quinta-feira, 16 de julho de 2026

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: EUA ampliam lista de itens isentos do tarifaço*


… A desaceleração da inflação nos Estados Unidos trouxe novo alívio aos mercados e reforçou as apostas de que o Fed poderá manter os juros inalterados por mais tempo. O respiro, porém, continua condicionado ao petróleo, que caía no eletrônico, apesar da intensificação dos ataques, esvaziando o risco de novas pressões inflacionárias. No Brasil, desconfortáveis com os cenários fiscal e eleitoral, investidores ainda repercutem o tarifaço, confirmado no final da noite pelo USTR. Carne, café, laranja e suco de laranja continuaram isentos e cresceu a lista de exceções. A agenda de hoje traz as vendas do varejo no Brasil e nos Estados Unidos, importantes para testar a força da atividade.


TARIFAÇO CONFIRMADO – Depois de um dia inteiro de expectativa nos mercados, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos confirmou, no final da noite, a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana.


… A sobretaxa de 25% aplicada ao Brasil começará a valer no dia 22. Ao longo da quarta-feira, integrantes do governo já tratavam a medida como inevitável e trabalhavam com a expectativa de uma lista ampliada de exceções.


… A quantidade de itens isentos cresceu em comparação à lista preliminar em junho e superou 2.100 produtos.


… Além de carne bovina, café, laranja e suco de laranja, que já constavam da primeira lista, foram incluídos mel orgânico, hidróxido de alumínio, sucata de ferro e de aço, produtos do mar, couros, alguns produtos de madeira, medicamentos e insumos farmacêuticos.


… Importantes para a pauta exportadora, partes para a fabricação de aviões, petróleo e celulose também foram poupados da tarifa. Já vestuário, calçados e máquinas agrícolas e industriais tiveram os pedidos rejeitados.


… Segundo os Estados Unidos, a imposição de tarifas não impede a continuidade das negociações com o Brasil.


… Em publicação no X no início da madrugada, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, explorou o tarifaço politicamente e acusou Lula de não negociar “de boa-fé” e “colocar o ego à frente do bem-estar do povo brasileiro”.


… A Secretaria de Comunicação do governo brasileiro reagiu, acusou a família Bolsonaro de “ativa colaboração” no desfecho das negociações e informou que iniciará os trâmites para acionar instrumentos da Lei de Reciprocidade.


… O Brasil “repudia” decisão de Washington, que “passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável”, segundo nota da Secom divulgada no início da madrugada desta quinta-feira.


… A nova rodada de tarifas decorre da investigação que acusa o Brasil de adotar práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano, citando comércio digital, pagamento eletrônico (Pix), proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais.


… A confirmação do tarifaço foi feita em coletiva de imprensa do representante de comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, antes da publicação da ordem executiva.


… Mais cedo, a Secom afirmou que já esperava a tarifa de 25% e concentrava esforços para ampliar a relação de produtos isentos.


… O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o governo avaliará os setores efetivamente atingidos antes de definir uma reação e afirmou que “não deixará os brasileiros na mão”, caso sejam necessárias novas medidas de apoio.


… Na avaliação do estrategista Gustavo Cruz, o impacto econômico desta nova rodada de tarifas tende a ser menor do que o observado no primeiro tarifaço, tanto sobre as exportações brasileiras quanto sobre a inflação.


… A diferença é que, desta vez, empresas e produtores já vinham se preparando para esse cenário.


… Para ele, a principal repercussão pode ocorrer pelo canal político, diante da proximidade das eleições presidenciais, enquanto a dimensão do efeito econômico estará mais condicionada à lista de exceções.


… A avaliação é semelhante à da Fazenda, que considera o impacto macroeconômico das novas tarifas limitado.


… Segundo a Secretaria de Política Econômica, as exportações brasileiras mostraram resiliência após a sobretaxa aplicada em 2025, com parte das vendas sendo redirecionada para outros mercados (China, em especial).


… Além disso, como os Estados Unidos responderam por cerca de 11% das exportações brasileiras no ano passado, equivalente a menos de 2% do PIB antes do primeiro choque, a tendência é de que os efeitos agregados sobre a atividade permaneçam relativamente modestos.


RENEGOCIAÇÃO RURAL – Também no final da noite, o governo editou medida provisória para renegociar mais de R$ 100 bilhões em dívidas de produtores rurais e cooperativas, em acordo costurado entre o Ministério da Fazenda, a Frente Parlamentar da Agropecuária e o Congresso.


… A iniciativa busca evitar que o elevado endividamento do setor comprometa as próximas safras, ao mesmo tempo em que tenta esvaziar o projeto de lei aprovado pelo Senado, considerado mais oneroso pela equipe econômica.


… A medida provisória cria duas modalidades de crédito para renegociação destinadas a produtores que sofreram perdas entre 2019 e 2025 por eventos climáticos ou oscilações de preços.


… O pagamento será em oito anos, com dois anos de carência e sem exigência de entrada, podendo chegar a dez anos para os casos mais graves. As taxas de juros variam de 5% a 11% ao ano para produtores com maiores perdas e de 6% a 12% para os demais beneficiários.


… A MP também autoriza a criação de um fundo garantidor para operações de crédito rural, além de permitir o reaproveitamento de garantias já existentes e a prorrogação por até 30 dias das parcelas elegíveis enquanto o programa é implementado pelos bancos.


… Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o impacto fiscal da medida deve ficar abaixo de R$ 4 bilhões, patamar considerado o limite possível para acomodar as demandas do setor sem comprometer as contas públicas.


… A MP também permite o reaproveitamento de garantias já existentes nas operações de crédito e prorroga por até 30 dias as parcelas elegíveis enquanto o programa é implementado pelos bancos.


… Ao defender a medida, Durigan afirmou que o acordo busca atender os produtores mais afetados sem abrir mão da responsabilidade fiscal.


CURTAS DA POLÍTICA – A Câmara aprovou MP que abre crédito extraordinário de R$ 330 milhões para subsidiar a importação de gás de cozinha.


… O recurso será usado para compensar parte da alta do GLP provocada pela guerra no Oriente Médio e garantir o programa Gás do Povo.


PAUTA-BOMBA. Para tentar o adiamento da promulgação da PEC dos agentes de saúde, Durigan argumentou com Alcolumbre que isso permitiria calcular melhor os impactos fiscais para União, Estados e municípios e avaliar eventuais medidas jurídicas.


… O ministro da Fazenda disse acreditar que o STF deve aprovar ainda no segundo semestre a súmula proposta por Gilmar Mendes para restringir a aprovação de futuras pautas com impacto fiscal, sem a indicação de recursos para o financiamento.


DESINFLAÇÃO EM FOCO –Em Nova York, a desaceleração da inflação voltou a dominar o humor dos mercados depois que o índice de preços ao produtor (PPI) reforçou os sinais já trazidos pelo CPI de que as pressões inflacionárias seguem perdendo força nos Estados Unidos.


… O PPI caiu 0,3% em junho, em linha com as expectativas, enquanto o núcleo avançou apenas 0,2%, abaixo da alta de 0,4% esperada pelo mercado, alimentando novas apostas de que o Federal Reserve poderá manter os juros inalterados por mais tempo.


FED MANTÉM CAUTELA – O alívio com os indicadores, porém, não foi suficiente para mudar o discurso do Federal Reserve.


… Em audiência no Senado, Kevin Warsh afirmou que tanto o CPI quanto o PPI são medidas “imperfeitas” da inflação subjacente e reiterou que continuará avaliando se serão necessários novos ajustes na política monetária para garantir a convergência dos preços à meta.


… Warsh admitiu que o mercado de trabalho permanece equilibrado, mas afirmou que a inflação ainda não evolui de forma satisfatória.


… Na mesma direção, o Livro Bege mostrou que a economia americana continuou crescendo em ritmo leve a moderado entre o fim de maio e junho, enquanto as empresas relataram aumentos de preços de forma generalizada.


… Segundo o Fed, custos mais elevados de energia, transporte, matérias-primas e tarifas continuam pressionando diferentes setores da economia, reforçando a avaliação de que, apesar dos sinais recentes de desinflação, ainda há riscos para a trajetória da inflação.


HÁ PERIGO NA ESTRADA – A cautela também predominou entre os economistas.


… Para a Capital Economics, o PPI oferece ao Fed mais tempo para avaliar os efeitos das tarifas, da atividade econômica e do mercado de trabalho antes de qualquer mudança nos juros, embora o núcleo do PCE ainda permaneça acima da meta de 2%.


… Já a Oxford Economics destacou que a queda da energia ajudou a conter o índice cheio, mas alertou que a expansão da inteligência artificial, o repasse da alta do petróleo e os efeitos das tarifas devem manter a inflação de bens pressionada ao longo dos próximos meses.


… Para a consultoria, esse conjunto de fatores reforça a expectativa de manutenção dos juros pelo restante de 2026.


PETRÓLEO SEGUE NO COMANDO –A inflação americana deu um respiro aos mercados, mas o petróleo continua dando as cartas.


… Depois de os dados de preços ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) alimentarem apostas de menor pressão sobre o Federal Reserve, a nova escalada militar entre Estados Unidos e Irã recoloca a commodity no centro das atenções.


… Ao longo da quarta-feira, Donald Trump elevou o tom ao afirmar que intensificará os ataques contra o Irã nos próximos dias e voltou a citar a possibilidade de atingir infraestrutura de energia caso o Irã não aceite negociar.


… Embora o vice-presidente JD Vance tenha descartado o envio de tropas terrestres para promover uma mudança de regime, reportagens do Wall Street Journal indicaram que a Casa Branca avalia ampliar as operações militares.


… Os planos incluiriam a destruição de instalações estratégicas e a eventual ocupação de ilhas iranianas próximas ao Estreito de Ormuz.


… Do lado iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que poderá abandonar o memorando de entendimento firmado no final de junho caso deixe de obter os benefícios previstos no acordo. Ainda defendeu o fechamento de Ormuz.


… A Guarda Revolucionária voltou a afirmar que a exportação de petróleo e gás da região será “para todos ou para ninguém”, enquanto autoridades iranianas disseram que a prioridade, neste momento, é responder militarmente às ofensivas americanas.


… As preocupações com a oferta ganharam força depois que o Financial Times informou que grande parte dos estoques estratégicos liberados desde o início do conflito já foi utilizada, reduzindo a margem de segurança do mercado caso a crise se prolongue.


… O risco é que uma escalada mais ampla volte a pressionar os preços da energia e complique novamente a trajetória da inflação.


AGENDA – Depois do dado fraco de Serviços nesta quarta-feira, que recuou 0,4% em maio, reforçando a percepção de desaceleração gradual da atividade, a atenção se volta hoje para as vendas do varejo de maio. Às 9h, o IBGE divulga a Pesquisa do Comércio de maio.


… A expectativa é de alta de 0,7% para o varejo restrito e de 0,8% para o ampliado, recuperando parte das quedas registradas em abril.


… Mais cedo, às 8h, sai o IPC-S da segunda quadrissemana de julho.


… Nos Estados Unidos, o destaque também fica para as vendas do varejo de junho, às 9h30, importantes para avaliar a força da economia americana após os números benignos de inflação. Ao longo da tarde, os investidores acompanham discursos de dirigentes do Fed.


… Lorie Logan fala às 13h30; Jeffrey Schmid, às 14h; e o vice-presidente Philip Jefferson, às 20h.


TRUMP – O pronunciamento à nação do presidente, às 22h (Brasília), é aguardado com expectativa, em meio à escalada do conflito com o Irã.


BALANÇOS – A temporada de resultados internacionais continua nesta quinta-feira, com destaque para os números da TSMC, maior fabricante de semicondutores do mundo, que podem trazer novos sinais sobre o ritmo dos investimentos em inteligência artificial.


… Nos Estados Unidos, antes da abertura, saem GE Aerospace e UnitedHealth. Após o fechamento, Netflix e Alcoa.


CORTOU O BARATO – Por mais que o mercado doméstico já viesse precificando há semanas o novo tarifaço de Trump, não deu ontem para o mercado doméstico esconder o incômodo com a segunda etapa da onda protecionista.


… Neste contexto, acabou ofuscado o otimismo com o alívio dos preços ao produtor (PPI) nos Estados Unidos, apenas um dia depois de a deflação do CPI em junho já ter reprecificado as apostas para o Fed este ano.


… O bom humor externo ainda foi relativizado por aqui pelos ruídos fiscais, com a aprovação da pauta-bomba pelo Senado e o favoritismo de Lula apontado pela pesquisa Genial/Quaest na corrida eleitoral para o Palácio do Planalto.


… O presidente ampliou a vantagem sobre Flávio Bolsonaro e lidera em todos os cenários, tanto no primeiro turno (40% x 28%) quanto no segundo, em que aparece com 45% das intenções de voto, contra 37% do adversário.


… Na pesquisa anterior, realizada em junho, o petista registrava 44% contra 38% do senador.


… O pré-candidato do PL registra a maior rejeição entre todos os nomes testados, com 57%, pior que em abril (52%). Lula vem em seguida, com 50%, mantendo a tendência recente de queda: em junho, tinha 53% e, em abril, 55%.


… Com a pesquisa frustrando a expectativa de alternância de poder e, em paralelo, a investida de risco contra as contas públicas representada pela aprovação da PEC dos agentes de saúde, os ativos locais ficaram a desejar.


… Não houve estresse, mas sobrou cautela. O real ficou atrás de outras moedas emergentes, os juros futuros desperdiçaram a queda das taxas dos Treasuries e o Ibovespa operou em leve baixa, na contramão de Nova York.


… Na bolsa, o noticiário doméstico desfavorável pode ter favorecido os vendidos em dia de vencimento de opções sobre o índice. O Ibovespa caiu 0,36% e, por pouco, não entregou os 176 mil pontos. Fechou a 176.010,90 pontos.


… Levantamento mensal do BofA publicado ontem revelou que os gestores da América Latina vêm reforçando a cautela com o Brasil, diante do risco de o Fed manter os juros mais altos (embora essa chance venha se esvaziando).


… Em junho, 31% dos gestores ouvidos na pesquisa projetavam o Ibovespa acima de 190 mil pontos no fim do ano. Já na edição atual, quase 50% dos participantes esperam que o índice encerre o ano em nível superior a 180 mil pontos.


… Dois dias atrás, o Citi avaliou que dificilmente o Ibovespa testará a marca inédita dos 200 mil pontos este ano, mas que a bolsa brasileira pode servir de hedge contra a IA, no caso de medo de estouro da bolha de tecnologia.


… Já o ASA acredita que o índice à vista pode investir até os 300 mil pontos no intervalo de até um ano e meio, depois das eleições presidenciais, se o governo que assumir sinalizar melhora no endereçamento das contas públicas.


… O giro de R$ 40 bilhões na bolsa ontem foi turbinado pelo game. Os papéis dos bancos chamaram vendas: Itaú PN, -1,12% (R$ 43,14); Bradesco PN, -0,16% (R$ 18,60); Santander unit, -1,24% (R$ 27,00); e BB ON, -0,19% (R$ 20,55).


… Vale subiu 0,68%, para R$ 74,51, contra um ganho de 1,13% do minério de ferro, enquanto Petrobras fechou com pouca variação (ON, +0,11%, a R$ 45,53; e PN, -0,17%, a R$ 40,59), em dia de oscilação limitada do petróleo.


ANDOU SOBRE ARMADILHAS – Diante do tarifaço, do descompromisso fiscal assumido pelo Congresso brasileiro e o favoritismo de Lula, foi impossível para a curva do DI relaxar como os juros dos Treasuries fizeram com o PPI.


… Os contratos futuros dos juros se protegeram perto da estabilidade, enquanto lá fora o retorno da Note-2 anos caiu a 4,145% (de 4,185% na véspera), apesar de Kevin Warsh não estar seduzido pelos dados fracos de inflação.


… Aqui, na defensiva, o DI para Janeiro de 2027 marcou 13,890% (de 13,900% no ajuste anterior); Jan/28, 13,845% (contra 13,872%); Jan/29, 14,025% (de 14,041%); Jan/31, 14,245% (de 14,235%); e Jan/33, 14,330% (de 14,301%).


… Embora não tenha sido mencionada como fator de influência nos negócios ontem, a revisão em alta pela Fazenda da projeção para o IPCA deste ano, de 4,5% para 5,1% (estourando o teto da meta), não deixa de causar desconforto.  


… “O aumento das expectativas de inflação, espaço para repasse dos preços do atacado ao consumidor e probabilidade de El Niño mais intenso elevaram as projeções”, justificou a Secretaria de Política Econômica (SPE).


… “Em contrapartida, o câmbio apreciado, a política monetária contracionista, as medidas para conter o preço dos combustíveis e a desaceleração econômica no segundo semestre contribuem para atenuar a inflação.”


… Para 2027, a projeção subiu de 3,5% para 3,6%, maior do que o centro do alvo, de 3%. Sob o desafio do salto do petróleo, o temor dos investidores é de que as expectativas de inflação de mais longo prazo desancorem de vez.


… Alarmado pelo noticiário interno (tarifas, Lula e impacto da aposentadoria especial dos agentes de saúde), o dólar descolou da queda em escala global e ficou de lado (+0,01%), a R$ 5,0785, observando de longe o PPI mais fraco.  


… A chance de um aperto monetário pelo Fed em setembro, que até antes de ontem era majoritária, agora perdeu terreno (46,9%) e está ligeiramente menor e praticamente empatada com a aposta de uma pausa (48,5%).  


… Apesar disso, analistas do BofA mantêm a perspectiva de que o Fed provavelmente continuará mantendo as taxas em níveis elevados, mesmo após os últimos dados de inflação, diante do petróleo caro e resiliência do consumo.


… Dentro do Fed, além de Warsh, dois outros dirigentes recomendaram cuidado com qualquer excesso de otimismo.


… Para Lisa Cook, os dados do CPI e do PPI referem-se a apenas um mês e não necessariamente configuram tendência. John Williams disse que o CPI foi só uma “pequena parte” do movimento de retorno da inflação à meta.


DESCONTOU OS RISCOS – Apesar das recomendações do Fed para o mercado financeiro não se empolgar demais com os sinais de perda de fôlego da inflação, o índice DXY não resistiu à tentação e caiu 0,43%, a 100,485 pontos.


… Destaque no câmbio, a libra saltou 1,09%, a US$ 1,3530, com a notícia do FT de que o provável próximo premiê do Reino Unido Andy Burnham deve escolher a ministra do Interior, Shabana Mahmood, para comandar as Finanças.


… O euro avançou 0,39%, a US$ 1,1463, e o iene caiu a 162,27 por dólar, sem intervenção do governo do Japão.


… Além de o novo dado fraco de inflação ter amenizado o risco de alta de juros pelo Fed, as bolsas americanas contaram com o apoio das big techs Amazon (+3%), Microsoft (+2,78%), Alphabet (+3,61%) e Apple (+4,02%).


… O índice eletrônico Nasdaq registrou valorização de 0,62%, a 26.269,23 pontos, o S&P 500 ganhou 0,38%, a 7.572,40 pontos, e o Dow Jones subiu 0,29%, a 52.658,64 pontos. As tensões da guerra ficaram em segundo plano.


… Apesar da nova onda de ataques contra o Irã, o petróleo Brent para setembro subiu só 0,26%, a US$ 84,95.


CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS recebeu autorização da Aneel para operar uma usina solar de 13,5 MW no Complexo Boaventura, em Itaboraí (RJ), em regime de autoprodução, com outorga de 35 anos.


BRAVA ENERGIA informou que a CVM deu provimento ao recurso da Ecopetrol na OPA de controle; a ofertante deverá publicar aditamento e definir nova data para o leilão.


LIGHT homologou aumento de capital de R$ 1,5 bilhão e protocolou pedido de encerramento da recuperação judicial, após cumprir as principais obrigações do plano.


COPEL elevou de 2,8 para 2,9 vezes a alavancagem considerada ótima e ampliou de 24 para até 48 meses o prazo de convergência da estrutura de capital.


ALUPAR. Phronesis Investimentos elevou participação para 5,45% das ações preferenciais, com objetivo exclusivamente de investimento.


AXIA concluiu a venda de 49% de participação em quatro empresas de transmissão para o Grupo Energía Bogotá por R$ 451,4 milhões.


SANTANDER. Luciane Effting deixou a diretoria de Rede da instituição e cumprirá período de quarentena de três meses antes de assumir um novo projeto, ainda mantido sob sigilo.


JHSF concluiu captação de R$ 400 milhões para fundo imobiliário dedicado ao Shopping Cidade Jardim, elevando para 49,99% a participação dos fundos da gestora no empreendimento.


MULTIPLAN. Squadra atingiu participação de 5,01% do capital.


IGUATEMI atualizou valor de duas parcelas de dividendos remanescentes. Cada uma será de R$ 0,02409/ON, R$ 0,07229/PN e R$ 0,1686/unit. Pagamentos em 29/7 e 29/10, considerando posições acionárias de 15/7 e 15/100.


VITTIA contratou financiamento de até R$ 153 milhões junto à Finep para investimentos em inovação e desenvolvimento de tecnologias biológicas, e nomeou Denis Arroyo Alves como vice-presidente do conselho.


ÂNIMA EDUCAÇÃO. Acionistas do bloco de controle elevaram a participação conjunta de 29,7% para 36,97% do capital social, sem intenção de alterar o controle.


PARANAPANEMA recebeu proposta vinculante de investimento de US$ 40 milhões da HW Holding, de Dubai, para aquisição de debêntures, reforço de capital de giro e compra de matéria-prima.


TOTVS encerrou programa de recompra de ações após atingir limite aprovado; papéis permanecerão em tesouraria.

Call Matinal 1607

Call Matinal 16/07/2026
Julio Hegedus Netto, economista

MERCADOS EM GERAL

FECHAMENTO (1507)
MERCADOS
Na quarta-feira (15), O Ibovespa caiu 0,36% e, por pouco, não entregou os 176 mil pontos. Fechou a 176.010,90 pontos. O giro de R$ 40 bilhões na bolsa ontem foi turbinado pelo game.

PRINCIPAIS MERCADOS
Os índices futuros dos EUA operam em baixa nesta quinta-feira (16), após uma alta impulsionada pela inflação mais baixa na véspera.


MERCADOS 5h30

Índices

EUA
Dow Jones Futuro: -0,06%
S&P 500 Futuro: -0,22%
Nasdaq Futuro: -0,60%

Ásia-Pacífico:
Shanghai SE (China), -1,85%
Nikkei (Japão): -2,79%
Hang Seng Index (Hong Kong): +1,33%
Nifty 50 (Índia): -0,07%
ASX 200 (Austrália): 0,00%

Europa
STOXX 600: -0,53%
DAX (Alemanha): -0,61%
FTSE 100 (Reino Unido): -0,55%
CAC 40 (França): -0,64%
FTSE MIB (Itália): -0,53%

Commodities
Petróleo WTI, -0,20%, a US$ 79,44 o barril
Petróleo Brent, -0,59%, a US$ 84,45 o barril
Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, 0,00%, a 759,50 iuanes (US$ 112,21)
Bitcoin, -0,99%, a US$ 64.243,01
Barril de petróleo em correção para baixo.


Dia 1607
Infelizmente, o tarifaço foi confirmado. Os EUA aplicarão tarifa de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho - com mais de 2 mil itens na lista de exceções - carnes, café, frutas, ferro e partes de aeronaves, entram agora ferro-gusa, café solúvel sem sabor, mel orgânico, hidróxido de alumínio, sucata de ferro e aço, frutos do mar, couros, alguns produtos de madeira, medicamentos e roupas usadas. Marco Rubio culpou Lula, "colocou o próprio ego à frente de um acordo".
O governo brasileiro chamou o dia de "marco lastimável" e disse que vai responder com a Lei de Reciprocidade. Embora tenhamos alguma reserva pelas movimentações bruscas do presidente Trump impossível não compreender suas razões. Vivemos um inferno astral de governança no Brasil já a mais de duas décadas. Governos afeitos a esquemas variados, amigos de outros governos tão corruptos quanto. Não se pode naturalizar a corrupção, achar que é algo normal. Acho, inclusive, que uma das bandeiras de campanha do próximo presidente deveria ser o combate à corrupção. Faz sentido criarmos os nossos filhos num ambiente tóxico como este? Eu já tirei o meu daqui, mas e os outros, que não podem? É isso aí… Nos EUA, o PPI de junho também veio abaixo do esperado, aliviando os mercados. O PPI caiu 0,3% em junho, em linha com as expectativas, enquanto o núcleo avançou apenas 0,2%, abaixo da alta de 0,4% esperada pelo mercado, alimentando novas apostas de que o Fed poderá manter os juros inalterados por mais tempo


Agenda
Quinta-feira, 16/07
08h00 – Brasil: FGV – IPC-S (2ª quadri de jul)
09h00 – Brasil: IBGE – Vendas no varejo (mai)
09h30 – EUA: Pedidos de auxílio-desemprego
09h30 – EUA: Vendas no varejo (jun)
11h00 – EUA: NAHB – Índice de confiança das construtoras (jul)
11h00 – EUA: NAR – Vendas pendentes de imóveis (jun)

Tarifaço

Infelizmente, o tarifaço foi confirmado. Os EUA aplicarão tarifa de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho - com mais de 2 mil itens na lista de exceções - carnes, café, frutas, ferro e partes de aeronaves, entram agora ferro-gusa, café solúvel sem sabor, mel orgânico, hidróxido de alumínio, sucata de ferro e aço, frutos do mar, couros, alguns produtos de madeira, medicamentos e roupas usadas.
Marco Rubio culpou Lula, "colocou o próprio ego à frente de um acordo".

O governo brasileiro chamou o dia de "marco lastimável" e disse que vai responder com a Lei de Reciprocidade.

Embora tenhamos alguma reserva pelas movimentações bruscas do presidente Trump, impossível não compreender suas razões. Vivemos um inferno astral de governança no Brasil já há mais de duas décadas. Governos afeitos à esquemas variados, amigos de outros governos tão corruptos quanto.

Não se pode naturalizar a corrupção, achar que é algo normal. Acho, inclusive, que uma das bandeiras de campanha do próximo presidente deveria ser o combate à corrupção.

Faz sentido criarmos os nossos filhos num ambiente tóxico como este? Eu já tirei o meu daqui, mas e os outros, que não podem? É isso aí…

Nos EUA, o PPI de junho também veio abaixo do esperado, aliviando os mercados. O PPI caiu 0,3% em junho, em linha com as expectativas, enquanto o núcleo avançou apenas 0,2%, abaixo da alta de 0,4% esperada pelo mercado, alimentando novas apostas de que o Fed poderá manter os juros inalterados por mais tempo.

Bankinter Matinal Portugal

 Análise Bankinter Portugal 


Nova Iorque +0,4% EUA tech -0,3% EUA Semis -2,1% UE +0,1% Espanha -0,2% VIX 18,7% Bund 3,09%. T-Note 4,55%. Spread 2A-10A USA=+41pb B10A: ESP 3,57% PT 3,47% ITA 3,90% FRA 3,90% Euribor 12m 2,92% USD 1,146 JPY 185,9/€ 162,2/$. Ouro 4.062$. Brent 85,1$. WTI 80,2$. Bitcoin +0,6% (64.951$). Ether +2,6% (1.924$).

 

HOJE o foco da sessão serão os resultados empresariais. À primeira hora, TSMC publicou e bateu expetativas em EBIT e BNA. Contudo, o impacto poderá ser negativo porque, embora tenha subido as guias de receitas, mantém as de lucro e sobe as de investimento. O mercado tornou-se muito exigente com a tecnologia e o valor poderá sofrer por isso. Além disso, publicarão Netflix, UnitedHealth, Abbot e Intuitive Surgical… estes últimos poderão impulsionar o setor MedTech, cuja avaliação em relação à bolsa americana está em mínimos de 25 anos.


Provavelmente irão manter a tendência vista até agora em resultados: ontem foi a vez do setor financeiro americano, Blackrock e Morgan Stanley bateram amplamente. United Airlines também foi melhor do que o esperado, embora caia em pré-abertura (-3%) pelo impacto do preço do petróleo nas suas contas. No conjunto da temporada, espera-se um crescimento do EPS de +24,4% nos EUA e de +15,3% na Europa.


À primeira hora, o Banco Central da Coreia subiu taxas de juros em +25 p.b. até 2,75%, decisão esperada. Além disso, o banco central sugeriu que precisa manter uma política monetária restritiva, visto que o auge da indústria de semicondutores provavelmente beneficiará a economia em geral e a maior procura fará com que a inflação (+3,2% em junho) se mantenha durante algum tempo acima do objetivo (2,0%).


Os resultados serão os protagonistas, embora também seja publicada macro: o Índice de Atividade da Fed de Filadélfia, que irá aumentar até 13,0 desde 10,3, e Vendas a Retalho de junho que se irão moderar até +0,2% desde +0,9%. Veremos o que acontece com a macro. Ontem, nos EUA, foi muito boa: o Empire Industrial subiu até 15,6 vs. 9,2 estimado e 5,7 anterior, e os Preços de Produção moderaram-se até +5,5% desde +6,0% (revisto desde +6,5%), o que se traduz em menor pressão inflacionista.


Com tudo isso, se o petróleo (Brent) se mantém estável perto de 85 $, apesar da escalada no Médio Oriente, as bolsas deverão ver-se apoiadas pelos resultados empresariais, numa sessão provavelmente de menos a mais. Quiçá, como aconteceu ontem, vejamos novamente alguma rotação desde Semicondutores (-2,1%) para Tecnologia (+0,6%). Por último, ontem, SpaceX chegou a cair por momentos abaixo do seu preço de OPV (135$), embora tenha fechado ligeiramente acima.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Como as startups se perpetuam

 


Horizonte relevante depende do choque, por Tathiana Pinheiro




Passados o comunicado, a ata da última decisão de juros e o Relatório de Política Monetária, vale uma reflexão, à luz da literatura sobre metas de inflação, sobre qual deve ser o horizonte relevante da política monetária. Sob essa perspectiva, a literatura de Lars Svensson, Frederic Mishkin e Ben Bernanke sustenta que alongar o horizonte de convergência não é, por si só, sinal de leniência. Desde que seja transparente, bem comunicado e consistente com as defasagens da política monetária e com a natureza dos choques enfrentados pela economia, esse alongamento pode fazer parte da condução ótima da política monetária.

Nesse contexto, a discussão recente no Brasil deve ser entendida à luz dos choques que atingem a economia. Seja o diagnóstico de choques de oferta, com a recente alta do petróleo, ou de múltiplos choques, de oferta e demanda - petróleo, El Niño e expansão fiscal – ambos podem justificar a flexibilização do horizonte relevante.

O ponto central: não é abandono da meta de inflação nem dominância fiscal. A questão é reconhecer que diferentes choques interagem, podendo amplificar ou reduzir seus efeitos sobre inflação e atividade econômica. Nessas circunstâncias, o horizonte relevante deixa de ser um parâmetro fixo e passa a depender das defasagens da política monetária, da persistência e da interação entre os choques, com o objetivo de minimizar os custos sobre a economia.

Svensson (1999) mostrou que a política monetária deve responder à inflação projetada, e não à inflação corrente, em razão das defasagens da transmissão monetária. Mishkin (2000) transformou o arcabouço de meta de inflação em um modelo operacional para bancos centrais, enfatizando que o horizonte relevante deve refletir as defasagens da transmissão e ser claramente comunicado para preservar a credibilidade da autoridade monetária. Bernanke, Laubach, Mishkin e Posen (1999) consolidaram essa visão ao mostrar que o regime de metas constitui uma estratégia de política monetária na qual a velocidade de convergência deve equilibrar estabilidade de preços e custos sobre produto e emprego.

Por fim, Akram (2007) mostrou que não existe horizonte ótimo universal e que, diante de múltiplos choques, ele depende da natureza, da persistência e da interação entre eles. E, principalmente, economias sujeitas a choques mais persistentes e com mecanismos de estabilização relativamente mais lentos – exemplo: expectativas desancoradas, desequilíbrio fiscal, alta inércia inflacionária - tendem a demandar horizontes de convergência mais longos.

Essa evolução também pode ser observada na prática dos principais bancos centrais que operam sob regime de metas de inflação. Na década de 1990, era comum a utilização de horizontes relativamente explícitos, normalmente próximos de dois anos. Com o amadurecimento do sistema, alguns bancos centrais continuam explicitando horizontes quantitativos, enquanto outros optam por formulações qualitativas.

Hoje, o Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra, o Banco da Nova Zelândia e o Banco da Austrália preferem formulações como "médio prazo" ou "ao longo do tempo". Já o Banco do México não estabelece um horizonte fixo, preferindo comunicar a trajetória esperada de convergência da inflação em seus relatórios. Entre aqueles que explicitam horizontes quantitativos, o Banco do Canadá trabalha, em condições normais, com horizonte de seis a oito trimestres; o Banco Nacional da República Tcheca utiliza doze a dezoito meses, horizonte que foi temporariamente alongado durante o choque inflacionário de 2022; o Banco Central do Chile adota aproximadamente dois anos; o Banco da República da Colômbia utiliza doze a dezoito meses; e o Banco Central do Brasil adota oficialmente dezoito meses.

A principal lição da literatura e da experiência internacional não é sobre horizonte adequado, mas sobre comunicação. A credibilidade e o sucesso de um regime de metas de inflação não dependem de um horizonte rígido, e sim da coerência entre o horizonte adotado, a natureza dos choques, as defasagens da política monetária e uma comunicação clara da estratégia da autoridade monetária.

CIência e IA

 

https://braziljournal.com/manifesto-de-economistas-pede-acao-contra-impacto-social-da-ai/


Entre "Segundas Intenções" e "obviedades" da tal carta sobre os riscos da IA, como filósofo, escritor e profissional de tecnologia, preciso expressar aqui minha análise crítica deste documento assinado por líderes da tecnologia e premiados com o Nobel:


1. A carta é notavelmente curta, apenas três afirmações: (a) que a IA pode se tornar mais poderosa em 10 anos, (b) que isso poderia gerar uma transformação econômica maior que a Revolução Industrial, em prazo menor, causando desemprego em massa, (c) e que economistas, formuladores de políticas e líderes tecnológicos devem agir agora. Isto seguido por uma longa lista de assinaturas. Essa desproporção (três frases e cerca de 250 nomes) deve ser considerada, pois o gênero discursivo aqui não é o 𝐚𝐫𝐠𝐮𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨, é o 𝗺𝗮𝗻𝗶𝗳𝗲𝘀𝘁𝗼 𝗽𝗼𝗿 𝗮𝘂𝘁𝗼𝗿𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲. O texto em si 𝗻ã𝗼 𝗱𝗲𝗺𝗼𝗻𝘀𝘁𝗿𝗮 𝗻𝗮𝗱𝗮; ele apenas 𝗮𝘁𝗲𝘀𝘁𝗮. A força retórica se dá pelas láureas dos signatários, não por lógica robusta e incontestável.

2. Praticamente todo o conteúdo empírico da carta está no condicional, e isso é feito com cuidado gramatical. Observe os verbos das expressões "pode se tornar", "isso poderia impulsionar", "poderia trazer". Nenhuma das duas primeiras teses da carta é uma afirmação factual, são 𝗰𝗲𝗻á𝗿𝗶𝗼𝘀. A própria comparação com a Revolução Industrial é uma analogia histórica, não uma previsão testável. E falar em prazo "menor" é pura extrapolação, já que não há precedente que a fundamente.

3. O truque retórico central da carta reside na única frase no modo imperativo, que refere a exigência de ação. Ou seja, a carta constrói uma certeza (o dever de agir agora) sobre premissas explicitamente incertas O próprio título converte a especulação em urgência moral. Ou seja, a hipótese vira mandato sem passar pela demonstração.

4. É preciso notar ainda que a carta não especifica o modo de agir. Agir como? Com quais políticas? Falar em incentivos, salvaguardas e instituições é linguagem deliberadamente vazia. Cada leitor e cada signatário pode projetar seu conteúdo preferido. É por isso que Daron Acemoglu e Vinod Khosla podem assinar o mesmo documento, pois 𝗲𝗹𝗲 𝗻ã𝗼 𝗰𝗼𝗺𝗽𝗿𝗼𝗺𝗲𝘁𝗲 𝗻𝗶𝗻𝗴𝘂é𝗺 𝗰𝗼𝗺 𝗻𝗮𝗱𝗮.

5. Os temas da ansiedade sobre desemprego, a comparação com a Revolução Industrial e este gênero de uma "carta aberta assinada por notáveis" se traduz como mais uma série de considerações que já foram exaustivamente enunciadas. Ou seja: nem o diagnóstico, nem a analogia, nem o formato são novos. O que é novo é a composição da coalizão. E ATENÇÃO: é aí que mora o 𝘀𝘂𝗯𝘁𝗲𝘅𝘁𝗼 𝗱𝗮 𝗰𝗮𝗿𝘁𝗮. Trata-se de 𝗽𝘂𝗯𝗹𝗶𝗰𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗱𝗲 𝗰𝗮𝗽𝗮𝗰𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗱𝗶𝘀𝗳𝗮𝗿ç𝗮𝗱𝗮 𝗱𝗲 𝗮𝗹𝗲𝗿𝘁𝗮 e de 𝗿𝗲𝗶𝘃𝗶𝗻𝗱𝗶𝗰𝗮çã𝗼 𝗱𝗲 𝗷𝘂𝗿𝗶𝘀𝗱𝗶çã𝗼.

O que a carta faz e quer é converter incerteza em urgência, e urgência em autoridade para um grupo específico. E isso é ainda mais perigoso do que os riscos da #IA.

Elena Landau

Terra sem lei Elena Landau elena.landau@eusoulivres.org ADVOGADA E ECONOMISTA A falta de respeito ao próximo, às autoridades e às leis está ...