Sou Economista com dois mestrados, cursos de especialização e em Doutoramento. Meu objetivo é analisar a economia, no Brasil e no Mundo, tentar opinar sobre os principais debates da atualidade e manter sempre, na minha opinião essencial, a independência. Não pretendo me esconder em nenhum grupo teórico específico. Meu objetivo é discorrer sobre varios temas, buscando sempre ser realista.
segunda-feira, 17 de agosto de 2026
O Mercosul como Infraestrutura de Autonomia, Monica De Bolle e Philip Yang
Folha de S. Paulo
16 de agosto de 2026
Monica De Bolle e Philip Yang
O Mercosul como Infraestrutura de Autonomia
O espaço que teremos para (não) escolher
Há tempos, parte do debate público vem proclamando o fim da globalização. A tese se ampara em um punhado de inferências, como a de que as cadeias produtivas voltariam para casa, a de que o protecionismo seria duradouro, a de que a segurança nacional teria aposentado o cálculo econômico e a de que as grandes potências reorganizariam suas relações segundo critérios geopolíticos. O diagnóstico é correto, mas o atestado de óbito é prematuro.
O mundo continua interessado na globalização, como revela a proliferação de acordos comerciais desde que os Estados Unidos decidiram promover uma desglobalização seletiva. Tarifas, sanções, controles tecnológicos, restrições a investimentos e, sobretudo, o conflito com a China vêm mudando a natureza das relações do país com o resto do mundo.
As ações dos EUA, ainda que reveladoras de um ímpeto isolacionista, não eliminarão a importância do país no mundo. Os Estados Unidos permanecerão relevantes para as finanças internacionais, para o desenvolvimento tecnológico, e para o investimento. Mas a abertura do pós-guerra está se esgarçando, cedendo lugar a uma política discriminatória que subordina os instrumentos econômicos a outros objetivos. Enquanto isso, boa parte do planeta começa a se reorganizar em torno de uma globalização cada vez menos centrada nos Estados Unidos.
Eis o paradoxo do nosso tempo: a China torna-se cada vez mais indispensável ao funcionamento material da economia mundial no exato momento em que os Estados Unidos rompem a ordem que criaram. Em escala global, o movimento é conhecido por vários nomes: friend-shoring, segurança econômica, redução de riscos e proteção de cadeias estratégicas.
Nas Américas, assim como na Ásia, a geografia voltou a ditar o alinhamento entre os países. A crise atual do Mercosul é o exemplo mais nítido dessa tendência a julgar por como escolhas políticas internas, incentivos econômicos e instrumentos externos de coerção empurram os países da região para inserções internacionais distintas.
O Mercosul foi criado em 1991, quando Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai assinaram o Tratado de Assunção. A imperfeita união aduaneira conviveu com exceções tarifárias, com o regime automobilístico enquadrado fora de seu escopo e com as crises recorrentes no Brasil e na Argentina. Ainda assim, fez duas coisas muito importantes: ampliou o comércio regional e criou um núcleo industrial integrado que atravessou mais de três décadas de turbulência. Hoje, com a Bolívia em processo de incorporação às normas do bloco, esse espaço está sendo ampliado.
O que temos diante de nós não é mais uma disputa comercial entre Brasil e Argentina, gênero de que a história do bloco está cheia, mas algo novo. Trata-se da possibilidade de duas inserções internacionais distintas dentro de uma mesma união aduaneira, com a Argentina mais alinhada aos EUA e o Brasil, por ora, tentando não se alinhar a ninguém. Isso põe em xeque a própria arquitetura do Mercosul.
No último ano, a Argentina de Javier Milei aproximou-se dos EUA de Donald J. Trump mais do que qualquer outro governo sul-americano. Em outubro de 2025, em meio à escassez de dólares, o Tesouro americano abriu-lhe uma linha de estabilização cambial de 20 bilhões de dólares. Em fevereiro de 2026, os dois países assinaram o Acordo de Comércio e Investimento Recíproco, no qual os EUA eliminaram os tributos sobre 1.675 linhas tarifárias argentinas e quintuplicaram a cota de importação de carne bovina. Em contrapartida, a Argentina concedeu acesso preferencial a um amplo conjunto de produtos americanos e comprometeu-se a priorizar os EUA como parceiro na produção de cobre, lítio e outros minerais críticos, em detrimento do Brasil, que não é mencionado no acordo.
O acordo bilateral argentino afeta diretamente o funcionamento do Mercosul. Afinal, uma união aduaneira funciona porque seus membros aplicam uma tarifa externa comum, o que significa que a mercadoria importada por um país circula pelos demais países sem que seja necessário reconstruir controles nas fronteiras internas. Quando um produto americano entra no Mercosul pela Argentina, que agora pratica tarifas preferenciais, ele pode chegar ao Brasil sem recolher os tributos que nós aplicaríamos diretamente, o que fere o princípio da tarifa comum que governa o bloco. Para preservá-la, seria preciso voltar a verificar origem e documentação no comércio intrabloco. Não à toa, o Brasil registrou objeção formal ao acordo em março.
Enquanto os EUA tratam a Argentina com leniência, o Brasil sofre tratamento inverso. As tarifas americanas foram explicitamente associadas à política doméstica brasileira e ao julgamento de Jair Bolsonaro em 2025. Depois que a Suprema Corte americana derrubou, em fevereiro, o fundamento legal do primeiro tarifaço, o governo Trump reconstruiu a medida. A investigação aberta em julho de 2025, amparada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, resultou na imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre as exportações brasileiras.
O problema vai além das tarifas. Em 2000, por decisão do Conselho do Mercado Comum, os países do Mercosul assumiram o compromisso de negociar acordos comerciais em bloco. A regra sempre foi alvo de controvérsias, não à toa, a Argentina hoje a contesta. Mas a lógica é incontestável, pois a negociação em bloco amplia o poder de barganha de todos de um modo que as relações bilaterais não alcançam. Nesse sentido, o Mercosul é uma infraestrutura de autonomia.
Num mundo em que o acesso ao mercado americano é condicionado, diversificar as relações torna-se uma política de segurança econômica interna. O acordo entre Mercosul e União Europeia, assinado em janeiro, entrou em vigor provisório em 1º de maio deste ano. O acordo com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) foi assinado em setembro de 2025. Há ainda negociações e conversas com outros parceiros. Iniciativas bilaterais impactam diretamente a capacidade de avançar nessas tratativas.
A economia mundial, nos próximos anos, deverá evoluir para uma descentralização maior, com a formação de redes comerciais e tecnológicas parcialmente sobrepostas. A China ocupará um espaço crescente nas cadeias produtivas globais, enquanto os Estados Unidos continuarão, por algum tempo, a sacrificar a abertura econômica em nome de objetivos estratégicos. Com a erosão relativa da primazia norte-americana e a expansão da China, os EUA estarão cada vez mais dispostos a usar instrumentos de integração como mecanismos de coerção.
Para a América Latina, as implicações dessas mudanças são graves. Ao longo das últimas décadas, os países da região puderam expandir suas relações econômicas com a China sem romper com os Estados Unidos. O Brasil foi dos exemplos mais bem-sucedidos dessa estratégia: a China tornou-se seu principal parceiro comercial, enquanto os EUA permaneceram essenciais em áreas como investimento, tecnologia, finanças, serviços. A capacidade de se relacionar simultaneamente com os dois polos constitui uma das bases materiais da autonomia brasileira. Nenhuma grande potência deveria arrogar-se o direito de definir quais relações econômicas o país pode ou não manter.
Um episódio recente na Argentina dá concretude ao argumento e mostra que a compressão desse espaço de manobra alcança até mesmo governos que fizeram do alinhamento uma profissão de fé.
A CALF, cooperativa de eletricidade e serviços públicos da província de Neuquén, desenvolve a rede de fibra óptica Calfibra. Em abril, seus dirigentes acertaram com a Huawei, na China, a construção de um data center regional e a compra de equipamentos. Em julho, o gerente de tecnologia da cooperativa começou a receber mensagens de WhatsApp de um adido da embaixada americana advertindo que os EUA poderiam restringir ou revogar vistos de dirigentes da CALF que expandissem as operações da Huawei. A ameaça alcançava dezoito integrantes de seus órgãos de direção.
A cooperativa pediu que a preocupação lhe fosse apresentada com fundamento técnico. Em vez disso, recebeu do embaixador Peter Lamelas a confirmação de que as mensagens refletiam a política americana, acompanhada da solícita oferta de ajuda para substituir a Huawei por fornecedores dos EUA. Lamelas enquadrou o caso como uma questão de segurança nacional, o que levou a embaixada chinesa a denunciar interferência na soberania argentina. A CALF respondeu, enfatizando que compraria tecnologia para prestar melhores serviços aos seus clientes, não para tomar partido no fogo cruzado entre a China e os Estados Unidos.
O mais revelador do episódio são as distorções que expõe: uma decisão comercial de uma cooperativa provincial vira objeto de pressão estrangeira, e uma prerrogativa soberana dos EUA, o controle de vistos, vira instrumento de influência. Que isso tenha ocorrido justamente na Argentina de Milei torna o caso ainda mais instrutivo. Na rivalidade EUA-China, a pressão pode atingir empresas, tecnologias, sistemas de pagamento, fluxos financeiros, investimentos e transações com terceiros países.
Por isso, a hipótese de uma nova regionalização coercitiva das Américas precisa ser levada a sério. Ela não necessariamente assumirá a forma das antigas zonas coloniais de influência nem deverá ser formalizada por tratados. A reorganização regional poderá nascer simplesmente da instrumentalização de diversas medidas, incluindo tarifas, sanções, restrições tecnológicas, financiamento preferencial a aliados e ameaça de punição a governos, empresas ou indivíduos que mantenham relações consideradas contrárias aos interesses dos Estados Unidos. O resultado seria uma esfera econômica definida pela capacidade dos EUA de impor custos a quem tentasse dela escapar.
Portanto, corremos o risco de enfrentar um sistema global ao mesmo tempo mais integrado e mais opressor.
É diante desse risco que, no Brasil, surge a possibilidade de uma “venezuelização” às avessas. Não nos referimos à venezuelização, invocada no debate político doméstico, como sinônimo de uma suposta transição socialista, mas à que ocorre quando uma potência hegemônica passa a empregar coerção econômica ou militar para limitar o espaço de decisão soberana de um país.
“Venezuelização”, tal qual empregada aqui, refere-se à possibilidade de os Estados Unidos passarem a impor ao Brasil suas preferências por meio de instrumentos de coerção econômica (ou mesmo militar), como vêm fazendo em relação à Venezuela desde a queda de Nicolás Maduro. No cenário mais agudo, o Brasil poderia ser confrontado com exigências sucessivas, como limitações aos investimentos chineses, restrição ao acesso a tecnologias (como a escolha do futuro padrão 6G), abandono de sistemas financeiros ou digitais considerados inconvenientes (como o PIX), entre outras medidas.
O caso da CALF sugere que esse processo poderia começar apenas por meio de pressões informais, seguidas de tarifas, restrições financeiras e sanções contra empresas. A resposta estratégica não pode consistir em escolher antecipadamente uma potência em detrimento da outra, mas sim em tornar muito custosa qualquer tentativa externa de nos obrigar a escolher.
É por essa razão que o Mercosul tem hoje uma dimensão muito maior do que a de sua arquitetura tarifária. Um bloco capaz de negociar com Europa, Ásia, América do Norte e outros parceiros amplia o leque de opções do Brasil e dos demais membros. Em contrapartida, um Mercosul enfraquecido faz o contrário.
Sua dissolução prática teria, portanto, uma consequência geopolítica mais séria do que se costuma admitir. O enfraquecimento do Mercosul aproximaria a América do Sul de uma configuração em que cada país teria de negociar isoladamente com os EUA e a China, e os países isolados resistem menos à coerção do que um bloco parcialmente unido.
As eleições brasileiras deixam claro o que está em jogo. Em julho, o candidato Flávio Bolsonaro encaminhou ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) um documento contra as novas tarifas e declarou que o Brasil deve “libertar-se das amarras do Mercosul”, que supostamente teriam impedido governos anteriores de negociar diretamente com os EUA. Citou o caminho da Argentina de Milei como precedente a ser examinado. Uma vitória dessa candidatura poderia levar o Brasil e a Argentina a quererem transformar o bloco em uma simples área de livre-comércio, com a consequente redução do poder de barganha coletivo. Uma reeleição de Lula manteria a defesa brasileira da união aduaneira, mas em um ambiente regional e internacional cada vez mais hostil.
Há, portanto, dois cenários possíveis. No primeiro, a globalização recua e a economia mundial se reorganiza em blocos ou esferas de influência cada vez mais rígidos. Nesse mundo, a capacidade brasileira de manter relações simultâneas com os Estados Unidos e a China seria gradualmente reduzida, até que a inevitável escolha entre um campo e outro se impusesse. No segundo, a globalização continuaria de forma mais fragmentada em termos políticos, mais disputada, e progressivamente menos centrada nos Estados Unidos. Nesse mundo, a estratégia brasileira deve ser exatamente a de não escolher antecipadamente um campo, mas construir deliberadamente uma rede de interdependências que preserve nossa capacidade de escolha. O Mercosul é uma das plataformas que permitem ao Brasil fazê-lo.
Se a Argentina abandonasse a disciplina comercial comum, estaria o Mercosul condenado a desaparecer? Pensamos que não necessariamente. Os membros remanescentes – Brasil, Paraguai, Uruguai e uma Bolívia em processo de incorporação – poderiam preservar um núcleo de negociação com a Europa, a Ásia e outros parceiros. Uma eventual saída argentina reduziria a escala e o poder de barganha do bloco e exigiria a adequação jurídica dos acordos já celebrados, mas não eliminaria a lógica estratégica do Mercosul. A pergunta para a qual o Brasil precisa urgentemente elaborar uma resposta, é: se um membro escolher atrelar sua inserção externa a uma grande potência, devem os demais segui-lo ou preservar entre si uma plataforma para negociar com todas?
Milei chamou o Mercosul de prisão e Flávio Bolsonaro usou a metáfora das amarras. O vocabulário é de aprisionamento, alçando a permanência no Mercosul a uma questão de liberdade. A sobrevivência do Mercosul é, de fato, uma questão de liberdade, mas não pelos motivos que apontam Milei e Bolsonaro. Em mundo marcado por potências que disputam áreas de influência e empregam os instrumentos da interdependência como mecanismos de coerção, certas amarras coletivas podem ser justamente aquilo que amplia a liberdade de cada país. Em tempos de Odisseia cinematográfica, não custa lembrar que Ulisses pediu que o amarrassem ao mastro não para renunciar à viagem, mas para completá-la.
Calote-da-divida-publica-denominada-em-moeda-domestica
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/samuelpessoa/2026/08/calote-da-divida-publica-denominada-em-moeda-domestica.shtml
Há alguns dias, na seção Painel desta Folha, editada por Fábio Zanini, foi noticiado que o economista Luiz Gonzaga Belluzzo enviara uma mensagem por escrito ao coordenador da campanha do candidato Lula, o ex-presidente da Petrobras Sergio Gabrielli, afirmando que há exagero do mercado financeiro sobre o volume da dívida pública. Segundo o texto, Belluzzo escreveu:
"Em minhas peregrinações pelos labirintos da história do capitalismo não encontrei sequer um fiapo de memória denunciando uma crise monetário-financeira provocada pelo endividamento ‘excessivo’ dos governos em moeda nacional."
Um recente artigo, com o sugestivo título "Uma jornada pela história dos calotes soberanos de dívida pública emitida na jurisdição doméstica", de Aitor Erce, Enrico Mallucci e Mattia Picarelli, disponibiliza base de dados de calote de dívida pública doméstica. O artigo encontrou 134 eventos de calote e reestruturação de dívida doméstica em 52 países entre 1980 e 2018. Desses, 76 foram em países da América Latina, sendo 39 na América do Sul.
Aparentemente, a peregrinação —vale lembrar que jornada é um sinônimo perfeito de peregrinação— de Belluzzo não foi muito exaustiva.
De fato, em 2011 foi publicado na prestigiosa revista The Economic Journal, editada pelo departamento de economia de Cambridge, o artigo "A história esquecida da dívida doméstica", de Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff.
Há uma diferença sutil entre os dois artigos mencionados acima. O de 2011 estuda casos de calote de dívida soberana emitida na moeda local. O artigo mais recente trata de dívida soberana emitida na jurisdição local. Como tratado no artigo mais recente, há quase sempre uma tripla coincidência: a dívida emitida na jurisdição local é denominada em moeda local, e o detentor é um residente do país.
É difícil mesmo entender o motivo de haver calote em dívida denominada na moeda local, pois é sempre possível emitir moeda e recomprar a dívida. O problema é que esse caminho pode gerar uma hiperinflação. Assim, a economia política pode gerar como solução o calote da dívida em moeda doméstica, em vez de emissão de moeda para recompra da dívida interna.
Há diversos tipos de eventos, como documentado pelo texto mais recente:
"1) Um governo deixa de efetuar um pagamento de principal ou juros de um título de dívida na data de vencimento ou dentro de um período de carência especificado (como no Brasil em 1990 ou na Argentina em 2001);
2) Títulos de dívida são baixados do balanço sem uma compensação adequada para os detentores da dívida (como na Libéria em 1989);
3) Os termos contratuais dos títulos de dívida são alterados unilateralmente por um decreto governamental, como a revogação de cláusulas de indexação (como no Brasil em 1986) ou a introdução de impostos retroativos direcionados aos pagamentos do serviço da dívida (como na Turquia em 1999);
f4) Na ausência de um inadimplemento total, o governo realiza um exercício de reestruturação que reduz as taxas de juros e/ou estende os vencimentos dos títulos em circulação (como na Grécia em 2011 ou em Barbados em 2018);
5) Depósitos que são garantidos pelo governo ou mantidos por bancos públicos são congelados e/ou convertidos à força de moeda estrangeira para moeda local ou para títulos do governo (como no Paquistão em 1999)".
Ou seja, apesar da robusta posição de reservas que faz o setor público brasileiro credor em dívida em moeda externa, há motivos para que os poupadores tenham preocupações com a sustentabilidade da dívida pública denominada em real na nossa jurisdição.
Call Matinal
17/08/2026
Julio Hegedus Netto, economista
MERCADOS EM GERAL
FECHAMENTO (1408)
MERCADOS
Na sexta-feira (14), o Ibovespa terminou em leve baixa de 0,10%, aos 166.934,20 pontos, com giro de R$ 22,4 bilhões. Já a moeda americana fechou em alta de 0,52%, beirando a faixa de R$ 5,22, cotada a R$ 5,2199.
PRINCIPAIS
MERCADOS
|
|
MERCADOS 5h30 |
|
|
EUA |
Índices |
Comentários |
|
|
Dow Jones Futuro: -0,18% S&P 500 Futuro: +0,14% Nasdaq Futuro: +0,57% |
Os índices futuros do EUA operam mistos nesta segunda-feira (17), com
investidores reduzindo as apostas de que o Federal Reserve (Fed) aumentará as
taxas de juros em setembro. |
|
Ásia-Pacífico |
|
|
|
|
Shanghai SE (China), +1,41% Nikkei (Japão): +0,74% Hang Seng Index (Hong Kong): +1,34% Nifty 50 (Índia): -0,11% ASX 200 (Austrália): -0,46% |
|
|
Europa |
|
|
|
|
STOXX 600: +0,10% DAX (Alemanha): -0,13% FTSE 100 (Reino Unido): +0,14% CAC 40 (França): -0,16% FTSE MIB (Itália): +0,29% |
|
|
Commodities |
|
|
|
|
Petróleo WTI, -0,34%, a US$ 82,12 o barril Petróleo Brent, +0,41%, a US$ 88,88 o barril Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, -0,70%, a
706,50 iuanes (US$ 104,77) Bitcoin, +0,38%, a US$ 63.343,88 |
|
Dia 1708
Uma agenda pesada em que o foco estará na ata do FOMC na
quarta-feira, e por aqui, alem de uma batalha eleitoral que deve se aprofundar
nos proximos meses, tambem indicadores como o IGP-10, mais uma pesquisa Focus,
o IBC-Br de junho e uma palestra de Galípolo, às 12h, em evento do Santander.
Na Asia, indicadores abrem a semana internacional, com
o PIB/2TRI do Japão e produção industrial e vendas no varejo na China. No
eletrônico, o petróleo ampliava a alta com as negociações da guerra entre os
Estados Unidos e o Irã estagnadas. Destaque da agenda lá fora, a ata do Fed
será divulgada na quarta-feira, além dos balanços das varejistas Home Depot e
Walmart.
A largada oficial da campanha neste domingo encontra
os investidores aumentando a cautela com o Brasil, depois de uma semana de
forte deterioração dos ativos domésticos e fuga de estrangeiros. O Ibovespa
acumulou queda de 3% na semana passada e completou nove pregões seguidos de
baixa, enquanto o dólar avançou 2,68%, cotado novamente acima de R$ 5,20. Nos
juros, o prêmio aumentou no miolo da curva e na ponta longa.
Agenda
Segunda-feira, 1708
Brasil. Às 8hs, IGP-10 de agosto, divulgado pela FGV
Às 8h25, a Focus atualiza as expectativas do mercado
Às 9h, BCB divulga o IBC-Br de junho
Ainda sem data definida, a Receita deve divulgar nesta
semana os números de julho.
EUA. A ata da última reunião do Fed, na quarta-feira,
é o principal destaque da agenda internacional.
As 9h30, sai o índice Empire State de atividade
industrial de agosto.
Às 11h, sai a confiança das construtoras (NAHB).
Amanhã, divulgam as construções de moradias iniciadas
e a produção industrial de julho.
Na quarta-feira, antes da ata do Fed, saem os estoques
semanais de petróleo do DoE. Na quinta, os pedidos semanais de
auxílio-desemprego nos Estados Unidos devem cair de 209 mil para 205 mil.
BDM Matinal Riscala
*Bom Dia Mercado*
Segunda Feira,17 de Agosto de 2.026.
RISCO BRASIL GANHA FORÇA
*Mercado entra de cabeça na volatilidade pré-eleitoral*
… Dados da Ásia abrem a semana internacional, com o PIB/2TRI do Japão e produção industrial e vendas no varejo na China. No eletrônico, o petróleo ampliava a alta com as negociações da guerra entre os Estados Unidos e o Irã estagnadas. Destaque da agenda lá fora, a ata do Fed será divulgada na quarta-feira, além dos balanços das varejistas Home Depot e Walmart. Aqui, a segunda-feira concentra os principais indicadores e eventos, com o IGP-10, mais uma pesquisa Focus, o IBC-Br de junho e uma palestra de Galípolo, às 12h, em evento do Santander, aberta à imprensa e com transmissão ao vivo, enquanto o mercado já entrou na volatilidade pré-eleitoral.
MERCADO PRECIFICA VITÓRIA DE LULA – A largada oficial da campanha neste domingo encontra os investidores aumentando a cautela com o Brasil, depois de uma semana de forte deterioração dos ativos domésticos e fuga de estrangeiros.
… O Ibovespa acumulou queda de 3% na semana passada e completou nove pregões seguidos de baixa, enquanto o dólar avançou 2,68%, cotado novamente acima de R$ 5,20. Nos juros, o prêmio aumentou no miolo da curva e na ponta longa (leia abaixo).
… O movimento foi acompanhado por uma forte saída de estrangeiros da bolsa, que já somava R$ 13,6 bilhões em agosto até o dia 12. O desempenho também se descolou dos demais emergentes: enquanto o EWZ perdeu mais de 4% na semana, o EEM avançou 1,5%.
… É nesse ambiente que o Citi retirou o real de sua cesta de carry trade diante da “provável eleição de Lula para mais um mandato” e da expectativa de aumento da volatilidade cambial à medida que outubro se aproxima.
… O banco americano cita mercados preditivos que atribuem 67% de probabilidade à vitória de Lula, ante 27% para Flávio Bolsonaro, e avalia que os ativos brasileiros devem incorporar um prêmio de risco maior até a eleição.
… O Citi trocou o real pelo rand sul-africano e recomenda ficar sem posição na moeda ou apostar em sua desvalorização ante o peso colombiano.
… A mudança de humor já havia ganhado força na semana passada, quando o JPMorgan rebaixou o Brasil de overweight para neutro e reduziu de 190 mil para 185 mil pontos sua projeção para o Ibovespa no fim do ano.
… Entre os motivos, citou a volatilidade eleitoral, além de juros reais elevados, desaceleração da economia e preocupações fiscais.
… O risco fiscal também foi o centro do alerta de Armínio Fraga em entrevista à Folha de S.Paulo. O ex-presidente do BC comparou o cenário atual ao período que antecedeu a recessão do governo Dilma e disse que o próximo governo receberá uma “herança complicada”.
… Para Armínio, a política econômica está descoordenada entre o esforço do BC para conter a inflação e o aumento dos gastos, enquanto o desemprego baixo mascara parte do problema fiscal e o estresse já aparece no crédito, com maior inadimplência e dificuldades no varejo.
FOI DADA A LARGADA – A campanha eleitoral começou com Lula e Flávio concentrando as atenções e muito à frente dos demais candidatos.
… Na última Quaest, divulgada no início da noite de sexta-feira, eles aparecem tecnicamente empatados na simulação do segundo turno: o presidente com 43% e Flávio com 40%. No primeiro turno, Lula tem 38%; Flávio, 31%; Renan Santos e Caiado, 4%; e Zema, 2%.
… Lula escolheu São Bernardo do Campo, seu berço político, para lançar a campanha à reeleição, fez acenos às mulheres, comparou os resultados econômicos de seu governo aos da gestão Bolsonaro e disse disputar um quarto mandato para impedir a volta da direita ao poder.
… Na economia, Lula destacou a queda da inflação e do desemprego e o maior crescimento do PIB em seu governo. Também defendeu que o Brasil explore e industrialize suas terras raras e minerais críticos, sem entregar essas riquezas aos Estados Unidos, à China ou a outros países.
… Flávio abriu a campanha em Copacabana, no Rio, com críticas à política econômica e acusações de corrupção contra o governo Lula. Prometeu um “tesouraço” com cortes de impostos, burocracia, corrupção e cargos ocupados por petistas, além de duro combate ao crime organizado.
… O candidato do PL também voltou a atacar o STF e disse que, se eleito, indicará quatro ministros para a Corte. Na política externa, afirmou ser capaz de negociar com Estados Unidos, China, Índia e Israel e fechar acordos comerciais.
… Em São Paulo, Tarcísio de Freitas abriu a campanha à reeleição ao governo de São Paulo praticamente sem mencionar Flávio Bolsonaro.
… Fora da polarização ao Planalto, Ronaldo Caiado começou a campanha em Goiás tendo de administrar um ruído dentro da própria chapa.
… Seu vice, Gilberto Kassab – considerado uma espécie de oráculo no mundo político – não participou do evento, dois dias depois de afirmar que Flávio Bolsonaro tem “chance zero” de vencer a eleição e que os partidos do Centrão estão com Lula.
… Zema lançou a candidatura em Minas Gerais com críticas ao governo Lula, ao STF e à política externa, além de colocar a segurança pública no centro da campanha. Renan Santos, em SP, atacou Lula e Flávio e adotou um discurso de forte endurecimento contra as facções criminosas.
… Na disputa pelo Congresso, o PL chega à campanha com o maior número de candidatos do País, 1.624, e as maiores chapas para Câmara e Senado. O partido também recebeu a maior fatia dos quase R$ 5 bilhões do fundo eleitoral, cerca de R$ 882 milhões.
GUERRA SE ESPALHA, PETRÓLEO RESISTE – Se de um lado a eleição aumenta o prêmio de risco doméstico, de outro, o exterior mantém a pressão, com a guerra entre Estados Unidos e Irã sem qualquer sinal de solução e o conflito se espalhando pelo Oriente Médio.
… Com as negociações estagnadas, a escalada chegou ao Líbano e Mar Vermelho, enquanto Washington prepara novas sanções contra Teerã.
… Israel realizou no fim de semana os ataques mais letais no Líbano desde o cessar-fogo de junho, enquanto no Mar Vermelho os houthis também ampliaram as investidas e atingiram instalações da Saudi Aramco, abrindo uma nova fonte de risco para as exportações sauditas.
… O impasse entre Washington e Teerã parece cada vez mais distante de uma solução.
… Os Estados Unidos preparam um plano de “isolamento econômico” do Irã e Trump prometeu atingir duramente a economia do país. Teerã diz que ainda não decidiu se retomará as negociações e insiste que a abertura de Ormuz dependerá dos iranianos.
… Os dois lados afirmam que controlam o estreito. Trump afirmou que os Estados Unidos são “donos” de Ormuz e decidem quais embarcações podem passar, enquanto autoridades iranianas sustentam que a hidrovia permanece sob controle de Teerã.
… O Irã também nega que exista um cessar-fogo a ser renovado nesta segunda-feira, como afirma Washington.
… Apesar da escalada, uma operação clandestina para retirar petróleo do Golfo Pérsico está evitando um choque maior nos preços.
… Segundo a Bloomberg, produtores da região atravessam Ormuz com navios sem serem detectados e transferem as cargas para outros petroleiros no Golfo de Omã. Os volumes dessas operações superam as estimativas do mercado, de cerca de 4 milhões de barris por dia.
… O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou que 9 milhões de barris por dia atravessaram Ormuz na última semana, quase metade dos cerca de 20 milhões de barris que passavam diariamente pela rota antes da guerra.
… Os fluxos clandestinos, somados ao uso de oleodutos alternativos, à liberação de estoques e à redução da demanda global, ajudam a explicar por que o Brent permanece na faixa de US$ 80 a US$ 90, muito abaixo dos cenários de até US$ 150 considerados no início da guerra.
… A alternativa, porém, está longe de ser segura, já que há mais ataques a embarcações do que os divulgados publicamente. Cerca de 150 navios estariam ancorados ao largo de Omã, ante 40 em janeiro, muitos à espera das cargas transportadas clandestinamente por Ormuz.
… O petróleo já começou a incorporar novamente parte desse risco. Na sexta-feira, o Brent para outubro subiu 1,67%, a US$ 88,52, acumulando alta de 5,95% na semana, enquanto o WTI para setembro avançou 1,42%, a US$ 82,40, com alta semanal de 5,4%.
… A combinação de impasse diplomático e novas frentes de combate reforça a perspectiva de uma guerra prolongada.
… Análise da Bloomberg avalia que Estados Unidos e Irã desenvolveram estratégias capazes de evitar a derrota, mas não de produzir uma vitória decisiva, abrindo espaço para períodos de relativa calma interrompidos por novas escaladas e fechamentos recorrentes de Ormuz.
… Nesse cenário, os fluxos alternativos podem impedir por enquanto uma disparada do petróleo, mas não eliminam o prêmio geopolítico.
… Com Ormuz operando precariamente e a guerra avançando para outras rotas de energia, o mercado continua sujeito a novos choques de oferta e fortes oscilações dos preços. Na abertura do pregão eletrônico nesta segunda-feira, o Brent ampliava a alta para US$ 88,86.
AS PROJEÇÕES PARA HOJE – O IGP-10 de agosto, divulgado às 8h pela FGV, deve voltar ao terreno positivo, com alta de 0,12%, após queda de 1,13% em julho, segundo a mediana do Projeções Broadcast. As estimativas vão de -0,43% a +0,32%.
… Às 8h25, a Focus atualiza as expectativas do mercado, com atenção às projeções para o IPCA no horizonte relevante da política monetária. Na semana anterior, a estimativa para 2026 estava em 5,02%, enquanto 2027 e 2028 ficaram em 4,22% e 3,80%, respectivamente.
… Às 9h, o BC divulga o IBC-Br de junho, que deve reforçar os sinais de desaceleração da atividade. A mediana apurada em pesquisa Broadcast prevê queda de 0,50% na margem, após alta de 0,07% em maio, com projeções entre -1,20% e +0,40%.
… A expectativa reflete principalmente a queda de 1,8% da produção industrial e de 1,0% do varejo ampliado.
ARRECADAÇÃO – Ainda sem data definida, a Receita deve divulgar nesta semana os números de julho, com expectativa de mais um resultado forte. A mediana aponta arrecadação de R$ 284,6 bilhões, ante R$ 264,4 bilhões em junho.
… Se confirmada, a projeção representa crescimento real de cerca de 7,3% sobre julho de 2025. O resultado deve ser sustentado pelos tributos ligados ao comércio exterior e por receitas do petróleo, além do impulso do IOF, favorecido por uma base de comparação mais fraca.
AGENDA LÁ FORA – A ata da última reunião do Fed, na quarta-feira, é o principal destaque da agenda internacional desta semana e ganha uma importância especial depois de os dados de inflação dos Estados Unidos terem adiado para dezembro as apostas de uma alta dos juros.
… Hoje, às 9h30, sai o índice Empire State de atividade industrial de agosto, com previsão de queda a 9,0, de 15,6 em julho. Às 11h, sai a confiança das construtoras (NAHB), que deverá recuar de 34 para 32.
… Amanhã, os Estados Unidos divulgam as construções de moradias iniciadas e a produção industrial de julho, com expectativa de alta de 0,4%.
… Na quarta-feira, antes da ata do Fed, saem os estoques semanais de petróleo do DoE. Na quinta, os pedidos semanais de auxílio-desemprego nos Estados Unidos devem cair de 209 mil para 205 mil.
… A sexta-feira concentra as prévias dos PMIs de agosto na zona do euro e nos Estados Unidos, onde o PMI composto deve recuar para 54,3.
ÁSIA HOJE – A leitura preliminar do PIB/2TRI do Japão registrou crescimento de 0,3% contra o trimestre anterior, abaixo da expectativa de analistas dos analistas de mercado, que projetavam uma expansão de 0,5%.
… Na China, a divulgação da produção industrial e das vendas no varejo em julho estava programada para a madrugada e deve repercutir nesta manhã.
… Ainda na China, o PBoC divulgará na noite de quarta-feira as taxas das LPRs de um e cinco anos.
BALANÇOS – Os resultados das varejistas americanas Home Depot e Walmart serão divulgados na terça e quinta-feira, respectivamente, ambos antes da abertura do mercado em Nova York. Hoje tem BHP, após o fechamento.
… Aqui, a temporada do segundo trimestre está encerrada. Realizam teleconferência hoje Marisa Lojas (9h), Vibra Energia (10h), Cosan, Boa Safra (14h) e Jalles Machado (15h).
… Confira abaixo no Cias Abertas os últimos balanços divulgados na sexta-feira à noite!
VALE – O STF incluiu na pauta do dia 21, sexta-feira, o julgamento sobre a tributação de lucros da Vale no exterior.
PETROBRAS – Ganhou destaque no início da noite de sexta-feira a notícia de que, após dez meses de trabalho, a companhia atingiu o reservatório do poço Morpho, na Margem Equatorial brasileira, e identificou a presença de óleo.
… A empresa não divulgou dados suficientes para dimensionar o tamanho da descoberta, o volume recuperável ou a viabilidade econômica da produção, o que pode ter contribuído para a reação morna dos ADRs no after market.
… “Não temos nenhum número da Petrobras, portanto não dá para falar se é uma descoberta relevante ou não”, afirmou o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), Adriano Pires, ouvido pelo Broadcast.
… Mas ele reconheceu que a notícia mostra a importância de o Ibama agilizar as licenças ambientais.
… Já o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e ex-diretor-geral da ANP, David Zylbersztajn, comentaram que a descoberta de petróleo na Margem Equatorial pode reposicionar o Brasil dentro da geopolítica global.
… De seu lado, Alcolumbre afirmou, em vídeo publicado nas redes sociais, que é um “sonho que se torna realidade”.
… No mercado, o sócio da Fatorial Investimentos, Fábio Lemos, disse que, se os próximos poços confirmarem escala e qualidade, o Brasil pode estar diante de uma fronteira capaz de ter importância estratégica para a próxima década.
… O gestor de portfólio Hugo Queiroz (Soho Capital) observou que, apesar da relevância da descoberta, os efeitos na produção da Petrobras ainda devem levar anos para aparecer. “No mínimo seis anos para sair a primeira gota.”
… Segundo ele, o desenvolvimento da Margem Equatorial pode levar a Petrobras a iniciar um novo ciclo de desinvestimentos, com venda de ativos em águas rasas para direcionar recursos à exploração da região.
INFERNO ASTRAL – A decisão do governo Lula de “comprar briga” com Trump, ao anunciar a aplicação da Lei da Reciprocidade, adicionou na sexta-feira nova camada de incerteza aos negócios domésticos, numa semana já difícil.
… O risco de piora na relação diplomática com os Estados Unidos se somou ao ambiente cauteloso em que o Brasil foi rebaixado pelo JPMorgan, agora que o trade eleitoral e fiscal entrou definitivamente em cena nos mercados.
… A fuga de capital externo da B3 dá a dimensão do quanto o investidor estrangeiro está virando a chave em relação ao Brasil. Em meio ao fluxo de saída, o dólar rompe R$ 5,20 e o Ibovespa cai há nove pregões ininterruptos.
… Fontes consultadas pelo Valor afirmaram que parte desta pressão vendedora de capital não residente no País tem sido encabeçada pela GQG Partners, gestora global com forte atuação em mercados emergentes.
… Embora o que se comente é que a Lei de Reciprocidade tenha mais caráter de sinalização diplomática do que de retaliação imediata, sem contramedida na mesa, o fato é que adicionou novo foco de pressão e incerteza na sexta.
… No pior momento, o Ibovespa chegou a cair quase 1,5%, com o estrangeiro de novo à frente deste movimento.
… A bolsa só conseguiu testar uma reação na reta final, quando quase zerou toda a perda, mas ainda não foi desta vez que fechou no azul. Terminou em leve baixa de 0,10%, aos 166.934,20 pontos, com giro de R$ 22,4 bilhões.
… Os papéis dos bancos foram os protagonistas da melhora de humor: Itaú PN subiu 1,80% (R$ 39,00), BB ON, +0,93% (máxima de R$ 18,38); e Santander unit, +0,34% (R$ 29,93). Bradesco PN foi exceção e caiu 0,72% (R$ 16,54).
… Entre as blue chips das commodities, Petrobras teve alta moderada (PN +0,45%, a R$ 42,09; e ON +0,21%, a R$ 46,83), com o petróleo subindo 1,5%. Vale recuou 0,83%, a R$ 71,30, contrariando o minério de ferro (+0,42%).
… Braskem PNA liderou as perdas do Ibovespa, com tombo de 7,68% (R$ 4,93), após o balanço trimestral, em meio a negociação com credores. Yduqs, que também anunciou seus números trimestrais, caiu feio: -5,18%, para R$ 7,32.
PULANDO FORA – A liquidação dos ativos domésticos se repetiu no câmbio, com o real no piso em quatro meses.
… A moeda brasileira teve a segunda pior semana do ano, com desvalorização de 2,67%, só perdendo para os 3,54% de maio, durante o Flávio Day 2.0, com a divulgação do áudio ligando o senador ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
… De olho nas eleições presidenciais e no aumento da instabilidade que começou a se materializar nos últimos dias, os investidores começam a demonstrar claramente que não querem ficar vendidos em dólar (ou comprados em real).
… Mesmo quem não descarta uma alternância de poder, vê com preocupação o endereçamento da questão fiscal.
… Descolada do enfraquecimento do dólar no exterior (com a rodada recente de alívio com os indicadores de inflação), por aqui, a moeda americana fechou em alta de 0,52%, beirando a faixa de R$ 5,22, cotada a R$ 5,2199.
… À medida que a bolsa tentava virar para o positivo na sexta-feira, os juros futuros se afastaram das máximas, mas ainda fecharam em alta, na sessão marcada pelo clima de aversão ao risco, com os estrangeiros batendo em retirada.
… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 13,765% (de 13,746% no ajuste anterior); Jan/28, 13,985% (contra 13,935%); Jan/29, 14,330% (de 14,253%); Jan/31, 14,590% (de 14,515%); e Jan/33, 14,685% (de 14,623%).
… No noticiário do dia, o Santander reduziu de 5,0% para 4,9% a previsão para a inflação medida IPCA este ano citando “surpresas favoráveis” nos preços de alimentos, combustíveis e serviços nos indicadores mais recentes.
… Além disso, aludiu ao enfraquecimento do repasse dos choques observados no primeiro trimestre deste ano.
… Para 2027, a previsão do IPCA foi mantida em 4%, com balanço de riscos “levemente baixista”, segundo o banco.
… Não teve influência nos negócios na sexta o resultado da Pnad contínua, que mostrou um mercado de trabalho aquecido, com queda na taxa de desemprego para 5,4% no segundo trimestre, de 6,1% no trimestre anterior.
O FALCÃO INTERIOR – O Fed boy Austan Goolsbee não esteve entre os três dissidentes da última reunião de política monetária, tendo preferido votar pela manutenção dos juros em julho, ao invés de apoiar um aperto das taxas.
… Apesar de ver a inflação desacelerando neste momento, ele disse que deseja mais evidências sobre a continuidade da tendência de alívio, depois do CPI e do PPI comportados, para confirmar a ancoragem dos preços à meta de 2%.
… “Se tivermos três ou quatro meses seguidos como vimos em junho, ficarei muito mais confiante de que estamos no caminho certo”, avaliou em entrevista à Bloomberg News. “Mas devo dizer que estou otimista”, reconheceu.
… O entusiasmo com a rodada recente de indicadores de inflação jogou para o fim do ano as apostas de alta do juro pelo Fed e explicou o enfraquecimento do índice DXY do dólar, que recuou 0,32% na sexta-feira, a 99,965 pontos.
… Em má fase, o iene caiu a 159,39 por dólar, apesar da notícia da Reuters de que o BoJ pode apressar um aperto monetário para setembro e se tornar mais agressivo no ciclo de aumento a partir do quarto trimestre.
… O euro subiu 0,35%, a US$ 1,1569, e libra esterlina registrou alta de 0,36%, cotada a US$ 1,3536.
… Após terem caído durante a semana com os sinais de que o Fed pode demorar mais para subir os juros, as taxas dos Treasuries entraram em correção na sexta-feira, com o avanço do petróleo facilitando um ajuste em alta.
… O retorno da Note de 2 anos subiu para 4,171% (de 4,143%) e o rendimento de 10 anos foi a 4,690% (de 4,643%).
… Em pregão sem estresse, as bolsas em Nova York caíram de leve antes do final de semana: o Dow Jones recuou 0,20%, aos 53.732,41 pontos; S&P 500 perdeu 0,17%, a 7.785,76 pontos; e Nasdaq, -0,28%, aos 26.729,16 pontos.
CIAS ABERTAS NO AFTER – CASAS BAHIA teve prejuízo líquido ajustado de R$ 978 milhões no segundo trimestre, alta de 76,2%, e prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões…
… Companhia fechou 298 lojas e admite avaliar nova recuperação extrajudicial ou judicial.
MARISA teve prejuízo de R$ 68,4 milhões no segundo trimestre, ante lucro de R$ 2,1 milhões. Receita caiu 2,1%, para R$ 386,2 milhões, e Ebitda pré-IFRS 16 avançou 89,9%, para R$ 36,1 milhões…
… Auditoria considera que o prejuízo está subavaliado em R$ 34,9 milhões e apontou incerteza relevante sobre a continuidade operacional.
MARABRAZ pediu recuperação judicial com dívidas de cerca de R$ 140 milhões, em meio aos juros elevados e a disputas societárias e familiares.
PORTO SUDESTE. Consórcio formado por Vale, Gerdau e BlackRock apresentou oferta pelo porto, avaliado entre US$ 3 bilhões e US$ 3,5 bilhões. A I Squared também fez proposta, segundo a Bloomberg.
PETROBRAS recebeu R$ 536,7 milhões em subsídios para gasolina e GLP, elevando o total para R$ 6,9 bilhões.
NUBANK teve lucro de US$ 1,06 bilhão no segundo trimestre, equivalente a cerca de R$ 5,5 bilhões, superando o Banco do Brasil (R$ 3,9 bilhões) e praticamente igualando o resultado do varejo do Itaú.
SANTANDER elevou para R$ 31,21 por unit o valor implícito da OPA para minoritários do Santander Brasil, prêmio de 23,6% sobre a cotação na data do anúncio.
VIBRA ENERGIA teve lucro líquido de R$ 2,352 bilhões no segundo trimestre, salto de 705%. Receita cresceu 26%, para R$ 57,428 bilhões, e Ebitda ajustado avançou 206%, para R$ 4,499 bilhões…
… Companhia aprovou R$ 499,4 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,4174 por ação, com papéis ex em 22/9.
SABESP aprovou a 39ª emissão de debêntures, no valor de R$ 178 milhões, com vencimento em dezembro de 2034 e remuneração prefixada de 3,50% ao ano. Recursos serão destinados a investimentos e financiamento de projeto.
AEGEA. André Pires de Oliveira Dias renunciou às diretorias Financeira e de RI. Yaroslav Memrava Neto, atual vice-presidente de Novos Negócios, assumirá os dois cargos interinamente.
COSAN teve lucro líquido consolidado de R$ 187 milhões no segundo trimestre, revertendo prejuízo de R$ 568 milhões. Receita cresceu 3%, para R$ 10,776 bilhões, e Ebitda avançou 24%, para R$ 3,521 bilhões…
… Companhia anunciou saída da Nyse, convocou AGE para cisão da Radar II e nomeou José Cezário como novo diretor Financeiro e de RI.
ENERGISA registrou consumo de 3.599 GWh em julho, alta de 7,5% ante um ano antes. No acumulado de 2026, o consumo cresceu 4,4%.
… Opportunity elevou participação e passou a deter 10,01% das ações preferenciais da companhia.
TELEFÔNICA BRASIL pagará R$ 350 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,1095 por ação. Papéis ficam ex-JCP em 27/8 e o pagamento será realizado até 30/4/2027.
HAPVIDA trabalha em plano de transformação para recuperar margens, ampliar geração de caixa e reduzir alavancagem. Entre as medidas, prevê reduzir mais de 30 unidades e renegociar contratos e custos.
ONCOCLÍNICAS teve prejuízo líquido de R$ 475,7 milhões no segundo trimestre, ante perda de R$ 142,3 milhões um ano antes. Receita caiu 28,5%, para R$ 1,047 bilhão, e Ebitda ficou negativo em R$ 314,4 milhões.
ALLIED. Família fundadora acertou a compra de 11,58% do capital, sem que nenhum acionista passe a deter isoladamente o controle da companhia.
SMART FIT. SPX passou a deter 5,11% do capital social, equivalente a 31,5 milhões de ações.
ECORODOVIAS fará emissão de R$ 1,030 bilhão em debêntures, com vencimento em 2032, para gestão de passivos.
BOA SAFRA teve lucro líquido de R$ 2,7 milhões no segundo trimestre, revertendo prejuízo de R$ 2,7 milhões um ano antes. Receita cresceu 23%, para R$ 124,7 milhões, e Ebitda ajustado saltou 504%, para R$ 27,7 milhões.
JALLES MACHADO teve prejuízo de R$ 74 milhões no primeiro trimestre da safra 2026/27. Receita caiu 32,6%, para R$ 340,4 milhões, e Ebitda ajustado recuou 2,8%, para R$ 269,4 milhões.
TECNISA poderá propor AGE para deliberar sobre grupamento de ações caso os papéis não voltem a ser negociados acima de R$ 1 até 31 de agosto.
AMBIPAR adiou novamente a divulgação do balanço do segundo trimestre em razão da recuperação judicial. Nova data não foi informada.
BERKSHIRE HATHAWAY elevou em cerca de 80% sua participação na Alphabet, que se tornou seu terceiro maior investimento em ações, atrás de Apple e American Express.
domingo, 16 de agosto de 2026
Debates...
Eu ja "dobrei o cabo da boa esperança", o que me permite um olhar mais livre e menos preocupado com as patrulhas, em relação ao que podemos chamar de "realidade".
No ambiente acadêmico brasileiro, por exemplo, eu so vejo uma meia dúzia de faculdades, na area de Economia, que praticam a boa e acertada cátedra de ensinar o que deve ser ensinado.
Dentre os cursos que eu considero na fronteira do conhecimento, poderia lembrar do INSPER aqui em SP, e no Rio, sem duvida, da PUC e da EPGE, da FGV, só para eu me lembrar das principais. São escolas extremamente atualizadas, sempre se renovando para quem pensa na fronteira da ciência, sem ser escravo, como dizem, de algum economista defunto.
Assistindo por estes dias uma mesa na UNICAMP, sobre os rumos do desenvolvimento, colocaram o Samuel Pessoa no meio de toda a turma do Beluzzo, além do Guilherme Mello e outros, que eu desconhecia. Meu Deus, os argumentos da turma são tão rasos e ultrapassados. Tão provincianos...
Tive uma breve experiencia acadêmica em Évora, uma cidadela murada no meio do Alentejo, e, em nenhum momento me confrontei com os debates de práxis aqui no Brasil. Estas inúmeras correntes acadêmicas, cada qual refém de algum economista keynesiano. Sempre achei que a Universidade deve ser o ambiente para a liberdade do pensar, do refletir, do ser iconoclasta.
E o que me choca muito e que na maioria das universidades publicas e isso que acontece. Os caras saem doutrinando os alunos, muitos, virgens de livre arbítrio e liberdade do pensar. Acabam embarcando na canoa do professor medalhado e badalado.
La em Évora o que predominava eram modelos macro pesados, DGSE, o que para mim se mostrou um choque, pois nao fui isso que eu estudei nas universidades brasileiras.
Ou seja. Estudante de ECONOMIA, se queres alguma relevância, se queres ir para o exterior, se queres ser um economista mais completo, se renda aos modelos.
sexta-feira, 14 de agosto de 2026
UM ANTÍDOTO PARA A CRISE DE LEITURA
UM ANTÍDOTO PARA A CRISE DE LEITURA
Vivemos cercados por mensagens, e-mails, posts e notificações. Nunca lemos tanto — e, paradoxalmente, talvez nunca tenhamos lido tão mal. Passamos os olhos, antecipamos conclusões e respondemos antes mesmo de compreender.
O artigo de Isabel Clemente mostra que a pressa está produzindo uma nova forma de incomunicabilidade. Não terminamos as mensagens, ignoramos o contexto e reagimos ao que imaginamos ter sido escrito. A falta de atenção transforma informações simples em ruído, confusão e retrabalho.
O antídoto pode estar justamente nos livros. A leitura de obras como Memorial do Convento, de José Saramago, exige desaceleração, concentração e disposição para acompanhar ideias que não cabem em frases curtas. Ler literatura é treinar o cérebro para resistir ao imediatismo e recuperar a capacidade de interpretar.
Em um mundo que nos condiciona ao previsível, ler é um exercício de liberdade. Quem lê com profundidade pensa melhor, comunica-se melhor e compreende melhor o que acontece dentro e fora de si.
Talvez a verdadeira crise não seja a falta de informação, mas a falta de atenção. E, para isso, ainda não inventaram tecnologia melhor do que um bom livro aberto — e a paciência para chegar até o fim.
Call Matinal
Call Matinal 18/08/2026 Julio Hegedus Netto, economista MERCADOS EM GERAL FECHAMENTO (1708) MERCADOS Na segunda-feira (17), o ...
-
🇧🇷 *Tarcísio: mercado financeiro é muito ansioso, precisa ter calma* Broadcast: - O governador de São Paulo afirmou há pouco, no Annual M...
-
*Bom Dia Mercado* Sexta Feira, 31 de Outubro de 2.025. *Magníficas brilham no after hours* Aqui, hoje tem a Pnad Contínua e déficit primár...
-
*Rosa Riscala: Isenção do IR aprovada sem sustos* Nos EUA, shutdown suspendeu os indicadores de hoje e o payroll amanhã … Agenda econômica ...