A lição coreana que o Brasil ignora
O economista Nilson Teixeira argumenta que o sucesso econômico da Coreia do Sul não nasceu principalmente de política industrial, subsídios ou grandes conglomerados, mas de um investimento consistente e prioritário em educação básica de qualidade. Nos anos 1950, a Coreia era tão pobre quanto o Brasil. Hoje possui renda per capita quase três vezes maior, forte presença tecnológica global e produtividade muito superior.
O artigo destaca que o Brasil passou décadas observando o modelo coreano, mas frequentemente concentrou atenção em seus grandes grupos industriais e políticas de exportação, ignorando o fundamento que sustentou todo o crescimento: alfabetização, ensino fundamental sólido, formação rigorosa de professores e avaliação permanente dos resultados educacionais.
Segundo o autor, a Coreia seguiu uma sequência clara:
1. Educação infantil e fundamental.
2. Ensino médio.
3. Ensino superior.
O Brasil fez o contrário em muitos momentos, expandindo universidades e programas de acesso ao ensino superior sem resolver os problemas estruturais da educação básica. O resultado é que apenas cerca de metade dos jovens brasileiros alcança níveis mínimos de proficiência em leitura, enquanto a Coreia se aproxima da universalização dessas competências.
O texto aponta seis prioridades para o Brasil:
* Universalizar a educação infantil e fortalecer o ensino fundamental.
* Melhorar a qualidade do aprendizado, não apenas o acesso.
* Profissionalizar e valorizar a carreira docente.
* Avaliar continuamente os resultados e corrigir desvios.
* Criar incentivos baseados em mérito e desempenho.
* Separar a carreira de gestor escolar da carreira de professor, profissionalizando a gestão.
Principal conclusão
A Coreia estruturou primeiro a base, depois o meio e só então o topo do sistema educacional. O Brasil inverteu essa lógica. Para o autor, sem uma revolução na educação básica, qualquer plano de desenvolvimento econômico, industrial ou tecnológico terá alcance limitado. O verdadeiro diferencial coreano não foi apenas fabricar carros, navios ou semicondutores, mas formar capital humano capaz de criar, operar e aprimorar essas indústrias ao longo de décadas.
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