1 de junho de 2026
O processo para que países em desenvolvimento alcancem o nível de produção tecnológica dos países desenvolvidos é longo e mais complexo do que sugerem visões tradicionais, que se resumem à absorção de ciência e tecnologia e à emulação de instituições, com vistas à convergência com as nações ricas. Dentro da perspectiva evolucionária, as barreiras ao desenvolvimento são enfatizadas de forma que seus efeitos complexificam o processo de aprendizagem. Trata-se de um processo de longo prazo, que não possui uma resposta homogênea para cada território e está interligado aos Sistemas Nacionais de Inovação (SNI) e às políticas de Ciência, Tecnologia e Inovação (CTI).
Dentre as características que podem dificultar o desenvolvimento, há como exemplos:
- O custo de oportunidade, que envolve retornos de longo prazo em uma realidade cada vez mais imediatista (algo que pode demorar décadas para se estabelecer);
- As políticas de ciência, tecnologia e inovação, que constituem um “assunto órfão” (economistas, cientistas sociais e administradores tratam o tema de forma tangencial, e não como foco principal);
- A maldição de países abundantes em recursos naturais, que podem preterir o desenvolvimento industrial;
- Burocracias ineficientes, incapazes de incentivar e avaliar políticas de CTI;
- A corrupção;
- As ambiguidades do desenvolvimento (não existe um caminho padrão, e cada país precisa de uma solução própria);
- A tragédia dos comuns (falta de incentivos para investimentos em bens comuns).
Muitas dessas características estão enraizadas no Estado e na sociedade em que se encontram, o que faz com que esta seja também uma discussão voltada ao crescimento econômico de longo prazo. No contexto do catch-up, são exemplos de estratégias as tentativas de saltos tecnológicos (leapfrogging), que pulam etapas ou criam novos paradigmas em determinado processo, bem como a reestruturação da posição do país nas cadeias globais de valor, por meio de empresas domésticas que passam a produzir tecnologias mais avançadas e menos dependentes (estratégia “In-Out-In”). Contudo, a atualização das capacidades tecnológicas é um processo não linear e sujeito a graves “falhas de transição”.
Nota-se que a simples construção de instituições que fomentem a ciência e a tecnologia não é suficiente nos países em desenvolvimento. É necessária a criação de um ecossistema que oriente o progresso tecnológico para a solução de problemas comuns da sociedade. Os mercados e as instituições também são, em razão da própria natureza desigual do sistema e da incerteza fundamental, suscetíveis a falhas, o que reforça a necessidade da presença do Estado nos esforços de desenvolvimento, por meio de políticas de CTI e da promoção da cooperação entre as firmas que compõem esse ecossistema.
Referências:
MALERBA, F.; LEE, K. (2021). An evolutionary perspective on economic catch-up by latecomers. Industrial and Corporate Change, v. 30, n. 4, p. 986-1010, 2021.
LEE, J.; LEE, K.; MEISSNER, D.; RADOSEVIC, S.; VONORTAS, N. (2021) Technology Upgrading and Economic Catch-Up: Context, Overview, and Conclusions. In: LEE, Jeong-Dong et al. (Org.). The Challenges of Technology and Economic Catch-Up in Emerging Economies. Oxford: Oxford University Press, p. 1-20.
ALBUQUERQUE, E. D. M. E. (2007). Inadequacy of technology and innovation systems at the periphery. Cambridge Journal of Economics, 31(5), 669-690.
NIOSI, J. (2010). Building national and regional innovation systems: institutions for economic development. Edward Elgar Publishing, cap 8.
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Notas sobre uso de IA: Utilizado o ChatGPT apenas para verificação gramatical e coesão textual.
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