domingo, 14 de junho de 2026

Bco Master

 *Das 10 companhias que mais receberam do Master, 4 têm sinais de empresa fachada; veja ranking*


Cinco destinatários dos recursos declarados como pagamentos têm ligação com cúpula do banco; outros três possuem beneficiários de auxilío emergencial na direção OUTRO LADO: procurado, Master disse que não comentaria o assunto


13.jun.2026 às 23h00

Números de telefone (11) 1111-1111, emails contato@contato.com e endereços em bairros periféricos. Sócios ocultos ou que receberam auxílio emergencial. Estas são as características de algumas das empresas que ganharam os maiores pagamentos do Master em transações classificadas pelo banco como serviços prestados.


Das 10 firmas que receberam mais dinheiro da instituição de Daniel Vorcaro —somando R$ 1,2 bilhão no total—, 4 têm algum sinal de empresa de fachada ou possuem informações inconsistentes registradas nos cadastros da Receita Federal, segundo levantamento feito pela Folha a partir de dados enviados pelo fisco à CPI do Crime Organizado. Além da Midias Promotora, que no mês passado foi alvo de busca e apreensão na esteira do caso Master, as outras empresas se chamam Telure, Metanoein e Nanook.


Outras cinco companhias —Ouro Negro, MSG, MDSV, Terra Firme e uma filial dela— se encaixam em perfil diferente: possuem alguma ligação direta com a cúpula do próprio banco.


A única que foge a esses dois padrões é o escritório Barci de Moraes, da mulher do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).


Procurada pela reportagem em 28 de abril, a assessoria de imprensa do Master disse que não iria se manisfestar.


Veja o ranking das firmas que receberam os maiores pagamentos do banco entre 2022 e 2025:


*1º - Ouro Negro*


No topo da lista, com quase R$ 220 milhões recebidos, está a Ouro Negro Empreendimentos e Participações, sociedade anônima que tem como diretor David Lopes Monteiro. Ele é irmão de Daniel Lopes Monteiro, advogado preso na operação Compliance Zero, apontado como operador jurídico-financeiro da estrutura do Master.


No CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica) da Ouro Negro está registrado como sede um endereço na avenida Luiz Carlos Berrini, centro empresarial na zona sul de São Paulo, porém, o telefone e o email para contato são da empresa Zero Burocracia, que fica na avenida Sapopemba, zona leste da capital. O local é um pequeno prédio com pichações na fachada. No térreo há uma loja de colchões e um serviço de reparo de vidros automotivos.


A reportagem entrou em contato pelo telefone atribuído à Ouro Negro no cadastro da Receita. Quem atendeu foi André Cardoso da Silva, sócio-administrador da Zero Burocracia. Ele diz não ter ligação com o caso. Afirmou que foi contratado só para fazer "serviços paralegais" para a Ouro Negro e que, por "erro de uma funcionária", seus dados foram parar no cadastro da firma de David Monteiro.


A Folha também tentou contato com David Monteiro, em 13 de maio, pelos emails de outras dez empresas em que ele figura como diretor ou sócio. Procurada em 29 de abril, a assessoria de imprensa de seu irmão Daniel Monteiro também não se manifestou.


*2º - Terra Firme*


Em segundo lugar no ranking, com quase R$ 186 milhões, vem a Terra Firme da Bahia LTDA, de Augusto Lima, ex-sócio do Master, que também chegou a ser preso na Compliance Zero e passou a usar tornozeleira eletrônica. A Terra Firme tem um outro braço, com CNPJ diferente, que aparece em décimo no ranking.


Procurada em 29 de abril, a assessoria de imprensa de Lima diz que a defesa dele não vai comentar e não respondeu quais foram os serviços prestados.


*3º - Midias Promotora*


Na sequência vem a Midias Promotora LTDA, que recebeu mais de R$ 126 milhões registrados como serviços prestados ao Master. Conforme revelou a Folha em abril, a empresa tem como sócio-administrador Gilson Bahia Vasconcelos, beneficiário do auxílio emergencial do governo na pandemia e réu em processo por golpe de um call center contra aposentados do INSS.


Bahia Vasconcelos também é administrador de outra firma chamada Midias Promotora LTDA - SCP1, que tem como sócia a Midias Promotora. O modelo de SCP (Sociedade em Conta de Participação) é uma estrutura com menor regulação que permite a entrada de sócios em posição oculta.


O endereço informado pela Midias SCP1 em Bangu, zona oeste do Rio de Janeiro, é exatamente o mesmo que aparece no cadastro da Metanoein, empresa que ocupa a sexta posição do ranking.


Um mês após a reportagem da Folha, a Midias Promotora foi alvo de busca e apreensão em operação que investiga aplicações de R$ 3 bilhões do Rioprevidência (fundo de pensão dos servidores do Rio de Janeiro), no Master.


Na reportagem sobre Bahia Vasconcelos, a Folha conversou com o advogado dele, que negou participação do administrador no call center do caso em que é reú por estelionato e diz que ele cumpre medidas cautelares. Sobre a Midias Promotora LTDA, diz que as movimentações financeiras são legais.


A reportagem voltou a procurar o advogado em 29 de abril e em 6 de maio, mas não houve atualização de suas manifestações.


*4º - Telure*


A quarta empresa também está ligada a uma pessoa que foi beneficiária de auxílio emergencial na pandemia. Fabia Franca, que recebeu R$ 5.250 do governo, aparece como diretora da Telure Participações S.A, que obteve R$ 110,8 milhões do Master.


A Folha não conseguiu contato pelo telefone (11) 1111-1111 nem pelo email contato@contato.com, registrados no CNPJ. As tentativas foram feitas em 29 de abril.


*5º - MSG*


Em quinto lugar, com quase R$ 106 milhões, está a MSG Serviços Empresariais LTDA— dos ex-sócios do banco Felipe Wallace Simonsen e de Armando Miguel Gallo Neto.


Em 29 de abril e em 14 de maio, a Folha tentou contato pelos emails e telefones registrados no cadastro da empresa, mas não teve resposta.


*6º - Metanoein*


Com R$ 102 milhões, a sexta é a Metanoein Participações e Consultoria LTDA, que fica no mesmo endereço da Midias SCP1, em Bangu. Essa empresa também tem uma SCP vinculada —no mesmo endereço— e dívida ativa superior a R$ 9 milhões com a União por falta de pagamento de impostos.


Em abril, uma medida da 8ª Vara Federal Criminal do RJ impediu a transferência de valores ligados à Metanoein em desdobramento de investigação sobre crimes de constituição de organização criminosa e lavagem de dinheiro. O caso envolve uma rede de postos de gasolina operada por meio de laranjas.


A Folha tentou contato, desde 27 de abril, por email e WhatsApp, mas não teve resposta. A sócia-administradora da firma, a advogada Rose Evelyn Coité, atendeu uma ligação da reportagem, mas desligou.


*7º - MDSV*


A próxima na lista é a MDSV Participações LTDA, do ex-sócio do banco Maurício Quadrado e sua mulher Denise, com R$ 100 milhões.


A MDSV fica em um prédio residencial de bairro nobre na capital paulista, perto do parque Ibirapuera.


Procurada pela Folha, a assessoria de imprensa de Quadrado diz que a MDSV atua com assessoria e consultoria financeira para firmas de diversos setores. Ele nega que a empresa tenha recebido este valor, mas não revela a quantia exata.


Em nota, diz apenas que os valores são inferiores a R$ 100 milhões, que os serviços foram regularmente prestados, conforme as práticas de mercado, e que "decorrem da prestação de serviços de assessoria na estruturação de operações financeiras diversas, incluindo, entre outras, operações de mercado de capitais, sendo que estas últimas resultaram na captação de recursos pelo banco em montante superior a R$ 2 bilhões".


*8º - Nanook*


A oitava é a Nanook Participações S.A., com R$ 92,8 milhões. Essa empresa também tem a beneficiária de auxílio Fabia Franca na direção, assim como a Telure. Ambas apresentam a mesma atividade principal, correspondente de instituições financeiras. Os cadastros da Telure e da Nanook na Receita têm endereços diferentes, em São Caetano do Sul e Goiânia, mas usam os mesmos telefones e emails: 1111-1111 e contato@contato.com. As tentativas de contato foram feitas pela reportagem em 29 de abril.


*9º - Barci de Moraes*


O nono do ranking é o escritório Barci de Moraes, com mais de R$ 80 milhões recebidos. Procurada pela reportagem, sua assessoria enviou nota com uma lista de atividades. Segundo o comunicado, o serviço incluiu consultoria e atuação jurídica com uma equipe de 15 advogados, além da contratação de outros três escritórios. A nota menciona 94 reuniões de trabalho, 36 pareceres e opiniões legais, elaboração de manuais, implementação de código de ética do banco, consultorias e atuação na área penal e administrativa, entre outras funções.


*10º - Terra Firme (outro CNPJ)*


A décima, que recebeu R$ 73,6 milhões, é novamente uma Terra Firme da Bahia LTDA, de Augusto Lima, mas aparece como filial, com outro CNPJ.


Colaborou Iran Alves, de São Paulo




https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/06/das-10-companhias-que-mais-receberam-do-master-4-tem-sinais-de-empresa-fachada-veja-ranking.shtml

CEO da LATAM

 CEO da Latam foi pragmático e fez uma análise técnica e enfática como de costume nos seus pronunciamentos. Destaco alguns pontos relevantes de sua fala:

"Se individualmente nós, companhias aéreas, além das empresas de outros segmentos do setor, fazemos um trabalho bom, coletivamente o Turismo do Brasil faz um trabalho medíocre. Temos de reconhecer isso"

o setor não precisa de "esmola", mas de previsibilidade. "Não vou nem falar de incentivo público, pois fica a impressão de que estamos pedindo dinheiro. O que precisamos é de um plano de longo prazo. E simplesmente não existe plano de longo prazo no Turismo do Brasil"

uma aeronave custa entre US$ 40 milhões e US$ 200 milhões para operar no Brasil e só vai ter o retorno sobre o investimento em cerca de sete anos. "Ou seja, é impossível evoluir na aviação e no Turismo olhando em curto prazo. Em 20 anos, o Brasil teve 20 ministros do Turismo. Desta forma, que ministro consegue pensar em longo prazo se cada um que entra refaz tudo?"

"A reforma tributária é necessária para o País e para outros setores, mas para a aviação, da maneira que está posta, é uma bomba atômica, um desastre. E vale dizer que não é a companhia, não é a Latam que vai pagar por isso. A Latam só repassa os custos, é o cliente que voa com a Latam que vai pagar a conta. Não estamos pedindo redução de impostos. Estamos pedindo que não aumentem a carga como ela é hoje."

nos voos internacionais, a tributação atual é praticamente zero, mas passará a cerca de 13% com a nova regra, colocando o Brasil em desacordo com toda a regulamentação internacional.

"Sou movido pela dor. A dor de ver países inferiores a nós, com hospitalidade muito abaixo da nossa, e que estão muito melhores em turismo. O convite aqui é para encontrar solução."

Resumo da ópera e que digo todas as vezes que me pronuncio publicamente sobre turismo:

Sem plano de longo prazo e continuidade das ações, fica muito difícil haver um desenvolvimento consistente. Os empresários do setor são verdadeiros heróis!!!

sexta-feira, 12 de junho de 2026

A História da Economia em Uma Visão Simples

 


A História da Economia em Uma Visão Simples

A economia não se desenvolveu da noite para o dia. Ela evoluiu por diferentes escolas de pensamento, com cada geração de economistas tentando responder a uma pergunta importante:
👉 Como as sociedades podem usar recursos limitados para melhorar a vida das pessoas?
Este infográfico simplifica mais de 250 anos de pensamento econômico em cinco grandes etapas:
🔹 A Economia Clássica focava em mercados livres e especialização.
🔹 A Economia Neoclássica explicou como as escolhas individuais influenciam preços e mercados.
🔹 A economia keynesiana destacou o papel dos gastos governamentais durante crises econômicas.
🔹 A Economia Neo-Keynesiana combinava forças de mercado com ferramentas de políticas para promover estabilidade e crescimento.
🔹 A Economia Moderna expandiu o campo ao estudar tecnologia, globalização, comportamento, sustentabilidade e bem-estar humano.
O que torna a economia fascinante é que cada escola não substituiu completamente a anterior. Em vez disso, novas ideias foram construídas sobre bases antigas para resolver os desafios de sua época.
Compreender essa evolução nos ajuda a entender por que economistas frequentemente têm visões diferentes sobre inflação, desemprego, crescimento econômico, intervenção governamental e políticas públicas.
Economia é mais do que teorias e gráficos — é uma forma de entender como o mundo funciona e como as decisões afetam nossas vidas cotidianas.
💡 Quanto melhor entendemos ideias econômicas, melhor entendemos o mundo ao nosso redor.

Bankinter Matinal Portugal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +1,8% US tech +3,3% US Semis +7,9% UEM +0,8% España +0,8% VIX 19,4% Bund 3,08%. T-Note 4,47%. Spread 2A-10A USA=+41pb B10A: ESP 3,47% PT 3,41% ITA 3,80% FRA 3,80% Euribor 12m 2,84% (fut.12m 2,94%) USD 1,157 JPY 185,4/€ 160,3/$. Ouro 4.187$. Brent 88,5$. WTI 86,0$. Bitcoin +0,1% (63.381$). Ether -0,3% (1.667$).


SESSÃO: Trump anuncia um iminente acordo com o Irão. O petróleo bruto cai até <90 $ (-5% desde quarta-feira), as obrigações relaxam e as bolsas americanas e asiáticas sobem com força. A tecnologia volta a liderar (semis +8%, Coreia +6%). SpaceX estreia-se hoje na bolsa após ter captado 75.000 M$.


Horas depois de novas ameaças, Trump anuncia negociações com o Irão que, afirma, poderão levar a um acordo este fim de semana. O otimismo extende-se a bolsas e obrigações e a volatilidade relaxa. Devolve o protagonismo aos fundamentos e lucros. E aí brilha a tecnologia e, principalmente, os semis. O EPS dos componentes do índice continua a ser revisto em alta. Números atualizados: 2026 +81,5%, 2027 +46,2%, 2028 +18,5%. 


A tecnologia está no foco perante a estreia de SpaceX na bolsa. Grande marco pelo volume da operação, a maior da história, e o seu impacto nos índices americanos e na liquidez disponível para outras tecnológicas americanas. O preço de saída marcado, 135 $/ação, avalia a empresa em 1,77 Bn$. Derivados e futuros numa plataforma online apontam para uma subida inicial de +35%. Veremos. Irá introduzir volatilidade, sem dúvida, e quiçá rotação de ativos. O mercado irá querer ver se os fundamentos justificam a avaliação. Será fundamental na sessão americana e provavelmente também nas próximas semanas.


Na frente macro, ontem o BCE cumpriu o esperado: subiu +25 p.b. até 2,25%/2,40%. Trata-se de um movimento com o qual pretende ressaltar o seu compromisso com o objetivo de inflação (2%), apesar de não ver “ainda efeitos de segunda ronda”, mas não pensamos, de forma alguma, que seja o início de um novo ciclo de endurecimento monetário. Reviu em baixa o crescimento (+0,8% a/a e +1,2% a/a 2027) e a inflação em alta (+3% a/a 2026, +2,3% a/a 2027) no cenário base (e também os cenários adverso e severo), mas criou um novo cenário “mais suave”. Descontado este movimento, as yields das obrigações europeias enfraqueceram ~-4/-5 p.b. de forma geral.


Hoje, a macro foca-se no Indicador de Confiança da Univ. de Michigan, que poderá melhorar ligeiramente, tanto na componente de sentimento como de preços. Aqui não será um obstáculo para uma sessão que estará dirigida por SpaceX e de que forma o mercado dirige a sua avaliação e captação de liquidez. De momento, Ásia com alguma euforia, Europa também com força, EUA dependerão de SpaceX, mas a tendência é positiva.


FIM

BDM Matinal Riscala

 Bom dia


*Rosa Riscala: Mercado volta a apostas em corte da Selic*


… Era o início da tarde quando Donald Trump declarou que “acabamos de fazer um ótimo acordo para encerrar a guerra com o Irã”. Pouco antes, já causava alívio, suspendendo os novos ataques prometidos para a noite. Mesmo com Teerã dizendo que ainda não havia tomado uma decisão final, ele garantia que “o acordo será assinado provavelmente no fim de semana”. Os mercados passaram a queimar prêmios de risco. O petróleo aprofundou a queda no pregão eletrônico, as bolsas foram às máximas, juros e dólar renovaram mínimas. Às vésperas do Fed e Copom, a notícia esvaziou as chances de alta do juro americano, enquanto aqui o mercado não esperou pelo IPCA para voltar a apostar em corte da Selic.


FALTAM OS DETALHES – O mercado passou a apostar em uma solução diplomática para a guerra no Oriente Médio após Donald Trump cancelar os ataques que prometia realizar nesta quinta-feira e afirmar que um acordo com o Irã está praticamente concluído.


… Segundo o presidente americano, a assinatura pode ocorrer nos próximos dias, provavelmente “já no fim de semana”, e permitiria a reabertura do Estreito de Ormuz, principal rota de escoamento de petróleo da região. A mudança de tom foi significativa.


… Ao longo da manhã, Trump ainda ameaçava atingir o Irã “muito duramente”, falava em novos bombardeios para a noite e chegou a mencionar a possibilidade de assumir o controle da Ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo iraniano.


… Poucas horas depois, porém, anunciou a suspensão da operação militar, alegando avanços nas negociações e afirmando que os pontos finais do entendimento já teriam sido aprovados pelas partes envolvidas. A sequência de notícias alimentou rapidamente o apetite por risco.


… Reportagens da Axios indicaram que as principais divergências já teriam sido resolvidas, incluindo questões relacionadas à reabertura de Ormuz, à liberação de ativos iranianos congelados e ao formato das futuras negociações sobre o programa nuclear.


… Ao mesmo tempo, o gabinete de Benjamin Netanyahu confirmou que o premiê israelense discutiu com Trump um memorando em formação.


… Segundo o comunicado, Israel espera que um eventual acordo inclua a retirada do material enriquecido do Irã, restrições à produção de mísseis, o desmantelamento da infraestrutura nuclear e o fim do apoio de Teerã a grupos aliados na região.


… Apesar da melhora do ambiente, o noticiário permaneceu repleto de lacunas.


… Autoridades iranianas afirmaram que ainda não foi tomada uma decisão final sobre o texto, enquanto fontes ligadas às negociações disseram que Teerã sequer aprovou formalmente qualquer acordo. Israel também disse que não concluiu um entendimento com os Estados Unidos.


… Além disso, explosões voltaram a ser registradas nas proximidades do Estreito de Ormuz no fim da tarde.


… Outro ponto que mantém dúvidas sobre o desfecho das negociações é a falta de detalhes sobre os termos do eventual acordo. Nem Washington nem Teerã divulgaram oficialmente o texto em discussão.


… Até o momento, as informações disponíveis se baseiam em declarações de Trump, vazamentos para a imprensa e relatos de fontes envolvidas nas conversas. Na prática, os mercados negociaram menos um acordo assinado e mais a esperança de que há um acordo na mesa.


… Mas esse acordo ainda precisa ser validado por todas as partes envolvidas, principalmente pelo Irã.


BATEU NOS JUROS – A perspectiva de um acordo entre Estados Unidos e Irã e a forte queda do petróleo levaram investidores a reduzir apostas de aperto monetário nos Estados Unidos e a voltar a discutir cortes de juros no Brasil.


… Segundo a ferramenta CME FedWatch, no final da tarde o mercado havia reduzido as chances de alta pelo Federal Reserve em outubro e passou a concentrar a maior probabilidade de aperto apenas em dezembro. No B3, a reação foi ainda mais intensa.


… Na curva de juros, a probabilidade de corte de 0,25 ponto da Selic na reunião da próxima semana voltou a ser majoritária, passando de cerca de 30% para 60%, segundo cálculos do Bmg. Ao mesmo tempo, a Selic terminal projetada para 2026 caiu de 15,05% para 14,80%.


… O movimento chama atenção porque ocorreu apesar de novos sinais de atividade aquecida. A Pesquisa Mensal de Serviços ontem mostrou alta de 1,2% em abril, o dobro da expectativa do mercado, reforçando a percepção de que a economia brasileira continua resiliente.


… Nos Estados Unidos, o PPI também trouxe sinais menos benignos para a inflação do que o CPI divulgado na véspera.


… Para a Capital Economics, os componentes do PPI que alimentam o cálculo do núcleo do PCE vieram mais fortes do que o esperado e podem levar a inflação preferida do Fed para perto de 3,5% em termos anuais.


… A consultoria mantém a avaliação de que o banco central americano ainda poderá elevar os juros mais adiante. Mesmo assim, investidores preferiram concentrar suas atenções no recuo do petróleo e na possibilidade de uma solução diplomática para o conflito.


AINDA FALTA O IPCA – Após o mercado voltar a apostar majoritariamente em um corte da taxa Selic na próxima semana, o IPCA de maio, que será divulgado às 9h, ganha importância adicional nesta sexta-feira por ajudar a validar – ou não – essa reprecificação.


… A mediana das projeções do Broadcast aponta alta de 0,55% para o índice cheio, após avanço de 0,67% em abril, refletindo principalmente o alívio esperado nos combustíveis e uma descompressão gradual dos alimentos.


… A desaceleração tende a reforçar a percepção de que parte das pressões inflacionárias provocadas pela guerra no Oriente Médio pode ser temporária, especialmente diante da forte queda recente do petróleo.


… No acumulado em 12 meses, porém, a inflação deve acelerar de 4,39% para 4,68%, permanecendo acima do teto da meta.


… A atenção do mercado, porém, continua concentrada nas medidas qualitativas. A média dos núcleos deve desacelerar apenas marginalmente, de 0,50% para 0,45%, enquanto os serviços subjacentes seguem em patamar elevado.


… Economistas avaliam que os indicadores recomendam cautela, já que continuam refletindo uma economia aquecida, sustentada pelo mercado de trabalho forte, crescimento da renda e estímulos fiscais.


… O contraste entre um índice cheio mais benigno e núcleos ainda pressionados ajuda a explicar por que parte relevante do mercado continua cética em relação a um corte imediato da Selic, apesar da mudança de humor observada nos ativos nesta quinta-feira.


… Em outras palavras, o IPCA pode ajudar a consolidar a melhora das expectativas para a inflação de curto prazo, mas os núcleos e os serviços seguem longe de um nível confortável para o BC. A queda do petróleo ajuda, mas sozinha pode não resolver tudo.


A CONTA NÃO FECHA – Enquanto o mercado reduzia os prêmios associados à guerra e voltava a discutir cortes de juros, a equipe econômica elevou o tom de alerta sobre o avanço das chamadas “pautas-bomba” no Congresso.


… Em entrevista ao SBT News, o secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou que o governo foi surpreendido pelo conjunto de matérias aprovadas pelo Senado nesta semana e disse que o impacto potencial ultrapassa R$ 200 bilhões, mais de 2% do PIB.


… Segundo ele, o problema vai muito além das contas públicas. “O País não suporta um impacto dessa magnitude”, afirmou, acrescentando que as propostas colocam em risco não apenas a política fiscal, mas também a política monetária, o câmbio e a inflação.


… Fazenda e Planejamento divulgaram nota conjunta estimando impacto de R$ 111 bilhões por ano para nove propostas em tramitação no Congresso. Entre elas, dívidas rurais, a ampliação dos limites do Simples Nacional e MEI, novos pisos salariais e mudanças previdenciárias.


… A preocupação ganhou força após a aprovação do projeto de renegociação das dívidas rurais pelo Senado.


… Segundo apuração do Estadão, o governo trabalha para evitar uma tramitação acelerada na Câmara e já discute alternativas que vão desde mudanças no texto até veto presidencial e eventual questionamento no STF.


… Parte das medidas cria despesas incompatíveis com a Lei de Responsabilidade Fiscal e impõe um custo que as contas públicas não suportam.


… O Supremo tem jurisprudência consolidada contra a criação de despesas ou renúncias fiscais sem indicação de fonte de custeio. O ministro Gilmar Mendes alertou que o Congresso não pode criar despesas para Estados e municípios sem apontar como elas serão financiadas.


… Assim, o avanço dessas propostas ajuda a explicar por que parte do mercado continua cautelosa com o cenário doméstico. A queda do petróleo reduz pressões de curto prazo, mas não elimina os desafios fiscais que seguem no radar do Banco Central e dos investidores.


PAUTA TRAVADA – A Câmara continua com a pauta bloqueada por causa da urgência do governo para regulamentar o fim da escala 6×1.


… Nos bastidores, governistas admitem que a estratégia tem como objetivo manter pressão sobre o Senado para acelerar a tramitação da PEC que trata do tema. O impasse já começa a produzir efeitos práticos.


… Nesta semana, a Câmara deixou de votar o PLP dos Combustíveis, proposta apoiada pela equipe econômica que autoriza o uso de receitas extraordinárias do petróleo para reduzir impostos. A situação tem provocado incômodo no Congresso.


… O relator da proposta, Leo Prates, argumentou que o Senado é livre para definir seu próprio cronograma de votação. Na mesma linha, Hugo Motta já defendeu que o governo retire a urgência e negocie com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sem manter a Casa paralisada.


… Apesar das críticas, o Planalto resiste a retirar a urgência, porque tem nessa PEC uma de suas principais bandeiras eleitorais.


… Nos bastidores, uma alternativa discutida é uma negociação direta entre Lula e Alcolumbre antes da viagem do presidente para a reunião do G7. Até lá, o impasse deve continuar afetando a tramitação de projetos considerados relevantes tanto pelo governo quanto pelo mercado.


CURTAS DA POLÍTICA – O presidente Lula lança hoje (11h) o programa Move Brasil – Entregadores e Moto Apps, nova linha de crédito avalizada pelo Fundo de Garantia de Operações (FGO) para facilitar o financiamento de motocicletas por trabalhadores de aplicativos.


… À tarde (15h), o presidente também participa do anúncio de novas unidades do Minha Casa Minha Vida Rural e Entidades.


PESQUISA. Alfa Inteligência mostrou Lula com 44% das intenções de voto contra 41% do senador Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno, em cenário de empate técnico. O levantamento também apontou aumento da desaprovação do governo, de 53% para 56%.


MASTER. A Polícia Federal rejeitou a segunda proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo investigadores, o material não trouxe fatos inéditos nem elementos de prova suficientes para justificar um acordo de colaboração.


BIG TECHS. O STF formou maioria para conceder prazo de 60 dias para que as plataformas digitais implementem as obrigações decorrentes do julgamento do Marco Civil da Internet.


… Entre as medidas estão mecanismos de combate à circulação massiva de conteúdos ilícitos graves, novas exigências de transparência e a criação de canais específicos de atendimento aos usuários.


MAIS AGENDA – Além do IPCA, a sexta-feira traz dados da produção de veículos da Anfavea e o índice de sentimento do consumidor americano da Universidade de Michigan, indicador acompanhado de perto por investidores por incluir as expectativas de inflação.


… Às 11h, a Anfavea divulga os números de produção de veículos de maio. Às 11h30, o BC realiza leilão de até 50 mil contratos de swap cambial para rolagem e, ao meio-dia, oferta até R$ 5 bilhões em operações compromissadas de seis meses.


… No exterior, o índice preliminar de sentimento do consumidor de junho será divulgado às 11h. A expectativa é de alta para 47,8 pontos, após 44,8 em maio. O relatório também traz as projeções de inflação para um e cinco anos, acompanhadas de perto pelo Fed.


MAIS INTERNACIONAL – Ainda nos Estados Unidos, repercute a decisão de um tribunal federal de apelações, que autorizou o governo Trump a manter temporariamente a tarifa global de 10% sobre importações enquanto prossegue a disputa judicial sobre a legalidade da medida.


… A sobretaxa está prevista para expirar em julho, caso não seja prorrogada pelo Congresso.


AO INFINITO E ALÉM – As ações da SpaceX estreiam hoje na Nasdaq, sob o código SPCX. No Brasil, será possível investir na empresa por meio de BDRs listados na B3, sob o código SPCX34. Cada BDR valerá 1/15 do preço da ação.


… A oferta inicial da SpaceX saiu ao preço de US$ 135 por ação, conforme a empresa aeroespacial de Elon Musk já tinha definido no lançamento da operação.


… Foram vendidas 555,56 milhões de ações, totalizando quase US$ 75 bilhões. A demanda chegou aos US$ 250 bilhões, segundo apurou a Reuters.


… Foi o maior IPO da história, superando os US$ 25,6 bilhões obtidos pela Saudi Aramco em 2019 e os US$ 21,8 bilhões do Alibaba em 2014.


… A operação implicou em um valor de mercado para a SpaceX de US$ 1,77 trilhão, o que a coloca entre as sete maiores empresas listadas nos Estados Unidos.


PROMESSA É DÍVIDA – A decisão de Donald Trump de cancelar os ataques ao Irã e ainda afirmar que um acordo tinha sido aprovado pelo “mais alto nível da liderança do país” e seria assinado nos próximos dias animou Wall Street.


… A declaração do presidente americano em sua rede social no começo da tarde se juntou à confirmação do sucesso do IPO da SpaceX algumas horas depois, deixando os investidores em polvorosa.


… O Irã deixou claro que ainda não tomou uma decisão final sobre o acordo, mas ninguém deu bola. Nem o PPI de maio (+1,1%) acima do esperado (+0,7%), na maior alta mensal desde novembro de 2022, estragou o clima de festa.


… O Dow Jones subiu 1,86%, aos 50.848,75 pontos. O S&P 500 ganhou 1,75%, aos 7.394,30 pontos. E o Nasdaq avançou 2,54%, aos 25.809,66 pontos.


… As techs mais uma vez foram destaque, desta vez de alta: SanDisk (+14,5%), Micron (+11,7%), Intel (+9,3%) e Nvidia (+2,2%). Na contramão do setor, Oracle caiu 8,5% após o balanço, que trouxe gastos maiores do que o previsto.


… No setor aeroespacial, as ações dispararam na esteira do IPO da SpaceX: Redwire (+14,9%), Firefly (+17,8%) e Virgin Galactic (+22,4%).


POÇO SEM FUNDO – O Brent chegou a superar os US$ 95 na manhã de ontem, com Donald Trump prometendo novos ataques ao Irã e a ocupação da ilha de Kharg, importante centro iraniano de embarque de petróleo.


… Mas a commodity virou o jogo de tarde e afundou por obra e graça do mesmo Trump. Além de cancelar os ataques, o presidente americano sinalizou que o fim da guerra estaria próximo ao afirmar que o Irã teria aceitado um acordo.


… O mercado mal deu atenção ao relatório mensal da Opep, que reduziu a previsão de crescimento da demanda global de petróleo neste ano, para 970 mil bpd, de 1,17 milhão bpd no documento anterior.


… O Brent para agosto fechou em baixa de 2,92%, a US$ 90,38 na ICE, enquanto o WTI para julho recuou 2,58%, a US$ 87,71 na Nymex.


NO BANCO DO CARONA – A bolsa brasileira seguiu o otimismo global com a possível assinatura em breve de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, e também a euforia de Wall Street com o IPO da SpaceX.


… O Ibovespa fechou em alta de 1,71%, aos 171.497,24 pontos, com giro expressivo, de R$ 30,5 bilhões. O tombo do petróleo não prejudicou Petrobras, que ficou de lado: PN +0,26%, a R$ 41,76; e ON -0,02%, a R$ 46,80.


… Os bancos avançaram: Itaú PN (+2,90%, a R$ 40,50), BTG unit (+2,60%, a R$ 50,48), Bradesco PN (+2,43%, a R$ 17,68), BB ON (+2,16%, a R$ 19,41) e Santander unit (+0,63%, a R$ 27,17). E Vale (+1,42%, a R$ 78,80) contrariou o minério de ferro (-0,46%).


… No topo do índice ficaram Vamos (+6,52%, a R$ 2,94), PetroRecôncavo (+5,91%, a R$ 11,11) e Direcional (+5,78%, a R$ 13,55). Natura (-1,96%, a R$ 8,51) foi a que mais caiu, seguida de SLC Agrícola (-1,41%, a R$ 14,68) e Prio (-1,32%, a R$ 62,05).


DA DEFESA PARA O ATAQUE – A melhora na percepção de risco em relação à guerra provocou intenso desmonte de posições defensivas no câmbio à tarde, levando o real a ter o melhor desempenho entre as divisas emergentes.


… O dólar fechou em baixa de 1,37%, a R$ 5,1016, depois de fazer mínima em R$ 5,0921. Lá fora, o índice DXY recuou 0,28%, para 99,669 pontos. A libra ganhou 0,38%, a US$ 1,3420. E o euro subiu 0,40%, a US$ 1,1582, em dia de BCE.


DO ATAQUE PARA A DEFESA – O BC europeu subiu o juro em 0,25 pp, para 2,25%, deixando os próximos passos em aberto. Christine Lagarde previu que a inflação deve voltar à meta só no segundo semestre de 2027.


… “Monitoraremos de perto a dimensão e a persistência do aumento dos preços da energia”, afirmou a presidente do BCE, ao comentar das pressões inflacionárias decorrentes da guerra.


… Lagarde também deixou claro a preocupação da autoridade monetária com a fraqueza da economia europeia. “Os riscos para as perspectivas de crescimento são negativos”, declarou em entrevista coletiva após a decisão.


QUEIMA DE ESTOQUE – Os juros futuros devolveram prêmios, aproveitando a melhora na percepção de risco global provocada por Donald Trump, ao falar em acordo com o Irã e suspender novos ataques contra o país.


… Antes mesmo da publicação do presidente americano nas redes sociais, os DIs já mostravam queda expressiva pela manhã, com investidores corrigindo os excessos das últimas sessões, quando as taxas encostaram nos 15%.


… O fechamento da curva trouxe de volta a chance de um corte de 0,25 pp na próxima semana, com o cenário de manutenção da Selic pelo Copom perdendo força.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 14,310% (de 14,481% no ajuste anterior); Jan/28 a 14,495% (14,907%); Jan/29 a 14,505% (14,968%); Jan/31 a 14,405% (14,841%); Jan/33 a 14,385% (14,788%).


CIAS ABERTAS NO AFTER – VALE recebeu carta da PREVI pedindo a convocação de assembleia para destituir o presidente do conselho de administração da mineradora, Daniel André Stieler.


… A Previ também pede a indicação de José Mauricio Pereira Coelho para a vaga no conselho e a eleição de Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira para o cargo de presidente do colegiado.


… A Vale afirmou que o conselho está avaliando as medidas necessárias para a convocação da assembleia.


PETROBRAS informou ao Ibama que estima concluir a perfuração do Poço Morpho, na Foz do Amazonas (Margem Equatorial) no dia 7 de agosto, segundo apurou o Valor.


NUBANK concluiu oferta pública de letras financeiras no montante de R$ 1,59 bilhão. Segundo o banco, a demanda superou R$ 3 bilhões.


… As letras foram emitidas em duas séries, a primeira, de R$ 1,066 bilhão, com prazo de dois anos e taxa de CDI + 0,39%. E a segunda série, de R$ 522 milhões, com prazo de três anos e taxa de CDI + 0,49%.


EZTEC. Conselho aprovou cancelamento de 3,640 milhões de ações mantidas em tesouraria e abertura de novo programa de recompra de até 12 milhões de papéis pelo prazo de 18 meses.


CYRELA. Absolute Gestão eleva participação de 5,3% para 10,1% das ações PN.


OI. Justiça prorrogou prazo de suspensão da exigibilidade das obrigações extraconcursais, que são dívidas e compromissos assumidos depois do início da recuperação judicial e que não entram no plano geral de credores.


… Foi designado o gestor judicial para dar continuidade à liquidação ordenada dos ativos até o julgamento de mérito dos agravos de instrumento. A decisão ocorreu no âmbito dos recursos apresentados pelo Itaú Unibanco e Bradesco.


CAIXA SEGURIDADE. Conselho elege Dermeval Bicalho Carvalho para o cargo de Diretor de Governança e Riscos. Vanessa Regina Gobi Cattinne dos Santos assumirá o cargo de Diretora Comercial e de Produtos.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Do Gilmarpalooza ao caso Master, um festival de cinismo assola o país

 Por Malu Gaspar, 11/6/2026

Junho já entrou para o calendário nacional como o mês em que o Festival de Cinismo que Assola o País — ou Feciapá, na sigla que acabo de inventar — vive seu ápice. Como se fosse a coisa mais normal do mundo, o Congresso para, e o Judiciário entra em operação padrão para que políticos, autoridades, empresários, advogados, lobistas e jornalistas migrem para Lisboa por uma semana para integrar e cobrir o maior evento de lobby judicial do mundo, o Gilmarpalooza, promovido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes e seus braços acadêmicos, IDP e FGV.
Como reação a quem aponta o atentado à ética e à independência judicial que o evento representa, virou moda entre os frequentadores propagar a qualidade das palestras — ainda que não se tenha produzido um texto de repercussão sobre seu conteúdo, nem se consiga explicar por que precisam todos ir para a Europa, muitos à custa do contribuinte, para discutir temas que poderiam perfeitamente ser debatidos no Brasil.
Talvez porque ficaria chato ter de dar satisfação sobre um painel montado só para representantes de bets se defenderem da dura perseguição que sofrem, coitados — ou os planos de saúde, os cartórios, as mineradoras —, enquanto na programação paralela o presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) debate alegremente a “evolução regulatória” de “ativos tokenizados” com um dos advogados do Banco Master perante a própria CVM.
Master que, aliás, foi o sujeito oculto do Fórum Jurídico de Lisboa — para quem não sabe, nome oficial do convescote. A sombra do escândalo fez minguar a plateia de políticos e autoridades, de ministros do governo Lula aos integrantes de Cortes superiores. Não adiantou Gilmar ter procurado vários deles para cobrar presença. O único do STF a comparecer foi Alexandre de Moraes, que, além de protagonista do caso Master, foi também estrela do evento.
Um dos momentos mais comentados foi o encontro em que ele e o banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual, se reuniram para acertar os ponteiros. Como Esteves sempre foi o maior adversário de Vorcaro na Faria Lima, Moraes passou a responsabilizá-lo por reportagens sobre sua ligação com o dono do Master. Agora que o foco se voltou para o Centrão e para o dark horse Flávio Bolsonaro, parece ter se aberto uma brecha para a pacificação.
Nos cafés, jantares e festas onde o Gilmarpalooza realmente acontece, a guerra de que mais se falava é travada entre os dois polos do Supremo: André Mendonça, que comanda o caso Master, e os anfitriões de Lisboa, que buscam jogar uma boia de salvação a Daniel Vorcaro.
Dez dias antes, Gilmar pediu vista no julgamento da Segunda Turma do STF sobre a prisão preventiva de Henrique e Felipe Vorcaro, respectivamente pai e primo do dono do Master. Segundo a Polícia Federal (PF), o primeiro dirigia uma milícia privada que espionava e ameaçava pessoas. O primo, Felipe, punha em operação o pagamento da mesada de R$ 300 mil ao senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Quando Gilmar parou o julgamento, já havia dois votos pela manutenção da prisão de Henrique e um pela de Felipe. Como só votam nesse caso quatro dos cinco ministros da Turma (Dias Toffoli, o quinto elemento, sempre se declara impedido), com dois votos pela soltura eles já poderiam ser liberados. O jogo nada secreto aí é convencer o quarto ministro, Kassio Nunes Marques, a acompanhar Gilmar, derrubando a ordem de Mendonça.
Da cela na PF, Vorcaro vem sendo informado de tudo o que se passa. Isso ajuda a explicar por que sua segunda negociação para uma delação premiada está prestes a fracassar sem que ele entregue informações novas, nem confesse crimes. Vorcaro ainda acredita ser possível que seus amigos em Brasília deem um jeito de resgatá-lo. Com os brasileiros ligados na Copa do Mundo e depois na campanha eleitoral, vai que se abre uma brecha?
Embora pareça uma ideia absurda, convém dar uma olhada nos dados trazidos pela pesquisa Genial/Quaest que acaba de ser divulgada. O grupo dos que acreditam que o Master não é problema específico de uma força política, mas de todas, é o maior entre os entrevistados, com 44%. Mesmo com 65% considerando que Flávio Bolsonaro não deveria ter pedido dinheiro para o filme sobre o pai e 60% afirmando ver suspeita de ilegalidade, 76% dizem que não mudaram de voto por causa do episódio.
O recado aí é claro: num país em que anomalias como o Gilmarpalooza passam a integrar o calendário político do país sem que ninguém mais se incomode, faz sentido esperar que a maior fraude financeira de nossa História com o tempo também seja incorporada a uma paisagem repleta de casos de pilhagem e corrupção. Seria apenas mais um episódio a abrilhantar o Feciapá, a única coisa que nunca falha no Brasil.

Call Matinal 1106

 Call Matinal

11/06/2026

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL

 

FECHAMENTO (1006)

MERCADOS

Na quarta-feira (10), o Ibovespa fechou em queda de 0,70%, indo a 268.619 pontos. Volume diário foi a R$ 26 bilhões. No mercado cambial, apesar do susto, o dólar à vista fechou em leve baixa de 0,09%, a R$ 5,1726, após oscilar entre R$ 5,1596 e R$ 5,1976. Os investidores monitoraram o noticiário sobre a guerra e os dados da economia americana. Lá fora, a moeda americana também mostrava estabilidade frente aos pares, mesmo Trump afirmando que fosse atacar o Irã “com muita força”.

 

PRINCIPAIS MERCADOS

Os índices futuros dos EUA operam em alta nesta quinta-feira (11), após Washington anunciar a conclusão dos ataques contra o Irã, aumentando as expectativas de que as negociações para a reabertura do Estreito de Ormuz sejam retomadas.

 

 

MERCADOS 5h30

 

 

Índices

Comentários

EUA

Dow Jones Futuro: +0,59%

S&P 500 Futuro: +0,72%

Nasdaq Futuro: +1,21%

Bolsas operando em alta na expectativa do acordo de paz, mesmo com a troca de ataques ontem.  

Ásia-Pacífico

 

 

 

Shanghai SE (China), -0,16%

Nikkei (Japão): +0,06%

Hang Seng Index (Hong Kong): -0,65%

Nifty 50 (Índia): +0,01%

ASX 200 (Austrália): -0,23%

Bolsas asiáticas mistas, diante da indefinição da guerra do Oriente Médio.

Europa

 

 

 

STOXX 600: +0,59%

DAX (Alemanha): +0,22%

FTSE 100 (Reino Unido): +0,60%

CAC 40 (França): +0,56%

FTSE MIB (Itália): +1,08%

Bolsas europeias em alta na expectativa de uma definições da guerra.

Commodities

 

 

 

Petróleo WTI, -0,89%, a US$ 89,23 o barril

Petróleo Brent, -0,98%, a US$ 92,19 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, -0,46%, a 764 iuanes (US$ 112,80)

Bitcoin, +1,64%, a US$ 62.869,81

Petróleo em queda, na expectativa do fim da guerra do Oriente Médio.

 

NO DIA, 1106

Há alguns dias vivemos entre recuos e avanços em relação à guerra com o Irã. Os aiatolás seguem bradando aos quatro ventos os dítames do Alcorão, como ditadura teocrática que são. Os EUA tentam dourar a pilula, até porque começa hoje a Copa do Mundo e eles não querem estragar a festa. No Israel nada muda,com os ataques ao Libano na ordem do dia. Retornando aos EUA, a inflação veio dentro do esperado, a 0,5% mensais e 4,2% em 12 meses, embora bem acima da meta do Fed. Em paralelo, Trump cumpriu a promessa feita ao longo do dia e voltou a atacar o Irã, aprofundando a escalada militar no Oriente Médio. O Brent voltou a se aproximar de US$ 95 e os futuros de Nova York abriram em queda. Na agenda de hoje, reunião do BCE, que deve subir o juro, PPI nos Estados Unidos e Serviços no Brasil, na contagem regressiva para o Fed e o Copom na próxima semana.

 

Agenda macro 08 a 12 de junho

 

Quinta-feira, 11 de junho

Opep: relatório do mercado de petróleo

Brasil: Volume de serviços de abril
Zona do euro: Decisão de juros do BCE
EUA: PPI de maio e auxílio-desemprego
Zona do euro: Coletiva de Lagarde

Sexta-feira, 12 de junho

Brasil: IPCA de maio
EUA: Confiança do consumidor de Michigan

 

 

Boa semana e quinta-feira para todos!

Call Matinal 1506

Call Matinal 15/06/2026 Julio Hegedus Netto, economista   MERCADOS EM GERAL   FECHAMENTO (1106) MERCADOS Na sexta-feira (12)...