*Leitura de Sábado: Além de IG4, Makalu, Geribá, Laplace e Mapa querem assumir dívidas da Raízen*
Por Cynthia Decloedt e Altamiro Silva Junior
São Paulo, 17/06/2026 - Gestoras especializadas em ativos problemáticos estão se posicionando para concorrer com o grupo IG4 Capital pelos créditos da Raízen, que tem R$ 65 bilhões em dívidas. A Broadcast apurou que Makalu, Geribá, Laplace e Mapa estruturam propostas para assumir dívida de credores da Raízen.
Um dos fundamentos da disputa pelos créditos está na proposta do plano de recuperação extrajudicial, homologado na semana passada, de conversão de 45% das dívidas em ações, as quais têm um valor de mercado extremamente baixo neste momento. Com a conversão, os credores passarão a ter 80% do capital da Raízen. A depender do valor e do modelo de aquisição dos créditos, aqueles que emprestaram dinheiro para a joint venture da Cosan e da Shell poderiam recuperar um valor maior de recursos e reduzir o "haircut" (desconto) implícito nessa troca.
A visão é também de que dada a diversidade de credores - bancos, debenturistas e detentores de certificados de depósitos agrícolas (CRAs) - a conversão resultará em uma corporação sem controle definido, potencialmente, trazendo implicações em sua governança e gestão. Uma das fontes afirmou que os bancos, em tal conversão, são potencialmente o grupo que poderá restar com um volume maior de ações da Raízen, implicando ainda mais cadeiras no conselho de administração. "Bancos geralmente não querem ter responsabilidade fiduciária sobre empresas", disse.
Segundo fontes, a Makalu pretende avançar sobre os créditos concedidos às operações de açúcar e etanol da Raízen, dada a experiência com reestruturações no segmento, como do Grupo Virgolino de Oliveira (GVO), Grupo Safras e da Usina Caeté.
A Geribá Investimentos, por sua vez, estaria olhando para os créditos relacionados às operações de combustíveis. Em abril, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a venda da subsidiária no Acre da Brasil Biofuels (BBF) para a Japaratinga Participações, ligada à gestora Geribá Investimentos. A gestora Laplace têm mantido conversas essencialmente com bancos credores para dar saída a eles em diferentes estruturas, entre as quais, a criação de um veículo para gestão das ações, em modelo semelhante ao da IG4 na Braskem.
A Mapa Capital já tem a experiência de ter assumido a dívida da Casas Bahia, ao ficar com debêntures que eram do Bradesco e do Banco do Brasil. A gestora então converteu esses papéis em ações e passou a ter 85% da Casas Bahia, assumindo seu controle. O objetivo agora é reestruturar financeiramente e sanear a companhia, o que pode fazer as ações voltarem a subir na B3 e recuperar o valor da varejista.
Procuradas, as gestoras não comentaram.
Contato: cynthia.decloedt@estadao.com; altamiro.junior@estadao.com
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