sexta-feira, 29 de maio de 2026

Coluna do Estadão

 *Coluna do Estadão: Barroso critica tentativa de ampliar cobertura do FGC no caso Master*


Por Eduardo Barretto, do Estadão


Brasília, 28/05/2026 - O advogado Luís Roberto Barroso, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou nesta quinta-feira, 28, em referência ao caso Master, a tentativa de aumentar o valor coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que protege investidores em caso de falência de um banco. Uma emenda com esse objetivo foi apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), que foi alvo da Polícia Federal (PF) no início do mês por supostas mesadas recebidas do dono do Master, Daniel Vorcaro. O senador nega irregularidades.


"Não há como um país se tornar desenvolvido sem a elevação da ética pública e da ética privada. Não é só a propina, que já é um mal suficiente do ponto de vista moral. É o conjunto de decisões erradas que se tomam pelas razões erradas. Do aumento do FGC a qualquer outra mudança em que você faz mal para o País para atender a algum interesse privado", afirmou Barroso durante o evento Brasília Tech Summit, promovido pelo Amado Mundo.


Segundo a PF, Vorcaro encomendou ao banco o texto de uma emenda que foi posteriormente apresentada por Ciro Nogueira a uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) no Senado para favorecer a empresa. Os textos eram idênticos, afirmou a PF. O banqueiro disse em mensagens que Ciro era "um dos grandes amigos de vida".


Em conversas no celular, Vorcaro comentou que a emenda apresentada pelo parlamentar "saiu exatamente como mandei". Essa mensagem foi enviada pelo banqueiro em 13 de agosto de 2024, mesmo dia em que o senador apresentou a emenda para elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o valor coberto pelo FGC por CPF. Vorcaro descreveu a medida como uma "bomba atômica no mercado financeiro".


No último dia 7, a PF cumpriu um mandado de busca na casa de Ciro Nogueira em Brasília. A corporação afirmou ao Supremo Tribunal Federal que o senador recebia mesadas de até R$ 500 mil de Vorcaro. A defesa do ex-ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro diz que "repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas".


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