domingo, 18 de janeiro de 2026

Eleições e crédito privado

 Leitura de Domingo: antecipação das eleições deve deixar mercado de crédito privado menor em 2026


Por Cynthia Decloedt e Altamiro Silva Junior


São Paulo, 13/01/2026 - As empresas devem captar menos recursos no mercado de dívida local neste ano, uma vez que já anteciparam necessidades e rolaram dívidas em 2025 para escapar da volatilidade das eleições em outubro. Esse movimento acabou surpreendendo banqueiros e gestores, que esperavam um volume até 30% menor de captações no ano passado, em razão do montante recorde levantado em 2024, mas que não se concretizou.


Até novembro, as empresas levantaram R$ 717,2 bilhões no mercado de capitais, com emissão de debêntures, certificados de recebíveis do agronegócio (CRA), certificados de recebíveis imobiliário (CRI), notas comerciais e fundo de direitos creditórios (FIDC). O montante foi recorde para o período e 4,5% acima de 2024. Considerando que desse total R$ 15 bilhões são em ações, a grande maioria foi em renda fixa, securitização e instrumentos híbridos. As ofertas de debêntures somaram R$ 433 bilhões nesse período, também um recorde.


Nesse movimento, o custo de captação das companhias de primeira linha caiu fortemente e o incentivo para as ofertas de papéis cresceu, compensando a elevação da taxa Selic, que chegou aos 15%. A queda no custo de captação foi mais acentuada  entre os títulos incentivados, onde o prêmio para colocar uma nova oferta no mercado chegou a ficar negativo.


Em 2026, entretanto, a história tende a ser outra, em meio a um debate eleitoral novamente polarizado, potencialmente ainda mais acalorado do que o habitual e com os partidos de direita ainda buscando alinhamento e o tema da busca do equilíbrio fiscal no fio da navalha. "Não importa quem será o vencedor da corrida eleitoral, mas como ela vai acontecer e arrisco dizer que a volatilidade será maior em 2026 do que foi em 2025", diz o sócio da JGP, Alexandre Muller.


Para o diretor de renda fixa e produtos estruturados do Itaú BBA, Felipe Wilberg, existe a percepção de que as ofertas tendem a encolher já que em 2025, o número de liability managment (gestão de compromissos financeiros) cresceu muito, como normalmente acontece quando as condições de mercado ficam extremamente favoráveis. "Vai continuar tendo mercado, tem demanda e as companhias estão em boa qualidade de crédito, mas não há grande necessidade de investimento ou de troca de dívidas", afirma.


A visão do responsável por renda fixa do Bradesco BBI, Felipe Thut, também é de uma provável redução dos volumes em 2026 de novas emissões no mercado de crédito privado, também como consequência das antecipações de captações. "Difícil fazer projeção, mas uma queda de entre 10% e 20% parece razoável de se esperar", afirma.


Mas Thut defende que tal redução pode ser eventualmente contrabalançada pela decisão de algumas empresas de usarem esse mercado para captar recursos e distribuir dividendos do ano que vem frente a mudanças nas regras de tributação. Ele lembra ainda que há uma agenda relevante de compromissos relacionados a investimentos nos segmentos de saneamento e rodovias que podem contribuir para amortecer a queda prevista nas emissões deste mercado.


Thut diz que as eleições têm o potencial habitual de trazer volatilidade e levar a uma concentração das ofertas no primeiro semestre, entretanto, como muitas operações já foram antecipadas, o pleito terá outro tipo de influência. "A pergunta que os empresários farão será se vou ou não tomar recursos para novos investimentos", disse.


Muller, da JGP, considera que se houver precificação de mudança na política fiscal uma janela para ofertas subsequentes em bolsa pode se abrir e melhorar o desempenho dos títulos de dívida de empresas fora da categoria grau de investimento. Mas, de modo geral, ele defende que os investidores vão buscar papéis de empresas e ativos para se proteger. Nesse sentido, Muller diz que papéis pós-fixados e de infraestrutura, que têm vencimentos mais longos,

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