bradesco PN, -1,93%, a 16,22; BB ON, -2,34%, a R$ 17,95; e Santander Unit, -1,10%, a R$ 29,60.


… A Casas Bahia informou oficialmente 3 mil demissões com a atual reestruturação, quase 10% da base total.


… Enquanto as ações da empresa mergulhavam ontem, Magazine Luiza faturava a notícia sobre a recuperação judicial da concorrente e deslanchava: fechou com um salto de 8,18%, a R$ 4,23, entre as maiores altas do Ibovespa.


… Em relatório, o BTG Pactual destacou que mais de 90% das lojas da Casas Bahia fechadas têm uma unidade próxima a uma unidade do Magazine Luiza, abrindo potencial “share gain” para a companhia da família Trajano.


… O analista e sócio da AAX Investimentos, Rodrigo Brolo, discorda da avaliação. “O Magazine Luiza não vai ganhar dinheiro pegando share, já que os concorrentes online oferecem preços mais baixos e condições melhores.”


… O Ibovespa recuou praticamente nada ontem, apenas 0,09%, aos 166.783,57 pontos, indicando que pode estar cansado de cair. Mas ainda não foi desta vez que conseguiu interromper a sequência negativa de dez pregões.


… Vale desafiou a queda de 0,70% do minério, mas começou a semana subindo muito pouco (ON, +0,15%, a R$ 71,41). Já Petrobras foi melhor, de carona no petróleo e repercutindo a descoberta de óleo na Margem Equatorial.


… O papel ON registrou valorização de 1,35%, para R$ 47,46, e PN avançou 0,90% e fechou valendo R$ 42,47.


… Cosan reagiu em queda de 2,72%, a R$ 3,22, ao balanço divulgado na noite da última sexta-feira. Analistas apontaram um trimestre fraco e mantêm o foco no plano de venda de ativos e de redução de custos e da estrutura.


INDO PELO RALO – Os informes da B3 sobre o fluxo estrangeiro continuam na rotina negativa. No pregão da última quinta-feira, os investidores externos retiraram mais R$ 2 bilhões, elevando a fuga do mês para R$ 15,6 bilhões.


… Mesmo que o volume gigante de dinheiro que está deixando o País impressione, os ativos domésticos quiseram testar alguma recuperação ontem, para baixar o estresse da semana passada com a dobradinha eleitoral-fiscal.


… Além de a bolsa ter fechado no zero a zero, o dólar parou de subir depois de cinco pregões seguidos e voltou à faixa de R$ 5,20, enquanto os juros futuros só não caíram mais, porque o petróleo deu o bote de novo para US$ 90.


… A confirmação pelo IBC-Br de que o ritmo da atividade econômica está desaquecendo deve abrir espaço para o BC dar continuidade ao ciclo de calibração no juro básico em setembro. Depois disso, já são outros quinhentos.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 caiu a 13,760% (de 13,777% no ajuste anterior); Jan/28, a 13,975% (contra 14,035%); Jan/29, a 14,310% (de 14,389%); Jan/31, a 14,570% (de 14,655%); e Jan/33, 14,700% (de 14,755%).


… O repique do petróleo limitou o espaço de queda na curva, mas, por outro lado, serviu de suporte para o real. O dólar à vista fechou em queda de 0,36%, cotado a R$ 5,2012, mesmo com os desafios do fluxo e do ambiente fiscal.


… Mas segue bem acima da faixa de R$ 5,08 observada antes do estouro das últimas turbulências por aqui.


… Lá fora, o câmbio teve um dia apático, à espera da ata do Fed, amanhã, que pode ajudar a calibrar as expectativas para a política monetária, agora que o jogo esquentou, com os dados fracos de inflação trazendo emoção à disputa.


… O índice DXY fechou praticamente estável (-0,03%), a 99,637 pontos, com oscilações marginais do euro (+0,09%, a US$ 1,1578) e da libra esterlina (+0,06%, para US$ 1,3542), enquanto o iene caiu de novo, para 159,45 por dólar.


… A moeda japonesa não conseguiu faturar a perspectiva de que o BoJ possa ser mais agressivo daqui em diante.


… Já no mercado de títulos do Japão, a taxa do JGB de dez anos disparou à máxima em três décadas e, a reboque, puxou o rendimento do T-Bond de 30 anos para o patamar mais elevado em quase vinte anos, a 5,309% (de 5,256%).


… O yield encostou em 5,31% pela primeira vez desde 2007, frustrando os planos de Bessent de impedir o governo japonês de vender Treasuries para intervir no iene, justamente para evitar alta desenfreada dos juros americanos.


… O retorno da Note-2 anos subiu a 4,179% (de 4,171% no pregão anterior) e o de 10 anos, a 4,722% (de 4,690%).


… Em Nova York, as tensões no Oriente Médio derrubaram as bolsas. O Dow Jones caiu 0,51%, aos 53.459,78 pontos, o S&P 500 perdeu 0,52%, aos 7.745,06 pontos, e o Nasdaq registrou perda de 0,32%, aos 26.644,91 pontos.


… A bolsa eletrônica informou que iniciou conversas com reguladores e agentes do mercado para viabilizar a negociação 24 horas por dia, cinco dias por semana. O começo da operação pode acontecer ainda este ano.


… A Nasdaq citou o forte aumento da participação de estrangeiros em ações americanas para justificar a mudança.


CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS assinou contrato com a Halliburton para projeto piloto CCS São Tomé, de captura e armazenamento de carbono em reservatório salino a partir de fontes industriais, em Quissamã (RJ).


ITAÚ recebeu autorização preliminar do regulador americano OCC para criar o Itaú Bank nos EUA, ampliando sua capacidade de atendimento no país.


BB. Presidente, Tarciana Medeiros, e vice-presidente de RI, Marco Geovanne Tobias, são alvos de processo da CVM por suposta violação de artigo que exige divulgação de informação sem induzir investidor a erro…


… O caso envolve uma fala de Tarciana na divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2025, quando afirmou que “quem tem ação do BB, mantenha; quem não tem, compre”. BB diz que atua com base na transparência.


SANTANDER BRASIL. O Citi manteve recomendação neutra e destacou que o valor implícito da OPA subiu para R$ 31,21 por unit com a valorização das ações da controladora.


BRB remanejou Hugo Andreolly para a diretoria de Varejo e elegeu Marianna Marques Garnier, atual chefe de gabinete da presidência do BRB, para comandar Negócios Digitais, condicionada aos trâmites de governança e do BC.


CSN MINERAÇÃO informou que reconduziu Carlos Rodrigues como diretor Superintendente e Pedro Oliva como diretor Financeiro e de RI por mais dois anos.


KLABIN. Citi manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 23, mas reduziu projeções de Ebitda para o segundo semestre, diante de preços menores da celulose.


ENEVA notificou a ANP sobre indícios de gás natural no bloco AM-T-85, no Amazonas, onde já opera produção de gás destinada à geração termelétrica.


AXIA concluiu nova etapa da reorganização acionária, com conversão e resgate de 10,259 milhões de ações PNC em ON. Nova etapa ocorrerá em 24/8, com resgate e cancelamento de 37,174 milhões de PNC.


TAESA recebeu liberação do ONS para nova energização da concessão Tangará, elevando a RAP habilitada para R$ 109,8 milhões, equivalente a 96,8% da RAP total do projeto.


BRAVA concluiu operação que transferiu controle para a Ecopetrol, que passou a deter 51% do capital social.


AMIL. Advent e Bain devem se reunir com acionistas para nova rodada de negociações sobre a venda da companhia, avaliada em mais de R$ 10 bilhões, segundo fontes do Broadcast.


POSITIVO informou ter R$ 19 milhões a receber da Casas Bahia, equivalentes a 2,7% de suas contas a receber, mas afirmou que a exposição está integralmente coberta por seguro.


BHP teve lucro líquido anual de US$ 9,3 bilhões, alta de 9%, e receita cresceu 15%, para US$ 58,8 bilhões. Cobre respondeu por 54% do Ebitda subjacente.


FITNESS BRASIL EXPO, maior feira do setor das Américas, estima alta de 33% na geração de negócios, chegando a R$ 1 bilhão este ano. O evento terá 175 expositores, deve receber 45 mil pessoas e será realizado de 27 a 29/8 em SP.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

O Mercosul como Infraestrutura de Autonomia, Monica De Bolle e Philip Yang​​​ ​

Ilustríssima

Folha de S. Paulo

16 de agosto de 2026

Monica De Bolle e Philip Yang​​​

O Mercosul como Infraestrutura de Autonomia

O espaço que teremos para (não) escolher​

Há tempos, parte do debate público vem proclamando o fim da globalização. A tese se ampara em um punhado de inferências, como a de que as cadeias produtivas voltariam para casa, a de que o protecionismo seria duradouro, a de que a segurança nacional teria aposentado o cálculo econômico e a de que as grandes potências reorganizariam suas relações segundo critérios geopolíticos. O diagnóstico é correto, mas o atestado de óbito é prematuro.

​O mundo continua interessado na globalização, como revela a proliferação de acordos comerciais desde que os Estados Unidos decidiram promover uma desglobalização seletiva. Tarifas, sanções, controles tecnológicos, restrições a investimentos e, sobretudo, o conflito com a China vêm mudando a natureza das relações do país com o resto do mundo.

​As ações dos EUA, ainda que reveladoras de um ímpeto isolacionista, não eliminarão a importância do país no mundo. Os Estados Unidos permanecerão relevantes para as finanças internacionais, para o desenvolvimento tecnológico, e para o investimento. Mas a abertura do pós-guerra está se esgarçando, cedendo lugar a uma política discriminatória que subordina os instrumentos econômicos a outros objetivos. Enquanto isso, boa parte do planeta começa a se reorganizar em torno de uma globalização cada vez menos centrada nos Estados Unidos.

​Eis o paradoxo do nosso tempo: a China torna-se cada vez mais indispensável ao funcionamento material da economia mundial no exato momento em que os Estados Unidos rompem a ordem que criaram. Em escala global, o movimento é conhecido por vários nomes: friend-shoring, segurança econômica, redução de riscos e proteção de cadeias estratégicas.

Nas Américas, assim como na Ásia, a geografia voltou a ditar o alinhamento entre os países. A crise atual do Mercosul é o exemplo mais nítido dessa tendência a julgar por como escolhas políticas internas, incentivos econômicos e instrumentos externos de coerção empurram os países da região para inserções internacionais distintas.

O Mercosul foi criado em 1991, quando Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai assinaram o Tratado de Assunção. A imperfeita união aduaneira conviveu com exceções tarifárias, com o regime automobilístico enquadrado fora de seu escopo e com as crises recorrentes no Brasil e na Argentina. Ainda assim, fez duas coisas muito importantes: ampliou o comércio regional e criou um núcleo industrial integrado que atravessou mais de três décadas de turbulência. Hoje, com a Bolívia em processo de incorporação às normas do bloco, esse espaço está sendo ampliado.

O que temos diante de nós não é mais uma disputa comercial entre Brasil e Argentina, gênero de que a história do bloco está cheia, mas algo novo. Trata-se da possibilidade de duas inserções internacionais distintas dentro de uma mesma união aduaneira, com a Argentina mais alinhada aos EUA e o Brasil, por ora, tentando não se alinhar a ninguém. Isso põe em xeque a própria arquitetura do Mercosul.

No último ano, a Argentina de Javier Milei aproximou-se dos EUA de Donald J. Trump mais do que qualquer outro governo sul-americano. Em outubro de 2025, em meio à escassez de dólares, o Tesouro americano abriu-lhe uma linha de estabilização cambial de 20 bilhões de dólares. Em fevereiro de 2026, os dois países assinaram o Acordo de Comércio e Investimento Recíproco, no qual os EUA eliminaram os tributos sobre 1.675 linhas tarifárias argentinas e quintuplicaram a cota de importação de carne bovina. Em contrapartida, a Argentina concedeu acesso preferencial a um amplo conjunto de produtos americanos e comprometeu-se a priorizar os EUA como parceiro na produção de cobre, lítio e outros minerais críticos, em detrimento do Brasil, que não é mencionado no acordo.

​O acordo bilateral argentino afeta diretamente o funcionamento do Mercosul. Afinal, uma união aduaneira funciona porque seus membros aplicam uma tarifa externa comum, o que significa que a mercadoria importada por um país circula pelos demais países sem que seja necessário reconstruir controles nas fronteiras internas. Quando um produto americano entra no Mercosul pela Argentina, que agora pratica tarifas preferenciais, ele pode chegar ao Brasil sem recolher os tributos que nós aplicaríamos diretamente, o que fere o princípio da tarifa comum que governa o bloco. Para preservá-la, seria preciso voltar a verificar origem e documentação no comércio intrabloco. Não à toa, o Brasil registrou objeção formal ao acordo em março.

Enquanto os EUA tratam a Argentina com leniência, o Brasil sofre tratamento inverso. As tarifas americanas foram explicitamente associadas à política doméstica brasileira e ao julgamento de Jair Bolsonaro em 2025. Depois que a Suprema Corte americana derrubou, em fevereiro, o fundamento legal do primeiro tarifaço, o governo Trump reconstruiu a medida. A investigação aberta em julho de 2025, amparada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, resultou na imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre as exportações brasileiras.

O problema vai além das tarifas. Em 2000, por decisão do Conselho do Mercado Comum, os países do Mercosul assumiram o compromisso de negociar acordos comerciais em bloco. A regra sempre foi alvo de controvérsias, não à toa, a Argentina hoje a contesta. Mas a lógica é incontestável, pois a negociação em bloco amplia o poder de barganha de todos de um modo que as relações bilaterais não alcançam. Nesse sentido, o Mercosul é uma infraestrutura de autonomia.

Num mundo em que o acesso ao mercado americano é condicionado, diversificar as relações torna-se uma política de segurança econômica interna. O acordo entre Mercosul e União Europeia, assinado em janeiro, entrou em vigor provisório em 1º de maio deste ano. O acordo com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) foi assinado em setembro de 2025. Há ainda negociações e conversas com outros parceiros. Iniciativas bilaterais impactam diretamente a capacidade de avançar nessas tratativas.

A economia mundial, nos próximos anos, deverá evoluir para uma descentralização maior, com a formação de redes comerciais e tecnológicas parcialmente sobrepostas. A China ocupará um espaço crescente nas cadeias produtivas globais, enquanto os Estados Unidos continuarão, por algum tempo, a sacrificar a abertura econômica em nome de objetivos estratégicos. Com a erosão relativa da primazia norte-americana e a expansão da China, os EUA estarão cada vez mais dispostos a usar instrumentos de integração como mecanismos de coerção.

Para a América Latina, as implicações dessas mudanças são graves. Ao longo das últimas décadas, os países da região puderam expandir suas relações econômicas com a China sem romper com os Estados Unidos. O Brasil foi dos exemplos mais bem-sucedidos dessa estratégia: a China tornou-se seu principal parceiro comercial, enquanto os EUA permaneceram essenciais em áreas como investimento, tecnologia, finanças, serviços. A capacidade de se relacionar simultaneamente com os dois polos constitui uma das bases materiais da autonomia brasileira. Nenhuma grande potência deveria arrogar-se o direito de definir quais relações econômicas o país pode ou não manter.

Um episódio recente na Argentina dá concretude ao argumento e mostra que a compressão desse espaço de manobra alcança até mesmo governos que fizeram do alinhamento uma profissão de fé.

A CALF, cooperativa de eletricidade e serviços públicos da província de Neuquén, desenvolve a rede de fibra óptica Calfibra. Em abril, seus dirigentes acertaram com a Huawei, na China, a construção de um data center regional e a compra de equipamentos. Em julho, o gerente de tecnologia da cooperativa começou a receber mensagens de WhatsApp de um adido da embaixada americana advertindo que os EUA poderiam restringir ou revogar vistos de dirigentes da CALF que expandissem as operações da Huawei. A ameaça alcançava dezoito integrantes de seus órgãos de direção.

A cooperativa pediu que a preocupação lhe fosse apresentada com fundamento técnico. Em vez disso, recebeu do embaixador Peter Lamelas a confirmação de que as mensagens refletiam a política americana, acompanhada da solícita oferta de ajuda para substituir a Huawei por fornecedores dos EUA. Lamelas enquadrou o caso como uma questão de segurança nacional, o que levou a embaixada chinesa a denunciar interferência na soberania argentina. A CALF respondeu, enfatizando que compraria tecnologia para prestar melhores serviços aos seus clientes, não para tomar partido no fogo cruzado entre a China e os Estados Unidos.

O mais revelador do episódio são as distorções que expõe: uma decisão comercial de uma cooperativa provincial vira objeto de pressão estrangeira, e uma prerrogativa soberana dos EUA, o controle de vistos, vira instrumento de influência. Que isso tenha ocorrido justamente na Argentina de Milei torna o caso ainda mais instrutivo. Na rivalidade EUA-China, a pressão pode atingir empresas, tecnologias, sistemas de pagamento, fluxos financeiros, investimentos e transações com terceiros países.

Por isso, a hipótese de uma nova regionalização coercitiva das Américas precisa ser levada a sério. Ela não necessariamente assumirá a forma das antigas zonas coloniais de influência nem deverá ser formalizada por tratados. A reorganização regional poderá nascer simplesmente da instrumentalização de diversas medidas, incluindo tarifas, sanções, restrições tecnológicas, financiamento preferencial a aliados e ameaça de punição a governos, empresas ou indivíduos que mantenham relações consideradas contrárias aos interesses dos Estados Unidos. O resultado seria uma esfera econômica definida pela capacidade dos EUA de impor custos a quem tentasse dela escapar.

Portanto, corremos o risco de enfrentar um sistema global ao mesmo tempo mais integrado e mais opressor.

​É diante desse risco que, no Brasil, surge a possibilidade de uma “venezuelização” às avessas. Não nos referimos à venezuelização, invocada no debate político doméstico, como sinônimo de uma suposta transição socialista, mas à que ocorre quando uma potência hegemônica passa a empregar coerção econômica ou militar para limitar o espaço de decisão soberana de um país.

“Venezuelização”, tal qual empregada aqui, refere-se à possibilidade de os Estados Unidos passarem a impor ao Brasil suas preferências por meio de instrumentos de coerção econômica (ou mesmo militar), como vêm fazendo em relação à Venezuela desde a queda de Nicolás Maduro. No cenário mais agudo, o Brasil poderia ser confrontado com exigências sucessivas, como limitações aos investimentos chineses, restrição ao acesso a tecnologias (como a escolha do futuro padrão 6G), abandono de sistemas financeiros ou digitais considerados inconvenientes (como o PIX), entre outras medidas.

​O caso da CALF sugere que esse processo poderia começar apenas por meio de pressões informais, seguidas de tarifas, restrições financeiras e sanções contra empresas. A resposta estratégica não pode consistir em escolher antecipadamente uma potência em detrimento da outra, mas sim em tornar muito custosa qualquer tentativa externa de nos obrigar a escolher.

​É por essa razão que o Mercosul tem hoje uma dimensão muito maior do que a de sua arquitetura tarifária. Um bloco capaz de negociar com Europa, Ásia, América do Norte e outros parceiros amplia o leque de opções do Brasil e dos demais membros. Em contrapartida, um Mercosul enfraquecido faz o contrário.

​Sua dissolução prática teria, portanto, uma consequência geopolítica mais séria do que se costuma admitir. O enfraquecimento do Mercosul aproximaria a América do Sul de uma configuração em que cada país teria de negociar isoladamente com os EUA e a China, e os países isolados resistem menos à coerção do que um bloco parcialmente unido.

​As eleições brasileiras deixam claro o que está em jogo. Em julho, o candidato Flávio Bolsonaro encaminhou ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) um documento contra as novas tarifas e declarou que o Brasil deve “libertar-se das amarras do Mercosul”, que supostamente teriam impedido governos anteriores de negociar diretamente com os EUA. Citou o caminho da Argentina de Milei como precedente a ser examinado. Uma vitória dessa candidatura poderia levar o Brasil e a Argentina a quererem transformar o bloco em uma simples área de livre-comércio, com a consequente redução do poder de barganha coletivo. Uma reeleição de Lula manteria a defesa brasileira da união aduaneira, mas em um ambiente regional e internacional cada vez mais hostil.

​Há, portanto, dois cenários possíveis. No primeiro, a globalização recua e a economia mundial se reorganiza em blocos ou esferas de influência cada vez mais rígidos. Nesse mundo, a capacidade brasileira de manter relações simultâneas com os Estados Unidos e a China seria gradualmente reduzida, até que a inevitável escolha entre um campo e outro se impusesse. No segundo, a globalização continuaria de forma mais fragmentada em termos políticos, mais disputada, e progressivamente menos centrada nos Estados Unidos. Nesse mundo, a estratégia brasileira deve ser exatamente a de não escolher antecipadamente um campo, mas construir deliberadamente uma rede de interdependências que preserve nossa capacidade de escolha. O Mercosul é uma das plataformas que permitem ao Brasil fazê-lo.

​Se a Argentina abandonasse a disciplina comercial comum, estaria o Mercosul condenado a desaparecer? Pensamos que não necessariamente. Os membros remanescentes – Brasil, Paraguai, Uruguai e uma Bolívia em processo de incorporação – poderiam preservar um núcleo de negociação com a Europa, a Ásia e outros parceiros. Uma eventual saída argentina reduziria a escala e o poder de barganha do bloco e exigiria a adequação jurídica dos acordos já celebrados, mas não eliminaria a lógica estratégica do Mercosul. A pergunta para a qual o Brasil precisa urgentemente elaborar uma resposta, é: se um membro escolher atrelar sua inserção externa a uma grande potência, devem os demais segui-lo ou preservar entre si uma plataforma para negociar com todas?

​Milei chamou o Mercosul de prisão e Flávio Bolsonaro usou a metáfora das amarras. O vocabulário é de aprisionamento, alçando a permanência no Mercosul a uma questão de liberdade. A sobrevivência do Mercosul é, de fato, uma questão de liberdade, mas não pelos motivos que apontam Milei e Bolsonaro. Em mundo marcado por potências que disputam áreas de influência e empregam os instrumentos da interdependência como mecanismos de coerção, certas amarras coletivas podem ser justamente aquilo que amplia a liberdade de cada país. Em tempos de Odisseia cinematográfica, não custa lembrar que Ulisses pediu que o amarrassem ao mastro não para renunciar à viagem, mas para completá-la.

Calote-da-divida-publica-denominada-em-moeda-domestica

 https://www1.folha.uol.com.br/colunas/samuelpessoa/2026/08/calote-da-divida-publica-denominada-em-moeda-domestica.shtml


Há alguns dias, na seção Painel desta Folha, editada por Fábio Zanini, foi noticiado que o economista Luiz Gonzaga Belluzzo enviara uma mensagem por escrito ao coordenador da campanha do candidato Lula, o ex-presidente da Petrobras Sergio Gabrielli, afirmando que há exagero do mercado financeiro sobre o volume da dívida pública. Segundo o texto, Belluzzo escreveu:


"Em minhas peregrinações pelos labirintos da história do capitalismo não encontrei sequer um fiapo de memória denunciando uma crise monetário-financeira provocada pelo endividamento ‘excessivo’ dos governos em moeda nacional."


Um recente artigo, com o sugestivo título "Uma jornada pela história dos calotes soberanos de dívida pública emitida na jurisdição doméstica", de Aitor Erce, Enrico Mallucci e Mattia Picarelli, disponibiliza base de dados de calote de dívida pública doméstica. O artigo encontrou 134 eventos de calote e reestruturação de dívida doméstica em 52 países entre 1980 e 2018. Desses, 76 foram em países da América Latina, sendo 39 na América do Sul.


Aparentemente, a peregrinação —vale lembrar que jornada é um sinônimo perfeito de peregrinação— de Belluzzo não foi muito exaustiva.


De fato, em 2011 foi publicado na prestigiosa revista The Economic Journal, editada pelo departamento de economia de Cambridge, o artigo "A história esquecida da dívida doméstica", de Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff.


Há uma diferença sutil entre os dois artigos mencionados acima. O de 2011 estuda casos de calote de dívida soberana emitida na moeda local. O artigo mais recente trata de dívida soberana emitida na jurisdição local. Como tratado no artigo mais recente, há quase sempre uma tripla coincidência: a dívida emitida na jurisdição local é denominada em moeda local, e o detentor é um residente do país.


É difícil mesmo entender o motivo de haver calote em dívida denominada na moeda local, pois é sempre possível emitir moeda e recomprar a dívida. O problema é que esse caminho pode gerar uma hiperinflação. Assim, a economia política pode gerar como solução o calote da dívida em moeda doméstica, em vez de emissão de moeda para recompra da dívida interna.


Há diversos tipos de eventos, como documentado pelo texto mais recente: 


"1) Um governo deixa de efetuar um pagamento de principal ou juros de um título de dívida na data de vencimento ou dentro de um período de carência especificado (como no Brasil em 1990 ou na Argentina em 2001);


2) Títulos de dívida são baixados do balanço sem uma compensação adequada para os detentores da dívida (como na Libéria em 1989);


3) Os termos contratuais dos títulos de dívida são alterados unilateralmente por um decreto governamental, como a revogação de cláusulas de indexação (como no Brasil em 1986) ou a introdução de impostos retroativos direcionados aos pagamentos do serviço da dívida (como na Turquia em 1999);


f4) Na ausência de um inadimplemento total, o governo realiza um exercício de reestruturação que reduz as taxas de juros e/ou estende os vencimentos dos títulos em circulação (como na Grécia em 2011 ou em Barbados em 2018);


5) Depósitos que são garantidos pelo governo ou mantidos por bancos públicos são congelados e/ou convertidos à força de moeda estrangeira para moeda local ou para títulos do governo (como no Paquistão em 1999)".


Ou seja, apesar da robusta posição de reservas que faz o setor público brasileiro credor em dívida em moeda externa, há motivos para que os poupadores tenham preocupações com a sustentabilidade da dívida pública denominada em real na nossa jurisdição.

Call Matinal

17/08/2026

Julio Hegedus Netto, economista

MERCADOS EM GERAL 

FECHAMENTO (1408)

MERCADOS

Na sexta-feira (14), o Ibovespa terminou em leve baixa de 0,10%, aos 166.934,20 pontos, com giro de R$ 22,4 bilhões. Já a moeda americana fechou em alta de 0,52%, beirando a faixa de R$ 5,22, cotada a R$ 5,2199.

PRINCIPAIS MERCADOS

Mercados de NY mistos, sem uma direção definida. Há uma mudança de percepção depois de uma sequência de dados mais fracos sobre a economia americana. As vendas no varejo dos EUA recuaram 0,6% em julho, na primeira queda em nove meses, enquanto a confiança do consumidor também se deteriorou em agosto. Os números se somam aos dados recentes de inflação, que reforçaram a expectativa de menor pressão sobre o Fed.

 

 

MERCADOS 5h30

 

EUA

Índices

Comentários

 

Dow Jones Futuro: -0,18%

S&P 500 Futuro: +0,14%

Nasdaq Futuro: +0,57%

Os índices futuros do EUA operam mistos nesta segunda-feira (17), com investidores reduzindo as apostas de que o Federal Reserve (Fed) aumentará as taxas de juros em setembro.

Ásia-Pacífico

 

 

 

Shanghai SE (China), +1,41%

Nikkei (Japão): +0,74%

Hang Seng Index (Hong Kong): +1,34%

Nifty 50 (Índia): -0,11%

ASX 200 (Austrália): -0,46%

 

Europa

 

 

 

STOXX 600: +0,10%

DAX (Alemanha): -0,13%

FTSE 100 (Reino Unido): +0,14%

CAC 40 (França): -0,16%

FTSE MIB (Itália): +0,29%

 

Commodities

 

 

 

Petróleo WTI, -0,34%, a US$ 82,12 o barril

Petróleo Brent, +0,41%, a US$ 88,88 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, -0,70%, a 706,50 iuanes (US$ 104,77)

Bitcoin, +0,38%, a US$ 63.343,88

 

 

Dia 1708

Uma agenda pesada em que o foco estará na ata do FOMC na quarta-feira, e por aqui, alem de uma batalha eleitoral que deve se aprofundar nos proximos meses, tambem indicadores como o IGP-10, mais uma pesquisa Focus, o IBC-Br de junho e uma palestra de Galípolo, às 12h, em evento do Santander.

 

Na Asia, indicadores abrem a semana internacional, com o PIB/2TRI do Japão e produção industrial e vendas no varejo na China. No eletrônico, o petróleo ampliava a alta com as negociações da guerra entre os Estados Unidos e o Irã estagnadas. Destaque da agenda lá fora, a ata do Fed será divulgada na quarta-feira, além dos balanços das varejistas Home Depot e Walmart.

 

A largada oficial da campanha neste domingo encontra os investidores aumentando a cautela com o Brasil, depois de uma semana de forte deterioração dos ativos domésticos e fuga de estrangeiros. O Ibovespa acumulou queda de 3% na semana passada e completou nove pregões seguidos de baixa, enquanto o dólar avançou 2,68%, cotado novamente acima de R$ 5,20. Nos juros, o prêmio aumentou no miolo da curva e na ponta longa.

 

Agenda

Segunda-feira, 1708

Brasil. Às 8hs, IGP-10 de agosto, divulgado pela FGV

Às 8h25, a Focus atualiza as expectativas do mercado

Às 9h, BCB divulga o IBC-Br de junho

Ainda sem data definida, a Receita deve divulgar nesta semana os números de julho.

EUA. A ata da última reunião do Fed, na quarta-feira, é o principal destaque da agenda internacional.

As 9h30, sai o índice Empire State de atividade industrial de agosto.

Às 11h, sai a confiança das construtoras (NAHB).

Amanhã, divulgam as construções de moradias iniciadas e a produção industrial de julho.

Na quarta-feira, antes da ata do Fed, saem os estoques semanais de petróleo do DoE. Na quinta, os pedidos semanais de auxílio-desemprego nos Estados Unidos devem cair de 209 mil para 205 mil.

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Tesouro compra tempo nos juros longos* Intervenção não elimina as dúvidas sobre a trajetória das taxas americanas … A reação...