*Bom Dia Mercado*
Quinta Feira, 02 de Julho de 2.026.
*Tudo converge para o payroll*
Na véspera do feriado da Independência, os mercados em Nova York terão poucas horas para reagir aos números, já que os Treasuries encerram as negociações às 15h
… Depois de uma sequência de dados reforçar a percepção de um mercado de trabalho ainda resiliente nos Estados Unidos, investidores chegam ao payroll buscando respostas para suas dúvidas sobre a política do Fed. Sem forward guidance de Kevin Warsh, o relatório de emprego ganha peso ainda maior na formação das expectativas para os juros. Na véspera do feriado da Independência, os mercados em Nova York terão poucas horas para reagir aos números, já que os Treasuries encerram as negociações às 15h, reduzindo a liquidez na reta final do pregão. Enquanto isso, no Brasil, as preocupações políticas começam a ficar mais nítidas, pressionando juros, dólar e bolsa.
TUDO CONVERGE PARA O PAYROLL – O mercado chega ao principal dado da semana tentando responder à pergunta que realmente importa para o Federal Reserve: a economia americana continua forte o suficiente para manter os juros elevados por mais tempo?
… A mediana das 25 estimativas reunidas pelo Projeções Broadcast aponta para a criação de 110 mil vagas em junho, abaixo das 172 mil registradas em maio, mas ainda compatível com um mercado de trabalho resiliente.
… A taxa de desemprego deve permanecer em 4,3%, e o salário médio deve avançar 0,3% no mês e acelerar para 3,5% na comparação anual.
… A expectativa pelo relatório oficial de emprego foi reforçada pelos indicadores antecedentes.
… O Jolts mostrou abertura de vagas acima do esperado em maio, o ADP indicou criação de 98 mil empregos no setor privado em junho, ligeiramente acima das previsões, e os pedidos de auxílio-desemprego continuam próximos de níveis historicamente baixos.
… Embora os PMIs industriais divulgados nesta quarta-feira tenham perdido força em junho, permaneceram em território de expansão, reforçando a percepção de que a economia americana segue desacelerando apenas de forma gradual.
… Um mercado de trabalho ainda aquecido, combinado com salários resistentes, tende a reforçar a avaliação de que as pressões inflacionárias continuam incompatíveis com um afrouxamento da política monetária.
… Em contrapartida, uma desaceleração mais intensa do emprego poderia aliviar parte das apostas de aperto adicional pelo Fed.
… O relatório ganha importância ainda maior, porque inaugura um novo momento da comunicação do banco central americano.
… Depois de retirar do comunicado as sinalizações explícitas sobre os próximos passos da política monetária, o presidente do Fed, Kevin Warsh, voltou a afirmar, no Fórum de Sintra, que não pretende oferecer forward guidance.
… Isso aumenta o peso de cada indicador de atividade e inflação na formação das expectativas do mercado. E o payroll será o principal teste.
RISCO POLÍTICO – Enquanto o mercado internacional permaneceu em compasso de espera pelo payroll, os investidores domésticos voltaram a reagir às incertezas eleitorais e aos ruídos com o novo embate entre Brasília e Washington.
… O ambiente de cautela começou a se formar ainda pela manhã, após a pesquisa Atlas/Bloomberg mostrar o presidente Lula à frente do senador Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, por 48,8% a 42,3%, interrompendo a trajetória de queda dos juros futuros.
… O resultado reforçou entre investidores a percepção de continuidade de uma política fiscal menos austera a partir de 2027.
… Ao longo do dia, o anúncio de sanções do Tesouro dos Estados Unidos contra cidadãos e empresas brasileiras por supostos vínculos com o PCC ampliou a aversão ao risco. Mais tarde, rumores políticos que circularam no mercado reforçaram o movimento defensivo.
… A expectativa por novas denúncias envolvendo o senador Flávio Bolsonaro acabou de piorar o humor dos investidores.
… Com isso, os vencimentos intermediários e longos do DI concentraram as maiores pressões, o dólar voltou a fechar acima de R$ 5,20, no maior nível em três meses, e o Ibovespa encerrou o primeiro pregão de julho em queda (leia mais abaixo).
… Em paralelo, pesou a cautela antes da divulgação do payroll, que deve definir o tom dos mercados globais nesta quinta-feira.
O PETRÓLEO VAI BEM – Na tensão pré-payroll, o petróleo não foi um problema, voltou a cair nesta quarta-feira, ampliando as perdas da véspera, à medida que investidores seguem reduzindo o prêmio de risco geopolítico.
… Apesar das mensagens desencontradas sobre o estágio das negociações entre Estados Unidos e Irã, o mercado continua apostando em uma solução diplomática para o impasse nuclear e na preservação do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
… O Brent para setembro fechou o dia em US$ 71,50 por barril, queda de 1,89%, no menor nível desde o início da guerra.
… O ambiente também foi favorecido pelas declarações do Catar, que classificou como “positivo” o progresso das conversas conduzidas por mediadores em Doha, e pelo otimismo manifestado por Donald Trump e pelo vice-presidente JD Vance.
… Ao mesmo tempo, a expectativa de que a Opep+ anuncie no próximo domingo um novo aumento da produção reforçou a percepção de maior oferta global nos próximos meses, contribuindo para a queda das cotações.
COMBUSTÍVEIS EM BAIXA – Com o mercado retirando boa parte do prêmio de risco geopolítico das cotações internacionais, o foco agora passa a ser a velocidade com que essa queda chegará ao consumidor brasileiro.
… Os sinais de alívio já começaram a aparecer.
… Depois de reduzir os preços do diesel e do querosene de aviação, a Petrobras informou que avalia um corte na gasolina, enquanto o governo prepara a retirada gradual dos subsídios adotados durante o período de maior tensão no Oriente Médio.
… Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, na Record News, a revisão da subvenção da gasolina deve ser anunciada na próxima semana.
… O movimento também começa a aparecer nas bombas.
… Levantamentos divulgados nesta quarta-feira mostram nova queda dos preços dos combustíveis em junho, liderada pelo etanol, favorecido pelo avanço da safra de cana, enquanto gasolina e diesel permaneceram praticamente estáveis ou registraram leves recuos.
… Se a acomodação dos preços persistir, os combustíveis tendem a contribuir para um cenário mais benigno para a inflação nos próximos meses.
CURTAS DA POLÍTICA – O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro negou ter participado de uma suposta festa promovida pelo banqueiro Daniel Vorcaro, protagonista do maior escândalo financeiro da história do Brasil.
… Flávio afirmou que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro estava “desinformada” ao compartilhar nas redes sociais uma publicação que insinuava sua presença no evento e repetiu que sua única relação com Vorcaro diz respeito ao filme sobre o seu pai.
HUGO MOTTA. O presidente da Câmara anunciou uma reunião na próxima terça-feira entre a equipe econômica e a Frente Parlamentar da Agropecuária para discutir a renegociação das dívidas dos produtores rurais afetados por eventos climáticos.
… Sobre o projeto que reduz impostos para os combustíveis, Motta afirmou que o governo se comprometeu a revisar, nos próximos dias, a subvenção concedida à gasolina, preservando sua competitividade em relação ao etanol.
MAIS AGENDA – Além do payroll, que será divulgado às 9h30, a quinta-feira traz, no mesmo horário, os pedidos semanais de auxílio-desemprego nos Estados Unidos, seguido pelas encomendas à indústria americana, às 11h.
… Com o mercado de Treasuries fechando mais cedo, às 15h, em razão do feriado da Independência, a liquidez tende a diminuir durante a tarde.
… No Brasil, a Fenabrave divulga as vendas de veículos de junho, às 11h30.
… Antes, às 10h30, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, participa de evento sobre a reforma tributária promovido pelo Valor Econômico.
… Já o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reúne-se às 10h com o diretor da Arko Advice, Lucas de Aragão; às 11h, com representantes da ABBC; e, às 14h, com executivos da Vinci Compass, Banco BRP, BPS Capital e Laplace.
ESTAVA NO JEITO – O que não faltou foi motivo para justificar ontem a pressão nos juros futuros, que finalmente quebraram a sequência de sete quedas, em uma correção natural, que já era esperada para qualquer momento.
… O ajuste em alta foi precipitado pela percepção de risco, no dia em que as sanções americanas contra cidadãos e empresas brasileiras por suposta ligação com o PCC acenderam o alerta e puseram o mercado na defensiva.
… O câmbio superou R$ 5,20, escalou para a máxima em três meses e puxou junto as taxas da curva do DI.
… A questão fiscal também esteve no radar dos investidores, com o Tesouro projetando o descumprimento da meta de resultado primário, incluindo o limite inferior da banda de tolerância, durante o intervalo de 2028 a 2030.
… No pano de fundo, ainda a menor competitividade política de Flávio Bolsonaro contra Lula apontada pela pesquisa Atlas/Bloomberg entrou como argumento adicional para a onda de estresse observa no câmbio e na renda fixa.
… Outro fator que jogou a favor da recomposição de prêmio nos juros futuros foi a alta dos rendimentos dos Treasuries na véspera do payroll, diante da expectativa de uma política monetária mais restritiva do Fed.
… Embora não tenha chegado a assustar, o levantamento de emprego ADP ajudou a compor o ambiente de cautela, ao apontar a criação de 98 mil vagas de trabalho no setor privado em junho, pouco acima da previsão de 93 mil.
… No fechamento, o DI para Janeiro de 2027 subiu a 14,020% (de 13,985% no ajuste anterior); Jan/28 avançou a 14,090% (de 13,983%); Jan/29, a 14,230% (de 14,071%); Jan/31, a 14,330% (14,157%); e Jan/33, 14,360% (14,194%).
… Nos últimos dias, a curva respondia com alívio ao potencial efeito desinflacionário da reversão do choque do petróleo. A Warren calcula que o Brent abaixo de US$ 80 pode reduzir o IPCA do ano de 5,50% para 5,20%.
… A perspectiva de normalização da oferta de petróleo foi reforçada pelas notícias de que, na reunião do próximo domingo, a Opep+ deve concordar em elevar suas metas de produção em 188 mil barris por dia a partir de agosto.
… Pelos mesmos motivos de tensão observados nos juros futuros (sanções ao Brasil, trade eleitoral e ruído fiscal), o real levou a pior entre as principais moedas globais. O dólar à vista deu um salto de 0,92%, negociado a R$ 5,2103.
PASSOU BATIDO – Pouco influenciou nesta quarta-feira o comentário do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, durante fórum em Portugal, de que “os riscos à inflação parecem ter diminuído nas últimas semanas”.
… Apesar do tom mais dovish, o mercado preferiu esperar pelo payroll, antes de se antecipar em uma leitura menos conservadora para a política monetária. Até porque, como se viu, Warsh não forneceu forward guidance.
… Fora isso, também o emprego da ADP ajudou a dar um leve impulso às taxas dos Treasuries. O juro da Note de 2 anos avançou para 4,168% (contra 4,151% no pregão da véspera) e o de 10 anos subiu para 4,478% (de 4,441%).
… Acionado o suspense para o payroll, no câmbio, o índice DXY subiu 0,2%, a 101,392 pontos. A fraqueza do euro ajudou na movimentação, diante das especulações de que o BCE possa optar por uma pausa na próxima reunião.
… Esta aposta ganhou força depois da surpresa com a taxa anual da inflação ao consumidor (CPI) da zona do euro, que desacelerou de 3,2% em maio para 2,8% em junho, abaixo da previsão de analistas de mercado, de 3,0%.
… O euro caiu 0,39% (US$ 1,1384) e a libra ganhou 0,13% (US$ 1,3283). O iene subiu a 162,55 por dólar, confiando que o BoJ vai atuar. O Rabobank acredita em intervenção amanhã, com a liquidez esvaziada pelo feriado nos EUA.
… Mas o banco acha improvável que a atuação seja suficiente para mudar a visão negativa sobre a moeda japonesa.
SHOW ME THE MONEY – Se fosse só em dia de jogo do Brasil na Copa que o volume no Ibovespa sumisse, não incomodaria tanto quanto a rotina de giros fracos, exposta ontem de novo, com movimentação de só R$ 21,6 bi.
… É nítida a ausência do capital externo nos negócios, que rouba a confiança em uma melhora sustentada da bolsa.
… O índice à vista emplacou ontem o terceiro pregão negativo e entregou os 172 mil pontos. Apesar disso, a queda foi modesta: 0,20%, a 171.688,61 pontos, em parte, porque a Vale (+0,12%; R$ 77,97) contrariou o minério (-1,68%).
… Além disso, apesar da queda firme do petróleo, Petrobras PN se protegeu na estabilidade (+0,08%, a R$ 37,83) e ON caiu em intensidade bem menor do que a commodity lá fora. Fechou em queda de 0,50%, negociada a R$ 41,57.
… O fôlego de Itaú PN (+0,66%, a R$ 42,44) e a resistência no positivo de Bradesco PN (+0,11%, a R$ 18,12) limitaram as perdas da bolsa, enquanto o Goldman Sachs apontava o Brasil ainda como mercado de ações preferido na AL.
… Em Nova York, o setor de tecnologia entrou em realização e abriu espaço para o Nasdaq cair 0,66%, a 26.040,03 pontos. O S&P 500 perdeu menos: -0,22%, a 7.483,23 pontos. O Dow Jones ficou estável (-0,03%; 52.305,24 pontos).
CIAS ABERTAS NO AFTER – ITAÚSA recebeu R$ 900 milhões em dividendos e JCP extraordinários da Itautec; companhia afirmou que o valor terá impacto positivo no resultado do segundo trimestre.
WARREN. Argentina Cocos Capital adquiriu ativos da companhia, em operação sujeita à aprovação regulatória…
… Os ativos adquiridos incluem a infraestrutura da antiga corretora Renascença, atual Warren Rena, além das operações de asset management e mercado de capitais.
PETROBRAS. Nova Engevix, em parceria com chinesa Powerchina, venceu três dos 11 lotes licitados pela estatal para retomar as obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-III), em Três Lagoas (MS), em contratos de R$ 1,8 bi.
REFINARIA DE MATARIPE reduziu o preço do querosene de aviação em 15,7% e o do gás de cozinha em 6,9%.
RAÍZEN. Acionistas aprovaram cisão parcial da Raízen Caarapó, com incorporação de acervo líquido de R$ 940 milhões pela companhia.
SIMPAR concluiu a venda de 45% da Ciclus Amazônia por R$ 124,5 milhões.
RUMO. Firmou aditivo para manter operação mínima da Malha Oeste por até 180 dias, enquanto avança o processo de relicitação da ferrovia.
TELEFÔNICA BRASIL. Controlada TIS incorporou a Cyberco em reorganização societária para simplificar a estrutura operacional.
OI. Acionista Leonardo Bastos alcançou participação de 5,24% no capital e mira indicação no Conselho. (Valor)
ENJOEI. Conselho aprovou Marcos Coelho para assumir como diretor-presidente em 09/09, no lugar de Tiê Lima.
VIVARA. Citi reiterou recomendação de compra, mas reduziu o preço-alvo de R$ 34 para R$ 32 e previu que o Ebitda e o lucro líquido do segundo trimestre possam ficar cerca de 5% abaixo do consenso do mercado.
EPE. Consumo de energia elétrica cresceu 2,1% em maio ante um ano antes, com alta nas classes residencial e comercial e queda de 0,7% na indústria.
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