segunda-feira, 29 de junho de 2026

As fraudes começaram antes

 *As fraudes começaram antes*

Alisson MatosPublicada em 27/06/2026 às 06:00


As fraudes contábeis da Americanas começaram muito antes de 2016, ano que está no centro da ação penal já em curso contra os ex-diretores da varejista. Foi o que disseram três dos quatro ex-executivos da companhia que firmaram colaborações premiadas com o Ministério Público Federal, cujos relatos foram reunidos em despacho sigiloso obtido pelo Bastidor, assinado pela juíza Giovana Calmon, da 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. Ela autorizou as buscas e apreensões cumpridas na quinta-feira (25) contra os três principais acionistas de referência da Americanas, Carlos Alberto Sicupira, Paulo Lemann e Eduardo Saggioro Garcia.


O documento de 62 páginas, que autorizou a segunda fase da Operação Disclosure, reúne dois laudos periciais, mensagens de WhatsApp, e-mails e documentos internos da varejista. Nele, constam informações reveladas pela ex-diretora de controladoria Flávia Carneiro, pelo ex-diretor comercial Márcio Cruz, por Marcelo Nunes, ex-diretor financeiro, e pelo ex-diretor de relações com investidores e principal interlocutor da empresa com os bancos, Fábio Abrate.


Nas colaborações firmadas com o MPF, Flávia, Cruz e Nunes revelam que souberam das fraudes, respectivamente, em 2007, 2009 e 2010. Até agora, as provas documentais da investigação se concentravam em 2016 porque foi naquele ano que a Comissão de Valores Mobiliários, a CVM, passou a exigir que os bancos informassem as operações de risco sacado nas cartas de circularização enviadas às auditorias.


Flávia Carneiro foi a primeira a chegar perto do problema. Quando entrou na B2W, braço de e-commerce das Lojas Americanas, em 2007, ela afirma que verificou se os números estavam corretos. Encontrou inconsistências e as levou a seu superior, Carlos Padilha. A resposta foi para resolver em doses homeopáticas, porque a empresa estava prestes a abrir capital. As irregularidades eram, naquele momento, num volume muito inferior ao que viria a seguir.


Ela relata que, como Padilha trabalhou anteriormente na auditoria, eles começaram a usar o conhecimento dos procedimentos internos das auditorias para antecipar e neutralizar as verificações das empresas que passaram pela Americanas. Além da Deloitte, a Ernst e Young, PwC e KPMG. Para cada uma, havia estratégias distintas.


Dois anos depois, em 2009, Márcio Cruz assumiu como diretor estatutário comercial e disse ter encontrado centenas de milhões de reais em verbas que não podiam ser cobradas de fornecedores. Levou o problema a Miguel Gutierrez, então presidente da companhia. Gutierrez se mostrou surpreso com o tamanho do que havia. Segundo Cruz, o chefe achava que era um valor menor.


O orçamento aprovado anualmente pelo Conselho de Administração era definido com base nos resultados do ano anterior, que já eram fraudados. Cada novo ciclo partia de uma base irreal e exigia ainda mais fraude para ser cumprido. Abrate e Cruz dizem que o orçamento era “quase uma obra de ficção”.


O esquema tinha duas partes que se equilibravam. A primeira eram as VPCs fictícias, verbas de propaganda cooperada lançadas na contabilidade como se fossem incentivos reais de fornecedores, reduzindo artificialmente o custo das mercadorias e inflando o resultado da empresa. Eles citam ainda as chamadas operações de risco sacado, que são financiamentos bilionários com bancos registrados não como dívida, mas disfarçados de contas a pagar a fornecedores. A VPC reduzia o saldo de fornecedores e o risco sacado o aumentava.


O fechamento dos resultados seguia um ritual mensal. Eles detalham: a V0 continha os números reais, e as seguintes incorporavam as fraudes. Um arquivo chamado 00.anotações reunia, lado a lado, os lançamentos corretos e os fraudulentos, e servia de base para as versões adulteradas divulgadas ao mercado. Os montantes de VPCs fictícias eram calculados tendo como parâmetro a margem bruta orçada e as expectativas dos analistas de mercado, monitoradas por um arquivo interno chamado verdes e vermelhos. Quando os resultados reais ficavam abaixo do esperado, a diretoria ajustava os números. Numa mensagem enviada a Gutierrez, Nunes escreveu que “optamos por não deixar aparente, porque esse valor está dentro do custo de antecipação de recebíveis e nunca abrimos.”


As cartas de VPC falsas eram produzidas no Word. Pegava-se uma carta verdadeira, alteravam-se datas e valores, imprimia-se e entregava-se aos auditores. Segundo Nunes, a solução encontrada foi criar e-mails dos fornecedores dando o de acordo para verbas de VPC. “Os fornecedores não tinham noção de que os e-mails das cartas de VPC eram alterados”, disse. A prática foi confirmada pelos outros três delatores. Em sua delação, Nunes classificou o processo como “totalmente amador.”


*As auditorias*


Flávia conta que ia até a auditora para entender a diretriz com a qual os documentos seriam tratados. Em determinado momento, a KPMG exigiu verificar transações que nos sistemas eram falsas. A solução foi chamar João Guerra, diretor de TI, que alterou o próprio sistema SAP para que as fraudes passassem despercebidas. A contabilidade pegava as informações do sistema, jogava num Excel e alterava antes de encaminhar à auditoria. A planilha entregue não refletia o que estava no sistema. Guerra não é alvo da operação.


Em 2016, três bancos incluíram o risco sacado nas cartas de circularização, mas a auditoria só se atentou a dois deles, Itaú e Santander. O Bradesco passou despercebido, por um erro, segundo os delatores. A solução foi pedir diretamente aos bancos que retirassem as informações. A companhia recebia o modelo da carta da auditoria, omitia a informação de risco sacado e reenviava ao banco sem ela.


*Os bancos*


Quando a CVM publicou o Ofício Circular nº 1 de 2016, os bancos passaram a ser solicitados a informar as operações de risco sacado nas cartas de circularização enviadas às auditorias. Abrate foi designado por Timótheo Barros, diretor executivo da Americanas, com ciência de Gutierrez e Anna Saicali, outra diretora, para negociar diretamente com as instituições financeiras. O argumento era que se os bancos declarassem o risco sacado nas cartas, a Americanas pararia de fazer a operação. Segundo Abrate, os bancos cederam para não perder uma operação que lhes rendia muito dinheiro.


No Santander, André Juaçaba não apenas concordou em omitir as operações como orientou a Americanas sobre como redigir a própria solicitação ao banco de forma que este pudesse respondê-la sem mencionar o risco sacado. A decisão foi levada ao Comitê Executivo do banco, presidido à época por Sérgio Rial, o mesmo executivo que meses depois assumiria a presidência da Americanas. No Itaú, escalou até o Comitê Executivo composto por Cândido Bracher e mais quatro diretores.


Abrate descreve a tensão do processo numa mensagem enviada ao grupo Auditoria 2016. “Vamos com tudo. Itaú não é Santander. Assunto azedou muito. Podemos ter efeitos colaterais”, escreveu. O resultado foi o mesmo nos dois bancos. Nenhum número sobre o risco sacado nas cartas.


*O início do fim*


Em agosto de 2022, Gutierrez anunciou que seria substituído por Sérgio Rial na presidência. Nunes diz que ficou desesperado, porque o novo presidente inevitavelmente tomaria conhecimento das fraudes. De acordo com o seu relato, outros diretores ficaram tranquilos, confiantes de que Gutierrez daria um jeito. A escolha de Rial contrariava a praxe da empresa de promover talentos internos e, segundo os delatores, surpreendeu a cúpula. Carneiro descreve que o G30, grupo das principais lideranças da empresa, ficou em comoção porque era “um cara de banco assumindo a empresa, e que não estava habituado às práticas ilícitas que eram cometidas nas Americanas.”


Durante a transição, dois comentários espontâneos de Rial chamaram atenção. Num deles, o novo presidente contou que havia encontrado num emprego anterior um problema contábil enorme e que havia resolvido conversando diretamente com os bancos, um por um. No outro, falou sobre recuperação judicial, dizendo que a medida é boa para a companhia porque protege e congela as dívidas, mas ruim para o controlador porque afeta a imagem. Cruz descreve que ele e Barros saíram da conversa se perguntando se Rial seria “o cara que ia ajudar a resolver os nossos problemas.”


A partir de agosto, Timótheo Barros solicitou a Nunes que levantasse as informações dos últimos dez anos. Nunes produziu uma planilha com várias abas, cada uma com a informação verdadeira ao lado da falsa, e em seguida foi pedida uma apresentação em PowerPoint com o problema. A apresentação foi modificada durante meses, com Gutierrez pedindo a inclusão de novos dados enquanto tentava ganhar tempo. Durante o processo, Barros chegou a sugerir que Nunes fosse demitido por estar apresentando resistência às versões fictícias. Nunes recusou sair por conta própria, dizendo que só sairia se fosse demitido.


Numa reunião de 27 de dezembro de 2022, Saggioro e Rial ouviram a apresentação durante quatro horas. As poucas perguntas foram de natureza técnica e nenhuma tocou no problema central. A apresentação usava o termo fornecedor banco em vez de risco sacado. O Santander era banco credor da Americanas e Rial havia sido seu presidente, portanto sabia da existência das operações. Mesmo assim não fez nenhuma pergunta. Todos saíram da reunião sem entender se os dois haviam compreendido o que foi apresentado ou se já sabiam.


Em 4 de janeiro de 2023, numa nova reunião, Rial disse que sabia do risco sacado, mas tinha entendido que estava contabilizado como dívida. Ao ser informado de que não estava, André Couvre, o novo diretor financeiro que acabara de assumir o cargo, disse que aquilo era fraude e que todos seriam processados e presos. Rial tentou apaziguar a situação, pedindo calma.


Dois dias depois, em 6 de janeiro, Rial levou Sicupira e Saggioro para ouvir a apresentação sobre as fraudes. Sicupira fez poucas perguntas e não demonstrou grande reação. A mais reveladora, segundo Cruz: perguntou se os bancos estavam informando o risco sacado nas cartas de circularização. Ao saber que não, concluiu que a dívida não existia. Ao final, ninguém tinha certeza se Sicupira havia compreendido o que lhe foi apresentado ou se já sabia de tudo.


Em 10 de janeiro, na reunião com a auditora Claudia Elisa da KPMG, ela chegou transtornada e fez perguntas que deixaram a equipe completamente enrolada, até perguntar diretamente se havia fraude. A equipe ficou sem resposta mas disse que não havia. Após a reunião, Rial disse que foi péssima e que a equipe deveria ter aberto o jogo. Dias antes, ao tomar conhecimento da situação, Claudia Elisa havia ligado para Carneiro dizendo que a equipe havia acabado com sua carreira e que aquilo seria um escândalo. Claudia Elisa havia pedido a Rial que aguardasse antes de lançar o fato relevante. Rial não quis esperar.


Em 11 de janeiro de 2023, a Americanas divulgou o fato relevante que revelou ao mercado o rombo bilionário.


*Sobre os controladores*


Nenhum dos quatro delatores afirmou categoricamente que Sicupira, Lemann ou Saggioro sabiam das fraudes. Mas nenhum disse que não sabia. Quando perguntados diretamente, responderam que não podiam dizer.


Os quatro descrevem que a Americanas é uma empresa em que nada subia a hierarquia sem ser comunicado, em que o Conselho aprovava metas que só podiam ser atingidas com fraude, e em que a LTS Investiments, holding dos controladores, acompanhava o dia a dia da companhia de perto. “Ninguém era autônomo”, disse Abrate. “Por mais poder que você tivesse, não tomava nenhuma decisão sozinho. Zilhões de e-mails, zilhões de WhatsApp. Eu fazia isso para cima, Anna fazia isso para cima, Miguel fazia isso para cima. E assim era a dinâmica de Miguel com Beto, de Miguel com o Saggioro.”


Cruz perguntou diretamente a Gutierrez se Sicupira sabia das fraudes. Gutierrez disse que não. Cruz acrescenta que “se alguém tem ciência inequívoca sobre isso, seria o Miguel”, e que a negativa pode ter servido para manter os controladores blindados.


No despacho que autorizou a última operação contra os controladores da Americanas, a juíza Giovana Calmon reconheceu que não há, até agora, provas diretas de conversas em que Sicupira, Lemann ou Saggioro tenham participado de discussões sobre as fraudes. Mas sustentou que essa ausência é parte do padrão identificado na investigação. Para a magistrada, exigir prova documental explícita de envolvimento dos acionistas neste estágio das investigações seria, nas palavras dela, “extremamente ingênuo.” Executivos com esse nível de experiência e acesso a assessorias jurídicas qualificadas sabem que certos assuntos não devem ser formalizados.


O Bastidor procurou nesta sexta-feira (26) os advogados dos citados na matéria. As defesas de Marcelo Nunes, Flávia Carneiro e Fábio Abrate informaram ao Bastidor que não irão se manifestar sobre o caso. A Americanas não respondeu aos contados da reportagem e a defesa de Márcio Cruz não foi encontrada para comentar.


Ontem, por meio de nota, Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Sicupira, acionistas-referência das Americanas, disseram que as investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo MPF, incuindo aquelas com base em acordos de delação premiada, “indicam que o Conselho de Administração e os acionistas de referência foram continuamente enganados e induzidos a erro pela antiga diretoria da companhia”. Procuradas, as defesas de Beto Sicupira e Paulo Alberto Lemann não respoderam.


O Bastidor também procurou o Santander e o Itaú na tarde desta sexta-feira, por meio de suas assessorias de imprensa.


Ao Santander, perguntou se o banco confirma as discussões com a Americanas sobre o tratamento do risco sacado nas cartas de circularização, qual foi a participação de André Juaçaba e Sérgio Rial nas tratativas e com base em qual análise jurídica, contábil ou regulatória a instituição sustentou o entendimento de que as operações deveriam ser tratadas como comerciais. O banco não respondeu até a publicação desta reportagem.


Ao Itaú, perguntou se o banco confirma que o tema foi levado ao Comitê Executivo, qual foi a participação de Gustavo Balassiano, José Rudge e dos integrantes do comitê, com base em qual análise o banco sustentou a classificação do risco sacado como operação comercial e se houve revisão interna desse posicionamento.


Em nota, o Itaú disse que não é investigado e que colabora com as autoridades desde 2023, prestando todas as informações solicitadas sobre o caso Americanas. O banco afirmou que sofreu perdas bilionárias com o episódio e que já comprovou, por meio de documentos apresentados à Justiça, “a lisura de sua conduta e da atuação de seus funcionários”. Disse ainda que recusou pedidos da antiga gestão da Americanas para alterar cartas de circularização, que sempre alertou auditores e reguladores sobre a existência das operações de risco sacado e da exposição da varejista a fornecedores, e que chegou a interromper por mais de seis meses as operações de risco sacado com a companhia. O Itaú afirmou, por fim, que sempre atuou com “rigor ético e regulatório” e que confia no trabalho das autoridades.


https://obastidor.com.br/economia/as-fraudes-comecaram-antes/

O mensageiro, Gustavo Franco



 “O Mensageiro” – Gustavo Franco


O ponto central do artigo é simples: os juros altos não são a causa do problema fiscal brasileiro; são a consequência dele. Segundo Gustavo Franco, o Banco Central funciona apenas como um “mensageiro” que traduz para a economia os riscos criados pelo excesso de gastos públicos e pelo crescimento da dívida do governo.

A lógica é semelhante à de uma família ou empresa muito endividada. Quando alguém já deve muito dinheiro e continua gastando mais do que arrecada, os credores passam a exigir juros maiores para emprestar. Com o governo acontece o mesmo. Como o setor público brasileiro possui uma dívida próxima de 80% do PIB (cerca de R$ 10 trilhões), qualquer sinal de descontrole fiscal aumenta a percepção de risco e eleva os juros exigidos pelo mercado.

O autor destaca que muitos políticos preferem culpar o Banco Central pela Selic elevada porque isso evita discutir a verdadeira origem do problema. Afinal, é mais fácil atacar quem anuncia a notícia do que reconhecer que programas sem financiamento, aumento de despesas permanentes e emendas parlamentares sem contrapartida acabam pressionando a dívida pública e, consequentemente, os juros.

Outro ponto importante é que a taxa paga pelo governo serve de referência para toda a economia. Se o Tesouro precisa oferecer juros muito altos para financiar sua dívida, empresas, famílias e investidores também enfrentarão custos maiores de crédito. Por isso, os juros da dívida pública acabam influenciando financiamentos imobiliários, empréstimos empresariais, cartões de crédito e praticamente todas as demais taxas da economia.


A tese de Gustavo Franco é que o Banco Central não cria juros altos por vontade própria. Ele apenas reage aos fundamentos da economia. Se o governo gasta mais do que arrecada e a dívida cresce continuamente, os juros sobem como mecanismo de compensação do risco. Em outras palavras: não existe solução monetária para um problema fiscal. Enquanto o Brasil não resolver suas contas públicas, continuará convivendo com juros estruturalmente elevados, crescimento menor e menor capacidade de investimento produtivo.

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


Nova Iorque -0,05% EUA tech -1,1% EUA Semis -5,3% UE -0,7% Espanha -0,5% VIX 18,4% Bund 2,85%. T-Note 4,38%. Spread 2A-10A EUA =+27pb O10A: ESP 3,34% PT 3,24% ITA 3,58% FRA 3,63% Euribor 12m 2,764% (futuro 12m 2,765%) USD 1,139 JPY 184,3/€ 161,8/$. Ouro 4.058$. Brent 72,0$. WTI 69,6$. Bitcoin -0,5% (60.039$). Ether +0,6% (1.582$).



:: SESSÃO. Aspeto de subida e menos suave do que seria desejável: talvez ca. +0,5% Europa e +1% EUA. Esta semana, banqueiros centrais em Sintra, inflação europeia começará a retroceder e o emprego americano oferecerá mais do mesmo. Ataques e contra-ataques entre os EUA e o Irão, este fim de semana, para terminar o assunto de seguida e retomar a conversações que provavelmente não chegarão a ser um acordo. Mas o petróleo ca.70$/b e isso, que é bom, é o que importa ao mercado. Tecnologia um pouco débil devido a uma realização de lucros em Micron depois do seu forte aumento na quinta-feira (-6,7% vs. +15,7%) e ON Semiconductor -23% pela compra de uma empresa. As obrigações quase não se movem, com yield muito estável. O Japão publica um bom número: Vendas a Retalho de maio +5,3% vs. +3,2% esperado vs. +2,8% abril (revisto em alta desde +2,1% preliminar). SpaceX entra hoje no Russell 1000, e a 7 de julho no Nasdaq-100. Hoje entra Alphabet no DJI-30 e sai Verizon. 


Como o emprego americano (quinta-feira) será provavelmente continuísta e indiferente para o mercado, o mais importante será comprovar se a inflação europeia começa a suavizar-se (+3,0/+3,1% desde +3,2%, na quarta-feira) e se, como consequência, os bancos centrais, reunidos em Sintra pelo BCE, de segunda a quarta-feira, suavizam ou não a sua abordagem sobre a inflação e, por extensão, sobre as suas taxas diretoras. Particularmente Lagarde (quarta-feira, 14 h; junto a Bailey do BoE e Warsh da Fed), depois do BCE subir +25 p.b., até 2,25%/2,40% (Depósito/Crédito), a 11 de junho, apenas 48 horas antes dos EUA e do Irão assinarem um Memorando de Entendimento e o petróleo começar a retroceder até níveis quase pré-guerra. É cedo para uma mudança de abordagem, porque a sua decisão de 11 de junho compromete muito, mas este é o assunto que realmente poderá “dar jogo”. Com o petróleo quase normalizado, embora surjam aumentos erráticos, os principais bancos centrais (Fed, BCE e BoE; o BoJ está noutro ciclo de política monetária) suavizarão, pouco a pouco, a sua perceção sobre a inflação e, por extensão, voltarão a adotar uma atitude mais dovish/suave sobre taxas de juros. Poderão insinuar algo assim esta semana, embora sem se comprometer. Mas talvez isso seja esperar demasiado…


:: CONCLUSÃO. Nestas circunstâncias, o adiamento de OpenAI da sua OPV antes do ambíguo resultado da saída à bolsa de SpaceX parece melhor do que se precipitar. E se o mercado decidir ir mais devagar, seria mais tranquilizador do que inquietante para o verão. O “mal” é que hoje irá querer subir novamente. Para esta semana, a probabilidade de subida parece superior à de estancamento. Já veremos se é bom…


FIM

domingo, 28 de junho de 2026

Gilmar Mendes e o amor

 O AMOR E O GILMAR MENDES


Se tem um negócio que eu não entendo é o amor. O amor é um sentimento sublime porém inexplicável, misterioso e cheio de veredas insondáveis. Entendo, por exemplo, o amor de Virginia Fonseca pelo Vini Jr. Vini, pode não ser exatamente um Apolo, mas é um craque da bola, é jovem, saudável, viril, charmoso, rico e tem um torso apolíneo capaz de enlouquecer até o padre Fábio de Mello. Até aqui tudo bem.

Agora, me aparece o ministro Gilmarginal MenTes de mãos dadas com uma namorada nova em folha (de São Paulo). Gilmar Mentes tem uma namorada! 

Existe alguém no Universo (em desencanto) capaz de chamar o Gilmarginal de “meu bem” ou “meu docinho”! É inacreditável! Como alguém nesse mundo pode acreditar que Gilmarginal é um “bem”, um “docinho”? São os caprichos do Amor! As tramas de Cupido! As emboscadas do Eros insaciável!

Gilmarginal ama a "moça” e Ivo viu a uva. O que me surpreende é que Gilmar Mentes sempre foi apaixonado por si mesmo e, o que é pior, sempre foi correspondido. Mas agora sabemos que existe alguém que chama Gilmarginal de “meu amor “ (fora o Alexandre de Imoraes e o Fodias PTofolli). Existe alguém no Brasil que ama Gilmar Mentes! E isso me comove e me sufoca de esperança. 

O que essa criatura viu no ministro é o que me intriga. Conflito de interesses é que não é! 

Gilmar é um cara pobre, de origem humilde. Miserável, aliás, mais miserável do que pobre. Mal e mal sobrevive com os vencimentos pífios de ministro decano do STF. No miserê, arrasta sua toga esfarrapada pelos corredores do tribunal cheia de penduricalhos. Vive de favores, dos amigos generosos e compadecidos com a sua situação mas, ínclito e incorruptível, é incapaz de trocar uma sentença por uma côdea de pão velho ou uma gamela de sopa fria, sobra do jantar. 

Só pode ser o sexo. Se Gilmarginal fo@#$%ˆ*&der com a namorada como fo$#@%de com a Justiça (que é cega), não tem pra ninguém. Não precisa de garrafada nem de "tadala”. Ele deve ser um sátiro na alcova e nu, totalmente pelado, sem a toga, deve ser irresistível, não tem mulher que resista a um Gilmarginal Mentes desnudo e ensandecido por uma noite de troca de fluidos corporais. 

Só tem um problema: Gilmarginal Mentes tem cara de sapo e, por mais que a namorada o beije, ele não vai virar um príncipe. Afinal, ele é republicano.


Texto de Marcelo Madureira, ator e humorista.

Ótimo artigo

 "... a Nova Matriz Econômica, experimento heterodoxo por excelência, fez exatamente o que o programa do PT volta a propor: expandir gastos, relativizar as restrições fiscais, tratar juros elevados como causa do problema — e não sua consequência — e apostar que o crescimento resolverá os desequilíbrios das contas públicas. O resultado observado em 2015-16 foi catastrófico: inflação de dois dígitos, deterioração fiscal e a maior recessão brasileira desde a década de 1930. Não deixou como herança nem um ciclo duradouro de crescimento, nem um aumento permanente do investimento. Os benefícios foram passageiros; os custos, infelizmente, duradouros." [25/06/2026]




sábado, 27 de junho de 2026

Notas sobre a Copa do Mundo

São várias histórias q merecem registro. 

1) Uma delas é do argentino Eduardo Baccacece, técnico do Equador, na sua vibração pelo bom grupo da seleção. Q eles consigam ir longe. Merecem.


2) E q grande barato a seleção da Belgica. Jogou o fino contra a Nova Zelandia. NÃO INTERESSA SE FOI ATAQUE CONTRA DEFESA. Jogaram muito....Lukaku, De Bruine, Drossard, Salamalaque...e vamos vendo os craques desfilarem. 5x1 foi pouco. Conheço este lindo país e mto me impressiona o estreito equilíbrio de um país q é uma babel de influências. Muita imigração. Pode ser um caldeirão de diversidades e riquezas, mas se transformar numa panela de pressão de tensões sociais. Mas Bruxelas, Brugges, Ghent, são um mergulho na história da Europa. Lindas cidades.

3) Outro grande barato foi o Irã. Mereciam ter ido adiante. O time era bom. Lutaram, lutaram e lutaram. No jogo contra o Egito foi gol legítmo. O pé do cara estava na mesma linha. Injustiça. Eu achei uma sacanagem o q Trump fez. O time de futebol vive num dilema, representa a nação persa e não a Guarda Revolucionária e seus fanáticos aiatolás. 

4) Gostei mto de Cabo Verde, mas encarando a Argentina no mata-mata? Seria engraçado se passarem...


5) O tal do "loco" Bielsa avacalhou a seleção uruguaia. ESTA É A VERDADE. E o Muslera foi a cereja do bolo. O grupo era mto bom. E o reserva do goleiro titular, também, mto bom. Mas é claro q é mto cômodo culpar o goleiro. Se o grupo estava mto instável,  mta pertubação interna, isso acabou sobrando para o goleiro. NÃO ACREDITO Q ELE SEJA O ÚNICO CULPADO. Bielsa na sua ranzise destruiu o ambiente da seleção. Não era bem quisto pelo elenco. Reclamavam do excesso de carga. 

6) No rol dos favoritos, só vejo a França e a Holanda despontando. A Argentina tem q torcer para q o Messi esteja iluminado. Espanha, Brasil, Portugal, correndo bem por fora.

7)  Ah ia esquecendo o Japão. Podem aprontar, em especial, contra o BRASIL. Aí seria o fim da picada.

Fernando Cavalcante

 NINGUÉM OPINA MELHOR DO QUE OS DESANIMADOS


Estava, na semana passada, citando a frase acima para convencer uma amiga que duvidava de minhas declarações sobre a política brasileira e mundial.


Não estou gostando de quase nada. E isso me faz mais lúcido.


Internacionalmente, Trump confirmou meus temores expressos no texto "Ah, se Trump fosse um Churchill!". Ele não tem a grandeza de aceitar perder as eleições para fazer o que é certo, mas impopular.


Já que, contra todas as expectativas, o extermínio das lideranças do Irã não fez cair o regime, Trump deveria ter partido para a invasão conjunta americano-israelense, ou (possivelmente a melhor opção) ter aberto o caminho com bombas para os curdos marcharem até Teerã. Eles estavam loucos para fazer isso, só faltaram implorar aos americanos uma ajuda na campanha. Netanyahu fez tudo para convencer Trump a tentar isso.


Mas seria uma campanha custosa e demorada, e Trump está de olho nas pesquisas eleitorais sobre o desempenho dos republicanos nas mid-term elections (novembro). Estas indicam que o povo americano, provando ser tão egoísta e imbecil quanto o brasileiro, deseja que a guerra acabe já. Não dá a mínima para o fato de um regime terrorista sanguinário ter bombas atômicas. Querem mesmo é comprar barato gasolina e blusinhas da Shein.


Lembrei de um pop dos anos 90 sobre uma dondoquinha mimada, muito semelhante a minha namorada da época: "O mundo vai acabar/ mas ela só quer dançar, dançar, dançar!" Ou, para ser mais pernóstico, o dito de Salviano, impressionado de ver o povo romano preocupado apenas com os prazeres, pouco antes de os bárbaros destruírem para sempre o Império: "Roma moritur, et ridet". Roma ri enquanto morre.


Pois é.


Trump seguiu a opinião da torcida americana, e deixará os aiatolás prosseguirem no poder. Escravizando, torturando e assassinando seu infeliz povo,  enriquecendo urânio até dominarem totalmente o processamento da energia atômica, e se tornando tão invulneráveis e eternos como a família psicopata que governa a Coréia do Norte.


No Brasil, não estamos num nível tão catastrófico. Pelo menos não há massacres. Mas encontramo-nos, claramente, numa cleptocacia autoritária. E dificílima de sair.


Houve no Brasil um caso raríssimo nos anais da História: um "coup d'Etat" da corte judicial suprema. Só me lembro de situações parecidas com os decênviros romanos, após a publicação da Lei das XII tábuas, ou com a "Fronda" francesa, visto que o Parlamento, então, era basicamente um órgão judicial.


Supremos magistrados, metidos em uma "vendetta" política contra o então chefe do Executivo, decidiram que a única saída era retirar da cadeia um ex-presidente superpopular cuja criminalidade fora reconhecida em todas as instâncias judiciais (até por ELES mesmos). E, a pretexto de tecnicismos formais, libertaram-no, devolveram-lhe os direitos políticos e assim, ajudados pela imprensa, numa das mais bem-sucedidas campanhas de difamação da história, garantiram-lhe uma volta triunfal ao poder (ainda que por 1,7% dos votos de vantagem, a menor da história brasileira). Atos patéticos de vandalismo de um grupo de pobretões, depois, apresentados como uma perigosa tentativa de golpe da Extrema Direita, forneceram o pretexto perfeito para censura e perseguições que duram até hoje.


Felizmente, as maiores democracias do mundo têm acordado para a verdade, e negado extradição aos perseguidos da ditadura mista (Judiciário plus Executivo) disfarçada que existe atualmente no Brasil.


Mas, ainda assim, acho pouco provável que a oposição tenha sua revanche em breve.


A Direita escolheu Bolsonaro como seu líder, e a Esquerda, que já tinha escolhido Lula, vingou-se da prisão deste encarcerando aquele. É pau por cacete, murro por soco, chute por pontapé.


A espetacular vantagem da Esquerda, entretanto, é que o STF a apóia. E, atualmente, o STF interpreta a constituição não como é, mas como lhe convém. E o TSE é seu "puxadinho".


Enquanto não tivermos um Congresso altivo, com vergonha na cara (não adianta termos só um presidente da república assim) continuaremos escravos de Gilmar, Moraes et caterva.


Então, votarei no Flávio sem esperança nenhuma, só para não votar em branco. Sabendo-o desde já manietado. Concorre porque o STF tolera, vencerá se o STF quiser, e governará enquanto o STF permitir.


Talvez seja até bom, de certa forma, Lula vencer agora. Sabem por quê? Estamos à beira de uma crise fiscal terrível, quase no estilo "Dilma 2.0". Se naquela ocasião Aécio tivesse vencido, o PT teria gritado que a culpa era toda "da Direita". Mas Dilma "fez o diabo" para se reeleger, gastando horrores, ganhou, e isso foi seu suicídio político.


Pois bem, hoje estamos em um déficit fiscal semelhante, e a China nunca mais crescerá 10% ao ano, fazendo assim o Brasil crescer 5%, como acontecia na época em que os imbecis pensavam que Lula era competente. A salvação, atualmente, seria privatizar forte. Lula jamais fará isso. E está, também, "fazendo o diabo" para se reeleger, como no caso do fim da escala 6 x 1. Ou seja, suicidando-se, também.


Então, estou com a estóica calma dos que antevêem a tempestade inevitável.


Vão por mim, amiguinhos. Poupem seu dinheiro, vendam (ou, pelo menos, mantenham) seus imóveis e não adquiram outros agora.


2027 será terrível.


Nós, os desanimados, enxergamos longe com nossa frieza.

Elena Landau

Terra sem lei Elena Landau elena.landau@eusoulivres.org ADVOGADA E ECONOMISTA A falta de respeito ao próximo, às autoridades e às leis está ...