segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

BCE e a liquidez do euro

 *Banco Central Europeu torna global seu sistema de apoio à liquidez do Euro*


Por Mariana Ribas


São Paulo, 14/02/2026 - O Conselho do Banco Central Europeu (BCE) anunciou neste sábado, 14, a intenção de ampliar o acesso ao Eurosistema para bancos centrais (EUREP), mecanismo de apoio à liquidez do euro criado para bancos centrais fora da área do euro.


De acordo com a nota divulgada pela assessoria de imprensa da instituição, a atualização introduz acesso permanente, em princípio, para todos os bancos centrais, a menos que sejam excluídos por motivos de lavagem de dinheiro, financiamento do terrorismo ou sanções internacionais.


“O quadro permitirá que bancos centrais em jurisdições fora da área do euro enfrentem rapidamente os riscos de escassez de liquidez em euros. Essas mudanças visam tornar a facilidade mais flexível, mais ampla em termos de alcance geográfico e mais relevante para detentores globais de títulos em euros”, diz a nota.


Essa linha foi introduzida pelo BCE pela primeira vez em 2020 e tem tido o seu acesso limitado a alguns países, em especial àqueles localizados na Europa Oriental. É utilizado como uma fonte de financiamento para mitigar efeitos negativos no mercado. O EUREP complementa as linhas de swap do banco - que permanecem inalteradas.


Contato: mariana.ribas@estadao.com


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Novo ataque ao sistema financeiro

 *Novo ataque ao sistema financeiro*


Caio CrisóstomoPublicada em 14/02/2026 às 18:13


Sete meses após o pior roubo cibernético da história e ainda sob supervisão precária do Banco Central, o sistema bancário brasileiro sofreu uma nova e severa invasão. Um ataque hacker contra a JD Consultores, a principal empresa de fornecimento de serviços de tecnologia para bancos, expôs certificados digitais que dão acesso a contas de reserva de instituições financeiras clientes da companhia. A JD é pioneira e líder no segmento de Provedora de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTI). Detém cerca de 58% do mercado de fornecimento de tecnologia para bancos, segundo o próprio site da empresa. De acordo com fontes a par das investigações, o prejuízo aos clientes da JD pode chegar à casa das centenas de milhões de reais. O incidente é tratado com sigilo extremo no BC e entre autoridades.


Na noite de sexta-feira (13), em decorrência da nova onda de ataques bem-sucedidos, o BC determinou a suspensão do serviço Pix prestado pela JD Consultores, afetando uma série de bancos vinculados a empresa. Segundo o ofício obtido pelo Bastidor, a decisão foi tomada para “prevenir a ampliação dos impactos do incidente até que o PSTI conclua a apuração da ocorrência”. O documento é assinado por Caio Moreira Fernandes, diretor de Tecnologia da Informação do BC.


A medida foi adotada após um ataque hacker ao Banco do Nordeste, cliente da JD, em 26 de janeiro. As instituições atendidas pela empresa tiveram o serviço Pix suspenso, sem previsão de retorno. Em junho do ano passado, a C&M Software sofreu um ataque que resultou em um rombo de 841 milhões de reais para oito bancos.


É o terceiro ataque exitoso recente contra uma PSTI, o tipo de empresa que fornece serviço de tecnologia bancária a fintechs e bancos pequenos e e médios. O método de invasão é semelhante ao utilizado em invasões anteriores, como na C&M e na Sinqia, concorrentes da JD. Nesse tipo de ação, os hackers conseguem acessar recursos mantidos em contas de reserva dos bancos e realizar transferências sem acionar os sistemas de antifraude. Ainda não há informações oficiais sobre os valores desviados nem confirmação sobre eventual prejuízo a outras instituições.


A exposição dos certificados da JD Consultores pode permitir o acesso indevido à base de clientes da PSTI. Diante da dimensão do incidente, a única solução para o Banco Central é suspender temporariamente o serviço Pix da empresa até que sejam corrigidas as falhas de segurança.


O Bastidor tenta contato com a JD Consultores.


https://obastidor.com.br/investigacao/novo-ataque-ao-sistema-financeiro/

Coluna do Estadão

 *Coluna do Estadão: Flávio Bolsonaro entra no radar do mercado menos por entusiasmo e mais por cálculo*


Por Roseann Kennedy. Com Eduardo Barretto, Leticia Fernandes, Vera Rosa e Geovani Bucci


O mercado financeiro começou a recalibrar suas apostas depois que o desejo de ver o governador Tarcísio de Freitas disputar o Palácio do Planalto foi sufocado pela pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Até a semana passada, persistia entre agentes econômicos uma expectativa residual de reversão desse cenário, mas, após pesquisas eleitorais não considerarem mais o nome de Tarcísio, o setor financeiro percebeu que terá de realinhar rotas. A primeira mudança de comportamento apareceu: a Faria Lima deixou de virar as costas para o primogênito de Jair Bolsonaro. Flávio foi, inclusive, um dos destaques do evento do BTG Pactual para investidores. Por enquanto, seu nome entra no radar do mercado menos por entusiasmo e mais por cálculo.


IMPACTO. O apoio da elite financeira é apenas uma das variáveis na construção das candidaturas. Afinal, investidores não engajam votos. Mas a posição desses atores sinaliza expectativas que podem abalar a economia e, consequentemente, as campanhas.


FATORES. O mercado aguarda 4 sinais de Flávio: âncora econômica crível, com regras fiscais claras; nome técnico e autônomo para a Fazenda; afastamento do ruído institucional associado a Bolsonaro; compromisso com reformas estruturais. O chamado “risco Lula”, de mais 4 anos com o PT, também entra no cálculo.


ALTERNATIVA. É crescente no setor a leitura de que o governador do Paraná, Ratinho Junior, pode ocupar o espaço antes projetado para Tarcísio. Mas a pergunta é: sem a base do petismo e do bolsonarismo, ele conseguirá viabilidade? Além disso, a presença de três candidatos do PSD dificulta a consolidação de apoio.


É CARNAVAL. O presidente Lula tentou apaziguar diferenças políticas ao acompanhar o desfile do Galo da Madrugada, ontem, no Recife. No camarote, Lula tirou fotos ao lado do prefeito João Campos (PSB) e da governadora Raquel Lyra (PSD).


ACORDO. Dias antes, Lula havia desistido de assistir ao Galo para não acirrar ânimos, já que Campos e Raquel disputam seu apoio na eleição ao governo de Pernambuco. Depois de conversar com os dois, porém, chegou a um acordo. O combinado é que Lula não faça campanha explícita para nenhum deles no 1.° turno. E ambos ajudariam a reeleger Humberto Costa (PT) ao Senado.


DE OLHO. No tour carnavalesco, Lula também passou por Salvador. Mas a preocupação do Planalto é com o desfile de hoje da Acadêmicos de Niterói, no Rio. O temor é que a primeira-dama Janja, destaque da escola, acabe fazendo campanha antecipada.


PENSANDO... A maioria absoluta dos brasileiros (63%) é a favor do fim da escala 6x1 de trabalho. Quando confrontadas com o risco de redução salarial, no entanto, as pessoas mudam de ideia. É o que indica levantamento da Nexus - Pesquisa e Inteligência de Dados, divulgada nesta semana.


... BEM. Apenas 28% dos brasileiros são “totalmente favoráveis” ao fim da 6×1, sem levar em conta se a mudança causará ou não impacto no pagamento salarial. Na prática, 40% disseram que só são mesmo a favor da medida se ela não provocar diminuição proporcional nos seus contracheques.


PRONTO, FALEI!


Jonas Donizette

Líder do PSB na Câmara


“Geraldo Alckmin tem uma relação de confiança com Lula. Um dos critérios para o cargo de vice-presidente é a lealdade, e nisso Alckmin é uma realidade.”


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Vida noturna em SP

 *Inimiga do fim: como a vida noturna fomenta a retomada econômica no centro de São Paulo*


Com antigos bancos transformados em bares e rooftops, maior cidade do Brasil vai na contramão de tendência global de retração do lazer notívago e reinventa região antes abandonada


Bloomberg — Em todo o mundo, as luzes da vida noturna se apagaram, de Nova York e Montreal a Londres, Berlim e Sydney. Até mesmo Las Vegas perdeu um pouco de seu calor após o expediente.


Mas São Paulo está criando um argumento global para ficar acordado até tarde.


Enquanto bares e clubes em todo o mundo lutam contra o aumento dos custos e um maior foco no bem-estar, a maior cidade do Brasil se inclina para a noite, especialmente em seu centro histórico. A região tem prosperado depois de um longo período em que os empresários e festeiros evitavam seus prédios abandonados e os onipresentes usuários de drogas.


De acordo com um estudo realizado em 2025 pela Universidade de São Paulo, 11,4 milhões de brasileiros com mais de 14 anos, 6,6% da população do país, já usaram cocaína ou crack.


São Paulo foi considerada o principal destino de vida noturna no ranking World’s Best Cities 2026 no final de novembro, e por um bom motivo. É uma cidade onde as pessoas ficam na rua até tarde sete noites por semana.


Os bares normalmente ficam abertos apenas até as 2h da manhã, e os baladeiros obstinados são conhecidos por manter as coisas animadas até o nascer do sol. E não apenas nos fins de semana.


A chave para o sucesso de São Paulo: os locais de eventos se adaptam ao amplo mix cultural da cidade, expandindo constantemente a definição de onde e o que podem ser as festividades.


Bares, festas e salões de jantar projetados para atrair os entusiastas da noite estão surgindo por toda a cidade - e em lugares inesperados, desde uma passagem subterrânea abandonada até uma antiga sede de banco.


Assumir um local abandonado tornou-se uma jogada cada vez mais popular em uma cidade em que os imóveis estão entre os mais caros da América do Sul.


De acordo com dados do QuintoAndar, o preço médio do aluguel em São Paulo era de R$ 69,50 por metro quadrado em 2025, sendo que os imóveis no bairro mais caro da cidade chegavam a R$ 143,50.


Mesmo em locais onde não cabem mais de 15 pessoas, se houver espaço para um banco de bar ou um alto-falante, é provável que o ambiente se transforme em um ponto de encontro.


“São Paulo é, há muito tempo, uma das cidades com vida noturna mais ativa do mundo. O que se destaca agora é a crescente força criativa e adaptativa do setor”, diz Vinicius Bento, gerente de operações de negócios de alimentos e bebidas do Condessa Bar, que tem um ano de existência.


Esse local ganhou rapidamente uma reputação por seus drinques refinados e um cardápio que inclui dadinhos de tapioca, quadradinhos de queijo e carne assada.


O epicentro dessa transformação está no centro da cidade, no antigo distrito financeiro. O centro financeiro da cidade começou a migrar nos anos 90 para bairros mais elegantes e sofisticados, principalmente o Itaim Bibi.


Há alguns anos, outras empresas, incluindo operadoras de vida noturna, começaram a ocupar os espaços deixados, atraídas por aluguéis relativamente baixos e por uma onda de reformas governamentais destinadas a tornar a área mais segura e atraente.


“À medida que novos empreendimentos trazem mais moradores, combinados com os esforços da cidade para melhorar a segurança, restaurar fachadas e limpar espaços públicos, o centro da cidade tem potencial real para se tornar um centro comercial próspero em um futuro próximo”, diz a corretora de imóveis Ruth da Silva.


Não há melhor exemplo de como o centro da cidade mudou do que a antiga sede do Banco do Estado de São Paulo, a poucos passos da bolsa de valores brasileira.


Atrás de duas portas redondas de 16 toneladas, o Bar do Cofre agora abriga litros de vodca, uísque e Aperol em vez de dinheiro. O cardápio de bebidas do Bar do Cofre equilibra clássicos e originais da casa.


Os clássicos, como o fitzgerald, no estilo gin-sour, ficam ao lado de drinques de inspiração regional, como o amazonia, uma mistura perfumada de gim e néctar de goiaba. Os preços variam de R$ 30 a R$ 65. Há também um cardápio conciso de alimentos, incluindo o steak tartare servido com batatas fritas. Para a sobremesa, o biscoito quente com sorvete de baunilha é um dos favoritos do público.


Perto dali, sob os arcos ornamentados do Theatro Municipal de São Paulo, em estilo barroco e art nouveau, outro dos bares que se tornaram referência na cidade está escondido no porão.


Os visitantes são atraídos pela atmosfera sexy e descolada do Bar dos Arcos, com uma trilha sonora que varia de violinistas que retrabalham os sucessos de Amy Winehouse a DJs que tocam R&B e faixas clássicas brasileiras.


Os coquetéis não convencionais também são um atrativo. O poroso - uma mistura de Johnnie Walker Black Label coroada com mel e espuma de queijo azul - é um sucesso improvável, por R$ 49. Apesar de ter espaço para até 150 convidados, quase sempre há fila para entrar.


Em frente ao teatro, uma galeria subterrânea, abandonada por quase 50 anos, também voltou à vida. Agora é o Formosa Hi-Fi, um bar que atrai mais de mil fãs de música todos os fins de semana, enquanto os DJs tocam mixagens de vinil que vão desde Michael Jackson vintage até a banda de rock brasileira Legião Urbana.


A entrada do Formosa poderia ser facilmente confundida com uma estação de metrô, a não ser pelos seguranças que escoltam os convidados a carros de aplicativos.


A iluminação suave sobre as escadas de granito transforma a descida em parte da experiência. A espera parece quase intencional quando o espaço está lotado - como bônus, o cliente pode pedir bebidas nas escadas.


O bar oferece uma lista de coquetéis originais e ecléticos, e entre os pratos estão os pastéis e outros clássicos da comida caseira brasileira, como a galinhada, o ensopado de frango e arroz. A mousse de chocolate com cachaça é um item também bastante presente nas mesas.


As refeições custam em média R$ 70; as bebidas, cerca de R$ 40.


Os rooftops também fazem parte do cenário da vida noturna em expansão. O centenário Edifício Martinelli, que já foi a segunda torre mais alta do Brasil e abrigou a sede do governo e escritórios de partidos políticos, era o local favorito da alta sociedade de São Paulo.


Agora, seu 26º andar é um dos melhores lugares da cidade para apreciar uma vista de 360 graus do pôr do sol da cidade. O cardápio de drinques do bar Martinelli é clássico, com gim-tônica e caipirinhas como as principais pedidas. No 25º andar, uma popular pizza bar napolitana oferece lanches.


O bar é palco de uma programação rotativa de festas do circuito, e foi concebido não como um clube único, mas como um recipiente flexível para diferentes marcas de festas a cada fim de semana. Cada noite traz uma novidade diferente, de sets eletrônicos a ritmos brasileiros como o pagode.


À medida que a festa se estende até as 4h da manhã, a energia muitas vezes se espalha pelo terraço em estilo de vila toscana.


“A ideia é manter as ruas ativas dia e noite, impulsionando a vida noturna e recuperando áreas que estavam desertas há muito tempo, onde a insegurança havia florescido”, diz Fabio Floriano, sócio do grupo Tokyo, que gerencia eventos no Martinelli. Ele começou a investir na área em 2016.


Os dias do centro da cidade como uma opção econômica podem estar contados. Embora nenhum de seus distritos esteja atualmente entre as áreas mais caras da cidade, a revitalização em andamento está elevando os preços, mas isso provavelmente não impedirá as noitadas que continuam a animar o bairro, ou São Paulo em geral.


Há um investimento contínuo na maior cidade do Brasil, inclusive no edifício Martinelli, que está passando por uma reforma de 100 milhões de reais para ampliar os seus espaços de entretenimento.


“São Paulo nunca se cansará de bares e festas diferentes”, diz Floriano, “portanto, não há motivo para parar de investir em novas e divertidas festas”.



https://www.bloomberglinea.com.br/estilo-de-vida/inimiga-do-fim-como-a-vida-noturna-fomenta-a-retomada-economica-no-centro-de-sao-paulo/

Colômbia e a suprema corte

 *Como a Colômbia puniu exemplarmente juízes da Suprema Corte envolvidos em escândalos*


A partir de uma delação premiada nos Estados Unidos, descobriu-se um amplo esquema de tráfico de influência na Suprema Corte colombiana


Lourival Sant'Anna


Escândalos de corrupção em cortes supremas são relativamente raros. Um caso emblemático foi o chamado Cartel da Toga, na Colômbia, por ter envolvido três presidentes e outro juiz da Corte Suprema, procuradores, parlamentares e advogados; por ter levado a condenações à prisão; e pelas reformas implementadas no sistema de justiça colombiano em resposta.


A partir de uma delação premiada de um investigado nos Estados Unidos, descobriu-se um amplo esquema de tráfico de influência na Suprema Corte colombiana, envolvendo a venda de sentenças e cobranças de propinas para retardar ou arquivar processos. As investigações estiveram a cargo da Procuradoria-Geral da República colombiana, em colaboração com o FBI e o Departamento de Justiça americano.


A primeira denúncia surgiu em junho de 2017, quando o ex-governador do Departamento de Córdoba Alejandro Lyons Muskus entregou ao FBI gravações de reuniões com Luis Gustavo Moreno, diretor anticorrupção da Procuradoria, e o advogado Leonardo Pinilla, nas quais eram negociados pagamentos para interferir em investigações na Colômbia.


As investigações demonstraram o envolvimento no esquema dos ex-presidentes da Corte Suprema Francisco Ricaurte, José Leonidas Bustos e Camilo Tarquino, além do ex-juíz Gustavo Malo.


Na Colômbia, Ricaurte foi condenado a 16 anos e 5 meses de prisão por associação criminosa e corrupção; Tarquino, a 6 anos de prisão por exigir dinheiro para interferir em decisões judiciais; Malo, a 9 anos por associação criminosa. Em 2024, a Corte lhe negou liberdade condicional. Nos Estados Unidos, Pinilla e Moreno foram sentenciados a 4 anos de prisão cada.


A Comissão Nacional de Disciplina Judiciária, criada pela reforma constitucional de 2015, não havia sido efetivamente formada. Depois do escândalo, ela foi posta em funcionamento. A comissão tem função de disciplinar juízes, incluindo os das cortes superiores, e advogados, podendo punir com suspensão, multa e destituição.


Ela é composta por sete juízes de tribunais superiores eleitos pelo Congresso (Senado e Câmara em sessão conjunta), a partir de quatro listas tríplices de candidatos enviadas pelo Conselho Superior da Judicatura e três pelo presidente. Cada magistrado exerce mandato de oito anos, sem reeleição.


Em 2025, o Congresso aprovou uma reforma do sistema de justiça, conjunto de medidas destinadas a descongestionar o fluxo dos julgamentos, agilizar sentenças e fortalecer direitos de vítimas.


É melhor nomear juízes honestos. Mas, na ausência disso, é preciso coragem e firmeza para limpar o sistema e restaurar sua confiabilidade.



https://www.estadao.com.br/amp/internacional/lourival-santanna/como-a-colombia-puniu-exemplarmente-juizes-da-suprema-corte-envolvidos-em-escandalos/

Leitura de domingo

 *Leitura de Domingo: Setor de saneamento deve captar até R$ 24 bi no 1º semestre via mercado*


Por Elisa Calmon e Altamiro Silva Junior


São Paulo, 13/02/2026 - Empresas do setor de saneamento caminham para levantar até R$ 24 bilhões no mercado de capitais ainda no primeiro semestre de 2026, estimam fontes. Em meio à corrida para universalizar os serviços de água e esgoto até 2033 e a uma janela ainda considerada favorável para ofertas públicas, apesar do estresse recente com as techs nos Estados Unidos, o mercado espera pelo follow-on para desestatização da Copasa e vê chances de IPOs de Aegea e BRK.


A Aegea é o nome mais aguardado na B3 e o mais comentado na Faria Lima como provável candidata a abrir capital neste ano. A empresa teria fechado com BTG Pactual, Itaú BBA e Morgan Stanley para coordenar uma operação estimada entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões. No mês passado, realizou reuniões informais com investidores nos Estados Unidos.


A BRK Ambiental protocolou pedido de registro para IPO na Comissão de Valores Mobiliários em dezembro e trabalha com uma oferta entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões, com chance de sair em abril ou maio, a depender das condições de mercado. A operação tem como coordenadores BTG Pactual, Itaú BBA, Santander Brasil e Caixa Econômica Federal.


Já a desestatização da Copasa deve ocorrer entre março e abril, com expectativa de levantar entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões. No fim de janeiro, a companhia divulgou o modelo da operação, que repete a estrutura de follow-on adotada pela Sabesp em 2024 e prevê a entrada de um investidor estratégico.


Demanda por investimentos


O País precisará de cerca de R$ 900 bilhões para atingir o acesso pleno aos serviços de água e esgoto até 2033, estima a Associação Brasileira das Empresas de Saneamento (Abcon). "O setor de saneamento é hoje o que o elétrico era há 20 anos. Há uma avenida grande de crescimento, justamente porque ainda existe forte necessidade de investimento", afirma Giuliano Ajeje, do UBS BB.


Com o prazo para universalização cada vez mais curto, Estados e municípios têm intensificado parcerias com a iniciativa privada para ampliar a capacidade de investimento e cumprir as metas regulatórias. Apenas em 2026, seis grandes projetos devem ir a leilão, somando R$ 27,5 bilhões, segundo levantamento da associação com base em dados do Radar PPP e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).


Para fazer frente a esse volume de investimentos, o setor depende de múltiplas fontes de financiamento. "O saneamento vive um ciclo de expansão que exige previsibilidade e recursos. O mercado de capitais, como as debêntures incentivadas e de infraestrutura, complementa o crédito bancário e viabiliza investimentos no ritmo exigido pela universalização", afirma a diretora-presidente da Abcon, Christianne Dias.


Janela favorável


O momento de mercado ainda é visto como oportuno para as empresas se capitalizarem, apesar do estresse observado nos últimos dias com os papéis de empresas de tecnologia nos Estados Unidos. O presidente do Citi Brasil, Marcelo Marangon, avalia que há espaço para uma retomada de IPOs no primeiro semestre e o movimento tende a ser puxado por empresas de infraestrutura e saneamento.


Para Marangon, as eleições devem trazer maior volatilidade na segunda metade do ano, incentivando empresas a acessar o mercado antes desse período. "Então, naturalmente, devemos ter uma concentração de operações no mercado de capitais neste primeiro semestre", projetou.


Como essas janelas não costumam ser longas no Brasil, é importante aproveitar o momento, afirma Mariana Saragoça, sócia responsável pela área de direito administrativo, regulatório e setores regulados do Stocche Forbes.


Segundo ela, follow-ons e IPOs ajudam a pulverizar o capital e ampliar a base acionária dessas companhias. "Em setores de utilities, como energia, gás e saneamento, há contratos de longo prazo, modelo regulatório pré-estabelecido e regras tarifárias relativamente estáveis, com dificuldade de alteração abrupta. Esses são atributos que atraem investidores no mercado de capitais", avaliou.


Contatos: elisa.ferreira@estadao.com; altamiro.silva@estadao.com


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Toffoli e Master

 *Extratos comprovam repasses milionários de Daniel Vorcaro para empresa de ministro Dias Toffoli*


Documentos obtidos pelo Estadão mostram que aportes em fundo que comprou fatia do Tayayá batem com mensagens de dono do Master obtidas pela PF; procuradas, defesas de banqueiro e ministro não responderam


Impeachment de Dias Toffoli: Senado está diante de tempestade perfeita


Além de aparecer enrolado nas teias do Banco Master, ministro enfrenta problemas com os três Poderes. Crédito: TV Estadão


SÃO PAULO E BRASÍLIA - O fundo de investimentos usado pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para comprar parte da participação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli no resort Tayayá movimentou R$ 35 milhões, segundo extratos obtidos pelo Estadão.


As datas dos aportes, feitos pelo cunhado do banqueiro, o pastor Fabiano Zettel, são simultâneas à costura da sociedade entre o fundo e a empresa do ministro. Também batem com mensagens obtidas pela Polícia Federal em que Vorcaro pediu a Zettel que fizesse aplicações milionárias no empreendimento e ainda disse que estava sendo cobrado pelos repasses, como revelou o Estadão.



Em nota divulgada anteriormente, o ministro negou ter recebido pagamentos de Vorcaro ou ter relação de amizade com o banqueiro (leia ao final). Procurado neste sábado, 14, ele não se manifestou. A defesa de Vorcaro também não respondeu aos questionamentos. Os advogados de Fabiano Zettel disseram que não irão se manifestar. O espaço segue aberto.


O cruzamento entre as mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro e os extratos ajudam a reconstruir a linha do tempo das transações financeiras entre o fundo ligado ao banqueiro e o resort de luxo que teve o ministro como sócio.


Como revelou o Estadão, o pastor da igreja Lagoinha Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, era o único cotista do fundo de investimentos Leal, administrado pela Reag Investimentos - também investigada pela PF no caso Master. O Leal, por sua vez, é o único cotista do fundo Arleen, usado para comprar a participação da família Toffoli no resort no Paraná.


No dia 27 de setembro de 2021, o Arleen passou a ser sócio das empresas Tayaya Administração e DGEP Empreendimentos, que são a gestora e a incorporadora dos terrenos onde foi construído o Tayayá em Ribeirão Claro, no Paraná.


Nessa data, o fundo adquiriu metade da participação de R$ 6,6 milhões em capital social da Maridt S.A. - empresa de Toffoli - nessas duas companhias, ou seja, no resort.


Porém, os R$ 3,3 milhões em capital social comprado pelo fundo não representam, nem de longe, o tamanho real do negócio com os irmãos Dias Toffoli. Esse é o dinheiro que o fundo usou para adquirir sua parte do controle da empresa junto a outros sócios. São apenas recursos que sócios colocam à disposição da empresa para eventuais necessidades e também para simbolizar o tamanho de sua fatia na companhia.


Ao comprar essa participação, o Arleen adquiriu também uma parte do empreendimento, que é avaliado em mais de R$ 200 milhões. No total, documentos mostram que o fundo investiu R$ 35 milhões no resort - no qual a Maridt, empresa de Toffoli, possuía participação societária.


Segundo os extratos obtidos pela reportagem, nos dias 28 de outubro de 2021 e 3 de novembro do mesmo ano, Fabiano Zettel fez aportes de R$ 15 milhões e de R$ 5 milhões no fundo Leal. Nas mesmas datas, o Leal aplicou R$ 14.810.038,35 e R$ 4.936.679,35 no FIP Arleen.


Em janeiro, quando o Estadão revelou que Zettel era o cotista do fundo Leal, o pastor afirmou ter deixado o fundo em 2022. Os papéis do próprio Leal e as mensagens com Vorcaro mostram que, na verdade, ele continuou como cotista e manteve aportes no Tayayá por meio do fundo.


Em maio de 2024, Vorcaro perguntou por mensagem de WhatsApp a Zettel sobre a situação dos repasses ao resort do ministro. “Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim”, escreveu o banqueiro. O cunhado respondeu: “Te perguntei se poderia ser semana que vem e você disse que sim”.


Casa de irmão de ministro do STF, relator do caso Master, aparece como sede de empresa que vendeu a fundo de cunhado de Vorcaro parte de resort no Paraná. Crédito: Pedro Augusto Figueiredo e Taba Benedicto/Estadão


Depois disso, Zettel apresentou a lista de pagamentos para Vorcaro aprovar. Nessa lista, constava em uma das linhas: “Tayaya - 15″. Para a PF, tratava-se do repasse de R$ 15 milhões ao empreendimento. Vorcaro respondeu: “Paga tudo hoje”.


Em agosto de 2024, Vorcaro novamente relatou ao cunhado as cobranças pelos pagamentos. “Aquele negócio do Tayayá não foi feito?”, perguntou o banqueiro. Zettel respondeu que já tinha transferido o recurso para o intermediário responsável por efetivar o pagamento, mas que o aporte final dependeria dessa pessoa.


Por causa disso, Vorcaro se irritou. “Cara, me deu um puta problema. Onde tá a grana?”, perguntou ao cunhado. Zettel respondeu: “No fundo dono do Tayayá. Transfiro as cotas dele”.


Para prestar contas diante das cobranças, Vorcaro pediu a Zettel que levantasse todos os aportes realizados no Tayayá. “Me fala tudo que já foi feito até hoje”. Zettel, então, respondeu: “Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões”. Nas conversas, Vorcaro não explica quem era o responsável pelas cobranças feitas a ele pelos repasses.


Os extratos obtidos pelo Estadão mostram que Zettel aportou R$ 15 milhões no dia 8 de julho de 2024 no fundo Leal. No entanto, de fato, o Arleen não recebeu o mesmo aporte do Leal na mesma época. Somente no dia 10 de fevereiro de 2025 o fundo Leal aportaria exatos R$ 14.521.851,17 no Arleen.


No dia 21 do mesmo mês, a Maridt S.A., do ministro Dias Toffoli, vendeu o restante de sua participação na incorporadora e na administradora do Tayayá à PHB Holding, empresa do advogado Paulo Humberto Barbosa, que já prestou serviços para a JBS.


Na quinta-feira, 12, um dia após vir à tona a existência de um relatório da PF com conversas e menções a Toffoli no celular de Vorcaro, o ministro deixou a relatoria do caso Master no Supremo. O inquérito foi redistribuído e agora está nas mãos do ministro André Mendonça.


*Toffoli nega recebimento de Vorcaro*



Em nota divulgada após a PF ter apresentado o relatório ao STF, Toffoli admitiu ter recebido dividendos da empresa Maridt, que tinha participação nos resorts, mas negou ter recebido pagamentos de Vorcaro. Leia a íntegra da manifestação:


“A Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, prevista na Lei 6.404/76, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal do Brasil. Suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas.


O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro. De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador.



https://www.estadao.com.br/economia/extratos-comprovam-repasses-milionarios-vorcaro-empresa-ministro-toffoli/

Inventário de eemissões

  O inventário de emissões é o ponto de partida de qualquer estratégia de carbono. Sem baseline, nenhum crédito pode ser gerado e nenhuma re...