sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Bankinter Matinal Portugal

 Análise Bankinter Portugal 

NY +0,7% US tech +1,4% US Semis +2,3% UEM -0,7% Espanha -0,9% VIX 14,5% Bund 3,25%. T-Note 4,68%. Spread 2A-10A USA=+45pb B10A: ESP 3,70% PT 3,60% ITA 4,07% FRA 4,10% Euribor 12m 3,01%. USD 1,165 JPY 185,8/€. Oro 4.575$. Brent 89,3$. WTI 83,2$. Bitcoin -0,3% (79.828$). Ether -0,4% (2.499$).

 :: SESSÃO.

Após a apresentação dos resultados da Nvidia (+9% na sessão de ontem), hoje deveremos ter uma sessão tranquila, com um viés ligeiramente em alta. A referência do dia estará no discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole (15h), onde o mercado tentará procurar indícios sobre a posição da Fed relativamente aos últimos dados de inflação e aos esforços do Tesouro norte-americano para controlar as rendibilidades de longo prazo.

 Além disso, o preço do Brent recua hoje (89,0$/barril; -0,7%), após os comentários, durante esta madrugada, do chefe do Comando Central dos EUA de que o exército norte-americano limpou o Estreito de minas iranianas, afirmando que as rotas marítimas internacionais estavam abertas.

 Na frente macroeconómica, teremos as primeiras inflações de agosto na Europa, nomeadamente de França (+2,4% est. vs. +2,1%) e Espanha (+4,2% est. vs. +3,6% ant.), que poderão antecipar a tendência a seguir pelo dado da Zona Euro, que conheceremos na próxima terça-feira (+3,2% est. vs. 2,9% ant.) e que será determinante para a decisão sobre as taxas de juro do BCE de 10 de setembro. Neste sentido, conhecemos ontem as Atas do BCE da reunião de 22/23 de julho, que refletiram que vários membros consideram adequado avaliar uma subida adicional das taxas de juro para prevenir efeitos de segunda ordem provocados pela subida dos preços da energia, num contexto de elevada incerteza, mas em que a economia europeia se mostra mais resistente do que o esperado.

 :: CONCLUSÃO.

Com tudo isto, se as inflações não surpreenderem muito, hoje deveremos ter uma sessão tranquila, pelo menos até às 15h, com um viés ligeiramente em alta graças à correção do petróleo. O impulso da tecnologia ontem graças aos resultados da Nvidia (e que se propagou a todo o restante setor tecnológico: +1,4%) continua a dar suporte a um mercado que, por enquanto, atribui maior importância aos sólidos lucros empresariais do que à incerteza geoestratégica.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

RJ, as maiores empresas

 


Olhando para 2030, Gustavo Franco



O mês de julho de 2026 teve ao menos duas novidades importantes, ambas, na verdade, filmes velhos: o tarifaço americano é uma reprise piorada do que já foi visto em abril, e as flutuações dos candidatos nas pesquisas eleitorais também parecem meio repetitivas.

Para a primeira novidade, emerge a figura de Donald Trump. O tarifaço é obra dele, e tudo depende dele. Como hoje, no Brasil, tudo depende de Lula. Talvez ele arrume a casa em janeiro de 2027, se ganhar. Talvez não. Não há como saber — há muita gente em torno dele falando coisas sem sentido.

Talvez Trump perca o interesse no tarifaço, ou se esqueça do Brasil. Não há como saber. E também há, em torno dele, muita gente falando coisas sem sentido.

Em 2030, todavia, não teremos mais nada disso. Nem Lula, nem Trump, nem Bolsonaro. Como será a política em 2030, quando essa safra de líderes populistas estiver fora do jogo? As eleições de 2026 se desenham como a última dança entre Lula e Bolsonaro, não? E Trump não pode ser candidato à sua sucessão em 2028, confere?

Claro que o Brasil vai seguir e a política vai se renovar. Não se sabe ainda de que jeito, quais os nomes e os partidos. Os líderes de agora vão tentar preservar seus acervos e definir seus herdeiros. O processo está em andamento, e o público vai decidir.

Como tem sido generalizada a reclamação quanto à polarização política, e quanto ao populismo desregrado de ambos os polos do espectro, a ideia de mudança tem sido bem recebida, ao menos em tese.

Algo parecido se passa com a política fiscal: vai ser outra coisa, talvez mesmo a partir de janeiro de 2027, pois o que temos hoje é insustentável. Vai ser uma crise, ou um ajuste. Como está, não vai ficar.

Nem mesmo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, — cuja vontade de permanecer nesse posto parece clara — diz que a política fiscal está redonda. Não sem cruzar os dedos fora das vistas do interlocutor.

O ministro deve estar com os dedos dormentes. Freudianamente, todavia, ao sinalizar que as regras do arcabouço terão um “aperto” em 2027, o ministro está usando uma fórmula transversa de reconhecer que um aperto é necessário.

A demanda por otimismo no Brasil é invencível. A nova fórmula para ficar otimista com o Brasil é a de mergulhar um pouco mais fundo na ideia de que não é possível manter a situação fiscal como está por muito mais tempo. Claro que há um paradoxo nessa observação, mas é antigo: remonta a Santo Agostinho.

Funciona assim: no Brasil, o insustentável é efêmero, inclusive porque não se sustenta. Algo necessariamente vai se passar. Não é possível que não venha um desfecho, possivelmente uma solução. O responsável pelo insustentável sabe do problema, e sabe que vai ter que resolver o problema em algum momento.

A fala de Santo Agostinho é simples:

“Deus, dai-me castidade, mas não agora”.

Como há uma eleição em andamento, e está apertada, o pecado parece inevitável. O governo está gastando uma fortuna, desarrumando suas contas a olhos vistos. O incumbente não deveria ter todos esses poderes. Mas tem, e usa. O governo parece utilizar todos os recursos de que dispõe, e todos os que pode tomar emprestado também.

É muito dinheiro; a eleição era para ser uma goleada.

Mas não é o que se passa. A aprovação do presidente está se arrastando, e a rejeição resiste. Não fora a fraqueza dos adversários, o presidente da República talvez estivesse encolhendo. A fadiga é evidente
É como se a polarização estivesse perdendo energia. É como se 2030 estivesse já querendo se mostrar. Não se deve perder de vista que é uma eleição geral – Câmara e dois terços do Senado, vinte e sete governadores e suas assembleias. Vai ficar tudo muito diferente já agora em janeiro de 2027. Vai ser possível enxergar 2030 com mais nitidez.

Uma boa maneira de reclamar da vida em 2026 é afirmar otimismo para 2030.

Inclusive porque em 2030 também não vai ter mais Donald Trump.

Donald Trump e o tarifaço

Dois tostões de prosa sobre Trump e seu tarifaço, na verdade a segunda tentativa, seguindo-se à derrubada pela Suprema Corte americana das tarifas anunciadas com grande pompa no chamado liberation day, evento que perdeu o primeiro de abril por exatas 24 horas.

Naquele momento, as tarifas eram para todos os parceiros comerciais dos EUA, com isso indicando que a medida era geral, tal qual uma desvalorização cambial com o intuito de melhorar as contas externas americanas.

Escritos de assessores do presidente Trump davam apoio à interpretação pela qual o “tarifaço” funcionaria como uma espécie de “Acordo do Plaza” unilateral, construído a partir de tarifas e subsídios, e não mais através de intervenções cambiais coordenadas com parceiros cooperativos.

Não obstante essa arquitetura multilateral da medida, o presidente Trump introduziu temas bilaterais em muitos dos aumentos de tarifas com vistas a dar tratamento midiático e político ao assunto. Mas o que era nada mais que um tempero virou o principal assunto.

No caso do Brasil, a carta que Trump assinou no tarifaço original, ainda que em modelo igual às cartas para outros países, tinha referências a Bolsonaro, com o que, tudo se transformou. Na verdade, as relações bilaterais foram atiradas num rabbit hole, uma toca de coelho, uma expressão americana que remonta ao “Alice no País das Maravilhas”, livro de 1865, de Lewis Carroll, em que Alice, por pura curiosidade, entra um mundo mágico e incompreensível do qual terá problemas para sair.

Donald Trump parece ter perdido o controle da situação, o que não parece incomodá-lo. Ele parece estar no seu elemento, tirando vantagem do desconserto do adversário. O neomercantilismo de Trump já tem, inclusive, uma designação: geoeconomia. É a geopolítica praticada com ferramentas econômicas.

Mundo afora, as vítimas ficam confusas. Nada disso se parece com as negociações comerciais do passado.

O assunto acabou voltando para a esfera da “diplomacia presidencial”, mas de um jeito novo. O presidente dos EUA fala através de redes sociais, e Lula responde através de “cacos” em discursos de improviso.

Não é uma boa dinâmica para as relações bilaterais.

O lado bom de tudo isso é que em 2030, que está logo ali na esquina, nenhum desses personagens terá mais a mesma relevância. Muitas de suas encrencas vão simplesmente desaparecer. Na verdade, 2030 pode estar mais perto do que se imagina.

BDM Matinal Riscala

 *Bom Dia Mercado*

Quinta Feira, 27 de agosto de 2026.

*IA SEM FREIO ENTRE O FED E O COPOM*


*A Nvidia voltou a elevar a régua para o crescimento da inteligência artificial*

… A Nvidia voltou a mostrar que a inteligência artificial segue sem freio, ao projetar crescimento de 70% da receita no próximo ano fiscal e virar para forte alta no after hours. Mas os juros continuam impondo limites aos mercados. Nos Estados Unidos, o PCE acima do esperado manteve vivas as apostas em alta pelo Fed às vésperas de Jackson Hole. No Brasil, o movimento é inverso: a deflação do IPCA-15 abriu espaço para estender os cortes da Selic, e a Pnad de hoje será mais um teste dessa perspectiva. Na geopolítica, Ormuz permanece fechado, apesar do avanço das negociações, enquanto a Rússia prepara uma nova escalada da guerra na Ucrânia, ampliando a tensão global.

NVIDIA SURPREENDE DE NOVO – A Nvidia voltou a elevar a régua para o crescimento da inteligência artificial.

… Depois de uma reação inicialmente negativa ao balanço divulgado após o fechamento, as ações viraram para alta de quase 5% no after hours, embaladas pela projeção de crescimento de 70% da receita no próximo ano fiscal, muito acima dos 44% esperados pelos analistas.


… Na teleconferência, a diretora financeira Colette Kress disse que as previsões dos clientes apontam para uma forte aceleração do crescimento no próximo ano e afirmou que a projeção ainda é limitada pelas restrições de fornecimento.


… “Sem a restrição de fornecimento, a perspectiva seria muito maior”, afirmou.


… A Nvidia também anunciou que elevará os preços de produtos e serviços no primeiro trimestre do próximo ano. E deu uma medida do tamanho da demanda: a Amazon Web Services pretende implantar mais 2 milhões de GPUs da companhia nos próximos anos.


… Os números do trimestre já haviam superado as expectativas.


… A receita mais que dobrou em um ano, para US$ 96,22 bilhões, acima dos US$ 92,17 bilhões projetados pelo mercado, enquanto o lucro líquido avançou 126%, para US$ 58,69 bilhões. O lucro ajustado por ação, de US$ 2,20, também superou os US$ 2,10 esperados.


… O negócio de data centers, coração da expansão da IA, faturou US$ 89 bilhões, mais que o dobro de um ano antes, e já responde por 92% das vendas da Nvidia. Só os principais clientes dessa unidade geraram US$ 40,3 bilhões em receitas no trimestre, avanço de 138%.


… Para o trimestre atual, a companhia elevou o guidance de receita para US$ 108 bilhões, com margem bruta de 74%. A projeção sequer considera eventual receita de computação para data centers na China.


… A teleconferência mudou o sinal, ao indicar que o principal obstáculo à expansão não é a falta de demanda, mas a capacidade de atender a ela.


… No final da noite de ontem, o The Information trouxe que a Nvidia concordou em comprar a plataforma de inteligência artificial Hugging Face por US$ 12,9 bilhões.


ORMUZ SEGUE FECHADO – O avanço das negociações sobre o Estreito de Ormuz manteve o petróleo em queda ontem, mas Teerã deixou claro que o acordo fechado com Omã não significa a reabertura imediata da principal rota de exportação do Golfo Pérsico.


… Irã e Omã chegaram a um entendimento sobre a participação de cada país no estreito e o compartilhamento das receitas da passagem, em mais um passo nas negociações para normalizar o tráfego, após relatos de um cessar-fogo entre Washington e Teerã, ainda não confirmado.


… A Guarda Revolucionária, porém, afirmou que os Estados Unidos continuam criando obstáculos e manteve as exigências iranianas. Mas disse que, se a Casa Branca retornar ao memorando de entendimento, o estreito poderá ser reaberto nos termos negociados.


… Os sinais sobre o tráfego continuam contraditórios.


… Trump afirmou que o fluxo de petróleo por Ormuz permanece elevado e disse que 10 milhões de barris deixaram o estreito na terça-feira. Dados da MarineTraffic, porém, registraram apenas cinco travessias de embarcações no mesmo dia, 28,6% menos que na véspera.


… A incerteza deixou o petróleo volátil. O Brent para novembro chegou a US$ 88,52 no dia, mas terminou em queda de 0,37%, a US$ 86,94. O WTI recuou 0,16%, a US$ 82,23. Na semana, o petróleo já acumula queda de 6%, com a expectativa de avanço diplomático em Ormuz.


… As perdas nesta quarta-feira foram limitadas pelo aumento das tensões entre Rússia e Ucrânia.


… O petróleo chegou a zerar a queda depois que a MSC, maior companhia de transporte de contêineres do mundo, suspendeu novas reservas de e para o porto russo de Novorossiysk, no Mar Negro, após um de seus navios ser atingido por drone.


… Os ataques ucranianos contra instalações de energia russas também começam a pressionar o mercado de derivados.


… Segundo o Swissquote, os preços do diesel nos Estados Unidos subiram aos maiores níveis desde o início da guerra com o Irã, ampliando o risco de que uma nova frente de interrupções de oferta compense parte do alívio vindo do Golfo.


PUTIN PREPARA ESCALADA – A Rússia se prepara para intensificar a guerra na Ucrânia após concluir que as negociações para um acordo de paz chegaram a um impasse, segundo pessoas próximas ao Kremlin ouvidas pela Bloomberg.


… Moscou avalia ampliar os ataques com mísseis balísticos de alta potência contra Kiev e alvos de infraestrutura em outras cidades.


… Segundo as fontes, as estruturas de negociação entraram em colapso e Putin não pretende encerrar a guerra sob pressão das sanções econômicas e dos ataques ucranianos contra refinarias e redes logísticas russas.


… Já no fim de semana, o presidente russo sinalizou a mudança de postura. Ao minimizar os danos provocados pelos ataques à economia, disse que a Ucrânia “abriu a caixa de Pandora” e deveria se preparar para sofrer as consequências “nos setores mais sensíveis da economia”.


… Moscou também passou a tratar cada vez mais os ataques ucranianos como ações dos países da Otan, por causa do fornecimento de armas e informações de inteligência a Kiev. Segundo as fontes, a atual fase da guerra ainda não representa o ponto máximo da escalada.


DIPLOMACIA TRAVADA – Os esforços americanos para encerrar o conflito não produziram avanços, enquanto Trump concentrou as atenções na guerra com o Irã. O Kremlin também perdeu a confiança no entendimento que acreditava ter alcançado com Washington.


… O diretor da CIA, John Ratcliffe, fez uma rara visita a Moscou na terça-feira para conversar com representantes da inteligência russa, mas o Kremlin afirmou ontem que as relações com Washington continuam em uma “crise profunda”.


… A Ucrânia intensificou os ataques contra refinarias e redes logísticas russas, enquanto os dois países passaram a atingir navios comerciais e portos no Mar Negro, aumentando também os riscos para o abastecimento mundial de grãos.


… Rússia e Ucrânia respondem juntas por mais de um quarto das exportações globais de trigo.


INFLAÇÃO MUDA O RUMO DOS JUROS – Os dados divulgados ontem reforçaram perspectivas diferentes para o Fed e o Copom.


… Enquanto a deflação do IPCA-15 ampliou o espaço para o BC estender o ciclo de cortes da Selic, o PCE americano acima do esperado manteve vivas as apostas em alta dos juros pelo Fed e aumentou a expectativa para o discurso de Kevin Warsh amanhã, em Jackson Hole.


… O PCE subiu 0,2% em julho e a taxa anual ficou em 3,7%, acima dos 3,6% esperados. No núcleo, que exclui alimentos e energia, a inflação ficou em 3,3% em 12 meses, ainda bem distante da meta de 2% do Fed.


… A composição também mostrou pressões persistentes, enquanto o consumo deu sinais de perda de fôlego.


… O resultado elevou os juros dos Treasuries e reforçou as apostas em aperto monetário: a probabilidade de uma alta de 25pbs já em setembro passou de cerca de 36% para 44%, embora a manutenção dos juros ainda seja o cenário majoritário.


… Para a Pantheon, o PCE não é suficiente para antecipar a alta para setembro, mas, com o núcleo ainda em 3,3%, a discussão continua sendo “quando”, e não “se”, o Federal Reserve voltará a subir os juros.


… O Goldman Sachs não espera uma sinalização explícita sobre os próximos passos do Fed em Jackson Hole, mas prevê que Kevin Warsh reafirme o compromisso com a meta de 2% e discuta temas como produtividade e os choques que atingem a economia global.


CORTE SEM PAUSA – A XP foi uma das primeiras casas a revisar as expectativas para a Selic após o IPCA-15, e agora passou a prever que o Copom seguirá cortando a Selic sem interrupção até o fim do ano, com mais três quedas consecutivas.


… Diante dos sinais de que a desaceleração da atividade e da inflação está ocorrendo antes do esperado, reduziu de 14% para 13,25% sua projeção para a taxa básica no fim de 2026 e manteve em 11,50% a estimativa para o encerramento de 2027.


… Segundo a XP, o ciclo de calibração da Selic pode ganhar velocidade em 2027. Com a perda de fôlego da economia, prevê que o Copom acelere os cortes para 50pbs a partir da reunião de março, levando a Selic a 11,50% no fim do próximo ano.


… A deflação de 0,40% do IPCA-15 em agosto, ante alta de 0,06% em julho, ficou no piso das estimativas do mercado, que iam de queda de 0,40% a 0,18%, com mediana de -0,30%. Em 12 meses, a inflação desacelerou para 4,24%, abaixo inclusive do piso das projeções, de 4,27%.


… A leitura reforçou a percepção de melhora da inflação corrente, com surpresas baixistas principalmente em alimentação no domicílio, passagens aéreas, produtos in natura e cigarros. A média dos núcleos também apresentou melhora marginal.


… A composição, porém, recomenda cautela. Os serviços subjacentes, medida acompanhada de perto pelo BC por reunir preços mais sensíveis à política monetária, aceleraram de 0,43% para 0,50% no mês e continuam rodando em 5% em 12 meses.


… Parte importante da deflação também veio de componentes mais voláteis, limitando a leitura positiva do índice cheio. Ainda assim, o resultado praticamente afastou as apostas pontuais em uma retomada da alta da Selic que haviam ganhado espaço antes do Copom de junho.


… No fim do pregão, a curva atribuía 87% de probabilidade a um novo corte de 25pbs em setembro, contra apenas 13% de manutenção, e já incorporava chances relevantes de outra redução em novembro.


TIRA-TEIMA – A Pnad será mais um teste para medir o fôlego do mercado de trabalho e as chances de ampliar o horizonte para os cortes da Selic. A mediana do Broadcast aponta recuo da taxa de desemprego de 5,4% para 5,3% no trimestre até julho, com estimativas entre 5,2% e 5,7%.


… Os dados serão divulgados às 9h pelo IBGE (e amanhã tem Caged).


… Apesar da desocupação ainda muito baixa, economistas já identificam sinais de perda gradual de fôlego do mercado de trabalho.


… O Daycoval espera estabilidade da taxa dessazonalizada em 5,5% e vê arrefecimento em alguns setores, especialmente comércio, além de alojamento e alimentação. O C6 também avalia que a atividade perde força gradualmente, sem sinal de deterioração abrupta do emprego.


… A renda segue como contraponto: embora tenha recuado na margem, continua crescendo com força na comparação anual, ajudando a sustentar a atividade e a manter elevada a inflação de serviços.


… Assim, mais do que a taxa cheia de desemprego, a composição da Pnad será importante para saber se o mercado de trabalho começa a confirmar a desaceleração que já aparece em outros indicadores e que sustenta as apostas em uma extensão do ciclo de cortes da Selic.


MAIS AGENDA – Antes do emprego, o BC divulga as contas externas (8h30). A mediana aponta déficit em conta corrente de US$ 6,7 bilhões em julho, com projeções entre déficits de US$ 9 bilhões e US$ 4 bilhões, ante resultado negativo de US$ 2,33 bilhões em junho.


… Para o Investimento Direto no País (IDP), a mediana das estimativas indica entrada líquida de US$ 7,760 bilhões em julho, ante saldo positivo de US$ 9,075 bilhões em junho. As expectativas vão de US$ 6,90 bilhões a US$ 8,82 bilhões.


… À tarde, às 15h30, o Tesouro divulga o resultado do Governo Central de julho, com a mediana do Broadcast indicando um superávit primário de R$ 11,1 bilhões. As estimativas vão de déficit de R$ 25,2 bilhões a superávit de R$ 25,9 bilhões, após déficit de R$ 48,178 bilhões em junho.


… No câmbio, o Banco Central realiza às 9h20 operações simultâneas, com oferta de até US$ 1 bilhão em dólares à vista e até 20 mil contratos de swap cambial reverso, equivalentes a US$ 1 bilhão. Às 11h45, o Tesouro faz leilão de LTNs e de NTN-Fs.


LÁ FORA – Nos Estados Unidos, começa hoje o simpósio anual de Jackson Hole, que terá amanhã como principal atração o discurso do presidente do Fed, Kevin Warsh. Entre os indicadores, os pedidos iniciais de auxílio-desemprego devem subir de 206 mil para 210 mil (9h30).


… Na zona do euro, o BCE divulga às 8h30 a ata de sua última decisão de política monetária. Mais cedo, de madrugada, o índice GfK de confiança do consumidor da Alemanha deve melhorar de -29,6 para -29,2 em setembro.


… Na China, continua a reunião do Comitê Permanente do Congresso Nacional do Povo.


JAPÃO HOJE – O vice-presidente do BoJ, Ryozo Himino, disse que segue atento aos riscos inflacionários e à necessidade de debate de um aperto na política monetária, elevando as especulações sobre a reunião de setembro.


TUDO BEM ENTRE ELES – Depois de meses de distanciamento e tensão entre o Planalto e o Congresso, Lula, Motta e Alcolumbre saíram do almoço de ontem no Alvorada como melhores amigos e com uma extensa agenda de votações de interesse do governo, antes da eleição.


… Jornalistas políticos apuram os bastidores dessa nova relação e revelam que a reaproximação ocorre em meio às articulações para a sucessão no comando do Congresso no ano que vem. Lula vinha negociando apoio à reeleição de Motta na Câmara e de Alcolumbre no Senado.


… Após o encontro, os três pareciam muito satisfeitos. Motta classificou o resultado como “extremamente positivo” e disse que a reunião ajudou a destravar pautas. Alcolumbre afirmou que a relação construída com Lula e Motta tem produzido “muitos frutos positivos”.


… O acordo colocou no caminho das votações cinco prioridades do Planalto: o fim da taxa das blusinhas, a PEC que acaba com a escala 6×1, a PEC da Segurança Pública, o marco dos minerais críticos e terras raras e o Redata, que concede benefícios tributários para data centers.


… Alcolumbre prometeu colocar na pauta da semana que vem, durante o esforço concentrado, a MP que acaba com a taxa das blusinhas, o marco dos minerais críticos e o Redata. As PECs também devem avançar, inclusive o fim da escala 6×1 e a proposta da Segurança Pública.


ELEIÇÃO – Na agenda eleitoral, Renan Santos (Missão) participa às 10h30 de sabatina de O Globo/Valor. Às 21h05, é a vez de Lula na TV Globo. A Quaest divulga hoje pesquisas eleitorais regionais.


CURTAS – A Fazenda defende a prorrogação por mais 60 dias do imposto de 12% sobre as exportações de petróleo, segundo o Valor.


… A Camex decide hoje sobre a medida, que perderia validade em 9 de setembro. A Pasta cita a volatilidade internacional, as restrições logísticas e os riscos em Ormuz e avalia que a cobrança não comprometeu a atratividade do setor.


CRÉDITO. O Comef alertou que o aumento da inadimplência, do comprometimento da renda e do endividamento das famílias exige cautela adicional na concessão de crédito.


… O BC prepara medidas para reduzir os riscos relacionados ao peso das modalidades mais caras na dívida das famílias.


CARNE. Trump ampliou temporariamente as importações de carne bovina magra sem tarifa adicional, numa tentativa de aumentar a oferta e conter os preços nos Estados Unidos. A medida valerá por 90 dias a partir de setembro e permitirá a entrada de até 100 mil toneladas/mês.


JOGOU PARADO – Na medida em que a deflação do IPCA-15 de agosto só reforçou a chance de corte da Selic mês que vem, a reação foi morna na curva dos juros futuros, com a ponta curta permanecendo perto dos ajustes.


… Também sem maior emoção, os contratos mais longos operaram estáveis ou com viés de alta, já que o PCE conservou a chance de aperto monetário pelo Fed em algum momento deste ano (setembro, outubro ou dezembro).


… Quem sabe amanhã a participação de Kevin Warsh no simpósio de Jackson Hole renda alguma novidade.


… Quanto ao Copom, parte do mercado acredita que um ciclo estendido de queda do juro ainda não está garantido pelos sinais de desinflação e perda gradual de fôlego da atividade econômica, e que o futuro ao BC pertence.


… É um fato que, nas duas últimas leituras, o IPCA-15 mostrou sinais de esgotamento da pressão. O dado veio perto de zero em julho e negativo em agosto, sob o efeito passageiro dos bônus de Itaipu. A briga ainda não está ganha.  


… O BC não vai subir os juros, mas é importante ver até onde terá espaço para cortar. O câmbio não assusta e joga a favor da continuidade de flexibilização da política monetária, apesar do recente repique do dólar acima de R$ 5,20.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 13,670% (de 13,673% no ajuste anterior); Jan/28, 13,825% (contra 13,813%); Jan/29, 14,110% (de 14,096%); Jan/31, 14,335% (de 14,348%); e Jan/33, 14,435% (de 14,454%).


… Apesar da tendência de queda da Selic, o juro continua alto e protegendo o real. O dólar subiu pouco ontem, só 0,22%, a R$ 5,1518, porque acompanhou o exterior, onde o PCE levou o DXY a retomar a linha dos 99 pontos.


… O câmbio doméstico tem operado comportado, apesar do fluxo negativo. O BC informou ontem que, na semana passada, houve saída de US$ 4,056 bilhões (US$ 3,337 bilhões pelo canal financeiro e US$ 719 milhões via comércio).


… Apesar disso, no período, o real subiu 1,6%, porque investidores desmontaram parte das apostas contrárias à moeda brasileira, como esclareceu o sócio-fundador da Eytse Estratégia, Sérgio Goldenstein, em nota a clientes.


… Ele explicou que os estrangeiros reduziram sua posição comprada em derivativos cambiais em US$ 3,7 bilhões ao longo da semana passada, enquanto os fundos locais aumentaram a posição vendida em US$ 500 milhões.


… Hoje, a operação simultânea de swap reverso e venda de dólares à vista influencia o câmbio. O BC anunciou que dará início na semana que vem (dia 2) à rolagem de swap que vence em outubro (não informou o montante).  


… Lá fora, o PCE levemente acima do esperado levou o índice DXY a subir 0,25% e superar os 99 pontos (99,165), porque o Fed não tem como escapar de uma alta do juro antes de o ano acabar, dando voz aos dissidentes de julho.


… Com o dólar mais fortalecido pelo indicador de inflação, o euro operou em queda de 0,19%, negociado a US$ 1,1651, a libra esterlina perdeu 0,36% e fechou cotada a US$ 1,3592, enquanto o iene caiu para 159,36 por dólar.


… O PCE entra para a coletânea da ala mais conservadora do Fed e ontem puxou as taxas dos Treasuries. A da Note de dois anos subiu para 4,215% (contra 4,181% na véspera) e a de dez anos avançou para 4,653% (de 4,628%).  


COFRINHO – Depois de a sangria de capital estrangeiro da B3 ter sido interrompida na última sexta-feira, o informe do pregão de segunda-feira indicou que caíram mais algumas moedinhas de k externo na bolsa: R$ 69,2 milhões.


… É pouco, para não dizer nada, mas só de não ter saído dinheiro já dá um respiro, porque estava de assustar aquela avalanche de fuga dos gringos. Em agosto, o saldo ainda está negativo em R$ 21,3 bi. No ano, positivo em R$ 15 bi.


… O Ibovespa fechou estável (+0,01%) nesta quarta-feira, aos 174.586,26 pontos, com giro de R$ 19,3 bilhões.


… O viés negativo das bolsas em NY após o PCE acima do esperado e as altas do dólar e dos juros futuros colaboraram para uma realização parcial nos ativos de risco, com investidores embolsando parte dos ganhos.


… Entre as blue chips, Vale ON caiu 0,32%, a R$ 78,45, apesar da alta de 0,49% do minério de ferro na China. Petrobras ON (-0,11%, a R$ 45,93) e PN (+0,24%, a R$ 41,45) oscilaram pouco, assim como o petróleo (-0,37%).


… Entre os grandes bancos, Itaú PN terminou de lado (+0,03%, a R$ 39,45), enquanto Bradesco PN subiu 1,25% (R$ 16,99), BB ON recuou 0,26% (R$ 19,52), BTG Unit caiu 0,24% (R$ 54,07) e Santander Unit subiu 0,13% (R$ 29,73).


… Em clima de suspense pelo balanço da Nvidia, as bolsas em Nova York registraram quedas marginais. Apesar de o PCE ter corroborado o ambiente para uma política monetária restritiva, a cautela exibida pelos índices foi limitada.


… O S&P 500 (-0,02%), aos 7.675,70 pontos, e o Nasdaq (-0,08%), aos 26.130,20 pontos, fecharam no zero a zero, enquanto o Dow Jones caiu 0,21%, para 53.463,88 pontos. Nvidia perdeu 1,59%, mas hoje o dia promete um rali.


CIAS ABERTAS NO AFTER – Cofundadora do NUBANK Cristina Junqueira vendeu 90 mil ações por US$ 1,33 milhão, a US$ 14,79 cada, dentro de plano previamente estabelecido de negociação…


… Após a operação, passou a deter cerca de 11,79 milhões de ações.


CAIXA teve lucro líquido recorrente de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre, alta de 5,9% ante um ano antes. Margem financeira cresceu 20,2%, para R$ 19,7 bilhões, e ROE ficou em 9,16%.


ONCOCLÍNICAS. CVM determinou OPA para toda a base de acionistas em até 60 dias, com correção pela Selic desde novembro de 2024. Valor da operação poderá superar os R$ 6,5 bilhões inicialmente estimados, segundo o Valor…


… Fontes do Broadcast disseram que a Oncoclínicas apresentou à Justiça uma versão do plano de recuperação extrajudicial que negocia com credores desde julho e que poderá sofrer alterações até 13 de setembro…


… Credores poderão optar por receber integralmente em parcelas até 2042 ou aceitar deságio de 80%.


C&A prevê abrir de 60 a 80 lojas e reformar de 100 a 120 unidades até 2030. Novo plano estratégico prevê investimentos anuais equivalentes a 7% a 8% da receita líquida…


… Morgan Stanley reduziu a participação na companhia de 5,1% para 4,8% das ações ON, equivalente a cerca de 14 milhões de papéis, além de derivativos com liquidação física.


CEMIG. Governador de MG, Mateus Simões, decidiu indicar novo CEO à companhia apenas três meses após a posse de Alexandre Ramos, segundo o Brazil Journal. Marcio Nunes, ex-Copasa, é apontado como favorito.


MOTIVA extinguiu a diretoria de Inovação, Tecnologia e Risco após a renúncia de Pedro Paulo Archer Sutter. Medida busca simplificar a estrutura, em meio à venda da plataforma de aeroportos e à redução de custos.


HIDROVIAS DO BRASIL. Citi elevou preço-alvo de R$ 3,20 para R$ 3,40 e manteve recomendação neutra, citando riscos hidrológicos no Arco Norte e cenário menos favorável para fretes.


AZEVEDO & TRAVASSOS assinou concessão da Rota Mogiana com o governo de SP. Projeto prevê cerca de R$ 9,4 bilhões em investimentos durante 30 anos e abrange 520 km de rodovias.

Bernardo Guimarães

 Bernardo Guimarães (FGV, ex-LSE, Yale) escreveu a coluna mais didática do mês sobre juros na Folha. A pergunta é de boteco: "você está passando pano pro BC?". A resposta é de economista, e vale ler inteira.


O argumento dele em três frases: o BC escolhe entre juro alto com inflação baixa e juro baixo com inflação alta. Mas o BC não escolhe os parâmetros dessa troca. Quem define se a combinação "3% de inflação com Selic de 6%" é possível ou impossível é o governo. E ele traz a prova de conceito dos dois lados. Fracasso: 2011, Tombini cortou juros com inflação pressionando. Resultado: inflação disparou e anos depois a Selic foi a 14%. Sucesso: 2018, inflação de 3,75% com Selic de 6,5%. O que permitiu: BNDES cortou desembolsos de R$ 188 bi (2014) pra R$ 70 bi (2017), a TJLP virou TLP e o teto de gastos sinalizou responsabilidade. Menos crédito direcionado = mais espaço pro BC cortar sem gerar inflação. A frase que resume: "com situação fiscal ruim e bancos públicos expandindo crédito, o BC tem que optar entre a picada do inseto e o veneno do inseticida." É exatamente o que mostramos na thread do plano de governo do Lula: o documento promete mais crédito direcionado (NIB de R$ 860 bi), mais vinculação do mínimo e zero corte nomeado. É o cardápio que IMPEDE o BC de cortar. O plano e o juro são faces da mesma moeda.

Bankinter Matinal Portugal

 Análise Bankinter Portugal 


NY -0,0% US tech +0,0% US Semis +0,2% UEM +0,3% Espanha +0,0% VIX 15,2% Bund 3,23%. T-Note 4,66%. Spread 2A-10A USA=+44pb B10A: ESP 3,70% PT 3,59% ITA 4,05% FRA 4,08% Euribor 12m 3,01%. USD 1,166 JPY 185,6/€. Oro 4.623$. Brent 86,9$. WTI 81,8$. Bitcoin -0,5% (79.028$). Ether +2,6% (2.507$).


 

Arrancamos a sessão com um tom positivo nas bolsas, com os resultados empresariais a funcionarem mais uma vez como catalisador. A Nvidia, empresa com a maior capitalização bolsista do mundo, sobe cerca de +5% em after-market porque publicou ontem os seus números após o fecho de NY e foram simplesmente espetaculares. Ultrapassaram as expectativas de Receitas (+106% vs +97% esp.) e BNA (+120% vs +99%). A empresa nunca fornece orientações para além do trimestre seguinte, mas desta vez o CEO indicou que esperam um crescimento das receitas de +70% no próximo exercício (vs +50% esperado pelo consenso). Isto dá confiança de que a procura por semicondutores ligados à IA continuará sólida e dará impulso às restantes empresas do sector. Também conhecemos bons resultados da CrowdStrike (cibersegurança), que acabou por subir cerca de +11% em after-market.

 

Ao bom tom na frente empresarial junta-se o facto de o preço do petróleo se consolidar abaixo dos 90$. Se nenhuma notícia proveniente do Médio Oriente alterar este cenário, a geopolítica não deverá ser um impedimento para termos uma sessão positiva.

 

Para além disso, arranca hoje Jackson Hole. No entanto, a atenção concentrar-se-á a partir de amanhã com a intervenção de Warsh (15h), caso ofereça alguma pista sobre o roteiro da Fed.

 

Em conclusão, hoje prevê-se uma sessão positiva impulsionada pelos números da Nvidia. Um otimismo que poderá perder força ao longo do dia, tendo em conta que amanhã serão divulgadas as inflações preliminares na Europa, em princípio em aceleração, e que Warsh irá intervir.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Negociatas dos irmãos Batista

 Montagem, no Brasil de Lula, de uma oligarquia corrupta como a de Vladimir Putin na Rússia. O Judiciário já foi cooptado.

https://www.estadao.com.br/opiniao/a-expansao-do-poder-dos-irmaos-batista/


*A expansão do poder dos irmãos Batista*

Editorial, O Estado de S. Paulo (26/08/2026)


" _Ao comprar a falida Avibras, os irmãos Batista prestam outro inestimável serviço ao governo petista e borram ainda mais a fronteira entre negócios pessoais e interesses do Estado_


A Globe, empresa de investimentos pessoais dos irmãos Wesley e Joesley Batista, acaba de anunciar a compra da Avibras, a maior indústria bélica do País, que está quebrada há anos. É um investimento que dificilmente se pagará, por variados motivos, razão pela qual só se pode entender o negócio como mais um gesto dos empresários para cultivar suas excelentes relações com o governo petista. O caso, exemplar da tradição patrimonialista nacional, mostra como está borrada a fronteira entre os interesses do Estado brasileiro e os negócios pessoais dos irmãos Batista – cujo poder, em razão disso, está em franca expansão.


Não parece ser um negócio isolado, e sim parte de um padrão. Em 2015, ainda no governo de Dilma Rousseff, o grupo J&F, dos irmãos Batista, constituiu a Âmbar Energia, que uma década depois compraria 12 usinas da Eletrobras e assumiria o controle da Amazonas Energia, que tinha dívidas de R$ 10 bilhões. Foi um negócio de ocasião, proporcionado pela vontade praticamente explícita do governo Lula de entregar a Amazonas Energia aos irmãos Batista. No ano passado, a Âmbar comprou a fatia da antiga Eletrobras na Eletronuclear, entrando como sócia na construção da usina nuclear de Angra 3, cuja conclusão custaria estimados R$ 24 bilhões. É praticamente impossível obter retorno satisfatório nesse negócio, mas talvez o que interesse aos irmãos Batista seja o ganho intangível de estar nas boas graças do governo petista.


É precisamente o que acontece no caso da Avibras. A empresa está em recuperação judicial desde 2022, alegando que perdeu competitividade no Oriente Médio e no Sudeste Asiático, alguns de seus principais mercados, em razão do crescimento de empresas fortemente financiadas por governos estrangeiros. Esperava, portanto, que o governo brasileiro fizesse o mesmo e encontrasse uma maneira de salvá-la – algo que os sindicatos e os militares demandavam.


Aparentemente, foi o que o Ministério da Defesa fez, ainda que não de maneira direta. Segundo o Estadão, o ministro José Múcio Monteiro Filho se empenhou na busca dessa solução, que visava a assegurar que o controle da companhia permanecesse nacional. A preocupação era garantir a sobrevivência da Avibras, considerada “estratégica” – palavrinha que opera milagres no governo Lula.

A nova Avibras, claro, nasceu livre de dívidas, sem a parte “ruim”, que ficou com a antiga. O plano de reestruturação previa ainda R$ 300 milhões em investimentos privados (consta que Joesley foi um dos investidores), além de outros R$ 300 milhões em financiamentos públicos, como o BNDES. Assim se deu a entrada triunfal dos irmãos Batista na companhia.


A operação, cujo valor não foi divulgado, ainda depende do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas não há razão para imaginar que o órgão se oporá à operação dos irmãos Batista – que se tornaram líderes absolutos no segmento de proteína animal justamente por adquirir vários frigoríficos sem que o Cade objetasse.

Desse modo, os irmãos Batista caminham a passos largos para atingir um outro patamar de poder no Brasil, extrapolando o mundo dos negócios. É uma trajetória impressionante, sobretudo quando se recorda que esses empresários, não faz muito tempo, confessaram crimes aos borbotões no âmbito da Lava Jato e chegaram a ser presos. Afastaram-se do Conselho de Administração da JBS e submergiram.


Mas eis que a volta triunfal se fez possível com uma inexplicável decisão monocrática do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, de dezembro de 2023, até hoje não apreciada pelo colegiado, que suspendeu multas de R$ 10,3 bilhões impostas à J&F no acordo de leniência firmado com as autoridades brasileiras. Toffoli aceitou a tese de que os empresários, malgrado estivessem assessorados pelos melhores escritórios de advocacia do País, haviam sido coagidos a confessar os crimes. Três meses depois, em março de 2024, Joesley e Wesley voltaram ao Conselho de Administração da JBS."

Call Matinal

28/08/2026 Julio Hegedus Netto, economista MERCADOS EM GERAL   FECHAMENTO (2708) O Ibovespa subiu só 0,31% ontem (27), mas retomou...