segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Coluna do Estadão

 *Coluna do Estadão: Flávio Bolsonaro entra no radar do mercado menos por entusiasmo e mais por cálculo*


Por Roseann Kennedy. Com Eduardo Barretto, Leticia Fernandes, Vera Rosa e Geovani Bucci


O mercado financeiro começou a recalibrar suas apostas depois que o desejo de ver o governador Tarcísio de Freitas disputar o Palácio do Planalto foi sufocado pela pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Até a semana passada, persistia entre agentes econômicos uma expectativa residual de reversão desse cenário, mas, após pesquisas eleitorais não considerarem mais o nome de Tarcísio, o setor financeiro percebeu que terá de realinhar rotas. A primeira mudança de comportamento apareceu: a Faria Lima deixou de virar as costas para o primogênito de Jair Bolsonaro. Flávio foi, inclusive, um dos destaques do evento do BTG Pactual para investidores. Por enquanto, seu nome entra no radar do mercado menos por entusiasmo e mais por cálculo.


IMPACTO. O apoio da elite financeira é apenas uma das variáveis na construção das candidaturas. Afinal, investidores não engajam votos. Mas a posição desses atores sinaliza expectativas que podem abalar a economia e, consequentemente, as campanhas.


FATORES. O mercado aguarda 4 sinais de Flávio: âncora econômica crível, com regras fiscais claras; nome técnico e autônomo para a Fazenda; afastamento do ruído institucional associado a Bolsonaro; compromisso com reformas estruturais. O chamado “risco Lula”, de mais 4 anos com o PT, também entra no cálculo.


ALTERNATIVA. É crescente no setor a leitura de que o governador do Paraná, Ratinho Junior, pode ocupar o espaço antes projetado para Tarcísio. Mas a pergunta é: sem a base do petismo e do bolsonarismo, ele conseguirá viabilidade? Além disso, a presença de três candidatos do PSD dificulta a consolidação de apoio.


É CARNAVAL. O presidente Lula tentou apaziguar diferenças políticas ao acompanhar o desfile do Galo da Madrugada, ontem, no Recife. No camarote, Lula tirou fotos ao lado do prefeito João Campos (PSB) e da governadora Raquel Lyra (PSD).


ACORDO. Dias antes, Lula havia desistido de assistir ao Galo para não acirrar ânimos, já que Campos e Raquel disputam seu apoio na eleição ao governo de Pernambuco. Depois de conversar com os dois, porém, chegou a um acordo. O combinado é que Lula não faça campanha explícita para nenhum deles no 1.° turno. E ambos ajudariam a reeleger Humberto Costa (PT) ao Senado.


DE OLHO. No tour carnavalesco, Lula também passou por Salvador. Mas a preocupação do Planalto é com o desfile de hoje da Acadêmicos de Niterói, no Rio. O temor é que a primeira-dama Janja, destaque da escola, acabe fazendo campanha antecipada.


PENSANDO... A maioria absoluta dos brasileiros (63%) é a favor do fim da escala 6x1 de trabalho. Quando confrontadas com o risco de redução salarial, no entanto, as pessoas mudam de ideia. É o que indica levantamento da Nexus - Pesquisa e Inteligência de Dados, divulgada nesta semana.


... BEM. Apenas 28% dos brasileiros são “totalmente favoráveis” ao fim da 6×1, sem levar em conta se a mudança causará ou não impacto no pagamento salarial. Na prática, 40% disseram que só são mesmo a favor da medida se ela não provocar diminuição proporcional nos seus contracheques.


PRONTO, FALEI!


Jonas Donizette

Líder do PSB na Câmara


“Geraldo Alckmin tem uma relação de confiança com Lula. Um dos critérios para o cargo de vice-presidente é a lealdade, e nisso Alckmin é uma realidade.”


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