domingo, 17 de maio de 2026

Mauad e Schüler

 Já se vão mais de 10 anos que escrevi um artigo intitulado 'Pobreza não é virtude', em que destacava essa dupla moral tupiniquim de que fala o Fernando Schüler no excelente artigo desta semana para a Veja.  Na época, descrevi como a cultura popular estava impregnada do que chamei de 'pobrismo'.  


De fato, não há um só dia em que a TV deixe de nos brindar com programas, novelas e documentários cuja proposta é a exaltação (às vezes ostensiva, outras vezes de forma subliminar) da pobreza.  No cinema, o processo não é muito diferente.  Para a maior parte dos produtores, especialmente aqueles agraciados com gordas verbas de patrocínio estatal, que não precisam se preocupar com coisas prosaicas como retorno do investimento, a estética da miséria é bela, é “tudo de bom”.  Na música, desde Michael Jackson, a gravação de clipes em favelas sempre rende bom ibope.


O problema é que este culto à pobreza, muitas vezes aliado ao ódio ostensivo à riqueza, não é algo apenas estético.  Como bem resumiu o Schüler em seu artigo, o 'pobrismo' mantém o país numa espécie de inércia gratificante, incapaz de encontrar e operar soluções que nos afastem da miséria e nos impulsionem rumo ao progresso e à prosperidade.


Uma dupla moral brasileira

Por Fernando Schüler


"A glamorização do crime e da favela correm em linhas paralelas no Brasil. Ainda me lembro do clipe do Michael Jackson no Morro Dona Marta, no Rio de Janeiro, nos anos 90. Cobertura no Jornal Nacional, um segredo de orgulho de mostrar a “nossa favela” para o mundo. Lembro, anos depois, da ideia genial dos roteiros turísticos na favela. Em meio a um mundo cada vez mais padronizado, uma favela surgia como fonte de exotismo e estranhamento. O pitoresco, o casebre, a criança quase nua, solta na ruela, o samba meio ensaiado, aqui e ali.


A glamorização é um tipo de dupla moral: elogiamos algo que só topamos a uma distância segura. Achamos legal, mas para os outros. Isso me lembra do dualismo da “ética da casa e da rua”, de Roberto DaMatta, só que no plano da retórica: para os outros acho um charme aquele colorido todo da “comunidade”, aquela vibração “única”, como li num texto delirante. Mas não para mim, nem para os meus. Aqui em casa prefiro a ordem e o silêncio. Polícia na rua, recolhido na hora certa, guarda na portaria e tudo funcionando direitinho.


O dualismo retórico é um traço da nossa cultura pública. Quando o tema é saúde, não conheço político que não encha a boca para elogiar nosso “sistema público de saúde”. Na pandemia, uma coisa virou a moda também na internet. O cara se emociona lá elogiando o modelo estatal, mas no terceiro espirro vai na emergência particular. O discurso público é um, a verdade da vida privada é outra.


Pesquisa global da Ipsos, em 2018, questionou a avaliação sobre a “qualidade do atendimento” de saúde a que as pessoas têm acesso, em cada país. O Brasil ficou em último lugar entre as nações pesquisadas, com avaliação negativa por parte de 57% dos usuários. É a posição quando se pergunta sobre a facilidade de marcar uma consulta médica. É um curioso paradoxo. A retórica pública diz que o “sistema público” é ótimo, mas a avaliação real dos usuários aponta precisamente na direção contrária.


Durante uma pandemia, o Projeto UTIs Brasileiras divulgou uma pesquisa incômoda mostrando que a mortalidade nas UTIs estatais era de 52,9%, ante 29,7% nas privadas. É evidente que existem fatores sociais e econômicos que afetam essa realidade, e esse é exatamente o problema. Pessoas mais pobres, tendo acesso às condições de atendimento, com rapidez, sem filas, que têm a classe média e os mais ricos. Ou não?


Um levantamento do Conselho Federal de Medicina revelou que 45% dos pacientes estão esperando uma consulta há mais de seis meses, e 29% estão há mais de um ano em fila. Não passa de uma fina e macabra ironia responsabilizar a “condição social” das pessoas por sua própria taxa de mortalidade nas UTIs do setor público. E não é difícil de entender por que ter um plano de saúde é o sonho de 73% dos brasileiros, o terceiro maior, segundo o Ibope, à frente do automóvel e logo atrás da casa própria.


A verdade é que todos sabemos que o sistema é estruturalmente falho, mas vamos levando. Apostamos no dualismo moral: elogio fácil do sistema estatal, de um lado, e a proteção no mercado privado (para quem pode), do outro. Muitos dirão que não há problema nisso, que é apenas uma marca de um país desigual, que é perigoso desagradar as corporações públicas. E que as coisas estão melhorando, devagar, e que é preciso ter paciência. (...)


Essa atitude vem do fundo da tradição brasileira. Da aceitação passiva de um tipo de subcidadania, tão presente na ideia de que “a saúde é ruim, mas é melhor que nada”, ou “a escola não funciona, mas ao menos tem onde deixar as crianças”. No fundo é a longa memória de um país que aprendeu a esperar muito pouco de si mesmo. Dizemos abominar nossa desigualdade, mas nos habituamos a ela. É um pouco do que ocorreu com a pregação do isolamento social na pandemia. Muita gente surpresa com as estações lotadas, cedo de manhã, mas uma arara se o porteiro chega atrasado ao serviço. Vem do fundo de nossa história, mas não significa que seja um destino.


Digo isso porque há muita coisa mudando no Brasil. Na saúde, por exemplo, é só dar uma olhada em uma experiência como um hospital regional de Jundiaí, no interior de São Paulo, gerenciado pelo Instituto Sírio-Libanês, ou a do Hospital Municipal Dr. Moysés Deutsch, em São Paulo, gerido em parceria com o Albert Einstein, ou ainda a do Hospital do Subúrbio, em Salvador, premiado internacionalmente e gerenciado por meio de uma PPP. O ponto básico dessas iniciativas: rompe-se com a iniciação. O Estado reposiciona o seu papel, se põe como regulador e delega a gestão ao setor privado. E com isso quebra o apartheid. Permite aos cidadãos, com maior ou menor renda, o acesso à mesma qualidade, ou ao menos a uma qualidade similar de serviços.


Não acho que tudo isso seja muito difícil de aprender ou de fazer. O ponto é que não se trata apenas de uma questão de técnica de gestão. Esse, o fundo, é o menor dos problemas. A questão é romper com o substrato cultural que mantém boa parte do país na inércia e que ainda faz jus ao “assim é porque sempre foi”, na frase lapidar de Raymundo Faoro definindo nosso tradicionalismo político. O problema ainda está na nossa cabeça, e é por aí que precisa começar a mudar."


Fernando Schüler é cientista político e professor do Insper

sábado, 16 de maio de 2026

Mercado global: ruído politico

 *Ruído político coincide com piora global e liga alerta nos mercados*


Mercados Juros globais têm forte dinâmica de alta com guerra no Irã; volatilidade eleitoral chega aos mercados locais e expõe fragilidade


A despeito da guerra do Irã e do choque de petróleo, os ativos domésticos vinham desfrutando um ambiente externo de maior tolerância a fragilidades idiossincráticas e de bom apetite a risco por parte dos investidores estrangeiros. Nos últimos dias, no entanto, os mercados globais deram sinais de fadiga com a persistência do impasse geopolítico, justamente em um momento que o ambiente local também passou a ser contaminado pela volatilidade do noticiário eleitoral. O resultado foi uma rápida depreciação do real, que saiu da faixa dos R$ 4,90 para perto dos R$ 5,10 e uma elevação forte nas taxas de juros de longo prazo, que passaram a operar nos piores níveis do ano.


O pregão da sexta-feira foi um bom exemplo da rápida deterioração do ambiente para ativos globais de risco. Com a ausência de notícias sobre progressos nas negociações entre Estados Unidos e Irã e nenhuma evidência de melhora nos fluxos globais de petróleo, as curvas de juros ao redor do mundo entraram em uma espiral negativa.


Na quarta-feira, o Tesouro dos Estados Unidos, vendeu um título com vencimento de 30 anos a uma taxa de 5% pela primeira vez desde 2007 e, na sexta-feira, o rendimento da T-bond de 30 anos já havia escalado a 5,12%. No Reino Unido, os juros dos gilts de 10 anos fecharam a sessão aos 5,187%. O juro de 30 anos do Japão é negociado acima de 4%.


De acordo com a diretora de macroeconomia para Brasil do UBS Global Wealth Management, Solange Srour, enquanto o preço do petróleo não cair, há um tero para o apetite global por risco.


“O sell-off não é apenas conjuntural. Governos que por anos se financiaram a taxas próximas de zero agora enfrentam custo de captação crescente, precisando emitir cada vez mais dívida para honrar compromissos de gasto que não param de crescer. A dívida bruta global está em trajetória para atingir 100% do PIB até 2029, segundo o FMI, nível só alcançado antes no pós-Segunda Guerra Mundial”, aponta a economista.


Neste cenário, segundo ela, o dilema para os bancos centrais é agir cedo demais e comprimir economias já pressionadas pelo choque de energia, ou esperar e arriscar uma desancoragem de expectativas, repetindo o erro de 2022. “Os diferenciais existem: mercados de trabalho com mais folga, demanda já comprimida, taxas longe do território acomodatício. Mas têm prazo de validade. O mercado de swaps já precifica alta de juros nos EUA antes do final de 2026", aponta.


Para o Brasil, nota Srour, os juros longos elevados globalmente estreitam o espaço para a política monetária doméstica, ao tornar a ancoragem das expectativas de inflação ainda mais dependente da credibilidade fiscal, que já enfrenta pressões conhecidas. “O conflito no Oriente Médio não tem prazo de resolução à vista. Os mercados estão começando a cobrar um prêmio de risco que estava ausente", afirma a diretora do UBS Global Wealth.


Neste contexto global mais adverso, que se juntou ao noticiário político nos últimos dias, o real se desvalorizou 3,54% na semana frente ao dólar, a pior desde 2022. A moeda fechou a sexta-feira negociada aos R$ 5,0673.


Segundo a equipe de estratégia global do BBVA, liderada por Alejandro Cuadrado, é improvável que novos desdobramentos relevantes envolvendo o caso Master impeçam o real de se afastar do nível psicológico dos R$ 5.


“O caminho até a eleição de outubro ainda é longo e provavelmente haverá muitos altos e baixos ao longo do percurso. O mais recente escândalo coloca o foco na próxima rodada de pesquisas e nos potenciais candidatos alternativos para desafiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O carrego do real, as alternativas disponíveis e o longo horizonte até a eleição ainda favorecem danos limitados ao real, que segue forte, embora o posicionamento técnico ainda pareça bastante carregado", afirmam os profissionais do banco espanhol.


Já a estrategista do Goldman Sachs, Teresa Alves, avalia que, à medida que os eventos políticos se aproximarem da data da eleição, o impacto deles poderá se tornar mais relevante, especialmente diante do posicionamento ‘congestionado’ do mercado. Para ela, contudo, o que, de fato, deve importar para o comportamento dos ativos domésticos é o conjunto de pesquisas eleitorais, além das probabilidades dos diferentes desfechos da eleição.


“Embora o real provavelmente reaja a mudanças nas probabilidades eleitorais, também vale notar que a maior parte da valorização da moeda neste ano foi impulsionada por fatores globais, e não por mudanças no prêmio de risco doméstico”, nota a estrategista. Para ela, o aumento do ruído político e a piora do sentimento global de risco podem pesar sobre o câmbio no curto prazo, mas um ambiente de preços de energia mais elevados por mais tempo continua a ser um fator estruturalmente positivo para o real.


A economista-chefe para América Latina do J.P. Morgan, Cassiana Fernandez, nota que, nesta semana, a narrativa da campanha eleitoral tomou um novo rumo após a divulgação de áudios e mensagens envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, o que levantou questionamentos sobre a trajetória da oposição e aumentou o ruído político no curto prazo.


“Esse episódio reforça como a incerteza política trazida pela eleição — e suas potenciais consequências para ativos financeiros, como o real, e para as expectativas dos agentes econômicos, como as expectativas de inflação — torna ainda mais complexa a projeção dos dados econômicos. Em um ambiente em que a incerteza geopolítica já está elevada, esses eventos reforçam que está excepcionalmente difícil projetar a política econômica para além das próximas reuniões", afirma.


No mercado de juros, as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro para janeiro de 2029 encerraram a semana nos maiores patamares desde 14 de abril de 2025, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2031 terminou a sexta-feira aos 14,25%, também nos maiores níveis em mais de um ano.


Em podcast semanal, o sócio e gestor da Novus Capital, Luiz Eduardo Portella afirma que as taxas locais foram os principais destaques negativos da semana.


“O mercado de juros foi o destaque negativo, com 69 pontos-base de alta na semana, tornando o cenário para o BC mais desafiador. Começou a volatilidade da eleição. Nós já vínhamos discutindo quando viria alguma coisa em relação ao Flávio Bolsonaro. Todo mundo debatia que iriam esperar virar abril para passar o prazo para o Tarcísio [de Freitas, governador de São Paulo] não conseguir mais se candidatar. Veio em maio”, nota.



https://valor.globo.com/financas/intraday/post/2026/05/ruido-politico-coincide-com-piora-global-e-liga-alerta-nos-mercados.ghtml

Leitura de sábado

 *Leitura de Sábado: Não há espaço para Imposto Seletivo este ano, mas 6x1 passa, diz Eduardo Braga*


Por Naomi Matsui e Luci Ribeiro


Brasília, 15/05/2026 - O senador Eduardo Braga (MDB-AM), pré-candidato nas eleições deste ano a um novo mandato no Senado, afirmou ao Papo com Editor, do Broadcast Político, não acreditar que o Congresso votará em 2026 o projeto que definirá a alíquota do Imposto Seletivo (IS), conhecido como "imposto do pecado". No caso do fim da escala de trabalho de 6 dias por 1 de descanso, porém, ele disse "não ter dúvida" de que será aprovado.


O texto do "imposto do pecado" ainda não foi enviado pelo governo federal ao Congresso Nacional e precisa ser aprovado pelas duas Casas até setembro para que haja tempo de o tributo começar a valer em 2027, conforme estabelecido na reforma tributária.


"Não vejo espaço para tramitar um projeto dessa envergadura no segundo semestre, em plena campanha eleitoral. [...] Ficou pactuado de que esse imposto seria extrafiscal. É um equívoco o governo achar, se é que está achando, que encontrará espaço para transformar o Imposto Seletivo em imposto arrecadatório", declarou Braga, que foi relator da reforma tributária no Senado. O Imposto Seletivo recairá sobre cigarros, bebidas alcoólicas e açucaradas, veículos poluentes e apostas, e tem como objetivo desestimular o consumo desses produtos.


Braga também afirmou que o projeto que define uma política e destina incentivos à exploração de minerais críticos, aprovado na Câmara, terá "aprimoramentos" no Senado. O senador disse estar disposto a relatar a matéria e defendeu a fixação da participação de capital nacional e estrangeiro no texto, proposta que, segundo ele, conta com a concordância do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).


"No pré-sal, tínhamos a tecnologia para explorar petróleo em altas profundidades marítimas, faltava capital, então, estabelecemos uma relação em que a Petrobras ficava com 70% do capital e o capital estrangeiro com 30%. No caso da exploração de terras raras, nos falta tecnologia e equipamentos. Seria justo pegar o mesmo parâmetro e que o capital nacional também possa ter participação, mas numa razão 70%-30% inversa", afirmou. O texto chegou ao Senado na semana passada, mas ainda aguarda despacho de Alcolumbre para as comissões.


Braga indicou que, neste ano eleitoral, o Senado deve priorizar, além das terras raras, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e a redução da jornada de trabalho, que ainda está na Câmara. Para ele, tanto a PEC do fim da escala 6x1 quanto as medidas provisórias de subvenção ao combustível e do fim da "taxa das blusinhas" devem sofrer modificações durante a tramitação, mas devem ser aprovadas.


O 'Papo com Editor', programa com personalidades da política do País, é conduzido por jornalistas do serviço de informação em tempo real do Grupo Estado. O vídeo está disponível para assinantes do terminal broadcast+ na Broadcast TV, em Comentário Político e no Broadcast Político.


Leia aqui trechos da entrevista de Eduardo Braga ao Papo com Editor:


Broadcast Político: O Congresso aprovou a criação do Imposto Seletivo, mas falta definir a alíquota até setembro para dar tempo de entrar em vigor em 2027. Estamos em maio e o governo sequer mandou o projeto ao Congresso. O senhor tem tratado com o governo sobre o tema? Dá para votá-lo tão perto das eleições?

Braga: Primeiro, não vejo espaço para tramitar um projeto dessa envergadura no segundo semestre, em plena campanha eleitoral. Segundo, não estou conversando com o governo sobre o tema, porque não fui procurado. Terceiro, quando da criação da Emenda Constitucional 132, ficou pactuado o conceito de que esse imposto seria extrafiscal, não teria efeito arrecadatório para o governo, teria efeito educativo para a população. É um equívoco o governo achar, se é que está achando, que encontrará espaço para transformar o Imposto Seletivo em imposto arrecadatório.


Broadcast Político: A Câmara aprovou o projeto dos minerais críticos, envolvendo, entre outros pontos, incentivos federais da ordem de R$ 5 bilhões ao longo de cinco anos. O Amazonas tem interesse no assunto. Acha que o projeto está maduro o suficiente ou precisa de aprimoramentos?

Braga: A menos de 100 quilômetros de Manaus tem muita terra rara e, mais, em resíduo mineral, mais fácil de explorar. Não temos tecnologia para explorar terras raras. Um comparativo: no pré-sal, tínhamos a tecnologia para explorar petróleo em altas profundidades marítimas. Faltava capital, então estabelecemos uma relação em que a Petrobras ficava com 70% do capital e o capital estrangeiro com 30%. No caso da exploração de terras raras, nos falta tecnologia e equipamentos. Seria justo pegar o mesmo parâmetro e que o capital nacional também possa ter participação, mas numa razão 70%-30% inversa. Não temos a tecnologia, precisamos ter acesso à tecnologia e ao know-how. A partir daí, poder efetivamente entrar no mercado. Ainda não temos essa capacidade, nem do ponto de vista do hardware nem do software, para fazê-lo de forma lucrativa, rentável e eficiente.


Broadcast Político: O que o senhor acha do texto que saiu da Câmara?

Braga: Está na direção certa, mas com certeza sofrerá aprimoramentos no Senado.


Broadcast Político: O senhor pretende pleitear a relatoria desse projeto?

Braga: Não é meu costume pleitear relatorias. Coloco-me à disposição, porque é um tema sensível e eu, que fui ministro de Minas e Energia, tenho algum conhecimento. Não sou nenhum especialista na matéria, mas tenho algum conhecimento de mercado até em função do mapa geológico do Amazonas.


Broadcast Político: O que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, comentou sobre o projeto?

Braga: Davi falou que precisa de alguns aprimoramentos. Ele, por exemplo, concorda com a necessidade da participação do capital nacional.


Broadcast Político: Este é um ano legislativo mais curto por causa das eleições e tem uma série de projetos que vão se acumular no Senado. O que dá para votar e o que fica para o ano que vem?

Braga: Conversei com Alcolumbre e achamos haver entendimento para votar a questão das terras raras, a compensação de impostos em relação aos derivados de petróleo diante da crise da guerra entre Estados Unidos e Irã, que tem impactado enormemente alguns setores da nossa economia, entre eles, o agronegócio. Outra matéria que precisa ser votada é a da [redução da jornada] 6x1. Teremos que ter regra de transição para alguns setores da economia e regras mais compensatórias em determinados setores do que em outros. Mas é uma matéria que não tenho dúvida de que será aprovada. PEC da Segurança é um tema que está no topo da lista da agenda do Legislativo. Se essa PEC tramitar, vai andar muito rápido.


Broadcast Político: O governo Lula tem apostado em anúncios populares. Só esta semana, editou a MP para revogar a "taxa das blusinhas" e uma MP de subsídio à gasolina. O Congresso vai apoiá-las?

Braga: A medida provisória do combustível vai ser aprovada e avaliada, claro que com modificações e contribuições do Congresso. A "taxa das blusinhas" vai ser debatida, mas, no final das contas, acabará votada, porque, se não me engano, essa MP vence quatro dias antes da eleição. Imagine o efeito que isso causa. O setor privado vai debater muito sobre isso. Ouvi: 'Será que a gente pode aprovar uma emenda desonerando o produto nacional até US$ 50?' Eu disse: 'Vai compensar isso de onde?' Temos regras fiscais que nós vamos ter que obedecer. São temas que vão acontecer e vão ficar numa casa de irreversibilidade.


Contato: naomi.matsui@estadao.com; luci.ribeiro@estadao.com


Broadcast+

sexta-feira, 15 de maio de 2026

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Mercado respira, mas eleição entra no radar*


Pesquisa Datafolha ganha especial importância por ser a primeira após o caso Vorcaro, a rejeição de Messias ao STF e o pacote de bondades de Lula


… O mercado inicia a sexta-feira tentando sustentar o alívio vindo da visita de Donald Trump à China, marcada por acenos entre Washington e Pequim sobre comércio, inteligência artificial, energia e Estreito de Ormuz, mas ainda sob a sombra das tensões envolvendo Taiwan. A leitura mais construtiva do encontro ajudou a conter a pressão sobre o petróleo, enquanto as big techs voltaram a puxar o rali em Nova York. No Brasil, o “Flávio Day 2.0” perdeu força, mas o caso envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro mantém o risco eleitoral no radar. A agenda traz serviços no Brasil, produção industrial nos Estados Unidos e repercussão dos balanços de Nubank e Stone no after em Nova York.


TRUMP & XI – A visita de Donald Trump à China, que se encerra hoje, foi cercada de gestos cuidadosamente coreografados de aproximação entre Washington e Pequim, ajudando a aliviar parte da tensão geopolítica e sustentando o apetite por risco em Nova York.


… Trump classificou o encontro com Xi Jinping como “fantástico”, enquanto o líder chinês chamou a reunião de “histórica”. Houve acenos em áreas como comércio, inteligência artificial, energia e até cooperação indireta nas negociações envolvendo o Irã e o Estreito de Ormuz.


… Xi afirmou a executivos da Nvidia, Tesla e Apple que a China seguirá se “abrindo ainda mais”, enquanto Trump anunciou que Pequim concordou em encomendar 200 aviões da Boeing. Washington ainda autorizou a venda de chips H200 da Nvidia para grandes empresas chinesas.


… O encontro ajudou a consolidar a leitura de redução do risco imediato de interrupção no fluxo global de petróleo, mantendo o Brent acomodado na faixa dos US$ 100, apesar da volatilidade.


… Segundo a Casa Branca, Trump e Xi concordaram que o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto para garantir o fluxo global de energia.


… A Casa Branca ainda afirmou que Xi mostrou interesse em ampliar compras de petróleo americano para reduzir a dependência de Ormuz e que o líder chinês ofereceu ajuda nas negociações envolvendo o Irã, além de garantir que Pequim não fornecerá armamentos a Teerã.


… Apesar do tom cordial, Taiwan apareceu como o principal ponto de tensão da relação bilateral.


… Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, Xi alertou Trump de que Estados Unidos e China poderão enfrentar “confrontos e até conflitos” caso a questão da independência da ilha não seja tratada “adequadamente”.


… A Bloomberg destacou que o aviso foi a declaração mais dura do líder chinês até agora sobre o tema e funcionou como um recado direto contra o pacote de US$ 14 bilhões em venda de armas americanas para Taipei.


… Ainda assim, Trump evitou elevar o tom sobre Taiwan e preferiu reforçar a imagem de estabilidade da relação bilateral, afirmando nas redes sociais esperar que os laços entre os dois países fiquem “mais fortes e melhores do que nunca”.


… A divergência entre os comunicados de Washington e Pequim também chamou atenção.


… Enquanto a Casa Branca destacou as convergências sobre o petróleo, o Estreito de Ormuz e o apoio chinês para conter o Irã, a mídia estatal chinesa evitou enfatizar esses pontos, reforçando a disputa de narrativa entre as duas potências.


… Na noite de ontem, Trump endureceu o tom contra o Irã e afirmou que não será “muito mais tolerante”.


VIDA QUE SEGUE – Depois do estresse provocado pelo “Flávio Day 2.0” na véspera, o mercado devolveu parte dos prêmios de risco nesta quinta-feira, enquanto aliados de Flávio Bolsonaro trabalharam para conter danos e afastar a tese de substituição da sua candidatura.


… Em meio à repercussão das mensagens reveladas pelo Intercept Brasil envolvendo pedidos de recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, Flávio passou o dia telefonando para aliados.


… Negou irregularidades e tentou reforçar a narrativa de que o caso se resume a um investimento privado na produção audiovisual.


… Segundo relatos de bastidores, o senador demonstrou tensão em reunião emergencial com a equipe de campanha realizada na noite de quarta-feira. Depois do encontro, Flávio esteve com Jair Bolsonaro e ouviu do ex-presidente o conselho para “seguir firme”.


… Apesar da tentativa de estabilização, aliados admitem reservadamente preocupação com possíveis novos desdobramentos do caso e com o potencial desgaste eleitoral. Uma ala do PL passou a defender Michelle Bolsonaro como alternativa, caso a crise avance.


… Flávio reagiu rapidamente e afirmou que a ex-primeira-dama “não será candidata”.


… Em entrevista à GloboNews, o senador admitiu que Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro, era gestor do fundo sediado no Texas que recebeu recursos para o filme, mas negou que os valores tenham sido usados para bancar despesas do irmão nos Estados Unidos.


… A Polícia Federal, porém, trabalha com a suspeita de que parte dos recursos enviados ao fundo Havengate Development Fund LP possa ter sido usada para custear Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos desde fevereiro do ano passado.


… O caso também avançou no campo político e jurídico.


… Líderes do PT, PCdoB e PV protocolaram representação criminal na PGR e na PF contra Flávio, Eduardo e Jair Bolsonaro, citando suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, organização criminosa e financiamento político irregular.


… Paralelamente, o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, acionou o Coaf para rastrear os repasses ao filme “Dark Horse”.


… Apesar da forte repercussão política, a avaliação predominante no mercado foi de acomodação parcial após a reação considerada exagerada da véspera. Ainda assim, investidores reconhecem que a eleição presidencial entrou no radar.


… Nesse ambiente, a nova pesquisa Datafolha, que começa será divulgada na sexta-feira, ganhou especial importância por ser a primeira após o caso Vorcaro, a rejeição de Jorge Messias ao STF e as últimas medidas eleitorais anunciadas pelo governo Lula.


AGENDA – A sexta-feira traz uma combinação de atividade doméstica, produção industrial nos Estados Unidos e repercussão política, em um mercado que segue dividido entre a guerra no Oriente Médio, a visita de Trump à China e os desdobramentos do caso Flávio Bolsonaro.


… No Brasil, o destaque da manhã é a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de março, divulgada pelo IBGE às 9h. A mediana do Projeções Broadcast aponta queda de 0,1% no volume de serviços, após alta de 0,1% em fevereiro, em leitura acompanhada de perto pelo mercado.


… Apesar da expectativa de leve retração, parte dos economistas vê uma economia resiliente, sustentada pela renda e pelo mercado de trabalho, enquanto os juros elevados, endividamento e aumento dos combustíveis pesam sobre segmentos ligados a transporte e serviços.


… Também às 9h, o diretor de Política Econômica, Paulo Picchetti, participa da IV Conferência Anual do BC.


… Nos Estados Unidos, o principal indicador é a produção industrial, às 10h15, com expectativa de alta de 0,3% em abril, após queda de 0,5% em março. O dado ganha peso em um ambiente de atividade ainda resiliente e percepção de Fed mais hawkish.


… Antes disso, às 9h30, sai o índice Empire State de atividade industrial de maio, calculado pelo Fed de Nova York.


LOJAS MARISA – Na agenda corporativa, a varejista divulga resultados do primeiro trimestre após o fechamento.


NUBANK – Em Nova York, a ação, que chegou a cair mais de 9%, fechou com queda de 3,56% no after hours após frustrar expectativas na linha de receitas e levantar dúvidas sobre o avanço das provisões, apesar do crescimento do lucro líquido de US$ 871 milhões – alta anual de 41%.


… Já a receita total ficou abaixo do consenso do mercado, em US$ 4,968 bilhões.


… Investidores também reagiram negativamente ao salto de 72% nas provisões em relação ao mesmo período do ano passado e de 33% na comparação trimestral, mesmo sem uma deterioração mais clara da carteira de crédito.


… Na leitura do mercado, o balanço reforçou preocupações sobre a capacidade do Nubank de sustentar crescimento acelerado de receitas e rentabilidade em um ambiente ainda marcado por juros elevados e maior seletividade no crédito.


STONE – Também no pós-mercado, a ação subiu 5,26%, beneficiada por um resultado “menos ruim” do que o forte pessimismo do mercado, que apontou lucro líquido ajustado de R$ 549,1 milhões no primeiro trimestre, alta anual de 3,5%.


AINDA ESTOU AQUI – O risco do Lula IV gerado pelo Flávio Day 2.0 assusta e permanece no radar, mas os mercados recobraram ontem parte da consciência, na medida em que ainda faltam quatro meses para a eleição presidencial.


… Até que tudo esteja melhor digerido e se verifique o grau de desgaste do episódio sobre a candidatura do filho de Bolsonaro, o investidor deve ter dificuldade para relaxar. Mas nesta quinta-feira deu para acomodar o estresse.


… Corrigindo exageros, o dólar voltou a ser cotado abaixo de R$ 5. Fechou em baixa moderada de 0,45%, a R$ 4,9863, devolvendo parte da escalada de 2,31% da véspera, desencadeado pelo vazamento do áudio com Vorcaro.


… Operadores também mencionaram que exportadores aproveitaram o câmbio favorável para trazer dólares.


… Um alívio parcial também foi registrado nos juros futuros, mas a melhora foi considerada tímida, comparada ao salto de 30 pontos-base nos prêmios de risco do pregão anterior, diante das dúvidas sobre a viabilidade de Flávio.


… No fechamento, o DI para Janeiro de 2027 caía para 14,190% (contra 14,210% na véspera); Jan/28 recuava a 14,000% (de 14,059%); Jan/29, a 13,990% (de 14,054%); Jan/31, a 14,075% (14,115%); e Jan/33, 14,135% (14,166%).


… O petróleo estável também contribuiu para esvaziar as pressões sobre a curva, embora o barril continue rodando nos três dígitos, acima dos US$ 100. O Brent para julho fechou ontem em alta marginal de 0,08%, a US$ 105,72.


… Se por um lado a commodity não se abalou pela falta de novidades sobre um acordo de paz com o Irã, por outro, tampouco se entusiasmou com a sinalização de Trump de que a China estaria defendendo a reabertura de Ormuz.


… Também os relatos do presidente americano de que Xi Jinping teria demonstrado interesse em comprar petróleo dos Estados Unidos não fizeram preço nos negócios, até porque não foram confirmados pela mídia estatal chinesa.


… Apesar da apatia ontem do petróleo, as ações da Petrobras recuperaram algum terreno (PN +0,96%, a R$ 45,00; e ON +0,82%, a R$ 49,38), diante da percepção de que um reajuste dos combustíveis é só uma questão de tempo.


… Também os bancos corrigiram: Itaú PN subiu 1,94% (R$ 40,40), Bradesco PN ganhou 1,08% (R$ 17,84), Santander unit avançou 0,44% (R$ 27,14) e BTG unit, +0,84% (R$ 55,39). Só os papéis do BB ficaram estáveis, em R$ 20,76.


… O balanço do banco, que fecha a temporada dos maiores do setor, não empolgou, com lucro trimestral 11% abaixo da média do Broadcast. O Citi avalia que o resultado reforça a “persistente” pressão sobre a qualidade dos ativos.


… O Ibovespa ensaiou uma recuperação mais consistente, após o tombo de 1,80% do pregão anterior, mas perdeu fôlego na reta final e limitou os ganhos no fechamento a 0,72%, ainda abaixo dos 180 mil pontos (178.365,86).


… O giro ficou em R$ 29,8 bilhões. Hoje tem exercício de opções na bolsa. Na véspera do game, Vale devolveu tudo o que havia subido um dia antes (+1,26%), em queda de 1,70%, mesmo com o minério de ferro estável na China.


BAIXOU A GUARDA – O líder chinês, Xi Jinping, deu fôlego ontem às ações das gigantes de tecnologia americanas, depois de ter afirmado, frente a frente aos CEOs da Nvidia, Tesla e Apple, que a China irá “se abrir ainda mais”.


… O S&P 500 e o Nasdaq renovaram máximas históricas e o Dow Jones superou os 50 mil pontos. Ainda a safra dos balanços ajudou, com Cisco disparando 13,41%, após anunciar quase 4 mil demissões e elevar a previsão de receita.


… Nvidia saltou 4,39%, após Washington autorizar cerca de 10 empresas chinesas a comprarem os chips da empresa.


… Apesar do impasse da guerra no Irã, o índice Dow Jones encerrou em alta de 0,75%, aos 50.063,46 pontos. O S&P 500 ganhou 0,77%, aos 7.501,25 pontos, e o Nasdaq registrou valorização de 0,88%, aos 26.635,22 pontos.


… Já os juros dos Treasuries e o dólar continuaram monitorando o cenário inflacionário. O Fed boy Jeffrey Schmid disse que a inflação contínua é o risco mais urgente para a economia e que está claro que ela ainda está muito alta.


… Já Stephen Miran, que ontem renunciou ao mandato-tampão no conselho do Fed, já que sua vaga será ocupada por Kevin Warsh, criticou em sua despedida a maneira como os dirigentes avaliam a inflação. Mas ele é dovish.


… Nos últimos dias, o mercado passou a especular com uma alta do juro pelo Fed no início de 2027.


… Outros grandes BCs devem apertar a política monetária muito antes disso. Ontem, o dirigente do BoJ Kazuyuki Masu indicou a chance de um aumento em breve, ao expressar preocupação com o choque persistente do petróleo.


… “Se os dados estatísticos não indicarem sinais claros de recessão econômica, acredito que seja desejável elevar a taxa básica de juros o mais cedo possível. É vital garantir que, a inflação subjacente não ultrapasse 2%”, disse.


… Na Inglaterra, o economista-chefe do BC inglês, Huw Pill, foi na mesma linha. Defendeu um aperto “modesto, mas imediato”, argumentando que a incerteza em torno do conflito militar no Irã não é motivo para inação do BoE.


… Apesar do comentário hawkish, a libra esterlina afundou 0,92%, para a mínima em um mês, e fechou valendo US$ 1,3401, diante da crise política no Reino Unido, com as pressões pela saída do primeiro-ministro, Keir Starmer.


… O euro caiu 0,39%, para US$ 1,1668, e o iene recuou a 158,35 por dólar, com o índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana contra uma cesta de seis outras divisas fortes, subindo 0,3%, a 98,819 pontos.


… Entre os Treasuries, a taxa do T-bond de 30 anos deu uma corrigida, mas continuou acima dos 5%, em 5,029% (de 5,041% na véspera). Já o juro da Note de 2 anos subiu a 4,013% (de 3,979%) e o de 10 anos, a 4,481% (de 4,471%).


CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS. Lula voltou a defender exploração de petróleo na Margem Equatorial e disse que pretende prospectar parceria com a Pemex no Golfo do México.


GPA ampliou prejuízo líquido das operações continuadas para R$ 1,347 bilhão no 1TRI26. A receita líquida caiu 8,2%, para R$ 4,3 bilhões, e o Ebitda ajustado consolidado subiu 12%, para R$ 458 milhões…


… A empresa apontou em notas explicativas revisadas pela Ernst & Young Auditores, que há “incertezas relevantes” que podem levantar dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional da companhia…


… GPA convocou AGE para votar mudanças no capital autorizado e exclusão de regra de OPA estatutária.


ASSAÍ. A gestora Ninety One UK passou a deter 71,5 milhões de ações, equivalentes a 5,32% do capital social.


GRUPO MATEUS teve lucro líquido de R$ 212,9 milhões no 1TRI26, queda de 21,8% contra um ano antes. A receita operacional líquida cresceu 12,9%, para R$ 9,4 bilhões, e o Ebitda recuou 7,3%, para R$ 543 milhões.


MBRF teve lucro líquido de R$ 111 milhões no 1TRI26, alta de 26,8% contra um ano antes. A receita líquida caiu 0,1%, para R$ 39,453 bilhões, e o Ebitda ajustado recuou 3,2%, para R$ 3,096 bilhões.


USIMINAS. O conselho aprovou a reeleição da diretoria até 2028, com Marcelo Chara mantido como CEO.


CAIXA ECONÔMICA FEDERAL teve lucro líquido recorrente de R$ 3,5 bilhões no 1TRI26, queda de 34,4% contra um ano antes.


COSAN teve prejuízo líquido de R$ 1,58 bilhão no 1TRI26, queda de 11% contra um ano antes. A receita líquida recuou 7%, para R$ 9 bilhões, e o Ebitda avançou 59,8%, para R$ 3,1 bilhões.


CPFL ENERGIA teve lucro líquido de R$ 1,9 bilhão no 1TRI26, alta de 18,2% contra um ano antes. O Ebitda avançou 0,2%, para R$ 3,86 bilhões, e a receita operacional líquida cresceu 6,4%, para R$ 11,34 bilhões.


LIGHT teve lucro líquido de R$ 2,8 bilhões no 1TRI26, salto de 573% contra um ano antes. A receita líquida cresceu 8,1%, para R$ 4,406 bilhões, mas o Ebitda ajustado caiu 27%, para R$ 423 milhões…


… A companhia aprovou aumento de capital entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão, com emissão privada de até 238,4 milhões de ações.


CEMIG identificou vazamento de dados de cerca de 135 mil clientes.


SANEPAR teve lucro líquido de R$ 352,7 milhões no 1TRI26, queda de 70,8% contra um ano antes. A receita operacional líquida cresceu 7,8%, para R$ 1,95 bilhão, e o Ebitda recuou 24,4%, para R$ 843,5 milhões.


VIVEO reduziu prejuízo líquido para R$ 57 milhões no 1TRI26, ante perda de R$ 59 milhões um ano antes. A receita líquida cresceu 1,7%, para R$ 2,8 bilhões, e o Ebitda ajustado avançou 30,4%, para R$ 208,1 milhões.


ONCOCLÍNICAS. Prejuízo mais do que triplicou no primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2025, ficando em R$ 438,7 milhões…


… A receita líquida caiu 22,3%, para R$ 1,16 bilhão, e o Ebitda ajustado ficou negativo em R$ 49,2 milhões, revertendo resultado positivo de R$ 153,9 milhões um ano antes.


TUPY teve prejuízo líquido de R$ 96,5 milhões no 1TRI26, ante perda de R$ 12,4 milhões um ano antes. A receita caiu 7,1%, para R$ 2,3 bilhões, e o Ebitda recuou 73,6%, para R$ 55,2 milhões.


UNIPAR teve lucro líquido de R$ 37 milhões no 1TRI26, queda de 75% contra um ano antes. A receita líquida caiu 10%, para R$ 1,24 bilhão, e o Ebitda ajustado recuou 51%, para R$ 174 milhões.


CYRELA. O lucro líquido somou R$ 328 milhões no 1TRI26, 22% abaixo da estimativa dos analistas no Broadcast, de R$ 421 milhões. A receita líquida totalizou R$ 1,95 bilhão, 8% inferior à projeção de R$ 2,12 bilhões.


EVEN teve lucro líquido consolidado de R$ 32,5 milhões no 1TRI26, queda de 39,7% contra um ano antes. A receita líquida recuou 2,1%, para R$ 330,2 milhões…


… A empresa aprovou dividendos intercalares de R$ 30 milhões, equivalentes a R$ 0,15169 por ação. O pagamento será em 12 de junho, com base na posição acionária de 1º de junho.


HELBOR teve lucro líquido de R$ 1,9 milhão no 1TRI26, queda de 74,5% contra um ano antes. A receita operacional líquida cresceu 15,8%, para R$ 346,6 milhões.


TRISUL teve lucro líquido de R$ 28,3 milhões no 1TRI26, queda de 31,3% contra um ano antes. A receita cresceu 26,2%, para R$ 343,2 milhões, e o Ebitda recuou 15,1%, para R$ 38,8 milhões.


TECNISA ampliou prejuízo líquido em 164,5% no 1TRI26, a R$ 20,6 milhões. A receita caiu 42,1%, a R$ 27,1 milhões.


TOKY negou acordo fechado com credores e afirmou que o plano de recuperação judicial ainda está em estruturação.


PETZ teve cancelamento de registro de companhia aberta aprovado pela CVM após fusão com a Cobasi.


VITTIA. O prejuízo líquido no 1TRI26 saltou 201,4% na comparação anual. A receita líquida caiu 11,5%, para R$ 121,9 milhões, e o Ebitda ajustado ficou negativo em R$ 587 mil.


AÉREAS. Governo busca fonte de receita para prorrogar desoneração do querosene de aviação, segundo fontes do Valor…


… Alíquota zero de PIS/Cofins sobre o QAV vale até dia 31; o custo da desoneração é estimado em R$ 45 milhões por mês.

BDM Matinal Riscala 2

 📊 Serviços aqui, Datafolha e produção industrial nos EUA


[15/05/26] O mercado inicia a sexta-feira tentando sustentar o alívio vindo da visita de Donald Trump à China, marcada por acenos entre Washington e Pequim sobre comércio, inteligência artificial, energia e Estreito de Ormuz, mas ainda sob a sombra das tensões envolvendo Taiwan. A leitura mais construtiva do encontro ajudou a conter a pressão sobre o petróleo, enquanto as big techs voltaram a puxar o rali em Nova York. No Brasil, o “Flávio Day 2.0” perdeu força, mas o caso envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro mantém o risco eleitoral no radar. A agenda traz serviços no Brasil, produção industrial nos Estados Unidos e repercussão dos balanços de Nubank e Stone no after em Nova York. (Rosa Riscala)


👉 Confira abaixo a agenda de hoje


Indicadores


▪️ 09h00 – Brasil: IBGE – Pesquisa Mensal de Serviços (mar)

▪️ 09h30 – EUA: Fed de NY – Índice Empire State (maio)

▪️ 10h15 – EUA: Fed – Produção industrial (abr)

▪️ 14h00 – EUA: Baker Hughes – Poços e plataformas em operação


Eventos


▪️ 09h00 – Brasil: Paulo Picchetti (BC) participa da IV Conferência Anual do Banco Central

▪️ Brasil: Datafolha divulga pesquisa eleitoral para a Presidência da República

▪️ China: Trump encerra visita oficial à China


Balanços


▪️ Brasil/após o fechamento – Marisa Lojas


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📚 MZ Investimentos


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Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +0,7% US tech +0,7% US Semis +0,5% UEM +1,2% España +0,8% VIX 18,7% Bund 3,05%. T-Note 4,48%. Spread 2A-10A USA=+47pb B10A: ESP 3,46% PT 3,40% ITA 3,78% FRA 3,66% Euribor 12m 2,82% USD 1,167 JPY 184,8/€ Ouro 4.652$. Brent 106,6$. WTI 102,0$. Bitcoin +2,1% (81.380$). Ether +1,5% (2.297$).


SESSÃO. Hoje resta descansar e seria o mais prudente depois dos avanços recentes. E a realidade é que, com a temporada de resultados praticamente terminada (EPS 1T +26% EUA vs. +14% esp. e +12% Europa vs +4%), o mercado necessita de mais catalisadores para continuar com a tendência em alta a curto prazo.


Trump/Xi retomam hoje as conversações, enquanto as negociações sobre o Irão continuam sem avanços. No plano convencional, os indicadores de preço cobram cada vez mais importância. Hoje de madrugada, os Preços Industriais de abril no Japão aumentaram até +4,9% a/a vs. +2,9% ant. e +3,0% esp., situando-se no nível mais alto desde maio de 2023, e fazem aumentar as expetativas de uma nova subida de taxas de juros do BoJ (estimamos +0,25 p.b. até 1,00% no 3T 2026). Prejudicando, assim, a yield a 10A +8 p.b. até 2,71% e a bolsa -2%. Nos EUA, às 13:30 h, conheceremos o Empire Manufacturing de maio (7,2 esp. vs. 11,0 ant.) e às 14:15 h a Produção Industrial nos EUA (+0,3% vs. -0,5%), embora fiquem para segundo plano.


As conversações entre os EUA e a China continuam. Ontem conhecíamos acordos para que a China compre aviões Boeing, petróleo americano e chips H200 de Nvidia (+4,4%) e ambos os países estariam de acordo na abertura do Estreito de Ormuz e que o Irão não deverá ter armas nucleares. 


Em suma, o natural hoje seria uma prudente realização de lucros com a atenção nas conversações China-EUA e qualquer notícia do conflito no Irão.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Mercado troca guerra por risco eleitoral*


No exterior, Trump e Xi Jinping já tiveram um primeiro encontro durante a madrugada, em Pequim, em meio à tentativa americana de convencer a China a pressionar o Irã pela normalização de Ormuz


… O mercado entra na quinta-feira ainda tentando calibrar os efeitos da forte reprecificação política da véspera, após a divulgação de mensagens e áudios ligando Flávio Bolsonaro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O episódio atingiu diretamente o principal nome da oposição, justamente no momento em que Lula acelera medidas vistas como eleitorais, incluindo a subvenção aos combustíveis. No exterior, Trump e Xi Jinping já tiveram um primeiro encontro durante a madrugada, em Pequim, em meio à tentativa americana de convencer a China a pressionar o Irã pela normalização de Ormuz. Na agenda, vendas do varejo nos Estados Unidos, balanço da Nubank e a repercussão do salto da Cisco no after hours.


BOMBA ELEITORAL – O mercado doméstico deixou a guerra no Oriente Médio em segundo plano nesta quarta-feira e passou a negociar política eleitoral, após a divulgação de mensagens e um áudio de Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro, do Banco Master.


… A revelação do Intercept Brasil atingiu diretamente o principal nome da oposição na corrida presidencial, justamente no mesmo dia em que a pesquisa Genial/Quaest mostrou melhora da aprovação do governo Lula, embora tenha mantido o empate técnico entre os dois.


… Em mensagem divulgada pela reportagem, Flávio cobra de Vorcaro a promessa de repassar US$ 24 milhões para financiar o filme de seu pai, Dark Horse: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz”.


… Segundo O Globo, Daniel Vorcaro repassou R$ 62 milhões entre fevereiro e maio de 2025 para filmagem de “Dark Horse”, valor que supera os R$ 28 milhões gastos em “O Agente Secreto” e os R$ 45 milhões de “Ainda Estou Aqui”.


… Na primeira reação, o senador divulgou nota confirmando o financiamento privado da produção e negou irregularidades, afirmando que não recebeu vantagens nem intermediou negócios de Daniel Vorcaro com o governo.


… Nos bastidores, porém, aliados do Zero Um pareciam “desnorteados”, segundo Lauro Jardim, e demonstravam grande preocupação com o desgaste do episódio. O assunto Master é muito forte e ligado à percepção de corrupção.


… No Valor, articuladores da campanha já admitem que o caso representa a “primeira grande crise” da candidatura presidencial de Flávio.


… O senador passou a tarde reunido com Rogério Marinho e Valdemar Costa Neto no QG da campanha, em Brasília, em meio a um ambiente descrito como de tensão. Apesar disso, interlocutores apostam que o desgaste deve perder força até o fim da semana.


… A crise ganhou dimensão no fim da noite, após parlamentares governistas acionarem a PGR e a PF contra Flávio, pedindo abertura de inquérito, prisão preventiva, apreensão de passaporte, bloqueio de bens e quebra de sigilos. Também acionaram o Conselho de Ética do Senado.


… O impacto da revelação foi imediato nos mercados, com o dólar novamente acima de R$ 5, juros futuros em alta e queda do Ibovespa (abaixo).


… A leitura predominante foi de que a bomba do Intercept atingiu justamente a tese que vinha sustentando parte importante do rali recente dos ativos brasileiros: a perspectiva de alternância de política econômica em 2027 com o crescimento de Flávio nas pesquisas eleitorais.


… No pano de fundo, o desconforto também foi ampliado pela percepção de que o governo Lula acelerou medidas de viés eleitoral nos últimos dias, incluindo o fim da taxação de compras internacionais de até US$ 50, o Desenrola 2.0 e a subvenção para combustíveis.


… O mercado passou a falar abertamente em “medidas eleitoreiras” voltadas à recuperação de popularidade do presidente.


SUBVENÇÃO À GASOLINA – O anúncio do governo Lula de subsídios para gasolina e diesel, nesta quarta-feira, aprofundou a deterioração dos ativos domésticos e reforçou no mercado a percepção de avanço de um “pacote de bondades” em pleno ambiente eleitoral.


… Pela medida provisória publicada em edição extra do Diário Oficial da União, o governo poderá subsidiar até R$ 0,8925 por litro da gasolina e até R$ 0,3515 por litro do diesel, embora a equipe econômica tenha indicado que a ajuda ficará entre R$ 0,40 e R$ 0,45 por litro da gasolina.


… A iniciativa ocorre após a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, sinalizar que a estatal deverá reajustar em breve o preço da gasolina, diante da forte defasagem em relação ao mercado internacional. Segundo a Abicom, a diferença chegou a 69% nesta quarta-feira.


… Para evitar que a alta do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio chegasse diretamente ao consumidor, o governo decidiu substituir a proposta de desoneração tributária por uma subvenção direta ao combustível.


… O governo estima uma despesa mensal de R$ 272 milhões para cada R$ 0,10 de subsídio na gasolina e de R$ 492 milhões no diesel.


… Pelos cálculos da MB Associados, o custo pode chegar a R$ 2,5 bilhões por mês caso o teto seja integralmente utilizado. Já estimativas da Buysidebrazil apontam custo bruto potencial de R$ 11,3 bilhões em dois meses considerando gasolina e diesel.


… O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou que a operação será feita por meio de crédito extraordinário, deixando os valores fora do limite de gastos do arcabouço fiscal, embora ainda contabilizados na meta de resultado primário.


… A equipe econômica sustenta que há neutralidade fiscal, uma vez que a alta do petróleo também amplia receitas com royalties, participações especiais e dividendos da Petrobras. Ainda assim, o anúncio acelerou a abertura da curva de juros na tarde desta quarta-feira.


… No Valor, o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, diz que “há uma repetição dos erros fiscais do último ano do governo Bolsonaro”.


… Já a Buysidebrazil calcula que a subvenção integral poderá reduzir até 0,64 ponto porcentual do IPCA, enquanto a Warren estima impacto entre 0,23 e 0,49 ponto. Ainda assim, analistas alertam que parte relevante desse alívio pode ser anulada por futuros reajustes da Petrobras.


RENÚNCIAS FISCAIS – Em meio ao aumento das preocupações do mercado com o avanço de medidas de estímulo e subsídios pelo governo Lula, o TCU alertou Executivo e Congresso por falhas no cumprimento de regras fiscais ligadas a renúncias tributárias em 2025.


… Segundo a Corte, 11 dos 21 atos analisados apresentaram problemas como ausência de estimativas de impacto, demonstração de compensação e metas de governança, incluindo programas ligados à transição energética, exportações, indústria química, setor elétrico e crédito rural.


… O tribunal determinou que Ministério da Fazenda, Casa Civil, Câmara e Senado reforcem mecanismos de controle e passem a apresentar de forma mais clara os impactos fiscais das medidas, incluindo projeções para os dois anos seguintes e eventuais compensações.


AGENDA – Sem indicadores de grande peso no Brasil, a quinta-feira traz apenas o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, do IBGE, enquanto o BC segue com a IV Conferência Anual da instituição, acompanhada pelos diretores Paulo Picchetti e Nilton David.


… No exterior, saem de madrugada o PIB preliminar do primeiro trimestre e a produção industrial no Reino Unido, enquanto a presidente do BCE, Christine Lagarde, participa de evento na Alemanha à primeira hora do dia (6h).


… A agenda nos Estados Unidos inclui as vendas do varejo de abril e os pedidos semanais de auxílio-desemprego, ambos às 9h30, após CPI e PPI reforçarem nesta semana a percepção de um Fed mais cauteloso e reacenderem apostas de juros elevados por mais tempo.


… O mercado ainda acompanha falas de dirigentes do Fed ao longo do dia, incluindo Jeffrey Schmid (11h15), Beth Hammack e Michelle Bowman (14h), John Williams (18h45) e Michael Barr (20h).


TRUMP NA CHINA – O americano foi recebido durante a madrugada brasileira, em Pequim, por Xi Jinping, para a cúpula de dois dias marcada por temas sensíveis (guerra no Oriente e a disputa comercial e tecnológica entre os dois países).


… A conversa durou cerca de duas horas e discutiu comércio bilateral e a questão de Taiwan. A programação prevê novas reuniões entre os dois, além de visitas ao Templo do Céu e um jantar de Estado.


… Amanhã, Trump e Xi ainda devem participar de um almoço e de uma cerimônia de chá.


… A expectativa do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que integra a comitiva de Trump, é convencer a China a desempenhar um papel mais ativo para persuadir o Irã a abandonar suas ações no Golfo Pérsico.


… A avaliação em Washington é de que Pequim, principal compradora de petróleo iraniano, está entre os poucos atores com influência suficiente sobre Teerã para ajudar a destravar uma saída negociada para o conflito.


… Segundo análise publicada nesta quarta-feira, porém, a China dificilmente atenderá plenamente aos pedidos americanos.


… Embora Xi Jinping possa pressionar discretamente o Irã a retornar às negociações, acredita-se que Pequim não deve interromper o apoio econômico ao principal aliado estratégico no Oriente Médio nem restringir o envio de bens de uso dual ligados ao setor militar iraniano.


… Com interesses conflitantes, Pequim quer estabilizar Ormuz, mas também reforçar o papel do Irã como contraponto à influência americana.


GUERRA – Em Washington, apesar do fracasso da última proposta iraniana, o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, afirmou acreditar que seguem avançando as negociações com Teerã para encerrar o conflito.


… Segundo ele, a linha vermelha de Donald Trump continua sendo garantir que o Irã jamais tenha acesso a uma arma nuclear.


… Antes de viajar, o presidente voltou a ameaçar Teerã, afirmando que “ou haverá acordo, ou eles serão devastados de uma forma ou de outra”.


BALANÇOS – Na temporada de balanços, o destaque fica para o Nubank, que divulga resultado após o fechamento do mercado, com expectativa de lucro de US$ 912 milhões no primeiro trimestre, segundo média das prévias Broadcast.


… Antes da abertura, divulgam números Banrisul e Bradespar e, após o fechamento, além do Nubank, saem os resultados de Marfrig, Cosan, Stone, CPFL Energia, Cyrela, GPA, 3Tentos, AgroGalaxy, Even, Light e Vittia Fertilizantes.


… Espanha Telefónica divulga balanço corporativo antes da abertura dos mercados europeus.


AFTER HOURS – A Cisco Systems disparou quase 20% no after hours em Nova York após divulgar resultados acima das expectativas e elevar projeções para o quarto trimestre fiscal, ontem à noite.


… A companhia reportou lucro líquido de US$ 3,37 bilhões no terceiro trimestre fiscal de 2026, alta de 35% na comparação anual, com lucro ajustado por ação de US$ 1,06, acima do consenso de US$ 1,04.


… A receita somou US$ 15,84 bilhões, crescimento de 12% e também acima das estimativas de mercado.


… Para o trimestre atual, a Cisco projetou lucro por ação entre US$ 1,16 e US$ 1,18, além de receita entre US$ 16,7 bilhões e US$ 16,9 bilhões, superando com folga as previsões dos analistas.


… A empresa também anunciou a demissão de cerca de 4 mil funcionários, menos de 5% da força de trabalho, em movimento que deve gerar custo estimado de US$ 1 bilhão neste trimestre.


… Ainda assim, o mercado reagiu bem ao guidance e aos sinais de continuidade da demanda ligada à infraestrutura de tecnologia e IA.


FLAVIOGATE – Desde cedo, o estresse com o potencial ganho de capital político por Lula estressou os mercados.


… Os negócios começaram o dia absorvendo o apelo do fim da “taxa das blusinhas”, depois veio a melhora do governo na pesquisa eleitoral Quaest, em seguida, a subvenção à gasolina e, para fechar, o áudio de Flávio.


… O dólar, que operava em torno dos R$ 4,90 antes da notícia, bateu máximas e superou R$ 5, os juros futuros acumularam 30 pontos de prêmio de risco nos vencimentos mais longos e o Ibovespa afundou mais de 3 mil pontos.


… De olho no cenário eleitoral e risco fiscal do subsídio aos combustíveis, o DI para Jan/29 saltou a 14,050% (de 13,764% na véspera); Jan/31 disparou para 14,110% (de 13,816% no ajuste anterior); e Jan/33, a 14,165% (13,885%).


… O vencimento para Jan/27 subiu para 14,210% (contra 14,127%); e o Jan/28 foi a 14,050% (de 13,830%).


… No pano de fundo, as taxas também apontaram para cima refletindo o PPI americano acima do esperado.


… Um dia depois de o CPI ter incomodado, a inflação ao produtor avançou 1,4% em abril, a maior taxa mensal em pouco mais de quatro anos e o dobro do previsto pelo consenso de mercado, pressionando os yields dos Treasuries.


… O rendimento da Note de 10 anos avançou para 4,471% (contra 4,461% no ajuste anterior) e o retorno do T-Bond de 30 anos continuou acima da marca de 5%, em 5,041% (de 5,026% no pregão da véspera).


…. Na base anualizada, o PPI avançou 6%, muito acima da projeção de 5% do mercado financeiro. O núcleo do PPI subiu 1% no mês e 5,2% em 12 meses, superando nos dois casos as apostas de 0,3% e 4,4%, respectivamente.


… As leituras acima do esperado tanto do PPI quanto do CPI aumentam o suspense pelo índice de preços de gastos com consumo (PCE), principal medida de inflação acompanhada pelo Fed, que será divulgada no próximo dia 28.


… A inflação roda mais alta do que se imaginava e reforça a percepção de que o choque de energia provocado pela guerra começa a contaminar de forma mais ampla a economia americana, pondo em xeque os cortes de juro.


… Segundo a ferramenta do CME, as chances de flexibilização monetária pelo Fed se esvaziam e os investidores especulam sobre um aperto monetário no início do ano que vem, com as apostas divididas entre janeiro e março.


… Os dirigentes do Fed vêm subindo o tom de cautela. Susan Collins não descartou do radar um aumento dos juros.


… “Embora eu espere que a normalização da política possa ser retomada no final deste ano, também posso imaginar um cenário que exija algum aperto na política para garantir que a inflação retorne a 2%”, observou nesta quarta.


… O colega Neel Kashkari disse que a guerra alterou “drasticamente” o cenário inflacionário. Um dia antes, Austan Goolsbee já havia repetido os alertas da semana passada de que os preços estão “indo na direção errada”.


… Deu azar Kevin Warsh de estar assumindo o comando do Fed justamente agora, no cenário tumultuado pelas pressões inflacionárias, que reduzem o espaço para que ele possa imprimir sua marca mais dovish no curto prazo.


… Indicado por Trump, ele já presidirá a reunião do Fed em junho. Powell se despede da presidência do Fed amanhã.  


MAL NA FITA – A gravação de Flávio pedindo dinheiro para Vorcaro para financiar a produção do filme sobre a biografia de Bolsonaro levou o dólar à vista a avançar cerca de 10 centavos em apenas 15 minutos no meio da tarde.


… A notícia representa o segundo golpe duro para a direita no intervalo de apenas uma semana, depois do início da investigação das relações suspeitas mantidas pelo senador Ciro Nogueira com o banqueiro do Banco Master.


… Operando no susto, o dólar saltou 2,31%, a R$ 5,0086. Foi a maior alta diária desde o “Flávio Day”, no início de dezembro, quando a sua pré-candidatura foi anunciada, frustrando a esperança de que Tarcísio fosse lançado.


… Além do impacto pesado do ruído político, o câmbio também foi influenciado, em menor medida, pela queda do petróleo, que inibiu o interesse pelo real. O contrato do Brent para julho caiu 1,99% e fechou cotado a US$ 105,63.


… Mesmo sem um acordo de paz, a commodity repercutiu a previsão da Agência Internacional de Energia de queda na demanda global de petróleo, de 420 mil barris por dia no ano, bem pior que a previsão anterior, de 80 mil barris.


… A agência estima que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até o final deste mês de maio e que o mercado permanecerá com oferta insuficiente até o terceiro trimestre, mesmo que o conflito militar acabe em breve.


… De nada adiantou o petróleo ter dado trégua ontem, porque a inflação do PPI não deu trégua sobre o risco de um aperto monetário pelo Fed e trouxe pressão lá fora ao índice DXY do dólar, que subiu 0,23%, a 98,524 pontos.


… O euro caiu 0,26% (US$ 1,1711), apesar do alerta do economista-chefe do BCE, Philip Lane, de que a inflação pode exigir postura firme da política monetária. A libra perdeu 0,12%, a US$ 1,3522, e o iene recuou a 157,89 por dólar.


PASSOU UM FILME NA CABEÇA – O medo do desgaste político de Flávio com as revelações sobre os bastidores do Dark Horse assustou o Ibovespa, que já coleciona perdas em série, depois da sequência de recordes históricos.


… O índice fechou em baixa firme de 1,80% e, por pouco, não voltou para a faixa dos 176 mil pontos. Terminou o pregão aos 177.098,29 pontos, com giro de R$ 66,4 bilhões, bombado pelo vencimento de opções sobre o índice.


… O Morgan Stanley continua bastante confiante em um rali do Ibovespa, não agora, mas no ano que vem, quando estima que o índice possa rondar a região dos 240 mil pontos, diante do o ciclo de flexibilização do Copom.


… Para o banco, a baixa alocação doméstica em ações abre espaço para retomada relevante do fluxo para a B3, em um cenário de queda consistente da Selic. Atualmente, o banco projeta um ciclo de cortes de 4,5pp da Selic.


… A taxa básica de juro encerraria este ano em 13% e recuaria até 10,5% em 2027. Em um cenário mais favorável para fluxo, o banco vê potencial para cerca de US$ 25 bilhões migrarem para ações brasileiras ao longo de 18 meses.


… Ontem, no entanto, os diálogos veiculados pelo Intercept provocaram um baque no humor dos investidores e, no caso da Petrobras, ainda teve o anúncio da subvenção do diesel e da gasolina para piorar o que já estava ruim.


… Superando as perdas do petróleo, Petrobras ON caiu 2,47%, a R$ 48,98, e PN recuou 2,43%, a R$ 44,57.


… Os bancos também foram mal: à espera de seu balanço trimestral, BB perdeu 2,63%, a R$ 20,76. Bradesco PN devolveu 1,73% (R$ 17,65), Itaú PN teve queda de 0,60% (R$ 39,63); e Santander unit, -2,28% (R$ 27,02).


… Isolada no otimismo, Vale subiu 1,26% (R$ 84,30), com performance bem melhor do que o minério (+0,31%).


… Em Wall Street, o desconforto com a inflação acima da meta do Fed foi ofuscado pelo apetite pelas gigantes de tecnologia, na esperança de que Trump convencesse a China a se abrir para as empresas norte-americanas.


… As ações da Alphabet (+3,94%), Meta (+2,26%), Nvidia (+2,29%) e Tesla (+2,71%) embalaram o Nasdaq (+1,20%, aos 26.402,34 pontos) e o S&P 500 (+0,58%, aos 7.444,25 pontos) para novas máximas históricas de fechamento.


… Só mesmo o Dow Jones, em leve queda de 0,14%, aos 49.693,20 pontos, é que monitorou o PPI alto.


CIAS ABERTAS NO AFTER – O lucro líquido ajustado do BANCO DO BRASIL somou R$ 3,431 bilhões no 1TRI26, 11,6% abaixo da estimativa dos analistas no Broadcast, de R$ 3,847 bilhões…


… O BB aprovou JCP de R$ 465,702 milhões, equivalentes a R$ 0,081 por ação. As ações ficam “ex” em 2 de junho.


CSN. O prejuízo líquido de R$ 555 milhões reverteu expectativa de lucro de R$ 395 milhões dos analistas no Broadcast. O Ebitda ajustado somou R$ 2,646 bilhões no 1TRI26, 5,8% acima da estimativa de R$ 2,5 bilhões…


… Já a receita líquida de R$ 10,604 bilhões ficou em linha com o esperado.


CSN MINERAÇÃO. O lucro líquido somou R$ 222 milhões no 1TRI26, 63,9% abaixo da estimativa dos analistas no Broadcast. A receita líquida de R$ 3,165 bilhões também veio abaixo do esperado, ante projeção de R$ 3,7 bilhões…


… Já o Ebitda ajustado atingiu R$ 1,420 bilhão, acima da expectativa de R$ 1,3 bilhão.


BRASKEM. O lucro líquido dobrou no 1Tri26, para R$ 1,446 bilhão. A receita líquida de vendas somou R$ 15,488 bilhões, queda de 20% contra igual período do ano passado. Ebitda recorrente caiu 24%, para R$ 1,006 bilhão.


BRASKEM IDESA se aproxima de acordo para empréstimo DIP de cerca de US$ 250 milhões, segundo a Bloomberg, no contexto de um possível Chapter 11.


BRAVA. A Fitch colocou o rating BB- em observação positiva após anúncio da Ecopetrol sobre aquisição de participação na companhia.


EQUATORIAL ENERGIA teve lucro líquido atribuível aos controladores de R$ 424,4 milhões no 1TRI26, alta de 23,7% contra um ano antes. A receita líquida totalizou R$ 12,7 bilhões, avanço de 11,4%, e o Ebitda subiu 10,8%, a R$ 3,1 bi.


ENEVA teve lucro líquido de R$ 522,7 milhões no 1TRI26, alta de 36% contra um ano antes. O Ebitda ajustado avançou 10,7%, para R$ 1,69 bilhão. Já a receita operacional líquida cresceu 5,9%, para R$ 4,68 bilhões.


CVC teve prejuízo líquido ajustado de R$ 63,1 milhões no 1TRI26, revertendo lucro de R$ 24 milhões um ano antes. A receita líquida subiu 2,9%, para R$ 365,1 milhões, e o Ebitda ajustado caiu 11%, para R$ 93,7 milhões.


GRUPO CASAS BAHIA ampliou prejuízo líquido em 160% no 1TRI26, para R$ 1,064 bilhão. A receita líquida somou R$ 7,416 bilhões, alta de 6,1%, e o Ebitda ajustado avançou 4,7%, para R$ 597 milhões.


AMERICANAS reduziu prejuízo líquido nas operações continuadas em 24,8% no 1TRI26, para R$ 336 milhões. A receita líquida cresceu 20,2%, para R$ 3,1 bilhões…


… O Ebitda ajustado ficou positivo em R$ 15 milhões, revertendo resultado negativo de R$ 26 mi de um ano antes…


… A empresa informou que vendeu 10 lojas deficitárias do Hortifruti Natural da Terra para o Oba Hortifruti por R$ 69,3 milhões.


AZZAS. Alexandre Birman entrou com agravo contra cautelar favorável a Roberto Jatahy, segundo o Valor.


TOKY. A Justiça de São Paulo antecipou os efeitos da recuperação judicial do grupo Tok&Stok e Mobly, suspendendo cobranças e execuções por 60 dias. A dívida declarada é de R$ 1,11 bilhão.


QUALICORP teve lucro líquido ajustado de R$ 19,2 milhões no 1TRI26, alta de 86,6% contra um ano antes. A receita líquida somou R$ 333 milhões, queda de 6,6%, e o Ebitda ajustado recuou 2,7%, para R$ 136,7 milhões.


SER EDUCACIONAL teve lucro líquido de R$ 75,9 milhões no 1TRI26, alta de 74% contra um ano antes. A receita líquida cresceu 8,1%, para R$ 583,7 milhões, e o Ebitda avançou 12,8%, para R$ 192,1 milhões.


POSITIVO teve prejuízo líquido de R$ 12,3 milhões no 1TRI26, queda de 2,4%. A receita líquida totalizou R$ 741,4 milhões, alta de 3,6%, e o Ebitda subiu 31%, para R$ 69,7 milhões.


MOVIDA confirmou captação de US$ 350 milhões com emissão no exterior, à taxa de 9,700% ao ano.


MITRE alterou para 18 de maio a data-base da primeira parcela dos dividendos intercalares de R$ 9 milhões.


MELNICK teve lucro líquido de R$ 25 milhões no 1TRI26, alta de 86,4% contra um ano antes. A receita cresceu 42,3%, para R$ 320,5 milhões. O Ebitda ajustado mais que dobrou, para R$ 45,9 milhões.


COMPASS teve lucro líquido de R$ 382,251 milhões no 1TRI26, queda de 9% contra um ano antes. A receita líquida caiu 25%, para R$ 3,163 bilhões, e o Ebitda subiu 2%, para R$ 1,328 bilhão.


SLC AGRÍCOLA teve lucro líquido de R$ 236,082 milhões no 1TRI26, queda de 53,8% contra um ano antes. A receita líquida somou R$ 2,267 bilhões, recuo de 2,7%, e o Ebitda ajustado caiu 26,3%, para R$ 695,242 milhões.


BOA SAFRA teve lucro consolidado de R$ 27,4 milhões no 1TRI26, alta de 62% contra um ano antes. A receita operacional líquida cresceu 20%, para R$ 132,1 milhões…


… O Ebitda ajustado permaneceu negativo em R$ 25,4 milhões, mas melhorou frente aos R$ 38,7 milhões negativos de um ano antes.


VIVEO iniciou renegociação de dívidas e convocou assembleias de debenturistas para 8 de junho.


FRIGORÍFICOS. União Europeia enviará ao Brasil pedido de informações adicionais sobre carnes exportadas, após retirar o país da lista de fornecedores de produtos animais a partir de 3 de setembro.

Paulo Roberto de Almeida

 Oskar Schindler caiu desfalecido no meio da rua em 9 de outubro de 1974, na cidade alemã de Hildesheim. Morreu ali mesmo, vítima de insufic...