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*_VERDE ASSET VÊ CICLO ELEITORAL COMPLEXO E ALERTA PARA REVERSÃO DE FLUXO ESTRANGEIRO NO BRASIL_*
• *Maré Baixa e Populismo Fiscal*: O ambiente que parecia favorável para os ativos brasileiros sofreu uma deterioração acentuada. Em entrevista exclusiva, o gestor da Verde Asset, Luiz Parreiras, alertou que a combinação de choque do petróleo, pressões inflacionárias e a antecipação do ciclo eleitoral reduziu drasticamente o espaço para cortes na Selic. O gestor estima que as medidas de estímulo e isenções concedidas pelo governo injetaram um impulso fiscal e parafiscal equivalente a 1% do PIB, criando um modelo econômico com acelerador fiscal potente que passa a exigir um freio monetário muito mais duro.
• *O Racha no Fluxo Global*: De acordo com a Verde, o investidor internacional mudou sua régua de alocação. Se em um primeiro momento da guerra no Oriente Médio o fluxo buscou o Brasil pelo "trade do petróleo", a calmaria marginal levou a uma clivagem técnica focada em Inteligência Artificial. O dinheiro estrangeiro migrou para polos como Taiwan e Coreia, deixando o Brasil na vala dos países que "não têm IA". Parreiras adverte que se o dólar iniciar um ciclo global de valorização estrutural, a retirada de capital emergente pode punir o mercado doméstico de forma severa.
• *A Derretida dos Juros na Curva*: O reflexo desse superaquecimento e da desancoragem de expectativas foi violento nos modelos de precificação. O mercado, que em 27 de fevereiro projetava um IPCA de 3,7% para este ano, já precifica uma inflação de 5,7%. Com isso, a aposta consensual de que o Banco Central traria a Selic de 15% para 12% desidratou na B3, com a curva mal conseguindo precificar juros na casa dos 14%. Parreiras avalia que o atual BC tentará "olhar além" do choque e agirá de forma gradual, descartando altas de juros na marra, mas operando com o espaço de manobra estrangulado.
• *Estratégia de Portfólio do Fundo*: No desenho das estratégias da Verde Asset, a gestora adotou as seguintes posições de proteção:
* *Câmbio*: Redução na exposição comprada em Real, após a atuação do BC com swaps cambiais, embora os modelos internos estimem o valor justo da divisa entre R$ 4,60 e R$ 4,65.
* *Metais e Hedge*: Manutenção de alocações táticas em Ouro e Prata como proteção definitiva contra ruídos fiscais e geopolitical bagunça.
* *Internacional*: Posições compradas em inflação americana (TIPS) desde a eleição de Trump, capturando o prêmio de tarifas comerciais e o capex global de IA.
* *Juros Locais*: Posição zerada em juros no Brasil devido à opacidade e falta de potência da política monetária frente aos estímulos de crédito estatais.
• *A Assimetria de 2026*: Parreiras pondera que o cenário político para o próximo ano é nebuloso e dominado pelo populismo enraizado, inclusive no Congresso. Em caso de continuidade do governo atual, o risco é de um avanço ainda mais agressivo nos gastos em busca de legado, o que fará a trajetória da dívida — que já cresce de 4 a 5 pontos do PIB ao ano — bater no muro. Pelo lado da oposição de direita, favorita com Flávio Bolsonaro, o mercado ensaia uma assimetria positiva de corte de despesas, mas o gestor mantém ceticismo sobre a viabilidade política de medidas duras em ano de eleição. "O estrangeiro não precisa estar aqui. Me preocupa o Brasil gastar a sunga antes da maré baixar", concluiu.
📚 NEWS + RESUMO: *A FALTA DE POTÊNCIA MONETÁRIA ANTE O ATIVISMO PARAFISCAL*
*Análise de Cenário*: Os apontamentos de Luiz Parreiras expõem com precisão cirúrgica o principal curto-circuito da macroeconomia doméstica: o ativismo parafiscal anulando a política monetária tradicional. Injetar o equivalente a R$ 190 bilhões em estímulos via canais de crédito subsidiados e ampliação de renda cria uma falsa sensação de dinamismo no PIB de curto prazo, mas cobra um preço punitivo na inflação de serviços e na curva longa de juros. Ao distorcer os mecanismos de transmissão do Copom, o front fiscal obriga o investidor local a exigir prêmios de risco cada vez maiores, viciando o mercado na liquidez imediata da renda fixa isenta e paralisando o fluxo de debêntures e IPOs no mercado de capitais.
*Perspectiva de Mercado*: Para o investidor institucional, a leitura de portfólio da Verde Asset chancela a necessidade de máxima seletividade e posições defensivas no atual estágio do ciclo. Operar comprado em Real por fundamentos de balança comercial de petróleo faz sentido técnico, mas a velocidade desse ganho foi limitada pela própria atuação do Banco Central nos swaps. Sem o suporte do fluxo internacional — que prefere pagar os múltiplos esticados do ecossistema de inteligência artificial nos EUA a carregar o risco político de Brasília —, o Ibovespa perde sustentação estrutural. A estratégia correta para os próximos meses segue ancorada no carrego de inflação de curto prazo e na diversificação internacional em moedas duras ou ativos reais (como ouro), evitando apostas direcionais na ponta longa da curva DI até que haja clareza sobre o teto do déficit público.
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