quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Call Matinal

13/08/2026

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL

 

FECHAMENTO (1208)

MERCADOS

Na quarta-feira (12), o Ibovespa recuou 0,23%, a 167.491 pontos. Volume chegou a R$ 24,2 bilhões. O Dólar se valorizou 0,36% R$ 5,18.

 

PRINCIPAIS MERCADOS

Mercados em NY aguardam o índice de preços ao produtor (PPI) de julho, divulgado nesta quinta, para avaliar se as pressões inflacionárias seguem arrefecendo e calibrar as apostas para a próxima decisão do Fed. O indicador está previsto para sair às 9h30

 

 

MERCADOS 5h30

 

EUA

Índices

Comentários

 

Dow Jones Futuro: +0,16%

S&P 500 Futuro: +0,13%

Nasdaq Futuro: -0,02%

Os índices futuros dos EUA operam em alta nesta quinta-feira (13), após o índice de preços ao consumidor (CPI) de julho reforçar as expectativas de que o Federal Reserve (Fed) não aumentará as taxas de juros no próximo mês.

Ásia-Pacífico

 

 

 

Shanghai SE (China), -0,50%

Nikkei (Japão): +1,16%

Hang Seng Index (Hong Kong): -0,17%

Nifty 50 (Índia): -0,20%

ASX 200 (Austrália): -0,23%

 

Europa

 

 

 

STOXX 600: +0,14%

DAX (Alemanha): +0,45%

FTSE 100 (Reino Unido): -0,40%

CAC 40 (França): +0,14%

FTSE MIB (Itália): +0,42%

 

Commodities

 

 

 

🛢️Petróleo WTI, -1,32%, a US$ 82,17 o barril

Petróleo Brent, -1,30%, a US$ 87,82 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, -0,21%, a 705,00 iuanes (US$ 104,54)

Bitcoin, +0,68%, a US$ 63.740,36

 

 

Dia 1308

 

Mercado local vive uma onda de venda de estrangeiros, talvez na desconfiança do calend[ario eleitoral e da torpeza dos candidatos a frente. Caiado, Zema, ainda nao ameaçam a liderança dos nefastos Lula da Silva e Flavio Bolsonaro, e isso tudo piora. Contribui para isso a total alienaç]ao dos candidatos em discutir com seriedade a agenda fiscal. Partiremos para um programa de ajuste estrutural, ou apenas mais puxadinhos e improvisos, nao alterando a pessimal qualidade das despesas.

Nos EUA, depois de o CPI americano trazer algum alívio, o PPI de hoje coloca novamente à prova as apostas de que o Fed poderá manter as taxas em setembro, enquanto o impasse em Ormuz continua sustentando os riscos para a inflação e a volatilidade do petróleo. No Brasil, a desaceleração da atividade ganha novo teste com as vendas do comércio de junho, em meio à expectativa de mais um corte da Selic em setembro.


Agenda

Quinta-feira, 1308

Além do PPI, das vendas do comércio e dos balanços, a agenda desta quinta-feira traz os pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA, às 9h30, com expectativa de 204,5 mil solicitações, ante 199 mil na semana anterior.

  

Dia do Economista, 1308

“O papel mais valioso da profissão não é validar consensos. É preservar, em qualquer época e sob qualquer pressão, o espírito crítico que trata toda política pública como hipótese a ser testada, nunca como uma verdade a ser celebrada.”

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: PPI nos EUA e varejo no Brasil põem juros à prova*

Ativos locais continuam fragilizados pela saída de estrangeiros e pela proximidade eleitoral, que reforça os riscos fiscais

… Depois de o CPI americano trazer algum alívio, o PPI de hoje coloca novamente à prova as apostas de que o Fed poderá manter as taxas em setembro, enquanto o impasse em Ormuz continua sustentando os riscos para a inflação e a volatilidade do petróleo. No Brasil, a desaceleração da atividade ganha novo teste com as vendas do comércio de junho, em meio à expectativa de mais um corte da Selic em setembro. Os ativos locais, porém, continuam fragilizados pela saída de estrangeiros e pela proximidade eleitoral, que reforça os riscos fiscais. Na temporada de balanços, o mercado repercute os números do Banco do Brasil e da Suzano e espera, após o fechamento, Nubank e Cemig.

ORMUZ SEGUE BLOQUEADO – A disputa entre Estados Unidos e Irã chegou ontem à narrativa sobre quem controla o Estreito de Ormuz.

… Depois de Donald Trump afirmar que os americanos têm “total controle” da passagem, Teerã respondeu à noite que a rota continua bloqueada e não será reaberta enquanto suas condições não forem aceitas por Washington.

… O Irã também afirmou que grandes embarcações não poderão atravessar o estreito por “questões de segurança”.

… Na prática, o impasse já força o mercado a buscar alternativas: os Emirados Árabes Unidos estão oferecendo transportar petróleo iraquiano por Ormuz em “modo sombra”, com localizadores dos navios desligados e as cargas transferidas para outras embarcações fora do Golfo.

… Enquanto isso, o Paquistão tenta costurar uma trégua de 60 dias entre Estados Unidos e Irã para dar mais tempo às negociações. Mas nem sobre essas conversas há consenso: os mediadores dizem que as tratativas continuam, enquanto Teerã nega negociar com Washington.

… Mesmo com Ormuz longe de uma solução, o petróleo fechou praticamente estável ontem, espremido entre a geopolítica e fundamentos mais fracos. O Brent para outubro subiu apenas 0,08%, a US$ 88,98 por barril, com um salto dos estoques americanos.


… No mercado eletrônico, a commodity caía mais de 1%, diante da previsão da Opep de menor demanda no ano.


PPI TESTA O ALÍVIO DO CPI – Depois de o CPI reforçar as apostas de manutenção dos juros pelo Fed em setembro, o mercado recebe hoje mais um teste para esse cenário. O PPI de julho sai às 9h30, com expectativa de alta de 0,1% no mês, após queda de 0,3% em junho.


… Também o núcleo da inflação ao produtor deve acelerar ligeiramente, de 0,2% para 0,3%.


… O CPI trouxe ontem algum alívio às preocupações com os efeitos da guerra sobre a inflação americana, ao vir dentro do esperado.


… O índice subiu 0,1% em julho e desacelerou de 3,5% para 3,4% em 12 meses, enquanto o núcleo avançou 0,2% no mês e 2,5% na comparação anual, em linha com as projeções.


… Os números mantiveram majoritária a aposta de que o Fed deixará os juros inalterados em setembro, embora o mercado ainda atribua uma chance relevante a uma alta.


… A reação apareceu principalmente na ponta curta dos Treasuries, enquanto os juros longos foram pressionados pela preocupação fiscal.


… A questão fiscal pode estar começando a preocupar nos Estados Unidos, onde o déficit orçamentário atingiu US$ 432 bilhões em julho, o maior desde março de 2021, elevando o rombo acumulado no ano fiscal de 2026 para US$ 1,8 trilhão.


… Sobre as expectativas para os juros, ainda é cedo para dizer. Até a reunião de setembro, o Fed ainda terá pela frente mais duas leituras de inflação, o PCE de julho e o CPI de agosto, além de mais um relatório do payroll e a reunião de Jackson Hole, no final do mês.


ATIVIDADE DESACELERA – Aqui, depois de os serviços reforçarem os sinais de perda de fôlego da economia, o mercado recebe hoje mais um dado importante da atividade. O IBGE divulga às 9h as vendas do comércio de junho, com expectativa de nova queda do varejo ampliado.


… A mediana do Projeções Broadcast aponta recuo de 1,4% ante maio, quando as vendas já haviam caído 0,2%. Se confirmada, será a terceira queda mensal consecutiva, com veículos, material de construção e atacarejo entre as principais pressões.


… Já o varejo restrito deve avançar 0,2%, após alta de 0,1% em maio, puxado principalmente por uma recuperação das vendas dos supermercados. Economistas alertam, porém, que o resultado não representaria uma retomada mais firme do consumo.


… Ontem, o volume de serviços ficou estável em junho, acima da queda de 0,2% esperada pelo mercado, mas ainda compatível com um cenário de enfraquecimento da atividade, que sustenta as apostas em novo corte da Selic em setembro.


… A Capital Economics avalia que a economia está perdendo impulso rapidamente e que a combinação de atividade mais fraca e desinflação reforça o argumento para um novo corte dos juros em setembro.


… A consultoria deve reduzir sua projeção para o PIB do segundo trimestre de 0,7% para algo entre 0,4% e 0,5%.


… A curva de juros embute atualmente uma redução de 0,25 ponto porcentual como aposta majoritária.


GALÍPOLO – Às 14h30, Gabriel Galípolo participa da abertura do evento que comemora os 30 anos de atuação do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), em São Paulo.


… O evento é aberto à imprensa e eventuais comentários do presidente do BC sobre a política monetária devem ficar no radar do mercado.


BANCO DO BRASIL – BB divulgou ontem à noite lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre, alta de 3,3% em um ano e 13,9% ante o 1TRI. O resultado ficou 9% acima do esperado, mas veio acompanhado de aumento da inadimplência e pressão das provisões.


… O banco também anunciou o pagamento de R$ 584,9 milhões em juros sobre capital próprio (JCP), equivalentes a R$ 0,10 por ação.


… Já a Suzano reportou lucro líquido de R$ 1,807 bilhão, queda de 64% em um ano, enquanto o Ebitda ajustado recuou 23%, a R$ 4,705 bilhões, em linha com as projeções. Ainda assim, os ADRs da companhia subiram 2,62% no after hours em Nova York.


… Também o ADR da Braskem avançou 2,94% no pós-mercado, recuperando parte da queda de 7,69% registrada durante o pregão na B3, em meio aos rumores de que a petroquímica avalia pedir recuperação judicial ainda este mês.


CISCO – Depois que as ações ligadas à inteligência artificial voltaram a se destacar ontem em Wall Street (abaixo), a Cisco caiu 2,9% no after hours, mesmo após superar as previsões de lucro e receita, impulsionada pela demanda. No ano, porém, acumula alta de 60%.


… A companhia teve lucro de US$ 3,86 bilhões, ou US$ 1,22/ação, enquanto a receita somou US$ 17,3 bilhões. Só no trimestre, a Cisco recebeu US$ 4 bilhões em pedidos de infraestrutura de IA de grandes provedores de nuvem, elevando o total no ano fiscal a US$ 9,3 bilhões.


… Já a Cerebras tombou 14% após registrar prejuízo líquido de US$ 450,5 milhões no trimestre, embora tenha elevado seu guidance para o ano.


MAIS BALANÇOS – O Nubank é um dos destaques da agenda de resultados desta quinta-feira, após o fechamento.


… A expectativa é de lucro recorde de US$ 958 milhões no segundo trimestre, segundo a média do Prévias Broadcast, alta de 50% em um ano e de 10% ante os três primeiros meses de 2026.


… A Cemig também divulga balanço à noite, com previsão de lucro líquido de R$ 893 milhões, queda de quase 25% na comparação anual.


… A agenda após o fechamento tem ainda Stone, Nubank, Braskem, Cemig, MBRF, Azul, CPFL Energia, Cyrela, IRB Re, Raízen, Yduqs, 3Tentos, Compass, Even, Fertilizantes Heringer, Light, M. Dias Branco, Petz Cobasi e Grupo Mateus. Antes da abertura, Bradespar, JHSF e Banrisul.


… Confira abaixo no Cias Abertas todos os balanços de ontem à noite!


MAIS AGENDA – Além do PPI, das vendas do comércio e dos balanços, a agenda desta quinta-feira traz os pedidos semanais de auxílio-desemprego nos Estados Unidos, às 9h30, com expectativa de 204,5 mil solicitações, ante 199 mil na semana anterior.


… O mercado acompanha ainda falas de dirigentes do Fed, com Beth Hammack/ Cleveland (9h15) e Tom Barkin/Richmond (9h40).


… No Brasil, o BC faz às 11h30 oferta de até 50 mil contratos de swap cambial, equivalentes a US$ 2,5 bilhões, para a rolagem de setembro. E, às 11h45, o Tesouro realiza o leilão semanal de NTN-F e LTN.


FUTURO DO BRB PODE SER DECIDIDO HOJE – O STF realiza às 16h15 uma nova reunião de conciliação que pode ser decisiva para o socorro ao Banco de Brasília (BRB), que afirma precisar de recursos até o fim deste mês para se manter de pé.


… O encontro, conduzido pelo ministro Luiz Fux, será aberto à imprensa.


… O impasse envolve um aporte de R$ 6,6 bilhões do FGC, com garantias de um consórcio dos maiores bancos do País, que resistem ao socorro afirmando que ainda não receberam todas as informações necessárias para avaliar a operação.


… Entre os documentos cobrados estão as demonstrações financeiras auditadas de 2025 e do primeiro semestre deste ano. O BRB, que não divulga balanço desde o fim do ano passado, sustenta que os bancos envolvidos e o BC têm acesso à sua contabilidade.


… O governo do Distrito Federal acusa o Fundo Garantidor de Créditos e a União de inércia.


… O impasse foi resumido por uma fonte como um “Tostines às avessas”: o BRB diz que só divulgará o balanço depois da capitalização, enquanto o aporte depende justamente da análise das contas do banco. O governo do DF acusa o FGC e a União de inércia.


… Nos bastidores, há ainda temor de que o STF possa conceder uma liminar obrigando o Fundo Garantidor de Créditos a participar do socorro, diante dos cerca de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais mantidos no BRB.


… O FGC argumenta que não é parte do acordo firmado entre a União e o governo do DF e que não pode ser obrigado a salvar a instituição.


… Participam da reunião representantes do governo do DF, União, Fazenda, FGC, BRB, Banco do Brasil e Banco Central.


CONGRESSO APROVA PLP DOS COMBUSTÍVEIS COM JABUTIS – Câmara e Senado aprovaram ontem à noite o projeto que permite ao governo reduzir os tributos sobre combustíveis para amenizar os efeitos da guerra no Oriente Médio. Segue agora para sanção.


… Pela proposta, as renúncias com a redução dos tributos sobre diesel, gasolina, etanol, biodiesel e querosene de aviação poderão ser compensadas em 2026 pelo aumento extraordinário da arrecadação federal com petróleo e gás.


… O projeto também prevê subvenção de até R$ 1,2 bilhão aos produtores de etanol e foi bastante ampliado durante a tramitação.


… Entre os “jabutis” estão incentivos à produção de fertilizantes e minerais críticos, benefícios relacionados à Copa do Mundo Feminina de 2027 e a possibilidade de antecipar até R$ 3 bilhões do Fundo Social para gastos com saúde e educação.


… Há ainda até R$ 2,5 bilhões adicionais para projetos estratégicos de defesa fora da meta fiscal e do limite de despesas.


… Para compensar o custo fiscal dos novos benefícios, o governo negociou uma trava para as despesas. Se o relatório que antecede o envio do Orçamento apontar déficit primário, no ano seguinte, as despesas vinculadas não poderão crescer acima do limite do arcabouço fiscal.


… O texto também impede que as receitas extraordinárias do petróleo sejam usadas no cálculo das despesas vinculadas à receita corrente líquida.


CURTAS DA POLÍTICA – Mais uma pesquisa da corrida presidencial será divulgada hoje. O PoderData apresenta novo levantamento sobre a disputa pelo Palácio do Planalto, em meio ao aumento da volatilidade dos ativos brasileiros com a aproximação das eleições.


EXPORTAÇÕES. A Câmara aprovou o projeto que autoriza a criação do Fundo de Crédito à Exportação (FCE), destinado a financiar exportadores de bens e serviços, inclusive em operações de capital de giro, compra de máquinas e investimentos. O texto segue para sanção.


… O fundo terá operações a cargo do BNDES e poderá receber recursos do Orçamento da União e do Fundo de Garantia à Exportação (FGE).


ENERGIA. Lula assinou quatro decretos para o setor, incluindo a regulamentação da abertura do mercado livre de energia para consumidores de baixa tensão.


… Pelo cronograma, consumidores industriais e comerciais poderão escolher seus fornecedores até novembro de 2027 e os residenciais, até novembro de 2028. O governo estima potencial de redução de até 20% no custo da energia, sem considerar parcelas fixas, como tributos.


… Os outros decretos regulamentam o marco do hidrogênio de baixa emissão de carbono, as atividades de captura e armazenamento de carbono e o programa de combustível sustentável de aviação.


BRASIL-EUA. Celso Amorim afirmou que a nova estratégia dos Estados Unidos para as Américas busca relativizar a soberania dos países da região e inclui o Brasil entre seus potenciais alvos.


… O assessor especial de Lula confirmou ainda que o presidente decidiu não conceder agrément a nenhum novo embaixador estrangeiro até o fim das eleições. A medida também alcança a indicação americana de Daniel Perez para a embaixada em Brasília.


BLUSINHAS. A instalação da comissão mista que analisará a medida provisória da “taxa das blusinhas” foi remarcada para hoje, às 14h30, por falta de acordo sobre a presidência e a relatoria do colegiado.


SANGRANDO – Nova saída-monstro de capital externo foi identificada pela B3 na última segunda-feira, quando os estrangeiros retiraram mais R$ 1,7 bi, completando cinco sessões de saídas consecutivas, com fuga total de R$ 7,2 bi.


… É grande a expectativa pelo informe que será divulgado hoje, relativo ao pregão de dois dias atrás (quarta), marcado pelo rebaixamento do JPMorgan para as ações brasileiras e pelo trade eleitoral, que bate nos ruídos fiscais.  


… Mesmo depois da liquidação da véspera, o Ibovespa ampliou as perdas ontem, ainda que em baixa intensidade, e partiu para o seu sétimo pregão consecutivo no vermelho. Já acumula desvalorização de quase 6% neste mês.


… Um dia depois de ter perdido os 168 mil pontos, o Ibovespa fechou em baixa de 0,23%, aos 167.491,07 pontos. O volume ficou em R$ 24,2 bilhões, no pregão de vencimento de índice futuro e exercício de opções sobre o indicador.


… Os principais bancos recuaram majoritariamente e um profissional observou ao Broadcast que o gatilho negativo não parece estar ligado a fundamentos específicos do setor, mas a uma nova onda de vendas de papéis emergentes.


… Itaú PN recuou 1,46% (R$ 38,43) e Bradesco PN caiu 0,30% (R$ 16,74). BB perdeu 1,45% e fechou na mínima (R$ 19,00), horas antes do balanço. Santander unit foi exceção de novo, pensando na OPA, e subiu 0,34% (R$ 29,62).


… Petrobras também esteve novamente no alvo dos vendedores (PN, -0,50%, a R$ 41,45; e ON, -0,45%, a R$ 46,32), apesar do petróleo estável em patamares elevados. Já Vale subiu 0,74% (R$ 73,18), superando o minério (+0,14%).


… No topo do ranking de altas, Embraer saltou 4%, a R$ 96,18, e moderou as perdas da bolsa. A ação ainda festeja o balanço favorável e ontem tomou impulso extra da decisão do BTG de reiterar a recomendação de compra do papel.


… A continuidade de saída do fluxo de capital externo da B3 e a eleição no preço também continuam abalando o câmbio. O dólar encostou em R$ 5,18 e subiu 0,37%, para R$ 5,1799, apesar da inflação dovish nos Estados Unidos.


… As preocupações com cenário eleitoral e o fiscal, que caminham juntas, continuaram puxando os trechos mais longos dos juros futuros, que melhor refletem a percepção do investidor estrangeiro em relação ao Brasil.


… Já a ponta curta se comportou, porque a chance de novo corte da Selic em setembro continua como aposta principal, após o IPCA próximo de zero em julho e da ata do Copom, que manteve todas as possibilidades na mesa.


… A precificação de alívio na Selic não foi comprometida ontem pelo resultado do volume de serviços. O dado veio estável em junho e contrariou a previsão de queda de 0,2%, mas segue apontando uma atividade desaquecida.


… No fechamento, o DI para Jan/27 marcava 13,755% (de 13,761% no ajuste anterior); Jan/28, 13,935% (contra 13,914% na véspera); Jan/29, 14,250% (de 14,197%); Jan/31, 14,480% (de 14,432%); e Jan/33, 14,585% (14,530%).


TUDO CERTO, NADA RESOLVIDO – Quanto a um corte pelo Fed no mês que vem, o martelo ainda não foi batido.


… O CPI dentro do esperado trouxe alguma tranquilidade contra os alertas de inflação, mas não é decisivo, como se viu, porque o foco se desloca para os indicadores que ainda saem até a próxima reunião de política monetária.


… No placar das apostas do CME, a chance de o juro cair em setembro continua ganhando (60%), mas não é desprezível a projeção de pausa (40%), em meio aos alertas da ala mais conservadora dentro do BC americano.


… Muito provavelmente porque o próximo Fed ainda não está dado e tem muito jogo a ser jogado, as taxas dos Treasuries caíram pouco ontem e o índice DXY até subiu (+0,15%), retomando a linha dos 100 pontos (100,014).


… O euro recuou 0,15%, a US$ 1,1525, e a libra perdeu 0,10%, a US$ 1,3492. O CPI em linha com o consenso não impediu o iene de perder força (159,50 por dólar), indicando o esgotamento do efeito das intervenções cambiais.


… Entre os Treasuries, o juro da Note de 2 anos caiu a 4,199% (de 4,226%) e o de 10 anos, a 4,686% (de 4,691%).


… Já o rendimento do T-Bond de 30 anos subiu a 5,248% (de 5,240%) com o fiscal no foco, após dados mostrarem que o governo Trump tomou mais empréstimos nos 10 meses do ano fiscal de 2026 do que em 2025 inteiro.


… Também houve pouca empolgação nas bolsas em Nova York com a leitura sem sustos do dado de inflação. O Dow Jones fechou praticamente estável (-0,04%), aos 53.770,27 pontos, e o S&P 500 subiu 0,26%, para 7.748,50 pontos.


… Só o Nasdaq avançou com maior força (+0,54%), para 26.588,49 pontos, embalado pelas ações de tecnologia. Super Micro Computer disparou 17%, com investidores renovando as apostas na força da demanda pelo setor.


… SpaceX escalou 9,65% após reunião geral de Musk com funcionários para discutir IA, Starlink e o futuro da empresa. Nvidia ganhou 3% e CoreWeave avançou 19,28%, diante do prejuízo menor do que o esperado.


CIAS ABERTAS NO AFTER – VALE antecipou para o primeiro semestre de 2028 o início do projeto CPF em Salobo, no Pará. Projeto elevará a capacidade em 6 milhões de toneladas/ano e adicionará até 30 mil toneladas/ano de cobre.


CSN teve prejuízo líquido de R$ 773 milhões no segundo trimestre, 108,9% pior que o previsto pelo Broadcast. Receita cresceu 5,7%, para R$ 11,3 bilhões, e Ebitda ajustado avançou 4,9%, para R$ 2,77 bilhões.


CSN MINERAÇÃO teve lucro líquido de R$ 219 milhões no segundo trimestre, 7,6% acima das projeções do Broadcast. Receita caiu 15,8%, para R$ 2,867 bilhões, e Ebitda ajustado recuou 19,7%, para R$ 1,018 bilhão.


ULTRAPAR teve lucro líquido de R$ 1,677 bilhão no segundo trimestre, alta de 46%. Receita cresceu 22%, para R$ 41,521 bilhões, e Ebitda ajustado avançou 70%, para R$ 3,524 bilhões.


RAÍZEN protocolou na CVM pedido para converter seu registro de emissor da categoria B para A, no contexto da reestruturação societária e do plano de recuperação extrajudicial.


REDE D’OR teve lucro líquido de R$ 1,283 bilhão no segundo trimestre, 14,6% acima das projeções do Broadcast. Receita somou R$ 14,910 bilhões e Ebitda, R$ 2,903 bilhões, 0,8% acima do esperado.


HAPVIDA teve lucro líquido de R$ 12,5 milhões no segundo trimestre, um salto de 525% contra as projeções do Broadcast. Receita somou R$ 7,973 bilhões, em linha, e Ebitda ficou 20,4% abaixo do esperado, em R$ 504,4 milhões.


QUALICORP teve lucro líquido de R$ 31,7 milhões no segundo trimestre, alta de 63,3%. Receita líquida caiu 8,2%, para R$ 317,7 milhões.


ESPAÇOLASER. Fabio Itikawa renunciou aos cargos de CFO e diretor de RI, com efeito imediato. A CEO Magali Rogéria de Moura Leite assumirá as funções interinamente.


EQUATORIAL teve lucro líquido ajustado de R$ 110 milhões no segundo trimestre, queda de 83,5%. Receita cresceu 10,2%, para R$ 13,739 bilhões, e Ebitda ajustado avançou 0,8%, para R$ 2,925 bilhões.


ENEVA teve lucro líquido de R$ 31,2 milhões no segundo trimestre, queda de 91,4%. Receita cresceu 13,1%, para R$ 3,975 bilhões, e Ebitda ajustado caiu 25,8%, para R$ 1,238 bilhão.


TAESA concluiu a compra de cinco transmissoras da Energisa por R$ 1,638 bilhão. Os ativos adicionam R$ 305 milhões em receita anual permitida (RAP) e 1,3 mil km de linhas de transmissão.


SABESP teve lucro líquido ajustado de R$ 1,15 bilhão no segundo trimestre, queda de 41,2%. Receita ajustada cresceu 6,7%, para R$ 6,013 bilhões, e Ebitda ajustado caiu 3,2%, para R$ 3,503 bilhões.


COPASA teve lucro líquido ajustado de R$ 275,5 milhões no segundo trimestre, queda de 4,8%. Receita cresceu 8,9%, para R$ 2 bilhões, e Ebitda ajustado avançou 11,7%, para R$ 762 milhões.


RUMO teve lucro líquido ajustado de R$ 688 milhões no segundo trimestre, queda de 6%. Receita cresceu 6,2%, para R$ 3,9 bilhões, e Ebitda ajustado ficou estável em R$ 2,26 bilhões.


MINERVA teve lucro líquido de R$ 196,9 milhões no segundo trimestre, queda de 57%. Receita cresceu 1,3%, para R$ 14,1 bilhões, e Ebitda caiu 5,5%, para R$ 1,231 bilhão.


SLC AGRÍCOLA teve lucro líquido de R$ 245,1 milhões no segundo trimestre, alta de 75,3%. Receita atingiu recorde de R$ 2,2 bilhões e Ebitda avançou 4,3%, para R$ 580,8 milhões.


AZZAS teve lucro líquido recorrente de R$ 106,5 milhões no segundo trimestre, queda de 62,5%. Receita caiu 8,2%, para R$ 2,6 bilhões, e Ebitda recorrente recuou 29,1%, para R$ 379,6 milhões.


AMERICANAS teve prejuízo de R$ 274 milhões no segundo trimestre, piora de 179,6%. Receita caiu 1,7%, para R$ 3,3 bilhões, e Ebitda ajustado recuou 51,5%, para R$ 145 milhões.


COGNA teve lucro líquido de R$ 148,9 milhões no segundo trimestre, alta de 25,3%. Receita cresceu 17,8%, para R$ 1,961 bilhão, e Ebitda recorrente avançou 6,8%, para R$ 589,4 milhões.


SER EDUCACIONAL teve lucro líquido de R$ 106,3 milhões no segundo trimestre, alta de 30,7%. Receita cresceu 5,6%, para R$ 622 milhões, e Ebitda ajustado avançou 10,8%, para R$ 180,7 milhões.


MRV&CO teve prejuízo de R$ 626,3 milhões no segundo trimestre, 178% maior que o projetado pelo Broadcast. Receita de R$ 2,99 bilhões ficou em linha com as estimativas.


CYRELA informou que a Invesco elevou sua participação para mais de 5% das ações ordinárias da companhia.


CVC teve prejuízo líquido de R$ 72,5 milhões no segundo trimestre, aumento de 56,2%. Receita caiu 6,5%, para R$ 319,5 milhões, e Ebitda ajustado recuou 8,1%, para R$ 84,9 milhões.


LOCALIZA. Citi manteve recomendação de compra, mas reduziu preço-alvo de R$ 48 para R$ 45 após balanço. Ação ainda tem potencial de alta de 31,9%. Banco vê resiliência operacional e valuation como oportunidade de compra.


VITTIA reduziu prejuízo líquido em 15,4% no segundo trimestre na comparação anual, para R$ 17,915 milhões…


…  Receita líquida subiu 15,1%, para R$ 114,048 milhões, e Ebitda ajustado fica negativo em R$ 16,831 milhões, melhora de 19% na comparação anual.


STONE será excluída do MSCI Brazil a partir de 1º de setembro, sem inclusão de outra empresa. XP estima fluxo de saída de cerca de US$ 100 milhões com a mudança.

Bankinter Matinal Portugal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +0,3% US tech +0,7% US Semis +2,5%  UE -0,3% Espanha 0% VIX +14,6%. Bund 3,16%. T-Note 4,69%. Spread 2A-10A USA=+48,7pb B10A: ESP 3,60%  PT 3,49%  ITA 3,94%   FRA 3,98%. Euribor 12m 2,96% (fut.12m 3,11%). USD 1,152. JPY 183,7. Ouro 4.399,69$. Brent 88,89$. WTI 83,04$. Bitcoin -0,25% (63.896$). Ether +0,18% (1.898$).

 

A confirmação ontem da melhoria da inflação americana em julho (uma décima em baixa até +3,4% a/a Taxa Geral e +2,5% Subjacente) continua a retirar pressão à Fed para subir taxas de juros. Os mercados reagiram com estabilidade na yield do T-Note, perto de 4,69%, e -1,5 p.b. a 2 anos. As bolsas americanas em alta, lideradas pela tecnologia; enquanto as europeias registavam quedas, desde os máximos de terça-feira.


HOJE: amanhecemos com bom tom nas bolsas asiáticas (Coreia +4%; Japão +1,5%) e bom dado do PIB 2T no Reino Unido (+1,2% vs +1,1% esp). Sem novidades na frente geoestratégica. O preço do petróleo mantém-se abaixo dos 100 $/barril, o que permite manter alguma tranquilidade nos mercados, apesar da menor liquidez de verão ser capaz de gerar mais volatilidade a qualquer notícia.


No plano macroeconómico, novas referências de preços nos EUA de julho, neste caso Preços Industriais (13:30 h), onde também se antecipa melhoria (+4,9% vs. +5,5% ant.) e em relação ao mercado laboral, Petições Semanais de Desemprego (13:30 h), onde se antecipa estabilidade.


Sessão de “baixa intensidade” com autorização da geoestratégia, mas com dados macro positivos e o apoio da boa temporada de resultados empresariais, deve manter-se o bom tom de fundo.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Gustavo Franco, por Edmar Bacha

É uma alegria poder saudar, no vigor de seus setenta anos, meu amigo Gustavo Henrique de Barroso Franco — economista, historiador, literato, polemista e homem de ação. Celebrar sua trajetória intelectual é revisitar a história econômica recente do Brasil. Ao mesmo tempo, celebre o espírito de uma geração de economistas que escolheram enfrentar os problemas do país com rigor e coragem, desde sempre com a moda e a ironia da boa prosa.


Escrevi este texto – e agora o leio – com afeto redobrado. Gustavo foi meu aluno, assistente de pesquisa, colega de departamento, companheiro no governo e, ao longo de décadas, um generoso interlocutor intelectual. Mas seria injusto confinar esta homenagem ao plano das memórias afetivas. A obra de Gustavo Franco é extensa, variada e notavelmente original.

Gustavo ingressou no curso de economia da PUC-Rio em 1975 e concluiu a graduação em 1979. Lembro-me bem do período em que ele foi meu assistente de pesquisa na preparação do livro Introdução à Macroeconomia. Havia nele uma combinação invulgar de instinto analítico e sensibilidade literária — traço que marcaria toda a sua produção posterior.

Concluída a graduação, ingressou no mestrado da PUC-Rio. O ambiente intelectual do departamento era amadurecido: estávamos redefinindo a compreensão do conhecimento inflacionário brasileiro. Gustavo absorveu esse fermento, e escreveu uma dissertação sobre a aurora republicana e sua primeira grande crise: a euforia especulativa e o colapso do Encilhamento. A tese conquistou o Prêmio BNDES de Economia para dissertações de mestrado. Publicada com o título Reforma Monetária e Instabilidade durante a Transição Republicana (BNDES, 1983), tornou-se referência obrigatória para o período que estuda.

Com o prestígio adquirido no mestrado, Gustavo foi admitido nos programas de doutorado de Chicago, Yale e Harvard. Escolheu Harvard, onde se concentrou em dois campos: economia internacional, sob orientação de Jeffrey Sachs, e história econômica, com Barry Eichengreen — tendo Lance Taylor como terceiro membro do comitê de tese.

Sua tese de doutorado, defendida em 1986, examina as hiperinflações da Alemanha, Áustria, Hungria e Polônia após a Primeira Guerra Mundial. Dois artigos resultados da tese tiveram repercussão acadêmica específica. “The Rentenmark Miracle” -- publicado na Rivista di Storia Economica em 1987 e republicado em coletânea organizada por Barry Eichengreen em 1991 -- sustentava que a Rentenmark foi etapa crucial -- e não meramente cosmética, como argumentava Thomas Sargent — da estabilização alemã de 1923. Já “Fiscal Reforms and Stabilization: Four Hyperinflation Cases Examined”, publicado no Economic Journal em 1990, questionava a ênfase de Sargent na pura mudança do regime fiscal, destacando o papel das reformas monetárias e do processo de desdolarização na consolidação da estabilidade.

Poucas obras acadêmicas tiveram impacto prático tão direto. Quando, anos mais tarde, Gustavo se sentou à mesa para ajudar a projetar o Plano Real, não estava especulando no vazio: estava aplicando as lições que havia extraídas de vasta literatura histórica e econômica.

Gustavo voltou ao Brasil em setembro de 1986 para o Departamento de Economia da PUC-Rio, onde seria professor assistente e, a seguir, associado, até 1993.

*

Em maio de 1993, quando Fernando Henrique Cardoso assumiu o Ministério da Fazenda, foi convidado para ser Secretário Adjunto de Política Econômica. A inflação brasileira estava próxima de 30% ao mês. A tarefa era hercúlea. Em setembro de 1993, quando Pedro Malan foi nomeado presidente do Banco Central, Gustavo passou a ocupar a Diretoria de Assuntos Internacionais do Banco.

A contribuição de Gustavo Franco para o Plano Real foi amplo e multiforme. Foi um dos idealizadores e o relator do singular padrão bimonetário conhecido como URV. A inspiração histórica era clara: o mecanismo lembrava, em sua lógica, a introdução da Rentenmark que ele havia estudado em Harvard.

A contribuição de Gustavo não se limitou à economia. Ele tomou para si a tarefa de ajudar a redigir as peças jurídicas que dariam suporte ao Plano. Seu talento para a redação clara e precisa foi ali colocado a serviço de um objetivo histórico.

Registro de dois episódios que ilustram bem seu caráter. Quando a Medida Provisória que instituiu a URV estava sendo finalizada, eu precisei informar a Gustavo que teríamos que incluir um mecanismo de indexação dos exercícios — sem ele, a MP não passaria no Congresso. Ele ficou visivelmente decepcionado. Mas, depois do lamento, fez a nova redação — mantendo o mecanismo dentro dos limites mais restritos possíveis — e a MP foi aprovada. Era a combinação que marcaria toda a sua vida pública: a fidelidade aos princípios e a lucidez sobre os limites do possível.

Três anos depois, em janeiro de 1998, quando Gustavo já presidia o Banco Central, Itamar Franco publicou em O Globo um artigo intitulado “As inverdades do Sr. Gustavo Franco”, contestando o relato de Gustavo sobre a reunião em que se decidiu o mecanismo de conversão dos trens pela URV. Gustavo respondeu, também no O Globo . A resposta era precisa, detalhada e implacável: reconstruía o ponto a ponto a sequência da reunião, identificava os equívocos do ex-presidente e concluía com a pergunta: quatro anos depois do fato, e três anos depois da publicação do livro, o que quer o ex-presidente? Era Gustavo em estado puro: a recusa em deixar que a névoa política distorcesse o registro histórico, combinada com uma prosa ao mesmo tempo rigoroso e cortante.

A desvalorização do Real em janeiro de 1999 encerrou sua gestão no Banco Central. A sequência dos eventos — flutuação cambial sem crise bancária, adoção do regime de metas de inflação, preservação dos fundamentos institucionais construídos pelo Real — confirmaria que as bases condicionais na gestão de Gustavo Franco foram bastante mais sólidas do que a turbulência do momento sugerida.

*

A reflexão acadêmica e ensaística sobre o Plano Real ocupa lugar central na obra de Gustavo Franco. O ponto de partida é The Real Plan and the Exchange Rate (Princeton Essays in International Economics nº 217, 2000). Em português, o primeiro livro é O Plano Real e Outros Ensaios (Francisco Alves, 1995). Seguem-se O Desafio Brasileiro: Ensaios sobre Desenvolvimento, Globalização e Moeda (Editora 34, 1999) e Crônicas da Convergência: Ensaios sobre Temas Já não tão polêmicos (Topbooks, 2006).

Acrescenta-se a esse conjunto A Moeda e a Lei: Uma História Monetária Brasileira, 1933–2013 (Zahar, 2017), sínteses notáveis ​​de história institucional e análise econômica que abrange oito décadas de relações entre o poder político e o sistema político no Brasil.

Em 2024, Gustavo Franco especifica uma coleção de ensaios seus, de Pedro Malan e meus, escritos “no calor do momento”, como diz o subtítulo do livro. Os ensaios retratam as diversas etapas que passaram o plano, ao longo das presidências de FHC, Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro. Nas comemorações dos 30 anos do Real, o livro ajudou a lembrar o país da importância daquele feito histórico então, devidamente comemorado.

Uma das características mais singulares de Gustavo Franco é sua recusa em permanecer dentro das fronteiras convencionais da profissão. Ao longo dos anos em que foi construindo a Rio Bravo Investimentos, publicou uma série de livros que apresenta uma exploração fascinante das interseções entre literatura e economia.

O primeiro foi A Economia em Machado de Assis: O Olhar Oblíquo do Acionista (Jorge Zahar, 2007), em que Gustavo seleciona e comenta cerca de quarenta crônicas do Bruxo do Cosme Velho. Segue-se A Economia em Pessoa (Jorge Zahar, 2007), que explora os escritos do poeta português sobre economia, finanças e desenvolvimento. E depois Shakespeare e a Economia (Jorge Zahar, 2009), com um ensaio de Gustavo sobre o retrato do capitalismo nascente nas peças do Bardo. Vale ainda mencionar Dinheiro e Magia (2011), edição brasileira de cenas econômicas do Fausto de Goethe, para a qual Gustavo escreveu o posfácio “Fausto e a tragédia do desenvolvimento brasileiro”.

Gustavo Franco tem uma veia irônica que os leitores de seus artigos de jornal conheçam bem, mas que encontraram sua expressão mais elaborada em dois projetos editoriais significativos. O primeiro é As Leis Secretas da Economia: Revisitando Roberto Campos e as Leis do Kafka (Zahar, 2012). O segundo é a série Antologia da Maldade (Zahar, Vol. I, 2014; Vol. II, 2022), produzida em parceria com Fábio Giambiagi.

Em 2010, Gustavo publicou Cartas a um Jovem Economista. Na segunda edição (Intrínseca, 2022), foi incluído um capítulo inteiro sobre a influência que diz ter recebido de mim na sua formação intelectual. Foi um gesto que me tocou profundamente, e que revela uma dimensão de Gustavo que a sua persona pública, feita de ironia e combatividade, deixa raramente transparecer -- a da afetividade genuína.

*

Ao olhar para a trajetória de Gustavo Franco, o que sobressai não é apenas a extensão da obra ou a variedade dos papéis desempenhados. É uma forma rara de ser intelectual: o economista que também é historiador, que é também literato, que é também polemista, que é também homem de ação — e que faz tudo isso com o mesmo alto padrão de qualidade.

A economia brasileira dos últimos trinta anos não se entende sem o Plano Real, e o Plano Real não se entende sem Gustavo Franco. Mas o Gustavo Franco que quero celebrar aqui não é apenas o arquiteto de uma estabilização bem-sucedida. É o jovem que analisou meu manuscrito de macroeconomia com os olhos de quem já sabia que queria ser mais do que um tecnocrata. É o mestrando que escolheu estudar o Encilhamento para entender os problemas do presente através das lições do passado. É um doutor que foi em Harvard estudar as hiperinflações europeias dos anos 1920 porque intuiu que aquelas histórias eram relevantes para entender a hiperinflação no Brasil. É o servidor público que estava lá quando o país mais dele precisou e entregou o que prometeu: moeda estável, inflação vencida. É o professor que, ao se aposentar, escreveu um livro de cartas para jovens economistas — passando adiante, com generosidade, tudo o que aprendeu sobre o que significa ser um economista que importa.

É do capítulo deste livro sobre nosso relacionamento que retiro minhas últimas palavras, aliás palavras dele mesmo, parcialmente adaptadas:

Gustavo, a vida continua e permanecemos juntos na ativa de muitas brigas, mas compartilhando essa doce memória da grande batalha em que vencemos um dragão gigante, que devorou ​​muitos guerreiros antes de nós. Temos esse precioso legado a cuidar, e uma ampla agenda de mudanças ainda por fazer. O Brasil está sempre incompleto, como você não cansa de nos explicar.


Interessante artigo sobre risco bancário BASILEIA 3


O paradoxo de Basileia III não está na falta de modelos, mas no risco de acreditarmos demais na precisão que eles produzem.

O sistema bancário aprendeu a transformar risco em números sobre capital, liquidez, exposição, inadimplência, perdas, limites e cenários adversos. Isso fortaleceu a gestão prudencial, mas criou uma armadilha de confundir conformidade regulatória com segurança econômica.

Ativos ponderados pelo risco são essenciais, porém não são o próprio risco. São uma medida regulatória construída a partir de regras, parâmetros, modelos e premissas. Quanto maior a sofisticação dos modelos internos, maior pode ser a sensibilidade ao risco, mas também aumentam a dependência de dados, calibrações e hipóteses. Precisão matemática não elimina incerteza econômica.

Por isso que o piso prudencial limita diferenças grandes entre modelos internos e abordagens padronizadas. A razão de alavancagem acrescenta outra lente, menos dependente de modelos. Nenhuma medida basta isoladamente. A robustez nasce da combinação de perspectivas.

Outro desafio é a arbitragem regulatória. Quando estruturas semelhantes recebem tratamentos prudenciais diferentes, o capital pode influenciar a forma dos negócios. O risco pode sair do balanço, migrar para fundos, securitizações e outros veículos, mas continuar conectado ao banco por garantias, liquidez, derivativos. O risco não desaparece, mas muitas vezes apenas muda de endereço.

Capital regulatório e capital econômico precisam conversar. O primeiro define um piso prudencial comparável, enquanto que o segundo deve refletir riscos, concentrações, correlações, eventos extremos e vulnerabilidades da instituição.

O Processo Interno de Avaliação da Adequação de Capital deixa de ser exercício regulatório e passa a ser instrumento estratégico, e deve conectar crescimento, orçamento, cenários adversos, geração de capital e capacidade de absorver perdas.

A Declaração de Apetite por Riscos precisa ligar estratégia, risco, limites, capital, liquidez e retorno. Se o orçamento exige crescimento incompatível com o apetite aprovado, existem duas estratégias concorrentes dentro da instituição.

E é aqui que o conselho se torna decisivo. Seu papel não é recalcular modelos, mas desafiá-los. Perguntar por que o capital melhorou, por que os ativos ponderados pelo risco caíram, que risco econômico permaneceu, que concentração está escondida e que vulnerabilidade não aparece no painel.

Uma instituição resiliente não é aquela que apenas mede melhor, mas é aquela que sabe onde seus modelos podem estar errados.

Porque o maior risco de um sistema sofisticado não é produzir um número incorreto, mas é produzir um número tão convincente que ninguém mais se lembre de questioná-lo.

Call Matinal

14/08/2026 Julio Hegedus Netto, economista   MERCADOS EM GERAL   FECHAMENTO (1308) MERCADOS Na quinta-feira (13), o Ibovespa...