segunda-feira, 6 de julho de 2026

Leitura de fim de semana

 *Leitura de Domingo: Brasil disputa mercado espacial e prevê lançamento de foguete ainda este ano*


Por Circe Bonatelli


São Paulo, 30/06/2026 - O Brasil está tentando abocanhar uma fatia do mercado espacial, que movimenta bilhões ao redor do mundo e tende a crescer mais nos próximos anos, puxado por SpaceX, Blue Origins e dezenas de outras empresas menores, mas relevantes. Neste momento, há cerca de 20 contratos em negociação entre o governo federal e multinacionais para "alugar" o Centro Espacial de Alcântara, no Maranhão. A expectativa é que ao menos um lançamento ocorra ainda neste ano, servindo de chamariz para outros contratantes.


A sul-coreana Innospace obteve, no dia 22 de junho, autorização da Agência Espacial Brasileira (AEB) para realizar um lançamento. A multinacional desenvolve veículos lançadores de pequenos satélites que atendem setores como telecomunicações, meteorologia e defesa. A SpaceX, de Elon Musk, já avisou que busca centros espaciais ao redor do mundo para expandir suas atividades - e o Brasil tem condições de entrar no páreo, dizem especialistas.


"Estamos interagindo com empresas com interesse em lançar seus veículos do Brasil. São aproximadamente 20 empresas, de América, Europa, Ásia e Oceania, sendo algumas em estado mais avançado de negociação", conta o diretor de projetos e negócios da Empresa de Projetos Aeroespaciais (Alada), Paulo Ricardo da Silva Mendes.


A Alada é a estatal criada em 2024 pelo governo Lula com o objetivo de prospectar clientes para uso da infraestrutura e dos serviços de lançamentos de Alcântara, bem como intermediar a interação desses clientes com os órgãos públicos locais que emitem as autorizações. O faturamento dos contratos será convertido em investimentos na própria infraestrutura local. A base vinha sendo pouco utilizada. Agora, pode transformar-se em um trunfo, pois faltam centros espaciais disponíveis no planeta.


Nessa preparação, o Brasil firmou um acordo de salvaguardas tecnológicas com os Estados Unidos em 2019, no governo Bolsonaro. O acordo protege a tecnologia norte-americana, o que é considerado um passo essencial para viabilizar os lançamentos, uma vez que cerca de 80% da tecnologia empregada nos veículos vem de lá.


"O mercado aeroespacial cresceu rapidamente. Criou-se aí uma janela que o Brasil não pode perder. O que buscamos é explorar a capacidade de lançamento, a valor justo de mercado, e colocar o País dentro desse mercado mundial", diz Silva Mendes.


*Mercado trilionário*


O setor de satélites, foguetes e bases de apoio movimentou US$ 220 bilhões no mundo em 2025, com tendência de chegar a US$ 315 bilhões (cerca de R$ 1,6 trilhão) até 2034, segundo a consultoria Global Market Statistics. A quantidade de satélites ativos em órbita deve saltar de 11,7 mil, em 2025. para 30 mil, em 2030, chegando a 60 mil, em 2040, segundo relatório produzido pela Força Espacial dos EUA (o braço militar criado no primeiro mandato de Donald Trump).


Alcântara, por sua vez, tem potencial para atender cerca de 90% dos lançamentos, estima o coronel Adalberto de Rezende Rocha Júnior, diretor do centro espacial. "Alcântara está se transformando para absorver uma parte dessa demanda e ser um agente global", diz.


A infraestrutura dali é capaz de atender foguetes de pequeno e médio portes, com capacidade de levar para órbita entre 20 a 50 toneladas de carga, o que representa a maior parte dos lançamentos. A título de comparação, é uma faixa compatível com o Falcon, da SpaceX, que carrega até 23 toneladas, mas abaixo do 'supercargueiro' Falcon Heavy, de até 64 toneladas. "Nossa infraestrutura já está totalmente adequada para o mercado. E se mais empresas vierem no futuro, aí precisaremos de investimentos", complementa Rocha Júnior.


*Vantagens*


O grande diferencial de Alcântara é a sua localização próxima da Linha do Equador, considerada o 'filé mignon' da órbita, onde fica a maioria dos satélites geoestacionários (que ficam 'parados' em relação à Terra, monitorando pontos específicos). Nessa latitude, o gasto de combustível para impulsionar o foguete é cerca 30% menor do que em outras partes do globo.


Outra vantagem é que o tráfego no Maranhão é baixo, sem necessidade de grandes mudanças no fluxo de aviões. A região tem poucos moradores e não tem histórico de desastres climáticos. Por fim, sua principal concorrente, Kourou, centro espacial da Guiana Francesa, já está praticamente lotada de lançamentos europeus, com pouca margem para crescer.


Dentro deste cenário favorável, o Brasil deve atingir a cadência de um lançamento por mês no curto a médio prazo, estima o coordenador de Licenciamento da AEB, Danilo Sakay. "Já será um bom começo e com capacidade de expandir mais para frente". Segundo ele, a criação da Alada foi um passo importante para o Brasil entrar nesse mercado. "Existe uma logística por trás. Antes, eram só lançamentos brasileiros, então o próprio governo se arranjava. Agora vão envolver empresas estrangeiras, o que requer organização".


A sul-coreana Innospace fará em breve o seu segundo lançamento no Maranhão. O primeiro ocorreu em dezembro de 2025, mas o veículo explodiu após 33 segundos no céu devido a um vazamento de gases de combustão. A causa do acidente foi do projeto do foguete, não na base, diz o diretor da Alada. "É como um avião. Se decolou e caiu, não é culpa da infraestrutura do aeroporto".


*Virada*


O Centro Espacial de Alcântara foi inaugurado em 1983 para ser o ponto de lançamento de um foguete brasileiro, mas isso não teve o sucesso esperado. Houve três tentativas. A última ocorreu em 2003, a maior tragédia do programa espacial brasileiro, quando a explosão do veículo matou 21 profissionais do setor.


"Junto com eles se foi também todo nosso conhecimento sobre foguetes. Eles eram nossa referência, nossos heróis. Aí ficamos parados no tempo", observa o diretor do espacial. "Nessa época, a Índia estava no mesmo patamar que nós. Hoje, ela pousa no lado oculto da Lua e nós não", diz, referindo-se à missão indiana não tripulada que chegou ao polo sul lunar em 2023.


Nos anos seguintes, Alcântara foi reformada e passou a atender voos suborbitais - que não são capazes de lançar satélites em órbita, mas servem para experimentos científicos em ambientes de baixa gravidade. Já o projeto de um foguete próprio sofreu cortes de orçamento e dificuldades no desenvolvimento da tecnologia necessária.


Com o centro espacial pouco utilizado e o mercado crescendo, veio a virada na estratégia, com a busca de clientes corporativos. "Ainda queremos lançar nosso foguete, mas vislumbramos esse lado comercial, pois o mercado está superaquecido", aponta Rocha Junior.


Contato: circe.bonatelli@estadao.com


Broadcast+

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


Nova Iorque fechada, UE +0,9% Espanha +0,7% VIX 15,8% Bund 2,93%. T-Note 4,47%. Spread 2A-10A USA=+35pb O10A: ESP 3,42% PT 3,31% ITA 3,71% FRA 3,73% Euribor 12m 2,709% (futuro 12m 2,870%) USD 1,143 JPY 185,1/€ 162,0/$. Ouro 4.153$. Brent 72,0$. WTI 68,7$. Bitcoin +2,4% (63.049$). Ether +3,8% (1.771$).



:: SESSÃO. Esta semana deverá ser de transição para a publicação dos resultados 2T, mas volta a ter conteúdo próprio e provavelmente irá subir de novo. Principalmente graças à Coreia, Taiwan e SpaceX… Mas também ao facto da OPEP+ voltar a aumentar produção e a um bom dado industrial na Alemanha, publicado à primeira hora.


Graças à Coreia porque Samsung irá publicar amanhã resultados 2T preliminares que se espera que ofereçam fortes aumentos (Vendas +126%) e também porque, na sexta-feira, SK Hynix (semis DRAM, NAND, etc.) começará a avaliar mediante ADRs em Nova Iorque, por 2,4% do seu capital, o que fará estas ações muito mais acessíveis, “investíveis”, na prática.


Graças ao Taiwan porque, na sexta-feira, TSMC irá publicar Vendas 2T que se esperam boas (+35%). 


E graças a SpaceX porque amanhã irá incorporar-se no índice Nasdaq-100 com uma ponderação aproximada de 0,8%, o que dará lugar a uma inércia compradora por parte dos fundos indexados, embora não só por estes. Já veremos o que acontece que a sua incorporação a índices tiver completa, mas funciona, de momento.


:: CONCLUSÃO. Arrancamos esta segunda-feira com um tom positivo após o aumento de produção de OPEP+ (+188.000b/d desde agosto), o que favorece um petróleo contido no preço, com os futuros americanos a subirem ligeiramente (ca.+0,3%) perante a expetativa de uma boa temporada de resultados 2T e depois de Nova Iorque ter estado fechada na sexta-feira, e com a publicação de uns Pedidos Industriais na Alemanha melhores do que o esperado (+1,9% vs. +1,5%). Portanto, a semana deverá voltar a oferecer um saldo líquido positivo.



FIM

Futebol Brasileiro - algumas notas

 


Não tem teorias malucas da conspiração, não tem apenas um culpado, são vários sobre esta perda do Brasil contra a Noruega (2x1) e a nossa eliminação. Para não perder o fio da meada.

1. O Brasil perdeu, porque veio involuindo, numa leitura equivocada do futebol, da nossa filosofia, do que é a nossa essência, do que deveria ser feito com a gestão da seleção brasileira.
2. A estrutura da CBF é feita para manipular e enganar. Este Samir Xaud, não manda em nada, é testa de ferro do filho do Gilmar Mender, Francisco Schertel Ferreira Mendes. Com uma forte atuação nos bastidores esportivos e acadêmicos, e diretor-geral do IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa), faculdade fundada por seu pai, e também atua como vice-presidente da Federação Mato-Grossense de Futebol. É mais um esquema nesta pobre República, desta vez, de onde o brasileiro mais gosta e curte.
3. Quais são os interesses que estão por detrás disso? Realmente, eu não tenho ideia, mas não são nada bons e transparentes. O GM e o FSFM são duas ratazanas que mto transitam pelos bastidores do esporte e da política nacional.
3. Carlo Ancelotti se mostrou um cara ultrapassado, assim como o é o futebol italiano. Estimular o esquema de jogo de contra-ataques, ou de transição para uma seleção que, históricamente, não sabe se defender, foi e é um erro.
4. Mas o cara vai continuar na seleção até 2030 e vai impor esta filsofia. O Brasil ter 32% de posse de bola em média, dando a bola para os noruegueses, foi um erro abissal. Outros erros sobre a escalação, usar pouco o Neymar, escantear o Luis Henrique, teimar com este Casimiro....
5. Esta seleção foi uma sucessão de equívocos desde a convocação, parecida com a do Tite em 2022, muitos atacantes e poucos meias. Por que não ter convocado o nosso único ponta de lança clássico, o rpz do Cruzeiro, Matheus Pereira, o camisa 10 deles ? E o Paulo Henrique do Vasco, um lateral de verdade?
6. Estas teimosias como o Danilo, o Paquetá que, ainda bem se contundiu, custaram desgastes desnecessários.
7. O Danilo Santos não podia ter sido preterido. Ele e o Neymar, assim como o Endrick entraram numa fogueira, numa roubada aos 15 a 20 minutos do segundo tempo.
8. Neymar não é o culpado de nada. Claro, sua vida privada, como se comporta, seus hábitos, seu pouco foco acabaram fatais. O q é fato é que o ecossistema do futebol nacional transita uma garotada mimada e sem noção da realidade. Muito pouco profissional e que adora ostentar e desfilar marcas. Novos ricos do futebol. Não pode dar certo...
9. Temos que repensar o futebol brasileiro, Brasília, temos que repensar tudo! Temos que voltar a prezar pela ética e honestidade. Chega de safadeza em tdas as esferas da nossa sociedade. Chega !
Ver menos

domingo, 5 de julho de 2026

Rubens Barbosa

 O fim dos diplomatas 

Rubens Barbosa 

Interesse Nacional, 3/07/2026


Sem um governo que proponha um novo caminho, pensando em um projeto para o país, dificilmente será restabelecido o papel do Itamaraty como o principal formulador e executor da diplomacia.


A influência partidária e ideológica na política externa chegou ao seu limite máximo no final do governo do PT.


Estava previsto para 2 de julho o lançamento oficial pelo governo do primeiro conselho permanente para a participação da sociedade civil na política externa, o Conselho Nacional de Política Externa (Conpeb). O anúncio foi feito pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, durante a Segunda Conferência Nacional de Política Externa e Inserção Internacional do Brasil, realizada na Universidade Federal do ABC, em junho.


Para dar uma ideia da partidarização e ideologização da política externa, transcrevo, sem comentários, o pronunciamento da Presidência da República.


“Agora, mais do que nunca, mesmo pela postura de entreguismo e traição à pátria dos bolsonaristas, esse tema da soberania nacional e da política externa está sendo debatido pelo povo. Não é mais tema só de colóquios ou da conferência de política externa. É um tema que cada vez mais está sendo debatido no boteco, nos pontos de ônibus, nos movimentos sociais. É um tema decisivo para a disputa que o Brasil vai ter este ano. Por isso, tenho o prazer de retomar essa proposta. Ou seja, criar um espaço para que a sociedade civil, a partir de suas distintas manifestações, possa participar do debate de política externa no Brasil. Junto ao ministro Mauro Vieira, no Itamaraty, vamos ter a honra de ter a primeira reunião do Conpeb. Este será um marco na inclusão e democratização da política externa brasileira.”


A Secretaria-Geral da Presidência da República deu mais detalhes da iniciativa.


“Será um colegiado de caráter consultivo e permanente. As reuniões serão realizadas semestralmente, com a possibilidade de criação de até seis sub-colegiados. As deliberações vão ser adotadas por consenso e o financiamento será público, garantindo acesso a todas e todos. Vão integrar o Conpeb representantes do Ministério das Relações Exteriores, da Secretaria-Geral da Presidência e da Assessoria Especial da Presidência da República, além de, eventualmente, outras autoridades convidadas.”


“Da sociedade, teremos a participação de 23 setores: centros de pesquisa em relações internacionais (RI) de caráter privado, centros de pesquisa em RI de caráter público, redes de professores e pesquisadores em RI, representações de estudantes. Outra cadeira será do setor empresarial de indústria, o de comércio e serviços, de comércio exterior, de ciência, tecnologia e inovação.”


“Entidades dedicadas à integração regional ou a outros fóruns regionais, comunidades brasileiras no exterior, os cerca de 5 milhões de brasileiros que vivem fora do país. O setor sindical de trabalhadores, movimentos sociais urbanos, movimentos sociais rurais, entidades de promoção de segurança alimentar e nutricional, de defesa de direitos humanos, da democracia, do meio ambiente, de promoção da igualdade de gênero, racial, entidades de defesa de equidade e inclusão, representação de povos indígenas, de advogados e de jornalistas” também estarão representados”.


O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), elogiou a inclusão da sociedade civil no debate sobre nossa política externa e disse “esperar que estes possam ajudar a formular a inserção internacional do Brasil. Ressaltou a necessidade de aproximar decisões diplomáticas das necessidades reais do povo brasileiro, para opinar sobre temas como as situações de Cuba, Venezuela e Palestina, por exemplo, e acordos comerciais/tecnológicos, como o Acordo UE-Mercosul.”


A decisão do PT, caso efetivada, ampliaria a tendência de esvaziamento do Itamaraty.


Felizmente, prevaleceu o bom senso e a iniciativa ideológica foi adiada. Essa é mais uma razão para a sociedade brasileira sair da polarização ideológica e partidária que tanto prejuízo está causando ao país.


Sem um governo que proponha um novo caminho, pensando em um projeto para o país, dificilmente será restabelecido o papel do Itamaraty como o principal formulador e executor da diplomacia.


Política externa deve ser política de Estado e não de governo de turno.


Presidente e fundador do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (IRICE). É presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da FIESP, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo), presidente do Centro de Defesa e Segurança Nacional (Cedesen) e fundador da Revista Interesse Nacional. Foi embaixador do Brasil em Londres (1994–99) e em Washington (1999–04). É autor de Dissenso de Washington (Agir), Panorama Visto de Londres (Aduaneiras), América Latina em Perspectiva (Aduaneiras) e O Brasil voltou? (Pioneira), entre outros.

José Fucs, ignorância é algo terrível

 Luana Piovani, o sindicato e a campanha contra a autonomia do BC


Em vídeo postado no Instagram, a atriz diz que a independência financeira do BC pode ameaçar a gratuidade do Pix.


José Fucs para o UOL:


O vídeo publicado pela atriz Luana Piovani no Instagram —pelo qual ela recebeu um cachê de R$ 300 mil do sindicato dos servidores do Banco Central no Distrito Federal (Sinal-DF), para falar mal da proposta que dá autonomia administrativa e financeira à instituição— diz muito a respeito do aparelhamento da entidade e do nível pedestre que marca o debate sobre a questão.


Revela muito também sobre a "licença" que líderes políticos, autoridades e celebridades alinhados ao consórcio Lula-STF parecem ter hoje no Brasil para dizer as maiores barbaridades, muitas vezes ancorados em informações falsas e em generalizações discriminatórias de todos os tipos, sem sofrer qualquer questionamento judicial por suas falas.


No vídeo, postado no início de junho, Luana semeia pânico ideológico ao falar sobre os efeitos negativos que a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 65 terá caso seja aprovada pelo Congresso. Repete a narrativa surrada do PT e de seus satélites sobre o tema, encampada pelo Sinal e propagada por aí com o dinheiro das contribuições de seus associados.


Com a bênção polpuda da entidade e sem qualquer fundamento na realidade, ela afirma que a eventual aprovação da medida pelo Congresso colocará em risco a gratuidade do Pix e poderá gerar punições ao BC. Afirma ainda que a proposta é uma invenção tupiniquim e que sua implementação vai ameaçar a segurança das nossas reservas internacionais e prejudicar a atuação da instituição, ao colocá-la a serviço da banca.


"Aqui no Brasil, resolveram criar a roda. Querem colocar o Banco Central independente do governo e sujeito a sofrer sanções externas. Gente, isso não tem cheiro de perigo? Me parece um risco gigantesco", diz Luana, recorrendo aos economistas Luiz Carlos Bresser-Pereira e Luiz Gonzaga Beluzzo, que assinaram um manifesto contra a proposta, para ampará-la.


"Nenhum dos principais bancos centrais do mundo possui a combinação de autonomia financeira, isenção orçamentária e blindagem parlamentar, que é o que a PEC 65 está querendo criar. A única garantia que a gente tem de manter a gratuidade do Pix, a segurança das reservas internacionais e do nosso sistema financeiro é manter o Banco Central como autarquia de direito público. Colocar o Banco Central numa lógica privada, (...) apartada do Estado brasileiro, vai enfraquecer a autonomia técnica dele e também a regulamentação do sistema financeiro. O Banco Central deve atender às necessidades do povo brasileiro e não aos interesses do mercado e dos bancos", acrescentou.


Se qualquer representante da oposição ou da direita falasse algo do gênero, provavelmente já estaria sendo investigado pela Polícia Federal e enquadrado no famigerado inquérito das fake news do STF, tocado pelo ministro Alexandre de Moraes, no qual parece caber tudo o que venha de seus críticos.


Mas, como as afirmações vieram de uma voz amiga —patrocinada por uma entidade comandada por dirigentes alinhados com as ideias do governo e do PT, que se opõem até à autonomia operacional do BC, aprovada pelo Congresso em 2021— elas são "normalizadas". O Ministério Público, tão diligente quando os envolvidos em problemas até de menor gravidade fazem parte da oposição, não moveu até agora uma palha para questioná-las.


Fala espontânea


É certo que Luana tem todo o direito de ter a sua opinião, mesmo sem entender nada do assunto, como ela própria diz no vídeo, e mesmo alimentando a percepção de que se tratava de uma fala espontânea e não de uma peça pela qual foi regiamente remunerada. No fim, ela acabou publicando um novo vídeo para tentar explicar a questão, que gerou muito tititi nas redes, no qual diz, em tom de cumplicidade com o conteúdo que divulgou: "Eu só vendo o que consumo".


Aliás, o próprio Sinal negou que tivesse remunerado a atriz, e a questão só veio à tona na semana passada por obra das repórteres Nathalia Garcia e Idiana Tomazelli, da Folha de S.Paulo, que tiveram acesso à ata da reunião do conselho regional da entidade, que aprovou o aporte.


Agora, o que não dá para entubar são as informações que Luana propaga de forma inconsequente, a mando do sindicato dos servidores do BC, que deveriam zelar pelo fortalecimento da instituição e pela independência de seu custeio. É a única forma de a instituição poder levar a cabo a autonomia operacional que conquistou e praticar a política monetária necessária para manter a inflação sob controle, sem ficar à mercê das dotações orçamentárias feitas pelo governo da hora.


Na realidade, não há nada, absolutamente nada, na PEC 65, já aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado e aguardando votação em plenário, que sugira qualquer impacto na gratuidade do Pix. A medida tampouco deverá gerar punições externas ou colocar em risco nossas reservas internacionais. Isso é o que muitos analistas chamariam, pura e simplesmente, de fake news. Ou de "terrorismo psicológico", como talvez prefiram alguns, para dourar a pílula.


A PEC 65 também não desvincula o BC do Estado brasileiro. Com a aprovação da proposta, a instituição continuará a ser 100% estatal e prestará contas ao Congresso Nacional. Ao dar autonomia orçamentária ao BC, a medida apenas reforçará sua blindagem contra interferências e contingenciamentos do governo, que possam afetar sua administração e a gestão diligente da política monetária.


Ao contrário do que Luana sugere no vídeo, em nome do Sinal, a autonomia financeira do BC está longe de representar a "reinvenção de roda" e de promover a privatização da instituição. Os bancos centrais mais respeitados do planeta, como o Fed (Federal Reserve), dos Estados Unidos, o BCE (Banco Central Europeu) e o Banco da Inglaterra, operam não apenas com autonomia operacional, mas com total independência financeira. Geram suas próprias receitas e definem seu custeio sem depender de repasses de ministérios ou de barganhas orçamentárias com o governo de plantão.


Jabuticabas


O próprio presidente do BC, Gabriel Galípolo, indicado por Lula para o cargo, afirmou recentemente que a autossuficiência orçamentária alinha o Brasil às melhores práticas internacionais. "Acho que eu já fui bastante vocal sobre a urgência de a gente ter as condições que nos equiparem ao que são os bancos centrais de outros países. Quando eu olho a maior parte dos bancos centrais do mundo, eles vão ter essa condição que a gente está dizendo que seria muito importante a gente ter", disse Galípolo, durante apresentação do Relatório de Política Monetária da instituição, reproduzido no Instagram pela ANBCB (Associação Nacional dos Auditores do Banco Central do Brasil) —entidade que se opõe à posição do Sinal e apoia a proposta que tramita no Senado.


"Tem gente que eu respeito demais e que acho excelente como analista, mas que diz 'não, aqui é Brasil'. Eu sempre fico com receio de a gente empilhar jabuticabas aqui. A gente gosta de achar que existe algo muito específico e muito particular nosso, que só nós temos e que por causa disso não podemos fazer o que deu certo no resto do mundo. Eu não gosto dessas análises. Eu acho que seria um grande avanço."


A medida é apoiada também por ex-presidentes do BC do calibre dos economistas Armínio Fraga, Gustavo Franco e Ilan Goldfajn, hoje presidente do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), embora Lula tenha feito gestões antes mesmo de tomar posse para evitar que ele assumisse o posto, em dezembro de 2022. Conta também com o aval de Roberto Campos Neto, que antecedeu Galípolo no cargo.


Eles sabem melhor do que ninguém que autonomia operacional sem independência financeira pode deixar o BC exposto a estrangulamentos orçamentários movidos por razões políticas. Talvez eles pudessem também dar umas aulinhas pro bono sobre o tema para Luana, como fizeram os "universitários" que ela menciona no vídeo, e para seus patrocinadores.


Bresser e Beluzzo merecem todo o respeito por suas trajetórias profissionais, mas não é de estranhar que eles tenham engrossado as críticas do Sinal à proposta. Há tempos eles parecem ter deixado de lado a lógica e a racionalidade econômicas e passado a apoiar qualquer bruxaria heterodoxa defendida por Lula, pelo PT e por sua tropa de choque.


A medida não muda a destinação dos resultados obtidos pelo BC. Mesmo com a independência, o "lucro" obtido pela instituição em suas operações financeiras continuará sendo incorporado como "reserva de resultado", para cobrir eventuais prejuízos futuros, sem depender de aportes do Tesouro, como já acontece hoje.


Quando essa reserva ficar positiva no balanço, o excedente irá integralmente para o Tesouro, para amortizar a dívida pública, embora isso não tenha efeito nas metas fiscais. Agora, quando a reserva for negativa, ou seja, quando houver prejuízo do BC nessa conta, caberá ao Tesouro cobrir o rombo com a emissão de títulos públicos, como também já ocorre atualmente.


Deita na BR'


O que a proposta prevê é que o BC use suas próprias receitas operacionais, como as taxas de supervisão e de serviços que arrecada, para gerenciar suas despesas administrativas, em vez de depender de dotações orçamentárias do governo. Com a aprovação da medida, o BC pagará com seus próprios recursos o custeio da máquina, os funcionários e os investimentos em tecnologia, para gestão do sistema financeiro e o desenvolvimento de ferramentas como o Pix.


Como costuma acontecer quando a ideologia, os interesses políticos imediatos e o corporativismo dão o tom do debate, porém, isso tudo pouco importa. O que interessa mesmo é marcar posição. Já foi assim quando essa turma se colocou contra a Constituição de 1988, contra o Plano Real, contra a Lei de Responsabilidade Fiscal e até contra a Lei das Estatais —e agora não é diferente. É como disse Luana Piovani no vídeo em que rebateu as críticas à sua participação na campanha do Sinal contra a PEC: "Não gostou? Deita na BR".

sábado, 4 de julho de 2026

Semana que vem

 TERMÔMETRO BROADCAST BOLSA: MAIORIA DO MERCADO APOSTA EM QUEDA DO IBOVESPA NA SEMANA QUE VEM [Termômetro]


São Paulo, 03/07/2026 - O mercado ampliou o pessimismo em relação ao desempenho do Ibovespa na próxima semana, segundo o Termômetro Broadcast Bolsa. Na pesquisa desta sexta-feira, 57,14% dos participantes projetam queda do principal índice da B3, ante 50% no levantamento anterior. As apostas em estabilidade recuaram de 33,33% para 28,57%, enquanto as projeções de alta diminuíram de 16,67% para 14,29%. Até as 14h30, horário limite para envio das respostas, o Ibovespa acumulava avanço de 0,68% na semana.


Na semana que vem, a agenda doméstica terá como destaque a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, na sexta-feira, 10. Antes disso, os investidores acompanharão, na terça-feira, 7, o IGP-DI de junho, o Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR), além do leilão de títulos públicos do Tesouro e dos dados de produção de veículos da Anfavea. Na quarta-feira, 8, o Banco Central divulgará o Índice de Commodities Brasil (IC-Br), enquanto a quinta-feira, 9, reserva a primeira prévia do IGP-M de julho e o novo leilão do Tesouro.


Nos Estados Unidos, o principal evento da semana será a divulgação da ata da reunião de junho do Fomc, na quarta-feira, que poderá oferecer novas pistas sobre a avaliação dos dirigentes do Federal Reserve (Fed) em relação à inflação, à atividade econômica e aos próximos passos da política monetária americana. Antes disso, na segunda-feira, 6, serão divulgados o PMI de serviços da S&P Global e o ISM de serviços, acompanhados de discurso do diretor do Fed Christopher Waller. Na terça-feira, o mercado conhecerá a balança comercial de maio. Ao longo da semana, também estarão no radar os pedidos semanais de auxílio-desemprego, discursos de dirigentes do Fed, incluindo John Williams e Lorie Logan, além dos leilões de títulos do Tesouro americano de 10 e 30 anos.


No cenário internacional, a atenção também deverá estar voltada aos índices de preços ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) de junho da China, e aos desdobramentos para o fim das tensões entre Irã e Estados Unidos.


O Termômetro Broadcast Bolsa tem por objetivo captar o sentimento de operadores, analistas e gestores para o comportamento do Ibovespa na semana seguinte. A ideia é mostrar para o leitor a percepção dos profissionais - e não das instituições financeiras - a partir da resposta para pergunta: Qual o sentimento para o Ibovespa na próxima semana? As alternativas apresentadas são de variação positiva, negativa ou neutra.


A pergunta é enviada às quintas-feiras e as respostas devem ser encaminhadas até as 14h30 da sexta-feira. Após o encerramento do período, o departamento de Dados da Broadcast calcula o porcentual obtido a partir de cada uma das opções apresentadas pelo Termômetro. As respostas individuais dos participantes ficam em sigilo e os jornalistas não têm acesso a elas. A publicação dos resultados é feita nos serviços em tempo real da Broadcast às sextas-feiras.

Brasil - Destaque da Semana - Desaceleração da Atividade By Dan Kawa 0407

 Os indicadores de atividade finalmente começam a sinalizar uma desaceleração mais clara da economia brasileira. O CAGED, a PNAD e a produção industrial (divulgada hoje) de maio vieram abaixo do esperado, indicando perda de fôlego no mercado de trabalho, no consumo e nos investimentos após um primeiro trimestre bastante forte. Ainda existem sinais pontuais de melhora na confiança e na indústria, possivelmente impulsionados pelos estímulos recentes, mas, por enquanto, esse não parece ser o cenário predominante.


Esse ambiente abre espaço para o BCB conduzir um novo corte de 25bps na reunião de agosto com uma base de dados mais consistente. Diferentemente da decisão anterior, agora a combinação de atividade mais fraca, mercado de trabalho menos aquecido e inflação em desaceleração tende a dar maior respaldo à flexibilização da política monetária.

O mercado de juros já começou a refletir essa mudança de cenário, revertendo parte da abertura observada após o último Copom. Ainda assim, o movimento dependerá da continuidade dessa dinâmica, em um ambiente que segue cercado por riscos relevantes, como uma eventual reaceleração da atividade impulsionada pelos estímulos, o quadro fiscal desafiador e o aumento da influência do calendário eleitoral sobre os ativos brasileiros.

Caso este movimento se confirme, pode vir a ser um vetor de sustentação a ativos de duration (leia-se, sensíveis a juros) no Brasil.






CBF tem dono e veste toga

  O fiasco da seleção brasileira não tem apenas uma causa, claro. O problema é complexo e de difícil solução. Mas, se há algo que resume bem...