Fernando Schüler parte de um caso aparentemente “periférico” — a suposta censura de um trecho de Platão em uma universidade no Texas — para discutir um fenômeno maior: a tentação recorrente de “barrar a ideologia” por decreto. Os destaques são claros: anacronismo (julgar o passado com moral do presente), o erro de impor pauta em sala de aula, e o erro simétrico (e ainda pior) de amputar clássicos para evitar debate. No fim, a tese é que a guerra cultural vira um pêndulo: quando um lado cancela, o outro quer revidar com proibição. O autor reconhece que os texanos acertam ao criticar doutrinação — impor ideologia em sala de aula é um desvio do papel universitário. Só que cortar Platão para “proteger” alunos é um contrassenso: universidade sem choque de ideias vira curso preparatório para unanimidades. A crítica se estende ao padrão recente atribuído à esquerda identitária, com exemplos de revisões e cancelamentos (de Twain a Lobato, passando por J.K. Rowling), onde o medo de ofender vira régua para reescrever cultura e estreitar a conversa pública. O ponto central, porém, é o aviso aos conservadores que agora querem “dar o troco” usando o Estado: proibir ideologia na marra não funciona. Um governo até pode fechar escritórios, cortar verbas, impor regras administrativas — mas não consegue fiscalizar toda aula, todo livro, toda conversa de corredor (e tentar fazê-lo seria “o próprio inferno”). A modernidade, lembra ele, nasce de uma intuição moral decisiva: força não deve comandar consciência. Trocar livre investigação por coerção é trocar universidade por cartilha — com carimbo oficial. A saída proposta é menos confortável e mais adulta: livre pensamento + responsabilidade ética. Ativistas tendem a ser mais organizados (ocupam espaços, andam em bando, cancelam com eficiência); por isso, a defesa da liberdade exige esforço, coragem e compromisso com o debate honesto. O convite final é simples e exigente: parar de procurar “atalhos proibidores” e reconstruir ambientes em que discordar não seja pecado — porque, quando a civilização começa a pedir “safe space” para Platão, a folha de parreira vira uniforme.
Sou Economista com dois mestrados, cursos de especialização e em Doutoramento. Meu objetivo é analisar a economia, no Brasil e no Mundo, tentar opinar sobre os principais debates da atualidade e manter sempre, na minha opinião essencial, a independência. Não pretendo me esconder em nenhum grupo teórico específico. Meu objetivo é discorrer sobre varios temas, buscando sempre ser realista.
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