segunda-feira, 22 de junho de 2026

Falece Alan Greenspan, aos 100 anos

 


Um dos presidentes do FED mais respeitados e longevos dos Estados Unidos, Alan Greenspan, faleceu nesta segunda-feira, por intercorrências do Parkinson. Tinha 100 anos. 

Seu mandato como chairman no FED foi um dos mais marcantes na história da autoridade monetária, durando de agosto de 1987 até janeiro de 2006, quase duas décadas completas. Foi um período intenso de acontecimentos, mas também marcado pelo mais longo ciclo de alta da bolsa de valores de NY, ao longo de quase toda a década de 90. Durou de março de 1991 e foi até março de 2001. 

Comentava Greenspan, nas suas intervenções sempre muito enigmáticas, e daí ter surgido o tal "linguajar de banco central", sempre muito econômico nas explicações, que o aumento da produtividade na economia norte-americana nos anos 90 foi a grande contribuição para esta expansão não ter resultado em mais inflação. 

Roger Ferguson, vice-presidente do Fed de 1999 a 2006, lembrou que Greenspan "esteve entre os primeiros a reconhecer o impacto da tecnologia no aumento da produtividade dos EUA, permitindo que a economia crescesse mais rapidamente do que imaginávamos sem gerar inflação".

 Sua decisão de deixar a economia seguir seu curso, inclusive, apesar da pressão para aumentar a taxa de juros diante de uma ameaça de inflação que nunca se concretizou, ajudou a promover anos de prosperidade nos EUA e lhe rendeu o status de “maestro” econômico.

Foi daí que surgiu também o famoso termo "exuberância irracional" dos mercados.  Jerome Powell, o banqueiro central que mais bateu de frente com Donald Trump, disse que Greenspan foi "um exempĺo de como discernimento pode, às vezes, superar os modelos tecnocráticos da economia".

Não viu, no entanto, a crise do subprime em 2008. Foi nesta, inclusive, que muitos passaram a acusá-lo de a ter provocado por estimular o sistema financeiro americano a afrouxar na sua regulação. 

Reconheceu seu erro, por diagnosticar, erroneamente, que os gestores das associações de crédito não iriam operar contra si, se alavancando em excesso. Contra si, também, contribuiu o fato de ter alimentado uma série de bolhas de ativos. 

Mas sua atuação como banqueiro do banco central mais poderoso do mundo foi muito além de umas poucas celeumas. 

Superou a crise do mercado de ações injetando liquidez em resposta, superou a recessão de 1990/91, o contágio asiático de 1997/98, o colapso das ponto.com em 2000 e as turbulências causadas depois do 11 de setembro de 2001. 

Para mim, um dos maiores banqueiros centrais de todos os tempos, acompanhado por Paul Volcker, e poucos outros. 




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