quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Bankinter Matinal Portugal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +0,3% US tech +0,7% US Semis +2,5%  UE -0,3% Espanha 0% VIX +14,6%. Bund 3,16%. T-Note 4,69%. Spread 2A-10A USA=+48,7pb B10A: ESP 3,60%  PT 3,49%  ITA 3,94%   FRA 3,98%. Euribor 12m 2,96% (fut.12m 3,11%). USD 1,152. JPY 183,7. Ouro 4.399,69$. Brent 88,89$. WTI 83,04$. Bitcoin -0,25% (63.896$). Ether +0,18% (1.898$).

 

A confirmação ontem da melhoria da inflação americana em julho (uma décima em baixa até +3,4% a/a Taxa Geral e +2,5% Subjacente) continua a retirar pressão à Fed para subir taxas de juros. Os mercados reagiram com estabilidade na yield do T-Note, perto de 4,69%, e -1,5 p.b. a 2 anos. As bolsas americanas em alta, lideradas pela tecnologia; enquanto as europeias registavam quedas, desde os máximos de terça-feira.


HOJE: amanhecemos com bom tom nas bolsas asiáticas (Coreia +4%; Japão +1,5%) e bom dado do PIB 2T no Reino Unido (+1,2% vs +1,1% esp). Sem novidades na frente geoestratégica. O preço do petróleo mantém-se abaixo dos 100 $/barril, o que permite manter alguma tranquilidade nos mercados, apesar da menor liquidez de verão ser capaz de gerar mais volatilidade a qualquer notícia.


No plano macroeconómico, novas referências de preços nos EUA de julho, neste caso Preços Industriais (13:30 h), onde também se antecipa melhoria (+4,9% vs. +5,5% ant.) e em relação ao mercado laboral, Petições Semanais de Desemprego (13:30 h), onde se antecipa estabilidade.


Sessão de “baixa intensidade” com autorização da geoestratégia, mas com dados macro positivos e o apoio da boa temporada de resultados empresariais, deve manter-se o bom tom de fundo.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Gustavo Franco, por Edmar Bacha

É uma alegria poder saudar, no vigor de seus setenta anos, meu amigo Gustavo Henrique de Barroso Franco — economista, historiador, literato, polemista e homem de ação. Celebrar sua trajetória intelectual é revisitar a história econômica recente do Brasil. Ao mesmo tempo, celebre o espírito de uma geração de economistas que escolheram enfrentar os problemas do país com rigor e coragem, desde sempre com a moda e a ironia da boa prosa.


Escrevi este texto – e agora o leio – com afeto redobrado. Gustavo foi meu aluno, assistente de pesquisa, colega de departamento, companheiro no governo e, ao longo de décadas, um generoso interlocutor intelectual. Mas seria injusto confinar esta homenagem ao plano das memórias afetivas. A obra de Gustavo Franco é extensa, variada e notavelmente original.

Gustavo ingressou no curso de economia da PUC-Rio em 1975 e concluiu a graduação em 1979. Lembro-me bem do período em que ele foi meu assistente de pesquisa na preparação do livro Introdução à Macroeconomia. Havia nele uma combinação invulgar de instinto analítico e sensibilidade literária — traço que marcaria toda a sua produção posterior.

Concluída a graduação, ingressou no mestrado da PUC-Rio. O ambiente intelectual do departamento era amadurecido: estávamos redefinindo a compreensão do conhecimento inflacionário brasileiro. Gustavo absorveu esse fermento, e escreveu uma dissertação sobre a aurora republicana e sua primeira grande crise: a euforia especulativa e o colapso do Encilhamento. A tese conquistou o Prêmio BNDES de Economia para dissertações de mestrado. Publicada com o título Reforma Monetária e Instabilidade durante a Transição Republicana (BNDES, 1983), tornou-se referência obrigatória para o período que estuda.

Com o prestígio adquirido no mestrado, Gustavo foi admitido nos programas de doutorado de Chicago, Yale e Harvard. Escolheu Harvard, onde se concentrou em dois campos: economia internacional, sob orientação de Jeffrey Sachs, e história econômica, com Barry Eichengreen — tendo Lance Taylor como terceiro membro do comitê de tese.

Sua tese de doutorado, defendida em 1986, examina as hiperinflações da Alemanha, Áustria, Hungria e Polônia após a Primeira Guerra Mundial. Dois artigos resultados da tese tiveram repercussão acadêmica específica. “The Rentenmark Miracle” -- publicado na Rivista di Storia Economica em 1987 e republicado em coletânea organizada por Barry Eichengreen em 1991 -- sustentava que a Rentenmark foi etapa crucial -- e não meramente cosmética, como argumentava Thomas Sargent — da estabilização alemã de 1923. Já “Fiscal Reforms and Stabilization: Four Hyperinflation Cases Examined”, publicado no Economic Journal em 1990, questionava a ênfase de Sargent na pura mudança do regime fiscal, destacando o papel das reformas monetárias e do processo de desdolarização na consolidação da estabilidade.

Poucas obras acadêmicas tiveram impacto prático tão direto. Quando, anos mais tarde, Gustavo se sentou à mesa para ajudar a projetar o Plano Real, não estava especulando no vazio: estava aplicando as lições que havia extraídas de vasta literatura histórica e econômica.

Gustavo voltou ao Brasil em setembro de 1986 para o Departamento de Economia da PUC-Rio, onde seria professor assistente e, a seguir, associado, até 1993.

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Em maio de 1993, quando Fernando Henrique Cardoso assumiu o Ministério da Fazenda, foi convidado para ser Secretário Adjunto de Política Econômica. A inflação brasileira estava próxima de 30% ao mês. A tarefa era hercúlea. Em setembro de 1993, quando Pedro Malan foi nomeado presidente do Banco Central, Gustavo passou a ocupar a Diretoria de Assuntos Internacionais do Banco.

A contribuição de Gustavo Franco para o Plano Real foi amplo e multiforme. Foi um dos idealizadores e o relator do singular padrão bimonetário conhecido como URV. A inspiração histórica era clara: o mecanismo lembrava, em sua lógica, a introdução da Rentenmark que ele havia estudado em Harvard.

A contribuição de Gustavo não se limitou à economia. Ele tomou para si a tarefa de ajudar a redigir as peças jurídicas que dariam suporte ao Plano. Seu talento para a redação clara e precisa foi ali colocado a serviço de um objetivo histórico.

Registro de dois episódios que ilustram bem seu caráter. Quando a Medida Provisória que instituiu a URV estava sendo finalizada, eu precisei informar a Gustavo que teríamos que incluir um mecanismo de indexação dos exercícios — sem ele, a MP não passaria no Congresso. Ele ficou visivelmente decepcionado. Mas, depois do lamento, fez a nova redação — mantendo o mecanismo dentro dos limites mais restritos possíveis — e a MP foi aprovada. Era a combinação que marcaria toda a sua vida pública: a fidelidade aos princípios e a lucidez sobre os limites do possível.

Três anos depois, em janeiro de 1998, quando Gustavo já presidia o Banco Central, Itamar Franco publicou em O Globo um artigo intitulado “As inverdades do Sr. Gustavo Franco”, contestando o relato de Gustavo sobre a reunião em que se decidiu o mecanismo de conversão dos trens pela URV. Gustavo respondeu, também no O Globo . A resposta era precisa, detalhada e implacável: reconstruía o ponto a ponto a sequência da reunião, identificava os equívocos do ex-presidente e concluía com a pergunta: quatro anos depois do fato, e três anos depois da publicação do livro, o que quer o ex-presidente? Era Gustavo em estado puro: a recusa em deixar que a névoa política distorcesse o registro histórico, combinada com uma prosa ao mesmo tempo rigoroso e cortante.

A desvalorização do Real em janeiro de 1999 encerrou sua gestão no Banco Central. A sequência dos eventos — flutuação cambial sem crise bancária, adoção do regime de metas de inflação, preservação dos fundamentos institucionais construídos pelo Real — confirmaria que as bases condicionais na gestão de Gustavo Franco foram bastante mais sólidas do que a turbulência do momento sugerida.

*

A reflexão acadêmica e ensaística sobre o Plano Real ocupa lugar central na obra de Gustavo Franco. O ponto de partida é The Real Plan and the Exchange Rate (Princeton Essays in International Economics nº 217, 2000). Em português, o primeiro livro é O Plano Real e Outros Ensaios (Francisco Alves, 1995). Seguem-se O Desafio Brasileiro: Ensaios sobre Desenvolvimento, Globalização e Moeda (Editora 34, 1999) e Crônicas da Convergência: Ensaios sobre Temas Já não tão polêmicos (Topbooks, 2006).

Acrescenta-se a esse conjunto A Moeda e a Lei: Uma História Monetária Brasileira, 1933–2013 (Zahar, 2017), sínteses notáveis ​​de história institucional e análise econômica que abrange oito décadas de relações entre o poder político e o sistema político no Brasil.

Em 2024, Gustavo Franco especifica uma coleção de ensaios seus, de Pedro Malan e meus, escritos “no calor do momento”, como diz o subtítulo do livro. Os ensaios retratam as diversas etapas que passaram o plano, ao longo das presidências de FHC, Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro. Nas comemorações dos 30 anos do Real, o livro ajudou a lembrar o país da importância daquele feito histórico então, devidamente comemorado.

Uma das características mais singulares de Gustavo Franco é sua recusa em permanecer dentro das fronteiras convencionais da profissão. Ao longo dos anos em que foi construindo a Rio Bravo Investimentos, publicou uma série de livros que apresenta uma exploração fascinante das interseções entre literatura e economia.

O primeiro foi A Economia em Machado de Assis: O Olhar Oblíquo do Acionista (Jorge Zahar, 2007), em que Gustavo seleciona e comenta cerca de quarenta crônicas do Bruxo do Cosme Velho. Segue-se A Economia em Pessoa (Jorge Zahar, 2007), que explora os escritos do poeta português sobre economia, finanças e desenvolvimento. E depois Shakespeare e a Economia (Jorge Zahar, 2009), com um ensaio de Gustavo sobre o retrato do capitalismo nascente nas peças do Bardo. Vale ainda mencionar Dinheiro e Magia (2011), edição brasileira de cenas econômicas do Fausto de Goethe, para a qual Gustavo escreveu o posfácio “Fausto e a tragédia do desenvolvimento brasileiro”.

Gustavo Franco tem uma veia irônica que os leitores de seus artigos de jornal conheçam bem, mas que encontraram sua expressão mais elaborada em dois projetos editoriais significativos. O primeiro é As Leis Secretas da Economia: Revisitando Roberto Campos e as Leis do Kafka (Zahar, 2012). O segundo é a série Antologia da Maldade (Zahar, Vol. I, 2014; Vol. II, 2022), produzida em parceria com Fábio Giambiagi.

Em 2010, Gustavo publicou Cartas a um Jovem Economista. Na segunda edição (Intrínseca, 2022), foi incluído um capítulo inteiro sobre a influência que diz ter recebido de mim na sua formação intelectual. Foi um gesto que me tocou profundamente, e que revela uma dimensão de Gustavo que a sua persona pública, feita de ironia e combatividade, deixa raramente transparecer -- a da afetividade genuína.

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Ao olhar para a trajetória de Gustavo Franco, o que sobressai não é apenas a extensão da obra ou a variedade dos papéis desempenhados. É uma forma rara de ser intelectual: o economista que também é historiador, que é também literato, que é também polemista, que é também homem de ação — e que faz tudo isso com o mesmo alto padrão de qualidade.

A economia brasileira dos últimos trinta anos não se entende sem o Plano Real, e o Plano Real não se entende sem Gustavo Franco. Mas o Gustavo Franco que quero celebrar aqui não é apenas o arquiteto de uma estabilização bem-sucedida. É o jovem que analisou meu manuscrito de macroeconomia com os olhos de quem já sabia que queria ser mais do que um tecnocrata. É o mestrando que escolheu estudar o Encilhamento para entender os problemas do presente através das lições do passado. É um doutor que foi em Harvard estudar as hiperinflações europeias dos anos 1920 porque intuiu que aquelas histórias eram relevantes para entender a hiperinflação no Brasil. É o servidor público que estava lá quando o país mais dele precisou e entregou o que prometeu: moeda estável, inflação vencida. É o professor que, ao se aposentar, escreveu um livro de cartas para jovens economistas — passando adiante, com generosidade, tudo o que aprendeu sobre o que significa ser um economista que importa.

É do capítulo deste livro sobre nosso relacionamento que retiro minhas últimas palavras, aliás palavras dele mesmo, parcialmente adaptadas:

Gustavo, a vida continua e permanecemos juntos na ativa de muitas brigas, mas compartilhando essa doce memória da grande batalha em que vencemos um dragão gigante, que devorou ​​muitos guerreiros antes de nós. Temos esse precioso legado a cuidar, e uma ampla agenda de mudanças ainda por fazer. O Brasil está sempre incompleto, como você não cansa de nos explicar.


Interessante artigo sobre risco bancário BASILEIA 3


O paradoxo de Basileia III não está na falta de modelos, mas no risco de acreditarmos demais na precisão que eles produzem.

O sistema bancário aprendeu a transformar risco em números sobre capital, liquidez, exposição, inadimplência, perdas, limites e cenários adversos. Isso fortaleceu a gestão prudencial, mas criou uma armadilha de confundir conformidade regulatória com segurança econômica.

Ativos ponderados pelo risco são essenciais, porém não são o próprio risco. São uma medida regulatória construída a partir de regras, parâmetros, modelos e premissas. Quanto maior a sofisticação dos modelos internos, maior pode ser a sensibilidade ao risco, mas também aumentam a dependência de dados, calibrações e hipóteses. Precisão matemática não elimina incerteza econômica.

Por isso que o piso prudencial limita diferenças grandes entre modelos internos e abordagens padronizadas. A razão de alavancagem acrescenta outra lente, menos dependente de modelos. Nenhuma medida basta isoladamente. A robustez nasce da combinação de perspectivas.

Outro desafio é a arbitragem regulatória. Quando estruturas semelhantes recebem tratamentos prudenciais diferentes, o capital pode influenciar a forma dos negócios. O risco pode sair do balanço, migrar para fundos, securitizações e outros veículos, mas continuar conectado ao banco por garantias, liquidez, derivativos. O risco não desaparece, mas muitas vezes apenas muda de endereço.

Capital regulatório e capital econômico precisam conversar. O primeiro define um piso prudencial comparável, enquanto que o segundo deve refletir riscos, concentrações, correlações, eventos extremos e vulnerabilidades da instituição.

O Processo Interno de Avaliação da Adequação de Capital deixa de ser exercício regulatório e passa a ser instrumento estratégico, e deve conectar crescimento, orçamento, cenários adversos, geração de capital e capacidade de absorver perdas.

A Declaração de Apetite por Riscos precisa ligar estratégia, risco, limites, capital, liquidez e retorno. Se o orçamento exige crescimento incompatível com o apetite aprovado, existem duas estratégias concorrentes dentro da instituição.

E é aqui que o conselho se torna decisivo. Seu papel não é recalcular modelos, mas desafiá-los. Perguntar por que o capital melhorou, por que os ativos ponderados pelo risco caíram, que risco econômico permaneceu, que concentração está escondida e que vulnerabilidade não aparece no painel.

Uma instituição resiliente não é aquela que apenas mede melhor, mas é aquela que sabe onde seus modelos podem estar errados.

Porque o maior risco de um sistema sofisticado não é produzir um número incorreto, mas é produzir um número tão convincente que ninguém mais se lembre de questioná-lo.

BDM Matinal Riscala

 *Bom Dia Mercado.*


Quarta Feira, 12 de Agosto de 2.026.


*Eleição entra no preço*


Lá fora, a guerra entre Estados Unidos e Irã continua sem sinal de acordo e mantém o Brent perto de US$ 90, aumentando a importância do CPI americano de hoje para as apostas sobre os juros do Fed.


… A eleição entrou de vez no preço dos ativos brasileiros, depois que o JPMorgan reduziu sua recomendação para o País e alertou para o aumento da volatilidade até outubro. O movimento reforçou a saída de estrangeiros da B3, justamente quando a ata do Copom manteve setembro em aberto e o IPCA confirmou a melhora da inflação corrente, mas deixou dúvidas sobre os próximos meses. Lá fora, a guerra entre Estados Unidos e Irã continua sem sinal de acordo e mantém o Brent perto de US$ 90, aumentando a importância do CPI americano de hoje para as apostas sobre os juros do Fed. A agenda tem ainda Serviços no Brasil, relatórios da Opep e AIE, e muitos balanços, incluindo BB e CSN.


VOLATILIDADE CONTRATADA – O mercado brasileiro teve um dia de forte deterioração, descolado de outros emergentes e de Nova York, com a combinação de risco eleitoral e rebaixamento do Brasil pelo JPMorgan estimulando a saída de investidores estrangeiros.


… O gatilho para colocar a eleição definitivamente na pauta veio do JPMorgan, que reduziu a recomendação para os ativos brasileiros de overweight (compra) para neutra, avisando que prefere ficar à margem da volatilidade esperada para os próximos meses.


… O banco argumentou que o ciclo de flexibilização monetária está perto do fim, enquanto a economia desacelera e o crédito se deteriora. Sua expectativa é de apenas mais um corte de 0,25 ponto da Selic em setembro, seguido por uma longa pausa até o segundo trimestre de 2027.


… Para os analistas do JPMorgan, a eleição presidencial acrescenta outra camada de incerteza.


… Na avaliação do banco, os ativos brasileiros ainda carregam pouco prêmio eleitoral e a volatilidade tende a aumentar à medida que outubro se aproxima. “Tudo parece muito calmo por enquanto”, afirmou o JPMorgan, apostando em um período mais turbulento até outubro.


… Para o mercado doméstico, a eleição também começa a cobrar seu preço. As pesquisas CNT/MDA e Futura divulgadas ontem reforçaram a liderança de Lula e aumentaram a preocupação dos investidores com a condução da política fiscal no próximo governo.


… Na CNT/MDA, Lula aparece com 48% contra 39,1% de Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno, uma vantagem de 9 pontos. Já a Futura mostrou uma disputa mais apertada: Lula e Flávio estão tecnicamente empatados, com 46,5% e 44%, respectivamente.


… A combinação de incerteza eleitoral, juros reais elevados, baixo crescimento e déficit fiscal ajuda a explicar o fluxo de saída dos gringos, que tem sido percebido em agosto. Até o dia 7, os investidores estrangeiros já haviam retirado R$ 5,5 bilhões da B3 no mês.


ATA DIVIDE O MERCADO – A avaliação do JPMorgan de que o ciclo de cortes da Selic está perto do fim coincide com a aposta majoritária do mercado após a ata do Copom, que manteve em aberto os próximos passos da política monetária.


… Das 36 instituições consultadas pelo Broadcast, 23 esperam só mais um corte de 0,25 ponto em 2026, levando a Selic a 13,75% em setembro, patamar que permaneceria até o fim do ano. Outras oito casas projetam dois ou três cortes, e cinco acreditam que ficará nos atuais 14%.


… A ata reconheceu com mais clareza que os efeitos da política monetária restritiva sobre a atividade vêm se acumulando e contribuindo para a desinflação, mas evitou dar qualquer indicação sobre setembro. A magnitude do ciclo continuará sendo definida à luz dos dados.


… Para o Itaú, o documento manteve aberta a avaliação sobre os próximos passos, sem sinais mais claros sobre a trajetória dos juros. O banco espera novo corte em setembro, enquanto o Goldman Sachs vê probabilidade ligeiramente superior a 50% de manutenção da Selic.


… A XP também aposta em pausa e destacou a preocupação do Copom com os choques globais de oferta ligados à energia, inteligência artificial e El Niño, além da resiliência da demanda e das expectativas de inflação acima da meta.


… Já o PicPay espera mais um corte de 0,25 ponto, mas chamou atenção para a ênfase do BC na desancoragem das expectativas, que aumenta o custo da desinflação e exige uma política monetária mais restritiva por mais tempo.


… Para o Santander, o Copom precisa explicar muito menos por que pode continuar os cortes, mas ainda não explicou por que deveria parar.


… Na avaliação do head de Política Monetária e Mercados do banco, Marco Antonio Caruso, se a atividade continuar moderando e a inflação projetada permanecer ao redor da meta, a discussão sobre a extensão do ciclo no quarto trimestre continua aberta.


… Na ponta mais otimista com a flexibilização monetária, a Warren Rena prevê agora mais dois cortes de 0,25 ponto neste ano, enquanto o Banco Pine passou a projetar reduções nas três reuniões restantes, levando a Selic a 13,25% em dezembro.


… Um ponto de atenção comum nas análises são os choques de oferta.


… O Copom reiterou que não deve reagir aos efeitos primários desses choques, mas terá de atuar caso haja contaminação das expectativas e dos preços. A preocupação ganha importância diante da guerra no Oriente Médio e dos riscos do El Niño sobre os preços dos alimentos.


IPCA DÁ ALÍVIO – A preocupação do Copom com os choques de oferta ganha importância justamente quando a inflação corrente mostra sinais mais favoráveis, mas aumentam as dúvidas sobre o comportamento dos preços nos próximos meses.


… O IPCA desacelerou de 0,16% em junho para 0,07% em julho, menor taxa desde agosto do ano passado, embora tenha ficado acima da mediana de 0,03% do Projeções Broadcast. Em 12 meses, recuou de 4,64% para 4,44% e voltou a ficar abaixo do teto de 4,5% após dois meses.


… O alívio veio principalmente dos alimentos in natura. Na direção contrária, energia elétrica subiu 3,09% e foi a maior pressão individual. Apesar da surpresa acima das previsões, a composição confirmou o processo gradual de desinflação.


… Serviços e bens industriais subjacentes perderam força, enquanto medidas anualizadas acompanhadas pelo Banco Central também mostraram desaceleração, embora os serviços mais ligados ao mercado de trabalho continuem rodando em níveis elevados.


… Agosto pode trazer um alívio ainda maior. O bônus de Itaipu deve provocar queda temporária das contas de luz e as projeções apontam para deflação no IPCA, embora parte desse efeito seja devolvida em setembro.


… O problema está mais adiante. A forte queda dos alimentos que ajudou julho pode estar perto do fim, enquanto um El Niño mais intenso ameaça a produção agrícola e pode voltar a pressionar os preços a partir de setembro.


… A guerra no Oriente Médio acrescenta outro risco. A alta do petróleo pode produzir efeitos secundários sobre a inflação mesmo sem repasse imediato dos combustíveis, justamente o tipo de contaminação que o Copom afirmou estar preparado para combater.


… Assim, a fotografia da inflação melhorou, mas o filme para os próximos meses continua incerto: depois de voltar para dentro do teto da meta em julho e possivelmente registrar deflação em agosto, o IPCA pode reacelerar no fim do ano.


SEM SINAL DE ACORDO – As negociações para encerrar a guerra entre Estados Unidos e Irã continuam sem produzir avanços concretos para um acordo, enquanto os confrontos se espalham pelas principais rotas marítimas da região.


… Já depois do fechamento do petróleo, as Forças Armadas dos Estados Unidos dispararam dois mísseis Hellfire contra o cargueiro Vela Nova, de bandeira panamenha, que teria ignorado ordens para parar e tentava romper o bloqueio americano aos portos iranianos no Golfo de Omã.


… Ao mesmo tempo, Teerã ampliou as condições para reabrir o Estreito de Ormuz.


… Além do fim da guerra e do bloqueio americano, o Irã exige a liberação de ativos congelados no exterior e vinculou a abertura da passagem ao encerramento dos conflitos em outras partes da região, incluindo Líbano e Gaza.


… Autoridades iranianas também advertiram que a inclusão da questão nuclear nas negociações será “complexa” e “difícil”, enquanto a Guarda Revolucionária ameaçou atingir infraestrutura de energia e sistemas ligados à internet em caso de novos ataques.


… As declarações contrastam com sinais mais otimistas dos mediadores. Autoridades paquistanesas afirmaram que Estados Unidos e Irã estão próximos de algum entendimento, enquanto o Catar disse que as negociações alcançaram estágio avançado.


… Donald Trump, porém, afirmou que continuará usando a pressão econômica contra Teerã durante as negociações e não descartou a retomada de ataques militares. As exigências de lado a lado vêm reduzindo as expectativas de uma solução rápida para Ormuz.


… O impasse manteve o petróleo em alta pelo segundo dia seguido. O Brent chegou a superar US$ 90 durante o pregão e fechou com ganho de 1,36%, a US$ 88,91 por barril, depois de disparar quase 5% na véspera. O WTI avançou 1,30%, a US$ 83,20.


… O Depto de Energia dos Estados Unidos já incorporou restrições mais prolongadas em Ormuz, elevando de US$ 82 para US$ 87 a estimativa para o preço médio do Brent em 2026. O órgão espera que as limitações severas ao trânsito pelo estreito persistam durante agosto.


… A tensão também aumentou em Bab el-Mandeb.


… Um ataque dos houthis contra um navio comercial matou quatro tripulantes, e dois integrantes de uma equipe de resgate morreram em um novo ataque à embarcação. No mercado eletrônico, o petróleo ampliava os ganhos, com o Brent atingindo US$ 89,50.


CPI TESTA O FED – A alta do petróleo aumenta a importância do CPI de julho, que será divulgado hoje, às 9h30, e pode recalibrar as apostas para os juros do Fed em setembro, depois que o payroll fraco reduziu as expectativas de alta.


… A mediana apurada pelo Broadcast prevê avanço de 0,1% do CPI, após queda de 0,4% em junho, com a taxa em 12 meses desacelerando de 3,5% para 3,4%. Para o núcleo, a expectativa é de alta de 0,2% no mês e desaceleração da taxa anual de 2,6% para 2,5%.


… A criação líquida de 23 mil vagas em julho, muito abaixo das previsões, derrubou de mais de 60% para menos de 45% a probabilidade de uma alta de 0,25 ponto dos juros em setembro. O CPI pode agora determinar se esse movimento se sustenta ou será parcialmente revertido.


… Uma inflação acima do esperado tende a recolocar setembro em discussão. Já uma leitura benigna reforçaria a possibilidade de manutenção dos juros, embora o Fed ainda receba os dados de emprego e inflação de agosto antes da reunião.


… A inflação continua sendo a principal preocupação dos dirigentes do Fed, e a persistência da guerra no Oriente Médio amplia as incertezas. Com o petróleo novamente perto de US$ 90 e Ormuz fechado, aumentou o risco de que a energia volte a pressionar os preços.


… Assim, o CPI de julho dificilmente encerrará sozinho o debate sobre setembro, mas deve ditar o tom das apostas para os juros, o dólar e os mercados globais até a próxima rodada de indicadores. Amanhã, quinta-feira, será divulgado o PPI americano.


MAIS AGENDA – Com o petróleo no centro das atenções, o mercado acompanha hoje os relatórios mensais da Opep e da Agência Internacional de Energia, com o da AIE à primeira hora, em busca de novas estimativas para oferta, demanda e os efeitos da guerra sobre o mercado global.


… Às 11h30, o Depto de Energia dos Estados Unidos divulga os estoques semanais de petróleo. A previsão é de queda de 600 mil barris nos estoques de óleo bruto, além de recuos de 1,3 milhão de barris na gasolina e de 1,6 milhão nos destilados.


… No Brasil, o destaque da agenda é a Pesquisa Mensal de Serviços de junho, às 9h, importante também para avaliar os sinais de desaceleração da atividade destacados ontem na ata do Copom. A mediana prevê queda de 0,2%, após recuo de 0,4% em maio.


… Se confirmada, será a segunda baixa mensal consecutiva de Serviços.


… As estimativas variam de queda de 1,6% a alta de 0,7%. Na comparação com junho do ano passado, a expectativa é de crescimento de 1,2%, após avanço de 0,4% em maio. O resultado ajudará a calibrar as estimativas para o PIB do 2TRI e as apostas para os próximos passos da Selic.


… A agenda doméstica tem ainda o fluxo cambial semanal, às 14h30.


BALANÇOS – Banco do Brasil e CSN são os principais destaques de uma bateria de 24 balanços que serão divulgados hoje após o fechamento.


… Para o BB, o mercado espera um lucro líquido de R$ 3,565 bilhões no segundo trimestre, queda de 6% em um ano, ainda pressionado pela inadimplência no agronegócio e em segmentos de pessoa física. Na B3, a ação caiu forte na véspera do resultado (abaixo).


… A expectativa é de que as provisões continuem elevadas e a rentabilidade permaneça em um dígito. No primeiro trimestre, o retorno sobre o patrimônio (ROE) caiu para 7,3%, o menor nível do ciclo.


… O mercado também estará atento a uma eventual revisão do guidance do banco diante do aumento do custo de risco.


… Já a CSN deve registrar prejuízo líquido de R$ 370 milhões no segundo trimestre, ante perda de R$ 130 milhões um ano antes. O Ebitda ajustado é estimado em R$ 2,5 bilhões, queda de 5,2%, com a mineração pressionada por custos mais altos e pelo frete marítimo.


… Também divulgam resultados após o fechamento: CSN Mineração, Suzano, Casas Bahia, Equatorial Energia, Hapvida, MRV, Rede D’Or, Rumo, Sabesp, Copasa, Minerva, SLC Agrícola, Ultrapar, Americanas, Azzas, Cogna, CVC, Eneva, Kepler Weber, Positivo, Qualicorp e Vittia Fertilizantes.


OI – Em recuperação judicial, a Oi voltou a adiar a divulgação de seus resultados e não publicará hoje o balanço, como estava previsto.


… A companhia informou que ainda não concluiu a elaboração e a revisão das informações financeiras, diante dos impactos do processo de recuperação judicial e dos processos de venda de ativos. Permanecem pendentes os resultados desde o terceiro trimestre de 2025.


BRB – A falta do balanço de 2025 do Banco de Brasília virou um novo obstáculo ao empréstimo de R$ 6,6 bilhões pedido pelo Distrito Federal ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para cobrir o rombo deixado pelo Banco Master.


… Segundo o FGC, as demonstrações financeiras são essenciais para avaliar a situação do banco e determinar se o valor solicitado é suficiente para viabilizar a operação. O problema é que o balanço, atrasado desde março, mostraria o tamanho do prejuízo do BRB com o Master.


… A governadora do DF, Celina Leão, afirmou que, se o documento for publicado antes do aporte, o banco seria liquidado.


… Ao mesmo tempo, ficou mais distante uma fonte alternativa de recursos. O governo do DF quer destinar R$ 508 milhões obtidos com a securitização da dívida ativa para subsidiar empresas de ônibus. O empréstimo do FGC também enfrenta resistência dos bancos privados.


… Na quinta-feira, haverá uma reunião no STF para discutir a ação do DF que tenta obrigar a União a conceder garantias à operação.


AFTER HOURS – A Super Micro subiu 7,56% no after hours em Nova York, após superar as expectativas de lucro. O resultado ajustado por ação foi de US$ 1,70, ante previsão de US$ 0,92, enquanto a receita atingiu US$ 11,1 bilhões.


… A CoreWeave foi o grande destaque, disparando 15,72%, com prejuízo menor que o esperado e receita de US$ 2,58 bilhões, alta de 122% em um ano. A companhia informou ainda uma carteira de pedidos de US$ 99,4 bilhões.


… Já o ADR da B3, que divulgou balanço após o fechamento, caiu 0,55% em Nova York, apesar da alta de 28,2% em um ano no lucro líquido do 2TRI (R$ 1,698 bilhão), crescimento de 8,8% da receita líquida (R$ 2,765 bilhões) e do avanço de 13% do Ebitda (R$ 1,938 bilhão).


… Confira abaixo no Cias Abertas os outros balanços divulgados ontem à noite!


CURTAS DA POLÍTICA – A Câmara cancelou a sessão de ontem à noite após o líder do PT, deputado Pedro Uczai, sofrer AVC durante a reunião de líderes, adiando a votação do projeto que reduz a tributação sobre combustíveis.


… O texto passou a incluir outros temas, como incentivos para fertilizantes e minerais críticos, isenções para a Copa do Mundo Feminina de 2027 e antecipação de recursos para o Ministério da Defesa.


… No final da tarde, Davi Alcolumbre havia anunciado que levaria o projeto ao plenário do Senado hoje como item extrapauta.


BLUSINHAS. Alcolumbre marcou para hoje, às 14h30, a instalação da comissão mista que analisará a MP que zerou a chamada taxação das blusinhas. A medida perde validade em 8 de setembro, e o governo tenta concluir sua votação antes disso.


PISO DOS MÉDICOS. A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou o novo piso salarial de R$ 13.662 para médicos e cirurgiões-dentistas, com jornada de 20 horas semanais, válido para as redes pública e privada.


… O Ministério da Gestão estima impacto de R$ 25 bilhões até 2029. O aumento será implantado gradualmente em três anos.


FLÁVIO BOLSONARO. Negou que pretenda substituir Alfredo Gaspar como candidato a vice e classificou como “farsa” as acusações contra o deputado. Flávio disse ainda que participará dos debates com Lula e que não deve explicações sobre o Banco Master.


… O senador afirmou que o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF, será uma pauta de sua campanha eleitoral.


LULA. Já o presidente começa a ver o Centrão se reaproximando, depois de passar todo o atual mandato numa relação de tensão com o Congresso. A articulação envolve o interesse de Alcolumbre e Motta de se reelegerem para comandar a Câmara e o Senado em 2027.


A FUGA DAS VERDINHAS – Assusta a grande quantidade de dinheiro estrangeiro que vem deixando a B3 em rápida velocidade. No curto intervalo de uma semana, quase R$ 6 bilhões em capital externo já bateram em retirada.


… Os dois últimos informes indicaram aceleração no ritmo das saídas dos investidores gringos: foram R$ 2,4 bilhões no pregão de quinta-feira (dia 6) e mais R$ 2,6 bilhões na sexta, acentuando o estresse com o que vem pela frente.


… Cresce a expectativa pela divulgação amanhã pela B3 do saldo relativo à sessão de ontem, marcada pela tensão com o rebaixamento das ações brasileiras pelo JPMorgan e maior preocupação do investidor com o cenário eleitoral.


… “Estamos observando vendas maciças de estrangeiros, que estão reduzindo posição neste período pré-eleição”, disse ao Valor Econômico um profissional de renda variável de um grande banco de investimentos.


… Em um sinal de alerta para o mercado, o EWZ, principal fundo de índice de ações brasileiras negociado em Nova York, voltou a ser negociado abaixo da média móvel de 200 dias e abandonou a tendência de alta.


… “Estamos entrando em uma fase crítica do ciclo eleitoral e o Brasil tende a apresentar desempenho inferior nos seis meses que antecedem as eleições”, projetou a equipe de ações para América Latina do JPMorgan.


… Não foi um bom sinal o giro do Ibovespa ter subido ontem para R$ 23,6 bilhões, porque sugere movimento vendedor por parte dos investidores estrangeiros, num dia em que a bolsa caiu forte, mais de quatro mil pontos.


… No maior recuo diário desde março, o índice à vista perdeu 2,50% e fechou no pior nível em sete meses, a 167.875 pontos, completando seis pregões seguidos no vermelho. No câmbio, o dólar saltou quase 1% e foi a R$ 5,16.


… Os juros futuros ignoraram o alívio do IPCA de julho e o fato de a ata do Copom ter deixado a porta aberta para novos cortes da Selic em setembro, e registraram alta moderada, na contramão do recuo das taxas do Treasuries.


… Com o rebaixamento do Brasil e a cena eleitoral no radar, os bancos exibiram sell-off: Itaú PN, -3,51% (R$ 39,00), Bradesco PN, -2,27% (R$ 16,79) e BB, -3,74% (R$ 19,28). BTG unit afundou 5,81% (R$ 50,13), em dia de balanço.


… A exceção foi Santander unit, em alta de 0,92% (R$ 29,52). O papel segue embalado pela intenção da matriz espanhola de realizar a oferta pública de aquisição (OPA) para comprar ações remanescentes da unidade brasileira.


… Vale caiu firme (-2,02%; R$ 74,40) e descolou da valorização de 1,26% do minério de ferro, enquanto o recuo de Petrobras (ON, -1,44%, a R$ 46,53; e PN, -1,35%, a R$ 41,66) contrariou a alta de pouco mais de 1% do petróleo.


NA LANTERNA – De todas as 33 moedas mais líquidas do mundo, contando as de mercados emergentes e as de economias mais sólidas, foi o real que teve ontem o pior desempenho, para ver como o problema foi pessoal.


… O rebaixamento do Brasil e o trade eleitoral redobraram a cautela, no ambiente de fuga do fluxo estrangeiro, que levou o dólar a disparar 0,98%, para R$ 5,1608. Há pouco mais de um mês, não alcançava uma cotação tão elevada.


… Também os juros futuros evitaram correr riscos nesta terça-feira tensa, mesmo depois de a ata do Copom não ter descartado a chance de continuidade do ciclo de calibração da Selic, condicionada aos próximos indicadores.


… Outra boa notícia, como se viu, foi o IPCA de julho ter desacelerado para perto de zero levando a inflação no acumulado em 12 meses abaixo do teto da meta, de 4,5%. Mas o alívio mal chegou à ponta curta do DI.


… O contrato de juro para Jan/27 marcou 13,755% (de 13,746% no ajuste anterior), enquanto o Jan/28 subiu a 13,895% (13,825%); Jan/29, a 14,180% (14,091%); Jan/31, a 14,410% (14,357%); e Jan/33, a 14,515% (14,480%).


… A pressão aqui destoou da queda das taxas dos Treasuries, que resolveram descontar o petróleo caro, o impasse no Oriente Médio e o suspense com o CPI, e abriram um leve ajuste em baixa, antes que as coisas possam piorar.


… O yield da Note-2 anos caiu para 4,226% (contra 4,241% na véspera) e o de 10 anos recuou a 4,691% (de 4,703%).


… Na avaliação do BofA, um CPI forte hoje pode colocar firmemente no radar uma alta do juro no Fed de setembro, mas a decisão provavelmente ainda dependerá dos dados de agosto, dada a aparente relutância de Kevin Warsh.


… Mesmo depois do payroll fraco, o banco mantém a projeção de três aumentos dos juros americanos este ano. “A função de reação do Fed ainda continua inclinada para o lado da inflação em seu mandato duplo”, avalia o BofA.


… Quem deve estar torcendo bastante para um CPI pior do que o esperado hoje é o BC japonês, na medida em que o dado não valorizaria o dólar e esvaziaria o risco de o iene furar a marca de 160/US$. Ontem, fechou a 159,27/US$.


… O câmbio teve oscilações marginais antes do indicador de inflação. O índice DXY fechou praticamente estável (+0,02%), aos 99,828 pontos, com o euro (+0,01%, a US$ 1,1543) e a libra (+0,02%, a US$ 1,3508) de lado.


… As bolsas em Nova York recuaram nesta terça-feira, em meio ao aumento das incertezas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz e ao avanço nos preços do petróleo, com investidores à espera da inflação do CPI em julho.


… Entre as big techs, Alphabet ampliou o pessimismo (-3,84%) com o anúncio recente de mudanças no departamento de IA. Nasdaq caiu 0,6% (26.445,45 pontos); S&P 500, -0,32% (7.728,20 pontos); e Dow Jones, -0,34% (53.791,85).


CIAS ABERTAS NO AFTER – A Fitch elevou o rating global da AXIA de BB- para BB, com perspectiva estável, e o rating nacional de AA(bra) para AAA(bra)…


… Período para conversão de ações PNC em ON será de hoje até sexta-feira; papéis não convertidos serão automaticamente resgatados.


TAESA teve lucro líquido regulatório de R$ 206,8 milhões no segundo trimestre, queda de 28,5%. A receita regulatória cresceu 9,3%, para R$ 679,2 milhões, e o Ebitda regulatório avançou 10,6%, para R$ 577,2 milhões…


… Conselho aprovou R$ 206,8 milhões em dividendos e JCP, equivalentes a R$ 0,60 por unit, com pagamento em 26/11. Papéis ficam ex em 17/08.


ENEL SP. Diretoria da Aneel rejeitou recurso da companhia e manteve processo que pode levar à caducidade da concessão; decisão final caberá ao Ministério de Minas e Energia.


PAGBANK teve lucro líquido recorrente de R$ 576 milhões no segundo trimestre, alta de 1,9% ante um ano antes. Receita cresceu 1,7%, para R$ 3,4 bilhões…


… Conselho aprovou dividendo de US$ 0,28 por ação, com pagamento em 30/09. Papéis ficam ex em 17/09.


BV teve lucro líquido recorrente de R$ 491 milhões no segundo trimestre, alta de 6,8% ante um ano antes. Carteira de crédito cresceu 11,9%, para R$ 102,3 bilhões.


ASSAÍ negou estar negociando fusão, incorporação ou mudança de controle com o Grupo Muffato.


AMERICANAS. TRF-2 decidiu que movimentações financeiras de acionistas de referência e do ex-CEO Sergio Rial podem continuar sendo monitoradas, mesmo após a Justiça ter suspendido bloqueio de seus bens, informou o Valor.


MULTIPLAN concluiu a venda de 9,33% do ParkShoppingBarigüi por R$ 250 milhões e passou a deter 84% do ativo.


DIRECIONAL teve lucro líquido de R$ 201,6 milhões no segundo trimestre, alta de 9,7%. Receita cresceu 20,1%, para R$ 1,28 bilhão, e Ebitda avançou 27,3%, para R$ 311,5 milhões…


… Conselho aprovou programa de recompra de até 32 milhões de ações, com prazo de 18 meses.


CURY teve lucro líquido de R$ 270,5 milhões no segundo trimestre, alta de 14,3%. Receita cresceu 25,5%, para R$ 1,690 bilhão, e Ebitda ajustado avançou 20,2%, para R$ 392,3 milhões…


… Companhia distribuirá R$ 190 milhões em dividendos, equivalentes a R$ 0,6167 por ação, com pagamento em 08/09. Papéis ficam ex-dividendo em 17/08.


HELBOR teve lucro líquido de R$ 583 mil no segundo trimestre, ante R$ 1,64 milhão um ano antes. Receita caiu 26%, para R$ 212,7 milhões, prejudicada pela decisão da incorporadora de não realizar lançamentos no período.


AERIS teve prejuízo líquido de R$ 152 milhões no segundo trimestre, 4,8% menor ante um ano antes. Receita caiu 46,6%, para R$ 129,3 milhões, e Ebitda ajustado recuou 22,3%, para R$ 12,405 milhões.


VIVEO reduziu o prejuízo líquido ajustado em 52%, para R$ 21,2 milhões no segundo trimestre. Receita cresceu 3,4%, para R$ 2,9 bilhões, e Ebitda ajustado avançou 21,8%, para R$ 216,6 milhões.


BLAU teve lucro líquido de R$ 55,5 milhões no segundo trimestre, queda de 12%. Receita cresceu 5%, para R$ 487 milhões, e Ebitda recorrente avançou 3%, para R$ 126 milhões.


VITRU teve lucro líquido ajustado de R$ 159,9 milhões no segundo trimestre, alta de 31,5%. Receita cresceu 9,1%, para R$ 661,4 milhões, e Ebitda ajustado avançou 9,3%, para R$ 278 milhões.


CRUZEIRO DO SUL teve lucro líquido ajustado de R$ 100,7 milhões no segundo trimestre, alta de 60,6%. Receita cresceu 8,2%, para R$ 780,3 milhões, e Ebitda ajustado avançou 15,1%, para R$ 231,7 milhões.


VAMOS registrou lucro líquido de R$ 101,1 milhões no segundo trimestre, alta de 9%. Receita cresceu 10,8%, para R$ 1,56 bilhão, e Ebitda avançou 6,6%, para R$ 971,5 milhões.


MOTIVA registrou tráfego de 132,6 milhões de veículos em julho, alta de 32,1% ante um ano antes. Em bases comparáveis, o avanço foi de 1,2%.


FRASLE MOBILITY teve lucro líquido de R$ 88 milhões no segundo trimestre, alta de 82,1%. Receita cresceu 1,8%, para R$ 1,384 bilhão, e Ebitda avançou 18,4%, para R$ 282,3 milhões.


TAURUS teve lucro líquido de R$ 97,4 milhões no segundo trimestre, salto de 193,4%, impulsionado por reembolso de tarifas nos Estados Unidos. Receita caiu 10,3%, para R$ 360,9 milhões.


BRISANET teve lucro líquido de R$ 26 milhões no segundo trimestre, mais de quatro vezes o resultado de um ano antes. Receita cresceu 16%, para R$ 475,9 milhões.


CSU DIGITAL teve lucro líquido de R$ 20,1 milhões no segundo trimestre, queda de 15,2%. Receita cresceu 13,8%, para R$ 176,1 milhões, e Ebitda avançou 3,6%, para R$ 49,2 milhões.


ESPAÇOLASER reverteu lucro e registrou prejuízo de R$ 5,6 milhões no segundo trimestre. Receita caiu 3,5%, para R$ 257,5 milhões, e Ebitda ajustado recuou 23,5%, para R$ 49,4 milhões.

Call Matinal

12/08/2026

Julio Hegedus Netto, economista

MERCADOS EM GERAL

FECHAMENTO (1108)

MERCADOS

Na terça-feira (11), o Ibovespa caiu 2,50%, aos 167.874,64 pontos, com giro de R$ 23,6 bilhões. Ao que parece, o “preço” das eleiçoes já começa a incorporar no Ibovespa. Já o dólar destoou do exterior e avançou 0,98%, para R$ 5,1608, com saída de capital estrangeiro dos ativos domésticos. Alem disso, o JP Morgan rebaixou a recomendação da bolsa brasileira para neutra, citando piora na percepção de risco fiscal ligada ao processo eleitoral. Em agosto, os estrangeiros tiraram R$ 5,55 bilhões da B3.

PRINCIPAIS MERCADOS

Mercados em NY operando em alta, com os investidores de olho no CPI, a definir os rumos do Fed.

MERCADOS 5h30

 

EUA

Índices

Comentários

 

Dow Jones Futuro: +0,04%

S&P 500 Futuro: +0,15%

Nasdaq Futuro: +0,49%

Os índices futuros dos EUA operam em alta nesta quarta-feira (12), com os investidores aguardando o índice preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) nos EUA, que provavelmente determinará a direção das taxas de juros no curto prazo.

Ásia-Pacífico

Shanghai SE (China), +0,32%

Nikkei (Japão): +0,83%

Hang Seng Index (Hong Kong): -0,83%

Nifty 50 (Índia): -0,77%

ASX 200 (Austrália): -0,45%

 

Europa

STOXX 600: -0,02%

DAX (Alemanha): +0,16%

FTSE 100 (Reino Unido): -0,10%

CAC 40 (França): -0,28%

FTSE MIB (Itália): +0,09%

 

Commodities 

Petróleo WTI, +0,58%, a US$ 83,66 o barril

Petróleo Brent, +0,53%, a US$ 89,37 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +0,07%, a 705,50 iuanes (US$ 104,59)

Bitcoin, +0,60%, a US$ 63.714,58

 

O barril de petróleo quase em US$ 90 — Houthis mataram 6 pessoas em ataque no Mar Vermelho, e os EUA atacaram navio no Golfo de Omã. Dois corredores de energia global sob ataque simultâneo. 

Dia 1208

Amanhecemos nesta quarta já mobilizados pelo mal humor nas bolsas, em que mais de R$ 5,5 bilhoes ja foram tirados pelos estrangeiros. Nos EUA, dia de CPI, importante por balizar os próximos passos do Fed. Expectativa é de +0,1% no mês e +3,4% no ano. "A chance de alta do Fed em setembro está em 50-50 — o CPI de hoje decide". Na geopolítica da Guerra do Oriente Médio, o petróleo está quase em US$ 90 — Houthis mataram 6 pessoas em ataque no Mar Vermelho, e os EUA atacaram navio no Golfo de Omã. Dois corredores de energia global sob ataque simultâneo. Difícil enxergar um desfecho de paz.

Agenda

Quarta-feira, 1208

05h00 – França: AIE – Relatório mensal de petróleo

09h00 – Brasil: IBGE – Pesquisa Mensal de Serviços (jun)

09h30 – EUA: Inflação do CPI (jul)

11h30 – EUA: DoE – Estoques de petróleo

14h30 – Brasil: BC – Fluxo cambial semanal

Áustria: Opep – Relatório mensal de petróleo

Bankinter Matinal Portugal

 Análise Bankinter Portugal


NY -0,3% US tech -0,3% US semis +0,9% UEM +0,2% España +0,2% VIX 15,3% Bund 3,16% T-Note 4,68% Spread 2A-10A USA=+47pb B10A ESP 3,60% PT 3,49% FRA 3,98% ITA 3,95% Euribor 12m 2,91% (fut. 3,12%) USD 1,153 JPY 183,8 Ouro 4.390$ Brent 89,7$ WTI 84,0$ Bitcoin -0,1% (63.600$) Ether +0,3% (1.886$)

:: SESSÃO: Novos ataques no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho mantêm a tensão no M. Oriente e diluem as expetativas de um acordo em breve entre os EUA e o Irão, que o Ministro da Defesa do Paquistão tinha antecipado. Por isso, o petróleo mantém-se sob pressão, avança +7,1% esta semana e já supera os 89 $. Como se não bastasse, a Coreia do Norte lançou um novo míssil esta madrugada, enquanto os EUA e a Coreia do Sul se preparam para as suas manobras militares anuais, que Pyongyang considera uma ameaça. Embora o mercado tenha ignorado este assunto. O Kospi avança +4% aprox. porque parece que Temasek, fundo soberano de investimento de Singapura, está interessado em investir em Samsung (+6,7%) e SK Hynix (+5,4%).

Além da geoestratégia, o IPC americano será a chave da sessão. O mercado desconta um abrandamento em julho, até +3,4% desde +3,5% na taxa geral e até +2,5% desde +2,6% na subjacente. Seriam notícias magníficas. Convém ter em mente que o petróleo (WTI) avançou +22% aprox. no mês passado. Com o emprego a debilitar-se e a inflação a moderar-se pelo segundo mês consecutivo, se tudo sair como esperado, acalmaria o receio de uma subida de taxas de juros por parte da Fed, e as bolsas e as obrigações celebrariam. Continuamos a defender que o pico da inflação já aconteceu nos EUA e o nosso cenário central antecipa como próximo movimento uma descida de taxas de juros, mas já em 2027.

Na frente micro, a campanha de resultados do 2T vai perdendo intensidade, mas as empresas que continuam a publicar oferecem boas notícias. Entre elas, E.ON esta manhã e ontem, após o fecho de N. Iorque, CoreWeave (+15% em aftermarket) e Super Micro Computer (+8%).


:: CONCLUSÃO: Se a inflação cumprir o estimado, as bolsas deverão ganhar inércia. Especialmente a tecnologia e os semis, que hoje também se verão impulsionados pelos resultados de ontem após o fecho. Desde que o fluxo de notícias do M. Oriente não se intensifique.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Cooperativas

 


O agronegócio brasileiro ensina uma lição poderosa sobre negócios:


ninguém precisa crescer sozinho.

O cooperativismo agrícola transforma produtores individuais em uma força econômica coletiva.

Na prática, funciona assim:

o produtor se associa → ganha escala → reduz custos → melhora o acesso a tecnologia e crédito → amplia seu poder de negociação → captura mais valor.

E o resultado aparece nos números.

Entre as maiores cooperativas do agro brasileiro estão organizações que movimentam bilhões de reais em receita, mostrando que cooperação e eficiência empresarial podem caminhar juntas.

Mas existe uma lição ainda maior:

cooperativismo não é apenas dividir resultados. É construir capacidade competitiva.

Quando pequenos e médios produtores se organizam, conseguem acessar mercados, tecnologia, logística e conhecimento que, individualmente, poderiam ser muito mais difíceis de alcançar.

Para o empresário, fica uma reflexão:

crescer não significa necessariamente fazer tudo sozinho.

Às vezes, a maior vantagem competitiva está em saber com quem crescer.

No agro, cooperar virou estratégia.

E estratégia bem executada gera escala, eficiência e valor.

Você acredita que o modelo cooperativista pode ser aplicado com a mesma força em outros setores da economia?

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