sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Payroll, IPCA e tarifaço na pauta*


É grande a chance de as apostas para os juros ficarem como estão, com a retomada do ciclo de flexibilização pelo Fed em abril e corte projetado da Selic em março

… Se o payroll (10h30) e o IPCA de dezembro (9h) não pregarem qualquer susto, é grande a chance de as apostas para os juros ficarem como estão, com a retomada do ciclo de flexibilização pelo Fed em abril e corte projetado da Selic em março. Ainda hoje, a Suprema Corte americana pode anunciar o veredicto sobre a legalidade das tarifas de Trump, com potencial efeito sobre a inflação e sobre as decisões de política monetária, embora o governo de Washington já tenha antecipado que pode reconstituir as receitas tarifárias, em caso de um revés judicial.

SEM RUÍDO – O payroll de dezembro será o primeiro que não virá poluído pelo mais longo shutdown da história dos Estados Unidos, que adiou os relatórios de setembro e novembro e só garantiu divulgação parcial de outubro.

… Os analistas esperam a criação de 60 mil empregos no mês, de acordo com a mediana do Projeções Broadcast, levemente abaixo das 64 mil vagas líquidas abertas em novembro. As estimativas vão de 23 mil a 155 mil.

… Indicando uma melhora, a taxa de desemprego deve cair de 4,6% para 4,5%, enquanto o salário médio pago por hora, que funciona como um componente inflacionário, deve avançar 0,3% na taxa mensal e 3,6% na base anual.

… Em novembro, os aumentos salariais foram menores, de 0,14% e 3,5%, respectivamente.

… Economistas comentam que é provável que o pior já tenha passado no mercado de trabalho americano.

… Os sinais de recuperação gradual da mão de obra devem reduzir a urgência de novo relaxamento do juro, reforçando a pausa sinalizada pelo Fed no ciclo de cortes, que tenderia a ser retomado só no segundo trimestre.

… O payroll de dezembro e dos próximos meses também entrará na conta da calibragem da política monetária no ano, ajudando a definir se virão dois ou três cortes em 2026, em meio à transição do Fed para o perfil mais dovish.

… Está chegando a hora de o mundo saber quem vai assumir o comando do BC americano no lugar de Powell. A escolha por Trump está prometida para este mês. O prazo foi confirmado ontem por Scott Bessent (Tesouro).


… O secretário disse que Trump participará do fórum econômico de Davos (Suíça) entre os próximos dias 19 e 23 e que o timing para uma decisão sobre o Fed pode ser “logo antes ou logo depois disso”. Ou seja, deste mês não passa.


… Segundo Bessent, sobraram quatro finalistas: o ex-diretor do Fed Kevin Warsh, o assessor econômico da Casa Branca Kevin Hassett, o atual diretor do Fed Christopher Waller e o executivo da BlackRock Rick Rieder.


… O secretário do Tesouro afirmou que Rieder é o único candidato que ainda não foi entrevistado.


… De seu lado, Trump disse que já tomou a decisão sobre quem escolherá, mas que ainda não contou para ninguém.


MAIS TRUMP – O presidente americano ordenou na noite de ontem que as duas empresas de financiamento habitacional controladas pelo governo (Fannie Mae e a Freddie Mac) comprem US$ 200 bi em títulos hipotecários.


… Em publicação na Truth Social, o republicano afirmou que isso fará com que as taxas de hipoteca caiam, os pagamentos mensais diminuam e o custo de possuir uma casa sejam mais acessíveis nos Estados Unidos.


… No after hours, as instituições que concedem empréstimos imobiliários saltaram: LoanDepot, +18,4%; Opendoor Technologies, +12,1%; e Rocket, +7,1%. Entre as construtoras, D.R. Horton, +1,6%; Lennar, +2,9%; e Pulte, +3,48%.


IPCA & COPOM – O índice oficial de inflação deve acelerar de 0,18% em novembro para 0,33% em dezembro, na mediana do Broadcast, pressionado pelas passagens aéreas. As projeções, todas de alta, variam de 0,27% a 0,45%.


… A média dos núcleos deve subir de 0,23% para 0,47%, com a pressão nos serviços sendo olhada de perto pelo BC.


… A aposta é de avanço nos preços do setor (0,60% para 0,71%), em serviços subjacentes (0,30% para 0,56%), preços livres (0,17% para 0,52%); alimentação no domicílio (-0,20% para 0,13%); e bens industriais (-0,29% para 0,43%).


… As estimativas indicam, por outro lado, recuo apenas nos preços administrados (0,21% para -0,19%).


… Analistas dizem que, apesar de a atividade econômica estar esfriando, o câmbio e o fiscal permanecem como fatores de cautela à inflação e podem entrar como argumento para o Copom adiar o corte da Selic para março.


… A boa notícia é que o IPCA deve fechar 2025 em 4,27% (mediana), abaixo do teto da meta (4,5%) e inferior ao acumulado em 12 meses de novembro (4,46%). Em 2024, a inflação de 4,83% estourou o limite da banda.


… Ainda na agenda, Galípolo e Picchetti participam, às 9h, de reuniões bimestrais do BIS por videoconferência.


POLÊMICA DO MASTER – Colocado na parede pela dimensão pública assumida pelo caso, o ministro-relator no TCU, Jhonatan de Jesus, voltou atrás na determinação monocrática de inspeção in loco no BC no âmbito do processo.


… O recuo ocorreu depois de o BC ter contestado a decisão, alvo de críticas até mesmo dentro do próprio Tribunal, que estaria tendo a imagem prejudicada pela atuação apressada de Jhonatan, em pleno período de férias.


… A ordem para inspeção no BC será agora submetida à análise do plenário do TCU, que volta do recesso dia 16.


… A defesa do empresário Daniel Vorcaro enviou ao STF um pedido para que seja instaurado um processo de conciliação sobre a liquidação do banco, com a participação do BC, do Ministério Público Federal e do TCU.


… Em derrota para Vorcaro, a Justiça dos Estados Unidos reconheceu nesta quinta-feira o processo de liquidação e bloqueou os ativos da instituição no país, que podem ser utilizados para pagar os credores da instituição financeira.


DOSIMETRIA – O veto integral de Lula ao projeto que reduz a pena para os condenados pelo 8 de janeiro contrata a primeira crise do ano entre o Congresso e o Planalto. Centrão e oposição já iniciaram a mobilização para a derrubada.


… A manutenção do veto exigirá habilidade na articulação política do governo e parlamentares ouvidos pelo Valor sinalizam que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, será peça determinante para definir o destino do tema.


… Ele ainda não bateu o martelo sobre a data em que o veto ao projeto da dosimetria será analisado. Mas existe uma pressão para que a votação já ocorra na volta do recesso (fevereiro), enquanto a base de Lula tenta adiar.


… Após o veto de Lula, o relator do projeto da dosimetria no Senado, Esperidião Amin (PP), protocolou novo texto para conceder anistia aos presos, defendendo que não se trata de “impunidade, mas de reconciliação nacional”.


UE-MERCOSUL – Conselho da União Europeia discute hoje o pacto de livre comércio, defendido por Bruxelas, mesmo sem o apoio da França, onde agricultores protestaram e ocuparam com tratores a Torre Eiffel e o Arco do Triunfo.


… A Irlanda também anunciou que votará contra e ainda a Hungria e Polônia exibem oposição. O voto da Itália é considerado decisivo para a aprovação, depois da obtenção de concessões pelo país para assinar o tratado.


… Dando tudo certo hoje, a cerimônia de assinatura está agendada para a próxima segunda-feira, dia 12.


… Em outra frente de acordo comercial, Lula recebeu ontem um telefonema do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, e os dois teriam concordado em acelerar a negociação de um acordo entre o Mercosul e o Canadá.


… O premiê aceitou convite de Lula para visitar o Brasil, provavelmente em abril. Durante a ligação, os dois líderes discutiram a crise na Venezuela e condenaram o ataque militar dos Estados Unidos para a captura de Maduro.


… Lula também conversou ontem com os presidentes da Colômbia, Gustavo Petro, e do México, Claudia Sheinbaum.


MAIS AGENDA – Além do payroll, sai nos Estados Unidos a leitura preliminar de janeiro do índice de sentimento do consumidor (12h), medido pela Universidade de Michigan, com as expectativas de inflação em 1 ano e 5 anos.


… O dia reserva ainda as construções de moradias iniciadas em setembro e outubro (10h30), além dos dados da Baker Hughes sobre os poços de petróleo e plataformas americanas em operação, que serão divulgados às 15h.     


… Na zona do euro, saem as vendas no varejo em novembro (7h) e, na Alemanha, tem a produção industrial (4h).


CHINA HOJE – A inflação ao consumidor teve alta anualizada de 0,8% em dezembro, praticamente em linha com a previsão de 0,9%. Já o índice de preços ao produtor (PPI) caiu 1,9% no período, contra a projeção de queda de 2%.


MAL SE MEXEU – Travado à espera do payroll e do IPCA, o dólar à vista oscilou 2 centavos entre a mínima e a máxima do dia e terminou praticamente onde começou o dia, a R$ 5,3890, com alta de apenas 0,04%.


… Lá fora, o dólar subiu moderadamente a frente aos pares (DXY, +0,25%, aos 98,926 pontos). O euro caiu 0,21%, a US$ 1,1652. A libra recuou 0,21%, a US$ 1,3431, e o iene devolveu 0,18%, a 156,96/US$.


… Os juros futuros repetiram ontem a mesma dinâmica de 4ªF, com curtos em alta e longos em queda, em mais uma sessão de pouca liquidez e oscilações moderadas.


… O dado de produção industrial mostrou estabilidade em novembro na comparação com outubro, em linha com o esperado e, por isso mesmo, teve impacto neutro sobre a curva de juros.


… Operadores atribuíram o avanço da ponta curta à cautela na véspera da divulgação do IPCA fechado de 2025. Já a parte longa da curva refletiu o resultado do primeiro leilão de títulos prefixados do Tesouro neste ano.


… Segundo o Valor, a estreia da NTN-F com vencimento em janeiro de 2037 pressionou as taxas mais cedo, mas os volumes praticados pelo Tesouro não assustaram os investidores, com os DIs apagando a alta do início da sessão.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 13,735% (de 13,681% no ajuste anterior); Jan/29 a 13,015% (12,994%); Jan/31 a 13,330% (13,346%); e Jan/33 a 13,510% (13,527%).


EMPURRÃO – Petrobras desencantou (ON +2,50%, a R$ 31,96; e PN +1,24%, a R$ 30,20) com a ajuda do petróleo e fez o Ibovespa subir 0,59% e fechar na máxima do dia, aos 162.936,48 pontos, com giro de R$ 23,4 bilhões.


… O Brent para março disparou 3,38% na ICE, a US$ 61,99/barril, enquanto o WTI para fevereiro subiu 3,16% na Nymex, a US$ 57,76/barril.


… A commodity se recuperou das perdas recentes desde a captura de Nicolás Maduro, com investidores concluindo que ainda vai demorar para a produção da Venezuela voltar a crescer e chegar ao mercado em volume relevante.


… Brava ON (+5,70%, a R$ 17,05) também pegou carona no petróleo e liderou os ganhos do Ibovespa, seguida por Axia Energia PNB (+4,07%, a R$ 53,98) e PNC (+3,80%, a R$ 49,43), além de Braskem PNA (+3,99%, a R$ 8,07).


… Já Vale ON (-0,97%, a R$ 75,58) dessa vez não colaborou com o índice, corrigindo parte da alta recente, em dia de queda do minério de ferro em Dalian (-0,37%, a US$ 116,42/t), diante do risco de intervenção chinesa nos preços.


… Bradesco PN (-1,70%, a R$ 18,52) também jogou contra, enquanto Itaú PN se recuperou e subiu 1,55% (R$ 39,93), assim como Santander Unit (+1,75%; R$ 33,73) e BB ON (+0,55%; R$ 21,82).


… A liderança negativa do índice ficou com Hapvida ON (-4,77%; R$ 15,37), seguida de Porto Seguro ON (-4,55%; R$ 47,39) e Weg ON (-4,17%; R$ 45,71).


… Fora do Ibovespa, Azul PN despencou 90,2%, para R$ 25,00, pior desempenho da bolsa e reflexo da diluição dos investidores no processo de reestruturação financeira da aérea, com uma oferta de R$ 7,4 bilhões em ações.


… O Bradesco BBI recomenda venda para a ação, lembrando que a operação está em linha com as expectativas e reforça o plano de saída do Chapter 11. A expectativa é que a companhia saia do processo ainda neste ano.


MÃO DUPLA – As bolsas americanas terminaram em lados opostos, com o Dow Jones em alta de 0,55% (49.266,11 pontos); o S& 500 estável (+0,01%, aos 6.921,46); e o Nasdaq em queda de 0,44% (23.480,02).


… Na véspera do payroll, o mercado monitorou o número de pedidos iniciais de auxílio-desemprego, que aumentou 8 mil, para 208 mil, na semana encerrada em 03/1, pouco abaixo do esperado (+10 mil).


… Ações de chips e de outras empresas ligadas à IA devolveram ganhos recentes e pressionaram o índice de tecnologia: Oracle (-1,64%), Nvidia (-2,21%), Micron (-3,69%); Western Digital (-6,10%) e Seagate (-7,72%).


… Segundo a Reuters, a Nvidia tem exigido pagamento antecipado dos clientes chineses que compram seus chips H200, como forma de se proteger de incertezas sobre a aprovação dos embarques pelo governo de Pequim.


… Já o setor de defesa se recuperou do tombo de 4ªF, graças aos planos de Trump de elevar os gastos militares, de US$ 901 bilhões em 2026 para US$ 1,5 trilhão em 2027: Lockheed Martin (+4,37%) e Northrop Grumman (+2,35%).


CIAS ABERTAS NO AFTER – O executivo Rafael Russowsky renunciou aos cargos de vice-presidente executivo financeiro e diretor de relações com investidores do GPA…


… Com isso, Conselho de Administração elegeu Alexandre de Jesus Santoro, atual diretor-presidente da empresa, para assumir interinamente a posição de vice-presidente de finanças, acumulando os cargos…


… Além disso, Rodrigo Manso foi eleito como diretor de relações com investidores da companhia…


… Joaquim Alexandre Fernandes Sousa deixou a posição de diretor estatutário, permanecendo como diretor executivo comercial e de logística do GPA.


UNIÃO PET (empresa resultante da fusão entre Petz e Cobasi) fez um ajuste no valor unitário das ações preferenciais resgatadas no processo de fechamento da combinação dos negócios…


… Preço por ação passou a ser R$ 0,7110, ante o valor de R$ 0,7109 informado anteriormente.


MOTIVA E ECORODOVIAS anunciaram em conjunto a conclusão da operação que cria uma plataforma digital para gestão e processamento de pagamentos de pedágios em pórticos com tecnologia free flow (sem cancelas)…


… Após aprovação pela Superintendência-Geral do Cade e cumprimento das condições do acordo firmado em novembro de 2025, as empresas passam a dividir igualmente o controle da Inovap.


MOTIVA. Capital International Investors (CII) reduziu a sua participação na empresa, passando a administrar um total de 95.656.895 de ações ordinárias da companhia, o equivalente a 4,74% do total…


… Conforme dados mais recentes, a gestora detinha 5,17% das ações ordinárias da companhia.

Bankinter MATINAL Portugal

 Análise Bankinter Portugal 


NY 0% US tech -0,6% US semis -1,8% UEM -0,3% España +0,3% VIX 15,5% Bund 2,82% T-Note 4,18% Spread 2A-10A USA=+68pb B10A: ESP 3,26% PT 3,11% FRA 3,53% ITA 3,47% Euribor 12m 2,247% (fut.2,400%) USD 1,165 JPY 183,4 Ouro 4.475$ Brent 62,6$ WTI 58,4$ Bitcoin +0,8% (91.005$) Ether 0% (3.120$).


SESSÃO: Pode ser que consiga subir um pouco, mais provavelmente a Europa do que Wall St., onde a provável rejeição dos impostos alfandegários pelo Tribunal Supremo e um emprego hipoteticamente menos débil do que o esperado poderão prejudicar. Cuidado com as obrigações americanas pelo veredicto dos impostos alfandegários. Em qualquer caso, a sessão vem indefinida em relação às bolsas.


ONTEM saíram, nos EUA, uma Produtividade que se acelera (+1,9% no 3T vs. +1,5% no 2T) e uma redução dos Custos Laborais superiores ao esperado (-1,9% vs. -0,1% esperado vs. -2,9% no 2T, mas revisto em baixa desde -1% preliminar). Esta combinação significa que a economia americana consegue uma capacidade para a melhoria dos ganhos reais de quase +4% sem perder competitividade. Desde um diagnóstico macro, isso é algo absolutamente invejável, não só na Europa, em qualquer lugar do mundo. 


HOJE à primeira hora, saíram: inflação inexistente na China (+0,8% vs. +0,7% novembro) e uma Produção Industrial apenas aceitável na Alemanha (+0,8% vs. +2% outubro). O primeiro continua a ser um indício de uma economia quase estancada na Procura Final e o segundo parece um pouco fraco considerando que ontem saíram Pedidos Industriais inesperadamente bons (+5,6%). Interessante, mas pouco ou nada influencia a sessão de hoje, cujas chaves são as Vendas a Retalho UE (10 h; +1,6% vs. +1,5%), o veredito sobre os impostos alfandegários nos EUA com base em poderes de emergência (15 h) e, principalmente, dados de emprego americano (13:30 h): Criação de Emprego Não Agrícola (+60k vs. +64k), Taxa de Desemprego (4,5% vs. 4,6%), Ganhos Pessoais (+3,6% vs. +3,5%) e Horas/Semana trabalhadas (34,3 vs. 34,3). Desenvolvimentos mais prováveis e potenciais consequências: 

-  Vendas a Retalho UE continuístas e bastante boas. Um pouco de impacto positivo sobre as bolsas europeias.

- Veredito sobre os impostos alfandegários: como Trump os adotou mediante a EEPA de 1977 (Emergency Economic Powers Act) esquivando-se do Congresso, é provável que desautorizem, o que poderá levar a devoluções dos pagamentos dos impostos alfandegários aos importadores. Isso significaria receitas fiscais inferiores, o que elevaria a yield das obrigações americanas (preços em baixa), sobretudo as longas. Mas isso seria uma reação apenas de muito curto prazo, porque imediatamente voltariam a ser aplicados com o apoio de alguma legislação alternativa, como a Trade Expansion Act de 1962 de segurança nacional ou a Trade Act de 1974 de práticas comerciais desleais de terceiros países e de proteção da indústria nacional. Portanto, seria um efeito passageiro, muito passageiro. Os impostos alfandegários permanecerão.

-  Sobre o emprego, o risco é que saia menos débil do que o esperado e que isso arrefeça um pouco as expetativas de mais descidas de taxas de juros da Fed, o que, por sua vez, arrefeceria Wall St. na sessão de hoje. 


Na frente corporativa hoje:

-  Conversas para fusão Rio Tinto + Glencore, que seria mediante troca de ações.

-  GM anuncia um writedown de 6.000 M$ porque reduz investimentos para o desenvolvimento de elétricos. Cai -2% em aftermarket. Ford fez algo muito parecido em meados de dezembro.

-  TSMC publica Receitas 4T´25 melhores do que o esperado: 33.175 M$ (+20,5%) vs. 32.431 M$ esperados. Publicará resultados completos 4T´25 a 15 de janeiro.

-  Em HK, saiu à bolsa outra mini-empresa de IA chamada Minimax, subindo +80%.


Venezuela começa a libertar os presos políticos. Esta era a prova-chave para saber se realmente os EUA têm o controlo do regime chavista, independentemente de quais sejam as proclamações populistas dos seus líderes que permanecem no poder. Isto permite pensar que a Venezuela está neutralizada (receitas por petroleiros piratas e narco), o que debilita o Irão (o empobrecimento interno poderá terminar a derrubar o regime em não muito tempo), Cuba, Rússia e China.


CONCLUSÃO: Sessão indefinida, talvez um pouco mais positiva na Europa do que em Wall St. De seguida, 2 referências-chave da próxima semana: inflação americana na terça-feira (repetir em +2,7%, mas Subjacente a aumentar 1 décima, também até +2,7%) e resultados 4T’25 dos primeiros bancos americanos (JPMorgan, Wells Fargo, BoA, Citi, Goldman, MStanley…) também a partir de terça-feira. A expetativa dessas referências, que são muito importantes, fará com que Wall St. adote, esta tarde, uma espécie de “modo espera”.


FIM

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

ANÁLISE: Venezuela abre disputa entre Rubio e Vance pela sucessão de Trump

Humberto Saccomandi De Para o Valor, de São Paulo

A intervenção americana em andamento na Venezuela tem um componente de política interna americana que transcende o mercantilismo do presidente Donald Trump. A operação colocou em evidência o secretário de Estado, Marco Rubio, e escanteou o vice-presidente, J.D. Vance. Os dois são adversários na disputa pela candidatura presidencial republicana em 2028. Rubio pode ter largado na frente.

Rubio, de 54 anos, origem cubana e que fala fluentemente espanhol, é mais intervencionista e defende uma abordagem linha-dura contra as ditaduras de esquerda na América Latina e contra a presença russa e chinesa na região. Já Vance, de 41 anos, e veterano da guerra no Iraque (não esteve em combate), é ligado ao movimento Maga (Make America Great Again), que é cético com relação a intervenções americanas no exterior e prefere que o governo concentre suas atenções nos problemas internos do país.

Como vice-presidente, Vance é o postulante natural à candidatura presidencial republicana. O vice nos EUA bloqueia o espaço político. O partido buscar evitar divisões, e é comum que outros membros do governo não desafiem o vice. Apenas uma vez na história americana um vice-presidente no cargo tentou e perdeu a candidatura presidencial (em 1940, o então vice, John Garner, disputou a candidatura democrata contra o próprio presidente, Franklin Roosevelt, que decidiu tentar um terceiro mandato, hoje proibido).

Mas Rubio também tem ambições presidenciais. Ele disputou a candidatura republicana em 2016, justamente contra Trump (os dois trocaram ataques duros e ofensivos, mas depois se reconciliaram, e Rubio foi um dos primeiros membros do Gabinete indicado por Trump após a vitória eleitoral de 2024). Para assumir como secretário de Estado, Rubio renunciou à sua cadeira no Senado. Se for preterido na eleição de 2028, sua carreira política pode acabar precocemente.

Em dezembro, Rubio disse publicamente que apoiará Vance se o vice decidir se candidatar à Presidência nas eleições de 2028. Vance ainda não confirmou que disputará a candidatura republicana, mas por que não disputaria? Esse risco atende pelo nome de Donald Trump.

O presidente não poderá disputar um terceiro mandato, a não ser que consiga uma quase impossível reforma constitucional. Normalmente, os presidentes que vão deixar o cargo interferem pouco ou discretamente na disputa pela candidatura do seu partido. O convencional é o presidente apoiar o seu vice. Mas Trump não se atém a convenções. Dada a sua personalidade egocêntrica e autoritária, é bem provável que ele queira escolher pessoalmente o candidato republicano em 2028. Claro, o candidato será escolhido no processo de primárias partidárias, mas o nome que Trump apoiar será o favorito, a não ser que o seu governo termine extremamente mal avaliado.

E a corrida pela preferência de Trump já começou. Em dezembro, a viúva do ativista conservador Charles Kirk, assassinado em setembro, anunciou seu apoio a Vance. "Vamos eleger J.D. Vance, amigo do meu marido, como 480 presidente dos EUA do modo mais retumbante possível", afirmou Erika Kirk. Esse lançamento precoce, com menos de um ano de governo Trump, possivelmente sinaliza que há uma disputa interna em andamento.

O movimento Maga foi fundamental para a eleição de Trump, por sua capacidade de mobilização, especialmente entre os jovens. Mas ele está rachado agora. O principal sinal disso é o confronto aberto entre Trump e Marjorie Taylor Greene, uma das estrelas dessa ala conservadora. Ela divergiu do presidente em várias temas, acusou-o de ter traído os princípios do Maga e renunciou ao mandato de deputada nesta semana.

Sobre a Venezuela, Greene disse que é uma guerra pelo petróleo, que "serve aos interesses de grandes corporações, bancos e executivos"; que os EUA deveriam focar em resolver seus problemas internos em vez de tentar administrar outros países; que os venezuelanos devem escolher seus líderes, e não o governo dos EUA; e que a intervenção é um "tapa na cara" dos eleitores Maga, que estão cansados de envolvimento em guerras no exterior.

Isso ajuda a explicar o sumiço recente de Vance. O vice não estava com Trump no momento da invasão (Rubio, sim), e um porta-voz foi obrigado a dizer que o vice participou das discussões e estava a par da operação. Vance foi econômico nos elogios à intervenção militar, ao contrário do tom autocongratulatório do presidente e de outros membros do governo. Em sua única postagem a respeito, ele não fala em intervenção, ataque, operação militar. Diz apenas que a Venezuela era sim uma fonte de drogas para os EUA e que Trump apenas retomou o petróleo que era de empresas americanas e que foi expropriado pelo regime comunista da Venezuela 20 anos atrás.

Se a intervenção na Venezuela não resultar num novo desastre para a diplomacia americana, como foram o Iraque e o Afeganistão, Rubio, que está sendo chamado de o novo vice-rei da Venezuela (numa alusão ao cargo colonial espanhol), sairá em alta e terá prestado um valioso serviço a Trump. Se der errado, Vance poderá tentar se dissociar da intervenção.

De todo modo, a Venezuela escancara o início da disputa pela sucessão de Trump. Rubio pode estar largando na frente. Mas há tempo ainda e muita coisa pode acontecer.

Hugo Garbe

 Nós últimos 10 anos, envio por aqui minha lista de leitura do ano anterior para que meus alunos possam ter alguma inspiração.


Aqui vai o resultado das minhas leituras em 2025.

Estudar é a forma mais silenciosa e profunda de resistir à estagnação da alma.

✓ 1-Varsóvia
✓ 2-1984 ( segunda vez )
✓ 3 - introdução ao estudo do direito
✓ 4 - Direito Civil brasileiro - volume 1
✓ 5 - História do Direito e pensamento jur.
✓ 6 - Introdução a Lógica Jurídica
✓ 7 - Antropologia Jurídica
✓ 8 - Sociologia Jurídica
✓ 9 - Direito Constitucional
✓ 10 - O contrato social
✓ 11 - Criminologia
✓ 12 - O espírito das Leis
✓ 13 - Teoria Pura do Direito
✓ 14 - Dois tratados sobre o governo

Daniel Vorcaro, um traficante dissimulado

 Vorcaro diz a tribunal nos EUA que liquidação do Master no Brasil poderia ser revertida e cita processo no TCU

Liquidante nomeado pelo BC contesta argumentos do banqueiro e cita 'vida luxuosa'

Por 

Ivan Martínez-Vargas

 — Brasília

08/01/2026 09h00  Atualizado agora


O banqueiro Daniel Vorcaro tenta barrar em um tribunal da Flórida, nos Estados Unidos, um pedido para que a liquidação do Banco Master seja reconhecida também fora do Brasil. Ele argumenta que despachos recentes do Tribunal de Contas da União (TCU) dão margem a uma reversão da situação da instituição financeira, que teve a liquidação determinada pelo Banco Central (BC) em novembro. Na decisão, a autoridade monetária apontou uma “crise aguda de liquidez” que impedia de satisfazer, com pontualidade, os compromissos assumidos. A solicitação de Vorcaro foi apresentada na segunda-feira, 5 de janeiro.


O chamado pedido de reconhecimento de insolvência transnacional foi apresentado ao Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida pela EFB Regimes Especiais de Empresas, liquidante do Banco Master nomeada pelo BC. O objetivo é impedir que os ativos do Master nos Estados Unidos se dissipem, por exemplo, ao serem destinados a algum credor que entre na Justiça contra o banco diretamente no país.


Ao liquidar um banco, o BC aponta uma empresa que fica responsável por esse processo. No caso do Master, a EFB é a empresa designada.


Dois dias depois de Vorcaro apresentar o pedido para barrar esse reconhecimento da liquidação, a EFB contestou os argumentos do banqueiro, em petição protocolada na quarta-feira no tribunal da Flórida. No mesmo dia, o juiz americano responsável pelo caso, Scott M. Grossman, recebeu os advogados da liquidante para uma audiência. Agora, o magistrado deve decidir se admite ou não o pedido para iniciar a cooperação internacional.


‘Assunto controverso’


Os advogados do banqueiro nos Estados Unidos afirmam que o reconhecimento da insolvência transnacional "seria prematuro e inconsistente com o propósito e o objetivo" da legislação americana que trata do assunto. A defesa do banqueiro cita o processo aberto pelo TCU. Nesta semana, o ministro do Jhonatan de Jesus determinou que o órgão faça uma inspeção no Banco Central para auditar o processo de liquidação do Master, medida considerada controversa mesmo entre os seus pares no tribunal.


Na petição ao tribunal americano, Vorcaro diz haver "aparente risco de que o decreto de liquidação (do Banco Master) seja revertido". A sua defesa ainda afirma que a liquidação do Master é um "assunto controverso" no Brasil. "Embora a liquidação possa ser inevitável em alguns casos, o conjunto probatório está longe de demonstrar que a liquidação seja inevitável no caso do Banco Master", diz trecho da petição do banqueiro.


Vorcaro também diz que o liquidante busca poderes excessivos sobre os ativos do Master em solo americano antes mesmo de definir a lista de credores no Brasil. Entre os pedidos da empresa liquidante, estariam o poder de requerer o depoimento de testemunhas, a produção de provas e a "prestação de informações relativas aos ativos, negócios, direitos, obrigações e passivos dos devedores ou de seus respectivos espólios".


'Vida de luxo e extravagâncias'


Ao tribunal, a EFB Regimes Especiais de Empresas refutou o argumento de Vorcaro ao dizer que o processo no TCU não tem o poder de reverter a liquidação, nem a nomeação do liquidante. Em sua petição, a empresa cita "o descobrimento de uma massiva fraude" e a "vida de luxo e extravagâncias" de Vorcaro.


"A objeção do sr. Vorcaro baseia-se principalmente em peças processuais apresentadas em um procedimento ainda pendente perante o Tribunal de Contas da União”, sustenta. “Não há nenhuma decisão pendente que, de qualquer maneira, altere o status, a tramitação ou a validade do processo de liquidação no Brasil ou a nomeação do liquidante", afirma a EFB em sua contestação.


Também há o pedido para que o liquidante administre os ativos do Master que estejam sob a jurisdição territorial dos EUA. Vorcaro argumenta que, caso o pedido seja atendido, "o exercício desses poderes poderia afetar de forma irreversível e prejudicial os ativos do Banco Master localizados nos Estados Unidos".


Já o liquidante afirma que "não há qualquer decisão que suspenda, limite ou de qualquer modo reverta o processo de liquidação em curso no Brasil, nem os poderes do liquidante dele decorrentes".


"Ao contrário, o TCU, até o momento, reconheceu que apenas pode adotar medidas externas para assegurar a proteção dos ativos dos devedores (do Master e suas controladas) e para ampliar os poderes do liquidante com esse objetivo", diz a EFB.


A liquidação do Banco Master ocorreu após o avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal, que, em novembro do ano passado, deflagrou a operação Compliance Zero. A apuração resultou na prisão de Vorcaro, investigado por suspeitas de fraudes financeiras relacionadas à emissão e comercialização de títulos de crédito irregulares. Ele foi solto em seguida.


A Polícia Federal investiga indícios de fraude em transações financeiras que somam R$ 12,2 bilhões entre Master e BRB, banco estatal de Brasília que só não comprou o Master porque o negócio foi vetado pelo BC.

Luiz Fernando Rudge

 O MINISTRO SE PRECIPITOU

A LEI 8443, DE JULHO DE 1992, ASSINADA PELO PRESIDENTE Fernando Collor e seu ministro Célio Borges, dá a uma assessoria especial do Poder Legislativo que aprecia e confere contas de entidades da União o pomposo nome de “Tribunal”; não tem salas de audiência, nenhum juiz e nenhum poder de julgar e sentenciar eventuais deslizes nas prestações de contas de todas as entidades que formam o governo federal, ou seja, a União.
Decisões dos ministros desse tribunal precisam levar em conta o passado deles: são todos oriundos do Senado Federal ou da Câmara dos Deputados, e sua nomeação para estes cargos de natureza vitalícia são uma espécie de prêmio, um arranjo político, por bons serviços prestados na atividade parlamentar.
Nenhum deles tem formação técnica para estas inspeções e auditoria nas contas. Três ministros são médicos (um veterinário), três são advogados, um é engenheiro eletricista, outro é administrador, e, fechando a fila, um policial militar. Eles louvam-se nos trabalhos de três auditores – nomeados em 1992, quando o tribunal foi criado – mais um, admitido próximo ao ano 2000.
Quando o tribunal foi instalado em 1992, as salas tinham profusão de máquinas de escrever e calculadoras Facit, porque as contas chegavam em grandes folhas de papel impresso em máquinas de informática, fornecidas pelo SERPRO, que lhes cabia verificar e conciliar. Atualmente os procedimentos foram atualizados, e os dois mil funcionários lotados no tribunal têm muito serviço, como avaliar os supersalários do Poder Judiciário, as caras emendas das duas casas do Congresso, licitações com possibilidade de superfaturamento e, é claro, as despesas de campanha do presidente Lula, disfarçadas de programas de assistência aos desvalidos.
Esta intromissão do ministro Jhonatas de Jesus para, em pleno recesso do tribunal, pretender inspecionar decisões técnicas embasadas em termos precisos, pelas áreas responsáveis do Banco Central, algumas delas de natureza sigilosa, é precipitada, inconveniente e poderá não ter o apoio dos seus colegas de plenário.
Ou tem uma jogada por trás...

Abertura BDM

 *Abertura: Exterior mostra cautela com tensões geopolíticas e Brasil fica em alerta com Master*


São Paulo, 08/01/2026 -


Por Luciana Xavier e Maria Regina Silva*


OVERVIEW. Em véspera de relatório de emprego dos Estados Unidos, o payroll, e IPCA, as atenções no mercado nesta quinta-feira ficam nos desdobramentos do caso Master, produção industrial no Brasil, além de balança comercial e pedidos de auxílio desemprego dos EUA. O presidente Lula participa de cerimônia no Palácio do Planalto para relembrar os três anos dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, às 10 horas.


NO EXTERIOR. A manhã é de cautela, com bolsas em baixa no mercado futuro em Nova York e na maioria da Europa em meio a tensões geopolíticas. Após invadir a Venezuela e levar à força para NY o presidente do país, Nicolás Maduro, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaça tomar a Groenlândia e intervir na Colômbia. Trump disse que conversou ontem com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e que um encontro deve ocorrer em breve. E a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, afirmou que os princípios da União Europeia se aplicam não só ao bloco, mas igualmente à Groenlândia. Ações de defesa, no entanto, sobem nas praças europeias após Trump defender um aumento substancial nos gastos militares dos EUA. Antes de dados dos EUA, indicadores na Europa ficam no radar. As encomendas à indústria da Alemanha aumentaram 5,6% em novembro ante outubro de 2025, surpreendendo analistas, que previam queda de 1,3%. Os contratos futuros de petróleo operam em leve alta, depois de acumularem perdas nas duas sessões anteriores.


POR AQUI. Os desdobramentos do caso Master e o risco de a crise se espalhar dividem as atenções com a pauta do dia. Ontem as incertezas envolvendo a liquidação do  Master pesaram nas ações do setor financeiro (leia mais abaixo em O que Sabemos). E o INSS colocou sob suspeita 251 mil contratos de crédito consignado do Master. O tom negativo das bolsas no exterior também pode pesar, embora a alta do petróleo seja favorável para as petroleiras. Os ADRs da Petrobrás tinham leve avanço no pré-mercado em NY há pouco, enquanto o EWZ, principal ETF brasileiro negociado por lá, operava estável. O mercado também olha os números da produção industrial, que não devem alterar a perspectiva de Selic estável na reunião do Copom deste mês. Há a expectativa de que o presidente Lula utilize o ato pelo 8 de Janeiro hoje para vetar o projeto de lei que reduz as penas dos condenados pela depredação dos prédios dos Três Poderes.


NA POLÍTICA. Parlamentares do Centrão depositaram quase metade das 232 assinaturas do requerimento de abertura da CPMI do Banco Master. Uma empresa de marketing de Brasília teria sido a responsável por contratar o vereador Rony Gabriel (PL) para atacar o Banco Central e defender o Banco Master. As nomeações de Otto Lobo para presidente e de Igor Muniz para diretor da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) foram bem recebidas entre advogados que atuam junto à reguladora. Mas gerou apreensão dentro de algumas alas da autarquia, segundo o Valor Econômico. Antigos votos dele contrariaram recomendações da área técnica. O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (PT-TJ), disse que as prioridades em 2026 da base do governo são a manutenção do veto ao projeto de lei da dosimetria - que beneficia os condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro; o fim da escala 6x1, a PEC da Segurança Pública; o projeto de lei antifacção; e a MP do Gás do Povo.


AGENDA.


PRODUÇÃO INDUSTRIAL E BALANÇA DOS EUA NO RADAR - A agenda desta quinta-feira tem como destaques a divulgação do IGP-DI de dezembro (8h), e da produção industrial de novembro (9h). O Tesouro faz leilões de LTN e NTN-F (11h). Nos EUA são esperados balança comercial (10h30), pedidos de auxílio-desemprego (10h30) e estoques no atacado (12h). Na China saem os índices de preços ao consumidor (CPI) d ao produtor (PPI), às 22h30.


O QUE SABEMOS.


SOB PRESSÃO, MINISTRO DO TCU DEVE SUSPENDER INSPEÇÃO NO BC - O ministro-relator do caso do Banco Master no Tribunal de Contas da União (TCU), Jhonatan de Jesus, deve recuar da inspeção in loco no Banco Central. Pelo menos, até o fim do período de recesso da Corte - que só retorna aos trabalhos no próximo dia 16. Em outro movimento, o próprio presidente do TCU, Vital do Rêgo, admitiu à Coluna do Estadão que o tema é delicado e que pretende "ajudar a fazer um meio de campo para não tensionar mais o mercado". "Vou fazer de tudo para termos um resultado final satisfatório", afirmou ele, acrescentando que pretende se encontrar com o presidente do BC, Gabriel Galípolo.


EM TESE: O recuo temporário pode atenuar a pressão sobre o Banco Central, mas as ações do setor financeiro devem continuar no radar. Ontem registraram perdas na Bolsa. Uma intervenção no Banco Central poderia colocar em risco a credibilidade da autarquia, segundo analistas. Ainda segue no foco a possibilidade de reversão da liquidação do Master, decretada em novembro pelo BC e é investigado pela Polícia Federal, embora especialistas considerem isso difícil. Além disso, continuam incertezas se a crise de liquidez do Master poderá recair sobre o sistema financeiro como um todo, de forma a gerar custos para o consumidor. O economista Roberto Luis Troster prevê que o caso do Banco Master pode se repetir se o País não aprimorar a regulação sobre instituições financeiras. E compara o cenário ao do Banco Santos, que faliu em 2005, após intervenção do BC. Em entrevista à Coluna do Estadão, Troster defende duas mudanças principais para romper esse ciclo. A primeira é a necessidade de analisar um banco não só pelo compliance. A segunda é responsabilizar auditorias e agências de ratings, que por vezes avaliam positivamente bancos sem lastro e não são obrigadas a divulgar conclusões negativas. Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, acompanha com atenção e preocupação a investigação do TCU.


PETROBRAS - O Ministério Publico Federal (MPF) do Amapá requisitou esclarecimentos "urgentes" ao Ibama e à Petrobras sobre o vazamento de fluido biodegradável, ocorrido no último fim de semana, durante perfuração de um poço na bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira, localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do Estado.


EM TESE: As ações da Petrobras devem ficar no foco, em meio a esse imbróglio, podendo operar com volatilidade até que a empresa esclareça os fatos. Os ofícios foram enviados ontem, com prazo de 48 horas para que a autarquia e a empresa se manifestem e encaminhem documentos acerca do assunto. A medida foi adotada no âmbito do inquérito civil instaurado em 2018 para apurar a regularidade do licenciamento ambiental do Ibama relativo ao empreendimento da Petrobras.


OVERNIGHT.


DE SAÍDA DA ONU - A administração Trump se retirará de dezenas de organizações internacionais, incluindo a agência de população da ONU e o tratado da ONU que estabelece negociações climáticas internacionais, à medida que os EUA se afastam ainda mais da cooperação global. Ontem, o presidente americano, Donald Trump, assinou uma ordem executiva suspendendo o apoio dos EUA a 66 organizações, agências e comissões.


EUA X VENEZUELA - O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que a Venezuela comprará apenas produtos feitos em território americano com o dinheiro recebido em acordo para petróleo. As compras incluirão produtos agrícolas e medicamentos americanos, equipamentos médico e para utilização na melhora da rede elétrica e de unidades de energia.


CHEVRON - A produtora de petróleo Chevron está em negociações com o governo dos EUA para expandir uma licença chave para operar na Venezuela, a fim de aumentar as exportações de petróleo bruto para suas próprias refinarias e vender para outros compradores, informa a Reuters.


APPLE - O JPMorgan Chase substituirá o Goldman Sachs como parceira para o negócio de cartões de crédito da Apple, informa a Bloomberg.


MORRE O PRESIDENTE DO GRUPO CORONA - O empresário José Adrián Corona Radillo, presidente do Grupo Corona, foi sequestrado e assassinado, afirmou a imprensa do México. Natural do país, ele comandava a empresa conhecida pela fabricação de tequila e outras bebidas alcoólicas.


ENEL CEARÁ - A Enel Ceará (Coelce) anunciou a distribuição da oferta pública de distribuição de notas comerciais escriturais, todas nominativas e escriturais, com garantia fidejussória, da primeira emissão, em série única, no valor de R$ 1,1 bilhão.


LENOVO - Apesar da desconfiança do mercado sobre uma potencial bolha de inteligência artificial (IA), a multinacional chinesa Lenovo afasta essa hipótese, reforça os investimentos no setor e se diz preparada para lidar com a concorrência acirrada por chips nessa indústria. "Definitivamente, IA não é uma bolha", afirmou o presidente global da companhia, Yuanqing Yang.


DEXCO - O conselho de administração da Dexco aprovou a celebração de Acordo de Acionistas com um investidor institucional que subscreverá 100% das novas ações preferenciais a serem emitidas pela controlada indireta da companhia, a Jatobá Florestal. As ações PN serão integralizadas mediante o aporte de aproximadamente R$ 200 milhões. Já o Acordo de Acionistas estabelecerá regras para o exercício do direito de voto e restrições à transferência de ações da empresa.


E NOS MERCADOS.


JUROS DOS TREASURIES - Os rendimentos dos Treasuries operam próximos da estabilidade, enquanto investidores aguardam dados econômicos dos EUA, incluindo pesquisa semanal sobre pedidos de auxílio-desemprego e atualização da balança comercial. Às 7h13, o juro da T-note de 2 anos caía a 3,455% (de 3,469%), o da T-note de 10 anos exibia 4,155% (de 4,141%) e o do T-bond de 30 anos diminuía a 4,843%, após 4,820% no fim da tarde de ontem em Nova York.


FUTUROS DE NY - Os índices futuros das bolsas de Nova York cedem, após o comportamento divergente de Wall Street ontem. Às 7h17, no mercado futuro, o Dow Jones caía 0,33%, o S&P 500 recuava 0,25% e o Nasdaq tinha perda de 0,33%.


EUROPA - As bolsas europeias recuam em sua maioria, mas ações de defesa estendem ganhos recentes após o presidente Donald Trump defender um aumento substancial nos gastos militares dos EUA. Os mercados globais têm focado crescentes tensões geopolíticas nesta semana, após a destituição pelos EUA do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no último sábado, e ameaças de Washington de assumir o controle da Groenlândia. Por lá, investidores avaliam o aumento nas encomendas à indústria da Alemanha e dados da zona do euro. O PPI subiu 0,55 em novembro ante outubro (previsão: 0,2%), a taxa de desemprego do bloco caiu a 6,3% no período (projeção: 6,4%) e o índice de sentimento econômico cedeu a 96,7 em dezembro (previsão: 96,9). Às 7h17, a Bolsa de Londres caía 0,27%, a de Paris cedia 0,21% e a de Frankfurt, -0,14%.


PETRÓLEO - Os contratos futuros de petróleo sobem, depois de acumularem perdas nas duas sessões anteriores, enquanto investidores seguem acompanhando os efeitos do ataque dos EUA à Venezuela. Os EUA intensificaram a campanha contra uma frota clandestina de petroleiros que transporta petróleo venezuelano, com militares abordando à força um navio escoltado pela Marinha russa e apreendendo outro petroleiro próximo ao Caribe. Incertezas sobre as exportações de petróleo da Venezuela podem pressionar a oferta de óleo transportado por via marítima no curto prazo, afirma Ryan McKay, estrategista sênior de commodities da TD Securities, em relatório. Às 7h10, o barril do petróleo WTI para fevereiro subia 0,88% na Nymex, a US$ 56,48, enquanto o do Brent para março avançava 0,85% na ICE, a US$ 60,47.


MOEDAS FORTES - O dólar opera perto da estabilidade ante outras moedas de economias desenvolvidas. Às 7h11, o euro caía a US$ 1,1678 (de US$ 1,1683), a libra recuava a US$ 1,3441 (de US$ 1,3464) e o dólar se enfraquecia a 156,75 ienes, ante 156,79 ienes do fim da tarde de ontem em Nov York. Já o índice DXY do dólar - que acompanha as flutuações da moeda americana em relação a outras seis divisas relevantes - tinha ligeira alta de 0,08%, a 98,76 pontos, após fechar ontem em alta de 0,11%, a 98,684 pontos.


ÁSIA - As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em baixa nesta quinta-feira, à medida que o rali de início de ano em Wall Street perdeu força. O índice japonês Nikkei caiu 1,63% em Tóquio, pressionado por ações de tecnologia. O SoftBank, grupo que foca investimentos em tecnologia, tombou 7,59%, enquanto o fabricante de equipamentos para semicondutores Tokyo Electron recuou 4,01%. Em outras partes da Ásia, o Hang Seng teve queda de 1,17% em Hong Kong e o Taiex cedeu 0,25% em Taiwan. Contrariando o tom negativo, o sul-coreano Kospi subiu 0,03% em Seul, renovando máxima histórica pelo quinto pregão consecutivo. Na China continental, os mercados ficaram perto da estabilidade, com baixa de 0,07% do Xangai Composto e ganho de 0,17% do menos abrangente Shenzhen Composto. No fim da noite de hoje, estão previstos dados da inflação chinesa referentes a dezembro. Na Oceania, o S&P/ASX 200 da bolsa australiana avançou 0,29% em Sydney.

Pesquisas eleitorais - Luciano Sobral

Dois pitacos rápidos sobre o que já vi de pesquisas eleitorais e mercados: 1. Até as eleições de 2018, a pesquisa do Datafolha era o padrão-...