Sou Economista com dois mestrados, cursos de especialização e em Doutoramento. Meu objetivo é analisar a economia, no Brasil e no Mundo, tentar opinar sobre os principais debates da atualidade e manter sempre, na minha opinião essencial, a independência. Não pretendo me esconder em nenhum grupo teórico específico. Meu objetivo é discorrer sobre varios temas, buscando sempre ser realista.
quinta-feira, 16 de julho de 2026
Call Matinal 1607
Julio Hegedus Netto, economista
MERCADOS EM GERAL
FECHAMENTO (1507)
MERCADOS
Na quarta-feira (15), O Ibovespa caiu 0,36% e, por pouco, não entregou os 176 mil pontos. Fechou a 176.010,90 pontos. O giro de R$ 40 bilhões na bolsa ontem foi turbinado pelo game.
PRINCIPAIS MERCADOS
Os índices futuros dos EUA operam em baixa nesta quinta-feira (16), após uma alta impulsionada pela inflação mais baixa na véspera.
MERCADOS 5h30
Índices
EUA
Dow Jones Futuro: -0,06%
S&P 500 Futuro: -0,22%
Nasdaq Futuro: -0,60%
Ásia-Pacífico:
Shanghai SE (China), -1,85%
Nikkei (Japão): -2,79%
Hang Seng Index (Hong Kong): +1,33%
Nifty 50 (Índia): -0,07%
ASX 200 (Austrália): 0,00%
Europa
STOXX 600: -0,53%
DAX (Alemanha): -0,61%
FTSE 100 (Reino Unido): -0,55%
CAC 40 (França): -0,64%
FTSE MIB (Itália): -0,53%
Commodities
Petróleo WTI, -0,20%, a US$ 79,44 o barril
Petróleo Brent, -0,59%, a US$ 84,45 o barril
Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, 0,00%, a 759,50 iuanes (US$ 112,21)
Bitcoin, -0,99%, a US$ 64.243,01
Barril de petróleo em correção para baixo.
Dia 1607
Infelizmente, o tarifaço foi confirmado. Os EUA aplicarão tarifa de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho - com mais de 2 mil itens na lista de exceções - carnes, café, frutas, ferro e partes de aeronaves, entram agora ferro-gusa, café solúvel sem sabor, mel orgânico, hidróxido de alumínio, sucata de ferro e aço, frutos do mar, couros, alguns produtos de madeira, medicamentos e roupas usadas. Marco Rubio culpou Lula, "colocou o próprio ego à frente de um acordo".
O governo brasileiro chamou o dia de "marco lastimável" e disse que vai responder com a Lei de Reciprocidade. Embora tenhamos alguma reserva pelas movimentações bruscas do presidente Trump impossível não compreender suas razões. Vivemos um inferno astral de governança no Brasil já a mais de duas décadas. Governos afeitos a esquemas variados, amigos de outros governos tão corruptos quanto. Não se pode naturalizar a corrupção, achar que é algo normal. Acho, inclusive, que uma das bandeiras de campanha do próximo presidente deveria ser o combate à corrupção. Faz sentido criarmos os nossos filhos num ambiente tóxico como este? Eu já tirei o meu daqui, mas e os outros, que não podem? É isso aí… Nos EUA, o PPI de junho também veio abaixo do esperado, aliviando os mercados. O PPI caiu 0,3% em junho, em linha com as expectativas, enquanto o núcleo avançou apenas 0,2%, abaixo da alta de 0,4% esperada pelo mercado, alimentando novas apostas de que o Fed poderá manter os juros inalterados por mais tempo
Agenda
Quinta-feira, 16/07
08h00 – Brasil: FGV – IPC-S (2ª quadri de jul)
09h00 – Brasil: IBGE – Vendas no varejo (mai)
09h30 – EUA: Pedidos de auxílio-desemprego
09h30 – EUA: Vendas no varejo (jun)
11h00 – EUA: NAHB – Índice de confiança das construtoras (jul)
11h00 – EUA: NAR – Vendas pendentes de imóveis (jun)
Tarifaço
Marco Rubio culpou Lula, "colocou o próprio ego à frente de um acordo".
O governo brasileiro chamou o dia de "marco lastimável" e disse que vai responder com a Lei de Reciprocidade.
Embora tenhamos alguma reserva pelas movimentações bruscas do presidente Trump, impossível não compreender suas razões. Vivemos um inferno astral de governança no Brasil já há mais de duas décadas. Governos afeitos à esquemas variados, amigos de outros governos tão corruptos quanto.
Não se pode naturalizar a corrupção, achar que é algo normal. Acho, inclusive, que uma das bandeiras de campanha do próximo presidente deveria ser o combate à corrupção.
Faz sentido criarmos os nossos filhos num ambiente tóxico como este? Eu já tirei o meu daqui, mas e os outros, que não podem? É isso aí…
Nos EUA, o PPI de junho também veio abaixo do esperado, aliviando os mercados. O PPI caiu 0,3% em junho, em linha com as expectativas, enquanto o núcleo avançou apenas 0,2%, abaixo da alta de 0,4% esperada pelo mercado, alimentando novas apostas de que o Fed poderá manter os juros inalterados por mais tempo.
Bankinter Matinal Portugal
Análise Bankinter Portugal
Nova Iorque +0,4% EUA tech -0,3% EUA Semis -2,1% UE +0,1% Espanha -0,2% VIX 18,7% Bund 3,09%. T-Note 4,55%. Spread 2A-10A USA=+41pb B10A: ESP 3,57% PT 3,47% ITA 3,90% FRA 3,90% Euribor 12m 2,92% USD 1,146 JPY 185,9/€ 162,2/$. Ouro 4.062$. Brent 85,1$. WTI 80,2$. Bitcoin +0,6% (64.951$). Ether +2,6% (1.924$).
HOJE o foco da sessão serão os resultados empresariais. À primeira hora, TSMC publicou e bateu expetativas em EBIT e BNA. Contudo, o impacto poderá ser negativo porque, embora tenha subido as guias de receitas, mantém as de lucro e sobe as de investimento. O mercado tornou-se muito exigente com a tecnologia e o valor poderá sofrer por isso. Além disso, publicarão Netflix, UnitedHealth, Abbot e Intuitive Surgical… estes últimos poderão impulsionar o setor MedTech, cuja avaliação em relação à bolsa americana está em mínimos de 25 anos.
Provavelmente irão manter a tendência vista até agora em resultados: ontem foi a vez do setor financeiro americano, Blackrock e Morgan Stanley bateram amplamente. United Airlines também foi melhor do que o esperado, embora caia em pré-abertura (-3%) pelo impacto do preço do petróleo nas suas contas. No conjunto da temporada, espera-se um crescimento do EPS de +24,4% nos EUA e de +15,3% na Europa.
À primeira hora, o Banco Central da Coreia subiu taxas de juros em +25 p.b. até 2,75%, decisão esperada. Além disso, o banco central sugeriu que precisa manter uma política monetária restritiva, visto que o auge da indústria de semicondutores provavelmente beneficiará a economia em geral e a maior procura fará com que a inflação (+3,2% em junho) se mantenha durante algum tempo acima do objetivo (2,0%).
Os resultados serão os protagonistas, embora também seja publicada macro: o Índice de Atividade da Fed de Filadélfia, que irá aumentar até 13,0 desde 10,3, e Vendas a Retalho de junho que se irão moderar até +0,2% desde +0,9%. Veremos o que acontece com a macro. Ontem, nos EUA, foi muito boa: o Empire Industrial subiu até 15,6 vs. 9,2 estimado e 5,7 anterior, e os Preços de Produção moderaram-se até +5,5% desde +6,0% (revisto desde +6,5%), o que se traduz em menor pressão inflacionista.
Com tudo isso, se o petróleo (Brent) se mantém estável perto de 85 $, apesar da escalada no Médio Oriente, as bolsas deverão ver-se apoiadas pelos resultados empresariais, numa sessão provavelmente de menos a mais. Quiçá, como aconteceu ontem, vejamos novamente alguma rotação desde Semicondutores (-2,1%) para Tecnologia (+0,6%). Por último, ontem, SpaceX chegou a cair por momentos abaixo do seu preço de OPV (135$), embora tenha fechado ligeiramente acima.
quarta-feira, 15 de julho de 2026
Horizonte relevante depende do choque, por Tathiana Pinheiro
Passados o comunicado, a ata da última decisão de juros e o Relatório de Política Monetária, vale uma reflexão, à luz da literatura sobre metas de inflação, sobre qual deve ser o horizonte relevante da política monetária. Sob essa perspectiva, a literatura de Lars Svensson, Frederic Mishkin e Ben Bernanke sustenta que alongar o horizonte de convergência não é, por si só, sinal de leniência. Desde que seja transparente, bem comunicado e consistente com as defasagens da política monetária e com a natureza dos choques enfrentados pela economia, esse alongamento pode fazer parte da condução ótima da política monetária.
Nesse contexto, a discussão recente no Brasil deve ser entendida à luz dos choques que atingem a economia. Seja o diagnóstico de choques de oferta, com a recente alta do petróleo, ou de múltiplos choques, de oferta e demanda - petróleo, El Niño e expansão fiscal – ambos podem justificar a flexibilização do horizonte relevante.
O ponto central: não é abandono da meta de inflação nem dominância fiscal. A questão é reconhecer que diferentes choques interagem, podendo amplificar ou reduzir seus efeitos sobre inflação e atividade econômica. Nessas circunstâncias, o horizonte relevante deixa de ser um parâmetro fixo e passa a depender das defasagens da política monetária, da persistência e da interação entre os choques, com o objetivo de minimizar os custos sobre a economia.
Svensson (1999) mostrou que a política monetária deve responder à inflação projetada, e não à inflação corrente, em razão das defasagens da transmissão monetária. Mishkin (2000) transformou o arcabouço de meta de inflação em um modelo operacional para bancos centrais, enfatizando que o horizonte relevante deve refletir as defasagens da transmissão e ser claramente comunicado para preservar a credibilidade da autoridade monetária. Bernanke, Laubach, Mishkin e Posen (1999) consolidaram essa visão ao mostrar que o regime de metas constitui uma estratégia de política monetária na qual a velocidade de convergência deve equilibrar estabilidade de preços e custos sobre produto e emprego.
Por fim, Akram (2007) mostrou que não existe horizonte ótimo universal e que, diante de múltiplos choques, ele depende da natureza, da persistência e da interação entre eles. E, principalmente, economias sujeitas a choques mais persistentes e com mecanismos de estabilização relativamente mais lentos – exemplo: expectativas desancoradas, desequilíbrio fiscal, alta inércia inflacionária - tendem a demandar horizontes de convergência mais longos.
Essa evolução também pode ser observada na prática dos principais bancos centrais que operam sob regime de metas de inflação. Na década de 1990, era comum a utilização de horizontes relativamente explícitos, normalmente próximos de dois anos. Com o amadurecimento do sistema, alguns bancos centrais continuam explicitando horizontes quantitativos, enquanto outros optam por formulações qualitativas.
Hoje, o Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra, o Banco da Nova Zelândia e o Banco da Austrália preferem formulações como "médio prazo" ou "ao longo do tempo". Já o Banco do México não estabelece um horizonte fixo, preferindo comunicar a trajetória esperada de convergência da inflação em seus relatórios. Entre aqueles que explicitam horizontes quantitativos, o Banco do Canadá trabalha, em condições normais, com horizonte de seis a oito trimestres; o Banco Nacional da República Tcheca utiliza doze a dezoito meses, horizonte que foi temporariamente alongado durante o choque inflacionário de 2022; o Banco Central do Chile adota aproximadamente dois anos; o Banco da República da Colômbia utiliza doze a dezoito meses; e o Banco Central do Brasil adota oficialmente dezoito meses.
A principal lição da literatura e da experiência internacional não é sobre horizonte adequado, mas sobre comunicação. A credibilidade e o sucesso de um regime de metas de inflação não dependem de um horizonte rígido, e sim da coerência entre o horizonte adotado, a natureza dos choques, as defasagens da política monetária e uma comunicação clara da estratégia da autoridade monetária.
CIência e IA
https://braziljournal.com/manifesto-de-economistas-pede-acao-contra-impacto-social-da-ai/
Entre "Segundas Intenções" e "obviedades" da tal carta sobre os riscos da IA, como filósofo, escritor e profissional de tecnologia, preciso expressar aqui minha análise crítica deste documento assinado por líderes da tecnologia e premiados com o Nobel:
1. A carta é notavelmente curta, apenas três afirmações: (a) que a IA pode se tornar mais poderosa em 10 anos, (b) que isso poderia gerar uma transformação econômica maior que a Revolução Industrial, em prazo menor, causando desemprego em massa, (c) e que economistas, formuladores de políticas e líderes tecnológicos devem agir agora. Isto seguido por uma longa lista de assinaturas. Essa desproporção (três frases e cerca de 250 nomes) deve ser considerada, pois o gênero discursivo aqui não é o 𝐚𝐫𝐠𝐮𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨, é o 𝗺𝗮𝗻𝗶𝗳𝗲𝘀𝘁𝗼 𝗽𝗼𝗿 𝗮𝘂𝘁𝗼𝗿𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲. O texto em si 𝗻ã𝗼 𝗱𝗲𝗺𝗼𝗻𝘀𝘁𝗿𝗮 𝗻𝗮𝗱𝗮; ele apenas 𝗮𝘁𝗲𝘀𝘁𝗮. A força retórica se dá pelas láureas dos signatários, não por lógica robusta e incontestável.
2. Praticamente todo o conteúdo empírico da carta está no condicional, e isso é feito com cuidado gramatical. Observe os verbos das expressões "pode se tornar", "isso poderia impulsionar", "poderia trazer". Nenhuma das duas primeiras teses da carta é uma afirmação factual, são 𝗰𝗲𝗻á𝗿𝗶𝗼𝘀. A própria comparação com a Revolução Industrial é uma analogia histórica, não uma previsão testável. E falar em prazo "menor" é pura extrapolação, já que não há precedente que a fundamente.
3. O truque retórico central da carta reside na única frase no modo imperativo, que refere a exigência de ação. Ou seja, a carta constrói uma certeza (o dever de agir agora) sobre premissas explicitamente incertas O próprio título converte a especulação em urgência moral. Ou seja, a hipótese vira mandato sem passar pela demonstração.
4. É preciso notar ainda que a carta não especifica o modo de agir. Agir como? Com quais políticas? Falar em incentivos, salvaguardas e instituições é linguagem deliberadamente vazia. Cada leitor e cada signatário pode projetar seu conteúdo preferido. É por isso que Daron Acemoglu e Vinod Khosla podem assinar o mesmo documento, pois 𝗲𝗹𝗲 𝗻ã𝗼 𝗰𝗼𝗺𝗽𝗿𝗼𝗺𝗲𝘁𝗲 𝗻𝗶𝗻𝗴𝘂é𝗺 𝗰𝗼𝗺 𝗻𝗮𝗱𝗮.
5. Os temas da ansiedade sobre desemprego, a comparação com a Revolução Industrial e este gênero de uma "carta aberta assinada por notáveis" se traduz como mais uma série de considerações que já foram exaustivamente enunciadas. Ou seja: nem o diagnóstico, nem a analogia, nem o formato são novos. O que é novo é a composição da coalizão. E ATENÇÃO: é aí que mora o 𝘀𝘂𝗯𝘁𝗲𝘅𝘁𝗼 𝗱𝗮 𝗰𝗮𝗿𝘁𝗮. Trata-se de 𝗽𝘂𝗯𝗹𝗶𝗰𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗱𝗲 𝗰𝗮𝗽𝗮𝗰𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗱𝗶𝘀𝗳𝗮𝗿ç𝗮𝗱𝗮 𝗱𝗲 𝗮𝗹𝗲𝗿𝘁𝗮 e de 𝗿𝗲𝗶𝘃𝗶𝗻𝗱𝗶𝗰𝗮çã𝗼 𝗱𝗲 𝗷𝘂𝗿𝗶𝘀𝗱𝗶çã𝗼.
O que a carta faz e quer é converter incerteza em urgência, e urgência em autoridade para um grupo específico. E isso é ainda mais perigoso do que os riscos da #IA.
Longevidade
Estamos vivendo uma das maiores transformações demográficas da história.
No Brasil, a expectativa de vida ao nascer é de 76,4 anos (IBGE). No mundo, a população com 60 anos ou mais deverá ultrapassar 2 bilhões de pessoas até 2050, representando cerca de 25% da população mundial (ONU).
Esse cenário muda a forma como famílias, empresas e governos precisam pensar o futuro.
Envelhecer bem não depende apenas de saúde. Depende de planejamento.
Cada etapa da vida traz novas prioridades. Aos 60+, muitos desejam liberdade para aproveitar o tempo. Aos 70+, propósito e participação continuam fazendo diferença. Aos 80+ e 90+, segurança, autonomia, vínculos familiares e cuidados adequados tornam-se ainda mais importantes.
Essa realidade também movimenta a economia. Segundo estudos da Data8, o consumo da população acima de 60 anos movimenta mais de R$ 2 trilhões por ano no Brasil. Além disso, pesquisas indicam que uma parcela significativa das pessoas nessa faixa etária continua trabalhando, empreendendo e contribuindo para a geração de riqueza.
Por isso, falar sobre longevidade não é falar apenas sobre viver mais anos.
É falar sobre educação financeira, planejamento patrimonial, prevenção em saúde, moradia adequada, sucessão, relacionamentos e qualidade de vida.
No fim, a idade é apenas um número. O que realmente faz diferença são as escolhas feitas ao longo da vida.
Planejar hoje significa construir liberdade para decidir como viver amanhã — e oferecer mais tranquilidade para toda a família.
Elena Landau
Terra sem lei Elena Landau elena.landau@eusoulivres.org ADVOGADA E ECONOMISTA A falta de respeito ao próximo, às autoridades e às leis está ...
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