segunda-feira, 29 de junho de 2026

O momento Suez

 *O "Momento Suez" dos EUA sob a ótica do MPCP*


A comparação de Ray Dalio entre os Estados Unidos de 2026 e a Crise de Suez representa um alerta sobre os ciclos históricos de ascensão e declínio das grandes potências.

O Reino Unido perdeu sua condição de potência hegemônica quando sua capacidade financeira deixou de sustentar sua projeção geopolítica.

Segundo Dalio, os EUA enfrentam pressões semelhantes: dívida crescente, déficits elevados, perda relativa de confiança de alguns credores e avanço de alternativas ao dólar.

Pela ótica do Modelo Piovesan de Convergência dos Paradoxos (MPCP),
MPCP = (Dívida + Juros + Energia) ÷ (Produtividade + Crescimento + Liquidez)

Os Estados Unidos apresentam deterioração no numerador, mas continuam possuindo o denominador mais robusto do planeta.

Lideram inovação, inteligência artificial, mercado de capitais, universidades, segurança jurídica e capacidade militar, fatores que sustentam sua posição estrutural.

Ao mesmo tempo, intensifica-se a disputa entre dois grandes blocos:
Eixo das Democracias: liderado pelos Estados Unidos e seus aliados, concentrando inovação, capital, instituições e alianças militares.

Eixo das Ditaduras: liderado por China, Rússia e Irã, buscando reduzir a dependência do dólar, ampliar o uso de moedas locais, acumular ouro e construir sistemas financeiros alternativos.

Nesse contexto, a dominância do dólar não tende a desaparecer abruptamente, mas a sofrer uma erosão gradual.

O mundo caminha para uma ordem multipolar, na qual o dólar permanece como principal moeda de reserva, embora com menor participação relativa ao longo do tempo.

Conclusão Estratégica

O "Momento Suez" dos EUA não significa necessariamente o fim da hegemonia americana, mas o início de uma fase de transição em que a liderança dependerá menos do poder financeiro isolado e mais da capacidade de preservar produtividade, inovação, alianças estratégicas e credibilidade institucional.

Síntese Piovesan: o maior risco para os Estados Unidos não é apenas o crescimento da dívida, mas permitir que Dívida + Juros cresçam persistentemente mais rápido que Produtividade + Crescimento + Liquidez.

Se essa relação permanecer desequilibrada, a hegemonia tenderá a enfraquecer gradualmente; se o denominador voltar a acelerar, os EUA poderão prolongar sua liderança por muitas décadas, ainda que em um sistema internacional mais multipolar.

*Adley Piovesan, economista há 38 anos, escritor, CFO da Aruatech sustentabilidade e biomateriais e CEO da Realtrader.*

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