sexta-feira, 3 de abril de 2026

Mercado de energia

 *Autoridades do setor elétrico questionam ocorrência de crise de liquidez no mercado*


Por Luciana Collet


São Paulo, 02/04/2026 - Profissionais que atuam no mercado livre de energia, especialmente no segmento de comercialização, têm alertado sobre a redução da liquidez das operações de compra e venda de energia. A situação, multifatorial, envolve preços futuros de energia cada vez mais altos, a estratégia de grandes geradoras com energia descontratada, necessidade de ajustes do balanço energético de produtoras eólicas e solares em função dos cortes demandados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e maior aversão a risco - inclusive risco de crédito de contraparte.


A situação tem levado algumas empresas, principalmente entre aquelas chamadas independentes (que não estão ligadas a grandes grupos de energia), a enfrentar dificuldades para cumprir contratos, o que acarretou em pedidos de renegociações.


Autoridades setoriais admitem a possibilidade de fiscalizar potenciais excessos de alguns agentes, como um abuso de poder econômico de grandes geradoras com volume expressivo de energia descontratada e que estariam "segurando lastro", como denunciam alguns profissionais. No entanto, a visão inicial é de que não está claro que efetivamente exista uma crise de liquidez.


"Se há essa percepção, é muito justo que a gente olhe para o cenário e tente investigar, achar soluções", disse o diretor de Segurança de Mercado da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Eduardo Rossi, admitindo, porém, não ter certeza sobre a efetiva existência de tal crise.


Durante evento realizado nesta sexta-feira, em São Paulo, ele defendeu a necessidade de trilhar um caminho de avaliação que passaria, antes de tudo, por definir os indicadores e parâmetros que caracterizam uma crise de liquidez no mercado de energia e entender os impactos para o sistema elétrico e para o consumidor, em especial caso ela leve a uma quebra de diversas empresas.


"É esse caminho que a gente tem que endereçar para conseguir fazer essa discussão evoluir", disse, acrescentando, ainda, a necessidade de propor soluções que permitam a criação de um ecossistema com maior liquidez.


Presente no mesmo evento, o diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Gentil Nogueira, também disse não ter visto, até o momento, elementos técnicos suficientes que demonstrem que haja uma crise de liquidez no mercado. Ele questionou o argumento de alguns agentes de que empresas estaria segurando lastro de energia com objetivo de impulsionar os preços artificialmente, o que estaria gerando a crise.


"O fato de alguém segurar o seu lastro está aumentando o preço? O preço é calculado por modelo [computacional]", argumentou.


Ele se referiu ao preço de liquidação das diferença (PLD), utilizado para liquidar sobras e déficits de energia dos agentes e usado como referência nos contratos de curto prazo. Os preços nas negociações bilaterais no mercado livre costumam incluir um spread sobre o PLD, mas a avaliação é que os atuais patamares desse indicador podem estar inibindo o fechamento de operações, tendo em vista interesses conflitantes entre compradores, que consideram muito elevados para os padrões históricos, e geradores, que podem optar por liquidar mensalmente ao PLD.


"Me falta ainda algum grau de caracterização de forma mais objetiva e não só a narrativa construída sobre essa crise de liquidez", disse. "Eu não estou dizendo se isso existe ou não existe, só estou falando que eu não consigo ainda identificar", acrescentou.


O diretor de Plataforma de Energia, Regulação e Institucional da Serena, Bernardo Bezerra, argumentou, porém, que, quando um gerador segura sua oferta de energia, isso afeta as expectativas de preços para daqui seis meses a um ano. "Toda a questão é que, como a gente está no mercado de contratos, e os agentes tem obrigação de contratar e se antecipam para fechar esses contratos antes do momento de liquidação, isso pode gerar uma crise de falta de lastro", disse.


Para a diretora de Regulatório e Planejamento Estratégico da Auren Energia, Priscila Lino, o lastro disponível pode não ser tão grande quanto o mercado estimava. Ela citou questões que passaram a ser consideradas pelas geradoras, ao calcular sua energia disponível, como a necessidade de gerenciar risco hidrológico (GSF, no jargão setorial) para ativos focados no mercado livre; a criação de um hedge para os cortes de geração renovável (curtailment), além das incertezas relacionadas ao crescimento da geração distribuída e comportamento do mercado com a liberalização do ambiente de comercialização livre para a baixa tensão.


"Tem um balanço de lastro com variáveis que, de fato, tiram papel do mercado, e talvez esse excedente de energia que a gente imagine que tenha, ele na prática, no mundo contratual, talvez não seja tanto assim, e veio mais uma percepção de prêmio por uma liquidez que é faltante no mercado", disse.


Sem uma visão muito clara sobre o que pode ser apenas uma "narrativa" e o que efetivamente pode ser abuso de poder econômico, a Aneel já solicitou aos agentes do setor que encaminhem à Aneel eventuais informações que posam servir como indicação de comportamento desleal.


Segundo o diretor-geral do órgão regulador, Sandoval Feitosa, a agência vai verificar eventual ocorrência de "movimento de concentração, de abuso de poder econômico ou algo do gênero" e citou convênios existentes com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) como alguns dos instrumentos existentes para verificar essas situações.


Contato: Luciana.collet@Estadão.com


Broadcast+

Mercado livre e IA

 *Mercado Livre se torna cotista de fundo de venture capital focado em Inteligência Artificial*


Por Aramis Merki II


São Paulo, 02/04/2026 - O Mercado Livre anunciou a entrada como cotista em um fundo de venture capital focado em inteligência artificial (IA) da Gradient, gestora sediada no Vale do Sílicio, nos Estados Unidos. A tese de investimentos é focada em empresas em estágio inicial e com ferramentas de IA aplicada a negócios (B2B).


O fundo levantou no total US$ 220 milhões, com demanda superior à oferta. Em nota, o Mercado Livre aponta que passa a ter acesso antecipado ao ecossistema global de startups em estágio pré-seed e seed. "Esse posicionamento estratégico permite à empresa identificar tecnologias emergentes desde o início e integrá-las ao seu ecossistema em escala", indica a empresa.


Darian Shirazi, sócio-gerente da Gradient, considera que a América Latina é uma as principais regiões para a adoção de novas ferramentas e produtos de IA. "Assim como os pagamentos, mensagens e aplicativos de transporte conquistaram a região há uma década, está claro agora que a IA segue uma trajetória semelhante."


Contato: merki@broadcast.com.br


Broadcast+

Master e as negociatas

 *Investigadores rastreiam transações no exterior de fundos ligados a Vorcaro durante negociações entre Master e BRB*


Apuração está concentrada em inquérito sobre possível gestão fraudulenta na instituição controlada pelo governo do DF


Investigadores à frente do caso do Banco Master estão rastreando transações no exterior da teia de fundos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro durante a tentativa de venda da instituição financeira ao Banco de Brasília (BRB). A apuração mira o fluxo de recursos em paraísos fiscais e outras regiões com regras menos rígidas para operações financeiras.


Um dos destinos mapeados é Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Essa frente de investigação foi concentrada no inquérito aberto em fevereiro, que apura suspeitas de gestão fraudulenta no BRB, instituição controlada pelo governo do Distrito Federal que apresentou proposta para aquisição do Master em março de 2025. O negócio foi barrado pelo Banco Central em setembro do ano passado. Dois meses depois, a instituição foi liquidada, e Vorcaro foi preso pela primeira vez.


O banqueiro negocia um acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) e já assinou um acordo de confidencialidade com as autoridades. Como mostrou O GLOBO, a expectativa dos investigadores é que ele apresente os anexos da delação em até duas semanas. Caso as tratativas avancem, pessoas que acompanham o caso de perto afirmam que o banqueiro precisará dar detalhes das operações fora do país.


Antes de iniciar o processo de colaboração, Vorcaro vinha negando irregularidades e afirmando que estava à disposição da Justiça. Procurado para comentar, ele não se manifestou.


https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/04/02/investigadores-rastreiam-transacoes-no-exterior-de-fundos-ligados-a-vorcaro-durante-negociacoes-entre-master-e-brb.ghtml?utm_source=aplicativoOGlobo&utm_medium=aplicativo&utm_campaign=compartilhar

Ibovespa e fluxo externo

 *_IBOVESPA SUPERA MERCADOS GLOBAIS IMPULSIONADO POR FLUXO ESTRANGEIRO_*


• *Desempenho do Índice*: O Ibovespa encerrou a semana com valorização de 2,7% em reais e expressivos 4,4% em dólares, atingindo os 188.052 pontos. O resultado posiciona a bolsa brasileira acima da média global no período.


• *Geopolítica e Energia*: O conflito no Irã chega à sua quinta semana com alta volatilidade. Declarações de Donald Trump sobre um possível cessar-fogo e a proposta iraniana de um protocolo para o Estreito de Ormuz trouxeram alívio momentâneo. O petróleo Brent recuou 3,3%, fechando em torno de US$108.


• *Mercado Internacional*: As bolsas americanas registraram recuperação, com o S&P 500 subindo 1,5%. Nos EUA, as vendas no varejo superaram as expectativas, enquanto os rendimentos das Treasuries de 2 anos recuaram para 3,80%.


• *Cenário Doméstico*: Setores sensíveis aos juros, como Educação (+6,3%) e Propriedades Comerciais (+5,9%), lideraram os ganhos com a queda das taxas de DI. Em contrapartida, o setor de Óleo & Gás recuou 1,9%, acompanhando a desvalorização da commodity.


• *Capital Estrangeiro*: O apetite externo pelo Brasil permanece robusto, com entrada líquida de R$2,7 bilhões na semana. No acumulado de 2026, o fluxo estrangeiro já soma R$53,4 bilhões, reforçando a tese de atratividade dos ativos locais.


• *Destaques Corporativos*: A Natura (NATU3) saltou 11,9% após o interesse da Advent em uma fatia minoritária. Já a Petrobras (PETR4) e a Prio (PRIO3) figuraram entre as quedas, impactadas pelo ajuste negativo nos preços do petróleo.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Anderson Nunes

 *VORCARO RESISTE E CRISE NO BRB AVANÇA - MC 02/04/26*

*Por Anderson Nunes - Analista Político*


*TENSÃO NO JUDICIÁRIO E SOCORRO BILIONÁRIO AO CRÉDITO*


O dono do Banco Master trava as negociações de delação ao poupar ministros do Supremo enquanto o governo articula descontos massivos em dívidas para aliviar o bolso da classe média.


*DELAÇÃO DE VORCARO*


Daniel Vorcaro resiste a citar nomes do STF e recusa regime fechado de prisão nas tratativas de colaboração premiada com os investigadores. Este impasse trava o avanço de revelações que poderiam atingir a cúpula do Judiciário e redefinir o cenário jurídico nacional.


*ROMBO NO BANCO DE BRASÍLIA*


O BRB afastou trinta dirigentes após auditoria apontar prejuízo de R$ 12 bilhões de reais em negócios fraudulentos com o Banco Master. A instituição agora enfrenta risco de liquidação pelo Banco Central enquanto o Ministério da Fazenda descarta a federalização como saída.


*GOVERNO NEGOCIA PERDÃO DE JUROS*


O Ministério da Fazenda projeta um novo programa de renegociação com descontos de até 80% para dívidas de cartão de crédito e cheque especial. A medida busca reduzir o endividamento recorde das famílias que hoje consome quase trinta por cento da renda nacional.


*SUBSÍDIO BILIONÁRIO AO DIESEL*


O governo federal injetará R$ 20 bilhões de reais para conter a alta do diesel e tentar recuperar a aprovação popular entre a classe média brasileira. Em paralelo a Petrobras parcela o aumento expressivo do querosene de aviação para evitar um colapso imediato no setor aéreo.


*MANOBRA POLÍTICA NO TRABALHO E NO STF*


O governo enviou ao Congresso o projeto para reduzir a jornada de trabalho e formalizou Jorge Messias para o STF, buscando retomar a iniciativa política em meio às tensões externas. A urgência na pauta trabalhista sinaliza uma tentativa de capitalizar ganhos eleitorais rápidos, embora a medida eleve as incertezas sobre os custos de produção e a produtividade nacional e a vontade do governo anunciar no dia do trabalhador, 01/05.


*RETÓRICA DE GUERRA REACENDE VOLATILIDADE*


Trump ameaçou destruir a infraestrutura energética iraniana e elevou a presença militar na região, revertendo a expectativa de distensão e forçando os mercados a reprecificarem o risco de um conflito prolongado. A incerteza interrompe a recuperação das bolsas globais e impede a reabertura do Estreito de Ormuz, mantendo a pressão inflacionária global persistente.


*RADAR CORPORATIVO*


1. Petrobras: A estatal prevê autossuficiência na produção de diesel em cinco anos e parcela reajuste de combustíveis para aviação.  

2. BRB: A instituição adiou seu balanço financeiro e tenta vender ativos imobiliários para cobrir o rombo bilionário.  

3. Inframerica: O TCU aprovou a repactuação do contrato do Aeroporto de Brasília prevendo novos investimentos e leilão futuro.  

4. Prio: Reportou produção sólida no primeiro trimestre de 2026, mas o papel sofre com a forte volatilidade dos preços internacionais do petróleo.  

5. Raízen: Propôs converter 45% das dívidas em ações para viabilizar sua recuperação extrajudicial e aliviar o caixa da companhia.  

6. Braskem: Analisa proteção judicial contra credores devido à pressão de liquidez imediata e uma dívida que ultrapassa R$ 50 bilhões.  

7. Sabesp: O STF validou a privatização da empresa, removendo um importante entrave jurídico e garantindo segurança para a nova estrutura de controle.  

8. Aegea: Teve o rating rebaixado pela agência S\&P após atrasos na divulgação do balanço financeiro, o que eleva seu custo de capital.  

9. Americanas: Concluiu a venda da Uni.Co por R$ 152,9 milhões, avançando no plano de desinvestimentos para reduzir o endividamento do grupo.  

10. Oi: Recebeu autorização judicial para vender sua fatia na V.tal ao BTG Pactual por R$ 4,5 bilhões, apesar da resistência de parte dos credores.  

11. IRB: Aprovou o pagamento de R$ 77,9 milhões em JCP, buscando remunerar acionistas mesmo após ser excluído da carteira teórica do Ibovespa.


O Canal Auxiliando usa as seguintes fontes de notícias: 'Monitor do Mercado, BDM, Broadcast, Valor Econômico, Folha de São Paulo, Estadão, O Globo, BM\&C, B3, Revista Oeste, Poder 360, Money Times, Agência CMA, Agência Brasil, Bloomberg, Infomoney, CNN, The Washington Post, The Wall Street Journal, Fox Business, Reuters, Oil Price, Investing e Yahoo Finance'.

BDM Matinal Riscala

 *Bom Dia Mercado*


Quinta Feira,02 de Abril de 2.026.


*Trump mantém retórica de guerra*


Presidente americano promete atacar Irã “com extrema força” nas próximas duas ou três semanas


… Na véspera do feriado da Sexta-Feira Santa, que fecha os mercados amanhã nos Estados Unidos, na Europa e no Brasil, os investidores globais repercutem a frustração com o pronunciamento do presidente Trump, ontem à noite. Longe de sinalizar o fim da guerra no Oriente Médio, como muita gente esperava, não falou em cessar-fogo e prometeu que os Estados Unidos atacarão o Irã “com extrema força” nas próximas duas ou três semanas. “Vamos levá-los de volta à Idade da Pedra, onde eles pertencem”. Lançando uma nova ameaça, disse que, “se não houver acordo, vamos atacar duramente todas as suas usinas de geração de energia elétrica”. E já durante sua fala, o petróleo voltou a subir.


1º DE ABRIL – Em raro discurso em horário nobre à Nação, o presidente Donald Trump dobrou a aposta com o Irã, sem nenhuma preocupação em aliviar as ameaças que tem feito nas últimas semanas. Pelo contrário, manteve a retórica de guerra.


… Alguns analistas acreditam que, diante de uma situação que fugiu ao controle, ele fala grosso buscando sair como vitorioso. Outros acham que as coisas podem piorar, diante da perspectiva de um envolvimento ainda mais profundo dos Estados Unidos.


… Na Bloomberg, Jon Withaar, gestor de carteiras da Pictet Asset Management, disse que os riscos ainda podem aumentar. “A ideia de tropas em campo é muito preocupante para os mercados, e muitos esperavam que o pronunciamento acalmasse suas preocupações.”


… Já para Vey-Sern Ling, diretora-gerente do Union Bancaire Privee, o discurso de Trump sinaliza um possível caminho para a desescalada, mas ela concorda que é melhor manter a cautela. “A intenção dele é pôr fim ao conflito, mas ainda há muita incerteza.”


… Dilin Wu, estrategista de pesquisa do Pepperstone Group, disse que o discurso de Trump foi “decepcionante” e sugere que a discussão sobre a retirada do Oriente Médio agora parece mais uma forma de acalmar os mercados, mantendo as opções em aberto.


… Nick Twidale, analista-chefe da AT Global Markets, disse que os investidores estão claramente desapontados e pode haver mais quedas para os mercados globais. “A informação de que ele atacará o Irã nas próximas semanas é extremamente negativa para os mercados.”


… De acordo com o The New York Times, o Pentágono está dobrando a frota de aviões de ataque A-10 no Oriente Médio, que pode apoiar tropas terrestres em avanço.


… Também a Força Aérea está enviando 18 A-10s para a região, usados para atacar barcos iranianos e milícias apoiadas no Iraque.


… Durante o pronunciamento de Trump, o petróleo Brent levou poucos minutos para zerar a queda e saltar 5%, enquanto a Bolsa de Tóquio apagava os ganhos e os futuros de NY passavam a cair, após renovadas incertezas sobre a evolução dos conflitos.


… Nesta quarta, mesmo com queda expressiva, de 2,70%, os contratos do Brent para junho fecharam acima de US$ 100, a US$ 101,16 por barril, em Londres. Em Nova York, o WTI para maio, referência dos Estados Unidos, cedeu 1,24%, a US$ 100,12 por barril.


… O que mais chamou a atenção ontem à noite foi o claro esforço de Trump em apresentar argumentos ao povo americano, que permanece cético e crítico em relação à guerra, e profundamente cauteloso quanto a um envolvimento prolongado dos Estados Unidos.


… Trump insistiu que os objetivos da guerra estão “quase concluídos”, classificou a campanha como um “sucesso”, que destruiu mísseis balísticos e drones iranianos, da força aérea, da marinha e da base industrial. E disse que a alta da gasolina vai durar pouco.


… Mas há poucas evidências de que o Estreito de Ormuz se abra “naturalmente”, como ele disse. O Irã está avançando com planos para criar um sistema de pedágio — formalizando uma estrutura que poderia aumentar o controle do país sobre a estreita passagem.


… A principal conclusão é que a crise global de oferta de petróleo, desencadeada pelo fechamento do Estreito de Ormuz, persistirá.


… Horas antes do pronunciamento de Trump, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, reafirmou que o futuro do Estreito de Ormuz será definido por Irã e Omã, que têm o controle da via marítima “nas águas internas” dos dois países.


O PÓS-GUERRA – Em relatório nesta quarta-feira, o Goldman Sachs avaliou que, entre os emergentes, países como Brasil, África do Sul e Coreia do Sul parecem melhor posicionados para cenários de recuperação no pós-guerra do que os do Sul da Ásia.


… Segundo analistas do banco, “o Brasil se destaca como um relativo beneficiário por ser um exportador líquido de petróleo, e aguentou melhor esse período devido aos ganhos do setor de energia”. Todo mundo viu o desempenho excepcional de Petrobras na bolsa.


… Ainda na opinião do Goldman, mesmo os segmentos domésticos sensíveis a juros, muito depreciados desde o início dos conflitos no Oriente Médio, podem se recuperar, à medida que mais cortes nas taxas se materializarem.


… No câmbio, o dólar chegou a furar os R$ 5,15 com o mercado antecipando a distensão geopolítica, que não se confirmou, enquanto os juros futuros acompanharam, em meio às expectativas de que o cessar-fogo abriria o caminho para o BC seguir reduzindo a Selic (abaixo).


… Já as cotações do petróleo podem levar algum tempo para atingir os níveis de antes da guerra, visto que dependem da normalização das rotas logísticas e oferta global – o que passa pela reabertura do Estreito de Ormuz.


EFEITOS EM CADEIA – A Petrobras confirmou um aumento de 54,6% no preço do querosene de aviação (QAV), o maior da série histórica, refletindo o choque no petróleo após a escalada da crise entre Estados Unidos e Irã, com bloqueio do Estreito de Ormuz.


… O reajuste leva o combustível a R$ 5,49/litro e se soma à alta de 9,4% em março, ampliando a pressão sobre um insumo que já responde por cerca de 45% dos custos das aéreas.


… O movimento muda o balanço de riscos do setor: companhias devem repassar preços entre 15% e 20%, mas de forma gradual, dado o descasamento entre venda e voo.


… O cenário ainda não é de colapso, há demanda resiliente, hedge parcial e possível compensação via câmbio, mas a tendência é de compressão de margens e revisão de rotas menos rentáveis nos próximos meses.


… Para mitigar o impacto imediato, a Petrobras propôs parcelar o reajuste, permitindo alta de 18% agora e diluição do restante em seis parcelas a partir de julho — tentativa de suavizar o choque sem romper a paridade.


… Ainda assim, o episódio reforça o risco de contágio inflacionário via passagens aéreas e reacende a pressão por medidas do governo.


… Nesse contexto, ganha corpo a resposta fiscal: a subvenção ao diesel importado deve custar entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões em dois meses.


… A governadora do DF, Celina Leão, já sinalizou adesão ao programa, enquanto o governo corre para garantir apoio dos entes e viabilizar a edição da medida provisória. Além disso, o episódio expõe efeitos colaterais no sistema financeiro.


… O governo do DF também pediu apoio da Caixa e do BB para estruturar um empréstimo bilionário ao BRB, após perdas ligadas ao caso Banco Master — movimento que pode ampliar a presença dos bancos públicos em operações de estabilização em meio ao choque recente.


… O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a Caixa e o BB podem comprar ativos do BRB, mas descartou intervenção federal. “O governo do DF tem que conseguir lidar com a situação do BRB”, afirmou.


REFIS NO RADAR – Dario Durigan indicou que o novo programa de renegociação de dívidas pode trazer descontos de até 80%, com publicação prevista em até dez dias. Medida busca destravar passivos e dar fôlego financeiro a empresas, em meio ao ambiente restritivo de crédito.


… O desenho final, porém, ainda não contempla uma demanda do setor financeiro: a possível isenção de IOF segue em aberto — e enfrenta resistência dentro da própria equipe econômica. O ministro já sinalizou não ser “simpático” à ideia, o que pode limitar o alcance do programa.


ATALHO ELEITORAL – O governo Lula decidiu enviar ao Congresso um projeto de lei com urgência constitucional para o fim da escala 6×1 e redução da jornada para 40 horas semanais, tentando acelerar uma pauta que hoje avança lentamente via PEC na Câmara.


… A estratégia encurta o rito (45 dias) e evita o risco de o tema ficar para depois das eleições, preservando seu potencial como bandeira política.


… A escolha pelo projeto de lei, e não pela PEC, também devolve ao Planalto maior controle sobre o texto final, já que abre espaço para veto presidencial — instrumento inexistente em emendas constitucionais.


… Nos bastidores, o movimento é visto como tentativa de captura da agenda pelo Executivo, diante da condução mais gradual sob Hugo Motta. Apesar do avanço tático, a medida tende a gerar ruído político e resistência no Legislativo, que buscava protagonismo da matéria.


… No pano de fundo, a proposta adiciona uma camada de incerteza para o ambiente de negócios, ao reabrir o debate sobre custos trabalhistas e produtividade — um tema com potencial de impacto relevante sobre emprego, inflação de serviços e decisões de investimento.


STF NO TABULEIRO POLÍTICO – O presidente Lula formalizou a indicação de Jorge Messias ao STF, destravando um processo que estava parado há quatro meses e recolocando a composição da Corte no centro do jogo político.


… A decisão vem em meio à pressão de investigações sensíveis — como o caso Master — e ao diagnóstico no Planalto de que não há espaço para manter o plenário incompleto em um momento de maior judicialização.


… O movimento também carrega cálculo de timing: ao enviar o nome agora, o governo tenta antecipar a aprovação antes de eventual deterioração do ambiente político, seja por novas revelações ou pela escalada do calendário eleitoral.


… Nos bastidores, a leitura é de que o “clima hostil” no Senado arrefeceu, ainda que longe de garantir uma tramitação tranquila. A principal variável segue sendo Davi Alcolumbre, que controla o ritmo da sabatina e já sinalizou novo incômodo com a condução do Planalto.


… O risco de atraso permanece relevante e, no limite, pode empurrar a decisão para depois do recesso ou até contaminar o ambiente eleitoral.


… No pano de fundo, a indicação reforça a tentativa do governo de recompor alinhamento no STF em um momento de maior fragmentação da Corte, mas também adiciona uma frente de negociação política em um Congresso já tensionado, com potencial de gerar ruído adicional.


MAIS AGENDA – Com o mercado de olho no Copom do fim do mês, a produção industrial de fevereiro (9h) é hoje o principal termômetro doméstico e deve reforçar a leitura de perda de fôlego da atividade na indústria.


… As estimativas no Projeções Broadcast variam de queda de 0,3% a avanço de 1,5% (mediana de +0,7%). O dado deve refletir a queda na produção de veículos, enquanto a indústria extrativa segue como principal vetor positivo.


… Na comparação anual, a expectativa é de retração de 1,1%, após leve alta de 0,2% na divulgação anterior.


… O indicador deve movimentar as apostas sobre o ritmo de corte da Selic este mês. O consenso até aqui é de uma nova dose de 0,25 ponto, precificação que pode ganhar ainda mais força, já que Trump segue no modo guerra.  


… À primeira hora do dia (5h), o IPC-Fipe de março deve acelerar para 0,61%, contra 0,25% em fevereiro.


LÁ FORA – Nos Estados Unidos, o auxílio-desemprego (9h30) deve registrar alta de dois mil pedidos, para 212 mil. No mesmo horário, a balança comercial (fev) tem previsão de déficit de US$ 67,9 bilhões.


… A agenda também inclui falas de dirigentes do Fed, como Lorie Logan (11h15) e Michelle Bowman (13h45), neste momento em que o investidor projeta corte do juro só no fim de 2027, diante da guerra contra o Irã que não acaba.


… Ontem, três dirigentes do Fed alertaram sobre as pressões inflacionárias associadas ao aumento dos custos de energia, como Tom Barkin e Michael Barr. Já Alberto Musalem disse que a inflação segue acima da meta e que os juros podem seguir no nível atual por muito tempo.


… Durante a noite, os PMIs compostos finais de março de Japão (21h30) e China (22h45) ajudam a compor o quadro de atividade global, com atenção especial à economia chinesa, peça-chave para commodities e emergentes.


PAYROLL – Amanhã, em pleno feriado de Sexta-Feira Santa, sai o relatório de emprego nos Estados Unidos.


… Nesta quarta, uma surpresa positiva nos indicadores de emprego e de consumo deu suporte ao rali das ações em Wall Street.


… Na pesquisa ADP, o setor privado americano abriu 62 mil vagas em março, acima da projeção de 39 mil. Já as vendas no varejo subiram 0,6% em fevereiro ante janeiro, acima dos 0,4% esperados, e o PMI/ISM subiu para 52,7 pontos, ante estimativa de 52.


MELOU – A confiança de que Trump confirmaria ontem à noite o cronograma de retirada do Irã em menos de um mês levou o mercado a sonhar com petróleo abaixo de US$ 100, dólar perto de R$ 5 e bolsa aos 190 mil pontos.


… Porém, a aposta frustrada abre espaço para uma correção do entusiasmo hoje, ainda mais à véspera do feriado.


… Desde que a guerra começou, a moeda norte-americana não operava na faixa de R$ 5,15, como ontem, quando fechou cotada a R$ 5,1566, em queda de 0,42%, depois de ter voltado até R$ 5,1481 na mínima intraday do pregão.


… No acumulado do ano, o real sobe 6%, a melhor posição entre todas as divisas globais (principais e emergentes).


… Analistas previam ontem uma queda rápida do dólar nos próximos dias, caso se confirmasse o desfecho da ofensiva militar, com apostas de que até o piso psicológico dos R$ 5,00 pudesse ser furado logo no câmbio.


… Mas os profissionais vão ter que recalcular rota com os sinais de Trump de continuidade da Operação Fúria Épica. 


… A moeda brasileira apreciada e a percepção ontem de que a operação no Irã pudesse estar com os dias contados animaram a precificação de continuidade do ciclo de relaxamento monetário do Copom, que acabou de começar.


… Um corte de meio ponto, no entanto, que já era improvável, perde ainda maior força com a guerra sem fim.


… Ontem, os juros futuros voltaram a aliviar a pressão: Jan/27 marcou 14,035% (de 14,069% no ajuste anterior); Jan/28, 13,725% (13,768%); Jan/29, 13,675% (13,720%); Jan/31, 13,815% (13,837%); e Jan/33, 13,890% (13,909%).


… A curva operou descolada da alta das taxas dos Treasuries, que repercutiram os indicadores mais fortes do que se imaginava do emprego e da atividade econômica nos Estados Unidos, esvaziando os riscos de estagnação.


… O rendimento da Note-2 anos subiu a 3,811%, contra 3,792% na véspera, e de 10 anos foi a 4,332% (de 4,317%).


… Ainda lá fora, o índice DXY ampliou a baixa (-0,33%) e se distanciou ainda mais dos 100 pontos (99,632), apostando que os Estados Unidos bateriam logo em retirada, possivelmente até mesmo antes de qualquer acordo com o Irã.


… O euro subiu 0,24%, a US$ 1,1584, e a libra avançou 0,58%, a US$ 1,3301. Só o iene caiu, para 158,90/US$.


APOSTA NO CAVALO ERRADO – Dando sequência à onda de otimismo, as bolsas de Nova York anteciparam a guerra próxima do fim, mas fecharam longe das máximas, quase que prevendo que Trump trairia as esperanças à noite.


… O Dow Jones registrou valorização de 0,48%, para 46.565,37 pontos; o S&P 500 ganhou 0,72% (6.575,32 pontos); e o Nasdaq avançou com maior força (+1,16%), encerrando o pregão desta quarta-feira aos 21.840,95 pontos.


… Aqui, o Ibovespa chegou a retornar aos patamares anteriores à guerra durante o pregão e ultrapassou os 189 mil pontos no pico intraday (189.130,90 pontos), mas perdeu fôlego à tarde, no hedge contra o excesso de otimismo.


… Encerrou em leve alta de 0,26%, aos 187.952,91 pontos, com volume consistente de negócios, de R$ 35,7 bilhões.


… Petrobras roubou boa parte do embalo da bolsa, já que os papéis caíram forte, seguindo o recuo do petróleo. A ação ON afundou 3,67%, para R$ 51,93, terceira maior baixa do índice à vista; e PN perdeu 2,67%, a R$ 47,37.


… Já os bancos se destacaram em alta: BB ON, +2,74% (R$ 23,63); Santander unit, +1,83% (R$ 31,20), Bradesco PN, +1,36% (R$ 19,43); e Itaú PN +0,85% (R$ 43,83). Vale subiu 0,63% (R$ 83,00), acima do minério de ferro (+0,12%).


… A B3 divulgou a primeira prévia da carteira teórica do Ibovespa para maio a agosto, que mostrou a exclusão de IRB ON, Cyrela PN, Localiza PN e Axia PNC. Não houve papéis incluídos. A próxima prévia sai dia 16 e a segunda, dia 24.


… A composição da carteira, calculada pela B3, é revisada a cada quatro meses: em janeiro, maio e setembro.


CIAS ABERTAS NO AFTER – PRIO informou produção média de 155,3 mil boepd no 1TRI26, com vendas de 14,85 milhões de barris no período.


RAÍZEN propôs a credores conversão de 45% da dívida em ações, cerca de R$ 29 bilhões, no âmbito da recuperação extrajudicial, segundo fontes do Valor.


BRASKEM avalia recorrer à Justiça para proteção contra credores, diante de pressão de liquidez, com vencimento de US$ 100 milhões em juros de bonds e dívida superior a R$ 50 bilhões. (Valor)


MBRF. JPMorgan passou a deter participação de 5,52% das ações ordinárias.


SABESP. STF rejeitou ações que questionavam a privatização da companhia.


AEGEA. S&P rebaixou rating de BB- para B+ e colocou a companhia em CreditWatch negativo após atraso na divulgação do balanço de 2025.


AEROPORTOS. TCU aprovou repactuação da concessão de Brasília, com novo leilão previsto para este ano e investimentos de cerca de R$ 1,2 bilhão.


HAPVIDA. Squadra cobrou mudanças de governança e adoção de voto múltiplo para eleição do conselho.


IRB aprovou pagamento de R$ 77,9 milhões em JCP, em três parcelas, de cerca de R$ 0,31 por ação.


BRB mantém plano de aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões. Com a emissão de 100 milhões a 1,645 bilhão de ações a um preço de R$ 5,36 por papel, a operação pode variar de R$ 536 milhões a R$ 8,817 bilhões.


GPA disse que negociações com credores seguem em curso e busca ampliar adesões à recuperação extrajudicial.


AMERICANAS assinou contrato para venda da Uni.Co (Imaginarium e Puket) à BandUP! por R$ 152,9 milhões.


OI. A Justiça autorizou venda da participação na V.tal para fundos do BTG Pactual por R$ 4,5 bilhões, apesar de rejeição de credores, e proibiu IPO da empresa por 24 meses. (Broadcast)


ÂNIMA. Organon Capital reduziu participação para 4,95% das ações ON, de 5% anteriormente.


AXIA ENERGIA aprovou migração ao Novo Mercado, conversão de ações PN em ON e deslistagem de ADRs na Nyse.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

FSP 0104

República do Supremo que pode tudo

por Folha de São Paulo “Para um ministro do Supremo Tribunal Federal, tudo. Para os demais cidadãos, a lei —tal como amplamente interpretada por um ministro do Supremo. Cristaliza-se no Brasil um regime anômalo de prevalência de dez indivíduos sobre o restante da sociedade. Como se vê pelas decisões de Alexandre de Moraes, a latitude de um juiz da corte quando os seus próprios interesses estão em jogo é máxima. Fulmina-se a regra que exige do magistrado afastamento de casos em que ele conste como vítima potencial. Sob sigilo decretam-se prisões, censuras e intimações sem a devida provocação da Procuradoria. Quem critica o arbítrio corre o risco de cair nas garras do Grande Inquisidor. Advogados não têm acesso aos autos. Burocracias do Estado são obrigadas a ajoelhar-se diante da toga agigantada. A atividade policial sujeita-se a intervenções esdrúxulas, como a que por um período escudou de investigação material apreendido sobre a máfia que atuava no Banco Master. A intimidação da Receita Federal levará servidores a adotarem a regra tácita de não abrirem procedimentos administrativos quando detectarem inconsistências fiscais relacionadas aos supremos magistrados. Afinal, o resultado mais brando poderá ser o afastamento sumário da função, com um rastreador no tornozelo. Ameaça parecida paira sobre o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o instrumento mais eficaz do país para detectar transações atípicas, de que as atividades ilícitas amiúde se valem. Num golpe solitário de caneta, Moraes esvaziou o órgão. Não há o que controle um ministro do Supremo que se ponha a subverter a institucionalidade para se proteger e atingir supostos adversários. Ele não depende da petição de partes para agir sobre virtualmente tudo o que deseje. A submissão das decisões individuais aos pares, imperativo dos tribunais, passou a ser na prática facultativa. Um ministro pode atuar como o demiurgo que desfaz e reescreve as leis e manda soltar, prender, calar, pagar e não pagar. A revisão do plenário, quando ocorre, não raro se depara com fatos consumados e danos irreparáveis. Mesmo o contrapeso do colegiado esbarrou no corporativismo quando dois de seus membros passaram a ter as condutas questionadas no escândalo do Master. O encastelamento funciona como estímulo para que ministros reforcem as decisões singulares visando à autoproteção. Esvai-se a esperança de que comecem dentro do Supremo os ajustes para desbastá-lo dos superpoderes estranhos à República. Os ministros mostram-se incapazes de adotar um mero código de comportamentos óbvios, que já deveriam ser moeda corrente. É inevitável que caminhe no Congresso uma reforma para recolocar o STF em seu lugar constitucional.”

Leblon Equities

 📈 *Para a Leblon Equities, alta até agora é ‘recuperaçãozinha’ perto do que está por vir-Valor* _Para Pedro Rudge, sócio-fundador da casa,...