segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Leitura de domingo

 *Leitura de Domingo: Setor de saneamento deve captar até R$ 24 bi no 1º semestre via mercado*


Por Elisa Calmon e Altamiro Silva Junior


São Paulo, 13/02/2026 - Empresas do setor de saneamento caminham para levantar até R$ 24 bilhões no mercado de capitais ainda no primeiro semestre de 2026, estimam fontes. Em meio à corrida para universalizar os serviços de água e esgoto até 2033 e a uma janela ainda considerada favorável para ofertas públicas, apesar do estresse recente com as techs nos Estados Unidos, o mercado espera pelo follow-on para desestatização da Copasa e vê chances de IPOs de Aegea e BRK.


A Aegea é o nome mais aguardado na B3 e o mais comentado na Faria Lima como provável candidata a abrir capital neste ano. A empresa teria fechado com BTG Pactual, Itaú BBA e Morgan Stanley para coordenar uma operação estimada entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões. No mês passado, realizou reuniões informais com investidores nos Estados Unidos.


A BRK Ambiental protocolou pedido de registro para IPO na Comissão de Valores Mobiliários em dezembro e trabalha com uma oferta entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões, com chance de sair em abril ou maio, a depender das condições de mercado. A operação tem como coordenadores BTG Pactual, Itaú BBA, Santander Brasil e Caixa Econômica Federal.


Já a desestatização da Copasa deve ocorrer entre março e abril, com expectativa de levantar entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões. No fim de janeiro, a companhia divulgou o modelo da operação, que repete a estrutura de follow-on adotada pela Sabesp em 2024 e prevê a entrada de um investidor estratégico.


Demanda por investimentos


O País precisará de cerca de R$ 900 bilhões para atingir o acesso pleno aos serviços de água e esgoto até 2033, estima a Associação Brasileira das Empresas de Saneamento (Abcon). "O setor de saneamento é hoje o que o elétrico era há 20 anos. Há uma avenida grande de crescimento, justamente porque ainda existe forte necessidade de investimento", afirma Giuliano Ajeje, do UBS BB.


Com o prazo para universalização cada vez mais curto, Estados e municípios têm intensificado parcerias com a iniciativa privada para ampliar a capacidade de investimento e cumprir as metas regulatórias. Apenas em 2026, seis grandes projetos devem ir a leilão, somando R$ 27,5 bilhões, segundo levantamento da associação com base em dados do Radar PPP e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).


Para fazer frente a esse volume de investimentos, o setor depende de múltiplas fontes de financiamento. "O saneamento vive um ciclo de expansão que exige previsibilidade e recursos. O mercado de capitais, como as debêntures incentivadas e de infraestrutura, complementa o crédito bancário e viabiliza investimentos no ritmo exigido pela universalização", afirma a diretora-presidente da Abcon, Christianne Dias.


Janela favorável


O momento de mercado ainda é visto como oportuno para as empresas se capitalizarem, apesar do estresse observado nos últimos dias com os papéis de empresas de tecnologia nos Estados Unidos. O presidente do Citi Brasil, Marcelo Marangon, avalia que há espaço para uma retomada de IPOs no primeiro semestre e o movimento tende a ser puxado por empresas de infraestrutura e saneamento.


Para Marangon, as eleições devem trazer maior volatilidade na segunda metade do ano, incentivando empresas a acessar o mercado antes desse período. "Então, naturalmente, devemos ter uma concentração de operações no mercado de capitais neste primeiro semestre", projetou.


Como essas janelas não costumam ser longas no Brasil, é importante aproveitar o momento, afirma Mariana Saragoça, sócia responsável pela área de direito administrativo, regulatório e setores regulados do Stocche Forbes.


Segundo ela, follow-ons e IPOs ajudam a pulverizar o capital e ampliar a base acionária dessas companhias. "Em setores de utilities, como energia, gás e saneamento, há contratos de longo prazo, modelo regulatório pré-estabelecido e regras tarifárias relativamente estáveis, com dificuldade de alteração abrupta. Esses são atributos que atraem investidores no mercado de capitais", avaliou.


Contatos: elisa.ferreira@estadao.com; altamiro.silva@estadao.com


Broadcast+

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Federalização do BRB

 *Federalização do BRB começa a ser discutida entre banqueiros* Opção não está no topo das alternativas para crise, mas saída não está desca...