segunda-feira, 3 de agosto de 2026

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Semana do Copom começa com forte queda do petróleo*


… O petróleo caía quase 5% na abertura dos negócios nesta segunda-feira, reagindo ao anúncio de que as negociações entre os Estados Unidos e o Irã serão retomadas hoje, reduzindo, ao menos por ora, o risco de uma nova escalada militar, enquanto a Opep+ confirmou o aumento da oferta para setembro. Ainda no fim de semana, Trump e o Japão admitiram intervenção conjunta para socorrer o iene. Com o alívio na geopolítica, o investidor se ocupa da agenda intensa dos mercados, que inclui o Copom, quarta-feira, e dados do emprego nos Estados Unidos, que culminam com o payroll na sexta. Na B3, a temporada de balanços acelera com Itaú, Bradesco e Petrobras entre os destaques.


DE VOLTA À MESA – Estados Unidos e Irã recomeçam as negociações nesta segunda-feira à tarde, informou no domingo Donald Trump, que afirma ter suspendido um novo ataque após pedidos de Teerã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar.


… A expectativa do presidente americano é avançar para um acordo envolvendo a reabertura do Estreito de Ormuz e a desnuclearização iraniana.


… A notícia ajuda a explicar a mudança de tom observada no fim de semana.


… Na sexta-feira, Trump havia endurecido o discurso, afirmando que o Irã “não terá mais nenhuma capacidade militar”, dizendo ter perdido a confiança em um acordo com Teerã e chegando a ameaçar novos ataques. No sábado, porém, anunciou que daria mais tempo à diplomacia.


… O Irã respondeu que continua preparado para reagir a qualquer nova ofensiva dos Estados Unidos ou de Israel, enquanto o governo de Benjamin Netanyahu reiterou que voltará a atacar se considerar necessário.


… Ao mesmo tempo, Teerã informou que as conversas com Omã para um protocolo de navegação no Estreito de Ormuz estão em fase final.


… Enquanto isso, seguiram os ataques pontuais, incluindo novos incidentes envolvendo embarcações em Ormuz e ofensivas iranianas contra instalações americanas no Kuwait. Na prática, o conflito voltou a entrar em compasso de espera.


… A retórica permanece dura, mas a retomada das negociações reduz, ao menos por enquanto, o risco de uma escalada imediata.


OPEP+ ENTRA EM CENA – O cartel confirmou no domingo um aumento de 188 mil barris por dia na produção a partir de setembro, concluindo a reversão dos cortes voluntários iniciada em 2023. A decisão já era amplamente esperada pelo mercado.


… Mas o grupo evitou sinalizar os próximos passos para o 4TRI, mantendo em aberto a possibilidade de uma pausa na elevação da oferta.


… Ao mesmo tempo, a Opep expressou preocupação com os ataques à infraestrutura de energia e às rotas marítimas no Oriente Médio, alertando que danos às instalações e interrupções no transporte continuam aumentando a volatilidade e ameaçando o abastecimento global.


… A manifestação ocorre depois de uma disparada de mais de 20% do petróleo em julho com a retomada da guerra entre Estados Unidos e Irã.


… Na sexta-feira, o contrato futuro do Brent fechou em alta de 1,21%, a US$ 87,93 por barril, acumulando valorização de 23,5% no mês, enquanto o WTI avançou 1,29%, para US$ 84,67, com ganho mensal de 21,8%.


CHEGOU O COPOM –O principal destaque da agenda dos mercados nesta semana será a decisão de política monetária do BC, na quarta-feira.


… O mercado chega ao encontro convicto de um corte de 0,25 ponto porcentual da Selic, para 14% ao ano, com a curva de juros precificando 100% de probabilidade para esse movimento. A grande dúvida é em relação à sinalização para os próximos passos.


… Entre os economistas, boa parte espera que a decisão seja seguida por uma pausa. Já no mercado, as apostas permanecem divididas para setembro, entre a continuidade do ciclo com um novo corte de 0,25 ponto e a manutenção da taxa básica.


… A expectativa de mais cortes foi reforçada pelos sinais de desaceleração da inflação, com o IPCA-15 quase zerado e dados benignos do núcleo, além do esfriamento da atividade e da acomodação do mercado de trabalho.


… Apesar disso, o ambiente continua cercado de incertezas, principalmente por causa do quadro fiscal e do ambiente eleitoral – fatores que ainda sustentam dúvidas sobre o espaço para novos cortes – e da instabilidade do cenário externo com a guerra no Oriente Médio.


MAIS AGENDA – Antes do Copom, o mercado terá para monitorar a produção industrial amanhã, terça-feira (4), que deve recuar 0,6% em junho, mais do que recuou em maio (0,2%), segundo a mediana das projeções apuradas pelo Broadcast.


… Hoje, sai o IPC-S de julho (8h), que deve cair 0,02%, e a pesquisa Focus (8h25), com a atualização das projeções macroeconômicas do mercado.


… A semana traz ainda a balança comercial de julho, na quinta-feira, e o IGP-DI de julho, na sexta-feira.


PAYROLL – Nos Estados Unidos, a semana será repleta de dados do mercado de trabalho, com o relatório JOLTS sobre vagas abertas em junho amanhã; a pesquisa ADP, com os empregos criados no setor privado em julho na quarta-feira; e o relatório de empregos de julho na sexta.


… Ainda na quarta, serão divulgados os índices americanos PMI e ISM de serviços, que ajudam a medir o desempenho do principal segmento da economia americana, e os estoques semanais de petróleo pelo Departamento de Energia (DoE).


… No mesmo dia, a diretora do Fed Lisa Cook participa de um evento, com investidores atentos a qualquer sinalização sobre política monetária. Na quinta-feira, fala Alberto Musalem (Fed/St. Louis) e, na sexta-feira, Tom Barkin (Fed/Richmond).


… Fora dos Estados Unidos, a Europa divulga hoje e na quarta-feira as leituras finais dos PMIs industrial, de serviços e composto. Na quinta, saem as vendas no varejo da zona do euro e, na sexta, as encomendas à indústria e a produção industrial da Alemanha.


… Na Ásia, o Banco do Japão publicará amanhã a ata de sua última reunião de política monetária. Ontem, saiu o PMI/S&P Global industrial japonês, que caiu de 54,8 em junho para 54,5 em julho, abaixo do dado preliminar (54,7).


… A China divulga quarta o PMI de serviços. No sábado, serão conhecidos os índices de inflação (CPI e PPI) chineses.


… Na noite de ontem, o PMI/S&P Global industrial chinês caiu de 51,7 em junho para 50,9 em julho, abaixo da previsão de analistas consultados pela FactSet, de queda para 51,5.


… Também estão na agenda da semana as decisões de juros do Banco da Reserva da Índia, na quarta-feira, e do Banco do México, na quinta.


SEM SHUTDOWN – Líderes do Senado dos Estados Unidos fecharam um acordo para manter o governo federal financiado até 11 de dezembro, reduzindo o risco de um novo shutdown durante a campanha para as eleições de meio de mandato.


… A expectativa é que a proposta seja votada ainda nesta semana, antes do recesso parlamentar de agosto. A antecipação das negociações é incomum e busca evitar uma nova paralisação da máquina pública às vésperas do fim do ano fiscal, em 30 de setembro.


BALANÇOS – A temporada continua movimentando os mercados globais nesta semana, embora em ritmo menos intenso em Nova York, onde são destaques Caterpillar, McDonald’s, AMD e SpaceX – que divulga seu primeiro balanço desde a abertura de capital, todos amanhã.


… Na quarta, ainda tem Walt Disney e, na quinta-feira, ConocoPhillips.


… Na Europa, chamam atenção os resultados de HSBC, BP e Lufthansa, na terça, Glencore e Heineken, na quarta, e Commerzbank, na quinta.


… Depois dos números das big techs, os investidores agora buscam sinais sobre a atividade global, o consumo e o setor de commodities, além de acompanhar se o forte ciclo de investimentos em IA continua beneficiando empresas ligadas à infraestrutura e semicondutores.


NA B3, A TEMPORADA GANHA RITMO – No mercado brasileiro, os balanços aceleram, com concentração de resultados de grandes companhias entre amanhã, terça-feira, e quinta-feira. Já hoje, saem BB Seguridade, Isa Energia e Marcopolo, após o fechamento.


… Amanhã, os destaques ficam para Itaú Unibanco, Gerdau, Prio, RD Saúde, GPA, Iguatemi e C&A. A quarta-feira vem com os números de Bradesco, Klabin, Copel, Engie, Brava Energia, Totvs, Banco Inter, Smart Fit e Vivara.


… Na quinta, o foco se volta para Petrobras, principal balanço da semana no Brasil, além de Localiza, Lojas Renner, Magazine Luiza, Assaí, Hypera, Fleury, Energisa, PetroReconcavo e Minerva Foods. A temporada termina na sexta-feira com os resultados da Porto.


DÍVIDA PÚBLICA NAS MANCHETES – O avanço da dívida pública voltou ao centro das atenções no fim de semana, depois que o Estadão destacou a combinação de endividamento crescente e custo cada vez mais elevado para o Tesouro Nacional.


… A dívida bruta do setor público atingiu 81,9% do PIB em junho, o maior nível em mais de cinco anos, enquanto o custo médio da Dívida Pública Federal subiu para 12,68% ao ano, o maior desde setembro de 2016.


… A combinação de juros elevados, incertezas fiscais e aumento do prêmio de risco tem encarecido o financiamento do governo e levado o Tesouro a ampliar a emissão de títulos atrelados à Selic, evitando validar taxas ainda mais elevadas nos papéis de longo prazo.


… A avaliação de especialistas ouvidos pelo jornal é que, sem uma melhora consistente do quadro fiscal, o custo da dívida continuará pressionando as contas públicas e limitando o espaço para a queda estrutural dos juros.


CURTAS DA POLÍTICA – O PT oficializou neste domingo a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição.


… Em discurso, o presidente afirmou que um eventual quarto mandato dará prioridade ao fortalecimento da indústria de defesa, à exploração de terras raras e minerais críticos e à transição energética.


… Lula também prometeu enfrentar a discussão sobre emendas parlamentares e disse que não pretende ser o “Lulinha paz e amor”, mas o “Lulinha porreta”. O plano de governo será apresentado no próximo dia 16.


CENTRÃO TÁ FORA. Depois de o PP rejeitar indicar Tereza Cristina para a vice de Flávio Bolsonaro, alegando neutralidade na disputa presidencial, o Republicanos também deve confirmar a posição de neutralidade do partido.


… No sábado, o Republicanos oficializou a candidatura de Tarcísio de Freitas à reeleição ao governo de São Paulo, enquanto o Partido Missão lançou a candidatura de Renan Santos à Presidência.


ENTREVISTAS. A GloboNews e o G1 iniciam nesta semana uma série de entrevistas com os candidatos à Presidência.


… Lula será o primeiro entrevistado, amanhã, terça-feira, seguido por Renan Santos, na quarta, Romeu Zema, na quinta, e Ronaldo Caiado, na sexta. Flávio Bolsonaro participa na segunda-feira da próxima semana.


CONGRESSO. A Câmara retoma os trabalhos nesta segunda-feira após o recesso de julho.


… Entre os projetos que devem dominar a pauta estão a ampliação do teto de faturamento do MEI, a regulamentação da concorrência entre empresas de tecnologia, a redução de tributos sobre combustíveis em 2026 e a criminalização da misoginia.


BUSCANDO MERCADOS. Em meio às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, o ministro Márcio Elias Rosa (MDIC) inicia nesta segunda-feira uma missão oficial à Índia, com o objetivo de ampliar o acesso de empresas brasileiras ao mercado do país.


HABITANDO MUNDOS DIFERENTES – Na semana do Copom, economistas reforçam os alertas sobre um possível excesso de otimismo do BC quanto às expectativas de inflação, consideradas menos realistas por parte do mercado.


… Para efeito de comparação sobre este descolamento, a projeção da autoridade monetária para o IPCA deste ano está em 5,20% (contra 5,12% na mediana do Focus), a de 2027 está em 3,7% (de 4,22%) e 2028, em 3,1% (de 3,8%).


… Profissionais advertem sobre a imprudência de cortar demais a Selic, nem só por causa da desancoragem das previsões de inflação à meta, mas especialmente porque a questão fiscal parece um desafio pouco endereçado.


… Um corte do juro depois de amanhã está mais do que garantido, até porque o IPCA-15 de julho veio perto de zero, o câmbio está estabilizado e a percepção é de que a atividade e o emprego vêm perdendo fôlego gradualmente.


… A eficácia da política monetária restritiva demorou, mas chegou à economia. O debate que se faz agora, porém, é sobre o que o Copom fará depois, em setembro, quando os ruídos fiscais vão pegar mais forte no contexto eleitoral.


… Como disse o economista Marco Caruso (Santander), as expectativas de inflação já não ocupam posição tão privilegiada e o “ônus da prova” mudou para quem defende que o Copom pare o ciclo de queda mês que vem.


… Apesar de todas estas questões em destaque, apesar da escalada das taxas dos Treasuries e apesar ainda do petróleo perto dos US$ 90 (na sexta-feira), os contratos futuros dos juros fecharam o último pregão perto da estabilidade.


… No fechamento, o DI para Janeiro de 2027 marcava 13,810% (de 13,818% no ajuste anterior); Jan/28, 13,885% (contra 13,889%); Jan/29, 14,130% (de 14,123%); Jan/31, 14,390% (de 14,410%); e Jan/33, 14,565% (de 14,599%).


… No final da tarde de sexta, a Aneel cumpriu os prognósticos do setor elétrico e manteve a validade da bandeira tarifária amarela em agosto, o que representará um custo adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.


… A decisão já estava incorporada nas apostas de inflação do mercado. Neste segundo semestre, porém, o El Niño, com aumento nas temperaturas e menos chuvas no Norte e Nordeste, reforça a perspectiva de bandeiras mais caras.


O MERCADO FALA – Apesar da apatia por aqui na curva do DI, lá fora, o juro do T-Bond de 30 anos voltou a renovar as máximas em 19 anos, no pico de estresse que vem sendo associado à postura de Warsh, lida como mais dovish.


… Descontando os riscos despertados pelo impacto da guerra no cenário inflacionário, o novo presidente do Fed surpreendeu ao passar semana passada uma mensagem bem menos agressiva do que parte do mercado esperava.


… Gerou ruídos, pôs em xeque uma alta do juro em setembro e levantou a lebre sobre um Fed atrás da curva.


… Na sexta, Alberto Musalem lançou um alerta, mesmo não tendo sido um dissidente na última reunião do Fomc:


… “O Sr. Mercado falou esta semana, e eu recebi [um] sinal disso. A venda de títulos do Tesouro americano [com alta nos yields] é uma evidência de que o banco central precisa conquistar sua credibilidade no combate à inflação.”


… Os três dirigentes que racharam o placar do Fed (9 x 3) defenderam os seus votos em comunicado na sexta-feira. Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan recomendaram acelerar o retorno da inflação para a meta de 2%.


… Logan disse que uma ação moderada pelo Fed no curto prazo, com a opção por uma alta de 25 pontos-base na taxa dos juros, reduziria a probabilidade de serem necessárias medidas mais drásticas posteriormente.


… Hammack conclamou o Fed a agir, afirmou que não considera a política monetária suficientemente restritiva para conter as pressões inflacionárias e que não tem confiança de que os preços retornarão à meta por conta própria.


… De seu lado, o presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari defendeu que seria melhor uma “série de pequenas medidas” do que esperar e eventualmente concluir que ações ainda mais ousadas seriam necessárias.


… Para embolar o meio de campo, ainda na sexta-feira, deu no NYT que Warsh teria cogitado no último encontro de política monetária a hipótese de reduzir o número de reuniões do Fed ao longo do ano, que atualmente é de oito.


… Segundo as fontes do jornal, Kevin Warsh deixou a impressão de que um novo calendário do Fomc poderia ser decidido antes da próxima reunião, em setembro, embora as mudanças só devam ser implementadas depois.


… Nos picos desde 2007, o T-bond de 30 anos pagou taxa de 5,249%, contra 5,213% no pregão anterior. O rendimento da Note de 10 anos avançou para 4,707% (de 4,672%) e o de 2 anos, a 4,267% (de 4,240%).


CHAMOU A CAVALARIA AMERICANA – Outro destaque na cena externa foi o novo salto do iene, diante dos esforços coordenados entre os governos do Japão e a Casa Branca para estancar as mínimas em 40 anos da moeda japonesa.


… Na sexta-feira, à medida que o efeito da valorização inicial do iene (após a intervenção de US$ 50 bilhões dos japoneses) começou a se esgotar, a Casa Branca entrou com uma segunda atuação no câmbio em menos de 24h.


… Foi a primeira intervenção dupla desde 2011. O Tesouro vendeu euro para comprar iene e não descartou ações futuras, após o secretário Scott Bessent considerar o iene barato e dizer que a volatilidade não era saudável.


… Ganhou repercussão na mídia a foto de Bessent com uma lista de tarefas na mão, durante uma reunião do gabinete de Trump em Camp David, em que estava escrita a ordem de “comprar iene (JPY) US$ 5-10 bilhões”.


… A moeda japonesa se fortaleceu (+0,66%) para 158,58 por dólar. Entre as divisas europeias, o euro ficou estável em US$ 1,1524 e a libra registrou alta marginal de 0,09%, a US$ 1,3474, com o DYX a 99,914 pontos (+0,05%).


… No domingo, o presidente Donald Trump confirmou a intervenção conjunta dos Estados Unidos e do Japão no mercado cambial para sustentar o iene, afirmando que a operação traz “benefício financeiro” e é positiva para a economia mundial.


… Segundo o republicano, a ajuda foi um “gesto de amizade” ao Japão. De seu lado, a ministra Satsuki Katayama disse que mantém comunicação estreita com o Tesouro americano e não hesitará em intervir junto novamente.


… Para Mohamed El-Erian, ex-Pimco, a principal dúvida agora é se a intervenção terá efeito duradouro ou será apenas um alívio temporário.


… O mercado se envolve nos questionamentos sobre a chance de o BC japonês antecipar um aperto do juro, na discussão que pode bater aqui no carry trade e influenciar também o apelo global pelos ativos de IA.


… O real, que pode sair perdendo com o interesse renovado pelo iene, terminou julho com alta acumulada de 1,8%, favorecido pelo rali superior a 20% do petróleo no mês, após o colapso das negociações para um cessar-fogo.


DEU TILT – Problemas técnicos na B3 atrasaram em mais de duas horas e meia a abertura do pregão do Ibovespa na sexta-feira e contribuíram para manter o volume de negócios nas médias recentes muito fracas, em R$ 18 bilhões.


… A B3 negou que tenha havido ataque hacker ou qualquer interferência externa nos sistemas e atribuiu a pane a “uma intercorrência operacional em um dos componentes tecnológicos do ambiente de pós-negociação”.


… Estrelas do dia, as units do Santander saltaram 13,35% e lideraram com folga os ganhos do dia, mas ainda não romperam os R$ 30, negociadas a R$ 28,62, após o anúncio da OPA de permuta por BDRs da matriz espanhola.


… A disparada zerou o tombo de mais de 8% nos dois pregões anteriores provocado pelo balanço trimestral.


… O foco do mercado se volta agora para os resultados do Bradesco (a ação PN subiu 0,22% e fechou na mínima de R$ 18,43) e do Itaú, que registrou alta de 0,35% e também fechou na menor cotação do dia, em R$ 42,89.


… No day after da divulgação de seus números, Vale desafiou a queda de 1,31% do minério e subiu 0,25% (R$ 76,28). Os papéis da Petrobras seguiram o avanço do petróleo: PN, +1,35%, a R$ 43,42; e ON, +1,01%, a R$ 49,04.


… A um triz dos 178 mil pontos, o Ibovespa fechou em alta de 0,47%, aos 177.999,00 pontos. O índice à vista quebrou uma sequência de quatro meses de queda e terminou julho com valorização acumulada de 3,47%.


… Em Wall Street, apesar do tombo de 9,65% da Apple, depois que a empresa alertou que está sofrendo com a falta de componentes, as bolsas americanas operaram embaladas pelo balanço da Amazon, com salto de 15,15% do papel.


… O Dow Jones subiu 0,53%, para 52.485,03 pontos, e o S&P 500 ganhou 0,70%, aos 7.489,72 pontos. O Nasdaq avançou 1,00%, para 25.373,85 pontos, mas terminou julho em queda de 1,98%, em meio às dúvidas sobre a IA.


CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS aumentou no sábado em 1,9%, ou R$ 0,09 por litro, o preço do querosene de aviação. Em julho, o preço do combustível aéreo havia sido reduzido em 14,4% e, em junho, em 14,2%.


ITAÚ concluiu a transferência da operação de varejo para pessoas físicas de sua subsidiária na Colômbia ao Banco de Bogotá. A operação envolveu R$ 9,7 bilhões em carteira de crédito e R$ 7,2 bilhões em depósitos.


SANTANDER BRASIL. Conselho exonerou Maria Elena Lanciego Perez do cargo de diretora vice-presidente executiva.


CSN. Fitch rebaixou o rating da companhia de B para CCC+, mantendo a nota em observação negativa, diante da piora da flexibilidade financeira, da elevada alavancagem e dos riscos de refinanciamento.


AXIA e a Isa Energia informaram a conclusão do descruzamento de participações societárias na Interligação Elétrica do Madeira e na Interligação Elétrica Garanhuns.


ENGIE BRASIL. Acionistas aprovaram a incorporação da controlada Ceja, de capital fechado.


LIGHT. O fundo de investimentos Santander PB 1 Ações reduziu participação de 10,60% para 7,16% das ações ordinárias, em razão da diluição provocada pelo aumento de capital.


TELEFÔNICA BRASIL aprovou a incorporação da Fibrasil, com efeitos a partir de 1º de agosto. A subsidiária será extinta, sem aumento de capital ou emissão de novas ações.


NATURA recebeu pedido de acionistas que reúnem 38,82% do capital para convocar AGEs destinadas a deliberar sobre a dispensa de OPA e mudanças no conselho de administração…


… O pedido está relacionado à entrada da Advent, por meio do fundo Lotus, com participação mínima de 8%.


JHSF aprovou a 19ª emissão de debêntures, em até três séries, no valor de até R$ 1 bilhão.


RANDONCORP anunciou OPA facultativa para permuta de ações ordinárias da companhia por ações ordinárias da Frasle Mobility, na proporção de 2,7 ações da Randon por uma da Frasle…


… A Previ aderirá integralmente à oferta, trocando sua participação de 9.486.100 ações ordinárias da Randon por 3.513.370 ações da Frasle.


TUPY elegeu Augusto Ribeiro Junior, ex-Vibra, como novo diretor financeiro e de Relações com Investidores.


PARANAPANEMA adiou para 14/08 a transferência de valores aos credores e para 30/09 a liberação de saldo judicial e o pagamento de R$ 100 milhões.


ASTRAZENECA e Bristol Myers Squibb discutem fusão que pode criar companhia avaliada em cerca de US$ 400 bilhões, segundo o Financial Times.

domingo, 2 de agosto de 2026

Divida publica explodindo

 



A íntegra: 

O pior cenário chegou para a dívida pública

Saldo bruto alcança R$ 10,8 trilhões, ultrapassa 81% do PIB e confirma cenário explosivo previsto

Candidatos deveriam colocar na mesa com detalhes o que vão fazer para resolver esse impasse econômico


Adriana Fernandes

Brasília

A poucos meses do fim do terceiro mandato do presidente Lula (PT), o pior cenário para a evolução da dívida pública brasileira se confirmou.


A dívida bruta fechou o mês de junho em 81,9% do PIB (Produto Interno Bruto), de acordo com dados divulgados pelo Banco Central na sexta-feira (31). O maior patamar desde 2021, durante a pandemia da Covid-19.


Esse era o cenário de trajetória explosiva que os técnicos do Tesouro Nacional previam, há exatos dois anos, que a dívida chegaria em 2026, último ano do Lula 3. A previsão estava em documentos encaminhados ao Congresso Nacional como complemento da proposta de Orçamento de 2025.


Não era a projeção de nenhum analista fiscalista do mercado financeiro, que tantas e tantas vezes ao longo dos últimos anos integrantes do governo e do PT insistiam em chamar de terroristas fiscais do caos.


Era a área técnica do próprio governo que já enxergava a dívida bruta acima de 80% do PIB, patamar que o próprio Tesouro em documentos oficiais indicava que seria de uma trajetória explosiva de endividamento.

A previsão era um alerta, ignorado pelo Executivo e Legislativo. A sua divulgação chegou até ser questionada por auxiliares do presidente como alarmista.


Como se observa agora, a projeção era até conservadora, porque os dados consideram uma trajetória de resultado primário das contas do governo no centro das metas estipuladas para o período 2025-2028, o que não está acontecendo.


Àquela altura, o governo e o Congresso tinham nas mãos a oportunidade de mudar o jogo nas discussões de medidas para contenção do crescimento das despesas obrigatórias.


A opção foi seguir pelo caminho da pequenez, de olho nas eleições que acontecem daqui a dois meses. Foi um momento decisivo para o governo e a economia, que mais tarde os historiadores da política econômica vão poder trazer luz.


O pacote de medidas de corte de contenção de despesas, que gerou grande discussão no Palácio do Planalto em meio à escalada do dólar e das turbulências do mercado pelas incertezas fiscais, foi minguado para o Congresso e lá desidratado, inclusive com o apoio da oposição que se autoproclama fiscalmente responsável.


O pacote continha medidas positivas e, algumas delas, eram duras. Mas o problema é que a economia de gastos obtida, ainda que insuficiente, foi usada para abrir espaço para novas despesas. Não era um corte de despesas.


Depois do pacote, ninguém mais acreditou que o governo e o Congresso fariam algo. Passaram a esperar por 2027. A turbulência diminuiu, mas a inação de Brasília em todas as esferas de Poder cobrou seu custo com alta dos juros pagos de longo prazo no Brasil em patamares em torno de 7% e 8% ao ano.


É um cenário insustentável para a economia real, para as empresas, os investimentos e os brasileiros em geral.


É preocupante que muitos no governo Lula não reconheçam as dificuldades e insistam em culpar esse cenário pelos juros praticados pelo Banco Central. Não aceitam cobranças e falam de subserviência às vontades da entidade "Faria Lima".


O aumento da dívida coloca na berlinda o arcabouço fiscal, a regra fiscal que o governo conseguiu aprovar após a PEC da Transição que expandiu as despesas logo no início de 2023.


O ministro da Fazenda, Dario Durigan, fez um movimento no mercado para sinalizar medidas de reforço no arcabouço para diminuir o teto de crescimento anual das despesas permitido nas regras em caso de vitória de Lula. Já há críticas dentro do governo a esse movimento do ministro.


Em 2023, na sua primeira entrevista no cargo, o então secretário do Tesouro, Rogério Ceron, disse à Folha que assumia o compromisso de evitar que o endividamento superasse o patamar de 80% do PIB. "Se nada for feito, pode atingir de fato uma trajetória explosiva, mas não é o que vai acontecer", disse à reportagem. Esse cenário chegou e não dá para ignorar.


O crescimento da dívida e as soluções para barrar a trajetória explosiva não vão decidir a eleição. Mas os candidatos deveriam colocar na mesa com detalhes o que vão fazer para resolver esse impasse econômico. Vale para Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e quem mais estiver na corrida ao Palácio do Planalto.

Inflação e banco central

 *Leitura de Domingo: IPCA-15 benigno deve ampliar dissonância entre projeções de Copom e mercado*


Por Cícero Cotrim


Brasília, 28/07/2026 - A surpresa negativa com o IPCA-15 de julho deve ampliar a dissonância entre as expectativas de inflação do mercado e as projeções do próprio Banco Central, a serem divulgadas no próximo dia 5, junto com o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom).

Como informou o IBGE nesta terça-feira, o IPCA-15 desacelerou de 0,41% em junho para 0,06% em julho, muito abaixo da menor estimativa coletada pelo Projeções Broadcast, de 0,17%. A mediana da pesquisa apontava para uma inflação de 0,21%, 0,15 ponto porcentual acima do resultado efetivo.

É a terceira surpresa negativa consecutiva, seguindo o IPCA-15 e o IPCA cheio de junho. Além do desvio negativo na inflação cheia, a média dos núcleos e os serviços subjacentes - componentes mais sensíveis à atividade e à política monetária - também ficaram abaixo das medianas.

Seguindo a governança usual, com o dólar estável em torno de R$ 5,10 frente ao Copom anterior e a atividade desacelerando conforme o previsto pelo comitê, tudo aponta para uma queda nas projeções de inflação da autoridade monetária (5,2% em 2026, 3,7% em 2027 e 3,2% no primeiro trimestre 2028) na semana que vem.

Ao mesmo tempo, a provável queda deve ampliar o gap entre as projeções do BC e as do mercado. A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 está em baixa, mas continua elevada, em 5,12%. As estimativas para 2027 e 2028 têm subido e estão em 4,22% e 3,8%, respectivamente - bem acima do centro da meta, de 3%, e das estimativas do Copom.

É muito improvável, para dizer o mínimo, que haja uma reversão rápida nessas tendências. Afinal, a preocupação com a política fiscal de um eventual governo Lula 4, considerado o resultado mais provável da eleição de outubro, é o fator que tem puxado para cima as expectativas mais longas de inflação.

Esse risco político-fiscal futuro - que sequer decorre de alguma medida concretamente anunciada pelo atual presidente - é um fator que o Copom não incorpora, e nem deve incorporar, nas suas projeções. Por isso mesmo, as estimativas do comitê não devem acompanhar o estresse do mercado.

Ao que os números correntes de inflação indicam, a política monetária restritiva aplicada pelo BC ao longo de 2025 (e até agora) está tendo sucesso em reduzir o ritmo de alta dos preços, por qualquer métrica mensurável. Os choques monitorados - incluindo El Niño e disparada dos preços de petróleo - não são suficientes para explicar a alta das projeções de inflação mais longas.

Não surpreende, portanto, que os agentes do mercado estejam reconhecendo espaço para que o BC reduza a Selic em 0,25 ponto porcentual mais uma vez, a 14%, na semana que vem, mesmo com as expectativas desancoradas e incertezas como o impacto do programa Brasil Soberano 3, de resposta ao tarifaço, no radar.


Contato: cicero.cotrim@broadcast.com.br

Broadcast+

Leitura de domingo

 *Leitura de Domingo: Santander lança oferta de ações na B3 e abre caminho para fechar capital*


Por André Marinho e Altamiro Silva Junior

São Paulo, 30/07/2026 - O anúncio da oferta de aquisição de ações do Santander Espanha para comprar o restante dos papéis que não tem da unidade brasileira, uma operação de R$ 11,2 bilhões em troca de ações, deixa o banco perto de fechar o capital na B3. A liquidez das ações deve se reduzir de forma drástica na Bolsa paulista.

Oficialmente, o Santander afirma que deve seguir listado na B3 e o que pode acontecer é a saída da Bolsa de Nova York, onde tem American Depositary Shares. Na prática, porém, uma eventual adesão elevada secaria o volume de papéis em circulação no mercado brasileiro.

"Ficam a um passo de fechar capital, a liquidez na B3 vai despencar", disse uma fonte. Para um analista, a operação é um "corner" para o acionista minoritário, ou seja, o controlador terá a totalidade das ações, ditando os preços e deixando o mercado sem chance de operar.

Em resposta à notícia, os depósitos de ações (ADRs) do Santander Brasil avançavam cerca de 9% nas negociações estendidas da Bolsa de Nova York, por volta das 20h30 (horário de Brasília).


Discussão antiga

Ao menos desde o final de 2024, analistas e investidores vêm colocando o banco espanhol entre os maiores candidatos a fechar o capital na B3.

A razão é que as ações do Santander Brasil eram negociadas a múltiplos mais baixos que os dos papéis da matriz em Madri. Foi uma análise parecida que levou o Carrefour francês a tirar a filial brasileira da Bolsa, no final de maio de 2025. Mais recentemente, essa distância de múltiplos se ampliou ainda mais, pois os papéis da subsidiária brasileira acumulam queda forte. Só este ano, acumulam baixa de 21%, em meio à piora dos resultados no Brasil.

O anúncio da compra das ações vem um dia após o banco divulgar um balanço considerado muito fraco pelo mercado, com queda anual de 17% do lucro, provisões adicionais de mais R$ 7,6 bilhões e retorno patrimonial (ROE, em inglês) caindo para 12,5%, se distanciando dos pares privados e da meta do banco de levar o indicador para 20%.

Os números foram recebidos com desconforto entre investidores e derrubou ainda mais os papéis da instituição financeira, que perdeu cerca de R$ 8 bilhões em valor de mercado entre ontem e hoje, 30. No final do pregão desta quinta-feira, o banco valia R$ 95 bilhões na B3, o equivalente a um quinto do Itaú e também atrás dos rivais Bradesco (R$ 190 bilhões) e até do pressionado Banco do Brasil (R$ 131 bilhões). O preço deprimido também ajuda a tornar o momento mais favorável para esse tipo de OPA, na avaliação de observadores.

Matriz vê perspectiva favorável

A presidente executiva do grupo Santander, Ana Botín, disse que o Brasil é um dos principais mercados do conglomerado e as perspectivas são favoráveis. "Esta transação faz parte da nossa estratégia de alocação de capital de forma disciplinada, simplificar o grupo e fortalecer ainda mais o nosso compromisso de longo prazo com o Brasil." O prêmio para os acionistas é de 15% e a adesão é voluntária.

Em junho de 2025, analistas chegaram a se reunir com o então presidente do banco, Mario Leão, que deixou o cargo em junho de 2026, e questionaram sobre um possível fechamento de capital. Participantes relataram que Leão disse que essa proposta não existia naquele momento, embora não tenha descartado que pudesse ocorrer no futuro. "Leão reconheceu que dada a atuação avaliação de mercado do banco, não ficaria surpreso se uma ideia como esta fosse considerada no futuro", afirmou a equipe liderada por Daniel Vaz, do Safra, em relatório enviado a clientes naquele momento.

Como parte da operação, o Santander solicitará registro como emissor estrangeiro e o registro de suas ações para negociação no Brasil por meio de um programa de BDR. Também buscará aprovação da Assembleia Geral para o aumento de capital correspondente.

Contato: andre.marinho@estadao.com; altamiro.junior@estadao.com


Broadcast+

sexta-feira, 31 de julho de 2026

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Juros aliviam, balanços comandam*


… A guerra no Oriente Médio está longe de ser resolvida, mas não comanda mais sozinha os mercados. A correção do petróleo ajudou, mas os investidores também dividem a atenção com aquilo que normalmente determina o preço dos ativos: balanços, indicadores e política monetária. A inflação abaixo do esperado nos Estados Unidos e no Brasil traz alívio e novas expectativas para os juros às vésperas do Copom, enquanto a temporada do segundo trimestre agita Wall Street e a Bovespa. Hoje, último pregão de julho, é dia de repercutir a queda da Apple e o salto da Amazon e do Santander Brasil no after hours em Nova York, enquanto a reação aos números de Vale foi morna. No Japão, o BC manteve o juro durante a madrugada e, na primeira reação, o iene caiu e renovou as apostas em intervenção.


GUERRA VOLTA À ROTINA –Os ataques entre Estados Unidos e Irã continuaram nesta quinta-feira, mas sem uma escalada qualitativa relevante, abrindo espaço para uma correção do petróleo, que devolveu parte dos ganhos recentes.


… O Brent para outubro caiu 1,37%, a US$ 86,88, e o WTI para setembro recuou 1,03%, a US$ 83,59.


… Embora o Estreito de Ormuz permaneça fechado, as negociações entre Teerã e Omã sobre a administração da passagem seguem em andamento, o que ajuda a acomodar as tensões, após o primeiro impacto com a retomada da guerra.


… No campo geopolítico, a principal novidade foi o anúncio de uma coalizão militar liderada pela Arábia Saudita, com 14 países, para proteger a navegação no Mar Vermelho e no Estreito de Bab al-Mandab, enquanto os houthis prometeram retaliar qualquer ofensiva saudita.


… Os Estados Unidos também ampliaram a pressão econômica sobre Teerã ao impor novas sanções a entidades e indivíduos na China, Índia, Rússia e Irã supostamente ligados à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).


… Pequim negou que esteja ajudando o Irã, e reafirmou que defende uma solução diplomática para o conflito.


… Após cinco meses de tensão no Oriente Médio, o investidor segue as notícias do front da guerra no dia a dia, reagindo pontualmente, enquanto leva adiante os demais fatores que giram o mercado. Mas o risco de volatilidade do petróleo permanece vivo e uma ameaça.


O PROTAGONISMO DAS BIG TECHS – Enquanto a guerra entra na rotina dos investidores, Wall Street voltou a ser comandada pelos balanços das gigantes de tecnologia. O subíndice de tecnologia do S&P 500 subiu 5%, impulsionado pelas empresas ligadas à IA e semicondutores.


… A Microsoft liderou com salto de 15%, ao convencer que consegue acelerar os investimentos em IA sem perder disciplina financeira, registrando o maior ganho de valor de mercado em um único pregão da história de uma empresa americana: US$ 484 bilhões em capitalização.


… A Meta, por outro lado, caiu quase 8% após frustrar as expectativas de lucro e reduzir a projeção de investimentos para 2026.


… Após o fechamento, a temporada de balanços continuou movimentando o after hours.


… A Amazon superou com folga as estimativas de lucro, impulsionada pelo crescimento de 20% da receita da AWS e pela forte demanda por inteligência artificial. A empresa ainda anunciou previsão de investir US$ 200 bilhões em 2026, principalmente em infraestrutura de IA.


… No after, suas ações dispararam 9,36%.


… Já a Apple também apresentou lucro e receita acima das expectativas, com alta de 22% nas vendas do iPhone e crescimento de dois dígitos em praticamente todas as linhas de negócios.


… Ainda assim, o mercado reagiu negativamente às projeções para o trimestre seguinte, abaixo do esperado, e às indicações de custos mais elevados com memória, levando as ações a aprofundarem as perdas para mais de 6% no after hours.


CANTOU A BOLA – Quem assistiu ao BDM Live com Eduardo Nishio, head de Research da Genial Investimentos, ontem de manhã, não se surpreendeu com o fato relevante divulgado pelo Santander Brasil à noite, após o fechamento.


… Após o resultado fraco do balanço, que levou a ação a uma queda de mais de 8% em dois dias, a matriz lançou uma oferta pública de aquisição (OPA) com o objetivo de comprar os 10% de ações da subsidiária brasileira que estão em free float.


… A OPA é voluntária e não visa deslistagem na B3, segundo o Santander. O prêmio previsto é de 15% e a contraprestação, de 1,908 bilhão de euros.


… Na sequência do fato relevante, os ADRs do Santander Brasil dispararam 9% no after hours de Nova York.


… “O que eu acho que pode acontecer, é uma tese na verdade, é o fechamento de capital do banco. A ação tem float baixo. Dado que o banco vai perdurar por alguns trimestres com resultados fracos, o papel não vai andar”, disse pela manhã Eduardo Nishio ao BDM Live.


… Ele comentou que “qualquer anúncio [de uma OPA] é uma garantia de preço bom para o controlador. Da ótica de quem está fechando o capital [o papel sai mais barato]”.


… Na prática, é um fechamento de capital da unidade brasileira, algo que o Santander já cogitou algumas vezes. O banco fez uma oferta em outubro de 2014 que reduziu bastante a liquidez das ações (float) na B3, como Nishio citou.


… Se você perdeu a live, assista a entrevista de Eduardo Nishio na íntegra no canal do BDM no Youtube: https://tinyurl.com/rywnebzv


VALE – Registrou lucro líquido de US$ 1,375 bilhão no segundo trimestre, queda de 35% em relação ao mesmo período do ano passado e 27% abaixo das estimativas do mercado, refletindo principalmente a pressão dos custos operacionais.


… O Ebitda proforma, porém, cresceu 19%, para US$ 4,066 bilhões, superando as projeções.


… A companhia elevou a projeção para o custo caixa C1 em 2026, citando o real mais valorizado e os preços mais altos do petróleo, e anunciou distribuição de R$ 2,03 por ação entre dividendos e JCP, além da extensão do programa de recompra.


… No after hours em Nova York, as ADRs da Vale recuaram 0,27%.


BRASKEM – Ainda no after, o ADR da Braskem caiu 2,49% após divulgar dados operacionais do período de abril a junho, que reportaram quedas nas vendas (resina, químicos no Brasil, PE verde) e alta na exportação de principais químicos.


HOJE – A temporada de balanços prossegue nesta sexta-feira, com destaque para os resultados das gigantes americanas do petróleo Exxon Mobil e Chevron, que serão divulgados antes da abertura dos mercados.


… No Brasil, o calendário prevê apenas o resultado da AgroGalaxy, após o fechamento do mercado.


… Antes disso, Vale, Multiplan e EcoRodovias realizam teleconferências com analistas e investidores, todas a partir das 11h.


… A Multiplan divulgou ontem à noite lucro líquido de R$ 427,4 milhões no segundo trimestre, alta de 61,7% sobre um ano antes.


… O resultado foi impulsionado principalmente pelo reconhecimento de créditos tributários de PIS/Cofins, embora o desempenho operacional também tenha mostrado crescimento de vendas, receitas de locação e fluxo nos shoppings.


… Já a EcoRodovias reportou lucro líquido recorrente de R$ 52,9 milhões, queda de 74,1% na comparação anual, refletindo o aumento dos investimentos nas concessões, o fim da concessão da Ecovias Sul e os efeitos da inflação sobre os custos.


MAIS AGENDA – O principal destaque da agenda de hoje é a divulgação do resultado primário do setor público consolidado de junho (8h30). A mediana das estimativas do Projeções Broadcast aponta déficit de R$ 49,3 bilhões, após saldo negativo de R$ 56,1 bilhões em maio.


… O mercado espera alguma melhora em relação ao mês anterior, sustentada principalmente por um desempenho menos negativo de Estados e municípios, embora as preocupações com a trajetória das contas públicas continuem no radar.


… Nesta quinta, o Tesouro informou que o governo central registrou déficit primário de R$ 48,178 bilhões em junho, acima da mediana estimada (R$ 47,2 bilhões). O resultado refletiu o crescimento das despesas, que avançaram 9% em termos reais na comparação anual.


… No acumulado do primeiro semestre, o déficit do governo central chegou a R$ 92,2 bilhões, o pior para o período desde 2020, reforçando o desafio para o cumprimento da meta fiscal deste ano.


ANEEL – Ainda na agenda desta sexta-feira, a Aneel define às 16h a bandeira tarifária de energia elétrica de agosto.


BOJ MANTÉM JURO – Em decisão anunciada ao primeiro minuto desta sexta-feira, o Banco Central do Japão manteve a taxa básica em 1%, após a alta de 0,25 ponto porcentual promovida em junho. A pausa já era amplamente esperada pelo mercado.


… Depois da decisão, o iene acelerava a queda contra o dólar americano no início da madrugada, aparentemente com o mercado considerando branda a comunicação do BoJ e reacendendo as apostas em intervenção cambial.


TAL QUAL O FED – Nesta quinta-feira, o Banco da Inglaterra (BoE) manteve os juros em 3,75%, mas a dissidência cresceu, com três dirigentes defendendo alta de 0,25 ponto porcentual diante dos riscos inflacionários associados à guerra no Oriente Médio.


… A maioria considerou que o aperto das condições financeiras e a desinflação ainda permitem manter a taxa, mas não descartou novo aumento caso surjam efeitos secundários sobre preços e salários.


… Em Nova York, a inflação e o PIB abaixo do esperado, nesta quinta-feira, com o núcleo do PCE em 0,1% em junho e o crescimento em 1,5% no 2TRI, aliviaram a pressão provocada pelos três votos dissidentes no Fed na reunião da véspera (leia abaixo).


MAIS EXTERIOR – A agenda internacional ainda traz a prévia da inflação ao consumidor (CPI) da zona do euro de julho e, nos Estados Unidos, o Índice de Custo do Emprego (9h30), o PMI de Chicago (10h45) e a leitura final de julho do sentimento do consumidor de Michigan (11h).


… Às 14h, a Baker Hughes divulga o número de poços e plataformas de petróleo em operação.


CHINA HOJE – O PMI oficial industrial caiu de 50,3 em junho para 49,2 em julho. O resultado veio abaixo da expectativa dos analistas, de 50, e indica contração da atividade econômica chinesa.


CONTAGEM REGRESSIVA PARA O COPOM – O alívio com as novas expectativas ao Fed reforçou as apostas para a reunião de política monetária do BC na próxima quarta-feira. A curva a termo projeta agora a chance de 100% de corte de 0,25 ponto da semana, para 14%.


… Também entre os economistas, esse resultado é quase uma unanimidade: de 60 casas consultadas pelo Projeções Broadcast, apenas quatro esperam manutenção da taxa em 14,25%: Citi Brasil, Suno Research, Warren Investimentos e ZERO Markets Brasil.


… O consenso de nova redução foi formado pela sequência de dados mais benignos de inflação. Depois de o IPCA-15 de julho subir só 0,06%, o IGP-M caiu 1,16%, nesta quinta-feira, recuo mais intenso do que a mediana de 1,03% apontada pelo mercado.


… Ainda assim, mesmo entre as casas que esperam o corte na próxima semana, predomina a avaliação de que o Banco Central deverá adotar cautela na comunicação e evitar sinalizar antecipadamente um novo movimento em setembro.


… As medianas do levantamento permanecem em 14% para agosto, setembro e novembro, reforçando a percepção de que o corte da próxima semana poderá encerrar o ciclo de flexibilização, com a Selic mantida nesse patamar por um período prolongado.


… Já na curva de juros, o mercado ampliou a probabilidade de o Copom seguir com os cortes em setembro. Segundo cálculos do Bmg, essas apostas estavam ontem rigorosamente divididas, com 50% de chance de manutenção e 50% de nova redução (leia abaixo).


CURTAS DA POLÍTICA – A senadora Tereza Cristina aceitou ser vice à Presidência na chapa de Flávio Bolsonaro, mas ainda falta o aval do PP.


PT. Partido realiza no domingo a convenção que oficializará a chapa Lula-Alckmin para a eleição presidencial de 2026, em São Paulo.


PESQUISA. Divulgado nesta quinta-feira, o levantamento PoderData/Aya mostrou Lula com 41% no primeiro turno, contra 35% de Flávio Bolsonaro. Em um eventual segundo turno, o petista tem 46%, ante 43% do senador, em empate técnico dentro da margem de erro.


LULINHA. André Mendonça (STF) autorizou a PF a abrir inquérito para investigar suspeitas de tráfico de influência e venda de acesso ao governo federal envolvendo o filho do presidente, em apuração conduzida separadamente das investigações sobre as fraudes no INSS.


PARAGUAI. Presidente Santiago Peña convocou o embaixador brasileiro em Assunção após declarações de Lula sobre a Guerra do Paraguai. Ao defender investimentos em defesa, Lula disse que “um dia, o Paraguai decidiu invadir o Brasil”.


TARIFAÇO. O governo brasileiro formalizou na OMC uma disputa contra os Estados Unidos, alegando que o tarifaço imposto pelos Estados Unidos viola as regras do comércio internacional. Em paralelo, ministros pretendem retomar as negociações em agosto.


BURGUER COM SUSHI – O dólar afundou globalmente nesta quinta-feira, abalado por dois gatilhos: um vindo dos Estados Unidos, outro do Japão, onde circularam suspeitas de intervenção no câmbio para conter a fraqueza do iene.


… Poucas horas antes da decisão de política monetária do BoJ, os rumores de atuação movimentaram os negócios e fizeram o dólar despencar 2,46% contra a moeda japonesa, negociada no fechamento do pregão a 159,40/US$.  


… Os boatos de investida do governo do Japão levaram o iene a saltar para a máxima em dois meses, depois de bem recentemente a divisa do país ter despencado para o menor patamar contra o dólar em quase quatro décadas.  


… Na avaliação do ING, a intervenção pareceu “bem cronometrada”, com o Japão aproveitando a oportunidade de que o dólar já estava enfraquecido pela leitura dovish de Warsh e pelos indicadores americanos mais fracos do dia.


… A queda de 0,1% da inflação do PCE em junho contra maio veio em linha, mas o núcleo de 0,1% ficou abaixo da previsão de 0,2%. Também a primeira leitura do PIB do segundo trimestre, de 1,5%, frustrou o consenso de 2,1%.


… O menor fôlego do que o imaginado do núcleo do PCE manteve o debate sobre a chance de o Fed manter o juro em setembro, embora a aposta de pausa seja minoritária nas apostas do CME (36,6% contra 63,4% de um aperto).


… Economistas do Morgan Stanley acreditam que os comentários de Warsh essa semana sugerem que a barra está alta para o Fed pensar em subir o juro no curto prazo. O Goldman Sachs prevê juros inalterados até o fim do ano.


… Nesse contexto, o banco avalia que o real e o peso colombiano permanecem como apostas fortes para o carry trade e observa que, além do diferencial de juros, ambas as moedas tendem a se beneficiar do petróleo caro.


… Seja como for, o banco pondera que o real seguirá sensível ao ruído eleitoral e ao risco de alta dos Treasuries longos, diante da reprecificação para o Fed, que se ficar mais dovish agora terá que ser mais hawkish à frente.


… No embalo do tombo em escala global, o dólar fechou ontem na mínima do dia contra o real, em queda firme de 0,93%, a R$ 5,0611. Hoje, no pregão de virada de mês, o câmbio pode ser influenciado pela briga em torno da ptax.


… Lá fora, o DXY ficou abaixo dos 100 pontos, sob o rumor de intervenção do Japão e a percepção de que Warsh pode demorar mais para subir o juro, apesar da pressão interna confirmada pelo dissenso no placar do Fed (9 x 3).


… O DXY derreteu 1%, a 99,864 pontos. O euro subiu 0,61%, para US$ 1,1535, e a libra avançou 0,80%, a US$ 1,3474, depois de o BC inglês ter mantido os juros, mas em decisão dividida (três integrantes votaram por alta de 25 pontos).


CRISE DE CREDIBILIDADE – No day after da coletiva de Warsh, que deixou o mundo confuso sobre o início do ciclo de alta dos juros, as taxas dos Treasuries longos continuaram subindo, deflagrando o receio de um Fed atrás da curva.


… Em estado de alerta, o yield do T-Bond de 30 anos seguiu acima de 5,2%, rompendo o pico dos últimos quase 20 anos. Subiu a 5,213% (de 5,205%), e como disse o Goldman Sachs, a pressão deve ser observada de perto pelo real.


… Na cola do alívio do dólar e do petróleo ontem, os juros futuros queimaram prêmio de risco, avaliando as chances de o Copom dar dois cortes seguidos da Selic, um na próxima quarta-feira e o segundo no encontro de setembro.


… No noticiário do dia e sem influência sobre a curva, a Pnad revelou que a taxa de desemprego caiu para 5,4% no trimestre encerrado em junho, em linha com o esperado e no menor patamar da série histórica para o período.


… Ao Valor, porém, o economista Henrique Danyi (do Santander) observou desaceleração gradual do emprego no setor de serviços, apontado por ele como o mais relevante. “Mais de 50% da população ocupada está em serviços.”


… No fechamento, o DI para Janeiro de 2027 marcava mínima de 13,805% (contra 13,839% no ajuste anterior); Jan/28, 13,855% (13,941%); Jan/29, 14,080% (14,197%); Jan/31, 14,355% (14,450%); e Jan/33, 14,535% (14,592%).


… O Ibovespa acelerou na reta final e fechou em alta de 1,88%, na máxima de 177.158,86 pontos. O giro ficou em R$ 22,8 bilhões. Petrobras ignorou a queda do petróleo: ON, +2,19%, a R$ 48,55; e PN, +2,00%, na máxima de R$ 42,84.


… À espera do balanço da noite de ontem, Vale desafiou o surto de vendas do minério de ferro (-3,31%) e registrou ganho de 1,39% (R$ 76,09), enquanto os papéis dos principais bancos terminaram majoritariamente no azul.


… Itaú PN ganhou 2,20% (R$ 42,74) e BB registrou impulso de 1,97% (R$ 21,19).


… Já Bradesco reagiu com incerteza ao aumento de capital de R$ 10 bilhões. Segundo o Broadcast, o mercado tenta entender se a medida reflete uma necessidade mais urgente de reforço patrimonial ou não passou de oportunidade.


… A ação ON caiu 0,31%, a R$ 15,99, e a PN, apesar do pouco fôlego (+0,22%), fechou na máxima de R$ 18,39.


… Santander unit perdeu mais 1,48% (R$ 25,25), horas antes do anúncio da OPA, que hoje promete um rali.


… Usiminas PNA desabou 9,25% (R$ 7,55), no topo das baixas, após a divulgação de resultados trimestrais.


… O entusiasmo do Ibovespa ontem esteve alinhado a Nova York, onde as bolsas operaram embaladas pela euforia da Microsoft (+15,51%) com os investimentos em inteligência artificial, ofuscando as preocupações da Meta (-7,95%).


… O otimismo renovado com as gigantes e tecnologia levou o Dow Jones a fechar em alta de 1,19%, aos 52.208,06 pontos, enquanto o S&P 500 subiu 1,66%, aos 7.437,63 pontos, e o Nasdaq avançou 2,78%, para 25.122,18 pontos.


CIAS ABERTAS NO AFTER – Conselho de Administração da VALE escolheu Reinaldo Duarte Castanheira Filho para o cargo de vice-presidente do colegiado…


… Conselheiros independentes também indicaram Wilfred Theodoor Bruijn para exercer a função de Lead Independent Director.


RAÍZEN. Justiça de São Paulo homologou o plano de recuperação extrajudicial apresentado em junho. Plano contou com adesão de 81,6% dos credores para a renegociação de R$ 61,4 bilhões em dívidas.


AÉREAS. O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, anunciou a liberação de R$ 13,2 bilhões para as três maiores companhias do setor (Gol, Latam e Azul) para minimizar impacto da guerra no Oriente Médio…


… Na Folha, o governo estuda zerar o imposto sobre o querosene de aviação (QAV) até dezembro para conter a alta das passagens aéreas. Segundo as fontes, a proposta foi encaminhada à Fazenda nesta semana e está sob análise.


AZUL. Companhia classificou como um marco o acesso aos recursos do FNAC, após o BNDES oficializar linha que prevê até R$ 2,6 bilhões em financiamentos.


MOVIDA. O Conselho aprovou aumento de capital de até R$ 152,4 milhões mediante emissão de novas ações. A Simpar assumiu compromisso firme de subscrever até R$ 106 milhões…


… Movida também definiu 11 de setembro como data de pagamento dos JCP anunciados em dezembro de 2025.

*Rosa Riscala: Juros aliviam, balanços comandam*


… A guerra no Oriente Médio está longe de ser resolvida, mas não comanda mais sozinha os mercados. A correção do petróleo ajudou, mas os investidores também dividem a atenção com aquilo que normalmente determina o preço dos ativos: balanços, indicadores e política monetária. A inflação abaixo do esperado nos Estados Unidos e no Brasil traz alívio e novas expectativas para os juros às vésperas do Copom, enquanto a temporada do segundo trimestre agita Wall Street e a Bovespa. Hoje, último pregão de julho, é dia de repercutir a queda da Apple e o salto da Amazon e do Santander Brasil no after hours em Nova York, enquanto a reação aos números de Vale foi morna. No Japão, o BC manteve o juro durante a madrugada e, na primeira reação, o iene caiu e renovou as apostas em intervenção.


GUERRA VOLTA À ROTINA –Os ataques entre Estados Unidos e Irã continuaram nesta quinta-feira, mas sem uma escalada qualitativa relevante, abrindo espaço para uma correção do petróleo, que devolveu parte dos ganhos recentes.


… O Brent para outubro caiu 1,37%, a US$ 86,88, e o WTI para setembro recuou 1,03%, a US$ 83,59.


… Embora o Estreito de Ormuz permaneça fechado, as negociações entre Teerã e Omã sobre a administração da passagem seguem em andamento, o que ajuda a acomodar as tensões, após o primeiro impacto com a retomada da guerra.


… No campo geopolítico, a principal novidade foi o anúncio de uma coalizão militar liderada pela Arábia Saudita, com 14 países, para proteger a navegação no Mar Vermelho e no Estreito de Bab al-Mandab, enquanto os houthis prometeram retaliar qualquer ofensiva saudita.


… Os Estados Unidos também ampliaram a pressão econômica sobre Teerã ao impor novas sanções a entidades e indivíduos na China, Índia, Rússia e Irã supostamente ligados à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).


… Pequim negou que esteja ajudando o Irã, e reafirmou que defende uma solução diplomática para o conflito.


… Após cinco meses de tensão no Oriente Médio, o investidor segue as notícias do front da guerra no dia a dia, reagindo pontualmente, enquanto leva adiante os demais fatores que giram o mercado. Mas o risco de volatilidade do petróleo permanece vivo e uma ameaça.


O PROTAGONISMO DAS BIG TECHS – Enquanto a guerra entra na rotina dos investidores, Wall Street voltou a ser comandada pelos balanços das gigantes de tecnologia. O subíndice de tecnologia do S&P 500 subiu 5%, impulsionado pelas empresas ligadas à IA e semicondutores.


… A Microsoft liderou com salto de 15%, ao convencer que consegue acelerar os investimentos em IA sem perder disciplina financeira, registrando o maior ganho de valor de mercado em um único pregão da história de uma empresa americana: US$ 484 bilhões em capitalização.


… A Meta, por outro lado, caiu quase 8% após frustrar as expectativas de lucro e reduzir a projeção de investimentos para 2026.


… Após o fechamento, a temporada de balanços continuou movimentando o after hours.


… A Amazon superou com folga as estimativas de lucro, impulsionada pelo crescimento de 20% da receita da AWS e pela forte demanda por inteligência artificial. A empresa ainda anunciou previsão de investir US$ 200 bilhões em 2026, principalmente em infraestrutura de IA.


… No after, suas ações dispararam 9,36%.


… Já a Apple também apresentou lucro e receita acima das expectativas, com alta de 22% nas vendas do iPhone e crescimento de dois dígitos em praticamente todas as linhas de negócios.


… Ainda assim, o mercado reagiu negativamente às projeções para o trimestre seguinte, abaixo do esperado, e às indicações de custos mais elevados com memória, levando as ações a aprofundarem as perdas para mais de 6% no after hours.


CANTOU A BOLA – Quem assistiu ao BDM Live com Eduardo Nishio, head de Research da Genial Investimentos, ontem de manhã, não se surpreendeu com o fato relevante divulgado pelo Santander Brasil à noite, após o fechamento.


… Após o resultado fraco do balanço, que levou a ação a uma queda de mais de 8% em dois dias, a matriz lançou uma oferta pública de aquisição (OPA) com o objetivo de comprar os 10% de ações da subsidiária brasileira que estão em free float.


… A OPA é voluntária e não visa deslistagem na B3, segundo o Santander. O prêmio previsto é de 15% e a contraprestação, de 1,908 bilhão de euros.


… Na sequência do fato relevante, os ADRs do Santander Brasil dispararam 9% no after hours de Nova York.


… “O que eu acho que pode acontecer, é uma tese na verdade, é o fechamento de capital do banco. A ação tem float baixo. Dado que o banco vai perdurar por alguns trimestres com resultados fracos, o papel não vai andar”, disse pela manhã Eduardo Nishio ao BDM Live.


… Ele comentou que “qualquer anúncio [de uma OPA] é uma garantia de preço bom para o controlador. Da ótica de quem está fechando o capital [o papel sai mais barato]”.


… Na prática, é um fechamento de capital da unidade brasileira, algo que o Santander já cogitou algumas vezes. O banco fez uma oferta em outubro de 2014 que reduziu bastante a liquidez das ações (float) na B3, como Nishio citou.


… Se você perdeu a live, assista a entrevista de Eduardo Nishio na íntegra no canal do BDM no Youtube: https://tinyurl.com/rywnebzv


VALE – Registrou lucro líquido de US$ 1,375 bilhão no segundo trimestre, queda de 35% em relação ao mesmo período do ano passado e 27% abaixo das estimativas do mercado, refletindo principalmente a pressão dos custos operacionais.


… O Ebitda proforma, porém, cresceu 19%, para US$ 4,066 bilhões, superando as projeções.


… A companhia elevou a projeção para o custo caixa C1 em 2026, citando o real mais valorizado e os preços mais altos do petróleo, e anunciou distribuição de R$ 2,03 por ação entre dividendos e JCP, além da extensão do programa de recompra.


… No after hours em Nova York, as ADRs da Vale recuaram 0,27%.


BRASKEM – Ainda no after, o ADR da Braskem caiu 2,49% após divulgar dados operacionais do período de abril a junho, que reportaram quedas nas vendas (resina, químicos no Brasil, PE verde) e alta na exportação de principais químicos.


HOJE – A temporada de balanços prossegue nesta sexta-feira, com destaque para os resultados das gigantes americanas do petróleo Exxon Mobil e Chevron, que serão divulgados antes da abertura dos mercados.


… No Brasil, o calendário prevê apenas o resultado da AgroGalaxy, após o fechamento do mercado.


… Antes disso, Vale, Multiplan e EcoRodovias realizam teleconferências com analistas e investidores, todas a partir das 11h.


… A Multiplan divulgou ontem à noite lucro líquido de R$ 427,4 milhões no segundo trimestre, alta de 61,7% sobre um ano antes.


… O resultado foi impulsionado principalmente pelo reconhecimento de créditos tributários de PIS/Cofins, embora o desempenho operacional também tenha mostrado crescimento de vendas, receitas de locação e fluxo nos shoppings.


… Já a EcoRodovias reportou lucro líquido recorrente de R$ 52,9 milhões, queda de 74,1% na comparação anual, refletindo o aumento dos investimentos nas concessões, o fim da concessão da Ecovias Sul e os efeitos da inflação sobre os custos.


MAIS AGENDA – O principal destaque da agenda de hoje é a divulgação do resultado primário do setor público consolidado de junho (8h30). A mediana das estimativas do Projeções Broadcast aponta déficit de R$ 49,3 bilhões, após saldo negativo de R$ 56,1 bilhões em maio.


… O mercado espera alguma melhora em relação ao mês anterior, sustentada principalmente por um desempenho menos negativo de Estados e municípios, embora as preocupações com a trajetória das contas públicas continuem no radar.


… Nesta quinta, o Tesouro informou que o governo central registrou déficit primário de R$ 48,178 bilhões em junho, acima da mediana estimada (R$ 47,2 bilhões). O resultado refletiu o crescimento das despesas, que avançaram 9% em termos reais na comparação anual.


… No acumulado do primeiro semestre, o déficit do governo central chegou a R$ 92,2 bilhões, o pior para o período desde 2020, reforçando o desafio para o cumprimento da meta fiscal deste ano.


ANEEL – Ainda na agenda desta sexta-feira, a Aneel define às 16h a bandeira tarifária de energia elétrica de agosto.


BOJ MANTÉM JURO – Em decisão anunciada ao primeiro minuto desta sexta-feira, o Banco Central do Japão manteve a taxa básica em 1%, após a alta de 0,25 ponto porcentual promovida em junho. A pausa já era amplamente esperada pelo mercado.


… Depois da decisão, o iene acelerava a queda contra o dólar americano no início da madrugada, aparentemente com o mercado considerando branda a comunicação do BoJ e reacendendo as apostas em intervenção cambial.


TAL QUAL O FED – Nesta quinta-feira, o Banco da Inglaterra (BoE) manteve os juros em 3,75%, mas a dissidência cresceu, com três dirigentes defendendo alta de 0,25 ponto porcentual diante dos riscos inflacionários associados à guerra no Oriente Médio.


… A maioria considerou que o aperto das condições financeiras e a desinflação ainda permitem manter a taxa, mas não descartou novo aumento caso surjam efeitos secundários sobre preços e salários.


… Em Nova York, a inflação e o PIB abaixo do esperado, nesta quinta-feira, com o núcleo do PCE em 0,1% em junho e o crescimento em 1,5% no 2TRI, aliviaram a pressão provocada pelos três votos dissidentes no Fed na reunião da véspera (leia abaixo).


MAIS EXTERIOR – A agenda internacional ainda traz a prévia da inflação ao consumidor (CPI) da zona do euro de julho e, nos Estados Unidos, o Índice de Custo do Emprego (9h30), o PMI de Chicago (10h45) e a leitura final de julho do sentimento do consumidor de Michigan (11h).


… Às 14h, a Baker Hughes divulga o número de poços e plataformas de petróleo em operação.


CHINA HOJE – O PMI oficial industrial caiu de 50,3 em junho para 49,2 em julho. O resultado veio abaixo da expectativa dos analistas, de 50, e indica contração da atividade econômica chinesa.


CONTAGEM REGRESSIVA PARA O COPOM – O alívio com as novas expectativas ao Fed reforçou as apostas para a reunião de política monetária do BC na próxima quarta-feira. A curva a termo projeta agora a chance de 100% de corte de 0,25 ponto da semana, para 14%.


… Também entre os economistas, esse resultado é quase uma unanimidade: de 60 casas consultadas pelo Projeções Broadcast, apenas quatro esperam manutenção da taxa em 14,25%: Citi Brasil, Suno Research, Warren Investimentos e ZERO Markets Brasil.


… O consenso de nova redução foi formado pela sequência de dados mais benignos de inflação. Depois de o IPCA-15 de julho subir só 0,06%, o IGP-M caiu 1,16%, nesta quinta-feira, recuo mais intenso do que a mediana de 1,03% apontada pelo mercado.


… Ainda assim, mesmo entre as casas que esperam o corte na próxima semana, predomina a avaliação de que o Banco Central deverá adotar cautela na comunicação e evitar sinalizar antecipadamente um novo movimento em setembro.


… As medianas do levantamento permanecem em 14% para agosto, setembro e novembro, reforçando a percepção de que o corte da próxima semana poderá encerrar o ciclo de flexibilização, com a Selic mantida nesse patamar por um período prolongado.


… Já na curva de juros, o mercado ampliou a probabilidade de o Copom seguir com os cortes em setembro. Segundo cálculos do Bmg, essas apostas estavam ontem rigorosamente divididas, com 50% de chance de manutenção e 50% de nova redução (leia abaixo).


CURTAS DA POLÍTICA – A senadora Tereza Cristina aceitou ser vice à Presidência na chapa de Flávio Bolsonaro, mas ainda falta o aval do PP.


PT. Partido realiza no domingo a convenção que oficializará a chapa Lula-Alckmin para a eleição presidencial de 2026, em São Paulo.


PESQUISA. Divulgado nesta quinta-feira, o levantamento PoderData/Aya mostrou Lula com 41% no primeiro turno, contra 35% de Flávio Bolsonaro. Em um eventual segundo turno, o petista tem 46%, ante 43% do senador, em empate técnico dentro da margem de erro.


LULINHA. André Mendonça (STF) autorizou a PF a abrir inquérito para investigar suspeitas de tráfico de influência e venda de acesso ao governo federal envolvendo o filho do presidente, em apuração conduzida separadamente das investigações sobre as fraudes no INSS.


PARAGUAI. Presidente Santiago Peña convocou o embaixador brasileiro em Assunção após declarações de Lula sobre a Guerra do Paraguai. Ao defender investimentos em defesa, Lula disse que “um dia, o Paraguai decidiu invadir o Brasil”.


TARIFAÇO. O governo brasileiro formalizou na OMC uma disputa contra os Estados Unidos, alegando que o tarifaço imposto pelos Estados Unidos viola as regras do comércio internacional. Em paralelo, ministros pretendem retomar as negociações em agosto.


BURGUER COM SUSHI – O dólar afundou globalmente nesta quinta-feira, abalado por dois gatilhos: um vindo dos Estados Unidos, outro do Japão, onde circularam suspeitas de intervenção no câmbio para conter a fraqueza do iene.


… Poucas horas antes da decisão de política monetária do BoJ, os rumores de atuação movimentaram os negócios e fizeram o dólar despencar 2,46% contra a moeda japonesa, negociada no fechamento do pregão a 159,40/US$.  


… Os boatos de investida do governo do Japão levaram o iene a saltar para a máxima em dois meses, depois de bem recentemente a divisa do país ter despencado para o menor patamar contra o dólar em quase quatro décadas.  


… Na avaliação do ING, a intervenção pareceu “bem cronometrada”, com o Japão aproveitando a oportunidade de que o dólar já estava enfraquecido pela leitura dovish de Warsh e pelos indicadores americanos mais fracos do dia.


… A queda de 0,1% da inflação do PCE em junho contra maio veio em linha, mas o núcleo de 0,1% ficou abaixo da previsão de 0,2%. Também a primeira leitura do PIB do segundo trimestre, de 1,5%, frustrou o consenso de 2,1%.


… O menor fôlego do que o imaginado do núcleo do PCE manteve o debate sobre a chance de o Fed manter o juro em setembro, embora a aposta de pausa seja minoritária nas apostas do CME (36,6% contra 63,4% de um aperto).


… Economistas do Morgan Stanley acreditam que os comentários de Warsh essa semana sugerem que a barra está alta para o Fed pensar em subir o juro no curto prazo. O Goldman Sachs prevê juros inalterados até o fim do ano.


… Nesse contexto, o banco avalia que o real e o peso colombiano permanecem como apostas fortes para o carry trade e observa que, além do diferencial de juros, ambas as moedas tendem a se beneficiar do petróleo caro.


… Seja como for, o banco pondera que o real seguirá sensível ao ruído eleitoral e ao risco de alta dos Treasuries longos, diante da reprecificação para o Fed, que se ficar mais dovish agora terá que ser mais hawkish à frente.


… No embalo do tombo em escala global, o dólar fechou ontem na mínima do dia contra o real, em queda firme de 0,93%, a R$ 5,0611. Hoje, no pregão de virada de mês, o câmbio pode ser influenciado pela briga em torno da ptax.


… Lá fora, o DXY ficou abaixo dos 100 pontos, sob o rumor de intervenção do Japão e a percepção de que Warsh pode demorar mais para subir o juro, apesar da pressão interna confirmada pelo dissenso no placar do Fed (9 x 3).


… O DXY derreteu 1%, a 99,864 pontos. O euro subiu 0,61%, para US$ 1,1535, e a libra avançou 0,80%, a US$ 1,3474, depois de o BC inglês ter mantido os juros, mas em decisão dividida (três integrantes votaram por alta de 25 pontos).


CRISE DE CREDIBILIDADE – No day after da coletiva de Warsh, que deixou o mundo confuso sobre o início do ciclo de alta dos juros, as taxas dos Treasuries longos continuaram subindo, deflagrando o receio de um Fed atrás da curva.


… Em estado de alerta, o yield do T-Bond de 30 anos seguiu acima de 5,2%, rompendo o pico dos últimos quase 20 anos. Subiu a 5,213% (de 5,205%), e como disse o Goldman Sachs, a pressão deve ser observada de perto pelo real.


… Na cola do alívio do dólar e do petróleo ontem, os juros futuros queimaram prêmio de risco, avaliando as chances de o Copom dar dois cortes seguidos da Selic, um na próxima quarta-feira e o segundo no encontro de setembro.


… No noticiário do dia e sem influência sobre a curva, a Pnad revelou que a taxa de desemprego caiu para 5,4% no trimestre encerrado em junho, em linha com o esperado e no menor patamar da série histórica para o período.


… Ao Valor, porém, o economista Henrique Danyi (do Santander) observou desaceleração gradual do emprego no setor de serviços, apontado por ele como o mais relevante. “Mais de 50% da população ocupada está em serviços.”


… No fechamento, o DI para Janeiro de 2027 marcava mínima de 13,805% (contra 13,839% no ajuste anterior); Jan/28, 13,855% (13,941%); Jan/29, 14,080% (14,197%); Jan/31, 14,355% (14,450%); e Jan/33, 14,535% (14,592%).


… O Ibovespa acelerou na reta final e fechou em alta de 1,88%, na máxima de 177.158,86 pontos. O giro ficou em R$ 22,8 bilhões. Petrobras ignorou a queda do petróleo: ON, +2,19%, a R$ 48,55; e PN, +2,00%, na máxima de R$ 42,84.


… À espera do balanço da noite de ontem, Vale desafiou o surto de vendas do minério de ferro (-3,31%) e registrou ganho de 1,39% (R$ 76,09), enquanto os papéis dos principais bancos terminaram majoritariamente no azul.


… Itaú PN ganhou 2,20% (R$ 42,74) e BB registrou impulso de 1,97% (R$ 21,19).


… Já Bradesco reagiu com incerteza ao aumento de capital de R$ 10 bilhões. Segundo o Broadcast, o mercado tenta entender se a medida reflete uma necessidade mais urgente de reforço patrimonial ou não passou de oportunidade.


… A ação ON caiu 0,31%, a R$ 15,99, e a PN, apesar do pouco fôlego (+0,22%), fechou na máxima de R$ 18,39.


… Santander unit perdeu mais 1,48% (R$ 25,25), horas antes do anúncio da OPA, que hoje promete um rali.


… Usiminas PNA desabou 9,25% (R$ 7,55), no topo das baixas, após a divulgação de resultados trimestrais.


… O entusiasmo do Ibovespa ontem esteve alinhado a Nova York, onde as bolsas operaram embaladas pela euforia da Microsoft (+15,51%) com os investimentos em inteligência artificial, ofuscando as preocupações da Meta (-7,95%).


… O otimismo renovado com as gigantes e tecnologia levou o Dow Jones a fechar em alta de 1,19%, aos 52.208,06 pontos, enquanto o S&P 500 subiu 1,66%, aos 7.437,63 pontos, e o Nasdaq avançou 2,78%, para 25.122,18 pontos.


CIAS ABERTAS NO AFTER – Conselho de Administração da VALE escolheu Reinaldo Duarte Castanheira Filho para o cargo de vice-presidente do colegiado…


… Conselheiros independentes também indicaram Wilfred Theodoor Bruijn para exercer a função de Lead Independent Director.


RAÍZEN. Justiça de São Paulo homologou o plano de recuperação extrajudicial apresentado em junho. Plano contou com adesão de 81,6% dos credores para a renegociação de R$ 61,4 bilhões em dívidas.


AÉREAS. O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, anunciou a liberação de R$ 13,2 bilhões para as três maiores companhias do setor (Gol, Latam e Azul) para minimizar impacto da guerra no Oriente Médio…


… Na Folha, o governo estuda zerar o imposto sobre o querosene de aviação (QAV) até dezembro para conter a alta das passagens aéreas. Segundo as fontes, a proposta foi encaminhada à Fazenda nesta semana e está sob análise.


AZUL. Companhia classificou como um marco o acesso aos recursos do FNAC, após o BNDES oficializar linha que prevê até R$ 2,6 bilhões em financiamentos.


MOVIDA. O Conselho aprovou aumento de capital de até R$ 152,4 milhões mediante emissão de novas ações. A Simpar assumiu compromisso firme de subscrever até R$ 106 milhões…


… Movida também definiu 11 de setembro como data de pagamento dos JCP anunciados em dezembro de 2025.


PRINER aprovou a terceira emissão de notas comerciais, no valor de R$ 50 milhões, para reforço de caixa.


SABESP. Acionistas aprovaram a incorporação das ações da Emae, que passará a ser subsidiária integral da companhia após a conclusão da operação.


COPASA celebrou novos contratos de concessão de água e esgoto com Contagem e Betim (MG), válidos até 2073. Os municípios respondem por cerca de 9,3% da receita da companhia.


YDUQS. Fourth Sail Capital reduziu participação de 7,15% para 4,65% do capital social.

PRINER aprovou a terceira emissão de notas comerciais, no valor de R$ 50 milhões, para reforço de caixa.


SABESP. Acionistas aprovaram a incorporação das ações da Emae, que passará a ser subsidiária integral da companhia após a conclusão da operação.


COPASA celebrou novos contratos de concessão de água e esgoto com Contagem e Betim (MG), válidos até 2073. Os municípios respondem por cerca de 9,3% da receita da companhia.


YDUQS. Fourth Sail Capital reduziu participação de 7,15% para 4,65% do capital social.

Bankinter Matinal Portugal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +1,7% US tech +3,4% US semis +8,2% UEM +1,5% España +1,8% VIX 17,1% Bund 3,15% T-Note 4,65% Spread 2A-10A USA=+42pb B10A: ESP 3,60% PT 3,49% FRA 3,94% ITA 3,96% Euribor 12m 2,96% (fut.3,07%) USD 1,152 JPY 184,7 Ouro 4.081$ Brent 87,2$ WTI 81,8$ Bitcoin -0,6% (64.306$) Ether -0,8% (1.904$)


:: SESSÃO: A tecnologia continua a recuperar terreno. Coreia avança +18,3%, impulsionada por SK Hynix (+30,0%) e Samsung (+28,0%). O movimento arrancou ontem nos EUA (tecnologia +3,4% e semis +8,2%). Os resultados de Microsoft (+15,5%) e LAM Research (+18,0%) serviram de impulso e deixaram em segundo plano o novo aumento de investimentos de Meta (-8,0%). Após o fecho, Amazon publicou resultados excelentes e sobe +9,5% em aftermarket. Os resultados de negócio e pedidos expandem-se tão agressivamente que o mercado ignora o aumento de investimentos em 2026 (220.000 M$ desde 200.000 M$). As más notícias chegam com Apple, -6% após o fecho de N. Iorque. O seu negócio na China e o segmento de serviços dececionam, igual às guias de vendas para o 3T.


Na Europa, as notícias são bastante positivas: Leonardo bate e sobe guias, Enel supera expetativas, Unicaja também e melhora guias, Acciona em linha…


Além disso, o Banco do Japão manteve taxas de juros em 1,0%. Era o esperado e, por isso, o yen deprecia-se (EURJPY +0,5% até 184,7), desfazendo parte dos efeitos da intervenção de ontem. Na Europa, a inflação poderá acelerar em julho (+2,9% est. desde +2,8%) e reativar uma nova subida de taxas de juros do BCE.


Do M. Oriente, as notícias são difusas, como tem sendo habitual. Trump anuncia a assinatura de um acordo com Hamas para o seu desarme, mas sem calendário nem detalhes concretos… O importante é que o petróleo consolida abaixo de 90 $.


:: CONCLUSÃO: A inércia positiva das últimas horas irá favorecer o bom tom hoje, mas com subidas ligeiras. Isso com o foco no IPC europeu e desde que a geoestratégia o permita.

Destruição criativa interrompida

 


Artigo meu e do Fragelli publicado hoje no Valor: o Brasil protege empresas, setores e políticas ultrapassadas em vez de facilitar a destruição criadora e, portanto, a adoção e criação de novas tecnologias e o avanço de empresas mais eficientes. Essa escolha ajuda a explicar por que nossa renda per capita cresce menos de 1% ao ano desde os anos 1980.

Jairo Jose da Silva

 Quando eu cheguei a Berkeley em setembro de 1980, dias antes do início do trimestre de outono, quando começa o ano letivo, para fazer meu d...