sexta-feira, 20 de março de 2026

Planner x Rio previdência x Master

 *Ex-presidente da RioPrevidência atribui à corretora Planner aportes de R$ 510 milhões no Master*


Deivis Marcon Antunes afirmou em depoimento antes de ser preso que a corretora havia sido credenciada pela RioPrevidência e fez quatro operações com o Banco Master; procurada, a empresa não se manifestou


*Rombo da Rioprevidência é 500 vezes maior que perdas do fundo com o Master*


Operação na Rioprevidência destaca um problema maior: o déficit estrutural da Previdência fluminense, que supera R$ 20 bilhões anuais.


Em um depoimento prestado antes de sua prisão pela Polícia Federal, o ex-presidente da RioPrevidência Deivis Marcon Antunes atribuiu à corretora Planner aportes de R$ 510 milhões do fundo no Banco Master. Ele negou ser o responsável pelos aportes e disse que a responsabilidade é da diretoria de investimentos da RioPrevidência - o fundo de aposentadoria dos servidores do Estado do Rio.


O depoimento reforça o elo entre os aportes da RioPrevidência e a corretora, que não é investigada pela Polícia Federal, mas guarda relações com personagens e investimentos ligados ao Master. A corretora teve Maurício Quadrado como sócio até 2020. Depois, ele se associou a Daniel Vorcaro no Banco Master. Mais tarde, ele deixou o banco. Procurada, a Planner não se manifestou.


O depoimento, ao qual o Estadão teve acesso, foi prestado à Polícia Civil do Rio de Janeiro. Antunes afirmou que a Planner se credenciou na RioPrevidência e que tinha a função de “custódia de títulos e compra e venda de títulos”. Ele afirma que a empresa realizou “quatro operações com o Banco Master”.


Segundo o ex-presidente da RioPrevidência, foram uma operação de R$ 230 milhões, outra de R$ 120 milhões e duas de R$ 80 milhões. Antunes afirmou que a RioPrevidência contrata corretoras porque não tem mesa de operações, e que a autarquia escolhe as empresas que oferecem as melhores taxas de rentabilidade.


Antunes afirmou ainda que, quando surgiram notícias das dificuldades financeiras do Master, em setembro de 2025, a RioPrevidência cobrou do banco a devolução dos valores investidos ou novas garantias. O Master, então, ofereceu precatórios equivalentes a R$ 1,2 bilhão. O banco, porém, foi liquidado e a operação nunca se concretizou.


Em pelo menos dois trechos do depoimento, Antunes afirmou que a escolha dos investimentos não passava por uma decisão da presidência, mas sim da diretoria de investimentos, então ocupada por Eucherrio Lenner, que também é investigado pela Polícia Federal. O Estadão não conseguiu contato com Lenner.


O ministro do Superior Tribunal de Justiça Carlos Pires Brandão negou um habeas corpus movido pela defesa do ex-presidente do RioPrevidência e manteve Antunes preso preventivamente durante as investigações. A decisão foi tomada no dia 13.


Antunes foi preso no dia 3 de fevereiro por agentes da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal. Ele desembarcou no Aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo, de uma viagem aos Estados Unidos, e pretendia seguir viagem para o Rio.


O voo de Antunes previa conexão em Guarulhos com destino ao Aeroporto do Galeão, no Rio. Ele, porém, não compareceu ao embarque. Em vez disso, alugou um carro e seguiu para o Rio pela Rodovia Dutra. Acabou preso em Itatiaia, já no Estado do Rio, a cerca de 200 quilômetros de São Paulo.


Antunes havia deixado a direção do fundo em 23 de janeiro, após ter sido deflagrada a Operação Barco de Papel, da Polícia Federal, que apura suspeitas de gestão fraudulenta, desvio de recursos e corrupção envolvendo o sistema previdenciário dos servidores do Estado do Rio.


Durante a gestão de Antunes e de outros dois ex-diretores, a RioPrevidência aplicou cerca de R$ 1 bilhão em letras financeiras do Banco Master, modalidade considerada de alto risco.


https://www.estadao.com.br/economia/rioprevidencia-corretora-planner-aportes-master/

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Fabio Alves

 FÁBIO ALVES: CRESCE TEMOR DE RECESSÃO GLOBAL ENTRE INVESTIDORES O tombo nos preços de metais industriais, ontem, pode ter sido o primeiro i...