*FT: Bancos dos EUA ganham musculatura e CEOs festejam como se fosse 2007*
_Salários dos executivos de Wall Street dispararam no ano passado, impulsionados pela desregulamentação e pelo aumento das fusões e aquisições, que levaram a uma valorização das ações das instituições_
Os bancos dos EUA finalmente estão se libertando do legado da crise financeira de 2008, que freou sua ambição e colocou muitos conselhos administrativos na defensiva.
Suas ações voltaram a ser valorizadas. Fusões e aquisições de grande porte estão de volta. Os reguladores dos EUA estão desfazendo regras implementadas após a crise. E os CEOs dos bancos estão sendo generosamente recompensados.
Os CEOs dos seis maiores bancos dos EUA viram seus salários atingirem um total combinado de US$ 250 milhões no ano passado, segundo o Financial Times, um aumento médio de 22% em relação ao ano anterior.
Os aumentos salariais ocorreram em um momento em que os seis grandes bancos americanos registraram ganhos médios de 42% no preço das suas ações em 2025.
Os bancos receberam um impulso do governo Trump, já que os reguladores, no ano passado, flexibilizaram as restrições à alavancagem, reformularam os testes de estresse usados para determinar os requisitos de capital e revogaram as diretrizes de crédito para empréstimos mais arriscados.
Eles também se beneficiaram de um aumento nas negociações. O ano passado foi o melhor para o segmento de bancos de investimento em Wall Street desde a pandemia.
Os bancos recuaram durante anos, observando o crédito privado assumir uma parcela crescente dos empréstimos, mas a situação está mudando. Agora são os grupos de capital privado que veem suas ações despencarem, à medida que os fundos de private equity lutam para sair de negócios e os investidores temem que os avanços da inteligência artificial (IA) prejudiquem os financiadores de empresas de software.
E os esperados IPOs históricos da SpaceX, OpenAI e Anthropic — uma provável mina de ouro em taxas para os bancos — podem contribuir para a relativa lentidão das empresas de private equity, que ainda lutam para listar companhias.
A perspectiva mais otimista para o setor bancário, no entanto, ainda não alterou a hierarquia em Wall Street, que continua dominada pelo capital privado. Mesmo após os aumentos salariais, os salários dos CEOs dos bancos são insignificantes em comparação com a remuneração de alguém como Stephen Schwarzman, CEO da Blackstone, que recebeu mais de US$ 1 bilhão em 2024. (A maior parte desse valor veio de dividendos de sua enorme participação acionária na Blackstone.)
E embora os bancos tenham um aliado na Casa Branca quando se trata de desregulamentação, no típico estilo Trump, o presidente ds EUA lançou algumas surpresas, incluindo a ameaça de limitar as taxas de juros dos cartões de crédito e o processo contra o J.P. Morgan por supostamente fechar suas contas injustamente em 2021.
Os bancos também estão lutando com as empresas de criptomoedas pela vantagem em Washington e no Partido Republicano. Os dois grupos estão se enfrentando no Congresso dos EUA, com os bancos temendo perder clientes de varejo que buscam os juros mais altos oferecidos pelas corretoras de criptomoedas em stablecoins.
https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/02/17/ft-bancos-dos-eua-ganham-musculatura-e-ceos-festejam-como-se-fosse-2007.ghtml
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