quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Lula e STF

 *Lula dá carta branca à Polícia Federal, STF reage e crise do Master vai esquentar após carnaval*


Escândalo respinga no Palácio do Planalto, presidente “rifa” Toffoli e Andrei se fortalece para ocupar ministério se petista ganhar eleição; governo acha que crise joga a favor de Messias


Vera Rosa


Um ambiente conflagrado e de desconfiança generalizada aguarda o retorno das atividades na Praça dos Três Poderes a partir desta Quarta-feira de Cinzas. Nem mesmo o carnaval conseguiu abafar o clima de guerra que predomina na relação entre o Palácio do Planalto, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) desde que estourou o escândalo do Banco Master.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu carta branca para o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, investigar o ministro do STF Dias Toffoli e seu relacionamento com Daniel Vorcaro, dono do Master. Andrei ganhou tantos pontos com Lula que já é visto na Esplanada como nome certo para ocupar um ministério, provavelmente o da Segurança Pública, a ser criado, caso o presidente conquiste novo mandato.


A atitude de Lula, porém, provocou extremo mal-estar entre magistrados. Nos bastidores, ele chegou a ser chamado de “ingrato” por integrantes do STF, que fizeram uma aliança com o governo desde os atos golpistas do 8 de Janeiro.


Sob pressão, Toffoli teve de deixar a relatoria do caso Master, mas, logo em seguida, gravações com elogios a ele na sessão secreta do STF foram vazadas. Havia grampo no Supremo? De repente, nesse enredo envolvendo até resort de luxo, todos viraram suspeitos, como num romance policial de Agatha Christie.


Para ministros, a PF agiu de forma “clandestina e ilegal” ao investigar Toffoli sem autorização da Procuradoria-Geral da República. Andrei rebateu dizendo que todas as informações entregues ao presidente do STF, Edson Fachin, estavam no celular apreendido de Vorcaro.


Com o STF em chamas, Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news – mais conhecido como “fim do mundo” – desde 2019, pediu à Receita Federal para rastrear a quebra do sigilo de dados dos magistrados e seus parentes. Foram identificados vazamentos cometidos por parte de servidores da própria Receita – um deles auditor, que recebeu salário de R$ 51 mil em dezembro, além de um funcionário cedido pelo Serpro.


É nesse cenário turbulento que deputados e senadores do Centrão e também da esquerda, candidatos às eleições de outubro, travam uma queda de braço. Apesar do discurso de que tudo será apurado, “doa a quem doer”, a ideia é engavetar propostas de abertura de comissão parlamentar para investigar falcatruas cometidas pelo Master e direcionar os rumos da CPI do INSS.


Depois de um carnaval que já deu o que falar, o Congresso e o Judiciário voltam ao trabalho sob os holofotes de uma insatisfação social que não prescreve.


Embora seja zero a hipótese de Lula ficar inelegível por causa do desfile da Acadêmicos de Niterói em sua homenagem, na Marquês de Sapucaí, é certo que o tema da propaganda antecipada agitará a campanha. Detalhe: Toffoli será um dos titulares do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no período de campanha, quando o tribunal estará sob o comando de Nunes Marques e também terá atuação de André Mendonça, novo relator do caso Master no STF.


Nesse jogo do poder, o magistrado que foi indicado por Lula para o STF, em 2009 – e acabou “rifado” por ele agora – pode acabar atuando como “fiel da balança” em julgamentos no TSE por causa da composição do tribunal.


O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), já avisou que não pautará nenhum pedido de impeachment de ministros do STF. O Planalto, por sua vez, tenta tirar dividendos da crise e vê agora chance para aprovar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, a uma cadeira da Corte.


Na prática, o governo aposta no enfraquecimento de Alcolumbre após denúncias de ligação do Master com o fundo Amapá Previdência, presidido por um aliado dele.


Evangélico, Messias acabou de voltar de um retiro espiritual, em Brasília. Não sambou na Sapucaí nem alfinetou Toffoli. Para os católicos como Lula, a quaresma – que começa nesta Quarta-Feira de Cinzas – é tempo de reflexão até a Páscoa. Mas haverá mesmo vida nova na Praça dos Três Poderes?



https://www.estadao.com.br/politica/vera-rosa/lula-da-carta-branca-a-policia-federal-stf-reage-e-crise-do-master-vai-esquentar-apos-carnaval/

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