Sou Economista com dois mestrados, cursos de especialização e em Doutoramento. Meu objetivo é analisar a economia, no Brasil e no Mundo, tentar opinar sobre os principais debates da atualidade e manter sempre, na minha opinião essencial, a independência. Não pretendo me esconder em nenhum grupo teórico específico. Meu objetivo é discorrer sobre varios temas, buscando sempre ser realista.
terça-feira, 11 de maio de 2021
MACRO MERCADOS DIÁRIO 11/05/2021 - DIA DE ATA DO COPOM
Sobre a pandemia, há um certo desconforto no ar, pois não conseguimos ainda sair das 750 mil aplicações diárias de vacina. No balanço do dia 10 são 889 óbitos diários, acumulando 423 mil até o momento. A média de novos casos segue estabilizada, mas hoje o total foi muito influenciado pelo Paraná. São 25.200 novos casos e 13,5 milhões de recuperados.
Como dito acima, na vacinação não estamos bem. Estacionamos em 750 mil doses diárias, e deveríamos estar no dobro disso. A China está vacinando mais de 7 milhões por dia, a Índia e os EUA 2 milhões e a Alemanha 800 mil. Israel já terminou o ciclo de vacinações e ao que parece, retorna a vida normal, mesmo que num novo olhar, pela ausência de mortes e novos casos.
Nesta segunda-feira, dia 10, os mercados se movimentaram de forma “estreita”, diante da agenda pesada desta semana. Na terça, dia 11, destaquemos a ata do Copom, na quarta-feira o IPCA, dados de atividade de Serviços, balanços corporativos e ao longo da semana a CPI da Covid.
Nos EUA, o movimento das T-notes deu uma estressada diante da intensificação do debate do Fed sobre se seria o momento de começar a discutir um corte nas compras de bônus. Isso jogou pressão sobre as bolsas de forma geral, mas os papéis de tecnologia foram os que mais sentiram, e a Nasdaq caiu mais de 2,5%.
Enquanto isso, no entanto, apesar dos ruídos políticos vindos da CPI da Covid e da revelação sobre um "orçamento secreto", feita no fim de semana, os juros futuros de curto prazo seguiram perto da estabilidade, à espera da comunicação do Banco Central logo cedo.
Esse ambiente de cautela fez o real ser capturado pelo movimento lateral da divisa americana ao redor do globo, o que resultou em discreta valorização de 0,07% no mercado à vista, a R$ 5,2320, a despeito de nova redução de posições contra a moeda brasileira na B3 e em Chicago. Já o Ibovespa não escapou do comportamento “morno” dos demais ativos, ao terminar com perda de 0,11%, a 121.909 pontos, apesar do avanço de bancos e Petrobras. Nem mesmo a disparada dos preços do minério de ferro teve força para sustentar Vale, o que ajudou a segurar o índice.
Na agenda de balanços corporativos da semana, na terça-feira, Carrefour, BTG PACTUAL, Klabin, Banco Inter, Telefônica, Petrobras e Sul América; na quarta-feira Eletrobras, Suzano, Rumo, MRV, JBS, BRF, LOCAWEB e YDUQS; na quinta, MAGALU, IRB, BRMALLS, RENNER e Natura, e, finalmente, na sexta, CVC, COSAN, COGNA e CEMIG.
TERÇA-FEIRA NO MERCADO
O IPCA deve registrar algo em torno de 0,3% a 0,4%, num ritmo de desaceleração, mas em 12 meses ainda muito elevado. Sobre a ata, o segredo será saber o que o Bacen deve decidir da sua “normalização parcial” da taxa Selic, quando boa parte do mercado esperava que a expressão fosse retirada na reunião do dia 5. O Copom de junho deve registrar mais um ajuste de 0,75 ponto percentual, a 4,25%, depois mais um, de 0,75 p.p., e outro, de 0,5 p.p., até a Selic fechar o ano em 5,5%.
Na 2ª feira, em NY havia uma releitura do payroll (266 mil), considerando que os números fracos podem ter sido distorcidos pelo auxílio garantido pelo pacote fiscal de Biden, que desestimularia a procura por emprego (abaixo). Esperava-se algo em torno de 1 milhão.
Falando da pandemia, e do ciclo de vacinação, há alguma frustração com o ritmo de 750 mil, enquanto o ideal seria o dobro. No stress entre governo federal e os chineses o problema é o atraso das remessas, afetando o cronograma de imunização a partir de junho. A expectativa é de que o insumo seja liberado até 5ª feira, chegando até dia 18, mas o envio ainda não confirmado.
Nesta semana, o Instituto Butantan deve entregar mais um milhão de doses (amanhã) e um 1,1 milhão na 6ª feira, direcionadas para as capitais que estão retomando a aplicação da segunda dose da Coronavac. Em nota ontem à noite, a Anvisa pediu suspensão imediata da vacina da AstraZeneca para grávidas, após a morte de uma gestante no Rio de Janeiro que havia tomado o imunizante. O caso está sendo investigado.
Retonamos também a CPI da Covid, com o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, questionado principalmente sobre a Sputnik V. O testemunho do ex-chanceler Ernesto Araújo, na 5ª feira, parece muito aguardado, após notícias de que ele mobilizou o Itamaraty para conseguir cloroquina, quando o medicamento já era considerado ineficaz contra a covid.
Por fim, o ex-ministro Pazuello continua tentando escapar da CPI, agora recorrendo ao STF para depor na condição de investigado, e não testemunha, o que lhe daria o direito de permanecer em silêncio para não se autoincriminar.
Em Brasília, continua a repercutir negativamente o tal “tratoraço”, um acordo com os deputados e senadores do Centrão, para a criação de um orçamento paralelo, mobilizando R$ 3 bilhões.
Sobre a agenda de reformas, “meio de lado”, Arthur Lira defende uma “reforma tributária possível”, dividida em duas partes. A reforma administrativa deve ser entregue pela Câmara ao Senado em um mês e meio e ainda o debate sobre as privatizações. Segundo ele, “a pauta econômica tem que ser destravada este ano, porque 2022 é ano eleitoral”.
MAIS AGENDA – Influenciado pela gasolina mais barata, o IPCA de abril (9h) deve perder fôlego, de 0,93% em março para 0,3% a 0,4%.
Na agenda de balanços corporativos da semana, na terça-feira, Carrefour, BTG PACTUAL, Klabin, Banco Inter, Telefônica, Petrobras e Sul América; na quarta-feira Eletrobras, Suzano, Rumo, MRV, JBS, BRF, LOCAWEB e YDUQS; na quinta, MAGALU, IRB, BRMALLS, RENNER e Natura, e, finalmente, na sexta, CVC, COSAN, COGNA e CEMIG.
sábado, 8 de maio de 2021
MACRO MERCADOS DIÁRIO 07/05/21 - MAIS DO MESMO
Sobre a CPI, novamente, não trouxe grandes revelações e manteve percepção de que a CPI ainda carece de maior embasamento técnico na área de saúde e infectologia. Os senadores envolvidos pouco sabem sobre medicina.
Na semana que vem temos os executivos da Pfizer e o ex secretário Fabio Wajngarten. Ambos abordarão a questão da compra de vacinas, o maior "nó" do governo. Nas semanas seguintes terermos o ex-ministro Antônio Pazuello e talvez o ex-ministro Ernesto Araújo.
nas seguintes, os gestores públicos de escalões mais baixos, diretamente envolvidos em ações que podem comprometer o governo, inclusive ao explicar as compras de cloroquina, bem como a crise em Manaus - outro "nó" em potencial.
Ainda sobre a decisão do Copom, ao que parece o ajustamento parcial ainda deve se manter, com mais dois ajustes de 0,75 ponto percentual e um de 0,5 p.p. A taxa Selic irá para 5,5% e neste patamar permanecerá.
Por fim, sobre a pandemia mais uma queda, fomos para 2.252 óbitos diários na média móvel. Já temos 14 unidades da federação com menos de 10 MM/dia (mortos por mihão) e apenas duas acima de 15 (RJ e PR). Mas incomoda a curva dos novos casos, estamos praticamente no mesmo patamar de 2 semanas atrás.
Sobre a agenda de sexta-feira (07), passados os dados de recuo da produção industrial de março, divulgados ontem, temos hoje os dados do varejo, da Pesquisa Mensal do Comércio (IBGE) no mesmo mês. Saberemos com mais sobre mais esta onda da pandemia, neste caso, causada pelo atraso da vacinação. Dados negativos para o comércio também podem ter como efeito colateral o aprofundamento do discurso do presidente contra medidas de isolamento social. Será um dia importante também nos EUA quando teremos novos elementos para tentar decifrar em que ritmo (ou intensidade) se encontra a economia norte-americana, se muito aquecida ou dentro dos parâmetros ou modelos do Fed. Saem neste dia o payroll e a taxa de desemprego ambos de abril.
Bons negócios a todos!
quinta-feira, 6 de maio de 2021
MERCADOS EM MAIO
De antemão, consideramos MAIO, no mercado de capitais brasileiro, mais um mês desafiante, o que deve demandar uma postura mais CONSERVADORA dos investidores na alocação de recursos.
De antemão, dependendo do ritmo das vacinações, achamos que os lockdowns localizados devem começar a se afrouxar, até pouco estaremos diante da redução do número de óbitos. Isso, no entanto, não deve afastar o fato de que teremos ainda um período de transição em que todo o cuidado será necessário. O tripé isolamento social, uso de máscara e álcool gel, continuará a nortear as nossas vidas, mas parte do comércio voltará a operar, assim como alguns serviços.
A seguir, alguns pontos a serem considerados.
Como condicional será importante estarmos atentos à CPI da Covid 19, que pode acirrar os ânimos e respingar no comportamrnto dos investidores. Isso porque será objetivo desta analisar todo o caminho do governo no enfrentamento da pandemia, seus vários passos errados, como no início, negando a CORONAVAC, contra o governo João Dória, de São Paulo. Isso está fartamente documentado. Assim como a postura do presidente nas negociações com a Pfizer, na encomenda até o final do ano de 70 milhões de doses. Outro fato à desgastar este governo será sua postura negacionsita, defendendo o “tratamento preventivo”, o uso do “kit Covid”, hoje demonstrado ineficaz. Ao fim, especulações indicam que o governo Bolsonaro realizou pesadas encomendas junto ao governo Trump de cloroquina e que os estoques deste remédio estão abarrotados no Exercito.
Importante também será estar atento ao ritmo da vacinações e a daí, uma mais rápida normalização da vida econômica. Em 24 horas, até o dia 06, o número de óbitos chegou a 2811, 414 mil no acumulado e 73.295 novos casos. Há uma reversão da tendência de alta. A chegada de novas doses de vacinas, produzidas pelo Butantan, Fiocruz e Pfizer, são um bom indicativo. Isso pode levar o Brasil ao ritmo ideal de vacinações, 1,5 milhão ao dia, podendo terminar os grupos prioritários neste semestre (80,5 milhões).
Na política econômica, destaque para a reunião do Copom desta semana. A taxa Selic foi elevada a 3,50% a.a e foi sinalizado, dada a “normalização parcial”, também para a reunião de junho na mesma toda, +0,75 ponto percentual, a 4,25%. Lembremos que em março o comitê optou por começar o “ciclo de normalização parcial”, correndo atrás da curva, com alta de 0,75 ponto percentual. Sinalizou também, pela ata, que, a não ser por mudanças significativas, “seria adequado dar continuidade a esse processo com outro ajuste de mesma magnitude”. Nesse contexto, afirmou que sua próxima decisão continuaria dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação.
Nos EUA, os três pacotes de estímulo recentes, além do ritmo de vacinação, são ensejos para uma recuperação mais rápida da economia norte-americana. Estimativas apontam um crescimento do PIB acima de 6% neste ano. Em paralelo, os rendimentos dos Treasuriers de 10 anos cederam a 1,6%, diante da confirmação de Jerome Powell de que manterá a política monetária até que o desemprego caia abaixo dos 6% da PEA atual. Nesta semana temos os dados de março do payroll e do desemprego. Isto posto, temos uma maior apreciação do real frente ao dólar, em desvalorização no mundo
Este quadro, reforçado pelo pacote de infraestrutura de Joe Bidem, deve estimular as empresas brasileiras exportadoras de minério de ferro, de papel e celulose e de outras commodities. O fluxo de exportações destas para os EUA deve se intensificar.
Não devemos esquecer também da China, grande demandante de commodities brasileiras e em trajetória de consistente recuperação, destaque para as minerais. A cotação do minério de ferro, nos primeiros quatro meses deste ano, passou de Us$ 89 a US$ 193, com valorização de 116%. O mesmo ocontece com o barril de petróleo Brent. Neste primeiro quadrimestre de 2021 passou de US$ 50,8 a US$ 68,23, com valorização de 34,3%.
Sobre as commodities agrícolas, as perspectivas também são muito boas. A soja, por exemplo, já se valorizou 84,5% em 12 meses.
Isso destaca as empresas produtoras de commodities, ou ligadas, sem esquecer celulose (papel e papelão, embalagens), algodão (indústria têxtil) e também “proteína animal” (frigorífico), fortemente demandadas pelos chineses.
Enquanto isso, no Brasil o "trinômio" pandemia, front fiscal desafiante e ambiente político tensionado, devem nortear o cenário de abril, influenciando na trajetória do mercado de capitais. Lembremos que estes três também foram predominantes em março, mas mesmo assim o Ibovespa se valorizou 6,0%. Em abril, este mercado se manteve num bom drive, embora crescendo bem menos, o que reforça um certo ambiente de instabilidade. No mês, o Ibovespa se valorizou 1,9%, fechando a 118.893 pontos, no ano em pequeno recuo de 0,1%.
Continuaremos
Olhando para o Ibovespa até abril, vemos o setor em melhor performance foi o de commodities (IMAT) com um peso de 23% no IBOV composto por:
- VALE (subiu 165% nos últimos 12 meses),- Suzano (subiu 77% nos últimos 12 meses),- Gerdau (subiu 36% nos últimos 12 meses) entre outras.
O segundo setor com maior desempenho foi o industrial (INDX) que tem um peso de 21% no IBOV composto por:
- Ambev (subiu 31% nos últimos 12 meses),- WEG (subiu 70% nos últimos 12 meses) entre outras.
Pelo lado negativo, o pior Setor Imobiliário (IFNC) que corresponde apenas a 1,6% do IBOV. E também o Setor Financeiro (IFNC), cujas empresas correspondem à 29% do IBOV.
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Alocação |
Setores |
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Se mantenha
distante |
Empresas
públicas; varejo físico; hotelaria; imobiliário; rede hospitalar;
shoppings. |
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Boa
oportunidade |
Empresas
produtoras de commodities (minério de ferro, soja, petróleo, celulose);
de proteína animal (frigoríficos); de tecnologia; comércio virtual; bancos
privados; setor elétrico; planos de saúde e laboratórios farmacêuticos. |
MACRO MERCADOS DIÁRIO 04/05/2021 - AMBIENTE É DE CAUTELA
Por aqui, a reunião do Copom e a CPI da Covid capitalizam as atenções, enquanto que nos EUA, o debate se desloca para os custos inflacionários dos pacotes anunciados pelo presidente Biden e os indicadores, em divulgação, alguns melhores do que outros.
Nesta segunda-feira (03), as bolsas de valores de NY operaram tímidas e o dólar perdeu um pouco de terreno, diante da divulgação do PMI Industrial de abril, dos Gerentes de Compra (MSI), que acabou aquém do esperado. Passou de 64,7 para 60,7 pontos, quando o mercado esperava expansão. Por outro lado, o PMI Industrial do IHS Markit veio em suave expansão, passando de 59,1 para 60,5 pontos, mas abaixo das expectativas do mercado (60,6). A interpretar estes dados a “limitação de oferta”, e não problemas com a demanda. Não há esta certeza. A economia norte-americana ainda mostra alguns “pontos vacilantes”, diante dos riscos da pandemia e do fato dos mais pobres ainda não estarem totalmente incorporados. Por enquanto, predomina a retórica mais dovish do presidente do Fed, Jerome Powell. Para eles, a economia ainda levará algum tempo para se recuperar. Isso tende a reverter a tendência de alta dos Treasuries de 10 anos, que ontem estavam em 1,6%.
Enquanto isso, os pacotes de estímulo, anunciados pelo governo, seguem em debate no Congresso. Lembrando: são US$ 1,3 trilhão de pacote emergencial, US$ 2,3 tri para infraestrutura e US$ 1,8 tri para educação e as famílias. O problema é que Biden, para bancar estes pacotes, necessita de uma taxação pesada sobre os mais ricos, que ganham mais de US$ 1 milhão por ano, além das empresas, e isso não parece agradar a bancada republicana. Estes deputados e senadores se perguntam “se dariam um cheque em branco a um senhor de quase oitenta anos”.
No Brasil, a CPI da Covid, a reunião do Copom e, também, a proposta de reforma tributária são os destaques da semana.
Esta última, em parecer entregue na Comissão Mista, deve ser objeto de intensos debates. Muitos a consideram uma “meia bomba”, fatiada em três ou quatro partes. A primeira seria transformar o PIS e o Cofins em Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Numa proposta anterior, da PEC 45 do senador Baleia Rossi, a ideia era criar o IVA a substituir o IPI, o PIS, o Cofins, o ICMS e o ISS, algo muito mais consistente e profundo. Claro que seria importante uma transição para os estados e municípios se adaptarem, e isso teria que estar no “cálculo político”. Estranhamente, esta PEC, uma solução no sentido de simplificar a carga de impostos, acabou pelo caminho, optando-se pelo parecer atual em discussão, ao nosso ver, algo totalmente inócuo.
Sobre a CPI da Covid, nesta terça-feira tem início as “oitivas”, ou seja, os depoimentos dos ministros da Saúde, desde o “início” da pandemia no Brasil, em março de 2020.
Primeiro falará Luiz Henrique Mandetta, que deve vir com chumbo grosso (é só lerem o seu livro), depois Nelson Teich, o “breve”, apenas um mês no cargo, na quarta-feira, o que diz “ele manda, nós obedecemos”, Eduardo Pazuello; em seguida, o atual ministro Marcelo Queiroga e na quinta-feira, o presidente da Anvisa Antônio Barra Torres.
Naturalmente, a situação do presidente Bolsonaro não é confortável. Mandetta deve falar sobre a briga dele com o presidente, na defesa do isolamento contra a necessidade da economia continuar rodando e, também, no embate da cloroquina, o mesmo motivo que fez o competente médico Nelson Teich não continuar no ministério.
No entanto, a situação mais delicada deverá ser a do ex-ministro Pazuello, na sua teimosa defesa pelo tratamento preventivo ou “kit Covid”, já condenado pelo mundo e pela OMS. Nestes embates, não será possível esconder ou omitir nada. Tudo está nas redes sociais, na imprensa, e terá que ser bem esclarecido. Acreditamos, claro, que isso deve trazer alguma instabilidade aos mercados. Não será possível uma “guerra de versões”. O que parece predominar hoje é que o presidente se guiou na contramão do bom senso e do equilíbrio. Seu negacionismo pode lhe custar o cargo.
A verdade é que continuamos transitando em terreno nebuloso sobre este vírus. Os tratamentos são poucos e limitados. Apenas o isolamento, o uso de máscaras e a higiene permanente, parecem ser capazes de obstruir um vírus, que se propaga pelo ar, pelo contato das pessoas. Contra isso, apenas o isolamento social e as quarentenas, quando necessárias.
Perdemos um ano pela total falta de coordenação e entrosamento entre os poderes da República. Não tivemos, ao longo deste período, um comitê de notáveis para a adoção de medidas necessárias, o entrosamento entre os entes subnacionais (estados e municípios) e o governo federal, diálogo entre as esferas de poder. Deu no que deu. Como resultado, mais de 405 mil mortos até o momento.
Um alento será a entrega de 100 milhões de vacinas pela Pfizer por estes dias. Ótima notícia diante deste cenário de 2,4 mil mortes pela média móvel semanal. Para piorar, ainda se tem o “caos indiano”, e o que isso deve trazer para o mundo nas próximas semanas. Por lá, novos casos já passaram de 100 mil.
Sobre a reunião do Copom, é maioria os que acreditam num ajuste de 0,75 ponto percentual nesta quarta-feira, a 3,5% ao ano, mas dúvida maior se concentra no comunicado a ser divulgado depois. Será que teremos um recado mais duro, mais hawkish, no linguajar do mercado, ou será neutro?
Uma dúvida aqui é saber se a “normalização virá parcial” ou não. Se será retirada ou mantida a palavra “parcial”. Muitos consideram ainda haver espaço para mais um ajuste de 0,75 ponto percentual na próxima reunião do Copom em junho. Já a pesquisa Focus acredita que a taxa Selic vai a 5,5% ao fim deste ano.
O fato é que a inflação continua elevada, contaminada pela valorização forte das commodities, mas observa-se que o câmbio vem se apreciando, o que tende a ser um fator de amortecimento para estas pressões inflacionárias. Nesta segunda (dia 03), o dólar chegou a cair a R$ 5,37, mas diante do terreno pantanoso na qual navegamos, cheio de instabilidade, acabou fechando em R$ 5,4188 (-0,24%).
Dava para ter caído mais. Isso porque o Fed de Jerome Powell continua ainda apegado à sua “política acomodatícia”, enquanto que, por aqui, seguem em curso as estratégias de ajuste da Selic. É neste carry trade, de diferencial de juro, e de liquidez externa ingressando no nosso mercado, com saldo cambial favorável, que estamos tratando. E ele se torna ainda mais favorável, quando se observa que a balança comercial vem com fortes superávits. Em abril o saldo foi a US$ 10,34 bilhões, com as exportações registrando US$ 26,48 bilhões, melhor saldo no mês pela série histórica, só possível pela forte demanda de commodities, em especial, vinda da China.
Bons negócios a todos!
Agenda Semanal
Indicadores
3ª Feira (04)
Reunião do COPOM (Br) Declaração de Taxa do RBA e Decisão da Taxa de Juros (Aus); Balança Comercial (Mar) (EUA); Encomendas à Indústria (Mar) (EUA); Estoques de Petróleo Bruto Semanal API.
4ª feira (05)
PMI Composto e Setor de Serviços Markit (Apr) (EUA); Produção Industrial (IBGE, Mar) (Br); Variação de Empregos Privados ADP (Apr) (EUA); PMI Composto e Setor de Serviços Markit (Apr) (Br); PMI Composto e Setor de Serviços Markit (Apr) (EUA); ISM Não-Manufatura: Emprego (EUA); Estoques de Petróleo em Cushing; Decisão da Taxa de Juros Selic (Copom); Composto e Setor de Serviços (Apr) (China).
5ª feira (06)
Mercado deve “precificar” a reunião do COPOM; Relatório Mensal do BCE (Euro); Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego (EUA); Balança Comercial (Apr) e PMI do Setor de Serviços Caixin (China).
6ª feira (07)
Vendas no Varejo (PMC, IBGE, Mensal) (Mar) (Br); Relatório de Emprego (“Payroll”) (Apr) (EUA); Taxa de Participação (Apr) (EUA); Taxa de Desemprego (Apr) (EUA).
MACRO MERCADOS DIÁRIO 05/05/2021 - DIAS DIFÍCEIS
Realmente, ontem foi um dia de stress nos mercados. No Brasil, uma série de fatores internos também pesaram, assim como as citadas declarações de Yellen. A bolsa de valores paulista, pelo índice Ibovespa, recuou 1,26%, a 117.712 pontos e lá fora, em NY, os mercados fecharam sem uma “direção definida”. O Dow Jones subiu 0,06%, a 34.133 pontos, mas o S&P recuou 0,67%, a 4.164 pontos e o Nasdaq cedeu 1,86%, a 13.633 pontos. Tudo porque a secretária de Tesouro Norte-americano, Janet Yellen, sinalizou que o juro norte-americano pode ser elevado se houver um sobreaquecimento da economia.
No Brasil, tudo se complicou ainda mais, depois do “direto e assertivo depoimento” do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta na CPI da Covid, criticando a postura negacionista do presidente, quanto à gravidade da pandemia, além da “politização da vacina”. Soma-se a isso, a base de apoio politico do governo no Congresso indicando que pretende derrubar os vetos do presidente ao Orçamento deste ano. Isso acabou ofuscando a boa notícia da apresentação do projeto de reforma tributária.
Na reunião do Copom parece dado que o Banco Central deve tentar “ancorar as expectativas”, tentando trazer a inflação do ano que vem para próxima da meta de 3,75%. Isso porque, neste ano, o IPCA fechará acima do teto da meta, pelas nossas estimativas, entre 5,1% e 5,3%.
Sobre as decisões do Copom, um ajuste de 0,75 ponto percentual ocorre hoje, depois, mais dois, um de 0,75 p.p. na reunião de junho, e um de 0,5 p.p. em julho, para fechar o ano em 5,5%. O IPCA previsto é de 5,1% neste ano, mas preocupa a bandeira vermelha tarifária, autorizada pela Aneel, o que deve impactar o índice do IBGE em 0,2 ponto percentual no curto prazo.
Neste cenário, será importante observar o que será dito no comunicado, depois da reunião. Será que o BACEN continuará vendo a inflação como transitória e manterá o ajuste “parcial” da Selic, ou será que retirará este termo “parcial” e agirá de forma mais dura, mais hawkish, visando ancorar as expectativas para o ano que vem?
Em outras palavras, a autoridade monetária deve deixar o cenário para o “data dependent” ou deve agir com mais força no curto prazo?
De qualquer forma, achamos importante retirar este termo “parcial”, por engessar por demais e gerar ruídos desnecessários no mercado. Parcial então deverá ser lido como uma sinalização de juro, uma expectativa, e não um rígido compromisso.
Sobre a evolução da CPI da Covid 19, o receio maior é de que os depoimentos dos ministros, e de outros atores, sobre a administração da pandemia, acabem por ofuscar o esforço de tocar as reformas. A tributária por exemplo, foi apresentada ontem, mas pouco notada, dada a importância do depoimento do Mandetta. Disse ele, inclusive, que enviou ao presidente, pouco antes da sua exoneração, uma carta avisando sobre o risco de colapso do sistema de saúde e defendendo o isolamento social. Ao que parece, esta acabou ignorada.
No exterior, as atenções sobre o que disse Yellen, na hipótese de elevar o juro se a economia sobreaquecer, foram “amenizadas” pela resposta do Fed e da Casa Branca, considerando, por enquanto, possíveis pressões inflacionárias como transitórias. À noite de ontem, Yellen concertou o que disse, não colocando como inevitável a elevação de juro agora, mas deixando no ar esta possibilidade, desde que a inflação comece a pressionar.
Sobre a agenda do dia, além da reunião do Copom, destaque para os indicadores de atividade no Brasil, como o PIM do IBGE de março, já devendo mostrar alguma perda de fôlego, diante do atraso das vacinas na ocasião e o clima político piorando, e nos EUA, toda atenção para a geração de empregos do setor privado, segundo a ADP.
Bons negócios a todos!
Agenda Semanal
Indicadores
4ª feira (05)
PMI Composto e Setor de Serviços Markit (Apr) (EUA); Produção Industrial (IBGE, Mar) (Br); Variação de Empregos Privados ADP (Apr) (EUA); PMI Composto e Setor de Serviços Markit (Apr) (Br); PMI Composto e Setor de Serviços Markit (Apr) (EUA); ISM Não-Manufatura: Emprego (EUA); Estoques de Petróleo em Cushing; Decisão da Taxa de Juros Selic (Copom); Composto e Setor de Serviços (Apr) (China).
5ª feira (06)
Mercado deve “precificar” a reunião do COPOM; Relatório Mensal do BCE (Euro); Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego (EUA); Balança Comercial (Apr) e PMI do Setor de Serviços Caixin (China).
6ª feira (07)
Vendas no Varejo (PMC, IBGE, Mensal) (Mar) (Br); Relatório de Emprego (“Payroll”) (Apr) (EUA); Taxa de Participação (Apr) (EUA); Taxa de Desemprego (Apr) (EUA).
terça-feira, 4 de maio de 2021
MACRO MERCADOS DIÁRIO 03/05/21 - SEMANA DE CPI DA COVID E COPOM
É uma semana também importante, pois teremos a reunião do Copom quando o Banco Central do Brasil deve deliberar sobre a política de juro para os próximos 45 dias. Muitos consideram inevitável mais uma elevada da taxa Selic em 0,75 ponto percentual, a 3,5%, e depois uma parada para ver como o mercado reage. O que parece perceptível é o forte movimento de valorização do real por estes dias, dada o carry trade entre juro doméstico e norte-americano, parado próximo à zero (0,25%). Na sexta-feira fechou em R$ 5,43, e não será surpresa se mantiver esta toada de queda do dólar, até pelo ingresso de recursos externos com os IPOs e o saldo cambial favorável pelo lado financeiro e também comercial, com as exportações agrícolas. Ou seja, é possível que nesta semana o dólar siga ladeira abaixo e o real se valorizando. Como dito acima, o único fator a “balançar” esta tendência de valorização do real é a total instabilidade política.
Nesta, destaquemos as manifestações pelo Brasil, no final de semana, “contra tudo e contra todos”, mas mais contra a necessidade de confinamento (dada a ameaça do vírus e a possibilidade das cepas mais agressivas).
Pessoas morrem como moscas na Índia e aqui no Brasil parte da população não se convence sobre a necessidade do isolamento social, do uso de máscaras, dos confinamentos, quando necessários, diante do atraso das vacinas, neste caso, sendo culpa apenas um ator, o governo. Enquanto as vacinas não estiverem chegando no ritmo desejável, a tendência será a pessoas terem que continuar com medidas preventivas e protetivas.
E será isso que a CPI da Covid-19 irá investigar. Um dos pontos mais importantes, aliás, será verificar porque o governo, intempestivamente, optou pelo tal “tratamento preventivo” com o “kit Covid 19” e não pelo protocolo global, batalhar pelas vacinas e manter o isolamento social e o uso de máscaras?
Mas o BC estará atento também ao comportamento da inflação. O IPCA-15 de abril deu uma boa cedida, enquanto que o IGP-M, contaminado pelas commodities em alta e o dólar valorizando até há algumas semanas atrás, foi a 1,51%. Veio acima do esperado (1,37%), mas em desaceleração na comparação com o resultado de fevereiro (+2,94%). Em 12 meses foi a 32,02%.
Este resultado do mês veio puxado pelo IPA (ainda que saindo de 3,56% para +1,84%), em especial nos preços dos produtos industriais (1,88%), com comportamento mais favorável da gasolina e do minério de ferro. Por sua vez, o IPC desacelerou de 0,98% para 0,44%, mostrando acomodação dos preços ao consumidor (assim como ocorreu no IPCA-15), mas atingiu 6,07% em 12 meses. O INCC também perdeu força (de 2,0% para 0,95%), respondendo a um comportamento dos preços de materiais, equipamentos e serviços (de 3,76% para 1,88%).
É possível que o fortalecimento do Real no curto prazo deva ajudar o índice nos próximos meses, sobretudo nos preços ao produtor (IPA).
Pela pesquisa Focus, do dia 23, observa-se a Selic a 5,5% ao fim deste ano, acima de 5,0% há quatro semanas, indo a 6,23% em 2022, 6,50% em 2023 e 6,50% em 2024. Já o IPCA previsto é de 5,01% para este ano, depois de 4,81% há quatro semanas, 3,60% no ano que vem, 3,25% em 2023, mesmo patamar para 2024. Por fim, o câmbio previsto para este ano é de R$ 5,50 (R$ 5,00 há quatro semanas), R$ 5,40 em 2022; R$ 5,17 em 2023; R$ 5,08 em 2024.
Nos EUA estejamos atentos aos PMI ao longo da semana e os indicadores de mercado de trabalho, com a oferta de empregos do setor privado e payroll. A partir destes, será possível ao Fed ter uma leitura mais clara sobre os próximos passos da sua política de juro.
Nos mercados nesta manhã de segunda-feira (dia 3), os Futuros Norte Americanos operavam da seguinte forma, S&P 500 (+0,29%); Dow Jones 30 (+0,31%); e Nasdaq (+0,16%). A US Tech operavam em alta de 0,18% e o S&P VIX (+5,68%). No mercado de commodities, o barril de petróleo WTI ( -0,16%), o barril de petróleo Brent (-0,19%). Nas commodities minerais, o minério de Ferro recuava 3,72%.
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