Os indicadores de atividade finalmente começam a sinalizar uma desaceleração mais clara da economia brasileira. O CAGED, a PNAD e a produção industrial (divulgada hoje) de maio vieram abaixo do esperado, indicando perda de fôlego no mercado de trabalho, no consumo e nos investimentos após um primeiro trimestre bastante forte. Ainda existem sinais pontuais de melhora na confiança e na indústria, possivelmente impulsionados pelos estímulos recentes, mas, por enquanto, esse não parece ser o cenário predominante.
Esse ambiente abre espaço para o BCB conduzir um novo corte de 25bps na reunião de agosto com uma base de dados mais consistente. Diferentemente da decisão anterior, agora a combinação de atividade mais fraca, mercado de trabalho menos aquecido e inflação em desaceleração tende a dar maior respaldo à flexibilização da política monetária.
O mercado de juros já começou a refletir essa mudança de cenário, revertendo parte da abertura observada após o último Copom. Ainda assim, o movimento dependerá da continuidade dessa dinâmica, em um ambiente que segue cercado por riscos relevantes, como uma eventual reaceleração da atividade impulsionada pelos estímulos, o quadro fiscal desafiador e o aumento da influência do calendário eleitoral sobre os ativos brasileiros.
Caso este movimento se confirme, pode vir a ser um vetor de sustentação a ativos de duration (leia-se, sensíveis a juros) no Brasil.
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