sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Por que a taxa de juros é tão alta no Brasil?, por Ana Paula Vescovi

 Por que a taxa de juros é tão alta no Brasil?


Essa discussão tem ganhado destaque e está presente em vários fóruns, especialmente nesse período eleitoral.

Ontem, na FGV EESP, participei de um seminário dedicado a essa pergunta. O encontro, promovido pelo professor Márcio Holland, também marcou o lançamento de seu livro “Taxa de Juros no Brasil: caminhos para o Brasil conviver com taxas de juros civilizadas”. Participei do painel ao lado de Felipe Scudeler Salto e Daniela Lima , com mediação de Juliana Rosa comentários de Márcio Holland.

Essa é uma das questões mais antigas da economia brasileira, especialmente no pós-estabilização. Talvez parte da dificuldade esteja na busca por uma única resposta.

Antes de responder, é preciso separar o juro global, o componente cíclico da política monetária, o prêmio de prazo (~0,9 p.p.) e o risco soberano. (~1,4 p.p.).

Depois de descontados esses componentes, o Brasil continua apresentando um juro real estruturalmente elevado, e entre os maiores do mundo.

A literatura aponta múltiplas causas: baixa poupança, risco cambial, fricções financeiras, baixa produtividade, rigidez fiscais, histórico inflacionário e elevada sensibilidade das expectativas. A explicação parece estar na combinação desses fatores e na forma como eles se reforçam.

O fiscal merece atenção especial porque atua por diferentes canais.

A expansão fiscal pressiona a demanda e pode exigir maior restrição monetária. O aumento da dívida eleva o prêmio exigido pelos investidores, afetando a curva longa, o câmbio e as condições financeiras. O FMI estima que um esforço fiscal estrutural adicional de 0,6% do PIB poderia permitir juros entre 0,4 e 0,7 ponto percentual menores.

Há ainda um terceiro canal. Em situações de maior fragilidade fiscal, a deterioração das expectativas eleva os juros e o serviço da dívida, reforçando a própria percepção de fragilidade.

O fiscal é parte central da explicação, mas não a esgota. Mesmo quando descontamos da curva de juros o componente associado ao risco soberano, os juros reais brasileiros permanecem elevados.

A agenda, portanto, vai muito além da política monetária: estabilizar a dívida pública, melhorar a qualidade do gasto, elevar a produtividade e a capacidade de oferta, reduzir fricções financeiras (assimetrias tributárias, crédito direcionado e atuação parafiscal), e preservar as âncoras fiscal e monetária, o regime de câmbio flutuante e a credibilidade da política econômica.

O objetivo deveria ser construir uma economia que precise de juros menores para permanecer estável.

Eliana Cardoso

 


Elena Landau

 


Call Matinal

28/08/2026

Julio Hegedus Netto, economista

MERCADOS EM GERAL

 

FECHAMENTO (2708)

O Ibovespa subiu só 0,31% ontem (27), mas retomou os 175 mil pontos (175.135,41), com giro reduzido de R$ 15,4 bilhões. No mercado cambial, apesar do leilão simultâneo no câmbio ontem, na operação que combinou venda de dólares no mercado à vista com compra no mercado futuro via swap reverso, a moeda americana subiu 0,20%, a R$ 5,1620.

 

MERCADOS

PRINCIPAIS MERCADOS       

 

 

 

MERCADOS 5h30

 

EUA

Índices

Comentários

 

S&P +0,45% (7.724 pts);

Nasdaq +1,05% (29.598 pts);

Dow +0,01% (53.529 pts);

 

Ásia-Pacífico

 

 

 

Nikkei -0,20% (66.132 pts);

Hang Seng -0,34% (25.566 pts);

Xangai +1,13% (3.956 pts);

Kospi +1,53% (6.912 pts);

 

Europa

 

 

 

Stoxx 50 -0,12%;

DAX +0,24%;

FTSE 100 -0,62%;

 

Commodities

 

 

 

Brent -1,13% (US$ 86,85), ouro +1,14% (US$ 4.650,70);

Moedas: dólar em R$ 5,15 (+0,09%), DXY em 99,20 (+0,03%);

Juros: Treasury de 10 anos em 4,66%, alta de 0,54% no dia.

 

 

 

Dia 2808

 

Dia de Kevin Warsh, president do Fed, no tradicional evento de Jackson Hole onde os principais bancos centrais do mundo sentam para conversar e trocar experiências. Sobre Warsh, interesse maior é coletar pistas mais claras sobre setembro, depois que a inflação persistente ampliou o coro por juros mais altos dentro do Comitê. E a tarefa se torna ainda mais delicada, quando se tem o aumento da pressão do petróleo, diante do novo impasse entre EUA e Irã sobre Ormuz, enquanto a Rússia prepara uma escalada dos ataques à Ucrânia. Entre os bastidores das diretorias regionais dos Fed, a palavra de ordem é agir. “A política monetária não está restritiva e espera-se mais tornará o combate à inflação mais doloroso.” E estas, dentre outras declarações, ganham peso depois do PCE de julho, nesta semana, que mostrou inflação de 3,7% em 12 meses e núcleo de 3,3%.

 

 

Em Wall Street, porém, a inteligência artificial ignorou as tensões: a Nvidia disparou quase 9% e levou o Nasdaq junto. No Brasil, IGP-M e Caged dividem a agenda, após a Pnad mostrar nova queda do desemprego, enquanto o STF conclui o julgamento sobre a tributação dos lucros da Vale no exterior e a Petrobras acompanha a decisão do governo de prorrogar o imposto de 12% sobre a exportação de petróleo.

 

Na Europa, a ata da Zona do Euro, divulgada nesta quinta-feira, mostrou que os dirigentes europeus não estão comprometidos antecipadamente com uma alta em setembro, mas consideram necessário voltar a apertar a política monetária se as perspectivas para a inflação não melhorarem.

 

Agenda 2808

No mesmo horário em que Kevin Warsh inicia seu discurso em Jackson Hole, às 11h, sai a leitura final de agosto do sentimento do consumidor de Michiganalém das expectativas de inflação. De madrugada, serão divulgados o PIB da França no segundo trimestre, com previsão de alta de 0,2%, e, às 6h, os índices de sentimento econômico e confiança do consumidor da zona do euro. O Canadá também divulga o PIB do segundo trimestre às 9h30, com previsão de expansão anualizada de 2%. Ainda nos EUA, às 10h45, o PMI de Chicago deve recuar de 57,6 para 57 em agosto. No Brasil, o IGP-M de agosto sai às 8h e deve registrar a terceira deflação mensal consecutiva. Às 8h30, o BCB divulga as estatísticas monetárias e de crédito de julho.

 

IPOs no Brasil. No ciclo Lula zerou

 


BDM Matinal Riscala

*Bom Dia Mercado*


Sexta Feira, 28 de Agosto de 2.026.


*Warsh chega a Jackson Hole sob pressão*


… Kevin Warsh estreia hoje em Jackson Hole pressionado a dar pistas mais claras sobre setembro, depois que a inflação persistente ampliou o coro por juros mais altos dentro do Comitê. A tarefa ficou ainda mais delicada com a volta da pressão do petróleo, diante do novo impasse entre Estados Unidos e Irã sobre Ormuz, enquanto a Rússia prepara uma escalada dos ataques à Ucrânia. Em Wall Street, porém, a inteligência artificial ignorou as tensões: a Nvidia disparou quase 9% e levou o Nasdaq junto. No Brasil, IGP-M e Caged dividem a agenda, após a Pnad mostrar nova queda do desemprego, enquanto o STF conclui o julgamento sobre a tributação dos lucros da Vale no exterior e a Petrobras acompanha a decisão do governo de prorrogar o imposto de 12% sobre a exportação de petróleo.


JACKSON HOLE NO FOCO – O presidente do Fed, Kevin Warsh, faz hoje, às 11h (de Brasília), o seu primeiro discurso em Jackson Hole no comando do BC americano, em um momento de pressão crescente para que deixe mais claras as intenções do Comitê sobre os juros.


… Até agora avesso a oferecer guidance, ele chega ao simpósio com a inflação acima da meta e um Fed que endureceu o discurso desde a última reunião, quando Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan foram os três dissidentes a votar por uma alta de 25pbs.


… Beth Hammack foi enfática ontem: “É hora de agir”.


… Para ela, a política monetária não está restritiva e esperar mais tornará o combate à inflação mais doloroso. Hammack prevê inflação ao redor de 3% no fim deste ano e, “na melhor das hipóteses”, perto de 2,5% em 2027.


… Mas várias falas nesta quinta-feira mostraram que a preocupação com a inflação vai além desse grupo.


… Jeff Schmid também considera que os juros podem estar acomodatícios na ponta curta e afirmou que o Fed “ainda tem trabalho a fazer”.


… Susan Collins, embora mais cautelosa, disse estar disposta a apoiar uma alta caso não veja continuidade da desinflação e admitiu que o movimento pode ser apropriado já nas próximas reuniões.


… As declarações ganharam peso depois do PCE de julho, nesta semana, que mostrou inflação de 3,7% em 12 meses e núcleo de 3,3%.


… Austan Goolsbee resumiu a principal dúvida do Fed: saber se os choques provocados pelas guerras e pelas tarifas terão efeitos persistentes ou temporários sobre os preços.


… A pressão sobre Warsh não vem apenas de dentro do Fed. O aumento das recompras de Treasuries pelo Tesouro derrubou os juros longos na semana passada e abriu dúvidas sobre seus efeitos para a política monetária.


… O Rabobank alerta que taxas longas artificialmente mais baixas podem prolongar a inflação e criar atritos entre Tesouro e Fed. Para o ABN Amro, Jackson Hole ocorre em um momento crucial, com Tesouro e Fed já seguindo em direções opostas.


… O discurso de Warsh poderá também começar a preparar o mercado para setembro.


… A HFE lembra que, se o presidente pretende colocar uma alta em votação na reunião daqui a três semanas, o protocolo recomenda que comece a sinalizá-la agora. Os Fed Funds estão atualmente entre 3,50% e 3,75%.


… Além de Warsh, Isabel Schnabel, do BCE, fala em Jackson Hole, às 13h.


… A ata divulgada nesta quinta-feira mostrou que os dirigentes europeus não estão comprometidos antecipadamente com uma alta em setembro, mas consideram necessário voltar a apertar a política monetária se as perspectivas para a inflação não melhorarem.


TRÉGUA PERDE FORÇA – A preocupação do Fed com a inflação ganha mais um ingrediente com a volta da pressão do petróleo.


… Depois de três sessões de queda, a commodity subiu nesta quinta-feira, com o novo impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã reduzindo o otimismo com uma solução para a guerra e para a reabertura do Estreito de Ormuz.


… As conversas emperraram depois que Donald Trump rejeitou retomar os termos do memorando de entendimento firmado em junho, enquanto Teerã condicionou qualquer avanço a medidas concretas de Washington.


… O acordo preliminar previa a reabertura de Ormuz, o início de negociações sobre o programa nuclear iraniano e o fim da guerra, em troca de alívio das sanções e acesso do Irã a recursos congelados.


… Segundo o WSJ, Trump perdeu o interesse no entendimento, criticado nos Estados Unidos por ser considerado muito brando com Teerã.


… O Irã reafirmou, em reuniões com autoridades do Catar, que Washington precisa primeiro cumprir suas condições para que o estreito seja reaberto. O Conselho Supremo de Segurança Nacional disse que não confia nos americanos e ameaçou reagir em caso de nova ação hostil.


… A postura contrasta com o alívio do início da semana, quando a agência russa RIA Novosti informou que Washington e Teerã haviam concordado com um cessar-fogo que incluiria livre navegação em Ormuz. O acordo não foi concretizado.


… O tráfego no estreito melhorou, mas continua muito distante da normalidade. Segundo a Bloomberg, entre 6 milhões e 8 milhões de barris de petróleo por dia já atravessam Ormuz, aproximadamente metade do volume anterior à guerra.


… O Irã afirma que suas vendas continuam e que 40% da capacidade do campo de South Pars, atingido durante o conflito, voltou à produção.


… A pressão econômica americana, enquanto isso, aumenta.


… Trump afirmou que pode sancionar bancos chineses que mantenham relações com o regime iraniano, e Scott Bessent pretende pressionar ministros do G20 a cortar fluxos financeiros que sustentem Teerã e a Guarda Revolucionária.


… O petróleo reagiu à piora das perspectivas diplomáticas. Após três sessões consecutivas de queda, o WTI para outubro subiu 1,58%, cotado a US$ 83,53, e o Brent para novembro avançou 1,82%, a US$ 88,52.


RÚSSIA X UCRÂNIA – Outro foco de tensão vem de Moscou, que estaria preparando uma intensificação dos ataques depois de concluir que as negociações de paz chegaram a um impasse, incluindo a possibilidade de novos ataques contra Kiev e infraestruturas de outras cidades.


… A escalada já começa a afetar o transporte marítimo.


… A MSC suspendeu novas reservas de e para o porto russo de Novorossiysk depois que um de seus navios foi atingido por um drone. A Rússia também informou ter atacado um navio, tanques de combustível e infraestrutura portuária em Izmail, na Ucrânia.


… A deterioração levou o diretor da CIA, John Ratcliffe, a fazer uma viagem secreta a Moscou. Segundo o New York Times, ele teria pressionado a Rússia por um acordo antes que sua situação militar e econômica piore.


… Já o Wall Street Journal atribuiu à viagem outra preocupação: alertar Moscou contra eventuais planos de atacar países da Otan.


… Em meio às duas frentes de tensão, Trump descartou, por enquanto, sanções contra Moscou, afirmando que a Rússia “tem se comportado muito bem” em relação a Ormuz e que não acredita que Putin ataque países da Otan.


NVIDIA FAZ A FESTA – Em Wall Street, nem guerra, nem Jackson Hole pararam o entusiasmo com inteligência artificial. Nvidia (+8,7%) confirmou nesta quinta-feira a leitura positiva de seu balanço e arrastou junto boa parte do setor de tecnologia, ajudando o Nasdaq a subir 1,57%.


… Intel (+4,4%) e Broadcom (+4,5%) acompanharam o movimento, enquanto o ETF de semicondutores VanEck avançou 3%. Salesforce (+22,6%) também brilhou após superar as projeções no segundo trimestre e anunciar a expansão de sua parceria com a Anthropic.


… Mais do que os números do trimestre, foi a perspectiva de crescimento de cerca de 70% da receita no ano fiscal de 2028, muito acima dos 44% esperados pelo mercado, que reforçou a percepção de que o boom da inteligência artificial ainda está longe de atingir o pico.


… O BofA reiterou a recomendação de compra para a Nvidia, com preço-alvo de US$ 350, e elevou entre 19% e 28% suas projeções de lucro por ação para os anos fiscais de 2028 e 2029.


… Para o banco, a forte visibilidade de oferta e demanda sustenta um crescimento significativamente maior nos próximos anos.


… A escala dos investimentos ajuda a explicar o otimismo. A Nvidia estima que o backlog da indústria de nuvem já supere US$ 2 trilhões e que os cinco maiores hyperscalers desembolsem perto de US$ 800 bilhões em infraestrutura apenas em 2026.


… A própria companhia faturou US$ 96,2 bilhões no segundo trimestre fiscal, mais que o dobro de um ano antes, dos quais US$ 89 bilhões vieram de data centers. Para o 3TRI, projeta receita recorde de US$ 108 bilhões, cerca de US$ 4 bilhões acima do esperado pelos analistas.


… A Jefferies avalia que a projeção de crescimento de 70% para 2028 pode ser apenas um piso: sem as restrições de oferta, a demanda seria suficiente para sustentar expansão próxima de 100%.


… Nem toda Wall Street, porém, participou da festa, que ficou concentrada nas empresas de tecnologia. Diante da cautela antes do discurso de Kevin Warsh, o Dow Jones subiu apenas 0,20%, com somente oito de suas 30 ações em alta, enquanto o S&P 500 ganhou 0,72%.


… Também no dólar e nos juros dos Treasuries, investidores ficaram na defensiva à espera do presidente do Fed (leia mais abaixo).


VALE – O STF formou maioria para permitir a tributação dos lucros de controladas da Vale no exterior. O placar está em 6 a 4 pela incidência de IRPJ e CSLL sobre os resultados das subsidiárias na Bélgica, Dinamarca e Luxemburgo. O julgamento virtual termina hoje.


… A discussão envolve cerca de R$ 22 bilhões e levou os ADRs da mineradora a caírem 0,67% no after hours em Nova York.


… Ao Broadcast, a Fatorial Investimentos ressalta que o valor não representa necessariamente uma saída imediata de caixa, mas aumenta a percepção de risco sobre a companhia e pode reduzir os recursos disponíveis para dividendos.


… A decisão é considerada um precedente importante para outras disputas sobre a tributação de lucros de empresas brasileiras no exterior.


PETROBRAS – O Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) confirmou na noite de ontem que aprovou a prorrogação do imposto de 12% sobre a exportação de petróleo, a pedido da Fazenda.


… A alíquota será prorrogada por 60 dias, a partir de 8 de setembro, quando vence a atual vigência do imposto.


… Segundo interlocutores, a liminar da Justiça do DF que suspendeu a cobrança do imposto não deve interferir na decisão do Gecex, que é responsável por decisões em torno da política de comércio exterior do País.


… De acordo com o Broadcast, a equipe econômica acredita que conseguirá derrubar a liminar judicialmente. A avaliação é que a mesma tese já havia sido usada pelo setor em outros tribunais e acabou derrotada pelo governo.


… O secretário do Tesouro, Daniel Leal, disse que o compromisso do governo é cumprir a meta fiscal e, caso uma receita seja frustrada, como o Imposto de Exportação para petróleo, será necessário achar uma alternativa.


MAIS AGENDA – No mesmo horário em que Kevin Warsh inicia seu discurso em Jackson Hole, às 11h, sai a leitura final de agosto do sentimento do consumidor de Michigan, que deve recuar subir de 51,0 da preliminar para 55,2 em julho. Junto, saem as expectativas de inflação.


… De madrugada, serão divulgados o PIB da França no segundo trimestre, com previsão de alta de 0,2%, e, às 6h, os índices de sentimento econômico e confiança do consumidor da zona do euro.


… O Canadá também divulga o PIB do segundo trimestre às 9h30, com previsão de expansão anualizada de 2%.


… Ainda nos Estados Unidos, às 10h45, o PMI de Chicago deve recuar de 57,6 para 57 em agosto.


NO BRASIL – O IGP-M de agosto sai às 8h e deve registrar a terceira deflação mensal consecutiva. A mediana do Broadcast aponta queda de 0,30%, após -1,16% em julho, com estimativas entre -0,60% e +0,28%. Em 12 meses, a taxa deve desacelerar de 2,76% para 2,08%.


… Às 8h30, o BC divulga as estatísticas monetárias e de crédito de julho.


… O Caged sai às 14h30 e deve mostrar criação líquida de 114 mil vagas formais em julho, abaixo das 145.161 de junho. As projeções variam de 90,5 mil a 135 mil vagas. Economistas esperam que os dados confirmem a perda gradual de fôlego do mercado de trabalho.


… Ontem, a Pnad Contínua mostrou queda da taxa de desemprego de 5,4% para 5,3% no trimestre até julho.


… Às 17h, a Aneel divulga a bandeira tarifária de setembro.


ELEIÇÃO – As denúncias contra seu filho Fábio Luís Lula da Silva ocuparam boa parte da sabatina de Lula ontem à noite, na TV Globo. O presidente acredita na inocência de Lulinha, mas repetiu que não vai interferir nas investigações da PF e que, se ele for culpado, pagará por isso.


… Os jornalistas Cesar Tralli e Renata Vasconcelos também questionaram Lula sobre as acusações contra “Marcola”, seu ex-chefe de gabinete, e Jaques Wagner, afastado da liderança do governo no Senado após envolvimento com o escândalo do Banco Master.


… Sobre a economia, Lula esquivou-se das perguntas em relação à trajetória da dívida pública e não admitiu a necessidade de um ajuste fiscal para cortar os gastos, afirmando que aprendeu a ter responsabilidade fiscal com sua mãe, dona Lindu.


… “A mim, não preocupa a dívida pública”, disse o presidente, acrescentando que o que quer é “fazer esse País crescer”.


… O presidente disse que foi o único dos países do G20 que fez superávit primário durante oito anos. “Você acha que o Brasil está com problema de dívida pública porque chegamos a 80% (relação dívida/PIB), sabe por quê? Porque estamos há mais de dez anos sem crescer.”


… “80% de dívida não é muito se você olhar para os Estados Unidos, Japão, Itália. Sabe quanto é a dívida dos Estados Unidos? 120% do PIB, é de US$ 40 trilhões. Uma parte da dívida é pela taxa de juros, porque vocês defenderam a vida inteira o BC independente.”


… Lula disse ainda que não vai privatizar os Correios, embora tenha admitido seu alto endividamento, porque a companhia tem um importante papel social pela capilaridade em todas as localidades brasileiras – onde as empresas privadas não chegam.


FLÁVIO. Hoje, sexta-feira, será a vez de Flávio Bolsonaro participar da sabatina de presidenciáveis da TV Globo, às 21h05. O candidato prometeu anunciar na entrevista novos nomes que deverão compor sua equipe, se for eleito para o Palácio do Planalto.


… Ontem à noite, Flávio Bolsonaro participou de jantar em São Paulo com integrantes do mercado financeiro no apartamento do executivo Marcelo Kayath, que presidiu o Credit Suisse no Brasil até 2016, e que declarou voto em Lula em 2022.


NOVA PREVIDÊNCIA – Menos de sete anos após a última reforma da Previdência, uma equipe liderada pelo economista Paulo Tafner quer apresentar aos presidenciáveis novas mudanças nas regras da aposentadoria.


… O texto prevê a elevação da idade mínima, saindo gradualmente dos atuais 62 anos para mulheres e 65 para homens, até chegar aos 67 anos para ambos os sexos, nas áreas urbana e rural. Arminio Fraga deu apoio ao projeto.


CURTAS – A comissão mista da MP que derrubou a “taxa das blusinhas” se reúne hoje, às 10h, para definir o comando dos trabalhos. A senadora Leila do Vôlei (PDT-DF) deve ser escolhida relatora, enquanto o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) foi indicado para a presidência.


… A MP perde a validade em 8 de setembro se não for aprovada pela Câmara e pelo Senado.


ESCALA 6X1. O senador Omar Aziz (PSD-AM) apresentou parecer favorável à PEC que acaba com a escala 6×1 e manteve integralmente o texto aprovado pela Câmara, rejeitando todas as emendas. O relatório será apresentado à CCJ do Senado na próxima semana.


… A proposta reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, e garante dois dias de descanso por semana.


CRÉDITO. Em reunião extraordinária no final da tarde de ontem, o CMN ampliou em R$ 3 bilhões o limite para operações de crédito de órgãos e entidades do setor público em 2026, de R$ 23,625 bilhões para R$ 26,625 bilhões.


… Segundo a Fazenda, a medida realoca espaço fiscal já previsto e amplia a capacidade de contratação de empréstimos por Estados e municípios, com reforço também dos limites destinados ao Novo PAC.


GAP DE CORREÇÃO? – A confiança do governo de que conseguirá emplacar a prorrogação da alíquota de 12% do imposto de exportação sobre o petróleo traz incerteza às ações da Petrobras, que ontem operaram embaladas.


… O rali dos papéis da companhia nesta quinta-feira (ON +3,00%, a R$ 47,31; PN +3,02%, a R$ 42,70) não respondeu somente ao avanço do petróleo, mas em boa medida à liminar judicial que suspendeu a cobrança do imposto.


… Depois da longa sequência negativa de onze pregões, em que caiu 6,55%, o Ibovespa vem ganhando terreno nos últimos dias e ontem completou o sétimo pregão seguido no azul, com alta acumulada de 5,19% neste período.


… O ganho de fôlego coincide com a retomada gradual do interesse do investidor estrangeiro pelo Brasil, após a sangria recente. Pelo último informe da B3, no pregão de terça-feira, entrou R$ 1,369 bilhão em capital externo.


… Mas agosto vai chegando ao fim com retirada acumulada de R$ 20 bilhões. Analistas dizem que a bolsa continua barata e um interesse de compra continua dependendo da volta do apetite dos gringos e do trigger eleitoral/fiscal.


… O Ibov subiu só 0,31% ontem, mas retomou os 175 mil pontos (175.135,41), com giro reduzido de R$ 15,4 bilhões.


… Gestor ouvido pelo Valor observou que, apesar de o Brasil ser visto como um trade anti-IA, a bolsa doméstica não foi prejudicada ontem pelo fluxo de rotação para outros mercados despertado pelo rali do balanço da Nvidia.


… O frenesi com a inteligência artificial chegou até mesmo a ser faturado pelos papéis da Totvs, que bombaram 6,41% e fecharam a R$ 34,69, maior preço de tela desde maio, liderando o ranking de altas do Ibovespa.


… Vale ON (+0,84%, a R$ 79,11) também colaborou para os ganhos da bolsa, apesar da queda de 0,28% no preço do minério de ferro na China. Já os grandes bancos tiveram uma sessão predominantemente negativa.


… Itaú PN registrou desvalorização de 0,89%, a R$ 39,10; Bradesco PN perdeu 0,35%, a R$ 16,93; BTG Unit recuou 0,61%, a R$ 53,74; e Santander Unit caiu 0,87%, a R$ 29,47. Na contramão do setor, BB ON subiu 2,31% (R$ 19,97).


MAPEOU SAÍDAS – Apesar do leilão simultâneo no câmbio ontem, na operação que combinou venda de dólares no mercado à vista com compra no mercado futuro via swap reverso, a moeda americana subiu 0,20%, a R$ 5,1620.


… Traders destacaram que a variação pode ter respondido a ajustes pontuais de posição de final do mês e a alguma dose de cautela antes da participação do presidente do Fed, Kevin Warsh, no simpósio de Jackson Hole hoje.


… Reportagem do Valor trouxe que, por trás da operação do novo “casadão” no câmbio, esteve a identificação pelo BC de sinais mais fortes de saída de capital nos últimos dias pelo câmbio, com consequente pressão no dólar.


… Semana passada, houve a segunda maior retirada do ano: US$ 4,056 bilhões. O movimento é sazonal: especialistas comentam que agosto/setembro é um período em que o fluxo cambial historicamente costuma ficar mais negativo.


… Também na curva dos juros teve leilão ontem, o segundo maior do ano de títulos prefixados do Tesouro, de R$ 24,5 bilhões. A operação foi um sucesso, com todos os lotes vendidos. Num primeiro momento, houve pressão no DI.


… Mas, com o passar das horas, prevaleceu a percepção positiva sobre a demanda elevada e os contratos do trecho intermediário dos juros futuros zeraram a alta, descolando do avanço das taxas dos Treasuries e do petróleo.


… Só mesmo a ponta mais longa do DI é que ainda exibiu um resquício de prêmio, no hedge contra Jackson Hole.


… No day after da deflação do IPCA-15 de agosto, como se viu, a taxa de desemprego medida pela Pnad no trimestre até julho caiu para o menor nível para o período desde o início da série histórica, a 5,3%, em linha com o esperado.


… O ritmo forte do mercado de trabalho e o crescimento da renda pressionam a inflação, principalmente a de serviços, e colocam em xeque um ciclo estendido de queda da Selic. Mas o corte de setembro está garantido.  


… No fechamento, o DI para Jan/27 caía a 13,630% (de 13,668% no ajuste anterior); Jan/28, a 13,770% (contra 13,830%); e Jan/29, a 14,075% (de 14,118%). Já o Jan/31 subia a 14,360% (14,348%); e Jan/33, a 14,480% (14,440%).


… Lá fora, na véspera da participação de Warsh em Jackson Hole, a trajetória de alta do petróleo e os comentários cautelosos dos Fed boys sobre a inflação persistente sustentaram os rendimentos dos títulos do Tesouro americano.


… O retorno da Note de 2 anos subiu a 4,229% (de 4,215%), o de 10 anos foi a 4,671% (de 4,653%) e o do T-Bond de 30 anos, a 5,190% (de 5,171%). As taxas se transformam neste momento em pivô de disputa entre o Tesouro x Fed.


… Em compasso de espera por Warsh, o índice DXY do dólar seguiu estável (-0,01%), a 99,159 pontos. O euro teve queda marginal de 0,02%, a US$ 1,1651, com a ata do BCE não dizendo nem que sim e nem que não vai subir o juro.  


… A libra também ficou de lado (-0,02%), a US$ 1,3590, enquanto o iene se enfraqueceu para 159,42 por dólar.


CIAS ABERTAS NO AFTER – MBRF aprovou emissão privada de R$ 825 mi em debêntures, com chance de chegar a R$ 1,03 bi em lote adicional. Títulos serão vinculados a CRAs e recursos destinados às atividades como produtora rural.


NATURA. Acionistas dispensaram a obrigação de OPA pela Lotus, veículo da Advent, e ampliaram o conselho para até dez integrantes. Juan Pablo Zucchini e Rafael Patury Carneiro Leão, ligados à gestora, foram eleitos para o colegiado.


C&A. Morgan Stanley voltou a elevar exposição, para 5,1% das ações ON, equivalente a cerca de 14,7 milhões de papéis, além de posições em derivativos. Banco afirmou não ter objetivo de alterar o controle ou a administração.


MULTIPLAN captou R$ 300 milhões por meio de CRIs, com vencimento em 2034 e remuneração de 96,5% do CDI. Recursos serão destinados a construção, expansão, reformas e aquisição de participações em projetos imobiliários.


GPA rebateu na Justiça parecer do MP de SP contrário à homologação do plano de recuperação extrajudicial. Varejista defende que a classe de credores atende aos critérios legais de semelhança e tratamento homogêneo.


TOTVS fará em 8/9 o resgate antecipado de R$ 1,5 bilhão em debêntures da 5ª emissão, com recursos da nova emissão de mesmo valor. Operação substitui a dívida com vencimento em 2031 por títulos que vencem em 2033.


ONCOCLÍNICAS. OPA determinada pela CVM pode movimentar de R$ 12,4 bilhões a R$ 14,2 bilhões, no Valor, com preço estimado entre R$ 9,79 e R$ 12,60 por ação, já considerando correção pela Selic e bônus de subscrição…


… Amec afirmou que a Câmara de Arbitragem da B3 não pode desfazer a decisão da CVM que determinou OPA para todas as ações. Para a entidade, apenas o Judiciário poderia reformar a decisão da autarquia.


BRB. Fux determinou que TJ da Bahia prorrogue por 90 dias contrato com o banco para administrar depósitos judiciais. Vínculo garante entrada mensal de R$ 394 mi e, segundo o Distrito Federal, é relevante para liquidez.


PARANÁ BANCO fará emissão de até R$ 500 milhões em letras financeiras, com vencimentos de dois a quatro anos. Recursos serão usados para reforço de caixa e no curso ordinário dos negócios.


MOSAIC. O conselho de administração aprovou dividendo trimestral de US$ 0,22 por ação, com pagamento em 24/9 a acionistas registrados em 10/9.


HBR REALTY recebeu proposta da SPX Real Estate para compra de participações em quatro empreendimentos, incluindo Mogi Shopping e Patteo Olinda. Negociação entrou em período de exclusividade, sem valores divulgados.


ALLIED. Fundos Brasil Investimentos I e II venderam 11,58% do capital e reduziram participação conjunta para 27,53%. Já a família fundadora Radomysler ampliou sua fatia para 29,16% da companhia.

Bankinter Matinal Portugal

 Análise Bankinter Portugal 

NY +0,7% US tech +1,4% US Semis +2,3% UEM -0,7% Espanha -0,9% VIX 14,5% Bund 3,25%. T-Note 4,68%. Spread 2A-10A USA=+45pb B10A: ESP 3,70% PT 3,60% ITA 4,07% FRA 4,10% Euribor 12m 3,01%. USD 1,165 JPY 185,8/€. Oro 4.575$. Brent 89,3$. WTI 83,2$. Bitcoin -0,3% (79.828$). Ether -0,4% (2.499$).

 :: SESSÃO.

Após a apresentação dos resultados da Nvidia (+9% na sessão de ontem), hoje deveremos ter uma sessão tranquila, com um viés ligeiramente em alta. A referência do dia estará no discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole (15h), onde o mercado tentará procurar indícios sobre a posição da Fed relativamente aos últimos dados de inflação e aos esforços do Tesouro norte-americano para controlar as rendibilidades de longo prazo.

 Além disso, o preço do Brent recua hoje (89,0$/barril; -0,7%), após os comentários, durante esta madrugada, do chefe do Comando Central dos EUA de que o exército norte-americano limpou o Estreito de minas iranianas, afirmando que as rotas marítimas internacionais estavam abertas.

 Na frente macroeconómica, teremos as primeiras inflações de agosto na Europa, nomeadamente de França (+2,4% est. vs. +2,1%) e Espanha (+4,2% est. vs. +3,6% ant.), que poderão antecipar a tendência a seguir pelo dado da Zona Euro, que conheceremos na próxima terça-feira (+3,2% est. vs. 2,9% ant.) e que será determinante para a decisão sobre as taxas de juro do BCE de 10 de setembro. Neste sentido, conhecemos ontem as Atas do BCE da reunião de 22/23 de julho, que refletiram que vários membros consideram adequado avaliar uma subida adicional das taxas de juro para prevenir efeitos de segunda ordem provocados pela subida dos preços da energia, num contexto de elevada incerteza, mas em que a economia europeia se mostra mais resistente do que o esperado.

 :: CONCLUSÃO.

Com tudo isto, se as inflações não surpreenderem muito, hoje deveremos ter uma sessão tranquila, pelo menos até às 15h, com um viés ligeiramente em alta graças à correção do petróleo. O impulso da tecnologia ontem graças aos resultados da Nvidia (e que se propagou a todo o restante setor tecnológico: +1,4%) continua a dar suporte a um mercado que, por enquanto, atribui maior importância aos sólidos lucros empresariais do que à incerteza geoestratégica.

Peguei do grande Roberto Freire

  O texto a que me refiro é do Cronista Artificial @CronistaIA "Talvez essa seja a verdadeira sensação de ditadura. Ela começa quand...