*Bom Dia Mercado*
Sexta Feira,17 de Abril de 2.026.
*Trégua não resolve e mercado volta ao ceticismo*
Sinalização dos EUA de novo encontro com Irã no fim de semana não foi confirmada pelo Paquistão
… O cenário de guerra segue sem desfecho claro, embora Trump tenha tentado animar o mercado com o acordo entre Israel e Líbano e a sinalização de um novo encontro com o Irã já no fim de semana — hipótese que não foi confirmada pelo Paquistão. Com a agenda fraca de indicadores, o noticiário corporativo ganha protagonismo. Em Nova York, a Netflix caiu 8% após decepcionar no guidance, apesar de resultados acima do esperado. Aqui, os investidores repercutem o relatório de produção e vendas da Vale, divulgado ontem à noite, além da eleição de Guilherme Mello para a presidência do Conselho de Administração da Petrobras, em AGO realizada nesta quinta-feira.
TÁTICA DE GUERRA – O anúncio de um cessar-fogo de 10 dias entre Israel e Líbano – que já está em vigor desde o final desta quinta-feira – trouxe algum alívio pontual no cenário geopolítico, no entanto, está longe de representar uma virada no conflito.
… A trégua, mediada pelos Estados Unidos e inserida no acordo mais amplo com o Irã via Paquistão, abre espaço para negociação, mas analistas observam que tem validade curta e está cheia de condicionantes. Na prática, o movimento é mais tático do que estrutural.
… O próprio acordo prevê possibilidade de extensão, enquanto Washington já admite que as negociações podem se arrastar por meses.
… Ao mesmo tempo, Israel mantém o direito de reagir a ameaças, e o Hezbollah deixou claro que não aceita liberdade de ação israelense no território libanês — o que mantém o risco de ruptura elevado. Do lado do Irã, o tom segue ambíguo.
… Embora tenha celebrado o cessar-fogo como parte do entendimento com os Estados Unidos, Teerã voltou a cobrar concessões prévias de Washington e sinalizou desconfiança sobre a condução das negociações.
… A ausência de data para uma nova rodada de conversas mostra que o processo diplomático está em estágio inicial e longe de um desfecho.
… As falas de Donald Trump, aliás, passaram a ter impacto cada vez mais limitado sobre os preços.
… Apesar de reiterar que há “muito progresso” e até sugerir um acordo próximo, o mercado reagiu com ceticismo — em parte porque o próprio presidente mantém o discurso contraditório, admitindo que os combates podem ser retomados a qualquer momento.
… Com isso, o investidor já não opera mais no headline das notícias, mas na falta de confirmação concreta: sem avanço verificável, o tom otimista perde força e dá lugar a uma leitura mais cautelosa sobre uma solução do conflito.
… Nesse contexto, cresce a percepção de que o conflito saiu da fase de choque e entrou em um impasse prolongado.
… A possibilidade de uma trégua estendida mantém a incerteza elevada sobre a oferta global de energia e a reabertura do Estreito de Ormuz. O resultado é um mercado mais cético: mesmo com avanços pontuais no campo diplomático, o petróleo segue pressionado.
APOIO ÀS EXPORTAÇÕES –Aqui, ogoverno avançou com uma resposta direta aos efeitos da guerra sobre o comércio global.
… O Conselho Monetário Nacional regulamentou, em reunião extraordinária, nesta quinta-feira, novas linhas de crédito no âmbito do Plano Brasil Soberano, com foco em sustentar exportações em meio à instabilidade externa.
… O pacote envolve R$ 15 bilhões e será operado pelo BNDES, mirando empresas afetadas por tarifas dos Estados Unidos, setores industriais considerados estratégicos e exportadores com exposição ao Oriente Médio.
… A iniciativa busca ampliar o acesso ao crédito e sustentar investimentos e produção, em um momento em que o choque geopolítico ameaça cadeias de comércio e competitividade. Na prática, o governo tenta evitar que a volatilidade externa contamine a atividade doméstica.
… As condições financeiras são relativamente favorecidas, com taxas entre 2% e 8% ao ano, prazos de até cinco anos para capital de giro e até vinte anos para investimentos, incluindo períodos de carência mais longos.
… O desenho reforça o uso de instrumentos de crédito público como amortecedor de choques externos — especialmente em um ambiente de juros ainda elevados e maior seletividade do crédito privado. As linhas devem começar a operar em até 30 dias.
CRÍTICAS AO PLDO – O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, enviado ao Congresso na véspera pelo governo Lula, já nasceu sob desconfiança no mercado, com avaliações de economistas ouvidos por Valor e Estadão.
… Para Marcos Mendes (Insper), a meta de superávit primário de 0,5% do PIB — equivalente a R$ 73,2 bilhões — só poderá ser atingida com a ajuda de exclusões permitidas pelo arcabouço, como precatórios e parte dos gastos sociais.
… Na prática, isso reduz o esforço fiscal real e limita o impacto sobre a trajetória da dívida. Há estimativas de que seria necessário um superávit bem mais robusto — na casa de 1,5% a 4% do PIB — para iniciar um ajuste consistente, o que está longe do cenário projetado.
… Já Renan Martins (4intelligence) até reconhece que a meta é factível dentro das regras atuais — justamente porque há espaço para acomodação via exceções. Mas alerta que o risco, nesse caso, não está no ponto de partida, mas no caminho.
… Sendo 2026 um ano eleitoral, cresce a preocupação com a inclusão de novas despesas e “pacotes de bondade” no Orçamento.
… Há sinais positivos, como a previsão de acionamento de gatilhos fiscais e maior inclusão de precatórios no cálculo da meta, mas o conjunto ainda depende de premissas exigentes — especialmente em relação ao comportamento dos gastos e à manutenção do arcabouço.
… No horizonte mais longo, as projeções para a dívida também são vistas como otimistas.
… A estimativa de pico em 2030 e queda a partir daí pressupõe disciplina fiscal contínua e ausência de novos estímulos — um cenário que, historicamente, tem baixa probabilidade de se concretizar. O resultado é um diagnóstico conhecido.
… A meta pode até fechar no papel, mas com pouco efeito prático sobre o ajuste fiscal e a dinâmica da dívida.
CALIBRANDO O CONSUMO E O DESGASTE –Em meio à crescente preocupação com o endividamento das famílias e o impacto político sobre o consumo, o governo foca em duas frentes sensíveis: o aperto sobre as apostas esportivas e a revisão da chamada “taxa das blusinhas”.
… Enquanto o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, antecipou que a sobretaxa de importações até US$ 50 poderá cair, o vice Geraldo Alckmin defendeu a medida como necessária para proteger a indústria nacional e preservar empregos.
… A divergência expõe o conflito entre duas agendas e a tentativa de aliviar o bolso das famílias num ambiente de maior sensibilidade eleitoral.
… Já o endurecimento do discurso contra as bets, também sinalizado por Guimarães, reforça esse movimento do governo de atuar contra pressões no orçamento das famílias. Os temas tendem a ganhar tração nas próximas semanas.
ESCALA 6X1 – Guimarães se reúne com Hugo Motta, nesta sexta-feira (9h), em um movimento de articulação para alinhar a tramitação das propostas do Executivo e do Legislativo, na disputa pelo protagonismo do tema.
… O presidente da Câmara indicou que não pretende designar relator para o projeto de lei enviado pelo governo, concentrando os esforços na PEC, que segue o rito legislativo próprio no Congresso e já está em análise na Comissão de Constituição e Justiça.
… A expectativa é de que a CCJ avance na análise da PEC na próxima semana.
AUTONOMIA DO BC – O relator da PEC que amplia a autonomia do Banco Central, senador Plínio Valério, apresentou uma nova versão do parecer, com ajustes pontuais e poucas mudanças de mérito em relação ao texto anterior.
… Apesar do avanço formal, a proposta segue sem previsão de votação na CCJ, o que mantém o tema no campo das negociações políticas.
NETFLIX –Entregou um resultado forte no primeiro trimestre, com lucro e receita acima das expectativas, mas o guidance mais fraco para o segundo trimestre acabou dominando a leitura do mercado e levou as ações a caírem mais de 8% no after hours.
… O lucro por ação ficou em US$ 1,23, bem acima das projeções, enquanto a receita atingiu US$ 12,25 bilhões, também superando as estimativas.
… Parte relevante do resultado, no entanto, foi impulsionada por um efeito não recorrente — a taxa de rescisão de US$ 2,8 bilhões ligada à negociação com a Warner. Sem esse impacto, o desempenho seria mais modesto, o que também ajuda a explicar a reação negativa.
… O ponto central, porém, está no guidance. Para o segundo trimestre, a empresa projeta lucro e receita abaixo do esperado por Wall Street, citando uma concentração maior de amortização de conteúdo neste período.
… A Netflix afirma que as margens devem se recuperar na segunda metade do ano, mas a sinalização de menor rentabilidade pesou mais. O movimento reforça a lógica do mercado: mais do que o resultado corrente, é a trajetória à frente que define o preço dos ativos.
VALE –Divulgou uma prévia operacional sólida para o primeiro trimestre, com avanço na produção e vendas e recordes em metais básicos, mas já com os primeiros — ainda que limitados — impactos do cenário de guerra.
… A produção de minério de ferro cresceu 3% na comparação anual, sustentada pelo ramp-up de novos ativos, como Capanema e VGR1, enquanto as vendas avançaram 3,9%, atingindo o maior nível para um primeiro trimestre desde 2018.
… Em metais básicos, o desempenho foi ainda mais forte.
… O cobre e o níquel registraram crescimento de dois dígitos, com recordes históricos para um primeiro trimestre. No caso do níquel, parte da produção foi direcionada à formação de estoques para atender vendas durante paradas programadas, enquanto o preço avançou.
… No segmento de pelotas, houve recuperação da produção e melhora de preços, refletindo prêmios mais elevados e maior flexibilidade no mix de produtos. O ponto de atenção veio da guerra no Oriente Médio.
… A Vale reportou restrições logísticas em suas unidades de Omã, o que deve manter as operações paradas até o terceiro trimestre. Ainda assim, a companhia afirma que o impacto será mitigado pelo redirecionamento da produção, sem alteração no guidance.
… No after hours em Nova York, a reação foi contida, com leve alta dos ADRs.
PETROBRAS –Em Assembleia Geral Ordinária, a companhia renovou parte do Conselho de Administração e elegeu Guilherme Mello como presidente do colegiado, em movimento que ocorre em meio à volta da estatal ao centro do debate político.
… A União manteve seis das 11 cadeiras, preservando o controle sobre o órgão, enquanto os minoritários ficaram com quatro assentos.
… A mudança acontece após episódios recentes de maior intervenção, incluindo críticas do presidente Lula à empresa, troca de diretoria e revisão de decisões comerciais, como no caso do leilão de GLP.
… O pano de fundo é desafiador. A alta do petróleo beneficia a geração de caixa da empresa, mas aumenta a pressão para controle de preços dos combustíveis no mercado doméstico, mantendo no radar o risco de interferência na política comercial.
… Na assembleia, também foram aprovados o orçamento de capital para 2026, com investimentos de R$ 114 bilhões concentrados em exploração e produção, e a distribuição de dividendos referentes a 2025, no total de R$ 41,2 bilhões, correspondendo a R$ 3,20/PN e ON.
… No after hours em Nova York, os ADRs operavam em baixas de 0,14% (ON) e de 0,21% (PN).
DIA ESVAZIADO –A agenda desta sexta-feira é mais leve, com poucos indicadores relevantes no radar, tanto no Brasil quanto no exterior.
… Na Zona do Euro, sai a balança comercial, enquanto, nos Estados Unidos, membros do Fed participam de eventos ao longo do dia, incluindo falas de Mary Daly, Tom Barkin e Christopher Waller.
… No Brasil, o destaque é a segunda prévia do IGP-M de abril (8h).
ALFREDO MENEZES – Em live do Bom Dia Mercado, nesta quinta-feira, que você ainda pode assistir no canal do BDM no Youtube, o sócio fundador da Armor Capital traçou suas projeções para juros e câmbio, considerando os impactos da guerra para o Brasil.
… O gestor não acredita que o petróleo voltará aos níveis pré-conflito (US$ 65/barril) neste ano, mas espera uma acomodação dos preços em torno de US$ 80/US$ 85 em dois meses, tempo em que a demanda estará mais aquecida para a reposição dos estoques dos países.
… Alfredo Menezes disse estar preocupado com os efeitos da crise sobre a inflação, não só pela pressão dos combustíveis, mas, em especial, dos fertilizantes e alimentos. A Armor ajustou sua previsão para o IPCA deste ano para 4,60%, com viés para cima, e, em 2027, para 4%.
… Com isso, ele aposta em um corte conservador no Copom do fim de abril, de 25pbs, e Selic terminal mais elevada, de 13%.
… Sobre o dólar, não acredita que tenha força para vir abaixo de R$ 4,90, comentando que o movimento de rotação de ativos que trouxe grande fluxo para o Brasil neste início de ano pode estar terminando. Prevê a volta do dólar para R$ 5,20.
… O economista reconhece que o carry trade continuará sendo muito atrativo, mas alerta para a volatilidade do cenário eleitoral, a partir de junho e julho, que poderá pressionar o câmbio nos próximos meses – coincidindo com as remessas sazonais do final de ano.
… Também nesta quinta, em Washington, o diretor de Assuntos Internacionais e diretor de Política Econômica do BC, Paullo Picchetti, assumiu discurso cauteloso para os juros, afirmando que as coisas “definitivamente não melhoraram desde o Copom de março” (leia abaixo).
EQUILÍBRIO INSTÁVEL – Nem o Ibovespa testou ainda os 200 mil pontos e tampouco o dólar se consolidou até agora abaixo dos R$ 5. O câmbio e a bolsa continuam orbitando estas regiões, mas vão vivendo em uma espécie de limbo.
… O mercado abandonou o choque inicial da guerra, mas ainda não embarcou na resolução, preso nos últimos dois pregões à falta de novidades. O deadline do cessar-fogo se aproxima e os próximos dias podem ser decisivos.
… Assim, ainda não dá para saber se o Ibovespa vai morrer na praia, sem alcançar no curtíssimo prazo a marca tão sonhada dos 200 mil. Ontem, engatou o segundo dia seguido de realização de lucro e entregou os 197 mil pontos.
… Vindo de uma sequência de recordes, o índice à vista foi incapaz de driblar nesta quinta-feira uma nova correção, mesmo com a alta do petróleo favorecendo Petrobras. Caiu 0,46%, a 196.818,59 pontos, com giro de R$ 30,3 bilhões.
… Mas o investidor estrangeiro segue entrando com força na B3. Pelo último informe, na terça (dia 14), chegou mais R$ 1,2 bilhão em capital externo. O fluxo acumulado chega a R$ 15,7 bilhões em abril e a R$ 69 bilhões no ano.
… Em véspera de exercício de opções sobre ações, Vale teve queda firme de 1,13%, a R$ 87,44, ignorando o rali de 3,10% do minério. Mas a ação ainda acumula alta superior a 20% no ano, indicando um ajuste natural e saudável.
… Petrobras (ON +4,19%, a R$ 53,66; e PN +3,60%, R$ 48,58) colou no petróleo, que ficou muito perto de voltar aos US$ 100, porque o barril já anda cansado de promessas e cobra um acordo concreto de paz entre Trump e o Irã.
… O contrato do Brent para junho saltou 4,69%, para US$ 99,39, e o WTI para maio avançou 3,72%, a US$ 94,69.
… Entre os papéis dos bancos, com exceção de Bradesco PN, que subiu 0,24%, a R$ 20,85, faltou fôlego para o setor. Itaú PN caiu 0,13% (R$ 46,98), Santander unit recuou 0,73% (R$ 31,45) e BB ON perdeu 0,49%, a R$ 24,28.
… A B3 divulgou a segunda prévia da carteira teórica do Ibovespa para o período de maio a agosto deste ano. Assim como na primeira versão, a lista mostrou a exclusão de IRB, Cyrela, Localiza e Axia. Nenhuma nova ação foi incluída.
NEM VAI NEM VOLTA – A tese de que o real chegou ao limite com a perda de força da rotação de ativos e que, daqui para frente, o espaço para continuar melhorando é cada vez menor, ainda terá de ser submetida ao rumo da guerra.
… Mas é verdade que, apesar de o dólar ter furado recentemente o suporte psicológico dos R$ 5, ainda não conseguiu ir a fundo na queda, a ponto de se posicionar com convicção em um novo patamar abaixo desta marca.
… Faz três pregões seguidos que a moeda americana não sai de perto da estabilidade, sem avanços no Irã para servir de gatilho. Com alta marginal de 0,01% ontem, quebrou uma sequência de seis quedas e fechou cotada a R$ 4,9929.
… O diferencial de juros elevado entre o Brasil e Estados Unidos continua vantajoso, mas o câmbio parece ter piso.
… O real não se empolgou ontem nem com a retomada da alta do petróleo e nem com os comentários de Picchetti, na mesma direção de Nilton David na véspera, sinalizando que o Copom não vai acelerar o ritmo de corte da Selic.
… Durante o evento Itaú Latam Day, em Washington, o que pegou, como se viu, foi a declaração de Picchetti de que a situação “certamente não melhorou” desde a última reunião de política monetária no mês passado.
… Ele tomou o cuidado de esclarecer que a avaliação é de caráter pessoal, não discutida previamente com o Copom.
… Mas alertou sobre a desancoragem das expectativas de inflação, que já estouravam a meta de 3% antes da guerra, e disse que, se ficar evidente que os riscos se concentram no lado negativo, o tamanho do ciclo de juro será afetado.
… No mercado, diante do choque energético e da surpresa com o IPCA elevado de março, já faz algum tempo que as apostas em Selic abaixo de 12% este ano viraram passado. A curva a termo aponta atualmente taxa de 13,5%.
… Sob o “efeito Picchetti”, traders voltaram a correr ontem para a precificação amplamente majoritária (92% segundo o Broadcast) de um corte menor da Selic este mês, de só 0,25 ponto. A chance de 0,50 ponto é isolada (8%).
… Sensível às expectativas de política monetária e ao leilão de prefixados do Tesouro, os vértices curtos dos juros futuros voltaram a operar acima de 14%, com o DI para Janeiro de 2027 a 14,045% (de 13,953% no ajuste anterior).
… O contrato para Jan/28 subiu a 13,490% (contra 13,340% na véspera); o Jan/29 avançou para 13,335% (de 13,212%); e também operaram sob pressão o Jan/31, a 13,415% (de 13,344%); e o Jan/33, a 13,515% (de 13,476%).
TUDO CERTO, NADA RESOLVIDO – Enquanto Trump diz que as negociações com o Irã estão progredindo e que “tudo indica” que um acordo será firmado em breve, os Treasuries e o câmbio em NY desconfiam do clima de já ganhou.
… Na última terça-feira, o presidente americano havia dito que as tratativas em Islamabad recomeçariam em “um ou dois dias”, ou seja, até ontem. O atraso no cronograma sugere que o sentimento positivo pode estar exagerado.
… Sem uma data marcada para outra rodada de conversas, apesar da proximidade do fim do acordo de cessar-fogo, as taxas da Note de dois anos avançaram para 3,777% (de 3,761% um dia antes) e de 10 anos, a 4,310% (de 4,279%).
… Também o dólar preferiu não encampar o otimismo fabricado por Trump e o índice DXY avançou 0,16%, a 98,215 pontos. O euro caiu 0,16%, a US$ 1,1786, a libra perdeu 0,24%, a US$ 1,3532, e o iene recuou para 159,15 por dólar.
… O diretor do Fed Stephen Miran voltou a imprimir a sua digital dovish, assegurando que tem espaço para três ou quatro cortes de juros ainda neste ano, embora o mercado só projete uma queda para a segunda metade de 2027.
… Apesar da guerra, Miran disse que ainda não vê um motivo convincente para o Fed adiar um relaxamento monetário e projetou que, daqui a um ano, a inflação do PCE de 12 meses poderá estar em torno da meta de 2%.
… O colega John Williams não compartilhou da mesma convicção, disse que a inflação ficará “bem acima” de 3% nos próximos meses, diante do cenário “altamente incerto”, e que o momento não é bom para o Fed fornecer guidance.
… No BC inglês (BoE), o presidente Andrew Bailey afirmou à BBC News que o banco “não vai se precipitar em decisões” sobre aumento nas taxas de juros, apesar dos reflexos sobre a inflação dos preços do petróleo e do gás.
… Entre os mercados em Wall Street, só mesmo as bolsas compraram a hipótese de contenção rápida do choque.
… O S&P 500 (+0,26%, a 7.041,28 pontos) e o Nasdaq (+0,36%, a 24.102,70 pontos) tiveram altas tímidas, mas renovaram as máximas históricas pelo segundo dia consecutivo. O Dow Jones avançou 0,24%, a 48.578,72 pontos.
CIAS ABERTAS NO AFTER – Refinaria de Mataripe, da ACELEN (controlada pelo fundo Mubadala, dos Emirados Árabes), reduziu preços do diesel S-10 (-3,5%) e da gasolina (-4,3%), acompanhando a queda do preço do petróleo.
VALE aprovou continuidade das negociações para otimizar concessões ferroviárias das linhas EFC e EFVM.
CSN confirmou avanço no processo de venda de ativos, incluindo a CSN Cimentos, com recebimento de propostas não vinculantes, mas mantém confidencialidade sobre as partes interessadas.
CSN MINERAÇÃO pagará R$ 768,6 milhões em dividendos (R$ 0,14 por ação). Ex hoje.
GERDAU fez oferta de R$ 150 milhões por participação de 23% da Celesc na usina Dona Francisca.
BB captou US$ 500 milhões em “nature bonds” com prazo de 5 anos; demanda chegou a US$ 2,5 bilhões.
BTG. Questionado pelo CVM sobre informação de que teria comprado R$ 1,1 bilhão em carteiras do Master, o banco afirmou que a compra de carteiras de crédito é atividade corriqueira, sem necessidade de comunicação ao mercado.
VIBRA receberá cerca de R$ 258 milhões pela venda de participação na Evolua à Copersucar.
ENGIE BRASIL aderiu à repactuação de UBP de hidrelétricas, com saldo de R$ 2,37 bilhões e efeitos contábeis no 2TRI.
ENEVA registrou geração de 3.942 GWh no 1TRI26, mais que triplicando na comparação anual.
CEMIG prevê concluir investimento de R$ 100 milhões em sistema de gerenciamento de distribuição neste ano.
TIM antecipou de 30/4 para 22/4 o pagamento de R$ 880 milhões em JCP (R$ 0,1632 e R$ 0,2024 por ação).
TELEFONIA. Oito operadoras apresentaram propostas para o leilão de 700 MHz da Anatel, que acontecerá no dia 30 de abril: Telefônica, Tim, Claro, Brisanet, Unifique, MHNet, IEZ! e Amazônia Serviços Digitais.
COPASA teve autorização do TCE-MG para continuidade de potencial oferta pública de ações.
CEDAE elegeu Rafael Rolim de Minto como novo diretor-presidente.
HYPERA teve preço-alvo elevado para R$ 26 pelo Citi, com recomendação neutra/alto risco.
MBRF teve participação do Citi reduzida para 14,79% do capital.
ONCOCLÍNICAS obteve medida cautelar na Justiça para suspender execuções por 60 dias; dívida soma cerca de R$ 3,2 bilhões. (Valor/O Globo)
GPA anunciou três novos membros na diretoria executiva: José Rafael Vasquez comandará a área comercial, digital e marketing; Jonas Laurindvicius ficará à frente do segmento de “supply chain” (cadeia de suprimentos)…
… E Jorge Jubilato assumirá funções em recursos humanos e sustentabilidade.
TRISUL lançou R$ 436 milhões (-4,4%) e teve vendas de R$ 392,6 milhões (+34,4%) no 1TRI26.
AZEVEDO & TRAVASSOS vendeu participação de 10% na Sanessol por cerca de R$ 9,9 milhões.
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