sexta-feira, 20 de março de 2026

Malu Gaspar

 Malu Gaspar 👇☑️


“Apesar da anulação de multas e das sentenças que sepultaram judicialmente a Lava-Jato, nenhum cidadão razoavelmente informado deixou de saber o que se deu nos meandros do poder naquele período, e ninguém nega o que ocorreu no petrolão. 


O que deixamos de saber, porque a apuração foi interrompida, é até onde o Judiciário estava envolvido no rolo. Toda vez que a investigação enveredou por esse caminho, bateu no muro. 


Em setembro de 2019, o grupo de trabalho que atuava no gabinete da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu demissão, em protesto contra a decisão de não investigar o então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. 


Ele havia sido citado em duas delações de empreiteiros — de Marcelo Odebrecht, que se referia a ele como “amigo do amigo do meu pai”, e de Leo Pinheiro, da OAS, que disse ter feito uma reforma na casa de Toffoli e ainda ter dado R$ 1 milhão para o irmão dele comprar a renúncia de um político de Marília (SP). 


A Vaza-Jato já estava na praça com grande repercussão desde 2019, assim como um pedido de suspeição de Sergio Moro, mas o ex-juiz de Curitiba só foi considerado suspeito pelo Supremo em março de 2021, alguns meses depois de vir à tona a delação do presidente da Fecomércio, Orlando Diniz, que afirmava manter vários advogados ligados a juízes e ministros de Cortes superiores em sua folha de pagamento. 


Desde então, o Judiciário, mais especificamente o STF, se envolveu cada vez mais na política, tendo como pano de fundo a festa das emendas parlamentares e o oba-oba dos eventos de lobby mundo afora, disfarçados de discussão jurídica de alto nível. (…)


Eis que agora, depois de sua segunda prisão ser confirmada pela Segunda Turma do STF, Vorcaro promete uma “delação séria”. O recado enviado por seus advogados aos investigadores é que ele não pretende poupar ninguém. 


Se a intenção realmente se confirmar, é certo que boa parte do Centrão virará alvo de inquérito, assim como um naco do petismo, alguns governadores e ainda figuras-chave na burocracia de instituições que deveriam fiscalizar o setor financeiro, como o Banco Central. 


A esta altura, porém, isso é o mínimo, até porque muita coisa que Vorcaro poderia contar já está no material apreendido pela PF em celulares e computadores e nos relatórios de inteligência financeira produzidos pelo Coaf. 


O que nenhum policial federal ou procurador da República minimamente competente poderá deixar de perguntar ao dono do Banco Master é o que, de fato, ele pretendia comprar ao desembolsar R$ 35 milhões por uma fatia do resort Tayayá, de que Toffoli era sócio, qual o verdadeiro escopo do contrato de R$ 130 milhões fechado com Viviane Barci de Moraes, ou ainda o que ele queria saber se Alexandre de Moraes conseguira bloquear, nas mensagens enviadas ao ministro horas antes de ser preso. 


As respostas a essas questões definirão se essa delação será para valer, ou se de novo aceitaremos que se enfiem os esqueletos em algum esconderijo, apenas para vê-los reencarnar em novo escândalo num futuro não muito distante.”

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