sábado, 27 de junho de 2026

Fernando Cavalcante

 NINGUÉM OPINA MELHOR DO QUE OS DESANIMADOS


Estava, na semana passada, citando a frase acima para convencer uma amiga que duvidava de minhas declarações sobre a política brasileira e mundial.


Não estou gostando de quase nada. E isso me faz mais lúcido.


Internacionalmente, Trump confirmou meus temores expressos no texto "Ah, se Trump fosse um Churchill!". Ele não tem a grandeza de aceitar perder as eleições para fazer o que é certo, mas impopular.


Já que, contra todas as expectativas, o extermínio das lideranças do Irã não fez cair o regime, Trump deveria ter partido para a invasão conjunta americano-israelense, ou (possivelmente a melhor opção) ter aberto o caminho com bombas para os curdos marcharem até Teerã. Eles estavam loucos para fazer isso, só faltaram implorar aos americanos uma ajuda na campanha. Netanyahu fez tudo para convencer Trump a tentar isso.


Mas seria uma campanha custosa e demorada, e Trump está de olho nas pesquisas eleitorais sobre o desempenho dos republicanos nas mid-term elections (novembro). Estas indicam que o povo americano, provando ser tão egoísta e imbecil quanto o brasileiro, deseja que a guerra acabe já. Não dá a mínima para o fato de um regime terrorista sanguinário ter bombas atômicas. Querem mesmo é comprar barato gasolina e blusinhas da Shein.


Lembrei de um pop dos anos 90 sobre uma dondoquinha mimada, muito semelhante a minha namorada da época: "O mundo vai acabar/ mas ela só quer dançar, dançar, dançar!" Ou, para ser mais pernóstico, o dito de Salviano, impressionado de ver o povo romano preocupado apenas com os prazeres, pouco antes de os bárbaros destruírem para sempre o Império: "Roma moritur, et ridet". Roma ri enquanto morre.


Pois é.


Trump seguiu a opinião da torcida americana, e deixará os aiatolás prosseguirem no poder. Escravizando, torturando e assassinando seu infeliz povo,  enriquecendo urânio até dominarem totalmente o processamento da energia atômica, e se tornando tão invulneráveis e eternos como a família psicopata que governa a Coréia do Norte.


No Brasil, não estamos num nível tão catastrófico. Pelo menos não há massacres. Mas encontramo-nos, claramente, numa cleptocacia autoritária. E dificílima de sair.


Houve no Brasil um caso raríssimo nos anais da História: um "coup d'Etat" da corte judicial suprema. Só me lembro de situações parecidas com os decênviros romanos, após a publicação da Lei das XII tábuas, ou com a "Fronda" francesa, visto que o Parlamento, então, era basicamente um órgão judicial.


Supremos magistrados, metidos em uma "vendetta" política contra o então chefe do Executivo, decidiram que a única saída era retirar da cadeia um ex-presidente superpopular cuja criminalidade fora reconhecida em todas as instâncias judiciais (até por ELES mesmos). E, a pretexto de tecnicismos formais, libertaram-no, devolveram-lhe os direitos políticos e assim, ajudados pela imprensa, numa das mais bem-sucedidas campanhas de difamação da história, garantiram-lhe uma volta triunfal ao poder (ainda que por 1,7% dos votos de vantagem, a menor da história brasileira). Atos patéticos de vandalismo de um grupo de pobretões, depois, apresentados como uma perigosa tentativa de golpe da Extrema Direita, forneceram o pretexto perfeito para censura e perseguições que duram até hoje.


Felizmente, as maiores democracias do mundo têm acordado para a verdade, e negado extradição aos perseguidos da ditadura mista (Judiciário plus Executivo) disfarçada que existe atualmente no Brasil.


Mas, ainda assim, acho pouco provável que a oposição tenha sua revanche em breve.


A Direita escolheu Bolsonaro como seu líder, e a Esquerda, que já tinha escolhido Lula, vingou-se da prisão deste encarcerando aquele. É pau por cacete, murro por soco, chute por pontapé.


A espetacular vantagem da Esquerda, entretanto, é que o STF a apóia. E, atualmente, o STF interpreta a constituição não como é, mas como lhe convém. E o TSE é seu "puxadinho".


Enquanto não tivermos um Congresso altivo, com vergonha na cara (não adianta termos só um presidente da república assim) continuaremos escravos de Gilmar, Moraes et caterva.


Então, votarei no Flávio sem esperança nenhuma, só para não votar em branco. Sabendo-o desde já manietado. Concorre porque o STF tolera, vencerá se o STF quiser, e governará enquanto o STF permitir.


Talvez seja até bom, de certa forma, Lula vencer agora. Sabem por quê? Estamos à beira de uma crise fiscal terrível, quase no estilo "Dilma 2.0". Se naquela ocasião Aécio tivesse vencido, o PT teria gritado que a culpa era toda "da Direita". Mas Dilma "fez o diabo" para se reeleger, gastando horrores, ganhou, e isso foi seu suicídio político.


Pois bem, hoje estamos em um déficit fiscal semelhante, e a China nunca mais crescerá 10% ao ano, fazendo assim o Brasil crescer 5%, como acontecia na época em que os imbecis pensavam que Lula era competente. A salvação, atualmente, seria privatizar forte. Lula jamais fará isso. E está, também, "fazendo o diabo" para se reeleger, como no caso do fim da escala 6 x 1. Ou seja, suicidando-se, também.


Então, estou com a estóica calma dos que antevêem a tempestade inevitável.


Vão por mim, amiguinhos. Poupem seu dinheiro, vendam (ou, pelo menos, mantenham) seus imóveis e não adquiram outros agora.


2027 será terrível.


Nós, os desanimados, enxergamos longe com nossa frieza.

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