quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Call Matinal 2201

 Call Matinal

22/01/2026

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL

 

FECHAMENTO (2101)

MERCADOS E AGENDA

No mercado brasileiro de quarta-feira (21), o Ibovespa fechou em forte alta de 3,33%, a 171.816 pts. Já no mercado cambial, o dólar caiu até a faixa de R$ 5,32 (-1,13%).

 

PRINCIPAIS MERCADOS

Os índices futuros de Nova York operam em forte alta nesta quinta-feira (22), refletindo o tom moderado do presidente dos EUA, Donald Trump, na discução da questão da Groenlândia.

 

 

 

MERCADOS 5h30

 

 

Índices

Comentários

EUA

Dow Jones Futuro: +0,23%

S&P 500 Futuro: +0,45%

Nasdaq Futuro: +0,67%

Trump recuou, argumentando apenas que terá o controle de pequenas áreas da Groelândia, com a instalação de bases americanas.

Ásia-Pacífico

 

 

 

Shanghai SE (China), +0,14%

Nikkei (Japão): +1,76%

Hang Seng Index (Hong Kong): +0,17%

Taiex (Taiwan): +1,60%

Kospi (Coréia): +0,87%

Todas as praças asiáticas fecharam em alta após o mundo ouvir de Trump um recuo em relação à uma ação armada na Groenlândia e implementação de tarifas adicionais contra a Europa.

Europa

 

 

 

STOXX 600: +1,15%

DAX (Alemanha): +1,15%

FTSE 100 (Reino Unido): +0,66%

CAC 40 (França): +1,34%

FTSE MIB (Itália): -0,32%

As bolsas europeias sobem depois de Trump dizer que não prosseguirá com a imposição de tarifas sobre a Groenlândia a países europeus e que havia chegado a um acordo preliminar sobre o território dinamarquês. 

Commodities

 

 

 

Petróleo WTI, -0,25%, a US$ 60,47 o barril

Petróleo Brent, -0,35%, a US$ 65,01 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +0,06%, a 786,50 iuanes (US$ 112,94)

 

 

NO DIA, 2201

Depois de muitas bravatas, Donald Trump acabou recuando, considerando algumas áreas da Groelândia e a instalação de bases americanas. Nada mal para quem ameaçava com uma intervenção militar. Diante disso, os mercados globais operaram ontem e hoje em alívio e euforia, diante da moderação do presidente. Outro evento, que ajudou no bom humor dos mercados, foi a audiência da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre tentativa de Trump de destituir a diretora do Fed, que indicou a tendência de mantê-la no cargo. No Brasil, o Ibovespa saltou para nova máxima histórica, encostando nos 172 mil pontos, com um volume financeiro e grande ingresso de estrangeiros, enquanto o fluxo derrubou o dólar e esvaziou os prêmios dos juros futuros. Na agenda, são destaques o PIB americano, PCE de novembro, balanço da Intel e, aqui, dados da arrecadação.

 

 

Agenda Macroeconômica Brasil

 

 

quinta-feira, 22 de Janeiro 

Brasil: Receita Federal divulga arrecadação de dezembro

 Brasil: reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN)

EUA: PIB do 3º trimestre, PCE de outubro e novembro, pedidos iniciais e contínuos de seguro-desemprego

Europa: ata da reunião de política monetária do BCE

sexta-feira, 23 de Janeiro 

PMIs preliminares: Zona do Euro, Alemanha, Reino Unido, EUA e Japão

EUA: confiança do consumidor – Universidade de Michigan

Madrugada: Banco do Japão (BoJ) anuncia decisão de política monetária e divulga o Relatório de Projeções Econômicas

 

 

Boa quinta-feira para todos! Feliz 2026 !

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Sobre o fundo soberano da Noruega

 Pegaram em dinheiro que podia ter desaparecido em uma década — e transformaram-no em 2 biliões de dólares que durarão para sempre.

Noruega, 1969. Pescadores ao largo da costa avistaram algo invulgar: plataformas petrolíferas a surgir no horizonte. O campo de Ekofisk tinha acabado de ser descoberto — uma das maiores jazidas de petróleo offshore do mundo.

O país estava prestes a ficar muito, muito rico.

É aqui que a maioria dos países produtores de petróleo comete o mesmo erro fatal. Gastam tudo. Constroem projectos de vaidade. Criam bolhas económicas. Enriquecem poucos enquanto muitos sofrem. E quando o petróleo acaba, ficam apenas com dívida e instabilidade.

Nigéria. Venezuela. Líbia. Iraque. Todos descobriram enormes riquezas petrolíferas. Todos as desperdiçaram.

A Noruega olhou para esses países e decidiu fazer algo diferente.

Em 1990, o Parlamento norueguês tomou uma decisão que mudaria para sempre a trajectória do país: poupar o dinheiro do petróleo em vez de o gastar.

Não uma parte. Quase todo.

Criaram o Government Pension Fund Global — embora toda a gente lhe chame simplesmente o Fundo do Petróleo. As regras eram simples, mas revolucionárias: todos os lucros do petróleo entrariam no fundo. O fundo investiria globalmente. E a Noruega só poderia retirar uma pequena percentagem por ano — originalmente 4%, hoje mais perto de 3%.

O resto permaneceria investido. Para sempre.

Muitos acharam que estavam loucos.

“Estão sentados em cima de uma fortuna petrolífera e não a vão usar?”, perguntavam os críticos. “As pessoas podiam ter impostos mais baixos, melhores estradas, programas públicos maiores agora. Porque estão a acumular dinheiro para pessoas que ainda nem existem?”

O governo norueguês tinha uma resposta: “Porque vão existir. E vão precisar deste dinheiro mais do que nós.”

Em 1996, foi feito o primeiro depósito no fundo: 150 milhões de dólares.

Depois fizeram algo ainda mais notável: mantiveram-se fiéis ao plano.

Ano após ano, as receitas do petróleo fluíram para o fundo. Ano após ano, o fundo investiu nos mercados globais — acções, obrigações e imobiliário em mais de 70 países. Ano após ano, os políticos resistiram à tentação de usar o fundo para ganhos políticos de curto prazo.

Isto exigiu uma disciplina extraordinária. Em cada ciclo eleitoral, havia promessas de gastar mais. Em cada recessão económica, exigia-se que o governo recorresse ao fundo. Em cada crise, surgiam apelos para quebrar as regras “só desta vez”.

A Noruega disse não. Todas as vezes.

Os gestores do fundo não tentavam bater o mercado. Não apostavam em acções da moda nem assumiam riscos excessivos. Compravam simplesmente pequenas participações em milhares de empresas em todo o mundo — cerca de 8.700 empresas em 2025 — e mantinham-nas. Diversificaram entre sectores, continentes e classes de activos.

Jogaram o jogo de longo prazo.

Em 2000, o fundo valia cerca de 50 mil milhões de dólares. Em 2010, tinha crescido para 500 mil milhões. Em 2020, ultrapassou 1 bilião.

Hoje, no final de 2025, o Fundo do Petróleo norueguês vale aproximadamente 2 biliões de dólares — tornando-se o maior fundo soberano do mundo.

2.000.000.000.000 de dólares.

Para um país com apenas 5,6 milhões de habitantes, isto equivale a cerca de 357.000 dólares por cidadão. Não que alguém receba um cheque — o fundo pertence tanto às gerações futuras como à actual. Mas os números são impressionantes.

E aqui está a parte extraordinária: mais de metade do valor do fundo não veio do petróleo. Veio dos retornos dos investimentos. Hoje, o fundo gera mais rendimento com os seus investimentos globais do que a Noruega ganha com a venda de petróleo e gás.

O país transformou riqueza petrolífera temporária em riqueza financeira permanente.

O fundo detém cerca de 1,5% de todas as empresas cotadas em bolsa no mundo. Possui imóveis em Manhattan, Londres, Paris e Tóquio. Detém participações na Apple, Microsoft, Nvidia, Amazon e milhares de outras empresas. Quando compra quase qualquer coisa de quase qualquer grande empresa, uma pequena fracção desse dinheiro regressa ao fundo da Noruega.

O governo norueguês não pode simplesmente retirar o que quiser. A regra de levantamento — cerca de 3% ao ano — garante que o fundo dure indefinidamente. Em 2024, esses 3% financiaram cerca de 25% do orçamento nacional da Noruega, sustentando educação, saúde, infra-estruturas e pensões sem esgotar o capital.

Entretanto, outros países produtores de petróleo enfrentam dificuldades. A economia da Venezuela colapsou apesar de ter as maiores reservas de petróleo do mundo. A Nigéria continua a enfrentar pobreza apesar de décadas de exportações de petróleo. Na Rússia, a riqueza petrolífera concentrou-se nas mãos de oligarcas. A Arábia Saudita tenta desesperadamente diversificar-se para reduzir a dependência do petróleo.

A Noruega? Está bem. Mais do que bem.

O petróleo acabará por se esgotar — talvez em 30 anos, talvez em 50. Não importa. Quando o último barril for extraído, a Noruega terá um fundo de 3, 4, talvez 5 biliões de dólares a gerar rendimentos para sempre.

Transformaram um ganho temporário em prosperidade permanente.

O fundo tem regras que vão além do simples retorno financeiro. Não investe em empresas que produzem tabaco, certas armas ou que causem danos ambientais graves. Em 2025, desinvestiu de empresas que operam em colonatos israelitas e daquelas com ligações ao exército de Myanmar. Exclui empresas de carvão e aquelas com emissões de gases com efeito de estufa inaceitáveis.

Sim, há ironia num fundo financiado pelo petróleo evitar investimentos em combustíveis fósseis. Mas esse é precisamente o objectivo: a Noruega está a usar dinheiro do petróleo para construir um futuro pós-petróleo.

O génio não esteve em descobrir petróleo. Muitos países descobriram petróleo. O génio esteve na decisão radical de poupar quase tudo, investir com prudência e resistir a todas as pressões políticas para gastar imediatamente.

Foi preciso visão para ver além do próximo ciclo eleitoral.

Foi preciso disciplina para seguir as regras durante três décadas sem excepções.

Foi preciso humildade para admitir que os futuros noruegueses mereciam esta riqueza tanto quanto os actuais.

A maioria dos países não consegue fazer isto. A maioria dos políticos não resiste à tentação. A maioria das sociedades exige gratificação imediata.

A Noruega olhou para a maldição que destruiu outros países petrolíferos e decidiu construir algo diferente: uma bênção que se multiplicaria ao longo das gerações.

Em 1996, começaram com 150 milhões de dólares.

Hoje, têm 2 biliões — e a crescer.

Dentro de 50 anos, quando os campos petrolíferos estiverem vazios e as plataformas silenciosas, as crianças norueguesas frequentarão universidades gratuitas, os doentes receberão cuidados de saúde de classe mundial e os idosos reformar-se-ão com segurança — tudo financiado por petróleo que deixou de fluir décadas antes.

Porque, em 1990, a Noruega fez uma escolha que a maioria dos países nunca faz.

Escolheu os seus netos em vez de si própria.

E esses netos — e os seus netos — viverão em prosperidade por causa disso.

Isto não é apenas boa política. É uma verdadeira lição magistral de pensamento a longo prazo.

A Noruega provou algo profundo: não é preciso ser o país mais rico para ser o mais sábio. Basta ter coragem para poupar, disciplina para esperar e visão para construir para pessoas que nunca iremos conhecer.

Descobriram petróleo em 1969.

Criaram um fundo em 1990.

Hoje, detêm 1,5% do mundo.

E conseguiram-no fazendo aquilo que quase ninguém consegue: dizer não ao dinheiro fácil hoje e sim à riqueza permanente de amanhã.

Anderson Nunes

 *TRUMP INCENDEIA DAVOS - MC 21/01/26*

*Por Anderson Nunes - Analista Político.*


O apetite agressivo de Donald Trump contra a Europa e sua insistência em anexar a Groenlândia aceleram uma fuga de capitais dos Estados Unidos que beneficia o Ibovespa.


*REAÇÃO EUROPEIA E DAVOS*


O Parlamento Europeu suspendeu a tramitação de um acordo comercial com os EUA após as ameaças de anexar a Groenlândia e imposição de tarifas sobre aliados. A Alemanha avalia boicotar a Copa do Mundo de 2026 em protesto contra a postura agressiva da Casa Branca na economia e na diplomacia.


*LULA NA MIRA DA DIPLOMACIA AMERICANA*


O presidente brasileiro foi convidado por Trump para integrar um Conselho de Paz sobre o conflito em Gaza, visando legitimar as iniciativas de Washington. O Planalto avalia os termos da proposta com cautela para evitar um alinhamento que comprometa a neutralidade diplomática.


*RESTRIÇÃO DE VISTOS NOS EUA*


O Departamento de Estado suspendeu novos vistos de imigração para 75 países com o objetivo declarado de reduzir gastos com assistência social. A medida reflete o endurecimento da política externa republicana e acerta diretamente os planos de brasileiros que buscam residência legal na América do Norte.


*FISCALIZAÇÃO BANCÁRIA RECORDE*


O Banco Central realizou quase mil processos de interferência em instituições financeiras desde 1966 com foco em liquidações extrajudiciais para proteger o sistema. O caso do Banco Master marca o maior ressarcimento da história financeira do país com estimativa de R$ 41 bilhões a serem pagos pelo FGC.


*TCU EXIGE TRANSPARÊNCIA FISCAL*


A área técnica do tribunal deu um ultimato ao governo para corrigir gastos realizados fora do Orçamento em prazos de até 180 dias. A medida tenta restaurar a credibilidade da política fiscal brasileira após a identificação de manobras contábeis em programas sociais.


*CONFLITOS EM BRASÍLIA*


O ministro Dias Toffoli agendou depoimentos de diretores do Banco Master enquanto a CVM rejeitou a proposta de transferir a regulação de fundos para o Banco Central. No Legislativo, o deputado Nikolas Ferreira lidera uma caminhada até a capital para protestar contra as prisões relacionadas aos atos de 8 de janeiro.


*RADAR CORPORATIVO*


1. Petrobras investirá R$ 6 bilhões para transformar a refinaria Riograndense na primeira biorrefinaria do consórcio com Braskem e Ultrapar.

2. Netflix encerrou 2025 com 325 milhões de assinantes e lucro líquido anual de quase 11 bilhões de dólares.

3. Sony e TCL fecharam parceria para que a gigante chinesa assuma a produção e o controle da divisão de televisores da marca japonesa.

4. Multiplan: A companhia confirmou um ataque cibernético no aplicativo Multi com vazamento de dados de cartões de crédito, o que gera alerta sobre segurança digital.

5. Setor de Educação: Yduqs e Ser Educacional enfrentam pessimismo do mercado após o Enamed reprovar mais de 30% dos cursos de medicina avaliados.

6. BRB: A Mastercard adquiriu cerca de 7% do capital do banco, movimento que fortalece a capitalização e a governança da instituição brasiliense.

7. Sabesp: A empresa informou que a aquisição do controle da Emae avançou após o aval do Cade, restando apenas formalidades contratuais para a conclusão.

8. Copasa: O Citi elevou o preço-alvo da ação para R$ 55 após incorporar os dados finais da revisão tarifária que favorecem a geração de caixa.

9. Minerva: O conselho homologou um novo aumento de capital, reforçando a estrutura financeira da companhia para sustentar suas operações de exportação.


O Canal Auxiliando usa as seguintes fontes de notícias: 'Monitor do Mercado, BDM, Broadcast, Valor Econômico, Folha de São Paulo, Estadão, O Globo, BM&C, B3, Revista Oeste, Poder 360, Money Times, Agência CMA, Agência Brasil, Bloomberg, Infomoney, CNN, The Washington Post, The Wall Street Journal, Fox Business, Reuters, Oil Price, Investing e Yahoo Finance'.

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Trump discursa às 10h30 em Davos*


Ao meio-dia, em um teste à independência do Fed, a Suprema Corte julga o caso da diretora Lisa Cook, de quem Trump quer se livrar.

… O tombo da Netflix no after hours em Nova York após a decepção com o guidance no balanço pode acentuar o sell-off das techs, que derrubou as bolsas americanas, ampliando a aversão ao risco com o aumento das tensões de Washington contra a Europa. Nesta terça-feira, Trump intensificou sua ofensiva diplomática e comercial, ao ameaçar com tarifa de 200% sobre vinhos e champanhes franceses. Hoje, o presidente discursa em Davos, às 10h30, em mais uma agenda de volatilidade envolvendo sua determinação em anexar a Groenlândia. Ao meio-dia, em um teste à independência do Fed, a Suprema Corte julga o caso da diretora Lisa Cook, de quem Trump quer se livrar.

O FATOR TRUMP – Os mercados não têm um dia de paz com o presidente dos Estados Unidos ocupando a mídia em tempo integral para reforçar sua retórica contra todo aquele que ouse contrariar os seus objetivos, hoje focados na conquista da Groenlândia.

… Nesta terça, a ameaça foi feita diretamente a Macron, que tem sido a voz de maior resistência entre os europeus à nova investida.

… Além de anunciar a ideia de taxar os vinhos franceses, Trump disse que não vai a uma reunião do G7 nesta quinta-feira, em Paris. “Eu me dou muito bem com Starmer e Macron, me tratam bem, mas ficam um pouco mais valentes quando não estou por perto.”


… Questionado sobre até onde está disposto a ir para adquirir a Groenlândia, Trump disse aos repórteres: “Vocês vão descobrir”.


… Logo em seguida, porém, disse que, quando falar com a Groenlândia, tem certeza de que “eles ficarão entusiasmados”. Trump disse que tem muitas reuniões agendadas sobre a Groenlândia em Davos e que acredita que chegarão a um acordo que agradará a Otan.


… Enquanto isso, o primeiro-ministro da Groenlândia avisava a população para se preparar para possível invasão dos Estados Unidos. “Não é provável que haja um conflito militar, mas isso não pode ser descartado”, afirmou Jens-Frederik Nielsen, em entrevista em Nuuk.


… Uma força-tarefa, composta por representantes das autoridades locais, será formada para ajudar a população a se preparar para lidar com quaisquer interrupções na vida cotidiana. Entre as recomendações está manter alimentos suficientes para cinco dias em casa.


… Já em Davos, o secretário de Comércio, Howard Lutnick, disse que a Casa Branca taxaria ainda mais os países europeus em caso de retaliação, mas está confiante de que tudo se resolverá numa conversa de Trump com a presidente da Comissão Europeia.


… Sem mencionar Trump diretamente, Ursula von der Leyen destacou a necessidade de responder a mudanças no cenário global.


… Apesar das manifestações em favor da Groenlândia, alguns banqueiros e executivos de alto escalão presentes em Davos disseram considerar que a resposta dos líderes europeus às ações de Trump tem sido mais emocional do que pragmática.


… Foi um dia difícil em Wall Street na volta do feriado de Martin Luther King, que atrasou a reação dos mercados às ameaças de Trump contra os países da Europa, deflagradas no fim de semana. Além da queda das bolsas, o dólar perdeu e os juros dispararam (leia abaixo).


NÃO É PARA JÁ – Suprema Corte dos Estados Unidos está frustrando qualquer esperança de uma rápida reversão das tarifas de Trump.


… Os juízes devem iniciar um recesso de quatro semanas a partir de segunda-feira sem terem se pronunciado sobre os recursos pendentes contra a maioria das tarifas impostas ao longo do último ano. A próxima data para uma possível decisão é 20 de fevereiro.


O NOVO FED – O presidente Trump pode anunciar sua escolha para substituir Powell na próxima semana, informou Scott Bessent.


… A disputa está entre quatro nomes: Rick Rieder, da BlackRock; Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional; Christopher Waller, do Federal Reserve; e o ex-membro do Fed Kevin Warsh.


EU GOSTO DELE – Na entrevista para um balanço do seu primeiro ano de mandato, Trump confirmou o convite a Lula para integrar o Conselho de Paz, uma iniciativa para discutir soluções para o conflito entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza.


… “Eu convidei. Eu gosto dele”, afirmou Trump.


… Mas, ao contrário do que pode parecer, não se trata de uma especial deferência, já que foram enviados convites a mais de 60 líderes mundiais.


… Lula foi convidado para o Conselho da Paz no início desta semana e, segundo fontes da cúpula do governo ouvidas pelo Valor, o presidente ainda não decidiu se aceitará fazer parte e estaria estudando pontos previstos no documento proposto por Trump.


A PRESSÃO DO TCU – Em reportagem exclusiva do Valor, a área técnica do Tribunal de Contas da União propôs prazos que variam de 30 dias a 180 dias para que ministérios, órgãos de controle e estatais corrijam gastos e financiamentos fora do Orçamento e das regras fiscais.


… O documento reúne determinações e alertas ao governo para coibir a execução de despesas públicas à margem do orçamento, uma prática que, na avaliação da equipe, compromete a transparência e a credibilidade da política fiscal.


… As medidas constam no relatório final elaborado pela “AudFiscal” do TCU, no âmbito da auditoria relatada pelo ministro Bruno Dantas, que teve início a partir do Pé-de-Meia, após a Corte constatar a execução de parte dos recursos do programa sem trânsito pelo Orçamento.


… O processo foi enviado para o gabinete do relator, que vai decidir sobre os próximos encaminhamentos antes de levar o caso ao plenário.


AFTER HOURS – Netflix derreteu 5%, frustrada pela previsão de lucro de US$ 0,76 por ação sobre vendas de US$ 12,16 bilhões neste primeiro trimestre, abaixo do consenso dos analistas de US$ 0,81 e US$ 12,19 bi, respectivamente.


… O guidance decepcionante acabou ofuscando as boas notícias do balanço, com lucro líquido de US$ 0,56 por ação diluída no quatro trimestre, ligeiramente acima do projetado pelo mercado financeiro, de US$ 0,55.


… O faturamento da companhia de streaming, de US$ 12,05 bilhões no período, superou a projeção de US$ 11,97 bilhões e apontou um crescimento de 17,6% no comparativo com igual período de 2024.


… A Netflix ainda informou ontem à noite, em carta aos acionistas, que decidiu suspender as suas recompras de ações para acumular caixa, como parte do esforço para financiar a aquisição pendente da Warner Bros.


AGENDA FRACA – Dia esvaziado aqui prevê a segunda prévia do IGP-M (8h) e o fluxo cambial semanal, às 14h30. Em meio à crise do Master, Galípolo tem reunião, às 11h, com o vice-presidente do TCU, ministro Jorge Oliveira.


LÁ FORA – Com todas as atenções voltadas ao discurso de Trump em Davos, os indicadores nos Estados Unidos são fracos: vendas pendentes de imóveis em dezembro e investimentos em construção em setembro e outubro (12h).


… A AIE divulga o relatório mensal de petróleo às 6h30. O CPI de dezembro do Reino Unido sai cedinho (4h).


BUY BRAZIL, SELL AMERICA – Parece um paradoxo, mas não é, que o Ibovespa tenha cravado novas marcas inéditas, justamente num dia em que as bolsas americanas afundaram com o desejo de Trump de anexar a Groenlândia.


… O movimento que se desenrola parece ser de uma rotação global de carteiras, com o sell-off de ativos americanos desencadeando uma onda de fluxo positivo de recursos para outros mercados, especialmente aos emergentes.


… Pela primeira vez na história, o Ibovespa fechou acima dos 166 mil pontos, em alta de 0,87%, aos 166.276,90 pontos, depois de ter estabelecido também o melhor patamar intraday de todos os tempos, a 166.467,56 pontos.


… O giro de R$ 23,6 bilhões foi enriquecido pela presença estrangeira, que colocou as blue chips das commodities e financeiras em canal de alta. Vale ignorou a baixa de 1% do minério, virou e engatou rali de 1,92%, para R$ 80,08.


… Merrill Lynch, UBS e Morgan Stanley lideraram as compras do papel, confirmando o apetite do capital externo.


… Também a Petrobras (ON +0,85%, a R$ 34,45; e PN +0,37%, a R$ 32,29) ajudou a turbinar a bolsa, enquanto lá fora o petróleo Brent subiu 1,53%, a US$ 64,92, impulsionado pelo dólar fraco com a investida tarifária de Trump.


… Os bancos despontaram com o interesse renovado dos gringos: Santander (+2,01%; máxima de R$ 34,00);  Bradesco (PN +1,43%, a R$ 19,17; e ON +1,29%, a R$ 16,45); BB (+1,08%; R$ 21,54); e Itaú (+0,94%; R$ 39,92).


… Os frigoríficos refletiram alívio com a decisão da China de voltar a comprar frango do Rio Grande do Sul, após uma interrupção de um ano e meio. Minerva ganhou 1,80% e MBRF subiu 0,16%. Em Nova York, JBS disparou 4,36%.


… Em teoria, se o k estrangeiro está entrando aqui, diante da fuga dos Estados Unidos e a diversificação das aplicações, o dólar deveria ter caído ontem. Mas o câmbio pode ter sido usado como hedge contra a tensão externa.


… A moeda norte-americana chegou a cair pela manhã, até a faixa de R$ 5,35 (mínima de R$ 5,3596), mas encontrou piso nesta região e voltou. Fechou em alta moderada de 0,31% com a percepção de risco global, cotada a R$ 5,3805.


… Os juros futuros domésticos colaram no estresse das taxas dos Treasuries mais longos e na escalada para níveis recordes dos rendimentos dos títulos do Japão, diante das preocupações fiscais, em meio às eleições antecipadas.


… No fechamento, o contrato do DI para Janeiro de 2027 marcava 13,810% (de 13,757% no ajuste anterior); Jan/29 subia a 13,280% (contra 13,168% na véspera); Jan/31, a 13,610% (de 13,483%); e Jan/33, a 13,800% (de 13,661%).


… Faltando uma semana para o Copom, o Inter adiou o call de corte da Selic de janeiro para março.


… O banco acredita que a convergência lenta da inflação à meta e os riscos fiscais em ano de eleição devem encurtar o ciclo de afrouxamento monetário. A projeção agora é de juro terminal este ano em 12,50%, e não mais em 12%.


O VALENTÃO DA ESCOLA – As declarações de Trump contra a Europa ontem foram dadas em coletiva sobre o seu primeiro ano de mandato, quando ele ainda conseguiu derrubar o petróleo no pregão eletrônico…


… Afirmou que as petrolíferas americanas estão preparando “investimentos massivos” na Venezuela.


… A metralhadora giratória do presidente americano impôs nesta terça-feira o pior pregão às bolsas em Wall Street desde o colapso do “Dia da Libertação”, no início de abril do ano passado, quando Trump decretou o tarifaço.


… Além de as ameaças terem derrubado ontem as bolsas, acionaram uma corrida de proteção que levou o ouro a disparar quase 4% e cruzar a barreira de US$ 4.700 a onça-troy pela primeira vez na história, a US$ 4.765,80.


… Investidores globais reduziram a exposição aos ativos americanos, desbancando o dólar e os Treasuries.


… Rumores de que os líderes europeus podem retaliar os Estados Unidos se as ameaças de tarifas adicionais de até 25% se confirmarem ampliam a tensão, segundo o Swissquote Bank. A Europa tem cerca de US$ 10 trilhões em ativos americanos, incluindo US$ 4 trilhões em títulos.


… O fundo de pensão dinamarquês Akademiker Pension afirmou que venderá suas participações em Treasuries, avaliadas em US$ 100 milhões, até o fim deste mês, citando a fragilidade fiscal dos Estados Unidos.


… Com a fuga do império americano, o yield do T-Bond de 30 anos foi impulsionado ao maior nível desde setembro: 4,917%, contra 4,835% antes do feriado de Martin Luther King. A taxa da Note-10 anos foi a 4,289%, de 4,226%.


… O movimento foi potencializado pela alta expressiva dos retornos dos títulos do governo japonês (JGBs) com o fiscal no radar, após o mercado rejeitar a proposta eleitoral da premiê de reduzir os impostos sobre alimentos.


… O iene continuou fraco (-0,10%), a 158,26/US$. Com os ativos dos Estados Unidos sob a mira dos vendedores, o índice DXY fechou em queda de 0,76%, a 98,641 pontos. O euro subiu 0,57%, a US$ 1,1722, e a libra foi a US$ 1,3435.


… Enquanto Trump comprava briga com os europeus, o S&P 500 zerava os ganhos acumulados no ano e registrava a sua maior queda desde outubro (-2,06%), aos 6.796,92 pontos. O Dow Jones caiu 1,76%, para 48.488,65 pontos.


… O Nasdaq perdeu 2,39%, aos 22.954,32 pontos, e hoje pode renovar a tensão com a Netflix e Trump em Davos.


… Para a Capital Economics, só uma liquidação tripla ainda mais intensa das bolsas, dos Treasuries e do dólar, com uma saída em massa de investidores estrangeiros de ativos americanos, convenceria o republicano a recuar.


CIAS ABERTAS NO AFTER – BRB destituiu a diretora executiva de Controles e Riscos (DICOR), Luana de Andrade Ribeiro, e anunciou a eleição para o cargo de Ana Paula Teixeira, que terá o nome encaminhado ao BC…


… Antônio José Barreto de Araújo Júnior foi eleito para a diretoria executiva de Finanças, Controladoria e Relações com Investidores (DIFIC)…


… O BRB informou que a Mastercard Brasil adquiriu 33.684.706 ações, o equivalente a 6,93% do capital social do banco. O montante é distribuído em 11.750.000 ações ordinárias (3,67%) e 21.934.706 ações preferenciais (13,21%).


SABESP se manifestou sobre a transferência do controle societário da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), após aval do Cade sem restrições, com anuência prévia da Aneel…


… Segundo a companhia, a transferência do controle da Emae ainda depende do cumprimento de formalidades contratuais previstas nos acordos de compra e venda, processo que se encontra em fase de implementação…


… A operação, divulgada inicialmente em 5 de outubro do ano passado, prevê a aquisição das ações da Emae, hoje detidas pela Vórtx Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários e pela Axia Energia, antiga Eletrobras.


MINERVA. Conselho aprovou homologação do aumento do capital social no valor de R$ 44.593,40, dentro do limite do capital autorizado. Aumento decorre do exercício de bônus de subscrição por determinados titulares…


… Com a operação, capital social da empresa passou de R$ 3.133.366.108,72 para R$ 3.133.410.702,12, mediante a emissão de 8.909 novas ações ordinárias.


MULTIPLAN confirmou que seu aplicativo, o Multi, sofreu um ataque cibernético no dia 10 de janeiro e que houve vazamento de alguns dados de clientes, como os quatro últimos dígitos dos cartões de crédito.


EDUCAÇÃO. Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) entrou na Justiça para invalidar os dados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), que reprovou mais de 30% dos cursos de medicina…


… Entre analistas de mercado, Yduqs e Ser Educacional são apontadas como as instituições que tiveram maior exposição negativa aos resultados do Enamed…


… Em contrapartida, empresas como Cogna, Anima e Vitru possuem exposições significativamente menores e são vistas como mais protegidas nesse cenário.


TENDA realizou uma reorganização estratégica em sua diretoria executiva para elevar a eficiência operacional das duas unidades de negócio, Tenda e Alea, além de acelerar sinergias…


… O movimento inclui a criação da diretoria executiva de Digital e Marketing da holding, que será ocupada por Luis Gustavo S. Martini, até então diretor-executivo da Alea…


… Demais diretores da subsidiária se reportarão diretamente ao presidente-executivo da Tenda, Rodrigo Osmo.


ONCOCLÍNICAS informou que Cinthia Maria Ambrogi deixará o cargo de diretora executiva jurídica, de compliance e ESG da companhia, permanecendo no posto até 1º de fevereiro.


MOTIVA. Citi cortou preço-alvo da ação de R$ 16 para R$ 15, mantendo recomendação neutra, com avaliação refletindo uma taxa interna de retorno real (IRR) de 10% para o papel.


COPASA. Citi reiterou recomendação de compra para a ação e elevou o preço-alvo de R$ 45 para R$ 55, após incorporar números finais da revisão tarifária da companhia divulgados em dezembro.


SIMPAR fechou 2025 com receita bruta de R$ 48,1 bilhões, alta anual de 6,5%, segundo prévia operacional.


DEXCO celebrou contrato de venda de excedente de madeira em pé, referente a aproximadamente 1,2 milhão de metros cúbicos de ativos florestais, para um player do setor de madeira; empresa não divulgou valores.

Bankinter Matinal Portugal

 Análise Bankinter Portugal 


NY -2,1% US tech -2,1% US semis -1,7% UEM -0,6% España -1,3% VIX 20,1% Bund 2,86% T-Note 4,27% Spread 2A-10A USA=+69pb B10A: ESP 3,25% PT 3,24% FRA 3,53% ITA 3,46% Euribor 12m 2,236% (fut.2,392%) USD 1,172 JPY 185,4 Ouro 4.848$ Brent 64,2$ WTI 59,8$ Bitcoin -1,7% (89.540$) Ether -4,8% (2.977$).


SESSÃO: Estamos numa fase curta de retirada tática por medo, na qual os semis aguentam melhor do que o resto. Esta é uma mudança relevante. Este medo passará rapidamente, já que o desenvolvimento sobre a Gronelândia será bom de uma perspetiva geoestratégica e dará apoio ao mercado com uma perspetiva de médio prazo: consistirá num acordo de defesa conjunto EUA/UE liderado pelos EUA e submetido aos critérios militares dos EUA que se financiará (porque defender o Ártico será muito caro) com as matérias-primas extraídas na Gronelândia, cuja política sobre este assunto deverá mudar, a não ser que prefira ser um território de ultramar chinês ou russo, ao estilo dos territórios de ultramar do século XIX. Por isso, a nossa estratégia/recomendação perante esta fase de instabilidade, consequência da imprevisibilidade dominante, é não alterar nenhuma posição: permanecer investido em ativos de qualidade (semis, cibersegurança, tech, defesa, bancos e utilities) sem tomar nenhuma decisão diferente, mas aguentar. Em todo o caso, comprar algo mais do mesmo a preços um pouco melhores. Quem diz agora que é preciso procurar refúgio no ouro, na prata, no franco suíço e similares está  a dizer uma obviedade, típica de  uma visão de curto prazo e que todos já sabem, porque todos já perceberam e sofrem com isso nesta altura. Em situações como esta, não tomar nenhuma decisão diferente é uma boa decisão... mais difícil do que parece, porque manter a calma no meio da confusão tem o seu mérito. Isso é o mais importante. A seguir, vamos aos detalhes do dia. Em flashes, para abreviar.


12:30 h/14:15 h Trump fala em Davos. Ele vai chegar, mesmo que o avião tenha avariado. Vai ser tão imprevisível quanto divertido. No fundo, não importa muito o que diga. Por isso, o mercado hoje pode terminar de qualquer forma ou o contrário. Mas, sim, é o evento do dia e talvez da semana.


Netflix publicou ontem, no fecho de Nova Iorque, batendo expetativas, mas guidance fraco e, além disso, melhora a sua oferta sobre Warner. Por isso, -5% em aftermarket.


Publicam na abertura de Nova Iorque: Halliburton (EPS 0,545 $), J&J (2,471 $), Travelers (8,817 $) e Charles Schwab (1,393 $).


Elon Musk pondera comprar Ryanair, não se sabe se é verdade, já que perguntou isso no X/Twitter (de sua propriedade) aos seus seguidores depois da companhia aérea rejeitar empregar Starlink para dar cobertura de internet.


Reino Unido. Inflação de dezembro: +3,4% vs. +3,3% esperado vs. +3,2% anterior. Subjacente repete em +3,2% vs. +3,3% esperado. Não é uma inflação boa, mas parece compatível com as 2 descidas de taxas de juros do BoE que estimamos para este ano, também porque o emprego não avança bem (desemprego 5,1%, máx. de 5 anos): 2 x -25 p.b., até 3,25% vs. 3,75% atual.  


CONCLUSÃO: Não fazemos ideia, sinceramente. Os futuros vêm a subir um pouco (+0,1%/+0,2%) depois do golpe de ontem, que parece excessivo, mas é impossível estimar algo fiável porque a intervenção de Trump (13:30) é a única coisa que conta e a imprevisibilidade faz parte da sua estratégia. É o equivalente militar ao fator surpresa, mas em versão muito vulgarizada. A lógica convida a pensar que, conhecendo o seu padrão de comportamento, já tenha a dialética sobre a Gronelândia no limite e que, por isso, começará a enfraquecer a partir de agora. Pode ser hoje mesmo, em Davos. Isso pode proporcionar uma falsa impressão de serenidade progressiva, quando, na realidade, será um tempo de descanso até à sua próxima etapa de histrionismo. Isto parece o mais razoável… mas o seu desenvolvimento pode ser o contrário. O mais importante é não perder a perspetiva, não tomar nenhuma decisão importante e, principalmente, não perder o bom humor. 


FIM

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

BDM Matinal Riscala

 *Bom Dia Mercado*

Terça Feira, 20 de Janeiro de 2.026.

*Trump em três frentes de barulho*


… Os futuros de NY caíam forte na volta do feriado, em reação às ameaças tarifárias de Trump sobre a Europa para conquistar a Groenlândia. O tema domina o Fórum de Davos, onde o mundo econômico se concentra e aguarda pelo discurso do presidente dos Estados Unidos amanhã. Mas Trump é assunto em mais duas frentes que podem causar muito barulho. Também amanhã, a Suprema Corte deve julgar o caso de Lisa Cook, a diretora do Fed que Trump quer tirar do cargo, e já hoje uma outra bomba pode explodir com o julgamento da legalidade das tarifas pelo Tribunal. Em caso de derrota, a Casa Branca avisou que novos impostos serão decretados imediatamente.


É TIRO E QUEDA – O governo Trump planeja substituir quaisquer tarifas que venham a ser derrubadas pela Suprema Corte por novos tributos. A informação foi confirmada pelo representante comercial americano, Jamieson Greer, ao New York Times.


… Embora confiante em uma decisão favorável do tribunal sobre o uso da lei de emergência de 1977 que sustenta grande parte das tarifas atuais, Greer disse que o presidente dispõe de várias alternativas legais para manter as tarifas como elemento central de sua política comercial.


… Greer antecipou ainda que o governo “começaria no dia seguinte” a substituir as tarifas por outros impostos.


… A Suprema Corte pode decidir sobre as tarifas já nesta terça-feira ou nos próximos dias. A contestação das taxas que estão sendo avaliadas pela Suprema Corte marca um teste importante dos poderes presidenciais, questionados até mesmo por republicanos.


TARIFAS À EUROPA – Já as ameaças tarifárias de Trump contra oito países europeus, que se colocaram em defesa da autonomia da Groenlândia, seguem dominando o noticiário internacional desde o fim de semana, contagiando os debates paralelos no Fórum de Davos.


… Nesta segunda-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse a uma delegação de parlamentares do Congresso dos Estados Unidos que as novas tarifas vão contra os interesses comerciais e de investimentos de ambos.


… Após a reunião, ela foi ao X para defender a necessidade de os americanos respeitarem a soberania da Groenlândia e da Dinamarca.


… A postagem, no entanto, acena para a negociação, afirmando que a União Europeia está pronta para trabalhar em estreita colaboração com os Estados Unidos e a Otan, em cooperação próxima com a Dinamarca, para “avançar nossos interesses comuns de segurança”.


… Ainda o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, tenta persuadir o presidente francês, Emmanuel Macron, a moderar sua resposta à ameaça de tarifas do presidente Trump, colocando restrições à ativação do instrumento anticoerção da UE.


… “A França é afetada pelas tarifas americanas em uma medida diferente da nossa”, afirmou Merz, acrescentando que a Alemanha está menos disposta a seguir por esse caminho devido à sua maior dependência das exportações.


… O chanceler alemão disse que pretende se reunir com Trump amanhã em Davos, na tentativa de evitar uma escalada das tensões.


… Líderes europeus buscam chegar a uma posição comum antes da cúpula especial da UE marcada para esta quinta (22). Segundo o porta-voz, Olof Gill, o bloco está pronto para usar todas as ferramentas à disposição para proteger seus interesses.


… A União Europeia discute a imposição de tarifas sobre 93 bilhões de euros em produtos americanos caso Trump não recue, com uma lista de produtos que inclui bens industriais, como aeronaves da Boeing, carros fabricados nos Estados Unidos e Bourbon.


… Estimativa da Fitch prevê que as tarifas adicionais de 10% podem reduzir o PIB da Zona do Euro em 0,5% até 2027. Se a taxa evoluir para 25%, como ameaçou o presidente Trump, o impacto seria aproximadamente o dobro.


… Para a agência, a Alemanha seria a economia europeia mais afetada pelas medidas, com redução entre 0,8% e 0,9% do PIB no ano que vem.


EM WASHINGTON… – Questionado se levaria adiante os planos de impor tarifas aos países europeus, se não houver acordo sobre a Groenlândia, o presidente Trump respondeu: “Sim, 100%”, recusando-se a descartar o uso da força para assumir o controle da ilha.


… Em breve entrevista por telefone à NBC News, o presidente saiu-se com um “sem comentários” para essa pergunta.


… Já a agência Reuters noticiou que Trump enviou mensagem ao governo da Noruega dizendo que, “como não ganhou o Nobel da Paz, sente-se desobrigado a pensar apenas na paz”.


… Em conversa com jornalistas em Davos, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse que isso era uma “falácia” e, ainda, que “uma retaliação europeia seria muito imprudente” e que “todos devem levar ao pé da letra o que o presidente Donald Trump diz”.


LISA COOK – Trump terá ainda outro embate nesta semana, com a apresentação do caso Lisa Cook à Suprema Corte dos Estados Unidos, que representa o teste mais importante à independência do Federal Reserve.


… O Tribunal julgará a tentativa do presidente de demitir a dirigente do BC americano por suposta fraude hipotecária, e a expectativa é se os juízes protegerão a autoridade monetária da influência política ou permitirão que ela seja afastada do cargo.


… Segundo informou a AP News, Jerome Powell participará dos argumentos orais na Suprema Corte, amanhã, quarta-feira (21).


MASTER – Em nota distribuída por seu advogado, Nelson Tanure informou que não é sócio oculto do Banco Master, após o bloqueio de bens no valor de R$ 5,7 bilhões dele e de outras 41 pessoas investigadas, determinado pelo ministro Dias Toffoli, do STF.


… O texto sustenta que o empresário “jamais estabeleceu qualquer relação de natureza societária com o Banco Master, do qual foi cliente nos últimos anos, nas mesmas condições em que foi e segue sendo atendido por outras instituições conhecidas no mercado”.


… A defesa pontuou, ainda, que seu cliente jamais promoveu qualquer operação de investimento em outros veículos que pudessem converter a dívida em participação, ainda que indiretamente, no Master. E que apresentará todos os esclarecimentos e documentos necessários.


… Também o Banco de Brasília (BRB) publicou nota para garantir que possui “plena capacidade de recompor seu capital, caso venham a ser confirmados eventuais prejuízos decorrentes de determinadas operações”.


… O banco negou ainda que tenha recebido comunicação do BC alertando que foi constatada insuficiência patrimonial ocasionada por transações financeiras com o Master, segundo informação publicada pelo jornalista Lauro Jardim/O Globo.


… No Estadão, a crise do Master ecoou em rodas de conversas no Fórum de Davos, embora a visão geral seja de que o tamanho do banco é irrelevante para provocar um problema sistêmico no mercado bancário brasileiro.


… Mas a reportagem apurou que cresceu a cautela com possível contágio do Banco de Brasília (BBR), que comprou parcela importante de ativos do Master: R$ 12,2 bilhões, sendo que foram encontrados problemas de documentação em R$ 10 bilhões desses ativos.


FGC – O Fundo Garantidor de Crédito atualizou ontem à noite para 600 mil o número de credores do Master que já registraram pedido para ressarcimento de valores até R$ 250 mil. Ao todo, 800 mil investidores têm direito ao reembolso por aplicações em produtos do banco.


MAIS PODER PARA O BC – Em meio ao escândalo do Banco Master, o ministro Fernando Haddad defendeu ontem que o BC amplie o perímetro regulatório e passe a fiscalizar a indústria de fundos de investimento, gerando críticas de especialistas no mercado de capitais.


… Na avaliação do ministro, há muitas competências no âmbito da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que deveriam ser do BC.


… De acordo com especialistas ouvidos pelo Valor, no entanto, uma eventual mudança só faria sentido no âmbito de uma reforma profunda no modelo regulatório brasileiro, já que qualquer modificação abrupta traria riscos ainda maiores para o mercado de fundos.


MAIS AGENDA – Netflix divulga balanço após o fechamento (previsão de lucro de US$ 0,55/ação). Também com os mercados fechados, United Airlines solta resultado (projeção de US$ 2,93). Já 3M (US$ 1,80) vem antes da abertura.


… Único indicador nos Estados Unidos é a pesquisa semanal ADP (10h15) de emprego no setor privado.


… Na Alemanha, é dia de PPI (4h) e índice ZEW de expectativas econômicas (7h). Andrew Bailey (BoE) fala às 6h45.


CHINA HOJE – O PBoC manteve inalteradas as taxas de referência para empréstimos (LPR) de 5 anos e 1 ano, em 3,5% e 3,0%, respectivamente, como esperado. Foi o oitavo mês consecutivo sem alterações.


SINTOMA DE CAUTELA – Sem o termômetro ontem das bolsas americanas e dos Treasuries, fechados para feriado, o mercado só pôde concentrar no câmbio a reação à ameaça tarifária de Trump à UE, com a Groenlândia como pivô.


… Analistas apelidaram de “Venda América” a movimentação nos negócios que levou o investidor a se desfazer do dólar e a sustentar as moedas europeias, com o índice DXY em queda de 0,34%, aos 99,052 pontos.


… O euro subiu 0,40%, a US$ 1,1646, mas o Société Générale adverte que o sentimento positivo em relação à divisa pode ser abalado pelos prognósticos de que a potencial retomada do tarifaço afete a atividade do bloco europeu.


… A libra esterlina ganhou 0,36%, a US$ 1,3427, e o iene avançou para 158,14/US$, depois do anúncio de eleições antecipadas no Japão, para 8 de fevereiro. A dissolução da Câmara Baixa está prevista para a próxima sexta-feira.


… Aqui, o dólar à vista acompanhou a tendência de enfraquecimento global da moeda norte-americana e caiu de leve (-0,16%), negociado a R$ 5,3640, monitorando a insistência de Trump em tomar posse da Groenlândia.


… Mas o real impacto da “vingança” protecionista do republicano contra a Europa será precificado hoje pelos mercados, com a volta da liquidez global, que testará o sangue-frio do dólar em continuar respeitando os R$ 5,40.


… A queda modesta da moeda americana ontem e a melhora de percepção no Focus em relação ao IPCA deste ano, com ajuste em baixa, de 4,05% para 4,02%, contaram no pano de fundo para os juros futuros corrigirem os excessos.


… A curva devolveu parte dos prêmios acumulados na semana passada, quando os dados acima do esperado do IBC-Br e das vendas no varejo em novembro ampliaram a incerteza sobre o início do ciclo de cortes da Selic em março.


… No fechamento, o contrato futuro de juro para Janeiro de 2027 caiu para 13,760% (contra 13,807% no ajuste anterior); Jan/29 recuou a 13,170% (de 13,211%); Jan/31, a 13,480% (de 13,511%); e Jan/33, a 13,660% (13,681%).


… Não causou desconforto ontem nos negócios o fato de a mediana das estimativas do mercado financeiro para inflação no horizonte relevante da política monetária ter sido mantida em 3,80% no IPCA para 2027 do Focus.


CONTAGEM REGRESSIVA – Travado à espera da volta de Nova York hoje para reagir ao ruído UE-EUA, o Ibovespa fechou estável (+0,03%, a 164.849,27 pontos), com giro (R$ 12,6 bi) de pouco mais da metade de um dia normal.


… Entre as blue chips das commodities, Vale (-0,39%; R$ 78,57) recuou, mas resistiu bem à afundada de 2,6% do minério de ferro, e Petrobras (ON +0,53%, a R$ 34,16; e PN +0,41%, a R$ 32,17) desafiou a leve queda do petróleo.


… O Brent caiu 0,30%, a US$ 63,94, de olho no impacto sobre o crescimento global da ameaça tarifária de Trump.


… Os bancos terminaram mistos, com destaque positivo para BTG (+0,77%; R$ 54,82), Santander (+0,69%; R$ 33,33) e Bradesco ON (+0,25%; R$ 16,24). Itaú foi no sentido oposto (-0,15%; R$ 39,55), assim como BB (-0,28%; R$ 21,31).


CIAS ABERTAS NO AFTER – Conselho de Administração do BANCO DO BRASIL aprovou “payout” de 30% para o exercício de 2026, via JCP e/ou dividendos.


JSL apresentou receita bruta consolidada de R$ 2,89 bilhões no quarto trimestre, retração anual de 1,4%, segundo prévia operacional.


MARCOPOLO. Filhos do fundador, Paulo Bellini, atingiram, em conjunto com a sociedade Bellpart, participação de 249.503.527 de ações ON, equivalente a 55,3% do total destes papéis…

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Call Matinal 1901

 Call Matinal

19/01/2026 Julio Hegedus Netto, economista PENSATAS: “O Tarcísio está on. A tradução exata da frase é: se Flávio Bolsonaro for mesmo candidato a presidente da República, ele se contentará com a reeleição; mas não se furtará a continuar conversando sobre a possibilidade para, se for o caso, entrar em campo aos 45 minutos do segundo tempo. De qualquer forma, tudo isso se resolve na primeira semana de abril, o prazo máximo para a desincompatibilização.” MERCADOS EM GERAL FECHAMENTO (1601) MERCADOS E AGENDA No mercado brasileiro de sexta-feira (16), o Ibovespa recuou 0,46%, a 164.799 pts. Já no mercado cambial, o dólar à vista subiu 0,08%, a R$ 5,37. Na agenda, destaque para os PMIs em vários países, o IPCA de dezembro e indicadores de PIB e PCE nos EUA. PRINCIPAIS MERCADOS Os futuros das bolsas de Nova York operam em queda, após Donald Trump, anunciar ontem imposição de tarifas contra países europeus para pressionar um acordo de aquisição da Groenlândia. Em resposta, a União Europeia (UE) já estuda tarifas retaliatórias. Às 20h54 (de Brasília), o futuro do Dow Jones caía 0,63%, o do S&P 500 cedia 0,75% e o do Nasdaq tinha queda de 1,01%. NO DIA, 1901 Continuamos atentos às ameaças tarifárias dos EUA contra a Europa. Trump pode anunciar tarifas adicionais sobre a Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido (oito países do bloco), que apoiam a independência da Groenlândia. As taxas de 10% entrariam em vigor em 1º de fevereiro e subiriam para 25% em 1º de junho se não houver acordo, segundo Trump. Segundo ele, “a Groenlândia é vital para a segurança dos EUA, devido à sua localização estratégica e às grandes reservas minerais, e não descartou o uso da força para tomá-la”. Na agenda da semana, na China tivemos crescimento de 4,5% no PIB/4Tri, vendas no varejo, crescendo 0,9% em dezembro, abaixo da projeção de 1,1%, e produção industrial, subindo 5,2% a superar o consenso de 5%. Nos EUA, temos feriado de Martin Luther King, deixando os mercados fechados hoje em NY. A agenda também tem PIB nos Estados Unidos, PCE e balanços da Intel e Netflix. No exterior ainda temos a reunião do BoJ e o Fórum de Davos, que começa nesta segunda-feira com a presença recorde de chefes de Estado e ausência de Lula. Aqui, agenda fraca de indicadores prevê apenas a arrecadação. 

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Volatilidade é o nome do jogo* … O mercado permanece refém da geopolítica e do humor de Donald Trump, que segue alternando a...