📈 *Para a Leblon Equities, alta até agora é ‘recuperaçãozinha’ perto do que está por vir-Valor*
_Para Pedro Rudge, sócio-fundador da casa, o fluxo estrangeiro não deixou as ‘large caps’ caras; apenas diminuiu a gordura que havia nas ações_
Por Bruna Furlani e Maria Fernanda Salinet
Depois de o Ibovespa bater recordes em abril e acumular alta de mais de 22% no ano, a avaliação da equipe de gestão da Leblon Equities que a disparada do índice não foi um “exagero” e que o movimento foi reflexo de uma “recuperaçãozinha” no tamanho da alocação em açõ brasileiras dentro dos portfólios globais, segundo o sócio-fundador da casa, Pedro Rudge.
Em entrevista ao Valor, o executivo diz que o Brasil “saiu de moda” das carteiras dos investidores internacionais nos últimos anos, mas que necessidade de diversificação e a guerra fizeram o país voltou a chamar atenção, sendo reconhecido como um “polo” capaz de atrair recursos. Embora a maior parte dos fluxos de alocadores estrangeiros tenha ido para “large caps”, as empresas de maior valor de mercado, Rudge avalia que esse tipo de papel segue atrativo.
*Valor*: _A alta recente da bolsa tem um pouco de exagero ou há fundamento?_
*Pedro Rudge*: Acho que não tem exagero. O movimento do Ibovespa foi muito concentrado nos nomes mais líquidos, como Vale, Petrobrás e bancos, e achamos que o índice não representa bem a economia. Quando olhamos, ainda tem várias oportunidades na bolsa; tem muita co que continua barata. Por exemplo, empresas menores mais sensíveis a juros ainda não tiveram esse impacto do fluxo inicial do estrangeiro podem se favorecer em uma segunda onda [de alocação de capital]. Temos Priner, Mills, Brisanet, Lojas Renner e BeMobi como exemplos empresas que vemos grande potencial.
*Valor*: _Mesmo em meio à guerra, o que fez a bolsa local continuar a subir?_
*Rudge*: Boa parte do fluxo dos investidores nesses últimos anos foi muito canalizado para as empresas de tecnologia, para a economia americana. De alguma maneira, todos esses movimentos mais recentes, seja de imposição de tarifas comerciais, seja dessa postura um po mais belicosa do governo americano com os parceiros, fez com que os investidores tivessem uma sensação de um risco e de uma incertez um pouco maior, fazendo com que economias emergentes que estavam um pouco esquecidas ganhassem atenção, principalmente entre o de 2025 e início deste ano.
*Valor*: _O que favoreceu essa procura por investidores estrangeiros?_
*Rudge*: Nesses primeiros quatro meses do ano, o Brasil foi bem beneficiado por esse fluxo estrangeiro. O ‘valuation’, ou seja, o preço dos ativos brasileiros, estava bastante descontado em relação aos últimos três ou quatro anos, o que ajudou. O país também é um produtor de commodities e aqui, principalmente com a guerra, entendeu-se que nós poderíamos ser beneficiados. Nós exportamos petróleo e o agronegócio é muito forte. Tem ainda o fato de estarmos com um patamar de juros muito elevado. O movimento de queda da Selic, que começou recentemente, também pode continuar, e ainda tem a possibilidade de mudança de governo. Juntando tudo isso, o Brasil acaba sendo um polo que atrai fluxo.
*Valor*: _O Brasil virou um “porto seguro” enquanto a América Latina virou um “óasis” de segurança com a guerra?_
*Rudge*: Não dá para usar esses adjetivos tão fortes. O investidor estrangeiro sabe que somos um país e uma região voláteis. Porém, dada conjuntura, alguns países da América Latina acabaram sendo reconhecidos como um polo atrator de recursos. Talvez o Brasil esteja sendo beneficiado um pouco mais entre os emergentes por causa dos últimos anos de queda do mercado, além de uma visão positiva sobre a eleição, que pode mudar a percepção de risco. Quando o investidor coloca isso nas contas, o Brasil se torna um mercado interessante para aumentar exposição. É bom lembrarmos que o Brasil ‘saiu de moda’ desde 2021. O país já foi muito mais relevante no portfólio do investido global do que está agora, mesmo com essa ‘recuperaçãozinha’. A exposição dos investidores estrangeiros estava e ainda está muito peque em ações brasileiras e esse aumento da posição ainda é muito inicial.
*Valor*: _Esse fluxo estrangeiro para o país é mais tático ou estrutural?_
*Rudge*: Para ser estrutural, é preciso mais tempo. É um movimento oportunístico. Se o fluxo estrangeiro vai continuar ou não, um pouco da resposta está no contexto global; a outra parte está aqui se fizermos o dever de casa, se os juros caírem, se o governo ‘endereçar’ a questã fiscal. Tem fatores externos que não controlamos que podem ajudar ou dificultar um pouco, mas tem também o nosso dever de casa para tornar esse movimento mais estrutural.
*Valor*: _As ‘large cap’s estão caras agora?_
*Rudge*: ‘Large caps’ não estão caras. Acho que diminuiu a gordura que tinha nelas, mas ainda encontramos empresas interessantes. Falo considerando a média, porque você pode ver uma ou outra ação que já esteja bem precificada. O Ibovespa sobe perto de 22% no ano, poré tem empresa que está crescendo, então o preço delas devia realmente estar subindo. Não acho que dá para falar que o mercado está caro. Acho que são cenários. Se os juros continuarem em um patamar alto por muito tempo e as empresas ficarem mais endividadas, algumas d ficarão caras, assumindo uma manutenção do cenário atual. Porém, se imaginarmos que os juros vão cair e que as empresas continuarão performar bem operacionalmente, ganhando ‘market share’ [participação de mercado] e margem, penso que as ações têm espaço para continuar apreciando. Acho que a Vale e algumas companhias elétricas podem ter ficado mais caras. Em algumas empresa é preciso assum premissas mais positivas para que elas continuem atrativas.
*Valor*: _A gestão ainda vê oportunidade nas ações de estatais?_
*Rudge*: Continuamos a ter posição em Banco do Brasil e Petrobras, mas acho que não dá para entender as duas de forma igual. A Petrobras, apesar de ser estatal, andou muito porque o petróleo está acima de US$ 100 e o governo precisa dos seus dividendos, então, de uma certa maneira, o risco de ser uma estatal diminui um pouquinho. Acho difícil essa afirmativa de que as estatais estão mais bem precificadas do que já foram no passado. A Petrobras está muito valorizada por que o petróleo saiu de US$ 60 e foi para US$ 100. Já o papel de Banco do Brasil continua com bastante desconto. Uma parte dele justificável pelo desempenho sofrível da carteira de crédito do agro. Tem também o componente político. Se houver alguma mudança, esse risco poderia diminuir, mas não é por isso que temos a ação. Gostamos porque está barata e o mercado precifica que vai demorar muito tempo para o banco se recuperar, o que não achamos.
*Valor*: _Como está o portfólio?_
*Rudge*: Um terço do fundo está em empresas, como Netflix, Uber, TSMC, Micron, Google, que carregamos no longo prazo, porque envolvem movimentos transformacionais. Outro terço está em ‘large caps’: Petrobras, B3, BTG Pactual, Rede D'Or e um pouco de Vibra. Já a última parte está em empresas menores, como Priner.
*Valor*: _O investidor local pode voltar para a bolsa se houver mais clareza com as eleições?_
*Rudge*: Mesmo que haja uma melhor clareza em relação à eleição, os juros seguem altos. É claro que atrairia algum fluxo, mas a eleição é incerta. Está muito polarizado e, se continuar assim a definição será próxima de outubro.
Nenhum comentário:
Postar um comentário