segunda-feira, 13 de julho de 2026

Spacex e bitcoin

 *Leitura de Domingo: US$ 110 bilhões são drenados do mercado de bitcoin do IPO da SpaceX até ontem*


Por Jean Mendes


São Paulo, 07/07/2026 - O mercado de bitcoin perdeu US$ 110 bilhões do dia 12 de junho, quando a SpaceX abriu seu capital na Nasdaq até o último dia 6. Naquela data, o montante aplicado na principal criptomoeda do mundo somava US$ 2,30 trilhões, volume que recuou para US$ 2,19 trilhões. Para analistas, o recuo abriu uma janela histórica: negociado cerca de 50% abaixo de sua máxima, o Bitcoin é visto hoje como a oportunidade das mais atraentes dos mercados globais.


"Muitos investidores reduziram posição em cripto para aproveitar a nova oportunidade em tech e no setor espacial. Ao mesmo tempo, a atenção do mercado mudou: o foco saiu temporariamente de cripto e foi para temas como inteligência artificial (IA), big tech e a própria Space Economy", diz Lucas Veronezi, especialista em investimentos e cripto na Blue3 Investimentos.



Para ele, o movimento reflete uma rotação natural de portfólios, influenciada pelo próprio ecossistema de Elon Musk, o dono da SpaceX e um entusiasta do mercado cripto, em especial do bitcoin.


A mesma visão é compartilhada por Maximiliaan Michielsen, estrategista de investimentos da 21shares. Ele explica que o que aconteceu foi uma competição por capital. "Não estamos diante de algo que destrua a na tese do bitcoin", comenta. Para a 21shares, isso é um sinal positivo, pois demonstra que a atual fraqueza do bitcoin é apenas uma questão de liquidez. "Nada na tese fundamental se deteriorou enquanto a SpaceX abria capital", comenta.


Michielsen comenta que um capital que migra para um IPO como o da SpaceX é um capital que retorna quando a agenda se esvazia e os novos queridinhos do mercado já estiverem totalmente precificados. Para ele, em breve os investidores voltarão a caçar valor e, “depois de um reajuste de 50% com os fundamentos intactos, o bitcoin é, sem dúvida, a proposta de valor relativo mais atraente dos mercados globais atualmente ", afirma.


Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad, entende que independentemente de alocações ativas ou passivas, diante de um evento de tamanha magnitude, é natural que ocorra uma liquidação tática em outras classes de ativos líquidos e especial as de perfil de volatilidade semelhante, como o bitcoin.


*Como fica o investidor neste cenário?*


A partir de hoje, a SpaceX passa a compor o índice Nasdaq com valor de mercado de US$ 2,026 trilhões, um valor 5% abaixo da data do IPO. Com isso, ocupa a marca de sétima maior empresa em valor de mercado. No seu auge até aqui, chegou a valer US$ 2,44 trilhões, um montante 25,38% acima da data da oferta de ações.


Rodrigo Franchini, especialista de Soluções de Investimentos da Monte Bravo, afirma que essa variação na cotação é algo normal e esperado. Franchini diz que o que está acontecendo com a SpaceX é justamente um ajuste de preço de algo que foi altamente precificado com elevação no momento de empolgação de abertura.


Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad, comenta que embora a realização de lucros na SpaceX possa trazer um alívio técnico, com mais capital disponível que pode ser direcionado para o bitcoin, esse fluxo rotativo, de forma isolada, não necessariamente será suficiente para iniciar um novo ciclo de alta.


Desde o final do mês de junho, parte do capital está rotacionando em um movimento de realização de lucros no setor de tecnologia e aversão ao risco no exterior, o que, por sua vez, pode manter o capital institucional afastado das teses de cripto.


Lobo também afirma que existe uma possibilidade de alguns investidores mais táticos aproveitarem esse momento de queda mais expressiva no bitcoin. Segundo ele, por mais que a SpaceX tenha recuado do seu preço de IPO, o bitcoin está bem abaixo do que estava no dia em que a empresa lançou as ações. "Não necessariamente é isso que vai acontecer, pois atualmente estamos vendo o mercado com maior aversão ao risco", afirma o especialista em investimentos da Nomad.


Contato: jean.mendes@bradcast.com.br


Broadcast+

BNDES financiando safra

 *Leitura de Domingo: BNDES ofertará R$ 72 bi em financiamentos à agropecuária na safra 2026/27*


Por Isadora Duarte


Brasília, 10/07/2026 - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai ofertar R$ 72 bilhões em financiamentos ao setor agropecuário no Plano Safra 2026/27. Os números foram antecipados com exclusividade ao Broadcast Agro. O valor é recorde e 3% superior ao oferecido ao setor agropecuário na temporada anterior, de R$ 70 bilhões.


O banco público espera maior demanda do setor para custeio e investimento e aposta na cadeia longa do agro. O BNDES avalia que o orçamento está adequado às necessidades do setor em momento de estabilidade no crédito rural e de ajustes financeiros no agronegócio. "O BNDES é um dos principais apoiadores do setor agropecuário brasileiro, atendendo tanto a agricultura empresarial quanto a familiar. É crédito para investimento, tecnologia, inovação e sustentabilidade, fortalecendo a produção nacional, ampliando a oferta de alimentos a preços acessíveis e permitindo que o agro siga sendo um dos principais motores do desenvolvimento brasileiro, com práticas que preservem o meio ambiente", afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.


Do montante, R$ 40,5 bilhões serão ofertados em recursos equalizados que poderão ser acessados por meio dos programas agropecuários do governo federal, 2% mais que na safra anterior. Esses recursos equalizados têm prazos e taxas de juros diferenciados. O banco responderá por uma fatia de 28,6% do total dos recursos equalizados ofertados na safra, de R$ 141,4 bilhões.


A maior parte da cifra será destinada a financiamentos de investimento, somando R$ 27,7 bilhões. Outros R$ 12,8 bilhões serão destinados a financiamentos de custeio.


Do total de recursos equalizáveis, R$ 21,5 bilhões serão destinados a financiamentos da agricultura empresarial em nove programas com juros de 8% a 12,5% ao ano. Da cifra, R$ 7,5 bilhões são direcionados a financiamentos a médios produtores por meio do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp). Outros R$ 18,9 bilhões em recursos equalizados serão destinados a financiamentos de pequenos produtores da agricultura familiar com juros entre 0,5% e 7,5% ao ano por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). A cifra destinada à agricultura familiar é 41% superior ao oferecido na temporada anterior. A redução dos juros acompanha a retração generalizada feita pelo governo sobre as linhas de crédito na safra em meio à queda na Selic em um ano.


Para as regiões Norte e Nordeste, o BNDES destinará R$ 646,9 milhões exclusivamente para crédito da agricultura familiar nessas regiões, informou o banco.


O BNDES também vai ofertar ao setor agropecuário R$ 31,5 bilhões em recursos próprios por meio da linha BNDES Crédito Rural na safra 2026/27, 4% mais que na safra passada. As linhas dolarizadas concentram a maior demanda entre os recursos próprios ofertados pelo banco. O BNDES Crédito Rural é destinado a projetos de investimento, aquisição isolada de máquinas, custeio, apoio a cooperativas e emissão de Cédulas de Produto Rural Financeira (CPR-F) ou Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) lastreados em direitos creditórios do agronegócio.


Os financiamentos do BNDES ao setor agropecuário ocorrem na modalidade direta, com os recursos sendo contratados diretamente com o banco de fomento, e na modalidade indireta, na qual a contratação de recursos é feita com 90 instituições financeiras repassadoras. Do valor total operado pelo BNDES em crédito rural, cerca de 95% é repassado na modalidade indireta.


O BNDES publicará as circulares informativas aos bancos repassadores ainda nesta sexta-feira. Os protocolos dos programas de custeio serão abertos em 16 de julho para recebimento das propostas dos agentes. Os programas de investimento estarão abertos em 21 de julho para agricultura empresarial e em 29 de julho para agricultura familiar. A expectativa do banco é que os financiamentos sejam operacionalizados em todas as modalidades até o fim do mês.


Contato: isadora.duarte@estadao.com


Broadcast+

sábado, 11 de julho de 2026

Papo de Economista

 Papo de Economista 


1) Assistindo ao documentário do Primo Rico, no 24 hs...sobre Eike Baptista. Vale a pena dar uma espiada, lá no YouTube. O cara  era muito visionário.


2) Aliás, quando se vê este Daniel Vorcaro, se observa a abissal diferença de conduta. Ele, Eike, errou nos seus diagnósticos, desabou seu império com apostas erradas, mas sua conduta era bem diferente.


3) O Brasil vai se tornando um país de alguns "burocratas preguiçosos". Ninguém parte para o risco. Poderíamos enumerar...


4) Todos q se dizem "bem sucedidos" na vida, fizeram concurso, passaram, "se estabeleceram" e um abraço.


5) Conheço uns poucos, no entanto, que seguem por aí com a fagulha do empreendedorismo. 


6) Estou envolvido num projeto da uma consultoria privada, q tem chance de dar certo. Só preciso de financiamento. O projeto está ali, é ótimo. Mas quem financia? BNDES, FINEP...? Esquece...todos os seus canhões estão apontados para o Nordeste. É facil saber porque...


7) Mas a minha vida sempre foi assim...se eu fosse para uma sinecura pública iria morrer de tédio.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

A GRANDE FUGA: O Brasil está expulsando quem produz!

 A GRANDE FUGA: O Brasil está expulsando quem produz! 

Você já se perguntou por que tantos talentos estão arrumando as malas?


 

Os números oficiais da Receita Federal acabam de escancarar uma realidade assustadora: estamos vivendo uma verdadeira fuga de empreendedores e profissionais altamente qualificados.

 

Os dados não mentem e o cenário é de alerta máximo:

 

Em 2025, o Brasil registrou a marca histórica de 48.306 declarações de "Saída Definitiva do País" no Imposto de Renda.

 

Isso representa um salto expressivo de 64% apenas em relação a 2024, que já havia registrado quase 30 mil saídas.

 

A escalada é contínua e assustadora: desde 2020, quando tivemos 14.360 declarações, esse número mais que triplicou.


 

Mas o que isso significa na prática?

 

Não estamos falando apenas de números em um gráfico. Estamos falando de cérebros, inovadores, investidores e mão de obra qualificada que simplesmente cansaram de lutar contra a maré.


 

Eles estão levando seu capital, suas ideias e sua capacidade de gerar empregos para países que oferecem o que falta por aqui: um ambiente de negócios saudável, segurança jurídica, respeito a quem produz e impostos que retornem em serviços de qualidade.

 


Como já discutimos antes, o "Custo Brasil" não está apenas destruindo nossa competitividade no exterior e sufocando a nossa indústria local. Ele agora está exportando o nosso maior ativo: as pessoas.


 

Quando o sistema burocrático e tributário pune o sucesso e o trabalho duro, a alternativa mais viável acaba sendo o aeroporto.


 

Até quando o Brasil vai aceitar perder sua inteligência, seus empreendedores e seu futuro sem atacar a raiz do problema?


 

Precisamos voltar a ser um país onde vale a pena ficar, investir e construir.


Call Matinal 1007

 Call Matinal

10/07/2026

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL

 

FECHAMENTO (0807)

MERCADOS

Na quarta-feira (08), o Ibovespa interrompeu três pregões de queda e avançou 1,22%, aos 172.742,12 pontos, com volume de R$ 20 bilhões. Já o dólar à vista caiu 0,50%, para R$ 5,1227, refletindo o maior apetite ao risco.

 

PRINCIPAIS MERCADOS

Os futuros das bolsas de Nova York operam sem direção definida nesta sexta-feira (10), em meio ao arrefecimento do rali das empresas de tecnologia após os fortes ganhos da véspera e uma trégua frágil no Oriente Médio mantendo os riscos geopolíticos no radar dos investidores.

 

 

MERCADOS 5h30

 

 

Índices

Comentários

EUA

Dow Jones Futuro: +0,09%

S&P 500 Futuro: -0,20%

Nasdaq Futuro: -0,57%

Mercados sem rumo, em função das estocadas no Oriente Médio.  

Ásia-Pacífico

 

 

 

Shanghai SE (China), -1,00%

Nikkei (Japão): +1,20%

Hang Seng Index (Hong Kong): +0,60%

Nifty 50 (Índia): +0,91%

ASX 200 (Austrália): +0,50%

As bolsas asiáticas fecharam sem direção única nesta 6ªF, com destaque positivo para os mercados do Japão e da Coreia do Sul, impulsionados pelo desempenho das ações de empresas de tecnologia.

Europa

 

 

 

STOXX 600: -0,04%

DAX (Alemanha): -0,04%

FTSE 100 (Reino Unido): +0,02%

CAC 40 (França): -0,03%

FTSE MIB (Itália): +0,39%

 

Commodities

 

 

 

Petróleo WTI, -0,21%, a US$ 71,93 o barril

Petróleo Brent, -0,18%, a US$ 76,16 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +0,87%, a 751,50 iuanes (US$ 110,63)

Bitcoin, +1,54%, a US$ 64.180,00

 

 

Dia 1007

Abrimos o último dia da semana de olho no IPCA, mas também atentos ao comportamento do conflito do Oriente Médio, com os EUA tendo voltado a atacar regiões do Irã. Com isso, os mercados de ativos voltaram a volatilizar, com bolsas sem rumo, petróleo em elevação, o que coloca os futuros de juro pressionados. Em decorrência, fechamos a semana na expectativa. No Brasil, o governo manteve a cautela em relação aos combustíveis, enquanto acompanha os desdobramentos do conflito e seus possíveis efeitos sobre a inflação. Na sexta-feira, espremida entre o feriado em São Paulo e o fim de semana, a liquidez deve se manter reduzida.Mas vamos falar do mundo da bola. A Copa do Mundo vai se definindo, com a França tendo derrotado o Marrocos ontem, num jogo que só um lado jogou. Para mim, está pintando o campeão. A França, realmente, nos parece em ampla vantagem. É uma seleção estrelada, numa superioridade tanta que nem se discute. Hoje, temos mais dois jogos, da Argentina contra a Suiça, ao fim da noite, e da Belgica com a Espanha.

 

Agenda

 Sexta-feira, 10/07

03h00 – Alemanha: Inflação ao consumidor (jun)

05h00– Brasil: Fipe – Primeira prévia de julho do IPC

05h00– França: AIE – Relatório mensal de petróleo

09h00 – Brasil: IBGE – IPCA (jun)

09h00 – Brasil: IBGE – Produção industrial regional (mai)

14h00 – EUA: Baker Hughes – Poços e plataformas em operação▪️

BDM Matinal Riscala

 Sexta-feira, 10 de Julho de 2026.


*IPCA FECHA A SEMANA*

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


… Depois de dois dias dominados pela escalada militar entre Estados Unidos e Irã, o mercado voltou a apostar que a diplomacia prevalecerá sobre a guerra, reduzindo parte do prêmio de risco acumulado no petróleo. Com a geopolítica ainda no radar, mas sem impedir a recuperação do apetite por risco, a atenção dos investidores se desloca hoje para o IPCA de junho, principal teste das expectativas de novo corte da Selic em agosto. No Brasil, o governo manteve a cautela em relação aos combustíveis, enquanto acompanha os desdobramentos do conflito e seus possíveis efeitos sobre a inflação. Na sexta-feira espremida entre o feriado em São Paulo e o fim de semana, a liquidez deve se manter reduzida.


APOSTA NA PAZ – O mercado passou a quinta-feira desmontando parte do prêmio de guerra acumulado nos últimos dias, apesar de um noticiário que continuou mostrando deterioração da situação no Oriente Médio.


… A percepção predominante foi a de que a nova escalada entre Estados Unidos e Irã tende a ser temporária e não deve impedir a retomada das negociações, depois de Donald Trump afirmar que Teerã voltou a procurar Washington para um acordo.


… Também ajudaram bastante relatos da CNN de que Catar e Paquistão trabalham para recolocar os dois países à mesa.


… A reação ficou evidente no petróleo, que devolveu boa parte dos ganhos após dois pregões de forte alta, refletindo a avaliação de que um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz continua sendo o cenário menos provável.


… O movimento prevaleceu mesmo diante de uma sequência de notícias que justificaria uma postura muito mais defensiva dos investidores.


… Pela manhã, a Guarda Revolucionária voltou a ameaçar uma resposta contundente caso os Estados Unidos interfiram nas rotas de navegação em Ormuz, enquanto o Catar reduziu operações em sua principal instalação de GNL por questões de segurança.


… No início da tarde, levantamentos da Reuters e da Bloomberg mostraram que o tráfego marítimo pelo estreito caiu drasticamente, com a navegação praticamente estagnada e operadores reduzindo a circulação de embarcações diante dos riscos na região.


… A mudança de humor começou justamente com as informações de que mediadores voltaram a trabalhar pela retomada do diálogo entre Washington e Teerã. A partir daí, o mercado passou a interpretar a piora operacional em Ormuz como transitória.


… A aposta é clara: os custos econômicos de uma interrupção prolongada do fluxo de petróleo são elevados demais para permitir uma escalada duradoura do conflito. Nem os Estados Unidos, nem o Irã estão em condições de bancar o preço dessa aventura.


… As novas explosões registradas em diferentes províncias iranianas, as ameaças de Teerã contra países da região ou a declaração do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de que “a guerra ainda não terminou”, foram insuficientes para reverter essa leitura.


… A reação dos ativos deixou nítida essa mudança de percepção.


… Enquanto o Brent recuou 2,20%, para US$ 76,30, após ter batido US$ 80 na véspera, os rendimentos dos Treasuries perderam força, o dólar enfraqueceu diante das moedas emergentes e as bolsas recuperaram parte das perdas recentes (leia mais abaixo).


… Os investidores adotaram como mantra a convicção de que a diplomacia deve prevalecer sobre a guerra.


… Ainda assim, se é fato que o mercado reduziu o prêmio de uma guerra prolongada, também é verdade que voltou a incorporar um risco que havia praticamente desaparecido desde o acordo de junho — o da volatilidade geopolítica.


NO BRASIL – A piora do cenário no Oriente Médio levou o governo a assumir uma postura de cautela em relação à política de preços, como admitiu o ministro da Fazenda, Dario Durigan, ao comentar os planos de retirada dos subsídios aos combustíveis.


… Nesta quinta, ele admitiu que a retomada dos ataques entre Estados Unidos e Irã “acendeu um sinal de alerta”, mas reafirmou que a estratégia permanece a mesma: retirar gradualmente as medidas emergenciais assim que o mercado de petróleo apresentar condições mais favoráveis.


… “A guerra diminuindo de proporção, o objetivo do Ministério da Fazenda é retirar o subsídio”, afirmou.


… Na prática, a cautela se traduziu na decisão da Camex de manter por mais 60 dias a alíquota de 12% do Imposto de Exportação sobre o petróleo, criada para compensar a redução de tributos federais sobre os combustíveis. A medida será reavaliada em 30 dias.


… Mas o governo deixou claro que fará um acompanhamento diário da evolução do conflito antes de decidir sobre qualquer mudança.


… Durigan ressaltou que tanto a subvenção à gasolina quanto ao diesel continuam em vigor e defendeu que o governo mantenha “prontidão” para ampliar ou retirar medidas de acordo com o comportamento dos preços internacionais.


… Ao mesmo tempo, Brasília tenta acelerar alternativas estruturais para reduzir a dependência da gasolina.


… Depois de sucessivos adiamentos provocados pela volatilidade do petróleo, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deverá se reunir na próxima terça-feira para deliberar sobre o aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina de 30% para 32%.


… A medida é articulada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, com representantes do setor sucroenergético e integrantes do governo, e reduz a necessidade de gasolina fóssil, ajudando a amortecer parte dos impactos de eventuais choques externos sobre os preços dos combustíveis.


IPCA NO RADAR – Em meio às renovadas incertezas sobre a guerra no Oriente Médio e seus impactos sobre os preços, a divulgação do IPCA de junho, às 9h, é esperada como mais um teste decisivo para as apostas de novo corte da Selic em agosto.


… A mediana do Projeções Broadcast aponta desaceleração da inflação de 0,58% para 0,31%, refletindo principalmente o alívio dos preços dos alimentos e do etanol. Em 12 meses, porém, o índice deve subir de 4,72% para 4,79%, permanecendo acima do teto da meta.


… Mais importante do que o resultado cheio será a qualidade da inflação. A expectativa é de desaceleração da média dos núcleos, de 0,45% para 0,31%, acompanhada por uma melhora disseminada entre alimentos, bens industriais e preços administrados.


… Ainda assim, os serviços devem continuar pressionados, e economistas alertam que boa parte da descompressão esperada decorre de fatores pontuais, sem alterar de forma significativa o diagnóstico de inflação ainda resistente.


… O IPCA chega depois de uma sequência de indicadores que reforçou a percepção de perda de fôlego da economia brasileira, com PIB, produção industrial, vendas no varejo e mercado de trabalho apontando desaceleração da atividade.


… Esse conjunto de dados fortaleceu a leitura de que a inflação tende a perder tração nos próximos meses e ajudou a consolidar as expectativas de que o Copom deve manter a queda de 25 pontos-base da Selic na sua próxima reunião.


… Mas se esses são fatores baixistas, o mercado continua monitorando e reagindo aos riscos fiscais e ao ambiente político-eleitoral, que ainda limitam uma revisão mais ampla das expectativas para a política monetária.


MAIS AGENDA – O relatório mensal de petróleo da Agência Internacional de Energia (AIE) abre o dia (5h) e será acompanhado com atenção depois da retomada das tensões entre Estados Unidos e Irã. Antes, a Alemanha terá divulgado a inflação final de junho.


… No Brasil, além do IPCA, o BC realiza às 11h30 leilão de swap cambial para rolagem e, ao meio-dia, oferta operações compromissadas.


CURTAS DA POLÍTICA – O representante comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, afirmou que o resultado da investigação sobre as práticas comerciais brasileiras deverá ser divulgado até 15 de julho.


… Segundo ele, a decisão sobre uma eventual imposição de tarifas ao Brasil será anunciada “muito em breve”.


CARNE. Governo e exportadores brasileiros não veem espaço para uma reversão imediata da exclusão do País da lista de fornecedores de carnes e produtos de origem animal à União Europeia.


… Para a carne de aves, a expectativa é de solução mais rápida, mas, para a bovina, o Brasil pode permanecer fora desse mercado até 2027.


CAMINHONEIROS. Representantes da categoria ameaçaram uma greve nacional caso o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não paute a votação da MP que reforça a política de pisos mínimos do frete rodoviário antes de sua perda de validade, em 16 de julho.


BETS. O governo publica nesta sexta-feira novas regras para a publicidade das plataformas de apostas, proibindo propagandas que induzam ao jogo ou apresentem apostas como investimento.


… As normas entram em vigor no dia 17 e obrigam a inclusão de alertas sobre os riscos de dependência e perdas financeiras.


… Segundo a Fazenda, 56 mil sites, aplicativos e plataformas ilegais já foram derrubados.


AGRO. Entidades do agronegócio entregaram a Geraldo Alckmin proposta de criação de um fundo garantidor para o crédito rural, com o objetivo de destravar os financiamentos do Plano Safra, reduzir a exigência de garantias dos produtores e ampliar a oferta de recursos ao setor.


ACORDO TÁCITO? – De concreto sobre uma trégua na guerra, não houve nada, mas cresceu, como se viu, a percepção de que Irã e Trump podem ter forte interesse em evitar a retomada de um conflito em grande escala.


… O investidor supõe que estratégias de saída do clima de maior hostilidade seriam mais vantajosas a ambos os lados e que a diplomacia pode prevalecer, em meio aos relatos de que os mediadores Paquistão e Catar estão trabalhando.


… Analistas de commodities do Citi acreditam que as negociações devem ser reiniciadas entre uma e duas semanas.


… Neste contexto, apesar de esta quinta-feira ter sido marcada por uma nova onda de ataques no Oriente Médio e interrupções importantes no tráfego marítimo do Estreito de Ormuz, os negócios baixaram o nível de estresse.


… Em véspera de IPCA, os juros futuros descontaram a dose de ansiedade com o indicador de inflação e queimaram prêmio de risco junto com o petróleo, com as taxas dos Treasuries e com o dólar, que voltou para a faixa de R$ 5,12.


… A maioria dos contratos do DI fechou nas mínimas do dia e, entre os vencimentos mais curtos, o Janeiro de 2027 furou os 14% e fechou a 13,990% (de 14,041% no ajuste anterior). Jan/28 recuou para 14,020% (contra 14,171%).


… Jan/29 marcou 14,205% (de 14,358% na véspera); Jan/31, 14,340% (de 14,453%); e Jan/33, 14,385% (de 14,467%).


… A curva seguiu à risca a oscilação dos rendimentos dos Treasuries, na esperança de que Trump e o Irã baixem as armas. O retorno da Note-2 anos caiu a 4,171% (contra 4,205% na véspera) e o de 10 anos foi a 4,547% (de 4,571%).


… Se o câmbio já tinha dado sinais de sangue-frio nos últimos dias, mesmo com a escalada das tensões geopolíticas, possivelmente não seria ontem que pararia de exibir alívio. O dólar à vista anotou baixa de 0,50%, a R$ 5,1228.


… Num jogo de ganha-ganha, o real já vinha tirando proveito do petróleo mais caro, com efeito positivo na balança comercial doméstica. E, mesmo com o barril caindo, continuou faturando, desta vez o ambiente menos defensivo.


… O mercado cambial também segue de olho no diferencial de juros, especialmente entre o Fed e o Copom.


NOVO FOCO – Para o presidente do Fed de Nova York, John Williams, o novo choque nos preços de energia deve ser curto e, atualmente, a principal preocupação para a inflação, segundo ele, é a demanda por inteligência artificial.


… “A política monetária pode ter que reagir se o impacto da IA for sustentado”, disse. “Vamos trazer a inflação de volta a 2%”, afirmou, observando que o mercado de trabalho “muito estável” hoje oferece menor risco aos juros.


… Na Europa, predomina o tom hawkish. Divulgada ontem, a ata do BCE revelou que os dirigentes acreditam que a inflação seguirá acima da meta até o ano que vem, o que eventualmente exigiria maior conservadorismo.


… Na avaliação do ING, o documento reforça o cenário-base de mais uma elevação dos juros em setembro.


… Também o BC inglês enfrenta pressão. Em entrevista a um podcast da BBC, o economista-chefe do BoE, Huw Pill, disse que as taxas vão precisar subir na reunião deste mês (dia 30) para manter a inflação sob controle.


… Ele foi voto vencido no último encontro de política monetária, em junho, quando votou por alta contra a pausa.


… Ontem, a libra subiu 0,12%, para US$ 1,3408, o euro registrou leve alta de 0,09%, a US$ 1,1428, e o iene avançou para 162,41 por dólar. A força das três moedas derrubou o índice DXY do dólar em 0,1%, para 100,904 pontos.


… O Fed informou que Armínio Fraga foi escolhido para integrar a força-tarefa das reformas no BC dos EUA. Ele fará parte da revisão de comunicação, neste momento em que Kevin Warsh reitera política de não dar forward guidance.


BAIXOU A GUARDA – A aposta de que Trump e o Irã vão acabar caindo em si de que não vale a pena o custo de prolongar a guerra pautou também a recuperação das bolsas e induziu o Ibovespa a recobrar os 172 mil pontos.


… Após três pregões consecutivos de perdas, o índice à vista subiu mostrou ganho de 1,22%, aos 172.742,12 pontos. O volume de negócios seguiu enfraquecido, em R$ 20 bilhões, no clima de meio-feriado de 9 de Julho em São Paulo.


… Com o apetite maior ao risco, os bancos foram destaque na sessão: Bradesco PN, +1,75% (R$ 18,00); Itaú PN,  +1,67% (R$ 42,59); BB ON, +2,41% (R$ 20,00); Santander unit subiu 2,70% (R$ 26,29); e BTG unit, +3,21%, a R$ 55,68.


… Vale registrou recuperação parcial das perdas recentes e subiu 0,62%, a R$ 73,15. Petrobras foi no sentido contrário e devolveu os ganhos com o petróleo: ON perdeu 1,43%, a R$ 43,53; e PN caiu 1,11%, a R$ 39,21.


… Também pesou a decisão do governo Lula de prorrogar o imposto de exportação sobre o petróleo.


… Magazine Luiza liderou as altas e saltou 7,76% (R$ 4,86), com a queda dos juros futuros beneficiando o varejo.


… Deixando de lado o estresse do Oriente Médio, as bolsas em Nova York foram embaladas pelo boom da IA.


… Micron disparou 4,52% após anunciar US$ 3 bilhões em investimentos para cadeia de suprimentos de chips. Meta engatou um rali 4,70% após a Reuters noticiar que a empresa planeja fabricar chips de IA a partir de setembro.


… O Nasdaq subiu 1,30%, a 26.206,89 pontos; S&P 500, +0,81% (7.543,61 pontos); e Dow Jones, +0,27% (52.487,41).


CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS concluiu a aquisição e assumiu a operação do bloco exploratório 3, em São Tomé e Príncipe, passando a deter 75% de participação no ativo.


RUMO. S&P rebaixou o rating nacional de brAA+ para brAA-, com perspectiva negativa, citando o enfraquecimento do perfil de crédito da Cosan e potenciais efeitos de contágio…


… O BNP Paribas informou que passou a deter 5,09% das ações ordinárias da Rumo.


MULTIPLAN vendeu três terrenos adjacentes aos shoppings Jacarepaguá e Campo Grande, no Rio de Janeiro, e em Canoas, no Rio Grande do Sul, para desenvolvimento de projetos multiuso…


… Companhia receberá permuta financeira entre 11% e 16,5% do VGV. Citi avaliou que a operação deve gerar valor, ao fortalecer o entorno dos empreendimentos, e manteve recomendação de compra para a companhia.


MRV&CO registrou geração de caixa consolidada de R$ 77,2 milhões no segundo trimestre…


… Lançamentos somaram VGV de R$ 2,95 bilhões, queda de 14,4% na comparação anual, enquanto as vendas líquidas cresceram 3,5%, para R$ 2,75 bilhões.


OI informou que o caixa caiu para R$ 19,6 milhões e alertou que poderá ficar sem recursos para manter as operações a partir de agosto caso não haja novos aportes ou mudança no cenário.


ENERGISA MATO GROSSO fará a 29ª emissão de debêntures, no valor de R$ 350 milhões, para financiar investimentos em infraestrutura de distribuição de energia elétrica.


ECONOMATICA rescindiu o acordo com a Ibirá para venda da participação na TC AI e assinou memorando vinculante para negociar a venda da plataforma TC e da carteira da TC AI para a EQI por R$ 3 milhões.

Nos ouvidos do Rei, by Simon Schwartzman

Com a aproximação das eleições de outubro, é curioso observar dois movimentos que parecem contraditórios. Por um lado, um sentimento generalizado de fatalismo. A polarização política, confirmada e reforçada pelas pesquisas de voto, indicam que estamos fadados a ter que escolher entre os candidatos menos ruins, responsáveis, cada qual à sua maneira, pela situação em que a maior parte do país se encontra, com a economia se arrastando, as contas pública fora de controle, a má qualidade das políticas sociais e as instituições em frangalhos. Por outro, uma grande mobilização de associações, organizações sociais, institutos de pesquisa e think tanks para formular projetos e propostas a serem levadas aos ouvidos do futuros governantes, na esperança de que ele se dignem a ouvir e quem sabe executar o que propõem seus futuros súditos. Será que eles estarão dispostos a prestar atenção e agir conforme as evidências e propostas desenvolvidas com bons métodos e racionalidade, ou continuarão a agir, simplesmente, conforme suas ideias preconcebidas e interesses de curto prazo?


Depende, em parte, de que tipo de propostas e que nível de governo. Duas pesquisas recentes ajudam a entender o que ocorre. A primeira, feita com quase dois mil prefeitos brasileiros[1], mostra que eles valorizam evidência, pagam para conhecer resultados de avaliações de impacto e ajustam suas crenças de forma bastante racional. Mas só fazem o que está sendo sugerido quando forem propostas baratas, sem custo político, sem exigir orçamento, aprovação legislativa ou reorganização da máquina pública. A outra pesquisa, feita na Espanha com quase seis mil municípios, mostra que a ideologia do mensageiro importa mais do que o conteúdo da mensagem. A proposta, no caso, era como atrair mais turistas para os municípios melhorando as informações disponíveis sobre eles na Internet, feita por organizações alinhadas ou de oposição aos governos locais.[2] Quando o mensageiro era do mesmo lado, muitos prefeitos faziam o que era proposto; quando vinha da oposição, era como se não existisse. Propostas vindas de instituições com boa reputação mas não alinhadas tinham efeitos intermediários.Não basta estar certo: é preciso ser ouvido por quem já concorda, ou ter reputação suficiente para atravessar a desconfiança ideológica. Mas, como no estudo brasileiro, não basta que a proposta seja bem feita e ideologicamente alinhada, ela precisa ser barata e simples de implementar. Na maioria dos casos, falta orçamento, quadros técnicos, continuidade administrativa e, com frequência, disposição para arcar com o desgaste político de uma mudança.

Se esta dificuldade existe para propostas simples a nível das prefeituras, elas são maiores ainda para propostas complexas para governos estaduais ou para o governo federal.Isto não torna o trabalho de diagnóstico e elaboração de propostas um exercício inútil, mas permite entender melhor o seu alcance. Só em casos excepcionais propostas bem fundamentadas, mas caras e complexas, são adotadas diretamente pelos governantes. Mas elas podem ter um efeito de longo prazo, de formação das agendas de política pública. Propostas bem construídas circulam pela imprensa, alimentam colunas de opinião, aparecem em debates eleitorais e aos poucos tornam-se parte do vocabulário comum, inclusive de adversários ideológicos, que raramente citam a fonte original mas acabam absorvendo os argumentos. Para isto, além de tecnicamente bem elaboradas, elas precisam ser claramente inteligíveis e comunicáveis em suas ideias centrais, sem se perder em detalhes. Não basta elaborar um bom projeto e esperar que ele que ele se imponha pela força dos dados e dos argumentos. A comunicação não é um canal secundário, mas, quando bem feita, é tão ou mais eficaz do que o próprio projeto ou proposta que lhe deu origem.

O que traz um dilema que quem trabalha com políticas públicas conhece bem: que grau de detalhe, ou especificidade, as boas propostas precisam ter? Propostas amplas — melhorar o ensino médio, profissionalizar a gestão municipal — são fáceis de comunicar e não assustam ninguém, mas são vazias demais para orientar qualquer decisão. Propostas detalhadas, com desenho de implementação, cronograma, fontes de financiamento e identificação de quem ganha e quem perde são as únicas capazes de gerar mudança real, mas criam mais pontos de atrito: quanto mais específica, maior a chance de que algum detalhe desagrade mesmo a quem, por afinidade política, estaria disposto a adotá-la.

Não há solução fácil, mas os dois estudos sugerem um caminho: apostar menos na crença de que a evidência e lógica falam por si e mais em uma estratégia de comunicação. Pensar quem leva a mensagem e para quem, aceitando que o mesmo conteúdo pode precisar de portadores diferentes conforme o interlocutor. Formular propostas certas é a parte fácil. Fazê-las atravessar a desconfiança política e a real capacidade de execução é o verdadeiro trabalho, e é nisso que os formuladores de propostas para o próximo governo deveriam pensar, tanto quanto no conteúdo técnico de suas recomendações.


[1] Hjort, Jonas, Diana Moreira, Gautam Rao, and Juan Francisco Santini. 2021. “How research affects policy: Experimental evidence from 2,150 Brazilian municipalities.” American Economic Review 111(5):1442-80.

[2] Garcia-Hombrados, Jorge, Marcel Jansen, Ángel Martínez, Berkay Özcan, Pedro Rey-Biel, and Antonio Roldán-Monés. 2024. Ideological Alignment and Evidence-Based Policy Adoption. Institute of Labor Economics (IZA).

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