sexta-feira, 26 de junho de 2026

AJAX ASSET 2606

 26/06/2026 – AJAX ASSET


Resumo: Na Europa, EuroStoxx tem queda de 0,8%; enquanto, nos EUA, S&P 500 recua 0,6% e Nasdaq cai 1,4%. Na Ásia, Nikkei encerrou a sessão em baixa de 4,1%; e Shanghai caiu 2,3%. Nas moedas, DXY recua 0,3%, aos 101,2 pontos, e MXN deprecia 0,2%. Já nas commodities, brent cai 3,7%, aos USD 72,7/barril; e as taxas das treasuries fecham até 03 bps ao longo da curva._


CENÁRIO EXTERNO


• EUA – PCE (mai/26): +0,40% m/m e +4,1% a/a (vs consenso de +0,5% m/m e +4,1% a/a), sendo que o núcleo subiu 0,3% m/m e +3,4% a/a (vs consenso de +0,4% m/m e +3,4% a/a). De fato, PCE de maio mostrou um quadro misto para a inflação. A composição foi menos favorável, com a inflação cheia ainda pressionada pela energia e o núcleo acelerando em função dos serviços. Enquanto os bens voltaram a mostrar descompressão (-0,09% m/m), os serviços ganharam força (+0,48% a/a), especialmente em serviços financeiros, saúde e transporte, reforçando que as pressões inflacionárias permanecem concentradas nos segmentos mais inerciais. Enquanto isso, renda e consumo reais (+0,25% m/m) seguiram resilientes, embora a redução dos gastos em categorias mais sensíveis aos preços sugira um ajuste gradual das famílias. A trajetória da energia e a persistência da inflação de serviços ainda devem manter o Fed em postura cautelosa e dependente dos dados.


• EUA – 2ª leitura do PIB (1T26): +2,1% a/a (vs consenso de 1,6% a/a). Essa leitura confirma uma economia ainda resiliente no 1º trimestre, mas mantendo sinais de moderação da demanda privada (de 1,4% para 0,5%). O consumo continuou perdendo força, sobretudo em serviços (de 1,83% para 0,50%), enquanto os investimentos seguiram sustentados pelo setor residencial (de 10,1% para 10,6%) e pela recomposição de estoques, apesar da queda dos investimentos não residenciais (de -6,24% para -7,80%). Ao mesmo tempo, observou-se forte contribuição do setor público e o menor impacto do comércio exterior. Em suma, os dados reforçam um cenário de crescimento ainda sólido, ainda que menos disseminado, com perda gradual de tração do setor privado.


• Macro: (i) sem destaques. 


• Agenda – EUA: (i) 09h30 tem dados de estoques no atacado, além da balança comercial de bens; e (ii) 11h tem dados finais da confiança do consumidor de abril.


BRASIL


Mercados: Lá fora, queda dos preços das commodities nos últimos dias tem ajudado a ancorar as taxas de juros no mundo. Assim, as taxas das treasuries mostram mais um dia em tendencia de baixa, pressionando também o DXY para queda. No mercado de ações, futuros americanos recuam, em um movimento de realização. Por aqui, não se descarta um movimento em linha com exterior. O fluxo para a bolsa local continua bastante pressionado pelos estrangeiros, o que pode afetar performance nesta sessão. Já o real deve seguir em linha com depreciação dos pares emergentes, enquanto mercado de juros seguirá em descompressão de prêmios. 


• Política: Após o afastamento de Jaques Wagner (PT-BA), Lula anunciou Teresa Leitão (PT-PE) como a nova líder do governo no Senado. Ela terá a missão de articular o debate e a aprovação de projetos importantes em um ambiente que hoje é hostil às demandas do Palácio do Planalto. Teresa Leitão não era a escolha mais natural para o cargo, mas o PT ficou sem muitas opções entre parlamentares com maior rodagem. Camilo Santana (CE) foi um dos sondados, mas deixou claro que o seu objetivo este ano é fazer campanha para reeleger o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT). Teresa Leitão também terá que atuar para conter o avanço das pautas-bomba, que preocupa a equipe econômica. 


• Sobre as eleições: Ontem, PoderData divulgou nova pesquisa, com cenários eleitorais, aprovação e avaliação de governo. Destaques: (i) 43% dos eleitores dizem aprovar o governo (vs 44% em maio), enquanto (ii) desaprovação continua em 50%. No (iii) cenário de 1º turno, Lula tem 40% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro com 36%. Renan Santos e Ronaldo Caiado pontuam 4%. No (iv) cenário de 2º turno contra Flávio Bolsonaro, Lula marca 46% (estável vs maio) e Flávio tem 43% (42% em maio) - a diferença de 3 p.p. está na margem de erro.


• IPCA-15 (jun/26): +0,41% m/m e +4,80% a/a (vs consenso de +0,44% m/m e +4,84% a/a), mostrando uma surpresa baixista relativamente disseminada, com destaque para alimentação, saúde e cuidados pessoais e, principalmente, serviços. Ou seja, a composição do índice foi qualitativamente melhor, com a surpresa de baixa concentrada em alimentação no domicílio, forte queda do seguro voluntário de veículo e nos preços mais fracos de higiene pessoal. Por outro lado, passagens aéreas seguiram com destaque na altista, compensando parcialmente a melhora observada nos demais componentes. Vale notar: a média dos núcleos também ficou abaixo do consenso, reforçando a leitura de melhora qualitativa. Para a política monetária, o resultado dá munição para mais um corte de 25bps na reunião de agosto. As projeções de inflação de curto prazo seguem sem viés relevante de surpresa, apesar da revisão altista para o hiato do produto. Ainda assim, o Comitê deva preservar uma comunicação cautelosa diante da inflação corrente ainda elevada e das expectativas desancoradas.


• Relatório de Política Monetária (Jun/26): (i) inflação observada ficou 1,07 p.p. acima do Cenário do Copom, sendo maior parte da surpresa relacionada a alimentação no domicílio e administrados, enquanto as medidas de inflação subjacente do segmento, que excluem esse subitem, apresentaram evolução mais alinhada ao esperado; e (ii) projeções de inflação mensais de curto prazo indicam manutenção da inflação acumulada em 12m acima do limite superior do intervalo de tolerância ao redor da meta de inflação. Os comentários hawkish foram ofuscados pelas projeções mais dovish, principalmente pela manutenção da projeção para IPCA 1T28, justificada pela normalização de preços após os impactos do El Nino. Não houve menção sobre as simulações com trajetórias alternativas de juros. Por ora, mercado ainda precifica um novo corte de 25bps na reunião de agosto, e espera para avaliar o ritmo e a extensão do ciclo.


• Leilão do TN: O Tesouro captou R$ 37,0 bilhões na semana. A demanda foi integral nos prefixados (LTN e NTN-F) e na 1ª volta da LFT. Na 2ª volta da LFT não teve colocação adicional, que reduziu o agregado do papel a 80%. O ritmo total de emissão segue dentro da banda do PAF, mas a composição está pior, com taxa flutuante acima do alvo e prefixados e indexados à inflação abaixo. Na comparação com 2025 o volume acumulado recuou R$ 88,1 bilhões, puxado por NTN-B e LTN e atenuado pelo avanço da LFT.


• Agenda: (i) 8h30 tem BoP de abril (conta corrente: déficit de USD 4,5 bilhões; e IDP: USD 6,2 bilhões); e (ii) Pnad contínua (taxa de desemprego em 5,6%).


EQUITIES


• Setor de Oil & Gas: Nesta semana, Petrobras assinou um MoU com a Pemex para avaliar uma parceria estratégica no setor de hidrocarbonetos. No acordo, há oportunidades em E&P, como a revitalização de campos maduros e ativos em águas profundas no Golfo do México, além de iniciativas industriais em refino, petroquímica, fertilizantes, processamento de gás, redução de emissões e combustíveis de baixo carbono. A Petrobras também busca parceiros para aplicar novas tecnologias no pré-sal do Golfo do México, enquanto possíveis sinergias com a Braskem Idesa poderiam ser avaliadas se atrativas. Em suma, para PETR4, MoU segue mais neutro, ainda que positivo no longo prazo, em linha com a diversificação de seu portfólio de E&P. O Golfo do México poderia oferecer uma opção de reposição de reservas a longo prazo, ainda que qualquer projeto seja necessário estudos técnicos, viabilidade econômica e negociações. Para a Braskem, parcerias envolvendo a Braskem Idesa é positivo, apoiando discussões com a Pemex sobre o fornecimento de etano. Vamos acompanhar.


Ajax Asset Management

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