sexta-feira, 19 de junho de 2026

MERCADO DE CRÉDITO DE CARBONO

 


O mercado de créditos de carbono em 2026 já mostra quem está liderando e o que isso significa para quem origina créditos no Brasil.


Fiz um levantamento das principais compras corporativas de créditos de carbono neste primeiro semestre de 2026. Os números são expressivos:

Microsoft já anunciou ~5 milhões de tCO₂ em remoções de carbono só nas primeiras semanas do ano — 2,85 milhões com agricultura regenerativa (Indigo Ag), 2 milhões em reflorestamento (Rubicon Carbon) e 100.000+ toneladas em biochar na Índia (Varaha). (ESG Today, 2026) O salto de escala é brutal: de 40.000 toneladas em 2024 para 2,85 milhões em 2026. (Morgan Stanley Institute for Sustainable Investing, 2026);

Bain & Company entrou em Captura Direta do Ar (DAC) com 9.000 tCO₂ em 3 anos. (ESG Today, 2026) Wihlborgs (Suécia) firmou contrato de 10 anos em BECCS a ~US$ 105/t. (Senken, 2026) Tencent lidera a demanda asiática com offtakes forward. (Senken, 2026) E a Hormann (Alemanha) emerge como novo entrante europeu. (Senken, 2026).

O que esses dados revelam:
1️⃣ A demanda por remoções de carbono (não apenas evitação) está explodindo. Créditos de reflorestamento, biochar, agricultura regenerativa e DAC estão no centro das grandes transações. (ESG Today, 2026);

2️⃣ Os preços reais de mercado para créditos de alta integridade estão entre €25–80/t no blended, e acima de €100/t para remoções duráveis. O preço médio de US$ 6,34 é um artefato de créditos legados que não passam mais em telas de qualidade (ICVCM, CSRD). (Senken, 2026);

3️⃣ O mercado global deve atingir US$ 127 bilhões em 2026, com crescimento de 15,9% ao ano. (GM Insights, 2026) 93% dos compradores atuais planejam continuar; metade dos que ainda não compram pretende entrar. (Morgan Stanley Institute for Sustainable Investing, 2026);

4️⃣ A Amazônia e o Brasil estão na mira. REDD+ na Amazônia já é precificado em ~€12/t — e a tendência é de valorização à medida que os padrões de MRV, permanência e salvaguardas sociais endurecem. (Senken, 2026).

Para a GHG Brasil, que opera com MRV próprio e certificação Socialcarbon/Verra/Gold Standard em curso, esse cenário é um sinal claro: o mercado está migrando para créditos de alta integridade com co-benefícios mensuráveis. Quem tiver estrutura técnica sólida, governança transparente e capacidade de escala está posicionado para capturar essa demanda.

O Marco Legal do Carbono (Lei 15.042/2024) chegou na hora certa. A pergunta agora é: quantos projetos brasileiros estarão prontos para atender essa demanda corporativa em 12 a 24 meses?

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