segunda-feira, 20 de abril de 2026

Elio Gaspari

 Elio Gaspari


A terceira via existe?

Campo tem dois candidatos: Romeu Zema, o ex-governador de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás


19/04/2026 03h30  Atualizado há 9 horas

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Tentar ler numa pesquisa de abril o comportamento do eleitorado em outubro é pouco mais que um exercício de quiromancia, sobretudo quando a Genial/Quaest registrou que há 62% de indecisos.


Há meses, todas as pesquisas trazem notícias ruins para Lula. Pela primeira vez, Flávio Bolsonaro ultrapassou-o, (42% x 40%) dentro da margem de erro e em um cenário estimulado. O sabor amargo dessa pesquisa está na rejeição. Lula tem 55% e Flávio tem 52%, novamente dentro da margem de erro.

A terceira via tem dois candidatos: Romeu Zema, o ex-governador de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás. No cenário de uma disputa do segundo turno, Lula patina na faixa dos 40%, enquanto os dois têm leve viés de alta. Zema tem 36% e Caiado, 35%.

Não se pode cravar, mas a terceira via parece existir. Zema e Caiado vieram de governos bem avaliados. O mineiro com 47% e o goiano com 85%. Eles precisam pescar seus votos entre os indecisos e os 42% que estão com Flávio Bolsonaro. Como sua experiência administrativa, ele limitou-se à gestão de um sobrenome e de uma loja de chocolates. A campanha pode favorecê-los.


A ventania das campanhas eleitorais desarruma previsões baseadas só em pesquisas. A sabedoria convencional trabalha com a hipótese de um segundo turno entre Lula e Flávio, mas em 1989 aguardava-se um segundo turno entre Fernando Collor e Leonel Brizola. Em agosto, Lula tinha apenas 5% das preferências, com viés de queda. Em setembro, ele chegou a 16%, ultrapassando Brizola. Dois meses depois, Lula foi para o segundo turno, quando viria a ser batido por Fernando Collor.

(Naquela eleição, Ronaldo Caiado disputou pela primeira vez a Presidência e acabou em 10º lugar, com 0,72% dos votos).


Sidônio na frigideira

Assim como aconteceu com seu antecessor, os ventos da opinião pública sopram contra o Planalto e a responsabilidade é do ministro da Comunicação Social, o marqueteiro Sidônio Palmeira.

Pensando bem, é para isso que serve o ministro da Secom.


BC e o BRB

O Banco Central pode ter demorado para agir sobre o Master, ou não. Uma coisa é certa, o BC não agiu a tempo sobre o Banco Regional de Brasília, que funcionava como vaca leiteira de Daniel Vorcaro.

O presidente do BRB ao tempo de Vorcaro devia ter sido preso há mais de um ano.


Um canalha americano

Sai em setembro nos Estados Unidos “Canalha americano — A Jornada Sombria de Roy Cohn, de Joe McCarthy a Donald Trump”. Pelo autor, Kai Bird, e pelo personagem, tem tudo para ser um grande livro.


Bird escreveu a saga de Robert Oppenheimer que serviu de base para o filme sobre o pai da bomba atômica americana. Antes, ele havia escrito “The Chairman”, uma biografia de John McCloy (1895-1989), o filho de uma cabeleireira, que se tornou a encarnação do andar de cima dos EUA. Advogado e banqueiro, foi conselheiro de todos os presidentes de Franklin Roosevelt a Ronald Reagan. McCloy passou por Pindorama no final de fevereiro de 1964, defendendo os interesses da mineradora Hanna e esteve com o presidente João Goulart.

A jornada sombria de Roy Cohn começou em 1952. Como promotor, ele mandou para a cadeira elétrica um casal acusado de espionar para a União Soviética. Daí, tornou-se a alma danada das investigações do senador Joseph McCarthy (Na sua equipe estava o jovem Robert Kennedy).

Depois da ruína de McCarthy, Cohn submergiu, advogando em Nova York. Jogando pesado, com uma estampa amedrontadora, dada por um par de olhos azuis e uma enorme cicatriz no nariz, meteu-se em extorsões e acabou perdendo a licença para advogar. Entre seus clientes estavam mafiosos, padres e magnatas do mercado imobiliário. Entre eles, Donald Trump, que fez de Cohn uma espécie de tutor, com telefonemas diários. Trump agradou-o presenteando-o com uma abotoadura de brilhante da Bulgari (falsa).


Cohn morreu aos 59 anos, de câncer (segundo ele) e de complicações da Aids (segundo os prontuários médicos). A última pessoa com quem ele falou, ao telefone, foi Donald Trump.


Trump e os delinquentes

Donald Trump repete que muitos imigrantes sem papéis são delinquentes e devem ser deportados.

Tudo bem, mas o governo americano prendeu e soltou o doutor Alexandre Ramagem.

Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão por ter se metido na armação do golpe de 2022/2023.


A encrenca do Judiciário

Noves fora as farofas, impropriedades e onipotências de alguns ministros do STF, talvez esta seja a hora de dar um freio de arrumação na magistratura.

Com a Constituição de 1988, perdeu-se a oportunidade de transformar o Supremo em Corte Constitucional. Isso se deveu inclusive ao interesse de alguns ministros que, com a mudança, perderiam poder. Resultado: o Supremo virou uma quarta instância, recebendo litígios triviais e acumulando superpoderes que deram no que deu.

Uma série de circunstâncias e ambições levaram o STF para o centro do palco, um problema inédito e desnecessário.

O Supremo é o topo de uma pirâmide mal ajambrada. Nenhuma magistratura funciona direito com 80 milhões de processos tramitando e com 35 milhões de novos casos a cada ano. Daí advém uma sobrecarga que é metabolizada em penduricalhos y otras cositas más.

O palhaço Tiririca estava errado: o que vai mal, piorará.


Mariz, 55 anos de advocacia

O advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira lança na quinta-feira, em seu escritório de São Paulo, o livro “Casos e causos — A trajetória de um defensor”. São 55 anos de advocacia em 272 páginas e 50 casos.

Tem de tudo. A mulher pobre que mata o companheiro que molestava a filha (absolvida). Como assistente de acusação, Mariz condenou filhos que mataram a mãe, viu ministro do Supremo maltratando advogado e promotores mais interessados em acusar do que em buscar a justiça. Tudo isso e mais uma referência da defesa da princesa Caroline de Mônaco, ofendida por um grã-fino paulista.

Em sete páginas, Mariz conta o seu caso de maior repercussão, a defesa do presidente Michel Temer, em 2017. Os dois partilham “uma amizade que ultrapassa meio século”. Sai mal no episódio o procurador-geral Rodrigo Janot, com sua famosa frase, “enquanto houver bambu, lá vai flecha”.

Mariz critica o tratamento dado ao grampo da conversa de Temer com o empresário Joesley Batista: “Foi apontada a existência de uma série de interrupções e hiatos na gravação”. Com a defesa de Mariz, a Câmara dos Deputados rejeitou a denúncia de Janot. Esse caso/causo chama-se “Em defesa de um amigo”.


“Casos e Causos” repassam 55 anos de trabalho de um advogado que está de bem com a vida. Seus personagens são de carne e osso, mas Mariz pincela passagens com críticas e louvores ao funcionamento do Judiciário. É um curso-relâmpago de Direito.

China, de Walmir Buzzato

 CHINA - Uma viagem (ou duas?) 


Vou começar com um pouco de retrospectiva, mas quem não tiver paciência pode pular para o parágrafo seguinte, não vai perder muito. É que eu gosto de dar o contexto, e muita gente não tem tempo para isso. Bem, vamos lá: eu, como engenheiro eletrônico, especialidade computação (de uma época em que um computador enchia uma sala refrigerada e tinha menos poder de computação que o relógio de pulso que uso hoje), sempre fui ligado no assunto das redes de comunicação, bem antes da internet. Na década de 80 tive minhas primeiras experiências com computação pessoal; na década de 90 a primeira vivência de redes (ainda antes da internet, mas já conversando em BBS - os bulletin board systems, onde você se ligava com um modem e linha discada a um servidor e compartilhava arquivos a papeava com pessoas online); depois a internet, ICQ, Orkut, etc, até chegar, já na primeira década do século XXI ao Facebook, onde acabei criando raízes e meio que ‘parei no tempo’. Não entrei a fundo no Instagram e no Twitter (mas fechei minha conta assim que Elon Musk o comprou e mudou o nome); achei um ‘modus vivendi’ que me satisfaz no Facebook, encontrei antiga amizades perdidas, fiz novas amizades e é disso que vou falar a seguir.


Pronto, se você chegou aqui lendo o parágrafo anterior, parabéns; se veio direto pelo atalho, não tem problema. O importante vem agora.


Fiz muitos amigos no Facebook, a maioria nem conheço pessoalmente, mas sinto grande afinidade com a maioria deles. Verdade que mantenho minha página fechada, uma quase bolha só para amigos, e estes escolho com cuidado. OK, e entre esses amigos tenho Carmen Lícia Palazzo, historiadora, casada com o diplomata Paulo Roberto de Almeida, também meu amigo. Um dia ainda vou pegar um avião e ir a Brasília conhecê-los pessoalmente. Aprendo muito com os dois e respeito o conhecimento deles, com uma educação superior que me faz, às vezes, arrepender de não ter seguido uma carreira de humanas. Carmen Lícia é expert na cultura chinesa e acaba de lançar um livro sobre suas viagens naquele país, que fez no período em que moraram lá por ocasião de uma feira internacional em Shanghai, onde Paulo organizou o pavilhão brasileiro. Acabei de ler o livro em edição Kindle e preciso recomendá-lo fortemente a quem se interessa pela China.


Como falei, conheço - virtualmente - o casal há alguns anos (o tempo passa rápido!) e, quando minha afilhada, médica formada no ano passado, me desafiou a acompanhá-la a Shanghai para uma apresentação que ela ia fazer num congresso médico, caso seu ‘paper’ fosse aceito, minha resposta imediata foi ‘Claro!’. Conheço o trabalho dela, uma pesquisa inédita relacionando a ocorrência de epilepsia em pacientes submetidos a cirurgia crânio-facial (me perdoem a falta de termos mais técnicos), e também sei do empenho dela quando se dedica a uma tarefa. Eu já tinha estado na China brevemente, em 2007, numa visita muito rápida a Beijing para visitar uma feira de máquinas operatrizes, e o que eu vi naquela época não me surpreendeu muito, tirando o trem-bala entre o aeroporto e o centro da cidade. Após me comprometer com a resposta positiva, eu imediatamente entrei em contato com a Carmen Lícia pedindo dicas, pois eu sabia que ela tinha morado justamente em Shanghai, mas isso foi antes da publicação do livro. Ela me deu algumas dicas que obviamente incluí no roteiro. Volto a isso já, antes um comentário sobre a duração da visita.

 

Quando a Daniela (é o nome da sobrinha/afilhada/médica com futuro brilhante) me contou sobre a possibilidade da apresentação de seu trabalho, eu perguntei qual a duração do congresso. ‘Uma semana’, foi a resposta. De posse das datas, reservei as passagens, o hotel, e comecei a pensar no que fazer enquanto ela ia no congresso. A verdade é que ela só ia apresentar o trabalho, um único dia, onde ela teria 3 minutos de espaço na agenda! O resto foi passeio mesmo. Acho que ela, meio sem querer (ou não?) me armou uma armadilha. E foi ótimo assim; se tivesse sabido de antemão que ela teria apenas 3 minutos no congresso, eu teria me questionado se valeria a pena uma viagem daquelas! 


Valeu a pena por dois ou três motivos: em primeiro lugar, a apresentação dela foi um sucesso, e de quebra, fez bons contatos no meio em que ela está se inserindo (cirurgia plástica, tanto corretiva como estética); em segundo ou terceiro lugar, fizemos turismo seguindo as dicas de Carmen Lícia, e foi fantástico. 


Como estaríamos em Shanghai por uma semana, visitar outros locais turísticos na China ficava meio inviável, exigiria longos deslocamentos de avião, mais despesas, etc. A região de Shanghai sozinha já justifica semanas de permanência para conhecer parte da cultura chinesa, seus museus, sua história e seu povo. Visitamos duas cidades recomendas por ela e uma terceira um pouco mais distante em direção Sul para conhecer uma muralha feita pelo mesmo construtor que posteriormente foi contratado pelo governo central para projetar e coordenar a construção da muralha mais famosa no Norte. Todas as viagens foram de um dia: pegávamos o trem cedinho, andando entre uma e duas horas num trem bala (200 a 270 km/h) e chegando lá éramos recepcionados por um guia local que nos levava para conhecer o lugar e suas atrações. A volta a Shanghai era no fim da tarde/início da noite. Falei sobre essa viagem e postei fotos em novembro de 2025, depois vou colocar um link para aquela postagem nos comentários.


Por que estou fazendo esta postagem agora? Porque o livro de Carmen Lícia me fez querer voltar pra lá e gastar muito mais tempo na região, e depois viajar para outros lugares relatados por ela no livro e ficar conhecendo melhor aquele país. O livro é curto, eu li em três dias, e terminei agora há pouco. Já estou tentando convencer minha mulher a ir comigo conhecer a China! Para aproveitar melhor uma viagem dessas, é preciso desvincular governo atual, uma ditadura de um partido só, da cultura milenar chinesa, da mesma forma que é preciso desvincular o governo dos aiatolahs do Irã da cultura milenar persa. O povo nas ruas, no seu dia-a-dia, é aquele mesmo que viveu sob diversos tipos de governo; a cultura amadurecida ao longo de milênios é a mesma, seja sob um governo liberal ou sob uma ditadura. O livro de Carmen Lícia passa longe de qualquer avaliação política ou ideológica, focando nos aspectos culturais e religiosos de seu povo. De novo, comprem o livro, seja na versão Kindle ou em papel. Eu já encomendei uma cópia impressa para presentear à minha afilhada Daniela. O risco é ela arrumar outro congresso por lá…

Livrarias

 Saiu no El País texto sobre as (não) vendas de livros em livrarias (não pesquisaram Amazon que, creio eu, por ter preços mais baixos deve ter números de vendas melhores). 

Aqui no Rio, nós "órfãos da Leonardo Da Vinci" (disse um usuário antigo e me inclui na lista), não temos muitas opções, nem bons livreiros que nos auxilie. 


El País: "El dato que alarma a las librerías de España: la mitad de los títulos que tienen disponibles no vende nada

La multiplicación de novedades, la concentración en grandes grupos y los riesgos para la bibliodiversidad preocupan a Cegal, la confederación del sector, cuyo estudio más reciente concluye que solo el 4,5% de las obras supera los 100 ejemplares


Tommaso Koch

Madrid - 12 ABR 2026 


Se supone que un libro quiere ser leído. Igual que una película necesita espectadores. Y un disco, oyentes. Incluso El libro que no quería ser leído, texto infantil del sueco David Sundin, busca lo mismo que cualquier creación cultural: público. Aunque sea una persona. Sin embargo, a cada vez más obras literarias les cuesta hasta eso: el 49,4% de los títulos impresos disponibles en las librerías de España vende cero ejemplares a lo largo de un año. La cifra abarca novelas, ensayos o cómics, incluye novedades y fondo, también de autoedición, en establecimientos independientes, así como en grandes cadenas. No se contabilizan, eso sí, manuales de texto ni Amazon. El dato se reveló hace pocas semanas en el último Congreso de Librerías. Y lleva años subiendo, según Cegal, la confederación de los libreros que organiza el evento. Tanto que la entidad ya ha puesto su foco en analizarlo, desglosarlo y, a ser posible, solucionarlo. Las respuestas llegarán en futuras ediciones de la cita. Pero, mientras tanto, da para unas cuantas preguntas.


Más información

Cada hora se publican en España diez libros nuevos: ¿se editan demasiados títulos?

“En España se venden muchos libros: unos 76 millones de obras impresas en 2025, un 4% más respecto al año anterior, según la consultora GfK. Pero estamos ante un mercado sobresaturado. Salen más novedades de las que se venden y de las que un librero es capaz de seleccionar. Se dejó de velar por la calidad y se decidió apostar por la cantidad”, reflexiona Pilar Asuero, escritora de Las cabras (Altamarea) y editora en Siglo XXI. La facturación de la industria editorial vive tiempos de subida consecutiva, igual que los lanzamientos: más de 90.000 libros al año, en cálculos del sector. Si se criban solo obras literarias con enfoque comercial, la cifra baja: hasta 30.000 o 10.000, en la estimación más conservadora. Significa mínimo 27 novedades al día. Y eso a falta de los miles de títulos del fondo. ¿Hay lector para tanto libro?


“Una clave está en el espacio. Hay títulos que no salen para vender, sino para ocupar sitio en las estanterías, sobre todo por parte de los grandes grupos. A menudo tienen alta rotación, a la semana siguiente les sustituye otro”, tercia Enrique Redel, editor del sello independiente Impedimenta. “No se trata de que quien quiera escribir no pueda. Pero nadie es capaz de asimilar este volumen. Y no tiene sentido meter en el canal un libro que genera cero ventas”, agrega Javier Cámara, encargado del establecimiento en Bilbao que lleva su apellido, y de la exposición donde se abordó el asunto en el congreso. El librero descubrió hace poco el caso de una editorial que bajó el ritmo para centrarse en la calidad, pero reculó a los dos años, porque estaba perdiendo superficie de exposición. Aunque Redel asegura que esa es su apuesta: “Intentamos reducir la producción. Sacamos 25 libros al año, clavados. Queremos arroparlos con la promoción, que las librerías los mantengan y cuidar nuestro nicho fiel de lectores”.


Tanto librero como editor recurren al mismo símil: la aplicación de citas Tinder. Porque cada semana Cámara hojea 300 o más títulos y debe escoger unos 120 para sus estanterías. Dice que algunos los tiene claros, pero la mayoría de la selección se va pareciendo al célebre match sentimental: sí o no, en pocos segundos, y a lo siguiente. El amor literario también va deprisa: flechazo o hasta nunca. Y por más que Impedimenta avise de que no acepta manuscritos, igual que muchas editoriales, recibe unos 10 al día. Por la mesa de Redel pasan entre 600 y 1.000 al año, de los cuales lee 100 y publica una cuarta parte. Así, por ejemplo, se le escapó La temporada de las frutas envenenadas, de Vera Bogdanova: cuando pudo verlo y quiso pujar, tras adorarlo, estaba adjudicado. Las plantillas habitualmente pequeñas de editoriales y librerías independientes tampoco dan para más. Y desde Cegal añaden otra tendencia: aumenta la desaparición de títulos. Demasiado libro hay ya, como para cuidar las viejas perlas. Así puede darse la paradoja de no hallar lo que se busca en un catálogo desmesurado.


“Si como editores disponemos de más tiempo para leer y trabajar los textos, salen mejores obras. Si los y las libreras lo tienen para leer y seleccionar, se construyen escaparates con sentido. Si los lectores reciben una propuesta abarcable, cuentan con más herramientas a la hora de escoger. Aunque parezca contraintuitivo, una oferta exacerbada atenta contra la bibliodiversidad. Se vuelve puro ruido: comienzas a ver siempre los mismos libros en la mesa de novedades y en los suplementos culturales. Y todos leemos lo mismo”, señala Asuero. Otros datos de Cegal lo refuerzan: en librerías, únicamente el 4,5% de los títulos despacha más de 100 ejemplares al año. Y más del 40% de las copias vendidas corresponde a dos grupos, Penguin Random House y Planeta. Los establecimientos independientes duplican a las cadenas en variedad: más de 525.000 títulos, frente a 229.633. Sin embargo, los grandes espacios acaban de adelantarse por primera vez en ejemplares vendidos: el 52% del total. Así, solo unas pocas obras logran un lugar al sol. El resto navega sepultado en el fondo del iceberg. A priori, las oportunidades se han multiplicado. La práctica dice algo distinto. O contrario.


Entonces, ¿cómo conseguirlas? Contratar a un agente aumenta las opciones del escritor y garantiza al editor un filtro de confianza. El anuario estadístico del Ministerio de Cultura ofrece más pistas: el tema es la principal razón para escoger un libro, por delante del autor, las opiniones de amigos y familiares o las redes sociales. Ni el 5% de los encuestados dijo tener en cuenta críticas, publicidad y, menos aún, los premios. Aunque Redel propone lo opuesto: “Cuando estalló el fenómeno de Cincuenta sombras de Grey una revista me preguntó: ‘¿Cuántas novedades eróticas sacas este año?’. Pero nosotros, cuando el tema está de moda, huimos”. Las cifras de Cultura dicen también que triunfa sobre todo la novela contemporánea, en particular histórica y de ficción criminal.


Siempre y cuando se lea, eso sí: lo hace al menos una vez al año el 64,9% de la población, frente al 65,8% en 2018/2019. Un tercio de la ciudadanía lo incluye entre sus costumbres semanales. Pero uno de cada 10, por el contrario, asegura que no le gusta leer, porcentaje idéntico al de los hogares con menos de 10 libros. La mitad de la población (48,8%) tiene menos de 50 en casa. A saber cómo lo encajaría el fallecido Umberto Eco, defensor de la acumulación de libros sin leer. Su “antibiblioteca”, como la bautizó, tenía 50.000 títulos.


“Influyen muchos factores en la venta: desde la editorial en que se publica (si pertenece o no a un gran grupo, su prestigio, los recursos para la promoción, el interés en medios, la fidelidad del público), si a las librerías les gusta, el boca a boca. Pero muchas veces juega el azar. Antes de que Altamarea apostara por Las cabras, otras editoriales lo rechazaron alegando que no tenía trama y no creían que podría funcionar de la mano de una autora novel”, relata Asuero. Pero su ópera prima celebra un impacto de ventas positivo. Y se lo agradece también a muchas bookstagramers (prescritoras de libros en redes sociales): “Influyen porque su contenido se dirige a un público muy lector, las mujeres entre 25 y 35 años”.


El libro, además, puede buscar indicios a su alrededor. El volumen de novedades literarias también abruma y preocupa en otros grandes países de la UE. Y, por comparar, el 60% del cine español exhibido en salas en 2025 vendió menos de 500 entradas, en datos de Cultura. Aun así, la cantidad de novedades fílmicas no para de subir, con semanas donde coinciden hasta 14 o 16. Y eso que, desde hace tiempo, apenas una veintena de películas suele concentrar en torno a la mitad de la taquilla anual. En los videojuegos también se habla de saturación: Steam, la principal plataforma para ordenadores, incorporó 21.551 títulos solo en 2025. Aunque un largometraje que nadie haya disfrutado en la gran pantalla siempre tiene la esperanza de resucitar online: en streaming ya se ve tanto cine como en salas, o más. La mayoría de libros, en cambio, se juega (casi) todo en semanas, con suerte pocos meses, en las estanterías. De ahí, vuelta a las editoriales. Y a las sombras. O incluso la eliminación física. No precisamente el epílogo soñado tras meses o años de esfuerzo de un creador.


“Si en una editorial un libro no vende, puede que otro logre un gran alcance y levante los números (aunque no siempre es así, sobre todo en los sellos realmente independientes). Y si en una distribuidora hay una editorial que no vende mucho, otra lo compensa. Cuando eres autor/a, sobre todo novel, eres tú y tu libro. Puedes dar las gracias si aguanta una semana en la mesa de novedades, es fácil que al mes lo devuelvan, al año destruyan la tirada y quede en el olvido”, subraya Asuero. Para definir al sector editorial se han usado muchas metáforas: bicicleta, rueda del hámster, todo o nada. Se refieren a más y más obras para que el sistema siga adelante y un potencial éxito de mañana cubra los eventuales agujeros de ayer. Aunque el modelo reparte al autor cartas con las que cuesta ganar: adelantos cada vez menores, o hasta inexistentes; una tirada media inferior a los 4.000 ejemplares; y apenas un 10% de ingresos sobre el precio de las ventas. “Quien se mete en esta industria sabe que muchas veces lo que va a moverle es el entusiasmo antes que el dinero. Pero no debería sacrificarse una cosa por la otra. Me entusiasma escribir, pero también poder pagar el alquiler”, agrega Asuero.


“Cualquiera puede editar un libro, pero no significa que sea un autor. Igual que tener una cámara no se traduce en ser fotoperiodista”, matiza Cámara. Hay quien publica por su cuenta, o a través de una editorial que solo ejerce de imprenta; despuntan jóvenes narradores que arrasan primero en plataformas online y luego en papel; y están los autores tradicionales, vinculados a sellos reconocidos. Desde Cegal sospechan que justamente el boom de la autoedición explique en parte por qué tantos libros no venden nada. Pero Redel aplaude también a compañeros de otros sellos: Libros del Asteroide, Acantilado, Sexto Piso, Galaxia Gutenberg, Errata Naturae o Nórdica. Javier Cámara afirma: “Si solo me dejo llevar por la corriente, me convierto en un librero de grandes sellos. Hay que hacer una tarea de independencia”. Y Pilar Asuero agrega: “Como lectores debemos creernos el peso que tenemos en la cadena del libro: sin nosotros, se desmorona. Así que elijamos bien a quién le damos nuestro dinero”. Entre tantísimas opciones, debe de haber una perfecta para cada lector. Se trata de encontrarla."

Comprometimento de renda com divida

 *COMPROMETIMENTO DA RENDA ACIMA DE 70% E JUROS ALTOS LEVAM CALOTE DOS BRASILEIROS A NÍVEL RECORDE*


Por Marcia de Chiara, do Estadão


 São Paulo, 19/04/2026 - Nunca houve tantos brasileiros inadimplentes nem dívidas em patamares tão elevados como agora no País. Pior: o ritmo de crescimento dos débitos já supera a inflação acumulada nos últimos dez anos.


 O que chama a atenção é que esse aperto no bolso do consumidor ocorre mesmo com a taxa de desemprego na mínima histórica, a renda real dos trabalhadores batendo recorde de alta e a economia crescendo.


 Reduzir a inadimplência que afeta hoje 81,7 milhões de brasileiros, com dívidas não pagas que somavam R$ 539 bilhões em fevereiro deste ano, segundo a datatech Serasa Experian, virou foco de preocupação do governo, sobretudo em ano eleitoral.


 Mas o que explica essa aparente contradição entre o bom desempenho da macroeconomia e a dificuldade nas finanças pessoais? O pano de fundo, segundo economistas especializados em crédito ouvidos pelo Estadão, é a elevada taxa de juros.


 A Selic ficou por muito tempo estacionada em 15% ao ano, o maior nível em duas décadas. Em 18 de março, o juro básico teve um ligeiro recuo para 14,75%.


 Além dos juros elevados, o alto comprometimento da renda dos brasileiros é apontado por especialistas como um fator que turbinou a inadimplência.


 Em meados do ano passado, por exemplo, cada brasileiro estava, em média, com 70,5% da sua renda comprometida com pagamento de dívidas assumidas e com contas básicas do dia a dia, como água, luz, telefone e aluguel, revela pesquisa da datatech.


 Por faixa de renda, o cenário é ainda pior. Quem ganha um salário mínimo por mês (R$ 1.621) tinha 90% da renda comprometida com dívidas e com contas básicas. E quem recebe dois salários mínimos (R$ 3.242), 80%. De acordo com a datatech, 78% dos inadimplentes têm renda de até dois salários mínimos.


“Isso mostra o quanto o brasileiro está supercomprometido e nos ajuda a entender por que estamos no nível recorde de inadimplência no Brasil, mesmo com o mercado de trabalho superaquecido”, afirma a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack.


 O dado sobre comprometimento de renda da Serasa supera de longe o do Banco Central (BC), que não inclui contas básicas. O comprometimento de renda com dívidas, segundo o BC, alcançou 29,3% em janeiro deste ano, maior patamar da série iniciada em 2005, incluindo o financiamento imobiliário. Quando é excluído o crédito para compra da casa própria, o comprometimento da renda recua para 27,1%.


 Luiz Rabi, economista-chefe da Enótita Investimentos, escritório de investimentos da XP, observa que o comprometimento da renda, sem considerar os financiamentos imobiliários, é elevado e cresceu cerca de três pontos porcentuais do final de 2023 até janeiro deste ano, segundo dados do BC.


 Mesmo com a renda aumentando, diz o economista, o serviço da dívida, que é composto pela amortização e os juros, cresceu mais. Por isso, o endividamento está pesando mais no orçamento. “É isso que gera inadimplência: as pessoas acabam comprometendo demais a sua vida com as dívidas, às vezes não por culpa delas, mas por culpa de algo externo, que foi o aumento dos juros.”


Silvanete Almeida Cavalcanti, de 44 anos, pedagoga, mãe de um casal de filhos, por exemplo, sentiu no bolso o efeito bola de neve dos juros altos. Dez anos atrás, ela gastou R$ 300 no cartão de crédito com compras. Na época, perdeu o emprego e não conseguiu pagar a fatura.


 Resultado: a pendência no cartão de crédito estava no mês passado em R$ 10 mil. Por causa dos juros, a dívida começou a crescer de uma forma que ela não conseguiu dar conta.


“Quem paga aluguel, tem filho, tem despesas pessoais, não vai tirar um dinheiro que é usado para cuidar da família para pagar isso aí (a dívida em atraso) que está num valor alto”, diz a pedagoga.


 No mês passado, Silvanete, que toca um negócio próprio vendendo ervas e temperos e tira cerca de R$ 3 mil por mês, conseguiu sair da inadimplência.


 Num feirão de renegociação, obteve um desconto de 99% na pendência. A dívida de R$ 10 mil foi liquidada R$ 157 à vista. Outras dívidas não pagas de compras no varejo e contas de energia elétrica, que somavam R$ 1,8 mil, foram renegociadas com um pequeno abatimento e parceladas em quatro vezes.


 A partir de agora, ela não pretende usar mais cartão de crédito e seguir a vida com mais cautela, sem se endividar. “Conseguir crédito é fácil, difícil é pagar.”


*Oferta de crédito*


 Camila lembra que houve uma grande oferta de crédito nos últimos tempos por causa do avanço da bancarização da população, com novas instituições financeiras, como fintechs e bancos digitais, entrando no mercado.


 Entre 2016 e 2026, por exemplo, a fatia dos bancos e financeiras na inadimplência foi a que mais cresceu, com alta de 14,4 pontos porcentuais. Em 2016, a participação era de 32,7% e subiu para 47,1% em fevereiro deste ano, segundo a Serasa. Isso deixou os tomadores de crédito mais sujeitos à alta dos juros.


 Também a participação das contas básicas na inadimplência aumentou no mesmo período, porém com menor intensidade comparada à dos bancos e financeiras. A fatia das contas básicas na inadimplência estava em 13,9% em 2016 e subiu para 21,4% este ano, uma diferença de 7,5 pontos porcentuais .


*Perspectiva*


 Depois do boom da oferta de crédito ao consumidor com recursos livres, o ritmo das concessões está desacelerando. No acumulado em 12 meses até janeiro de 2025, a aprovação de novos empréstimos avançava 15,2%, mas em janeiro deste ano, cresceu 9,1% na mesma base de comparação, segundo dados do BC.


“As instituições financeiras estão desacelerando o ritmo de concessão, principalmente nas modalidades de juros mais baratos”, observa Camila.


 Isso significa que o brasileiro está se endividando nas linhas de financiamento mais caras, como o crédito rotativo do cartão e o cheque especial, por exemplo. Por isso, a perspectiva é de que tão cedo não ocorra queda na inadimplência, prevê a economista.


 Em março, 80,4% das famílias tinham dívidas em atraso, segundo pesquisa da Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Fabio Bentes, economista-chefe da entidade, diz que essa marca recorde já seria preocupante por conta dos juros elevados.


 No entanto, o economista acrescenta outro fator recente que agrava esse cenário e pode turbinar a inadimplência: a alta da inflação, puxada pelo combustível em razão da guerra no Oriente Médio.


 O último Boletim Focus do BC mostra que a inflação esperada pelo mercado para este ano é de 4,7%. Com isso, a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a medida oficial de inflação, voltou a ficar acima do teto da meta de 4,5%.


 Se a perspectiva de alta da inflação se confirmar nos próximos meses, o BC deve reduzir o ritmo de corte nos juros. Bentes diz que, antes da guerra, tudo levava a crer que haveria uma trajetória de declínio da inadimplência ao longo de 2026 por conta da queda da taxa básica de juros.


“O que a gente não esperava é que o choque promovido pela guerra no Oriente Médio e, consequentemente, sobre o petróleo e a inflação aqui no Brasil, fosse se dar poucos meses depois como se deu.” Por isso, diz o economista da CNC, nada garante que essa tendência de arrefecimento da inadimplência se confirme daqui pra frente.


*Desenrola 2*


 O governo está prestes a iniciar um novo programa de renegociação de dívidas, batizado informalmente de Desenrola 2, para reduzir a inadimplência.


 Economistas acreditam que o efeito do novo programa será efêmero, como ocorreu no Desenrola 1, em 2023, se não for atacada a raiz do problema da inadimplência elevada, que é o juro alto.


“O Desenrola 1 favoreceu os bancos”, diz Rabi. Como cada inadimplente tem, em média, quatro dívidas, as primeiras pendências renegociadas no Desenrola 1 foram com o sistema financeiro.


 Isso porque o inadimplente tenta recuperar primeiro o crédito bancário, como o cartão de crédito e o cheque especial, por exemplo, para ter margem de manobra, a fim de pagar outras dívidas, como as contas de telefonia, de varejo, por exemplo, nas quais as penalidades por causa do calote são menores. “Se uma pessoa não paga o banco, ela perde o cheque especial, o cartão de crédito e o transtorno é maior.”


O Desenrola 1, segundo Rabi, não teve fôlego muito grande para diminuir a inadimplência de forma geral. O programa reduziu o calote junto aos bancos. Passados alguns meses, a inadimplência voltou a subir. Isso porque o ponto central não foi atacado: a redução da taxa básica de juros.


“Desenrola funcionou como uma limpeza pontual de carteira, sem alterar os determinantes estruturais do endividamento, como o nível de juros, o comprometimento de renda, o acesso ao crédito rotativo de alto custo”, escreveu o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, no último relatório da consultoria sobre a conjuntura.


 Um estudo realizado por Vale mostra que o programa de renegociação de dívidas “produziu uma redução estatisticamente significativa e economicamente relevante na inadimplência das famílias de baixa renda, da ordem de 2 a 3,5 pontos porcentuais nas linhas de crédito sem garantia”.


Segundo o economista da MB, o efeito na redução da inadimplência foi temporário e acabou 18 meses após o lançamento do programa. “A inadimplência retornou, em muitos casos, superando os níveis pré-programa.”


Se seguir os moldes do Desenrola 1, o novo programa do governo para renegociação de dívidas deve aliviar a situação da inadimplência no curtíssimo prazo, diz Bentes da CNC. Mas não irá atacar, na sua opinião, o ponto central que não é o desequilíbrio no orçamento das famílias, mas sim o desequilíbrio no orçamento do governo. “A taxa de juros está lá em cima porque o governo ainda não conseguiu convencer os agentes sobre a sustentabilidade das contas públicas.”

Leitura de domingo

 *Leitura de Domingo: brasileiro ainda prefere agência física em atividades bancárias complexas*


Por André Marinho


São Paulo, 15/04/2026 -  O brasileiro se mostra aberto a experimentar tecnologias emergentes como a inteligência artificial na gestão de serviços financeiros. Mas na hora de abrir uma nova conta ou receber aconselhamento sobre investimentos, ainda prefere deixar o celular de lado e resolver questões mais complexas na agência física do banco. O comportamento foi captado na edição de 2026 da pesquisa sobre tendências bancárias da Accenture, obtida com exclusividade pela Coluna.


O levantamento consultou 10 mil clientes em 10 mercados globais. No Brasil, onde foram ouvidos mil pessoas, 86% dos participantes disseram que usariam um assistente de IA que respondesse a perguntes e até agisse em nome do usuário (por exemplo, para transferir dinheiro parado). Mais do que isso: quase a metade (47%) dos interessados considerariam até mudar de banco se o serviço não estivesse disponível em sua instituição principal.


Segundo a sondagem, 73% dos indivíduos usariam uma ferramenta de IA para ajudar em tarefas não bancárias, como compra de mantimentos, eletrônicos ou passagens aéreas. Uma parcela similar (75%) também está aberta a um assistente financeiro GPT em plataformas para além das bancárias, o que levanta riscos de desintermediação.


Apesar disso, as agências continuam como o canal preferencial para a realização de atividades complexas. De acordo com a pesquisa, 74% dos clientes brasileiros gostam da ideia de ter um banco físico como um "orquestrador de vida", ou seja, um hub para gerenciar eventos de vida inteira, como a compra de uma casa ou planejamento familiar, em vez de apenas transações financeiras individuais. Ao mesmo tempo, 89% afirmaram que usariam micro agências ou "cabines inteligentes" (quiosques automatizados de pequena dimensão).


Para o líder da área de serviços financeiros da Accenture, Maurício Barbosa, a dinâmica mostra uma mudança significativa na indústria bancária, em que os consumidores têm demanda por melhor atendimento, reconhecimento, recompensa e proteção. "É um momento que pode mudar de forma estrutural a indústria e a relação entre clientes e instituições financeiras. Um momento de reinvenção dos serviços financeiros", ressaltou.


A pesquisa conclui que os bancos devem integrar-se a GPTs e plataformas de mensagens, mantendo a marca visível, além de incorporar assistentes de IA em interfaces móveis e web com proteções claras. Por outro lado, as instituições financeiras não podem "negiglenciar" as agências e devem criar centros que projetem segurança e solidez.


Contato: andre.marinho@estadao.com


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Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +1,2% US tech +1,3% US semis +2,4% UEM +2,3% Espanha +2,2% VIX 17,5% Bund 2,96% T-Note 4,27% Spread 2A-10A USA=+54pb B10A: ESP 3,38% PT 3,32% FRA 3,57% ITA 3,68% Euribor 12m 2,68% (fut.2,69%) USD 1,175 JPY 186,8 Ouro 4.793$ Brent 95,5$ WTI 89,1$ Bitcoin -1,6% (74.200$) Ether -1,9% (2.268$)


SESSÃO: Ásia sobe (Japão +0,8%, China +0,6%, Coreia +1,0%...) ignorando o ataque americano a um navio iraniano que transitava por Ormuz. A tensão no Estreito aumenta, que volta a ser bloqueado após uma reabertura fugaz por parte dos iranianos e, com isso, o petróleo avança (Brent +5,5% até 95,5 $) e os futuros antecipam uma sessão de quedas na Europa e nos EUA. É a evolução lógica após as subidas de sexta-feira e à espera de que as negociações em Islamabade retomem. Mas também é razoável esperar uma melhoria do tom ao longo da semana e, no mínimo, uma extensão do cessar-fogo que termine esta quarta-feira.


No plano convencional, a temporada de resultados continuará nos EUA, com destaque para Lam Research, Intuitive Surgical ou Tesla, e ganhará inércia na Europa com L’Oreal, BESI ou SAP. Estima-se um crescimento de EPS de +14% nos EUA e +3% na Europa, embora o realmente importante seja analisar as guias das empresas, para ver se antecipam algum impacto derivado da guerra.


Na macro, os indicadores adiantados (IFO e ZEW alemães) ganharão tração enquanto os intermédios (PMIs) continuarão em terreno de expansão. A expetativa de que o final da guerra possa estar próximo contribui, sem dúvida, para esta evolução. Também servirão de catalisador os dados de IPC de março no Reino Unido (+3,3% estimado desde +3,0%) e Japão (+1,4% desde +1,3%) porque, se cumprirem as expetativas, o seu aumento será testemunhal. 


CONCLUSÃO: Estamos num processo de normalização no Irão, que será instável e irregular, mas parece razoável assumir que o pior já passou. Neste contexto, uma macro construtiva e um crescimento de lucros saudável apoiarão umas bolsas que provavelmente evoluem de menos a mais durante a semana. Começarão penalizadas pelo novo encerramento do Estreito de Ormuz, mas poderão melhorar com o reinício das negociações e a extensão do cessar-fogo.

Ditadura do Judiciário

 https://x.com/i/status/2044426269987684730


"É imperativo reconhecer, que o Brasil habita hoje uma catedral jurídica cujas plantas foram meticulosamente desenhadas por Gilmar Mendes. 


O decano não é apenas um magistrado; é o arquiteto-mor de um sistema normativo tão singular que conseguiu a proeza de tornar a letra da lei um mero detalhe diante da "vontade constitucional". 


Com a precisão de um engenheiro social, GM transformou o STF no epicentro de gravidade de todos os conflitos nacionais, convertendo o que deveria ser um colegiado de juízes em um sínodo de semideuses da interpretação.


A gênese desse fenômeno remonta à sua formação em Münster, na Alemanha. 


Ao importar o modelo de Direito Constitucional alemão para o solo tropical, GM não trouxe apenas doutrina, mas uma verdadeira "praga" para a tradição da legalidade estrita. Sob o pretexto de conferir "força normativa" à Constituição, ele substituiu o positivismo — onde a lei é a ultima ratio — por um subjetivismo travestido de técnica. Através de conceitos como a proporcionalidade e a ponderação de valores, o intérprete passou a ter o poder de "saltar" sobre o texto legal aprovado pelo Congresso para fazer prevalecer uma visão política e moral própria, erodindo a fronteira entre o julgar e o legislar e elevando o juiz ao posto de Censor da Razão.


As contribuições de GM para essa hipertrofia são estruturais. Como formulador das Leis 9.868 e 9.882 de 1999, ele forneceu as armas processuais (ADI, ADC e ADPF) para que o tribunal interviesse em qualquer ato do Poder Público. No plano constitucional, sua influência foi decisiva na Emenda Constitucional nº 45/2004, que introduziu a Súmula Vinculante e a Repercussão Geral. Enquanto esta última permitiu à Corte selecionar temas por conveniência política, a Súmula Vinculante cristalizou a palavra final do STF, obrigando toda a administração pública e magistrados inferiores a dobrarem-se ao seu entendimento.

 

Sua atuação na "objetivação" do controle de constitucionalidade e na tese da "abstrativização" do controle difuso retirou do Senado prerrogativas históricas, concentrando no STF o monopólio da interpretação final.


Nesse desenho, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) atua como o braço executivo de um centralismo autocrático. Idealizado para a eficiência, o Conselho tornou-se uma ferramenta de controle férreo sobre a base da magistratura. Juízes de primeira instância são monitorados e punidos por "ativismo" ou manifestações políticas, enquanto os ministros do topo gozam de uma liberdade política absoluta, participando de debates partidários e eventos empresariais sem qualquer supervisão ética. Cria-se, assim, uma "mordaça seletiva", onde o CNJ garante que nenhum juiz ouse aplicar contra a cúpula a mesma liberdade interpretativa que os ministros utilizam diariamente para moldar o país.


O que o sistema desenhado por GM e seus pares logrou foi a criação de uma magistratura silenciada e burocratizada na base, enquanto o topo (STF) goza de uma liberdade política absoluta.


A ironia derradeira dessa arquitetura reside na completa subversão de sua finalidade originária. Enquanto na Alemanha o sistema de valores constitucionais emergiu no pós-guerra como um antídoto ao "legalismo bárbaro", impedindo que a letra fria da lei servisse de escudo para atrocidades estatais, em solo brasileiro, a mentalidade importada de Münster por GM sofreu uma mutação adaptativa. O que nasceu para limitar o Estado foi transfigurado em uma ferramenta para blindar a própria Corte.


Sob a retórica de que "defender o ministro é defender a Constituição", operou-se uma simbiose perigosa entre a instituição e seus membros. Essa personificação do Poder Judiciário ergueu uma couraça de impunidade que neutraliza o sistema de freios e contrapesos. O resultado é a institucionalização de anomalias processuais, como a flagrância perpétua e os inquéritos de ofício, que subvertem o sistema acusatório e transformam o julgador em vítima e investigador simultâneos.


Nesse cenário, a Constituição deixa de ser o pacto social escrito pelos representantes do povo para se tornar um organismo maleável nas mãos dos arquitetos de Brasília. A interpretação constitucional não busca mais a vontade do constituinte, mas sim a sobrevivência e a onipotência de uma elite judicial que decidiu que a estabilidade do regime depende, exclusivamente, da manutenção de seu próprio poder absoluto."


https://x.com/i/status/2044426269987684730

Fórum de Lisboa: para que? para quem? Marcelo Guterman

O tal Fórum de Lisboa me parece algo totalmente fora de contexto e, mais do que isso, fora do lugar. São todos, agradecidos desta formidável...