terça-feira, 9 de junho de 2026

100 dias de conflito no Iran

 

100 dias de conflito no Iran

O conflito começou em 6 de abril, com os ataques coordenados de EUA e Israel contra instalações nucleares iranianas. O Estreito de Hormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, continua sob pressão. As negociações estagnaram. Nenhum dos lados quer ceder, mas nenhum parece querer estar aqui daqui a seis meses.

Os mercados, com a frieza que lhes é característica, já precificaram o cenário.

O curioso é que a resposta foi muito mais seletiva do que catastrófica.

O Brent ultrapassou US$ 100 por barril pela primeira vez desde 2022. Os yields dos treasuries subiram, com investidores precificando inflação mais alta e política monetária mais restritiva. A hipoteca de 30 anos nos EUA saltou de 5,98% para 6,5%. As famílias americanas gastaram em média US$ 750 a mais desde o início do conflito, segundo a Moody’s, a maior parte em energia.

Pra piorar, o Pentágono gasta US$ 2 bilhões por dia em operações militares. O orçamento pedido pela Casa Branca para 2027 é de US$ 1,5 trilhão, alta de 42% sobre 2026.

Mas existe uma segunda história correndo em paralelo.

Enquanto energia e renda fixa sofriam, a bolsa americana surpreendeu, puxada por empresas ligadas à infraestrutura de AI. O conflito identificou gargalos de capacidade computacional e acelerou investimentos em semicondutores. Coreia do Sul e Taiwan receberam revisões de crescimento para cima. As ações europeias ficaram para trás, mais expostas ao custo de energia.

O mercado não ignorou a guerra. Ele dividiu o mundo em dois grupos: quem se beneficia da aceleração de AI e quem absorve o custo da energia subindo.

A OCDE cortou a projeção de crescimento global para 2,8% em 2026. No cenário de disrupção prolongada, cai para 2,1%, o que empurraria algumas economias para perto de recessão.

Cem dias de conflito e o mercado ainda não chegou à destruição de demanda que forçaria uma mudança estrutural de verdade. O apoio à guerra nos EUA está em mínimas históricas. Ambos os lados estão procurando uma saída que salve as aparências.

O que os mercados estão precificando não é a guerra em si, o que está no preço é a sua duração…

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