sexta-feira, 20 de março de 2026

Prediction Market

 *OPINIÃO. ‘Prediction markets’ não são derivativos*


Udo Seckelmann, Pedro Heitor de Araújo e Raphael


20 de março de 2026


O advento dos mercados preditivos está criando uma indústria multibilionária – por enquanto um duopólio formado pela Polymarket e a Kalshi – e suscitando um debate regulatório: os prediction markets se enquadram juridicamente como derivativos?


E, em caso afirmativo, estariam eles sujeitos à competência da CVM?


 Antes de enfrentar essas questões, contudo, é necessário esclarecer o que se entende por prediction markets. Os prediction markets são ambientes que permitem a negociação de contratos vinculados a eventos futuros e incertos, tais como àqueles relacionados a eleições, economia, esportes, clima.


 Nesses mercados, os participantes compram e vendem posições binárias — de “sim” ou “não” — conforme suas perspectivas acerca da ocorrência ou não do evento objeto de especulação.


O preço desses contratos varia entre zero e um, e por meio dele se indica a probabilidade que o próprio mercado atribui ao resultado: quanto mais próximo de um, maior a expectativa de que aquele evento se concretize; quanto mais próximo de zero, menor essa expectativa. 


Assim, os prediction markets convertem expectativas dispersas em preços, funcionando como uma ferramenta altamente eficiente para a projeção de cenários futuros.


Nos EUA, esses contratos vêm sendo qualificados como uma modalidade específica de derivativos, os swaps, cuja oferta está sujeita ao crivo da Commodity Futures Trading Commission (CFTC), a autoridade responsável pela regulação e fiscalização do mercado de derivativos no país.


 Se transportarmos este entendimento para a realidade brasileira, os contratos negociados nas plataformas de prediction markets seriam enquadrados como derivativos, uma espécie de valor mobiliário nos termos do art. 2º da Lei nº 6.385/1976. 


A partir dessa classificação jurídica, a competência para regular e fiscalizar essa atividade recairia sobre a CVM. 


Na prática, isso implicaria que as plataformas responsáveis por viabilizar a oferta e negociação desses contratos seriam classificadas como “entidades administradoras de mercado organizado,” devendo, portanto, observar as regras da CVM aplicáveis, as quais se dividem em dois eixos normativos centrais: as normas sobre a (i) oferta e distribuição pública de valores mobiliários, e (ii) negociação de valores mobiliários no mercado secundário – que contemplam as normativas sobre as entidades administradoras de mercado organizado e as demais infraestruturas necessárias para o pleno funcionamento do mercado secundário, como os depositários centrais, custodiantes e escrituradores.


Diante das complexas repercussões regulatórias, cabe indagar se os contratos negociados nos prediction markets atendem aos requisitos normativos que caracterizam um derivativo.


 Neste ponto, assume especial relevância a definição de derivativos constante da Resolução CMN nº 4.662/18 que – apesar da eficácia restrita ao âmbito regulatório do CMN, não vinculando, de forma direta, a atuação da CVM – ainda assim é a única que estabelece parâmetros objetivos para a classificação de derivativos.


Esta Resolução caracteriza como derivativo o instrumento: (a) cujo valor de mercado é determinado pela variação de taxas, preço de instrumento financeiro, mercadorias (commodities), índices ou outra variáveis similares, desde que, no caso de variáveis não financeiras, estas não sejam específicas em relação a uma das partes; (b) cujo investimento líquido inicial é nulo ou reduzido em relação ao valor do contrato; e (c) preveja liquidação em data futura.


 À luz desses requisitos, nos parece que os contratos negociados nas plataformas de prediction markets não se encaixam no conceito de derivativo delineado pelo Conselho Monetário Nacional. Há duas razões para isso. 


Primeiro, a existência de eventos de caráter não financeiro e/ou sem similitude alguma com taxas, preços, mercadorias (commodities) ou índices. 


Segundo, a ausência de alavancagem financeira, uma vez que o participante tem ciência, desde o início, do valor máximo que poderá perder na transação – inexistindo margens de garantia, ajustes diários ou qualquer mecanismo que permita assumir uma exposição econômica superior ao capital efetivamente investido.


 Sob essa perspectiva, os mercados preditivos podem ser compreendidos menos como instrumentos de transferência de risco financeiro — a característica central dos derivativos — e mais como mecanismos de agregação descentralizada de expectativas e informações, cuja função socioeconômica reside na produção de conhecimento probabilístico.


Esta distinção estrutural enfraquece a subsunção automática desses contratos ao regime jurídico dos derivativos, cuja disciplina jurídica imporia às plataformas de prediction markets – em sua maioria startups – a observância de um arcabouço regulatório extenso e altamente oneroso, com elevação significativa dos custos de conformidade e da complexidade operacional, criando barreiras relevantes de entrada e concentrando a atividade em poucos participantes com elevada capacidade financeira e institucional.


Udo Seckelmann é sócio da área de Gambling & Crypto do Bichara e Motta Advogados. Pedro Heitor de Araújo e Raphael Cvaigman são advogados no mesmo escritório.


https://braziljournal.com/opiniao-prediction-markets-nao-sao-derivativos/

Planner x Rio previdência x Master

 *Ex-presidente da RioPrevidência atribui à corretora Planner aportes de R$ 510 milhões no Master*


Deivis Marcon Antunes afirmou em depoimento antes de ser preso que a corretora havia sido credenciada pela RioPrevidência e fez quatro operações com o Banco Master; procurada, a empresa não se manifestou


*Rombo da Rioprevidência é 500 vezes maior que perdas do fundo com o Master*


Operação na Rioprevidência destaca um problema maior: o déficit estrutural da Previdência fluminense, que supera R$ 20 bilhões anuais.


Em um depoimento prestado antes de sua prisão pela Polícia Federal, o ex-presidente da RioPrevidência Deivis Marcon Antunes atribuiu à corretora Planner aportes de R$ 510 milhões do fundo no Banco Master. Ele negou ser o responsável pelos aportes e disse que a responsabilidade é da diretoria de investimentos da RioPrevidência - o fundo de aposentadoria dos servidores do Estado do Rio.


O depoimento reforça o elo entre os aportes da RioPrevidência e a corretora, que não é investigada pela Polícia Federal, mas guarda relações com personagens e investimentos ligados ao Master. A corretora teve Maurício Quadrado como sócio até 2020. Depois, ele se associou a Daniel Vorcaro no Banco Master. Mais tarde, ele deixou o banco. Procurada, a Planner não se manifestou.


O depoimento, ao qual o Estadão teve acesso, foi prestado à Polícia Civil do Rio de Janeiro. Antunes afirmou que a Planner se credenciou na RioPrevidência e que tinha a função de “custódia de títulos e compra e venda de títulos”. Ele afirma que a empresa realizou “quatro operações com o Banco Master”.


Segundo o ex-presidente da RioPrevidência, foram uma operação de R$ 230 milhões, outra de R$ 120 milhões e duas de R$ 80 milhões. Antunes afirmou que a RioPrevidência contrata corretoras porque não tem mesa de operações, e que a autarquia escolhe as empresas que oferecem as melhores taxas de rentabilidade.


Antunes afirmou ainda que, quando surgiram notícias das dificuldades financeiras do Master, em setembro de 2025, a RioPrevidência cobrou do banco a devolução dos valores investidos ou novas garantias. O Master, então, ofereceu precatórios equivalentes a R$ 1,2 bilhão. O banco, porém, foi liquidado e a operação nunca se concretizou.


Em pelo menos dois trechos do depoimento, Antunes afirmou que a escolha dos investimentos não passava por uma decisão da presidência, mas sim da diretoria de investimentos, então ocupada por Eucherrio Lenner, que também é investigado pela Polícia Federal. O Estadão não conseguiu contato com Lenner.


O ministro do Superior Tribunal de Justiça Carlos Pires Brandão negou um habeas corpus movido pela defesa do ex-presidente do RioPrevidência e manteve Antunes preso preventivamente durante as investigações. A decisão foi tomada no dia 13.


Antunes foi preso no dia 3 de fevereiro por agentes da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal. Ele desembarcou no Aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo, de uma viagem aos Estados Unidos, e pretendia seguir viagem para o Rio.


O voo de Antunes previa conexão em Guarulhos com destino ao Aeroporto do Galeão, no Rio. Ele, porém, não compareceu ao embarque. Em vez disso, alugou um carro e seguiu para o Rio pela Rodovia Dutra. Acabou preso em Itatiaia, já no Estado do Rio, a cerca de 200 quilômetros de São Paulo.


Antunes havia deixado a direção do fundo em 23 de janeiro, após ter sido deflagrada a Operação Barco de Papel, da Polícia Federal, que apura suspeitas de gestão fraudulenta, desvio de recursos e corrupção envolvendo o sistema previdenciário dos servidores do Estado do Rio.


Durante a gestão de Antunes e de outros dois ex-diretores, a RioPrevidência aplicou cerca de R$ 1 bilhão em letras financeiras do Banco Master, modalidade considerada de alto risco.


https://www.estadao.com.br/economia/rioprevidencia-corretora-planner-aportes-master/

Malu Gaspar

 Malu Gaspar 👇☑️


“Apesar da anulação de multas e das sentenças que sepultaram judicialmente a Lava-Jato, nenhum cidadão razoavelmente informado deixou de saber o que se deu nos meandros do poder naquele período, e ninguém nega o que ocorreu no petrolão. 


O que deixamos de saber, porque a apuração foi interrompida, é até onde o Judiciário estava envolvido no rolo. Toda vez que a investigação enveredou por esse caminho, bateu no muro. 


Em setembro de 2019, o grupo de trabalho que atuava no gabinete da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu demissão, em protesto contra a decisão de não investigar o então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. 


Ele havia sido citado em duas delações de empreiteiros — de Marcelo Odebrecht, que se referia a ele como “amigo do amigo do meu pai”, e de Leo Pinheiro, da OAS, que disse ter feito uma reforma na casa de Toffoli e ainda ter dado R$ 1 milhão para o irmão dele comprar a renúncia de um político de Marília (SP). 


A Vaza-Jato já estava na praça com grande repercussão desde 2019, assim como um pedido de suspeição de Sergio Moro, mas o ex-juiz de Curitiba só foi considerado suspeito pelo Supremo em março de 2021, alguns meses depois de vir à tona a delação do presidente da Fecomércio, Orlando Diniz, que afirmava manter vários advogados ligados a juízes e ministros de Cortes superiores em sua folha de pagamento. 


Desde então, o Judiciário, mais especificamente o STF, se envolveu cada vez mais na política, tendo como pano de fundo a festa das emendas parlamentares e o oba-oba dos eventos de lobby mundo afora, disfarçados de discussão jurídica de alto nível. (…)


Eis que agora, depois de sua segunda prisão ser confirmada pela Segunda Turma do STF, Vorcaro promete uma “delação séria”. O recado enviado por seus advogados aos investigadores é que ele não pretende poupar ninguém. 


Se a intenção realmente se confirmar, é certo que boa parte do Centrão virará alvo de inquérito, assim como um naco do petismo, alguns governadores e ainda figuras-chave na burocracia de instituições que deveriam fiscalizar o setor financeiro, como o Banco Central. 


A esta altura, porém, isso é o mínimo, até porque muita coisa que Vorcaro poderia contar já está no material apreendido pela PF em celulares e computadores e nos relatórios de inteligência financeira produzidos pelo Coaf. 


O que nenhum policial federal ou procurador da República minimamente competente poderá deixar de perguntar ao dono do Banco Master é o que, de fato, ele pretendia comprar ao desembolsar R$ 35 milhões por uma fatia do resort Tayayá, de que Toffoli era sócio, qual o verdadeiro escopo do contrato de R$ 130 milhões fechado com Viviane Barci de Moraes, ou ainda o que ele queria saber se Alexandre de Moraes conseguira bloquear, nas mensagens enviadas ao ministro horas antes de ser preso. 


As respostas a essas questões definirão se essa delação será para valer, ou se de novo aceitaremos que se enfiem os esqueletos em algum esconderijo, apenas para vê-los reencarnar em novo escândalo num futuro não muito distante.”

quinta-feira, 19 de março de 2026

Fernando Dourado - Pelo mundo

 As Chocarrices de Trump e o Sorriso do Lagarto.


Vou contar uma pequena história. Em outubro de 1988, eu estava no Japão, imerso num ofurô, lendo as folhas enroladas das mensagens de fax que chegavam do outro lado do mundo. Numa matéria de jornal, falava-se da visita do presidente Sarney a Moscou. Eu tinha terminado um périplo pela Ásia que começara na Jakarta, com escalas de trabalho em Cingapura, Kuala Lumpur, Bangkok, Taipei e Hong Kong. Estava na hora de voltar para São Paulo. Mas então me ocorreu que não custava ir à Rússia, me encaixar na comitiva presidencial e conversar com alguns órgãos que estavam no meu radar desde que Mikhail Gorbachev viera à luz. Pedi então que o escritório refizesse meu trajeto. Era um escambo pouco inteligente. Trocaria uma primeira classe num Boeing 747 da Varig - puro luxo - por uma primeira na Aeroflot, a bordo de um precário Ilyushin IL-62. Mas o primeiro mandamento da vida internacional é a renúncia. O segundo é a resistência à frustração. O terceiro? Um fígado saudável. Terminada a visita de 4 dias, voaria para alguma capital europeia e voltaria para casa. Enquanto emitiam a nova passagem e providenciavam o visto que me seria entregue na chegada ao aeroporto de Sheremetyevo, eu me articulava com os canais diplomáticos para figurar ao lado do pelotão principal, com as graças do embaixador Sardenberg. Eu não tinha tratativas em curso na URSS. O momento, porém, pedia que eu refinasse a leitura sobre a Perestroika e a Glasnost, mantras do novo líder. Um dia conto mais.  


*


O que quero relatar aqui se prende sobretudo ao longo voo de mais de 10 horas. Quando embarquei em Narita, tirei o casaco e entreguei-o à comissária. Na primeira classe, geralmente os sobretudos, capotes e até paletós eram pendurados num rack que ficava no meio da cabine afunilada, no nariz do avião. Mas na Aeroflot era diferente. A comissária de uniforme azul podia até ser uma linda mulher, mas era difícil imaginá-la trabalhando no ramo da hospitalidade de alta gama. Apontando o bagageiro acima do assento, ainda me advertiu, num tom que poderia ter assustado um incauto, que eu logo iria precisar dele. Ou, pelo menos, assim eu entendi. Decolamos em direção a Niigata e, depois da travessia do mar, entramos no espaço aéreo russo sobre Vladivostok. Era um voo diurno. Teríamos claridade praticamente até a chegada. Na altura de Khabarovsk, o almoço foi servido. Ganhei duas bandejas rigorosamente iguais. Cada uma consistia de um Lego de manteiga congelada; um tijolo pardo de pão preto; arenque defumado com raiz forte; um filé alto com duas vagens, paupérrimo de molho e sem sabor; e uma sobremesa que não me dei ao trabalho de ver o que era. "Por que duas?", perguntei. "First Class", ela respondeu. Antes, tinham servido "champanska" da Geórgia e, é claro, havia vodka. Sobre Irkutsk, no Baikal, me esforcei para distinguir alguma coisa, mas só havia o branco infinito da Sibéria em todas as direções, apesar de ainda estarmos no outono.    


*


O sorriso que a aeromoça me negava, ela o dava com folga a um sujeito encorpado sentando à minha frente, na diagonal, que recebeu afagos até dos tripulantes. Envergando os quepes enormes, eles saíam para saudá-lo com deferência, descobrindo a cabeça. Ele praticamente não comeu. Só tomou chá, mordiscou uma pêra e leu o tempo todo. Quando todo mundo ensaiava dormir, ele permanecia ativo. Acabou um livro volumoso e, imediatamente, começou outro. Nas margens, fazia anotações. Eu não dormia nem que quisesse. Por um sortilégio da engenharia aeroespacial soviética, que um dia eu conheceria mais de perto, cada vez que alguém ia ao banheiro e batia a porta, minha mesinha desabava sobre os joelhos. Ademais, o frio reinante na cabine era inaudito. Não duvido que estivéssemos a 14° internamente. Seria efeito dos -80° lá de fora? Não há nexo nisso. O fato é que todo mundo estava hiper agasalhado e o que não faltava era cobertor. Não me atrevi a perguntar quem era o homem. Nem depois que, na chegada a Moscou, ele desceu direto para uma limusine ZIL que o aguardava na pista. O que me chamou a atenção ali foi que o sujeito tinha o dever de casa na ponta da língua. Fosse ele ligado ao Exército, à diplomacia ou à Nomenklatura do Partido, eu sentia, aos meus 30 anos, que ele sabia línguas, filologia, geopolítica, história, filosofia e que, eventualmente, era um apaixonado por literatura, balé e música. Na Rússia de então faltava muita coisa. Mas havia sede de conhecimento. Havia gente pensante.   


*


O que quero dizer? Quem está à frente de um país não precisa ser um sábio nem um erudito. Aliás, raramente eles se dão bem num terreno em que a força é o vetor dominante - mais do que o jeito, o direito e o conhecimento. O que é a política? É entregar o bife sem matar o boi. Reagan foi um grande líder apesar do saber bisonho. Ele ouvia as cabeças ao lado. Quando vejo um sujeito tosco como Trump desencadear uma guerra contra o Irã, não estou preocupado com a popularidade deles nos EUA nem no mundo. O que preocupa é que ele não tem noção das coisas. A falta de livros, o vício acendrado na espetacularização midiática, a ignorância do Direito, a falta de cancha internacional e a necessidade narcísica de brincar de herói, o faz entrar numa barca furada que pode castigar o mundo. A impressão que dá é que, contrariamente ao russo do avião - que espelha a cabeça de quem domina as variáveis, e Putin é outro dessa estirpe -, as pessoas só dizem a Trump o que ele quer ouvir. Duvido que ele ache no mapa onde fica o estreito de Ormuz.    

*


Putin está se beneficiando desses ventos. A Ucrânia sai perdendo, muito embora também tenha se tornado uma referência militar na guerra de drones e tenha abiscoitado um nicho de negócios. Ormuz é a jugular da economia. Índia e China, ou seja, 35% da população do mundo dependem do petróleo que transita por ali - embora não só. O arsenal bélico saudita é decorativo, apesar de impressionante. Se o Irã resolver destruir as usinas de dessalinização do Golfo, ele desestabiliza a região. Isso porque dá para viver sem dinheiro, sem petróleo, sem Bulgari, sem Rolls-Royce. Mas não dá para viver sem água. Trump embarca nessas aventuras baseado em premissas fracas, de sustentação precária. Petróleo a três dígitos, frota naval exaurida e tripulações à beira de um ataque de nervos são apenas alguns dos indícios de que começar a brincadeira sem saber como ela vai se desdobrar é temerário. Não há um país da região que tenha dormido tranquilo desde então. Washington solta bravatas. Pede o engajamento dos europeus e não consegue. No impasse de uma guerra de muito desgaste, é possível que Trump pense em tomar um Cuba Libre. Não digo que Putin calcule bem todos os seus passos. A Ucrânia é uma prova disso. Ela não é a Chechênia assim como o Irã não é a Venezuela. Ademais, a cadeia de comando é patética. Quem é o jovem Kushner? O genro de Trump. Quem é Witkoff? Um aliado nos negócios.  


*


Os livros não salvam o mundo. Mas funcionam como anteparo ao patético e ao desastre.

Delação premiada

 *Delação séria prometida por Vorcaro precisa enfrentar os fantasmas da República*


Quando o petrolão começou, a pergunta era feita olhando para o mensalão. Agora, ela se aplica ao legado da Lava-Jato. A pergunta é simples, mas a resposta é complexa como qualquer transformação histórica e não cabe num único artigo.


Mas há uma lição que já deveria ter sido assimilada há tempos e que o caso Vorcaro prova ainda não termos aprendido: toda vez que se mata uma apuração jogando a sujeira para debaixo do tapete, a podridão reaparece em forma de fantasma, ainda mais assustador.


Apesar da anulação de multas e das sentenças que sepultaram judicialmente a Lava-Jato, nenhum cidadão razoavelmente informado deixou de saber o que se deu nos meandros do poder naquele período, e ninguém nega o que ocorreu no petrolão.


O que deixamos de saber, porque a apuração foi interrompida, é até onde o Judiciário estava envolvido no rolo. Toda vez que a investigação enveredou por esse caminho, bateu no muro.


Em setembro de 2019, o grupo de trabalho que atuava no gabinete da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu demissão, em protesto contra a decisão de não investigar o então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.


Ele havia sido citado em duas delações de empreiteiros — de Marcelo Odebrecht, que se referia a ele como “amigo do amigo do meu pai”, e de Leo Pinheiro, da OAS, que disse ter feito uma reforma na casa de Toffoli e ainda ter dado R$ 1 milhão para o irmão dele comprar a renúncia de um político de Marília (SP).


A Vaza-Jato já estava na praça com grande repercussão desde 2019, assim como um pedido de suspeição de Sergio Moro, mas o ex-juiz de Curitiba só foi considerado suspeito pelo Supremo em março de 2021, alguns meses depois de vir à tona a delação do presidente da Fecomércio, Orlando Diniz, que afirmava manter vários advogados ligados a juízes e ministros de Cortes superiores em sua folha de pagamento.


Desde então, o Judiciário, mais especificamente o STF, se envolveu cada vez mais na política, tendo como pano de fundo a festa das emendas parlamentares e o oba-oba dos eventos de lobby mundo afora, disfarçados de discussão jurídica de alto nível.


O avanço desse movimento acabou sendo ofuscado primeiro pela Covid-19, depois pelo golpismo insistente e perigoso de Jair Bolsonaro, que exigia providências firmes. Mas o fantasma não desapareceu. Ficou apenas escondido num canto, esperando a hora de ressurgir.


Eis que agora, depois de sua segunda prisão ser confirmada pela Segunda Turma do STF, Vorcaro promete uma “delação séria”. O recado enviado por seus advogados aos investigadores é que ele não pretende poupar ninguém.


Se a intenção realmente se confirmar, é certo que boa parte do Centrão virará alvo de inquérito, assim como um naco do petismo, alguns governadores e ainda figuras-chave na burocracia de instituições que deveriam fiscalizar o setor financeiro, como o Banco Central.


A esta altura, porém, isso é o mínimo, até porque muita coisa que Vorcaro poderia contar já está no material apreendido pela PF em celulares e computadores e nos relatórios de inteligência financeira produzidos pelo Coaf.


O que nenhum policial federal ou procurador da República minimamente competente poderá deixar de perguntar ao dono do Banco Master é o que, de fato, ele pretendia comprar ao desembolsar R$ 35 milhões por uma fatia do resort Tayayá, de que Toffoli era sócio, qual o verdadeiro escopo do contrato de R$ 130 milhões fechado com Viviane Barci de Moraes, ou ainda o que ele queria saber se Alexandre de Moraes conseguira bloquear, nas mensagens enviadas ao ministro horas antes de ser preso.


As respostas a essas questões definirão se essa delação será para valer, ou se de novo aceitaremos que se enfiem os esqueletos em algum esconderijo, apenas para vê-los reencarnar em novo escândalo num futuro não muito distante.


https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/coluna/2026/03/delacao-seria-prometida-por-vorcaro-precisa-enfrentar-os-fantasmas-da-republica.ghtml?utm_source=whatsapp&utm_medium=comunidade&utm_campaign=malugaspar

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Copom abre a guarda*


Petróleo não assusta o BC, mas assusta o Fed


… Sem surpresas, o BoJ optou no início da madrugada por manter o juro em 0,75% e, hoje, também o BCE (10h15) e o BoE (9h) não devem alterar suas taxas (2,00% e 3,75%, respectivamente), assim como fez o Fed. A novidade ontem foi Powell ter descartado corte de juros enquanto durar o conflito no Irã e ainda ter cogitado uma alta. O petróleo rompeu US$ 112 na sessão eletrônica e corroborou a abordagem hawkish, mas não impediu o Copom de iniciar o ciclo de corte com 0,25pp e embutir no comunicado o sinal implícito de que, agora que começou, não vai parar. O que se diz é que, no mínimo, vem nova dose de 0,25pp em abril e que o BC pode acelerar o ritmo de flexibilização se a guerra acabar até lá ou o barril se acomodar. Até porque, o Copom esnobou o risco de choque inflacionário.


NÚMERO MÁGICO – Chamou a atenção dos economistas a revisão marginal no comunicado da inflação projetada pelo Copom para o terceiro trimestre de 2027, horizonte relevante da política monetária, de 3,2% para só 3,3%.


… “Não sei como ele [BC] consegue chegar num número tão baixo. Acho que é algo que podemos descobrir melhor no relatório [trimestral de inflação], no fim do mês”, observou o economista Marco Antonio Caruso, do Santander.


… Também o estrategista do BTG Álvaro Frasson se questionou: “será que foi uma revisão do hiato do produto, será que está mais baixo? Teve alguma surpresa muito baixista na inflação corrente que não estamos vendo?”.


… Ao Valor, o ex-BC Fabio Kanczuk (do ASA) disse não entender por que o Copom está cortando a Selic neste momento, já que não há sinais, em sua avaliação, de que a inflação irá convergir para a meta de 3%.


… O mercado desconfia que o BC esteja enxergando continuidade da desaceleração econômica para justificar tanta confiança de que os efeitos inflacionários não se propagarão, apesar da ofensiva militar em curso no Oriente Médio.


… Disse o comunicado que o período prolongado de manutenção da Selic em nível contracionista (15%) propiciou evidências da transmissão da política monetária à desaceleração da atividade, dando condição para ajustar o ritmo.


… Não houve menção à chance de que atividade econômica volte a acelerar no primeiro trimestre, nem mudanças no balanço de risco para a inflação e o comunicado sugeriu que o ritmo de “calibração” pode ser ajustado.


… Está dando spoiler de que o corte de meio ponto segue no jogo, apesar da imprevisibilidade do cenário externo.


… Tudo isso, combinado à revisão mais branda do que o esperado na previsão do IPCA no horizonte relevante, sugere evidências de que o Copom pretende manter a postura dovish na próxima reunião, marcada para os dia 28 e 29/4.


… O mercado vai procurar na ata da semana que vem (terça-feira) mais detalhes sobre os próximos passos.


… Segundo o comunicado, a decisão de reduzir os juros em 0,25 pp é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Até certo ponto, o BC resolveu correr o risco.


… Não deu meio ponto de corte, tampouco deu pausa. Em teoria, não forneceu forward guidance. Mas na prática vendeu a ideia de que o ciclo de queda vai continuar, com guerra ou sem guerra. Pode vir mais 0,25pp ou até 0,50pp.


… A Eytse Estratégia defende o call de meio ponto em abril, na medida em que mesmo um relaxamento monetário mais ousado deve manter a Selic em patamar ainda bastante restritivo, capaz de absorver o choque do petróleo.


… Para o Itaú, a percepção é de que Copom está inclinado a acelerar o ritmo de cortes em abril, a 0,50 pp.


… Já a Warren interpretou a visão de atividade e inflação do Copom como “excesso de otimismo” e defendeu que, enquanto durar o conflito militar dos Estados Unidos contra o Irã, o BC não deveria cortar mais do que 0,25 pp.


… A extensão do ciclo de queda deve depender, em grande medida, da duração da ofensiva de Trump. Mas os novos cortes no horizonte abertos pela linguagem do comunicado resgatam a esperança de Selic abaixo de 12% no ano.


… O banco Bmg manteve seu cenário que contempla 300 pontos-base de corte da Selic em 2026 após a decisão.


FED NÃO RELAXA – Powell provou que não gosta de viver perigosamente e tirou de cena qualquer chance de um corte de juro enquanto a guerra não acabar e o processo de desinflação não der sinais de progresso nos EUA.


… Disse que é cedo demais para saber a duração do conflito e reconheceu que a chance de um aperto na política monetária foi ventilada na reunião de ontem, embora não seja o cenário principal da maioria dos integrantes do Fed.


… Só Stephen Miran, fiel aliado de Trump, votou ontem por uma redução de 25 pontos-base no juro. Não foi acompanhado nem mesmo por Christopher Waller, que tem fama dovish, mas desta vez optou por manutenção.


… O mercado entendeu o recado e empurrou para dezembro a expectativa de corte. O gráfico de pontos do Fed continuou sugerindo pelo menos uma queda esse ano, mas menos dirigentes estão agora inclinados a esta opção.


COMBUSTÍVEIS – Pressionado pela ameaça de greve dos caminhoneiros, que prometem decidir hoje se irão parar, o governo antecipou novas medidas para frear o diesel e cobrou que os Estados zerem o ICMS sobre a importação.


… O ministro Renan Filho (Transportes) prometeu reforçar o cumprimento do piso mínimo de frete, incluindo ampliação da fiscalização e suspensão de atividades de empresas reincidentes no pagamento abaixo da tabela.


… Paralelamente, o governo levou à reunião extraordinária do Confaz, que reúne membros da Fazenda e secretários estaduais, a sugestão de os governadores zerarem o ICMS. A ideia deve ser discutida no próximo encontro, dia 27.


… Economistas consultados pelo Valor avaliam, no entanto, que a proposta de zerar o ICMS sobre a importação de diesel é paliativa, na medida em que não vai compensar a defasagem contra os preços praticados lá fora.


… Cálculos no mercado indicam que a medida traria alívio apenas marginal da inflação deste ano.  


PLP DOS BANCOS – Motta acatou o pedido do relator do projeto de lei de resolução bancária, deputado Marcelo Queiroz (PP-RJ), para que a votação do texto, prevista para ontem, fosse adiada, devido a impasses com o governo.


… Não há nova data para o texto ser apreciado. A principal divergência ainda diz respeito ao trecho que autoriza empréstimos da União ao fundo de resolução para socorrer bancos em situações de risco sistêmico.


… Nos bastidores, governistas temem que a aprovação do projeto passe a impressão para a sociedade, em pleno ano eleitoral, de que o presidente Lula estaria querendo ajudar o dono do Master, Daniel Vorcaro, com dinheiro público.


… Segundo Malu Gaspar/O Globo, o novo advogado do banqueiro disse que ele promete fazer uma “delação séria” e não “seletiva”, enviando recado aos investigadores de que não pretende esconder dados ou poupar pessoas.


… Sócio minoritário na Gafisa, Vladimir Timerman (da Esh Capital) disse ontem na CPI do Crime Organizado que Nelson Tanure é o “verdadeiro dono” do Banco Master e que Daniel Vorcaro seria um “pau-mandado”.


… Tanure reagiu à acusação: “Esse indivíduo não desfruta de qualquer credibilidade no mercado”.


… No STF, o ministro André Mendonça aceitou pedido da PF e prorrogou a investigação do caso Master por 60 dias.


MAIS AGENDA – A FGV divulga a prévia do IGP-M (8h) e o BC volta a intervir com o “casadão” no câmbio, em leilão simultâneo de swap reverso e venda de dólar à vista (9h30), com oferta de até US$ 1 bilhão em cada operação.


… O presidente Lula participa, às 11h, de cerimônia de abertura da 17ª Caravana Federativa, na capital paulista, e à noite (19h) deve anunciar a candidatura de Haddad a governador de São Paulo, durante evento em São Bernardo.


… O ministro afirma que o nome de Durigan para substituí-lo na Fazenda “está bem encaminhado”.


BALANÇOS – Positivo adiou para hoje o resultado (sem horário). Cemig e Cyrela soltam após o fechamento.


PICPAY NO AFTER – As ações se recuperaram do tombo de mais de 6% no início do pregão noturno da Nasdaq e subiram 0,44% após o balanço. O lucro líquido ajustado do quarto trimestre de 2025 saltou 136%, a R$ 188,2 mi.


… Para este primeiro trimestre de 2026, o PicPay projeta um lucro líquido de R$ 140 milhões. Em termos ajustados, a expectativa é de um lucro de R$ 155 milhões.


LÁ FORA – Lagarde comenta em entrevista coletiva, às 10h45, a decisão de juros do BCE. Nos EUA, saem o auxílio-desemprego (9h30), com previsão de alta de 2 mil pedidos, para 215 mil, e os estoques no atacado em janeiro (11h).


… Trump recebe a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, na Casa Branca. À noite (22h15), a China decide juro.


TEVE TROCO – O petróleo voltou a subir, após a promessa do Irã de retaliar contra unidades de produção e refino em todo o Golfo Pérsico, como resposta aos ataques de Israel a South Pars, maior campo de gás natural do mundo.


… Os ataques foram os primeiros contra o sistema energético do Irã desde o início da guerra. Teerã alertou os países vizinhos para evacuarem áreas próximas de grandes instalações.


… Entre os alvos da Guarda Revolucionária do Irã estariam a unidade de gás natural liquefeito (GNL) de Ras Laffan, no Catar, além de locais nos Emirados Árabes Unidos e a refinaria Samref, da Arábia Saudita, no Mar Vermelho.


… No final da noite, Trump disse que as forças americanas não souberam previamente do ataque de Israel contra o Campo de Gás de South Pars e garantiu que os israelenses não alvejarão mais o local.


… O mercado regular já tinha fechado quando veio a confirmação de que Ras Laffan, que abriga a maior planta de exportação de gás natural do mundo, sofreu “danos extensos” após um ataque iraniano.


… O Brent encostou nos US$ 112 no after market com a notícia. Na sessão regular, o contrato para maio escalou 3,83%, a US$ 107,38 por barril na ICE, e o WTI para abril teve leve alta de 0,11%, a US$ 96,32 por barril na Nymex.


… Na agenda do dia, o aumento expressivo nos estoques de petróleo dos EUA na semana passada, de 6,156 milhões, contrariando expectativa dos analistas, de estabilidade, não fez preço no mercado.


SEM MOLEZA – As bolsas americanas iniciaram a sessão em baixa, diante da surpresa com o PPI de fevereiro (+0,7%) acima do esperado (+0,3%) e foram piorando com o tom hawkish de Powell e os ataques do Irã ao Catar.


… A perspectiva de manutenção do juro por mais tempo e o agravamento da guerra levaram os índices às mínimas do dia: Dow Jones perdeu 1,63%, a 46.225,15 pontos; S&P 500, -1,36% (6.624,70); e Nasdaq, -1,46% (22.152,42).


… Segundo a CNBC, o Dow fechou abaixo da média móvel de 200 dias pela primeira vez desde 20 de junho de 2025, sugerindo que a tendência agora é de baixa. O S&P 500 está a poucos pontos de furar a sua média de 200 dias.


… Entre as componentes do Dow, apenas Chevron (+0,32%) e JPMorgan (+0,30%) fecharam no azul. As maiores baixas foram dominadas por empresas sensíveis aos juros, como McDonald´s (-3,24%) e Procter & Gamble (-3,15%).


NÃO AGUENTOU – A bolsa brasileira bem que tentou buscar a terceira alta consecutiva, mas as declarações duras de Powell em relação aos próximos passos do Fed pesaram sobre os ativos de risco globalmente.


… O Ibovespa fechou em baixa de 0,43%, aos 179.639,91 pontos, com giro de R$ 30,7 bilhões, em dia de exercício de opções sobre o índice. Petrobras (ON +1,77%, a R$ 51,63; e PN +1,34%, a R$ 47,00) colou mais uma vez no petróleo.


… Vale (-2,32%; R$ 77,13) caiu bem mais que o minério (-0,12%). O pregão também foi negativo para os bancos: Santander (-1,50%; R$ 29,65), BB (-1,10%; R$ 23,41), Bradesco PN (-1,17%; R$ 18,63) e Itaú (-1,01%; R$ 42,28).


… Hapvida (-4,76%; R$ 8,21) liderou as perdas, após redução de preço-alvo pelo JPMorgan e antes do balanço. Yduqs (-4,62%; R$ 9,90) e CSN (-4,42%; R$ 6,06) vieram na sequência.


… Na ponta positiva do índice, Eneva disparou (+15,08%; R$ 24,35), com o desempenho da empresa no leilão de reserva de capacidade. Em seguida, ficaram Copel ON (+5,56%; R$ 15,20) e Prio (+5,33%; R$ 66,03).


EM ALERTA – Depois de passar boa parte da sessão de lado ou em leve baixa, o dólar à vista começou a subir depois da decisão do Fed e ampliou a alta com os ataques do Irã a instalações de gás no Catar.


… O câmbio doméstico seguiu a tendência do dólar lá fora, que se fortaleceu diante dos pares, com o índice DXY operando novamente os 100 pontos, após Powell sinalizar que o Fed pode não cortar mais os juros neste ano.


… O dólar à vista fechou em alta de 0,90%, a R$ 5,2468, na máxima do dia. O índice DXY subiu 0,60%, aos 100,168 pontos, também na máxima. O euro caiu 0,61%, para US$ 1,1467, e a libra recuou 0,63%, a US$ 1,3275.


SEM ESCOLHA – Os juros futuros fecharam minutos antes da decisão do Copom, na esteira do câmbio e da alta nos rendimento dos Treasuries. Além da decisão do Fed, a disparada do petróleo no “after market” também pesou.


… Ao longo da sessão, as taxas mostraram volatilidade, com o mercado monitorando o noticiário da guerra e as negociações do governo para zerar o ICMS sobre o diesel e tentar evitar uma paralisação dos caminhoneiros.


… O Tesouro voltou a dar as caras pela manhã, recomprando 31,5% dos 10 milhões de títulos prefixados que tinha proposto, com giro de R$ 1,647 bilhão. À tarde, não teve leilão de recompra de NTBs como nos últimos dias.


… “Se não teve leilão, é sinal de que o mercado está mais funcional na visão do Tesouro”, disse Luis Felipe Vital, estrategista-chefe da Warren, ao Broadcast. “E o mercado evoluiu muito desde sexta passada. Isso é indiscutível.”


… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 14,200% (de 14,154%no ajuste anterior); Jan/29, 13,755% (de 13,644%); Jan/31, 13,895% (de 13,796%); e Jan/33, 13,945% (de 13,842%).


CIAS ABERTAS NO AFTER – A S&P rebaixou o rating da CSN de ‘brAA-’ para ‘brA-’, com perspectiva negativa, citando elevada alavancagem…


… A empresa confirmou negociação de empréstimo-ponte com bancos para reperfilamento da dívida e incluiu a CSN Cimentos como garantia da operação.


PETROBRAS contratou oito usinas do seu parque de energias termelétrico no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), realizado ontem, que devem trazer uma receita fixa anual estimada em aproximadamente R$ 4 bilhões.


BR DISTRIBUIDORA. Líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, recolhe assinaturas para criação de frente parlamentar em defesa da reestatização da companhia e de refinarias privatizadas durante o governo Bolsonaro.


PETRORECONCAVO reportou lucro líquido ajustado de R$ 61,4 milhões no 4TRI25, queda de 66% na comparação anual. Receita líquida recuou 17%, para R$ 704,2 milhões, e o Ebitda caiu 27%, para R$ 295,1 milhões.


COSAN. Bradesco tenta barrar IPO da Compass e pressionar por melhores termos na reestruturação das dívidas da Raízen. (Brazil Journal)


MBRF reportou lucro líquido de R$ 91 milhões no 4TRI25, queda de 91,9% na comparação anual. A receita líquida cresceu 4,8%, para R$ 43,9 bilhões, enquanto o Ebitda caiu 9,1%, para R$ 3,4 bilhões.


MINERVA reportou lucro líquido de R$ 85,0 milhões no 4TRI25, revertendo prejuízo de um ano antes. A receita líquida cresceu 32,6%, para R$ 14,2 bilhões, enquanto o Ebitda avançou 24,1%, para R$ 1,17 bilhão.


HAPVIDA reportou lucro líquido ajustado de R$ 180,6 milhões no 4TRI25, queda de 64,9% na comparação anual. O Ebitda ajustado caiu 32,8%, para R$ 713,8 milhões, enquanto a receita líquida cresceu 5,9%, para R$ 7,9 bilhões.


HYPERA concluiu o período de preferência para subscrição de ações no aumento de capital, com adesão de R$ 1,4 bilhão a R$ 21,25 por ação. Restaram 4,6 milhões de ações, que serão rateadas entre acionistas interessados.


CVC reportou prejuízo líquido de R$ 27,7 milhões no 4TRI25, redução de 54,8% na comparação anual. No critério ajustado, o prejuízo foi de R$ 3,6 mi, com receita líquida de R$ 362,1 mi (-1,2%) e Ebitda de R$ 171,5 mi (+107,5%).


VIVARA reportou lucro líquido ajustado de R$ 264,8 milhões no 4TRI25, alta de 28,5% na comparação anual. Ebitda caiu 4,8%, para R$ 286,1 milhões, enquanto a receita líquida cresceu 16,5%, para R$ 1 bilhão.


SMARTFIT aprovou pagamento de JCP de R$ 40 milhões (R$ 0,065/ação). Ex em 24/03.


GRUPO MATEUS reportou lucro líquido de R$ 324,2 milhões no 4TRI25, alta de 2,2% na comparação anual. A receita líquida cresceu 20,9%, para R$ 10,6 bilhões, enquanto o Ebitda caiu 3,1%, para R$ 612,5 milhões.


TAESA reportou lucro líquido de R$ 313,1 milhões no 4TRI25, alta de 56,1% na comparação anual. O Ebitda caiu 24,4%, para R$ 524,3 milhões, enquanto a receita líquida subiu 10,8%, para R$ 643,7 milhões.


LIGHT. Nelson Tanure renunciou ao cargo de membro independente do conselho de administração.


COMGÁS aprovou a nomeação de Thiago da Fonseca Rodrigues como novo CFO e DRI, em substituição a Paulo Roberto Belem Junior.


TIM aprovou pagamento de JCP de R$ 390 milhões (R$ 0,163/ação). Ex em 24/03.


KLABIN. A Moody’s reafirmou o rating corporativo AAA.br, com perspectiva estável, refletindo forte posição de mercado e escala operacional.


MELNICK reportou lucro líquido de R$ 34,4 milhões no 4TRI25, alta de 0,5% na comparação anual. O Ebitda caiu 27,1%, para R$ 40,5 milhões, enquanto a receita líquida recuou 21,9%, para R$ 310,6 milhões.


MOTIVA (ViaQuatro) aprovou financiamento de até R$ 1,25 bilhão para expansão da Linha 4 do Metrô de São Paulo.


MÉLIUZ reportou prejuízo líquido de R$ 32,9 milhões no 4TRI25, revertendo lucro de um ano antes, impactado por impairment de bitcoin…


… No critério ajustado, o lucro foi de R$ 18,8 milhões, alta de 772% na comparação anual, com receita líquida de R$ 138,3 milhões (+32%).


WESTWING. Fundo Oriz passou a deter 32,15% das ações ordinárias da companhia, contra 6,64% anteriormente.


VITRU EDUCAÇÃO reportou lucro líquido de R$ 94,3 milhões no 4TRI25, queda de 51,5% na comparação anual. A receita líquida cresceu 5,3%, para R$ 558,1 milhões, enquanto o Ebitda caiu 49,6%, para R$ 195,2 milhões.


ALLOS teve rating AAA.br atribuído pela Moody’s, com perspectiva estável, enquanto o rating da BRMalls foi retirado por razões de negócio.


AERIS reportou prejuízo líquido de R$ 477,5 milhões no 4TRI25, redução de 42,7% na comparação anual…


… A receita líquida caiu 45,8%, para R$ 114,5 milhões, enquanto o Ebitda ajustado ficou negativo em R$ 60,6 milhões, piora de 238,5% na mesma base comparativa.


SEQUOIA. O Bradesco passou a deter 8,8% do capital social da companhia.

Furla news

 ☕ *19-03 | Furla News*


Bom dia,


🔴 Mercados em baixa às 5h35 de Brasília: S&P 500 -0.33% | Dow Jones -0.29% | Nasdaq 100 -0.45% | Stoxx 600 -1.82%.


*🤝 Resumo do Furla: mercados caem com petróleo em alta e reacendendo o risco de estagflação nos EUA, o que reduz apostas de corte de juros. No Brasil, Copom mais brando mantém cenário de queda da Selic, enquanto a possível greve dos caminhoneiros segue no radar, ainda sem tração.*


*🚨 🚛 Greve dos Caminhoneiros:* recebi agora cedo um vídeo do Chorão, uma das lideranças do setor. A sinalização é que os caminhoneiros autônomos *estão aguardando a publicação da medida provisória (ainda hoje) para entender como funcionará o possível travamento eletrônico*. Por enquanto, não há qualquer comando de greve. Importante: é um setor pulverizado, sem liderança única.


🚨 *Petróleo e gás europeu disparam com escalada no Oriente Médio:*

*🔴 Brent bate US$114 (+6%) com temor real de choque de oferta*

*🔴 Gás na Europa sobe ~30% após ataque a infraestrutura crítica no Catar*

*🔴 Irã atingiu Ras Laffan, maior hub de LNG do mundo → danos “extensos” ✔️ O ataque veio após Israel atingir campo de gás no Irã → ciclo de retaliação em curso*

🔴 *O Catar já vinha com produção afetada desde início de março. O país responde por ~20% do LNG global → risco direto de falta de gás*

🔴 *Estreito de Ormuz travado (fluxo de ~20% do petróleo global) → gargalo logístico crítico*


*🇺🇸 Inflação volta ao centro do jogo*: o gatilho foi um dado de inflação ao produtor mais forte que o esperado, somado a uma leitura mais dura do Fed. O mercado voltou a temer um cenário de estagflação: crescimento mais fraco com preços ainda pressionados.


*🇺🇸 Corte de juros fica mais incerto:* mesmo com o Fed ainda sinalizando um corte este ano, o mercado reduziu o apetite por essa tese. A leitura agora é de juros altos por mais tempo.


*🇧🇷 COPOM: o comunicado pós-reunião foi mais brando (dovish), em nossa avaliação. Dessa forma, seguimos projetando cortes de 0,50 p.p. na taxa Selic nas próximas reuniões, até 12,75%, seguidos por uma pausa para avaliação mais detalhada do período eleitoral e da política fiscal à frente.*


*Folha - Fazenda oferece R$ 3 bi para estados zerarem ICMS sobre importação de diesel*

A compensação federal cobriria 50% do impacto da medida. O custo é estimado em R$ 3 bilhões para a União e o mesmo valor para os estados, considerando dois meses de duração.


*O Globo - Governo avalia ir à Justiça para conter preço do diesel e ampliar poder da ANTT na tabela do frete*

A AGU avalia mover ações civis públicas contra distribuidoras de combustíveis e grupos de redes de postos, com o argumento de que praticam preços abusivos. A gestão petista também decidiu divulgar as empresas que mais desrespeitam a tabela de frete mínimo.


*Estadão - Lula: Combustíveis sobem por causa de pessoas ‘que não prestam’ e ‘tiram proveito da desgraça’*

Presidente menciona preços abusivos apesar das medidas do governo para mitigar efeitos da guerra do Irã no petróleo.


*O Globo - Senado aprova reajustes para servidores do MPU e DPU e criação de cargos no CNJ; impacto soma R$ 242,8 milhões em 2026*

Projetos preveem aumento de 8% ao ano no Ministério Público, reestruturação na Defensoria e ampliação de quadros no CNJ. Os textos seguem para sanção presidencial.


*Estadão - Motta adia votação de proposta sobre bancos em crise: ‘Há nuvem de fumaça em torno do projeto’*

O relator da proposta, Marcelo Queiroz (PSDB-RJ), pediu o adiamento e sustentou que a ideia é  evitar o uso de dinheiro público para socorrer bancos.


*Folha - Governo contrata mais de uma Itaipu em maior leilão de energia do ano*

→ O governo federal contratou 19 GW para abastecer o sistema elétrico em momentos de falta de energia, principalmente no início das noites. 

→ Cerca de 15,2 GW virão de termelétricas movidas a gás natural e 1,3 GW de usinas a carvão mineral.

→ Grandes consumidores de energia preveem aumento de 10% na conta de luz com a contratação.


*Valor - Haddad diz que nome de Durigan para sucedê-lo na Fazenda ‘está bem encaminhado’*

Lula anunciará que Haddad vai concorrer ao governo de São Paulo. Um comunicado à imprensa foi convocado para hoje.


*Valor - TCU proíbe aporte de R$ 2,6 bi no túnel Santos-Guarujá*

A verba seria da Autoridade Portuária de Santos, que agora terá de apresentar um instrumento formal que regule a governança do aporte federal ao projeto de parceria público-privada do túnel. 


*Valor - EUA pedem mais ‘cooperação’ do Brasil em terras raras*

Lideranças empresariais e governamentais dos EUA fizeram o pedido num fórum sobre o tema, organizado pela embaixada e consulados dos EUA no Brasil, Amcham, Citi e câmara de comércio dos EUA, com apoio do Ibram.


*Globo Rural - Pecuária brasileira colecionou recordes em 2025*

O abate de bovinos bateu recorde e registrou 42,94 milhões de cabeças em 2025, alta de 8,2% ante 2024. O abate de frangos também foi recorde, com 6,69 bilhões de aves e alta de 3,1%.

Fabio Alves

 FÁBIO ALVES: CRESCE TEMOR DE RECESSÃO GLOBAL ENTRE INVESTIDORES O tombo nos preços de metais industriais, ontem, pode ter sido o primeiro i...