quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Carlos Alberto di Franco

Moraes: a imprensa recuperando sua capacidade investigativa

O noticiário recente recoloca no centro do debate um tema sensível: a relação entre poder, interesses privados e transparência institucional. O contrato milionário firmado pelo escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes com o banco Master, a decisão do ministro Dias Toffoli de avocar para si o processo e impor sigilo absoluto, e, agora, a informação de que o próprio Moraes teria intercedido pessoalmente em favor do banco junto ao Banco Central do Brasil, compõem um conjunto de fatos que exige atenção máxima.

Não se trata, desde logo, de afirmar culpa ou antecipar juízos. Trata-se de reconhecer que os indícios divulgados são graves e, se confirmados, apontariam para condutas incompatíveis com a liturgia do cargo e com os princípios republicanos. A eventual atuação de um ministro do Supremo em favor de um banco privado, sobretudo em contexto que envolve interesses familiares, demanda apuração rigorosa.

É precisamente nesse ponto que o jornalismo recupera sua função essencial. Quando autoridades silenciam, oferecem respostas tardias ou se refugiam em explicações confusas, cresce a responsabilidade da imprensa. O sigilo, embora legítimo em situações específicas, não pode servir de biombo permanente para afastar o escrutínio público de atos que tocam o coração das instituições.

O velho e bom jornalismo investigativo não condena; investiga. Não milita; apura. Não se satisfaz com versões oficiais frágeis nem com narrativas convenientes. Seu compromisso é com os fatos, com a verdade verificável e com o direito do cidadão à informação de qualidade.

Em democracias maduras, ninguém está acima do questionamento público. A credibilidade das instituições não se protege com silêncio ou opacidade, mas com transparência, esclarecimentos objetivos e apuração séria. Se há dúvidas relevantes, que sejam dissipadas à luz do dia. Quando o poder se fecha, a imprensa precisa abrir. É assim que se preserva a verdadeira democracia e se honra o jornalismo.

Wilson Lima, do O ANTAGONISTA

 É HORA DO IMPEACHMENT DE ALEXANDRE DE MORAES?

Atuação do ministro em prol do Banco Master e dualidade na condução da Ação Penal do Golpe mostram a verdadeira faceta do magistrado.
Wilson Lima para O Antagonista:
“Em um país sério, as revelações feitas pela colunista do jornal O Globo Malu Gaspar segundo as quais o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes teria atuado em prol do Banco Master, banco este que tem um contrato multimilionário com sua esposa, Viviani Barci de Moraes, ensejariam nada mais, nada menos, que um processo de impeachment.
Em um país sério, esse tipo de revelação também seria a manchete dos principais sites e veículos de notícia, com repercussão em tempo real. Salvo o próprio O Globo e este portal, poucos foram os veículos de imprensa que trataram o tema com a devida importância que ele demanda. Um silêncio ensurdecedor.
É escandaloso, para dizer o mínimo, imaginar que um ministro do STF tenha procurado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, pelo menos quatro vezes – três por telefone e uma pessoalmente – para tratar da venda picareta do Banco Master para o Banco Regional de Brasília (BRB).
Moraes era acionista? Tinha interesse em comissão? Virou Relações Institucionais do Banco Master e não deixou isso claro para a sociedade? Ou deu apenas uma “forcinha” para a esposa? Esposa essa que tinha um contrato de R$ 129 milhões com o Master – contrato esse que não se sabe se foi pago em sua totalidade.
O ex-juiz Marcelo Bretas faz, nas redes sociais, uma ponderação importante sobre esse caso. Na visão dele, no mínimo, no mínimo, a situação pode configurar crime de advocacia administrativa. Ato esse que se configura ao “patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário”.
Alexandre de Moraes: dois magistrados em um
Mas não fiquemos apenas neste caso. Moraes, o fiscal da democracia e da moralidade política nacional, atuou nos holofotes para condenar Jair Bolsonaro e sua turma por atos antidemocráticos. Ao ex-presidente impôs uma pena de 27 anos e três meses.
Na semana passada, ao julgar o núcleo do qual fez parte Filipe Martins, Moraes afirmou: “O abrandamento das penas, depois do devido processo legal e da ampla defesa, enviaria à sociedade o recado de que o Brasil tolera novos flertes contra a democracia”.
Mas fora dos holofotes, no entanto, Moraes – conforme regiraram alguns veículos como Folha e O Globo – atuou pela aprovação do PL da dosimetria, quase como se fizesse um mea-culpa pelo trabalho questionável à frente da ação penal do golpe.
Em um país sério, esse tipo de postura é sim passível de impeachment de ministro do STF. O problema é que ainda estamos longe de ser um país sério.”

Elio Gaspari

 A íntegra: A bancada silenciosa do STF

Resistência a código de conduta se manifesta apenas em off, sem que ministros coloquem a cara a tapa

Elio Gaspari

A manifestação de cinco ex-presidentes do Supremo Tribunal Federal favoráveis à criação de um código de conduta para os atuais ministros da corte foi um tiro certeiro contra a bancada que combate a ideia.


Estranha bancada. Manifesta-se com a capa ectoplásmica do off, pela qual sua opinião é divulgada, mas sua identidade é preservada. Foi assim que surgiu a notícia segundo a qual Fachin estaria isolado ao propor o código. Tudo bem, a maioria dos ministros pode não gostar da ideia, mas eles não põem a cara na vitrine. Salvo engano, a única resistência pública à ideia partiu do ministro Alexandre de Moraes, mesmo assim, numa fala de 2024:


"Acho que não há a mínima necessidade, porque os ministros do Supremo já se pautam pela conduta ética que a Constituição determina."


Entre os cinco ex-presidentes do STF que defendem a conveniência de um código de conduta (Rosa Weber, Celso de Mello, Ayres Britto, Marco Aurélio Mello e Carlos Velloso), nenhum celebrizou-se pela presença em farofas. Sinal de que essa vulnerabilidade é coisa recente, estimulada por arrogantes exageros. Primeiro naturalizou-se a conduta de viajar em jatinhos de empresários para assistir a partidas de futebol.


Em seguida, foi-se adiante, viajando com o advogado de um banqueiro quebrado. Onde vai parar essa liberalidade, ninguém sabe, porque, como diria Alexandre de Moraes, não há a mínima necessidade, pois a Constituição já tratou da "conduta ética" dos ministros.


A sucinta Constituição proposta pelo historiador Capistrano de Abreu dizia:


Artigo 1º: Todo brasileiro deve ter vergonha na cara.

Artigo 2º: Revogam-se as disposições em contrário


A adoção de um código de conduta merece ser discutida às claras, com nomes e sobrenomes. Vilegiaturas, parentelas e ligações perigosas não podem ser preservadas no escurinho de Brasília. Nunca será demais repetir a lição de Louis Brandeis (1856-1941), da Suprema Corte dos Estados Unidos: "A luz do Sol é o melhor desinfetante".


O silêncio da bancada desconfortável com um código de conduta é o sinal mais gritante da sua conveniência, para não dizer necessidade. A imagem do Supremo passa por um lamentável processo de erosão. Houve tempo em que o Supremo era conhecido por suas decisões. Hoje, são mais frequentes as reportagens que tratam de condutas discutíveis.


Os ministros Edson Fachin e Cármen Lúcia são defensores da adoção de um código de conduta. É provável que sejam acompanhados por outros três colegas. É certo que pelo menos três detestam a ideia de limitações às próprias condutas.


Fachin teve o cuidado de blindar-se levantando a possibilidade da inspiração no código da Corte Constitucional alemã. Não citou a corte americana. Pudera, desde que o grande Antonin Scalia deu-se às farofas, a corte desprezou o julgamento de suas condutas. O juiz Clarence Thomas tem uma mulher que pinta e borda. Isso para não mencionar que, desde 1991, quando ganhou a cadeira, raramente abriu a boca, mesmo nas reuniões secretas.


Fachin defende a necessidade de um código de conduta. Até agora, não apareceu um só argumento contra, mas a insatisfação é silenciosa.

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +0,4% US tech +0,4% US Semis +0,6%  UEM +0,1% Espanha +0,1% VIX 14,0% -1pb. Bund 2,86%. T-Note 4,17%. Spread 2A-10A USA=+63,1pb O10A: ESP 3,29%  ITA 3,55%. Euribor 12m 2,27% (fut.12m 2,41%). USD 1,18. JPY 184,2. Ouro 4,484$. Brent 62,4$. WTI 58,4$. Bitcoin -0,6% (87.661$). Ether -0,5% (2.973$)


SESSÃO: Ontem, as bolsas encerraram em alta (Nova Iorque +0,5%, Europa +0,1%) naquela que, na prática, foi a última sessão de 2025. No plano macroeconómico, destacou-se a publicação de um PIB do 3.º trimestre de 2025 francamente positivo. E não apenas por ter superado amplamente as expectativas do mercado (+4,3% t/t anualizado vs +3,3% estimado vs +3,8% anterior), mas também porque a composição do crescimento demonstra que a economia americana atravessa um bom momento — com o PIB sustentado pelo Consumo Privado e pela Investimento (em especial na área da IA) e com uma contribuição positiva do Setor Externo. No entanto, o cenário do 4.º trimestre poderá ser um pouco diferente, sobretudo devido ao encerramento parcial da administração pública. Veremos... Também foi divulgada a Confiança do Consumidor de dezembro (89,1 vs 91,0 estimado vs 92,9 anterior, revisto de 88,7), que piorou, mas essencialmente devido à revisão em alta do mês anterior, tornando a leitura algo ambígua. Em todo o caso, o mercado interpretou ambas as referências de forma positiva, o que impulsionou novamente as bolsas.  


Hoje, os futuros apresentam-se estáveis (+/- 0,1%) e tudo indica que essa será a tónica dominante da sessão. Para além da ausência de indicadores macro relevantes, as bolsas negociam apenas meia sessão, tanto na Europa como nos EUA. Amanhã não haverá negociação nem de ações nem de obrigações, e na sexta-feira apenas os mercados dos EUA e do Japão estarão abertos. O mercado dá, portanto, o ano como encerrado, sendo agora momento de preparar o posicionamento para 2026. O contexto mantém-se favorável ao mercado, com potenciais de valorização entre +9% e +17%. As razões: (i) o ciclo económico atual é expansivo, (ii) a inflação permanece ligeiramente acima do desejável, mas não preocupante, (iii) os lucros empresariais apresentam crescimentos de dois dígitos (+12% na Europa e +13% nos EUA), e (iv) as taxas de juro nos EUA estão em trajetória descendente.

Consoada, em Portugal

 Em Portugal, a ceia de natal recebe o nome de consoada sendo celebrada na noite do dia 24 de Dezembro, a véspera de Natal. Esta tradição leva as famílias a reunirem-se à volta da mesa de jantar, comendo uma refeição reforçada. Por ser uma festa de família, muitas pessoas percorrem longas distâncias para se juntarem aos seus familiares.


A origem do nome “Consoada” vem do Latim "consolata", de "consolare", "consolar".


Na tradição católica os fiéis participavam, ao final da noite, na Missa do Galo.


Segundo a tradição portuguesa, a Consoada consiste principalmente em bacalhau cozido, seguido dos doces, como aletria, rabanadas, filhoses e outros doces. Em algumas regiões do país (principalmente no Norte), o polvo guizado com couves e batatas também consta da mesa de Natal. Em Trás-os-Montes, peru no forno, canja de galinha e assados de borrego, porco ou leitão também marcam o Natal, enquanto na Beira Alta, o cabrito é uma tradição. No Alentejo e no Algarve, o peru recheado assado são pratos que podem constar das mesas.


Em Portugal, depois da Consoada, é tradição fazer a distribuição dos presentes de Natal.


No início do século XII d.C., os presentes eram distribuídos em nome de S. Nicolau, a 6 de Dezembro. Contudo, a contra–reforma católica do concílio de Trento (1545 – 1563) passou essa função ao Menino Jesus, sendo a distribuição feita no dia 25 de Dezembro, assinalando a data do nascimento de Jesus.

Está a ver aquela posta alta e deliciosa de bacalhau cozido com couves, cenouras, batatas e muito azeite por cima? No início do século XX, isso era coisa que só existia no Norte do país. Do Porto para baixo, a véspera de Natal era passada no mais rígido e rigoroso jejum. A partir do início do Advento, as famílias faziam jejum de carne e, na véspera de Natal, no Sul do país, era jejum total até à Missa do Galo.


Hoje em dia, a ceia da véspera de Natal tem tanta importância como o almoço de dia 25. Mas, há 100 anos, era coisa que existia essencialmente no Norte do País, acima do Porto. Aí, sim, havia uma tradição de jantar em família, com bacalhau – cozido ou em pastéis –, polvo guisado, arroz de polvo ou outros pratos sem carne. Na véspera de Natal, a família reunia-se à mesa para celebrar a festa em conjunto. 

No Norte, ninguém rezava pelo Menino Jesus à meia-noite. A essa hora toda a gente estava sentada à mesa, à volta de um polvo ou de um bacalhau. Só as famílias da nobreza nortenha fugiam à tradição. Numa investigação sobre "os alimentos nos rituais familiares portugueses", Maria Antónia Lopes, do Centro de História da Sociedade e da Cultura, da Universidade de Coimbra, publicou um menu de uma ceia de Natal de uma família nobre do Norte, em 1891: puré de jardineira, arroz de fantasia caseira, costeletas nacionais e "ervilhas idem" e couve flor composta. Para sobremesa, bolo experimental, pudim incógnito e broas de Natal, entre outros.


No final da II Guerra Mundial, o bacalhau começou então a espalhar-se por todo o país. O Estado Novo via no bacalhau um prato "simples" e "humilde" que ajudava a educar o povo a ser poupadinho e bem comportadinho. Com a massificação da televisão e a distribuição de bacalhau garantida pelo Estado, a ditadura aproveitou para impor uma propaganda nacional em defesa do bacalhau, tornando-o tradição em todo o país.


Em Portugal, aliás, este bolo nunca foi consensual. A receita foi trazida para Lisboa em 1869 pelo dono da Confeitaria Nacional que, no ano passado, ganhou a rigorosíssima eleição de Melhor Bolo-Rei de Lisboa . Baltasar Rodrigues Castanheiro Júnior provou, pela primeira vez, o bolo-rei em Paris e começou a vendê-lo na Confeitaria. Rapidamente, o bolo se tornou um sucesso especialmente na época do Natal.


Mas, com a implantação da República, um bolo com "Rei" no nome virou um ultraje. A venda foi proibida pelo Estado e só a gula e a imaginação dos portugueses é que o conseguiu manter vivo. Antes que os políticos percebessem o que se estava a passar, já as pastelarias vendiam o mesmo bolo, chamando-lhe Bolo de Natal, Bolo de Ano Novo ou até Ex-Bolo-Rei.


Talvez o facto de muitos nortenhos terem vindo trabalhar e viver para Lisboa, a partir da década de 40, tenha também ajudado a vulgarizar o bacalhau como prato natalício mais a sul. Mas, mesmo assim, há ainda hoje bastantes variações regionais (para além das tradições e variações de cada família). Na zona Oeste, o polvo cozido é comum no dia 24, a par do bacalhau com batatas e couves.


A outra constante era que mesmo nesta ceia (refeição tardia, exatamente, como se chama no Brasil, a "ceia natalina" ou "ceia de Natal") pós meia-noite, não se comia carne vermelha. O prato tradicional era o bacalhau.

Curiosamente o ritual de jejum repetia-se no Ano Bom, trocando-se o prato principal da ceia pós meia-noite pelo arroz de polvo.

Já no almoço do dia de Natal (o mesmo se repetia no dia de Ano Bom), a fartura era total, com vários tipos de aves, frutos do mar, cabrito, coelho (que os brasileiros não costumam comer), porco (quase sempre pernil assado) etc.

Outra tradição mantida em casa era amassar as filhoses ou velhoses, bolinhos fritos de abóbora e aguardente (chamada no Brasil de "portuguesa", para diferenciar da aguardente local, de cana-de-açúcar), doce camponês que a maioria dos brasileiros desconhecia e ainda desconhece (ao contrário de versões de doces mais sofisticados como pasteis de santa clara e de belém, que se encontram em muitos lugares). Apenas nas festas de fim de ano, como dizemos cá, amassava-se as filhoses.


Toda a gente (será um exagero, mas no Entre Douro e Minho se calhar não era...) comia bacalhau no Natal. E comia-o três vezes. À ceia, depois desfiado ao almoço como «entrada» antes do Galo (isso de Perú não é daqui) e finalmente o farrapo velho ou roupa velha . Não só havia em praticamente todas as paróquias, desde pelo menos finais de oitocentos até aos anos 60 de novecentos  como volta hoje a haver em muitas paróquias.

No Norte de Portugal a consoada é

talvez a festa mais comemorada no seio das famílias. O indispensável bacalhau cosido e as indispensáveis rabanadas são prato obrigatório ainda nos lares mais modestos.


Em Trás-os-Montes, o dia 24 é o verdadeiro dia de Natal, no sentido do festejo familiar. É um dia em que se come apenas peixe: o bacalhau e o polvo, acompanhados de batatas cozidas, couves e em muitas casas abóbora cozida, tudo bem temperado com azeite local. À sobremesa, doçaria da época, filhoses, pudim de ovos, bolo-rei e arroz doce. O dia 25 é virado para as carnes, principalmente, peru, não descurando cabrito ou cordeiro, grelhados ou assados.


Na Beira Baixa comia-se na véspera de Natal aquilo que se comia em todo o Inverno. Ou seja, batatas com couves e bacalhau (uma posta melhorada). Dia 24 não era dia de festa. As filhoses eram amassadas ao fim da tarde e fritas noite dentro até perto da meia noite. O mais antigos guardavam o preceito de não se começar a fritar a filhoses antes de escurecer. Depois ia-se à missa do Galo. 

No Alentejo, o bacalhau, cozido ou assado no forno, é degustado na consoada e no almoço do Dia de Natal come-se, tipicamente, o galo, tostado ou assado, mas há quem prefira o cabrito assado. No que toca aos doces, os alentejanos comem as conhecidas filhós, leite creme e coscorões. Além disso, as azevias de grão, o nogado e as encharcadas são também opções nesta quadra.


No Algarve, a ceia de Natal é feita ou com um prato de carne ou de peixe, em que o galo de cabidela e o bacalhau cozido são opções e no almoço do Dia de Natal comem-se os restos e assam-se carnes de borrego ou peru. Em algumas zonas também se come leitão. As sobremesas passam pelas filhós, rabanadas, sonhos e leite creme, os algarvios juntam a tarte de amêndoa, as empanadilhas e as encharcadas, importadas do Alentejo e o Morgado de Amêndoa.


Da Beira Alta à Beira Baixa o bacalhau cozido é rei na consoada e no Dia de Natal, o almoço é com carne assada, de cabrito ou de peru. Arroz doce, sonhos, rabanadas e Bolo Rei são as sobremesas de eleição. As tigeladas, as papas de carolo e as filhós de joelho também são doces tradicionais desta altura do ano. 


Na Beira Litoral, o bacalhau cozido também impera na noite de Natal, assim como o polvo. No almoço do Dia de Natal come-se carne assada, de peru, de porco ou de cabrito. Quanto a doces, na Beira Litoral não existem propriamente pratos típicos, mas, na região de Aveiro, comem-se os ovos moles. De resto, na mesa de Natal não podem faltar as rabanadas, as filhós, os sonhos, a aletria, os frutos secos e o Bolo Rei.


A zona de Lisboa e Vale do Tejo caracteriza-se por reunir um conjunto de receitas típicas de várias pontos do país, trazidas pelo fluxo migratório do século XX. Na ceia, come-se o bacalhau cozido com todos e peru assado. No almoço de Natal serve-se carne assada de cabrito, peru ou borrego. Nas sobremesas imperam as rabanadas e comem-se filhós, sonhos, aletria, lampreia de ovos, azevias e Bolo Rei.


No Minho e no Douro Litoral, o bacalhau cozido é rei na ceia de Natal e no final da refeição, não se levanta a mesa, para que as alminhas e os anjos possam saciar-se. No almoço do Dia de Natal serve-se roupa velha ou farrapo velho feita com os restos, além disso, também é costume comer-se cabrito e peru assado. À sobremesa comem-se as rabanadas de vinho, de leite ou de mel, que podem ser regadas com calda de açúcar. Também são tradicionais os sonhos, as filhós, o arroz doce, os bolinhos de abóbora-menina e de chila e os mexidos, uma mistura de açúcar, pão e frutos secos fervida em água.


Em Trás-os Montes e Alto Douro, as principais receitas  têm como ingredientes o bacalhau e polvo. Nalgumas casas come-se pescada frita ou congo frito. No almoço de Natal também se come roupa velha, assim como carne assada, de cabrito, cordeiro, borrego ou peru. A mesa de doces é recheada com leite creme, arroz doce, rabanadas, filhós, sonhos, pão de ló, farófias e Bolo Rei que, nalguns casos, é substituído pelo Bolo Inglês, também com frutos secos.


Na Madeira comem-se pratos mais leves na ceia de Natal e no Dia de Natal, o almoço é com carne Vinha e Alhos ou bacalhau cozido. Os madeirenses comem Bolo de Mel, ao qual juntam sobremesas mais leves, com fruta, salada de fruta, pudim de maracujá, tangerinas, ananás, tomate inglês e, ainda, o "fruto delicioso", uma espécie de banana ananás.


Nos Açores come-se bacalhau com todos, ou canja de galinha. Há ainda quem coma torresmos com inhames e Morcela com batata doce, estes dois últimos pratos são tradicionais na ilha de São Jorge.No dia seguinte, os pratos vão desde peru e frango assados no forno com recheio de pão e miúdos (Terceira, Flores e São Miguel), ao frango com debulho e borrego assado (São Jorge), passando por cozido (Graciosa), polvo assado ou guisado (Terceira, Graciosa e Santa Maria), molha de carne com inhames e sopas de pão de trigo (Pico), lulas à moda das Ribeiras e ainda há espaço para a roupa velha (feita com os restos do bacalhau com todos do dia anterior). As sobremesas são com Bolo de Natal (feito com frutas cristalizadas), arroz doce, queijadas e  pasteis de arroz (Graciosa), pão de ló, Bolo de nozes, Bolo de laranja, filhós, coscorões, rabanadas, Bolo Rei e figos passados. Para acompanhar, os açorianos bebem licores caseiros, aguardente de canela e Vinho do Porto.


Na verdade, creio eu, independentemente das regiões cada família terá a sua particularidade. Nada segue um padrão assim tão rígido e inflexível. 

No caso da minha família o meu pai era um "festeiro" por excelência. 

A noite do dia 24 era sempre passada em nossa casa e a família vinha toda. 

Já descrevi o quanto ele era cuidadoso e minucioso nos preparativos de qualquer festa. No Natal ele se esmerava. O presépio era um encanto. E a preparação da Consoada era organizada com muita antecedência.  Ainda estou para perceber como ele conseguia montar a mesa para mais de vinte pessoas. Eu era muito miúdo e tenho alguns flashs de recordações.  Recordo dos alguidares onde as postas de bacalhau ficavam de molho. O cheiro inconfundível dos fritos da quadra misturados com açúcar e canela...

A melhor loiça,  os copos mais finos e a toalha mais rica saíam dos armários e louceiro. 

Escolhida a toalha ele ia buscar o ferro de engomar e eliminava qualquer dobra ou ruga. Tudo tinha que estar impecável. Tinha um jeito para decoração que era indiscutível.  

Meu irmão e eu pouco aproveitávamos porque a refeição propriamente dita só era servida após a meia noite.  Antes eram entradas e quantidades generosas de pastéis de bacalhau. 

Adormecíamos antes do jantar mas acordávamos cedo com a excitação de ver os presentes sob a árvore.  

O pai nunca ia se deitar antes de arrumar tudo e lavar a loiça toda. E nesses dias não havia criada. Geralmente ele contratava uma senhora para ajudar a servir e que permanecia na cozinha a lavar pilhas de pratos e tachos.

A avó Luísa fazia questão de preparar a aletria que ninguém gostava( nem ela) e as rabanadas.  A parte fazia uma calda com tiras muito fininhas de casca de laranja. Era um caldo doce e aromático . Dizia que assim as rabanadas não ficavam secas.

O pai encomendava um peru suficientemente grande para todos.  Arranjava, limpava, temperava e recheava. Na hora de assar tinha lá um acordo com os homens da padaria ao pé da nossa casa e o bicho como não cabia no nosso forno ia assar aos cuidados dos padeiros.

Depois que o pai faleceu as pessoas sumiram. 

Mantivemos o Natal mas de forma muito mais modesta,  com menos convidados e obviamente com pouco dinheiro. 

Se nos tempos do pai a tradição era seguida dentro de todas as regras e protocolos na fase da mãe viúva a organizar tudo a operação foi simplificada e alterada.

Os parentes e amigos passaram a colaborar e cada um trazia um prato, alguns o vinho, um bolo, uma especialidade e ficou bem mais prático.  

Contudo a mãe era uma rebelde sem causa.  Talvez por ser fã do James Dean.  Não sei. O facto é que ela gostava de inovar. E sempre introduzia um prato diferente/ exótico na mesa de Natal. Procurava nos livros e sempre descobria uma novidade asiática,  árabe ou nórdica.  Não lembrava ao Diabo mas acabou por se tornar uma tradição.  As pessoas mal chegavam e perguntavam-lhe: o que inventaste esse ano?

Seja como for mantive a magia do Natal. Adoro! E acho que consegui transmitir aos meus filhos.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Call Matinal 2312

 Call Matinal

23/12/2025

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL

 

FECHAMENTO (1912)

MERCADOS E AGENDA

No mercado brasileiro de segunda-feira (22), o Ibovespa fechou em queda marginal de 0,21%, a 158.141 pts. Já no mercado cambial, o dólar encerrou alta de 0,42% (a R$ 5,5383). Dia de IPCA-15, devendo acelerar, nos EUA, a primeira leitura do PIB do terceiro trimestre e o núcleo do PCE. Sai também a produção industrial de novembro.

 

 

PRINCIPAIS MERCADOS

Os índices futuros dos EUA operam perto da estabilidade nesta terça-feira (23), após um início de semana positivo, enquanto investidores aguardam a divulgação de uma bateria de indicadores econômicos, atrasados pelo shutdown.

 

 

 

MERCADOS 5h30

EUA

 

 

Dow Jones Futuro: +0,01%

S&P 500 Futuro: +0,01%

Nasdaq Futuro: +0,03%

Ásia-Pacífico

 

 

Shanghai SE (China), +0,07%

Nikkei (Japão): +0,02%

Hang Seng Index (Hong Kong): -0,11%

Nifty 50 (Índia): +0,10%

ASX 200 (Austrália): +1,10%

Europa

 

 

STOXX 600: +0,30%

DAX (Alemanha): +0,22%

FTSE 100 (Reino Unido): +0,12%

CAC 40 (França): +0,02%

FTSE MIB (Itália): +0,11%

Commodities

 

 

Petróleo WTI, -0,07%, a US$ 57,97 o barril

Petróleo Brent, +0,02%, a US$ 62,08 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, -0,26%, a 778,50 iuanes (US$ 110,57)

 

NO DIA, 2312

Amanhecemos com dados relevantes nos EUA e no Brasil. Por lá, sai a primeira leitura do PIB americano do terceiro trimestre e a inflação do PCE no período. O ritmo da atividade econômica também poderá ser medido pela produção industrial de outubro e novembro. Aqui, a aceleração esperada para o IPCA-15 de dezembro deve adiar o corte da Selic, pelo Copom, de janeiro para março. Em paralelo, pelo portal Metrópoles, temos a transmissão ao vivo no YouTube, às 11h, da entrevista do ex-presidente Jair Bolsonaro. Esta já é considerada um ruído político relevante, a gerar volatilidade nos negócios. Este trade eleitoral, inclusive, voltou a fazer preço ontem, diante das dúvidas sobre a competitividade da candidatura de Flávio, que reduz as chances de Tarcísio na disputa e diminui a probabilidade de vitória da centro-direita contra Lula.

 

 

 

 

 

 

 

Agenda Macroeconômica Brasil

 

Segunda-feira, 22 de dezembro 

China: PBoC manteve os juros estáveis pelo sétimo mês. Taxas para empréstimos de 1 e 5 anos em 3% e 3,5%, respectivamente

Brasil 22: Boletim Focus

Brasil 22: Arrecadação federal de novembro no bom desempenho do IOF e das receitas previdenciárias. Previsão é de R$ 224,2 bilhões (mediana), após R$ 261,908 bilhões em outubro.

Pesquisa Firmus do quarto trimestre, com expectativas de empresas não financeiras sobre a atividade econômica e a inflação.

EUA: Índice de atividade nacional de setembro (Fed de Chicago)

 

 

Terça-feira, 23 de dezembro 

Brasil: IPCA-15 de dezembr0 (IBGE)

 

Brasil: Aneel define a bandeira tarifária de energia elétrica para janeiro

EUA: PIB do terceiro trimestre, e o PCE do período

EUA: produção industrial de outubro/nov.

Quarta-feira, 24 de dezembro 

EUA: Quarta-feira (meio período)

Brasil, Alemanha e Reino Unido: feriado de Natal

 

Quinta-feira, 25 de dezembro   

Quinta-feira (fechado – Natal)

Sexta-feira, 26 de dezembro 

Sexta-feira: Boxing Day

Brasil: Nota de crédito de novembro (BCB)

 

 

 

 

 

Boa terça-feira para todos! Bom Natal !

BDM MATINAL RISCALA

 *Rosa Riscala: Bolsonaro, IPCA-15 e PIB dos EUA agitam pré-Natal*


O portal Metrópoles entrevistará o ex-presidente, em transmissão ao vivo no YouTube, às 11h


… Com quase dois meses de atraso, por causa do shutdown mais longo da história, a primeira leitura do PIB americano do terceiro trimestre será divulgada às 10h30. A inflação do PCE no período virá embutida no relatório. O ritmo da atividade econômica também poderá ser medido pela produção industrial de outubro e novembro (11h15). Aqui, a aceleração esperada para o IPCA-15 de dezembro (9h) deve esvaziar a aposta já minoritária de corte da Selic em janeiro. Mais do que a agenda dos indicadores, o cenário eleitoral é que promete continuar roubando a cena, com a primeira entrevista de Bolsonaro desde que foi preso. O portal Metrópoles fará transmissão ao vivo no YouTube, às 11h. O ex-presidente deve formalizar seu apoio público a Flávio, que tem estressado o mercado.


ZERO UM – Segundo analistas, a entrevista é monitorada como ruído político relevante, que pode gerar volatilidade extra nos negócios. Com o dólar já encostado em R$ 5,60, o BC chamou mais dois leilões de linha para hoje (10h30).


… As duas operações ocorrerão de maneira simultânea e serão aceitos no máximo US$ 2 bilhões. As atuações não estão atrelada à rolagem de vencimentos, o que representa a injeção de novos recursos no mercado cambial.


… A intervenção parece ser uma tentativa de evitar disfuncionalidade no câmbio, neste momento em que o dólar é pressionado pelas remessas sazonais ao exterior e saídas para pagamento de dividendos por investidor estrangeiro.


… De quebra, o BC ainda pode dar um alívio às posições defensivas potencializadas pela corrida ao Planalto em 2026.


… O trade eleitoral voltou a fazer preço ontem, diante das dúvidas sobre a competitividade da candidatura de Flávio, que reduz as chances de Tarcísio na disputa e diminui a probabilidade de vitória da centro-direita contra Lula.


… Pegaram mal nos negócios ontem duas notícias sobre as articulações para consolidar a pré-candidatura de Flávio.


… Segundo a CNN, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, costura para que o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), entre como vice de Flávio e que Eduardo Leite e não Ratinho Jr. saia candidato ao Planalto pelo PSD.


… Ratinho Jr. é o segundo nome favorito do mercado após Tarcísio, em mais um golpe de confiança à Faria Lima, que também considera fraca uma chapa Flávio-Zema, com chances ainda mais reduzidas de vencer a força de Lula.


… Enquanto se consolida como o nome de oposição à disputa pela Presidência, Flávio tenta se descolar do radicalismo, se vende como moderado para o mercado e reforça a imagem de uma agenda liberal para 2026.


… Em entrevista exclusiva para a Reuters, o senador do PL prometeu a retomada das privatizações no País, começando pelos Correios e, “se estudos indicarem”, por partes da Petrobras, que ele considera “complexa demais”.


… No estilo market friendly, defendeu o equilíbrio fiscal, corte de impostos e um governo enxuto.


… Mas o mercado, que tinha um plano A (Tarcísio) e um plano B (Ratinho Jr.), tem tudo dificuldade para assimilar o plano C (Flávio) e comprar a tentativa de construção de um perfil mais sóbrio. “Sou um Bolsonaro que se vacinou.”


… Flávio planeja viajar ao exterior para atrair investimentos e apoio internacional à sua candidatura ao Planalto, com um tour pelos Estados Unidos (Trump), Argentina (Milei), Chile (Kast) e Israel (Netanyahu) no início do ano que vem.


LULA 4 – O presidente fará hoje dois movimentos importantes em busca de apoio para sua campanha à reeleição, segundo a Coluna do Estadão. O primeiro será na cerimônia de posse do ministro do Turismo, Gustavo Feliciano.


… Ao entregar o cargo para um nome indicado pelo União Brasil, partido que rompeu com o governo e expulsou o ministro Celso Sabino, Lula atrai um pedaço do Centrão para a sua estratégia eleitoral de 2026.


… Feliciano conta, ainda, com o aval de Motta, que faz questão de comparecer à solenidade no Palácio do Planalto.


… Com a eleição no radar, Lula também promoverá o segundo afago do dia, desta vez dirigido aos evangélicos: vai assinar um decreto que reconhece a música gospel como patrimônio brasileiro.


MASTER – Investidores monitoraram ontem a informação publicada pelo jornal O Globo de que Moraes (STF) teria pressionado Galípolo para aprovar a venda do banco ao BRB, apesar de investigações sobre fraudes de R$ 12,2 bi.


… O escritório da esposa do ministro do STF tinha um contrato milionário com o Master, mas não há registros de atuação junto a órgãos como o BC ou Cade. Procurados, nem Moraes nem o presidente do BC quiseram comentar.


IPCA-15 – Os preços das passagens aéreas devem acelerar a prévia da inflação oficial para 0,25% em dezembro, contra 0,20% em novembro, enquanto os alimentos podem limitar um avanço mais expressivo do indicador.


… As projeções no Broadcast são todas de alta para o IPCA-15 e vão de 0,12% a 0,40%. A mediana indica que o dado deve fechar o ano em alta de 4,41%, abaixo do teto da meta de inflação, de 4,5%. As apostas vão de 4,28% a 4,57%.


… A média dos núcleos deve ter leve avanço de 0,27% para 0,29%, com ganho de ritmo nos preços livres (0,27% para 0,31%); administrados (-0,01% para 0,09%); serviços (0,66% para 0,79%); e serviços subjacentes (0,40% para 0,41%).


… Já a alimentação no domicílio deve repetir a queda de novembro (-0,15%) e os bens industriais devem aprofundar a deflação (-0,06% para -0,12%). Se não surpreender, o IPCA-15 deve manter a aposta de corte da Selic só em março.


… Às 8h, sai a prévia do IPC-S e, à tarde, a Aneel define a bandeira tarifária de energia elétrica para janeiro.


PIB DOS EUA – A expectativa é de leve desaceleração no período de julho a setembro, para 3,3%, contra um crescimento de 3,8% no segundo trimestre, segundo a mediana das previsões obtidas pelo Projeções Broadcast.


… As projeções apontam para um cenário de crescimento acima dos 3%, sinalizando que a economia americana mantém o fôlego, o que pode reforçar as apostas de pausa do Fed na reunião de política monetária de janeiro.


… Além do PIB e da produção industrial, a agenda americana prevê para hoje as encomendas de bens duráveis (10h30) e o índice de confiança do consumidor medido pelo Conference Board, que será divulgado ao meio-dia.


VÉSPERA DE NATAL – A B3 fecha amanhã, mas NY funciona com horário reduzido: bolsas (15h) e Treasuries (16h).


PORTA ESTREITA – Com a liquidez reduzida devido ao Natal, o câmbio sentiu a demanda de remessas de fim de ano para o exterior, junto com a busca de proteção dos investidores por causa do quadro eleitoral.


… O dólar bateu nos R$ 5,6072 (+1,40%) na hora mais tensa do dia, que coincidiu com a divulgação da entrevista de Flávio Bolsonaro à Reuters, mas terminou em alta de 0,99%, a R$ 5,5843, maior cotação desde 30 de julho.


… O caminho do câmbio aqui foi o oposto do dólar lá fora. A moeda americana recuou frente aos pares e diante de divisas emergentes, em uma sessão favorável para as commodities, especialmente o petróleo.


… O índice DXY caiu 0,30%, a 98,301 pontos. O euro subiu 0,38% (US$ 1,1753), a libra ganhou 0,59%, a US$ 1,3457, e o iene se fortaleceu a 156,99/US$, após a ministra das Finanças do Japão sinalizar possível intervenção cambial.


… Satsuki Katayama afirmou que o governo tem “carta branca” para atuar contra movimentos cambiais que não estejam alinhados a fundamentos econômicos, após a pressão provocada pela decisão de viés hawkish do BoJ.


… A desvalorização importante do real pesou sobre os juros futuros, que encerraram a sessão em alta firme ao longo de toda a curva, na véspera da divulgação do IPCA-15 e da bandeira tarifária de energia pela Aneel.


… Investidores adotaram posições defensivas, antes da entrevista de Bolsonaro hoje.


… O boletim Focus desta 2ªF também motivou ajustes na curva, com as expectativas para a Selic no fim de 2026 subindo de 12,13% para 12,25%.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 13,840% (de 13,770% no ajuste anterior); Jan/29, 13,350% (13,237%); Jan/31, 13,655% (13,537%); e Jan/33, 13,770% (13,652%).


… Na bolsa, em meio à queda de braço entre as commodities e as ações sensíveis aos juros, o Ibovespa recuou 0,21%, aos 158.141,65 pontos, com volume de R$ 24,4 bilhões.


… Cogna ON (-5,00%, a R$ 3,42) foi a maior baixa do índice, acompanhada por Vamos ON (-4,32%, a R$ 3,10) e Lojas Renner ON (-3,47%, a R$ 13,08).


… Marcopolo PN (+5,75%, a R$ 6,44) liderou a lista de altas, com o anúncio de bonificação de ações. Vale ON (+2,92%, a R$ 72,92) subiu após comprar um complexo eólico na Bahia por meio da Aliança Energia.


… Prio ON (+3,14%, a R$ 39,41) pegou carona na alta do petróleo. Já Petrobras ON (+0,49%, a R$ 32,84) e PN (+0,29%, a R$ 31,10) tiveram dia morno, mesmo após a FUP aceitar proposta da empresa e sinalizar o fim da greve.


… Os grandes bancos fecharam mistos: Itaú PN (+0,20%, a R$ 39,61); Bradesco PN (-1,41%, a R$ 18,24); Santander Unit (+1,05%, a R$ 32,66) e BB ON (-0,65%, a R$ 21,30).


CADÊ A BOLHA? – As bolsas americanas voltaram a subir, embaladas mais uma vez pelas ações de tecnologia e também pelas empresas de mineração e petroleiras.


… O Dow Jones fechou em alta de 0,47%, aos 48.362,68 pontos. O S&P 500 avançou 0,64%, aos 6.878,49 pontos, e o Nasdaq ganhou 0,52%, aos 23.428,83 pontos.


… Newmont (+3,54%) e Freeport-McMoRan (3,05%) avançaram na esteira dos recordes no preço do ouro, da prata e de outros metais. ExxonMobil (+1,25%) e Chevron (+1,39%) pegaram carona na alta do petróleo.


… Oracle andou mais 3,34%, ainda impulsionada pelo acordo anunciado na semana passada para a criação de joint venture do TikTok nos EUA.


… Nvidia subiu 1,49% com a possibilidade de iniciar a exportação de chips H200 para a China já no mês de fevereiro. Apesar das altas recentes, a Swissquote acha improvável que a pressão sobre as techs tenha chegado ao fim.


… Analistas avaliam que acordos como o da Oracle com o TikTok ainda não respondem à questão principal: “como as receitas crescerão rápido o suficiente para justificar o aumento da alavancagem e dos gastos de capital?”


… A novela da compra da Warner (+3,53%) continua, desta vez com a Paramount (+4,29%) fazendo uma nova oferta de compra, totalmente em dinheiro e com direito à garantia pessoal de Larry Elisson, cofundador da Oracle.


… A garantia deve sanar as dúvidas do conselho da Warner sobre a viabilidade financeira da proposta da Paramount, o que levou a empresa a preferir inicialmente a oferta em dinheiro e ações da Netflix (-1,23%).


A PESO DE OURO – O metal precioso bateu novo recorde, a US$ 4.469,40 por onça-troy, com alta de 1,87% na Comex, em meio às tensões geopolíticas, especialmente a possibilidade de uma guerra entre EUA e Venezuela.


… Esse também foi o motivo para a nova disparada do petróleo. No fim de semana, os americanos interceptaram um segundo petroleiro com óleo venezuelano e perseguiram outro navio-tanque que faz transporte para o país.


… Trump disse ontem à noite que, “se Maduro quiser jogar duro, será a última vez que ele fará isso”. O Brent para março avançou 2,55%, a US$ 61,58 o barril. O WTI para fevereiro teve alta de 2,63%, a US$ 58,01.


CIAS ABERTAS NO AFTER – SANTANDER aprovou a distribuição de R$ 620 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,1661 por unit, com pagamento a partir de 5 de fevereiro; ex em 5 de janeiro.


BTG PACTUAL aprovou a distribuição de R$ 569 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,1483 por unit, com pagamento em 13 de fevereiro; ex em 30 de dezembro.


HAPVIDA confirmou que Jorge Pinheiro, atual CEO, será substituído por Lucas Adib, atual diretor financeiro da operadora, no fim de 2026…


… Jorge assumirá a presidência do Conselho de Administração, enquanto seu pai e fundador da Hapvida, Candido Pinheiro, passa a ser um integrante do conselho; a ideia é começar 2027 nessa nova estrutura…


… Companhia recebeu, ainda, carta de renúncia do Alain Benvenuti ao cargo de diretor estatutário; em seu lugar, assumirá Cidéria Costa, que até então atuava como diretora executiva de medicina diagnóstica.


REDE D’OR. Pasta da Saúde anunciou adesão de dois hospitais do grupo ao programa “Agora Tem Especialistas”…


… Glória D’Or e Niterói D’Or, no Rio, oferecerão cerca de 100 cirurgias cardiológicas por ano para o SUS, no valor de R$ 3,6 milhões.


RD SAÚDE. Acionistas aprovaram em assembleia geral extraordinária proposta de aumento do capital social mediante capitalização de parte das reservas de lucros no valor total de R$ 750 milhões…


… Operação será realizada com emissão e distribuição a acionistas de 34.360.144 de ON, a título de bonificação, na proporção de uma ação nova para cada 50; custo atribuído às ações bonificadas será de R$ 21,8276 por ação.


MAGALU aprovou aumento do capital de R$ 400 mi, mediante emissão de 36.949.762 novas ações ON, a serem atribuídas na proporção de 1 bonificada para cada 20 ações ON que acionistas possuírem na data de corte (29/12).


C&A informou que o Morgan Stanley passou a deter 18.882.299 ações ordinárias de emissão da companhia, equivalentes a 6,1% do total.


MULTIPLAN aprovou a distribuição de R$ 150 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,3065 por ação, com pagamento até 30 de dezembro de 2026…


… Com esta deliberação, a companhia declarou, em 2025, um total de R$ 500 milhões em JCP.


IGUATEMI aprovou a distribuição de R$ 200 milhões em dividendos, com pagamento em quatro parcelas iguais, sendo a primeira para 5 de março; as demais parcelas serão pagas em abril, julho e outubro.


CARREFOUR BRASIL informou que a CVM cancelou o registro da empresa como companhia aberta, categoria B, após o cumprimento de todas as exigências previstas na legislação…


… Assim, empresa passa a ser companhia fechada e seus valores mobiliários deixam de ser negociados na B3 ou em qualquer outro mercado organizado.


PRIO. Schroder atingiu participação de 5,031% do total das ações da companhia, passando a deter 43.741.218 de papéis ordinários…


… Conforme dados mais recentes, a Schroder não detinha participação relevante anterior.


BRASKEM informou que foi publicada a lei nº 15.294/25, que institui o Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq) contemplando o regime de incentivos para estímulo da indústria química brasileira.


… Em relação ao Regime Especial da Indústria Química (Reiq), foi mantida a alíquota atual de 0,73% para 2026.


AXIA ENERGIA encerrou programa de recompra de ações de 2024 e aprovou novo programa, que prevê aquisição de até 187.866.804 de ações ON, 26.646.211 de ações PN classe B1 e 56.385.895 de ações preferenciais classe C…


… No âmbito do programa de 2024, foram adquiridas 3.428.201 de ações ordinárias e 524.800 ações preferenciais classe B, totalizando R$ 152 milhões.   


EQUATORIAL aprovou a distribuição de R$ 167,7 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,1332 por ação ordinária, com pagamento em única parcela em data a ser fixada pela administração…


… Adicionalmente, conselho aprovou um aumento de capital social no valor de R$ 9,5 bilhões, elevando o capital da companhia de R$ 12,7 bilhões para R$ 22,2 bilhões…


… Aumento será feito sem emissão de novas ações, por meio da capitalização de reservas para investimento e expansão e reserva legal. 


ISA ENERGIA anunciou o início da operação comercial do sistema FACTS (Sistemas de Transmissão de Corrente Alternada Flexíveis) do tipo M-SSSC (Compensador Estático Síncrono Série Modular)…


… Esta tecnologia, inédita no Brasil, permite redirecionar fluxo de energia de circuitos sobrecarregados aos menos utilizados, otimizando infraestrutura existente e mitigando congestionamento em linhas de transmissão.


BRAVA ENERGIA informou que o Goldman Sachs, de forma agregada, passou a deter, por meio de derivativos de liquidação financeira, o equivalente a 23.856.219 ações ON, correspondente a 5,14% do capital social.


COPASA aprovou programa de investimentos para 2026 no valor de R$ 3,1 bilhões e apresentou projeções para o período de 2027 a 2030, que somam R$ 17,9 bilhões.


AEGEA informou que, conforme aprovado em assembleia geral extraordinária, protocolou pedido de conversão de seu registro de emissão de valores mobiliários perante a CVM da categoria B para categoria A…


… Companhia avaliando IPO e, para tanto, iniciou o processo de engajamento de assessores financeiros e legais para a execução de trabalhos preparatórios para definição da viabilidade, dos termos e estrutura da potencial oferta. 


AZUL solicitou à CVM o registro de lançamento de uma oferta pública de distribuição primária de ações ordinárias e preferenciais, como parte do plano de reestruturação da companhia nos Estados Unidos, sob o “Chapter 11”…


… Serão emitidas 723,86 bilhões de ações ON e 723,86 bilhões de PN; preço por ação foi fixado em R$ 0,00013527 para ordinárias e R$ 0,01014509 para preferenciais, resultando em um montante total estimado de R$ 7,44 bilhões.


COSAN anunciou venda de 4,96% das ações ON da controlada Rumo; paralelamente, companhia firmou contrato de derivativos do tipo “Total Return Swap”, garantindo a mesma exposição econômica sobre as ações alienadas.


STONE anunciou novo programa de recompra de ações de até R$ 2 bi; programa não possui data de vencimento definida e substitui programa anterior anunciado em maio…


… No âmbito do programa anterior, a Stone recomprou um total de 21.872.021 de ações a um preço médio de US$ 16,34 por ação, totalizando R$ 1,95 bilhão.

O PT e o poder Buzatto

 Preciso fazer alguns 'disclaimers' antes de postar o texto de Luiz Felipe Pondé na Folha de S. Paulo, datado de 16/03/2026: 1. Eu s...