segunda-feira, 29 de junho de 2026

Juro alto: causas e consequencias

 Juros altos asfixiam a economia. A solução não está apenas no Banco Central, mas principalmente na política fiscal.


O Brasil continua convivendo com uma das maiores taxas reais de juros do mundo. Mesmo com a Selic iniciando um ciclo de queda, empresas e famílias seguem pagando uma conta pesada: crédito caro, consumo reprimido, investimentos adiados e aumento da inadimplência. Os gastos com juros já ultrapassam R$ 1 trilhão por ano, drenando recursos que poderiam estar financiando crescimento, infraestrutura e geração de empregos.

O problema é que juros estruturalmente baixos não são decretados pelo Banco Central. Eles são consequência de credibilidade fiscal. Enquanto o governo amplia despesas obrigatórias, subsídios e déficits recorrentes, o mercado exige um prêmio de risco maior para financiar a dívida pública. O resultado é um círculo vicioso: mais gastos, mais dívida, mais juros e menos crescimento.

Os sinais já aparecem por toda parte. O endividamento das famílias atingiu níveis recordes, as recuperações judiciais de empresas continuam avançando e o setor produtivo perde competitividade. O Brasil chegou a gastar mais de 8% do PIB apenas com juros da dívida, percentual muito superior ao observado em economias emergentes comparáveis. É um custo silencioso que reduz a capacidade de investimento de toda a sociedade.

A discussão central para as eleições não deveria ser quem promete gastar mais, mas quem apresenta um plano crível para controlar o crescimento das despesas públicas, melhorar a qualidade do gasto e recuperar a confiança na trajetória fiscal do país. Sem responsabilidade fiscal, não existem juros baixos sustentáveis. E sem juros baixos, o crescimento econômico continuará sendo apenas uma promessa adiada.





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