*Bom Dia Mercado*
Segunda Feira,20 de Abril de 2.026.
*Irã volta a fechar Ormuz e mercado volta ao risco*
... O mercado inicia a semana diante de uma reviravolta no cenário geopolítico, após o fim de semana desmontar o rali de alívio provocado pela abertura do Estreito de Ormuz. A reversão da decisão pelo Irã, em resposta à manutenção do bloqueio americano, recoloca a incerteza sobre o fluxo global de petróleo e reacende o prêmio de risco nos ativos. Nesse ambiente, a agenda econômica fica em segundo plano, embora traga eventos relevantes, como as vendas no varejo nos Estados Unidos e a sabatina de Kevin Warsh para o Fed. Em Wall Street, balanços das big techs movimentam os negócios. Aqui, a ponte com o feriado de amanhã – 21 de Abril – deve reduzir liquidez e manter a cautela.
DO ALÍVIO AO COLAPSO DA NARRATIVA – Depois de encerrar a sexta-feira embalado por um rali de alívio com a guerra no Oriente Médio, o mercado volta a enfrentar hoje a fragilidade de um acordo que, olhando em retrospecto, já nascia frágil.
... O anúncio do Irã de reabrir o Estreito de Ormuz foi interpretado como um passo concreto rumo à normalização da oferta global de petróleo, derrubando os preços, reduzindo as expectativas inflacionárias e destravando o apetite por risco.
... Mas o que se viu nas horas seguintes — e, sobretudo, ao longo do sábado e domingo — foi menos um avanço diplomático e mais um jogo de pressões cruzadas, com sinais claros de que o “acordo” celebrado pelo mercado estava longe de se sustentar.
... A primeira fissura já estava presente na própria sexta-feira: a abertura de Ormuz veio condicionada pelo Irã e, mais importante, acompanhada da decisão dos Estados Unidos de manter o bloqueio naval aos portos iranianos.
... Ou seja, o fluxo que o mercado tratou como “normalizado” nunca foi, de fato, livre. Ainda assim, prevaleceu a leitura de que a distensão avançaria rapidamente — uma aposta que ignorava a assimetria do risco geopolítico naquele momento.
... O fim de semana desmontou essa narrativa.
... No sábado, o Irã voltou atrás e anunciou novo fechamento do Estreito, deixando claro que não aceitaria manter a rota aberta enquanto o bloqueio americano continuasse em vigor.
... A resposta dos aiatolás foi direta: “é impossível que outros passem pelo Estreito enquanto nós não podemos”.
... A partir daí, o que se viu foi uma rápida deterioração do ambiente — com relatos de disparos contra embarcações, interrupção do tráfego e retorno ao status de restrição na principal rota energética do mundo.
... No domingo, a escalada ganhou um novo patamar.
... Donald Trump acusou o Irã de violar o cessar-fogo de duas semanas, que se encerra amanhã (21), anunciou a apreensão de um navio iraniano em operação militar e voltou a ameaçar ataques diretos à infraestrutura do país caso Teerã não aceite os termos americanos.
... Do outro lado, o governo iraniano respondeu classificando o bloqueio dos Estados Unidos como ilegal e uma violação da trégua, enquanto negava oficialmente uma nova rodada de negociações, apesar de sinais desencontrados sobre encontros no Paquistão nos próximos dias.
... Em paralelo, Israel voltou a bombardear o sul do Líbano, quebrando a trégua de 10 dias.
... O pano de fundo é um impasse estrutural: os Estados Unidos usam o bloqueio naval como instrumento de pressão para forçar concessões no programa nuclear iraniano, enquanto o Irã utiliza o controle sobre o Estreito de Ormuz como principal alavanca de negociação.
... Esse equilíbrio instável torna qualquer trégua extremamente vulnerável, com ambos os lados sinalizando prontidão para retomar o conflito a qualquer momento.
... Mais do que a escalada em si, o que muda para o mercado é a quebra da narrativa construída na sexta-feira.
... O rali global foi sustentado pela expectativa de um acordo rápido e pela reabertura de Ormuz — e a renovada percepção de risco geopolítico tende agora a ser reprecificada, com impacto direto sobre petróleo, inflação implícita, juros e ativos de risco.
... Em suma, o mercado comprou um cenário que não se confirmou — e deve iniciar a semana devolvendo parte relevante desse movimento.
... Já na abertura do pregão asiático, o petróleo voltava a subir forte, com o WTI em alta de 5,40% (US$ 88,38) e o Brent, de +4,88% (US$ 94,79), enquanto os futuros de Nova York operavam em queda.
AGENDA DA SEMANA – China manteve as taxas de referência (LPR) de 1 e 5 anos em 3% e 3,5%, respectivamente, neste domingo à noite, como esperado. Os juros permanecem nesses níveis desde maio do ano passado.
... Decisões de juros também entram no radar em economias emergentes, com reunião na Turquia na quarta-feira e na Rússia na sexta-feira, em um ambiente global ainda marcado por incertezas inflacionárias e pela volatilidade recente nos preços de energia.
... Nos Estados Unidos, a semana ganha tração na terça-feira, com a audiência de nomeação de Kevin Warsh no Congresso, evento que pode oferecer pistas importantes sobre a condução futura do Federal Reserve.
... No mesmo dia, a divulgação das vendas no varejo de março é um dado-chave para calibrar a leitura sobre a resiliência do consumo — e, portanto, sobre o espaço para ajustes na política monetária.
... Ao longo da semana, as prévias dos PMIs de abril ganham relevância, com divulgações na Europa, Estados Unidos e Ásia, ajudando a capturar os primeiros sinais do impacto recente do choque geopolítico sobre a atividade global.
... Na quarta, o CPI do Reino Unido traz atualização sobre a trajetória inflacionária numa das economias mais sensíveis ao choque energético.
... Ainda no meio da semana, os dados de estoques de petróleo nos Estados Unidos devem ser acompanhados de perto, em meio à volatilidade recente da commodity e à incerteza sobre o fluxo global de oferta.
... Na sexta-feira, as vendas no varejo do Reino Unido e o índice de sentimento do consumidor americano da Universidade de Michigan encerram a agenda, com potencial de impacto sobre as expectativas de consumo e inflação.
... Discursos de dirigentes do Fed e do BCE completam a agenda e podem calibrar as apostas do mercado para juros.
TARIFAS – O governo Trump inicia hoje o processamento de pedidos de reembolso de tarifas consideradas inconstitucionais pela Suprema Corte, com potencial de devolver até US$ 127 bilhões a importadores, em um processo que deve ocorrer de forma gradual.
BIG TECHS NO RADAR – A temporada de balanços do primeiro trimestre nos Estados Unidos ganha ritmo ao longo da semana, com destaque na quarta-feira para os resultados de Tesla e da IBM. Na quinta, o foco se estende para Intel.
NO BRASIL – Aqui, a semana é mais leve em indicadores, mas traz pontos relevantes no radar do Banco Central, especialmente na preparação para a próxima decisão de juros. O período de silêncio do Copom começa na quarta-feira, antecedendo a reunião do dia 29.
... Entre os dados, o destaque fica com as estatísticas do setor externo de março, na sexta-feira, que inclui informações sobre o balanço de pagamentos e o Investimento Direto no País (IDP), ajudando a calibrar a leitura sobre o fluxo de capitais.
... Na quinta, tem CMN. Na quarta, os números semanais do fluxo cambial. E hoje, a pesquisa Focus (8h25).
ENDIVIDAMENTO – A equipe econômica deve anunciar nesta semana o pacote de medidas para conter o endividamento de famílias e empresas, com foco em pequenos e médios negócios, além de iniciativas de crédito para o setor produtivo.
... A expectativa é que o anúncio ocorra a partir de quarta-feira, com o retorno do presidente Lula a Brasília, após agendas no exterior.
ESCALA 6X1 – A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara pode votar na quarta-feira a admissibilidade da PEC que trata do fim da escala 6x1, em um tema que ganha tração política e expõe divergências entre Legislativo e Executivo.
... O governo é contrário à tramitação via emenda constitucional e defende o projeto de lei enviado pelo Executivo, enquanto o presidente da Câmara, Hugo Motta, sinaliza apoio ao avanço da PEC, na disputa pelo protagonismo do tema.
... Caso a admissibilidade seja aprovada na CCJ, o texto segue para comissão especial, onde o mérito será discutido, em um processo que deve se estender pelas próximas semanas como prioridade na agenda política.
ELEIÇÃO – No Globo, pesquisas recentes indicam desgaste do governo Lula em redutos importantes, com queda de aprovação no Nordeste e fragmentação da base aliada em disputas locais, o que acende alerta para a estratégia eleitoral do PT.
... Em SP, levantamento do Paraná Pesquisas, divulgado no fim de semana, mostra Flávio Bolsonaro à frente em um eventual 2º turno, com 48,1% contra 40,3% de Lula, além de empate técnico no 1º turno, reforçando a perda de vantagem do petista fora de seus principais redutos.
UM DIA DE CADA VEZ – Calejado contra as reviravoltas da guerra no Irã, o mercado sabia muito bem que sinais de resolução do conflito eram garantia de pouca coisa. Ainda assim, na sexta-feira, o petróleo resolveu apostar alto.
... A reabertura do Estreito de Ormuz foi vista como um passo importante, ainda que em um cenário bastante instável, e levou o Brent a derreter para o patamar dos US$ 90 por barril e o WTI mergulhar para a faixa de US$ 83.
... Desde que a guerra começou, todas as vezes em que o petróleo registrou uma queda mais expressiva, surgiram fontes nas agências internacionais denunciando negociações atípicas que sugerem o uso de informação privilegiada.
... O Investinglive informou na sexta-feira que, cerca de 20 minutos antes de o governo de Teerã ter anunciado a reabertura do Estreito de Ormuz, foi registrada a venda de 7.990 lotes de contratos futuros de Brent.
... A exposição vendida foi realizada com “timing impecável”, segundo a plataforma de notícias. Pouco depois, o petróleo embarcou na espiral firme de queda.
... O contrato do barril do Brent para junho despencou 9,06% em Londres, para US$ 90,38, enquanto o vencimento do WTI para maio afundou com intensidade ainda maior (-11,45%) em Nova York e fechou cotado a US$ 83,85.
... A derrocada do petróleo atingiu em cheio as ações da Petrobras e adiou por mais um dia o sonho da conquista dos 200 mil pontos pelo Ibovespa, que engatou a terceira queda consecutiva, depois da sequência de onze altas.
... Descolado do entusiasmo das bolsas americanas, o Ibovespa terminou em baixa de 0,55%, aos 195.733,51 pontos, com volume turbinado de R$ 44,7 bilhões, em dia de exercício de opções sobre ações.
... Sob uma forte onda vendedora, os papéis ON da Petrobras devolveram 5,31%, a R$ 50,81, e os PN perderam 4,86%, a R$ 46,22, figurando entre as piores perdas do Ibovespa, na terceira e quarta posições, respectivamente.
... A bolsa ampliou o movimento recente de realização de lucro, apesar de a Vale ter emplacado alta firme de 2,64% e fechado na máxima do dia, a R$ 89,75, de olho no Irã e no day after do seu relatório trimestral de produção e vendas.
... Entre os principais bancos, Itaú PN caiu de forma moderada (-0,38%, para R$ 46,80), Bradesco PN registrou valorização de 1,97%, a R$ 21,26, BB ON subiu 0,49%, para R$ 24,40, e Santander unit ganhou 0,45% (R$ 31,59).
... Embaladas pelos progressos diplomáticos no Oriente Médio, as bolsas americanas ignoraram o tombo de quase 10% da Netflix, que repercutiu o guidance fraco para o segundo trimestre, apesar do balanço melhor que o esperado.
... De novo, o S&P 500, em alta de 1,20%, aos 7.126,06 pontos, e o Nasdaq, que avançou 1,52%, para 24.468,48 pontos, renovaram os picos históricos de fechamento. O índice Dow Jones subiu 1,79%, aos 49.447,43 pontos.
PREÇO JUSTO? – Para um dia em que o mercado apostou no fim da guerra, dá para dizer que o dólar à vista relaxou muito pouco, só 0,19%, a R$ 4,9833, reforçando as desconfianças de que não vai conseguir cair muito abaixo de R$ 5.
... Na mínima intraday (R$ 4,9508), quis furar R$ 4,95, mas não conseguiu, sugerindo que pode estar perto de um patamar de equilíbrio, em meio à percepção de que o movimento de rotação global de ativos está se esgotando.
... Não houve maior apetite pelo real, apesar da mudança importante na precificação para o Fed.
... Diante das esperanças de um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã, o mercado voltou a cogitar um corte de juro ainda este ano, em dezembro, muito mais cedo do que o cronograma anterior das apostas (metade de 2027).
... Aqui, apesar de os juros futuros terem queimado prêmio junto com o petróleo, o mercado não se animou a projetar que o Copom vai acelerar o ritmo de corte da Selic para 0,5 pp semana que vem. A cautela prevalece.
... A aposta principal (75%) é de que o BC tem que ir com calma e derrubar o juro em só 0,25 ponto, diante das expectativas inflacionárias, que apontam para rompimento da meta este ano, no cenário agravado pelas eleições.
... Em reportagem do Broadcast, economistas e profissionais de renda fixa disseram que a curva de juros não deve voltar ao nível pré-guerra e enxergam poucos vetores que possam ajudar a aliviar as taxas futuras daqui em diante.
... Mesmo com a normalização do choque do petróleo na sexta-feira, as taxas longas persistem acima dos 13% e a perspectiva de um “pacote de bondades” em ano eleitoral projeta um quadro mais desafiador à política monetária.
... As vitrines populistas do fim da escala de trabalho 6x1, da possível reversão da taxa das blusinhas, do uso do FGTS para quitar dívidas e de outras medidas para reduzir o endividamento das famílias entram no radar de atenção.
... No fechamento da sexta-feira, o DI para Jan/27 caiu a 13,910% (de 14,051% no ajuste anterior); Jan/28, a 13,265% (de 13,485% na véspera); Jan/29, a 13,160% (13,336%); Jan/31, a 13,310% (13,428%); e Jan/33, a 13,420% (13,528%).
ACREDITA DESACREDITANDO – A iniciativa do Irã de reabertura do Estreito de Ormuz enquanto durasse a trégua entre Israel e o Líbano levou o índice DXY do dólar para bem perto do patamar em que estava antes da guerra.
... Mas antes que o dia acabasse, a moeda americana reduziu as perdas, porque não sentiu firmeza em um acordo permanente. O DXY limitou a queda a 0,11%, para 98,098 pontos, com perdas acumuladas de 0,55% na semana.
... O euro recuou 0,11%, a US$ 1,1775, a libra teve baixa de 0,07%, a US$ 1,3526, e o iene subiu a 158,56 por dólar.
... Embora o presidente do BC japonês, Kazuo Ueda, não tenha descartado explicitamente uma elevação dos juros já este mês, a Mizuho Securities avalia que a taxa pode ficar estável até pelo menos junho, em meio às incertezas.
... Na Europa, dois dirigentes do BCE sinalizaram que também não vem alta agora em abril.
... Para Martins Kazaks (presidente do BC Letônia), não é certo que o próximo movimento será de aperto. De seu lado, Martin Kocher (Áustria) recomendou que o BCE não reaja precipitadamente ao conflito no Oriente Médio.
... Em sua avaliação, o BCE não vai tolerar uma trajetória de inflação que fuja à meta de 2%, mas, ao mesmo tempo, não é adequado antecipar medidas preventivas, diante de cenários (de guerra) que podem nem se concretizar.
... Nos Estados Unidos, as taxas dos Treasuries compraram na sexta-feira o alívio das tensões no Oriente Médio. O rendimento da Note de 2 anos recuou a 3,698%, contra 3,777% na véspera, e o de 10 anos, a 4,242% (de 4,310%).
CIAS ABERTAS NO AFTER – Os credores bancários da RAÍZEN apresentaram à empresa uma nova proposta de reestruturação, segundo fontes da Bloomberg...
... Como parte do plano, os credores propõem que 30% dos recursos obtidos com a venda de ativos na Argentina sejam usados para amortizar dívidas e pedem que Ometto (Cosan) seja substituído como presidente do conselho...
... O pedido ecoa uma proposta anterior dos detentores de títulos.
MINERVA fará oferta de debêntures de R$ 1,5 bilhão.
ALLOS flexibilizou acordo de acionistas e liberou venda de ações após diluição do controle.
CAIXA negou compra de carteiras do BRB e disse que já prestou esclarecimentos ao TCU...
... O posicionamento ocorre após o presidente da CAE do Senado, Renan Calheiros (MDB), apresentar dois requerimentos com foco em operações envolvendo o BRB e possíveis conexões com a crise do Banco Master.
ALPARGATAS pagará JCP de R$ 106 milhões (R$ 0,148942/ON e R$ 0,163836/PN) em 15/5.
CEEE-D fará emissão de debêntures de R$ 750 milhões.
CYRELA teve participação da gestora Absolute elevada para 5,31% das ações preferenciais.
GAFISA fará aumento de capital entre R$ 100 milhões e R$ 250 milhões para reduzir endividamento.
BANCO DA AMAZÔNIA lucrou R$ 1,11 bilhão em 2025 (-2,4% a/a).
FICTOR teve recuperação judicial aceita pela Justiça de São Paulo, com proteção contra credores por 180 dias.
AMERICAN AIRLINES negou interesse em fusão com a United Airlines.