sexta-feira, 5 de junho de 2026

BDM Matinal Riscala

 *Bom dia Mercado*


*Sexta-feira,5 de junho de 2026*


*Trégua anima, payroll decide*


… O mercado chega à sexta-feira dividido entre duas narrativas. De um lado, a queda do petróleo e a recuperação do apetite por risco refletem a aposta de que Donald Trump fará o possível para evitar uma nova escalada no Oriente Médio, reduzindo o risco de um choque mais duradouro sobre inflação e juros globais. De outro, os fatos no terreno continuam sugerindo que um acordo permanece distante, com Irã e Hezbollah rejeitando condições centrais defendidas por Washington. Nesse ambiente de alívio cauteloso, as atenções se voltam agora para o payroll de maio, principal evento da agenda global, em busca de sinais sobre a força da economia americana e os próximos passos do Fed.


GUERRA COMPRA TRUMP – O mercado voltou a reduzir o prêmio de risco da guerra no Oriente Médio após Donald Trump reforçar que as negociações com o Irã estão na fase final e afirmar que a reabertura do Estreito de Ormuz fará parte de um eventual acordo.


… A reação foi imediata nos ativos: o Brent caiu mais de 3% nesta quinta-feira, o Dow Jones renovou máximas históricas e os juros dos Treasuries recuaram, em um movimento que ajudou a aliviar parte dos temores de um novo choque inflacionário global.


… O problema é que os fatos no terreno contam uma história bem mais complexa do que a refletida pelos preços.


… Enquanto Trump insiste que as conversas avançam e fala até em uma possível reunião com a liderança iraniana, o ministro das Relações Exteriores do Irã afirma que as negociações estão paralisadas e que nenhum progresso tangível foi alcançado.


… Ao mesmo tempo, os confrontos continuam e os principais atores envolvidos seguem impondo condições difíceis de conciliar.


… Um dos pontos centrais está no Líbano. O mercado recebeu bem o anúncio de um novo cessar-fogo entre Israel e o governo libanês, mediado pelos Estados Unidos. Mas a questão é que uma coisa é negociar com Beirute; outra bem diferente é obter a adesão do Hezbollah.


… A principal força militar envolvida no conflito rejeitou as condições apresentadas pelos Estados Unidos e voltou a afirmar que não aceitará qualquer acordo que esteja condicionado ao seu desarmamento ou à limitação de sua presença no sul do país.


… O endurecimento do discurso também apareceu do lado iraniano.


… A Guarda Revolucionária voltou a afirmar que não haverá estabilidade regional sem a retirada de Israel dos territórios ocupados no Líbano e condicionou qualquer entendimento mais amplo ao fim das operações militares israelenses.


… Na prática, tanto Teerã quanto o Hezbollah demonstram que continuam longe de aceitar os termos que Washington tenta vender ao mercado.


… Isso ajuda a explicar uma aparente contradição observada nesta quinta-feira: o petróleo caiu de forma expressiva apesar de o Hezbollah ter rejeitado a proposta de cessar-fogo, de o Irã continuar falando em negociações travadas e de os combates seguirem ativos.


… Em outras palavras, os preços reagiram mais às intenções declaradas por Trump do que aos acontecimentos concretos no terreno.


… A percepção dominante é que a Casa Branca fará quase tudo para evitar uma nova escalada militar. Relatos da imprensa americana indicam que Trump estaria disposto a tolerar episódios pontuais de tensão, desde que não envolvam mortes de militares americanos.


… Trump chegou a cogitar um encontro com o aiatolá Mojtaba Khamenei, em mais um gesto de que está politicamente investido em uma solução negociada para a guerra. Ou, de que parece estar desesperado para encontrar uma saída.


… Enquanto isso, a própria Câmara dos Representantes aprovou uma resolução para limitar a ação militar dos Estados Unidos contra o Irã, reforçando o desgaste político crescente do conflito dentro do país.


… Nesse contexto, o mercado parece menos confiante em um acordo iminente e mais confiante na disposição de Trump.


… A aposta não é necessariamente na paz, mas na redução da probabilidade de um cenário extremo envolvendo o fechamento prolongado de Ormuz, ataques diretos entre Estados Unidos e Irã ou uma expansão da guerra para outras frentes da região.


… Ainda assim, a distância entre a narrativa e a execução permanece significativa.


… A principal pergunta para os próximos dias não é se Trump quer encerrar a guerra — isso ele já deixou claro diversas vezes. A questão é se ele conseguirá convencer Israel, Irã e o Hezbollah a aceitarem condições compatíveis com esse objetivo.


… Por enquanto, o mercado continua comprando a disposição de Trump para encerrar a guerra. Os fatos, porém, ainda sugerem que os obstáculos para um acordo duradouro permanecem todos sobre a mesa – o que significa que o risco de volatilidade continua vivo.


A PRÓXIMA VÍTIMA – Depois de afirmar que está perto de encerrar a guerra com o Irã, Trump indicou que Cuba pode entrar na sua lista.


… Segundo ele, a população cubana “quer terrivelmente” que os Estados Unidos cuidem do país e prometeu que fará isso quando concluir as negociações no Oriente Médio. Trump chegou a sugerir investimentos na ilha e voltou a criticar Venezuela, Índia e Rússia.


A OUTRA GUERRA – Enquanto os holofotes globais permanecem voltados para o Oriente Médio, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, fez um novo movimento diplomático ao propor negociações diretas com Vladimir Putin para encerrar a guerra iniciada em 2022.


… Em carta aberta, Zelensky sugeriu um encontro presencial em país neutro, como Suíça, Turquia ou algum Estado árabe, e reconheceu que a atenção dos Estados Unidos está concentrada no conflito envolvendo Irã e Israel.


… Trump apoiou a ideia de uma reunião entre os dois líderes e disse que ambos os lados precisarão fazer concessões para alcançar um acordo.


PAYROLL – Depois dos dados mais fortes do relatório JOLTS e da pesquisa ADP, o mercado chega ao payroll de maio com expectativa de desaceleração gradual do mercado de trabalho americano, mas sem sinais de enfraquecimento abrupto da economia.


… A mediana das projeções compiladas pelo Broadcast aponta para a criação de 85 mil vagas, abaixo das 115 mil abertas em abril, com taxa de desemprego estável em 4,3% e avanço de 0,3% nos salários. O relatório de emprego será divulgado às 9h30.


… O dado ganha ainda mais relevância após a queda do petróleo e o alívio recente nos Treasuries, que reduziram parte dos temores de inflação associados à guerra no Oriente Médio. Um resultado em linha deve manter o Fed em compasso de espera.


… Já uma surpresa para cima deve reforçar apostas em alta dos juros, enquanto um número muito fraco recolocaria no radar preocupações com o crescimento americano. O payroll é, portanto, decisivo para projetar as expectativas para a política monetária.


… Nas apostas do mercado, de acordo com a ferramenta de monitoramento do CME Group, as chances de que o Fed mantenha os juros inalterados são majoritárias até outubro deste ano. Para dezembro e janeiro, a principal possibilidade é de um aperto.


FED – Ainda assim, a presidente da distrital de São Francisco, Mary Daly, reforçou que a inflação segue sendo a principal preocupação do banco central americano, mas avaliou que a política monetária está bem posicionada para lidar com os riscos atuais.


… Segundo ela, a recente pressão sobre os preços está mais relacionada ao petróleo e às tarifas comerciais do que à inteligência artificial, que ainda não produziu efeitos mensuráveis sobre a inflação ou a produtividade.


… Daly também afirmou que o mercado de trabalho parece estar em fase de estabilização e que muitas empresas estão apenas adiando contratações enquanto avaliam os impactos da IA sobre seus modelos de negócio.


… Para a dirigente, o grande teste para medir os efeitos econômicos da nova tecnologia deve ocorrer ao longo de 2027.


… No Livro Bege nesta semana, o Fed já apontou que os preços aumentaram em um ritmo moderado a forte no geral, com a maioria dos distritos relatando inflação mais alta do que no relatório anterior.


… Os distritos também observaram que os custos relacionados à energia, ligados ao conflito no Oriente Médio, foram o principal fator das pressões inflacionárias, com repercussões nos setores de transporte, embalagens, alimentos e fertilizantes.


MAIS NADA HOJE – Além do payroll, a agenda só prevê produção e vendas de veículos em maio no Brasil, às 11h.


FMI PEDE CAUTELA – O FMI voltou a alertar para os riscos inflacionários associados à guerra no Oriente Médio e ao aumento dos custos de energia, defendendo uma postura cautelosa do Federal Reserve.


… A instituição agora prevê que a inflação americana só retornará à meta de 2% no fim de 2027, e não mais em meados do ano, diante do repasse gradual dos preços de energia e das tarifas comerciais para a economia.


… O Fundo também observou que o petróleo segue negociado acima dos níveis considerados em suas projeções de abril e alertou que a trajetória da commodity continuará dependente da duração do conflito e da reabertura do Estreito de Ormuz.


FITCH – A agência de classificação de risco reduziu nesta quinta-feira sua projeção para o crescimento global em 2026 de 2,6% para 2,4%, citando os impactos da guerra no Oriente Médio, do choque do petróleo e do fechamento do Estreito de Ormuz.


… A Fitch também revisou para baixo as estimativas para os Estados Unidos e a zona do euro e passou a prever que o Fed manterá os juros inalterados neste ano, abandonando a expectativa anterior de dois cortes.


… Para o Brasil, porém, elevou a projeção de crescimento para 2,1% em 2026, refletindo o bom desempenho da atividade no primeiro trimestre. Já para 2027, espera desaceleração diante de menor impulso fiscal, inflação mais persistente e um ciclo de queda da Selic mais gradual.


… Na quarta-feira, mais casas migraram suas projeções para a Selic terminal em 2026 a 14% ou mais, enquanto as apostas na curva de juros já mostram o mercado dividido entre corte de 0,25 ponto este mês e manutenção da taxa nos atuais 14,50% (leia abaixo).


TARIFAÇO – A nova ofensiva tarifária dos Estados Unidos contra o Brasil começou a produzir repercussões políticas dos dois lados.


… Enquanto o governo brasileiro intensificou a defesa contra as acusações americanas e afirmou que os argumentos utilizados por Washington não são legítimos, a disputa comercial passou a se misturar cada vez mais com a corrida presidencial de 2026.


… Parlamentares da base governista desembarcaram em Washington para defender a posição brasileira contra o tarifaço, em meio à crescente politização da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos.


… Ao mesmo tempo, integrantes do governo Trump deixaram claro que a pressão sobre o Brasil vai além das questões já levantadas na investigação comercial e parecem atingir diretamente temas como o Pix e big techs.


… O secretário do Tesouro, Scott Bessent, citou nominalmente o País ao afirmar que Washington “atua contra iniciativas de tributação de serviços digitais que afetem empresas americanas de tecnologia”. Apesar da escalada retórica, o governo brasileiro ainda aposta na negociação.


… O chanceler Mauro Vieira afirmou que o Brasil já apresentou respostas técnicas às acusações americanas e disse esperar que elas sejam consideradas durante as audiências previstas para julho.


… Um dia após recomendar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros por supostas práticas comerciais consideradas irregulares, o USTR propôs uma sobretaxa adicional de 12,5% sob a alegação de que o País não impede a importação de bens produzidos com trabalho forçado.


… É verdade que, neste segundo caso, os Estados Unidos aplicaram a tarifa para mais 58 países e a UE, atingindo muitos aliados. Mas aqui, caso as medidas avancem, determinados produtos brasileiros poderão enfrentar tarifas acumuladas de até 37,5%, segundo a Amcham Brasil.


CURTAS DA POLÍTICA – O Instituto Vox divulga nesta sexta-feira nova pesquisa de intenção de voto para a eleição presidencial, realizada entre os dias 1º e 3 de junho, e que abordou temas como o fim da escala 6×1 e a repercussão da viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos.


TERCEIRA VIA. Pesquisa qualitativa da Genial/Quaest, nesta quinta, mostrou que eleitores independentes continuam buscando uma alternativa à polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, mas não enxergam hoje um nome capaz de romper essa dinâmica.


… Segundo o levantamento, Caiado, Zema e Renan Santos enfrentam dificuldades de conhecimento nacional ou de viabilidade eleitoral.


PCC.Pesquisa AtlasIntel mostra que 53,1% dos brasileiros aprovam a decisão dos Estados Unidos de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. O levantamento também aponta divisão semelhante sobre os impactos da medida para a soberania nacional.


MARCHA PARA JESUS. Flávio Bolsonaro participou ao lado de Tarcísio e Ricardo Nunes, adotando expressões religiosas na campanha eleitoral, como que a disputa é uma “guerra espiritual” e que o atual governo representa o “mundo do mal, que será derrotado”.


NÃO FUI. Já Lula afirmou que não participou da Marcha para não tirar proveito político de um evento religioso.


DARK HORSE. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, foi sorteado relator de ações envolvendo Flávio Bolsonaro e o financiamento do filme de Jair Bolsonaro, incluindo questionamentos sobre pesquisa eleitoral, propaganda antecipada e possível abuso de poder econômico.


ROTAÇÃO DE ATIVOS – As bolsas americanas tiveram uma sessão mista ontem, com o Dow Jones registrando forte alta e renovando seu recorde de fechamento, enquanto o Nasdaq terminou no vermelho.


… Investidores embolsaram ganhos recentes com as ações de tecnologia e foram às compras de papéis de bancos, saúde e varejo. O movimento foi apoiado pela melhora na percepção de risco sobre os conflitos no Oriente Médio.


… Dow Jones subiu 1,73% (51.561,93 pontos). S&P 500, +0,41% (7.584,31 pontos). Já o Nasdaq teve leve queda de 0,09% (26.830,96 pontos).


… As principais altas do dia foram: Humana (+6,80%), UnitedHealth (+5,16%), Goldman Sachs (+4,96%), Merck (+4,85%), American Express (+3,98%), JP Morgan (+3,34%), Amazon (+1,51%) e Walmart (+0,73%).


… Entre as techs, Broadcom caiu 12,6% após a fabricante chips de IA para outras gigantes do setor, trazer balanço abaixo do esperado na noite de quarta-feira. Micron (-7,8%), ARM (-4,47%) e AMD (-3,6%) acompanharam.


ADRS MISTOS – A melhora do apetite por risco nos mercados internacionais ajudou apenas parte dos papéis brasileiros listados em Nova York ontem, quando a bolsa brasileira ficou fechada devido ao feriado de Corpus Christi.


… O ETF MSCI Brazil (EWZ) subiu 0,40%. Os bancos ficaram mistos: Itaú (+0,66%); os ADRs de Bradesco PN (+0,30%) e ON (-0,33%). Os recibos de Petrobras ON (-0,71%) e PN (-0,55%) sentiram a queda do petróleo.


… Vale (-1,81%) caiu forte, enquanto Embraer saltou 2,37%. Já Axia registrou baixa de 0,40%, Ambev recuou 0,96% e Gerdau perdeu 0,84%.


ALPHABET CONSEGUE MAIS – A controladora do Google captou US$ 84,75 bilhões em sua oferta de ações, acima dos US$ 80 bilhões planejados inicialmente. Os recursos serão destinados a acelerar os investimentos em IA.


… A companhia vendeu cerca de US$ 18 bilhões em ações das classes A e C, acima dos US$ 15 bilhões previstos. E levantou US$ 16,8 bilhões em ações preferenciais conversíveis, ante a previsão de US$ 15 bilhões.


… Esses papéis preferenciais oferecem rendimento de dividendos de 6,25% e serão convertidos em ordinários após três anos. A operação incluiu ainda a emissão de US$ 10 bilhões em ações para a Berkshire Hathaway.


… A operação prevê também um programa de venda gradual de até US$ 40 bilhões em ações no mercado, que permitirá à companhia captar recursos mais lentamente a partir do terceiro trimestre.


A PREÇO DE FOGUETE – A SpaceX confirmou informação antecipada pela Reuters na terça-feira, de que seu IPO terá preço definido previamente, de US$ 135 por ação, algo incomum em Wall Street.


… A empresa aeroespacial de Elon Musk quer vender 556,6 milhões de ações e captar US$ 74,4 bilhões, conforme documento entregue à SEC na quarta-feira. A oferta encerra no dia 11, com estreia na Nasdaq no dia seguinte.


… Se houver a venda do lote suplementar, a captação pode chegar a US$ 85,7 bilhões. A SpaceX busca uma avaliação no IPO de US$ 1,77 trilhão. Porém, analistas da Morningstar acham que a empresa vale apenas US$ 780 bilhões.


… O roadshow começou ontem. Goldman Sachs, Morgan Stanley, Bank of America, Citigroup e JPMorgan Chase lideram a oferta, que conta com outros 18 bancos participantes, incluindo o brasileiro BTG.


AGORA VAI – O petróleo devolveu parte da alta recente com o anúncio do cessar-fogo entre o Líbano e Israel, intermediado pelos Estados Unidos, o que aumentou a expectativa em relação a um acordo com o Irã.


… Porém, assim como ocorreu outras vezes, o cessar-fogo já se mostra frágil, com relatos de ataques mesmo após o acordo. Além disso, o Hezbollah rejeitou os termos discutidos e Israel afirmou que não vai retirar as tropas do Líbano.


… Apesar dos impasses, prevaleceu o otimismo entre os investidores de que as negociações entre Estados Unidos e Irã podem avançar. O Brent para agosto caiu 2,84%, a US$ 95,03 por barril. O WTI para julho recuou 3,10%, a US$ 93,04.


SUSTO NA COREIA – O índice Kospi chegou a cair mais de 6% na manhã desta sexta-feira na Coreia do Sul, pressionado por uma forte realização de lucros nas ações da Samsung Electronics e da SK Hynix.


… Juntos, os dois papéis representam 54% da carteira teórica do índice sul-coreano, que acumula uma alta impressionante de 100% neste ano. As duas empresas têm se beneficiado da demanda de chips para IA.


… Analistas ouvidos pela Bloomberg afirmam que, por causa dos ganhos concentrados nessas duas empresas, a bolsa sul-coreana está muito vulnerável a uma correção mais acentuada.


… “Por enquanto, estou mais preocupado com sinais de superaquecimento nas posições do mercado do que com uma deterioração nos fundamentos”, disse Ha SeokKeun, diretor de investimentos da Eugene Asset Management.


… “Espero um período de maior volatilidade e consolidação nos próximos um a dois meses.”


RECALIBRAGEM – Os juros futuros subiram até 40 pontos-base em alguns vértices na quarta-feira, com o mercado desmontando posições compradas e dobrando a aposta de que o Copom fará uma pausa nos cortes já neste mês.


… O clima de incertezas no exterior se somou aos dados recentes da economia doméstica, com inflação resiliente e atividade aquecida. Algumas casas revisaram suas previsões para a Selic no fim de 2026, com 14% ganhando força.


… A curva de juros, que no começo da semana mostrava corte de 0,25 pp no Copom deste mês como aposta majoritária, fechou na quarta-feira com 50% de chance de manutenção, disse Flávio Serrano, do BMG, ao Broadcast.


… Na agenda do dia, a produção industrial subiu 0,7% em abril, acima do esperado (+0,4%), e acelerando em relação à alta de 0,1% de março.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 14,275% (de 14,175% no ajuste anterior); Jan/28 a 14,340% (14,045%); Jan/29 a 14,375% (13,980%); Jan/31 a 14,345% (13,960%); e Jan/33 a 14,375% (14,026%).


… O dólar (+1,14%, a R$ 5,0668) também subiu na quarta-feira, em meio ao clima de maior aversão ao risco no exterior e ao ruído doméstico provocado pelas tarifas dos Estados Unidos, com investidor buscando proteção antes do feriado.


… O mercado também avaliou o relatório ADP, que mostrou criação de 122 mil empregos no setor privado dos Estados Unidos, pouco acima do esperado (117 mil), o que pode abrir espaço para o Fed subir os juros neste ano.


… Ontem, a retomada do apetite por risco com o cessar-fogo entre Israel e Líbano fez o dólar recuar frente aos pares lá fora (DXY -0,10%, aos 99,434 pontos). O euro subiu 0,11% (US$ 1,1612) e a libra ficou estável (US$ 1,3423).


SENTIU A PRESSÃO – Antes do feriado, a bolsa brasileira caiu forte, refletindo principalmente a correção nos juros futuros, após crescer a percepção no mercado de que o Banco Central poderá não cortar mais a Selic neste ano.


… O mercado também sentiu o clima de aversão ao risco no exterior, em meio a sinais de escalada da guerra no Irã. O Ibovespa fechou a quarta-feira em baixa de 2,22%, aos 170.330,63 pontos, com giro de R$ 28,1 bilhões.


… As blue chips caíram em bloco, com Vale ON (-3,78%) na mínima do dia (R$ 81,79), superando com folga o recuo do minério de ferro (-0,57%). Petrobras também fechou nas mínimas: ON -1,12%, a R$ 45,95; e PN -0,77%, a R$ 41,25.


… Os bancos encerraram no vermelho: BTG unit (-4,77%, a R$ 50,71), Santander unit (-2,34%, a R$ 26,72), Bradesco PN (-2,14%, a R$ 17,37), Itaú PN (-2,12%, a R$ 38,72) e BB ON (-1,81%, a R$ 19,53).


… Azzas ON (-8,48%, a R$ 17,38) liderou as baixas do índice, seguida de Hapvida ON (-8,26%, a R$ 11,22) e Cosan ON (-7,73%, a R$ 3,58). Na outra ponta, Copasa ON disparou 13,34% (R$ 60,00), seguida de Minerva ON (+2,29%, a R$ 3,58) e Suzano ON (+1,95, a R$ 41,22).


CIAS ABERTAS NO AFTER – EQUATORIAL foi confirmada como investidora de referência da COPASA, após a desistência do consórcio formado por sócios da AEGEA.


… Oferta por 30% da estatal mineira saiu a R$ 49,03 por ação, totalizando R$ 5,593 bilhões. Empresa indicou interesse no lote adicional de até 48 milhões de ações, o que pode elevar investimento total para R$ 7,95 bilhões.


RAÍZEN anuncia venda de ativos na Argentina para o Mercuria Energy Group por US$ 1,420 bilhão.


BRASKEM. Transferência de controle da petroquímica, da NSP (veículo de investimento da Novonor, ex-Odebrecht) para a IG4 Capital, foi concluída na quarta-feira.


… Dessa forma, entra em vigor o acordo de acionistas já aprovado entre a IG4 e a PETROBRAS, que possui 36,1% do capital total e 47% do capital votante da Braskem. A IG4 fica com 34,32% do capital total e 50,1% do votante.


… Companhia fará assembleia de acionistas no dia 8 para eleger novos membros do conselho de administração e aprovar a reformulação do Estatuto Social, para refletir as disposições do novo acordo de acionistas.


PRIO. Produção total de petróleo em maio atingiu 164.806 barris de óleo equivalente por dia (boed), queda de 5% frente aos 173.416 boed produzidos em abril.


VIBRA fará resgate antecipado da primeira série da quarta emissão de debêntures, no montante de até R$ 779 milhões. Papéis venceriam em 16 de novembro de 2028.


NUBANK. Conselho da Nu Holdings aprovou programa de recompra de ações de até US$ 1 bilhão pelo período de um ano.


LOJAS RENNER. Vice-presidente de Finanças, Daniel Martins dos Santos, acumulará cargo de diretor-presidente da Realize. Ele substituirá Paula Mazanék, que deixará a financeira no fim de julho.


BRAVA. Goldman Sachs passou a deter 8,35% do capital, sendo 6,24% por meio de derivativos de liquidação física e 2,11% por instrumentos de liquidação financeira.


ENGIE. Conselho de administração aprovou incorporação da controlada integral Companhia Energética do Jari para simplificar estrutura organizacional. Operação não acarretará aumento de capital ou direito de recesso.


CEMIG. Subsidiária Cemig Soluções Inteligentes em Energia (Cemig SIM), concluiu compra de SPE com 11 usinas fotovoltaicas no norte de Minas Gerais, com potência instalada de 26,2 MWp, por R$ 155 milhões.

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