terça-feira, 12 de maio de 2026

Multa à Fast Shop

 *Fast Shop: como carta para entidade espiritual levou a maior multa por corrupção da história*


Multa aplicada a Fast Shop é de R$ 1,04 bilhão, valor que teria sido desviado dos cofres do Estado de São Paulo por meio do esquema


Uma carta de três páginas escrita à mão com caneta vermelha e destinada a uma entidade espiritual. Foi esta a peça-chave para a polícia desbaratar um esquema bilionário de corrupção envolvendo grandes empresas do varejo e funcionários públicos.


Nesta segunda-feira (11), a investigação culminou na aplicação de uma multa no valor de R$ 1,04 bilhão, a maior já registrada no Brasil pela Lei Anticorrupção. A punição foi aplicada à rede Fast Shop, que terá que pagar o montante em 30 dias, sem possibilidade de parcelamento.


A carta foi encontrada com o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto durante a Operação Ícaro do Ministério Público de São Paulo (MPSP). No documento, datado de 3 de março de 2025, ele pedia orientação espiritual sobre o risco de assinar novas liberações de ICMS para empresas, sendo considerado uma confissão de um esquema de propina.


Uma das empresas beneficiadas era, justamente, a Fast Shop. Executivos da varejista confirmaram que pagaram propina. Dois sócios e um diretor executivo da Fast Shop admitiram a participação no crime em um acordo de não persecução penal com o MPSP. À época, eles concordaram em pagar multas individuais que somadas chegaram a R$ 100 milhões.


A nova multa bilionária foi calculada a partir do valor que teria sido desviado dos cofres públicos.


*Como funcionava o esquema*


O esquema comandado por servidores da Secretaria de Fazenda permitia o ressarcimento ilgeal ICMS (ou ICMS-ST), que ocorre quando uma empresa paga o imposto antecipadamente, mas o fato gerador presumido não se concretiza, ou quando a venda é feita por valor inferior ao previsto.


Na prática, de acordo com as investigações, os servidores preparavam eles mesmos os arquivos contábeis e os pedidos de ressarcimento das empresas.

Depois, os próprios fiscais envolvidos analisavam e aprovavam esses pedidos, garantindo que o dinheiro público fosse transferido para as mãos das corporações e, consequentemente, parte dele retornasse como propina para o grupo.


A Fast Shop ainda não se manifestou sobre a multa.


https://www.metropoles.com/colunas/dinheiro-e-negocios/fast-shop-como-carta-para-entidade-espiritual-levou-a-maior-multa-por-corrupcao-da-historia

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