domingo, 16 de março de 2025

Putin manipula Trump

 Os Estados Unidos, através de Trump, são esnobados por Putin. Até onde vai essa farsa?


https://www.estadao.com.br/internacional/lourival-santanna/putin-manipula-trump-para-ganhar-tempo-e-conquistar-posicao-de-vantagem/


"*Putin manipula Trump para ganhar tempo e conquistar posição de vantagem*


_Presidente russo deu resposta ambivalente ao cessar-fogo na Ucrânia proposto pelos Estados Unidos e impôs uma série de condições para fazer acordo_


Por Lourival Sant'Anna 15/03/2025 


Vladimir Putin respondeu ao plano de um mês de cessar-fogo com sua típica ambivalência: rejeitando sem dizer “não”. Putin impôs uma série de condições. Como a principal característica do plano é ser incondicional, isso equivale a rejeição. O ditador russo quer manter a aproximação com os Estados Unidos, ganhar tempo e conquistar posição de ainda mais vantagem do que Donald Trump já lhe proporcionou.


“Concordamos com as propostas de cessar hostilidades”, disse Putin. “Essa cessação deve ser de tal sorte que conduza a uma paz de longo prazo e elimine as causas originárias desta crise.” Ele listou essas supostas causas no dia da invasão, há três anos, quando contestou a existência da Ucrânia como Estado soberano e a expansão da Otan no Leste Europeu a partir de 1997.


Putin também perguntou se a Ucrânia continuaria recebendo armas e se tropas estrangeiras monitorariam o cessar-fogo. É interessante porque ele recebe armas do Irã e da Coreia do Norte, além de milhares de soldados norte-coreanos. E porque a Otan existe para evitar invasões russas, a exemplo da Geórgia em 2008 e da Ucrânia em 2014 e 2022, que ocorreram precisamente porque elas não integram a aliança.



O ditador continua achando que a Rússia tem mais direitos do que os seus vizinhos, por seu poder militar e nuclear. Trump reforça essa convicção. O presidente americano insiste que o problema é a resistência da Ucrânia, o país invadido, em ceder seus territórios, quando deveria fazê-lo, por ser mais fraca: “Você não tem as cartas”, disse Trump a Volodimir Zelenski, naquela chocante reunião na Casa Branca.


O secretário de Estado americano, Marco Rubio, declarou na Arábia Saudita, antes do encontro com os representantes ucranianos: “Os russos não podem conquistar toda a Ucrânia, e obviamente será muito difícil para a Ucrânia em qualquer período de tempo razoável forçar os russos de volta para onde estavam em 2014″.


Parece uma afirmação realista e equilibrada, mas na verdade ela embute a aceitação da violação da soberania. Isso se torna ainda mais grave quando dito pela maior potência militar do mundo. Só os ucranianos, donos da terra, podem propor concessões.


Para facilitar a aceitação dos termos impostos por Putin, Trump substituiu, como seu enviado à Rússia, o general Keith Kellogg, que conhece o assunto, por Steve Witkoff, empresário do ramo imobiliário que nada sabe a respeito. Witkoff chegou a Moscou na quinta-feira cedo e Putin o manteve esperando o dia inteiro, recebeu-o no fim da noite e disse que precisava falar com Trump. Ele está saboreando o cortejo e manipulando o presidente americano.

Fernando Schuller

 Já perdi a conta de quantos artigos já escrevi sobre o tema da "pobreza x desigualdade", e de como a relação entre estas duas variáveis é inversa, não positiva. Mas nunca com a maestria de um Fernando Schuler, claro. Boa leitura!


O Que Realmente Importa

Fernando Schuler (Veja, 15/03/25)


"“A desigualdade mata”, leio em um desses artigos de “combate”, que fazem a festa do ativismo político, baseado em um “relatório” sobre a desigualdade global. Dados impressionistas sobre disparidades econômicas, imagens dos bilionários da lista da Forbes e a sugestão de que é “deles” a culpa pelas nossas desgraças. Tudo se passa como se houvesse um estoque fixo de riqueza no planeta. Algo como bolinhas de gude em um pote. Se alguma criança pega bolinhas demais, sobram menos para os amiguinhos. A retórica é perfeitamente falsa. Sergey Brin, do Google, ficou rico não porque capturou algum dinheiro dos demais, agarrado ao Estado, mas porque as pessoas, por seu próprio juízo, melhoram a vida usando seus buscadores de informação. Vale o mesmo para os compradores de livros na Amazon (eu, por exemplo), os usuários do WhatsApp, de Zuckerberg, os agricultores que usam a Starlink, de Elon Musk. Do outro lado do mundo, 200 000 pessoas são internadas, todos os anos, no Brasil, por falta de saneamento básico. E isso não porque o saneamento funciona bem em Maringá ou Uberlândia. Ou porque Bill Gates tem uma mansão com 24 banheiros. O sofrimento não deriva da diferença entre quem vive sob más condições e quem tem um bom serviço, mas dos erros de políticas públicas. Do atraso do modelo estatal e da falta de investimento ao longo dos anos. É disso que seria vital tratar, se houvesse uma preocupação real com a vida dessas pessoas.


Ainda agora li uma teoria estranhíssima sobre o tema. O “limitarismo”, da filósofa holandesa Ingrid Robeyns. A teoria diz que é preciso pôr um teto na riqueza que cada um pode ter. Nossa cantora Anitta já havia sugerido algo assim. E arriscado até um valor: 1 bilhão de dólares. À época, me perguntei o que a pessoa deveria fazer quando sua grana chegasse a esse patamar. Doar o dinheiro e ir morar na Praia da Pipa? Continuar trabalhando por esporte? Por que os incentivos de mercado deveriam valer até o ponto “X”, para logo depois serem jogados pela janela? Seus argumentos me soaram frágeis. Um deles diz que “ninguém precisa de tanto dinheiro assim”. Sob certo aspecto, é verdade. Musk costuma dormir num colchão em suas empresas. Alguns vivem melhor, é verdade. O ponto é que grandes empreendedores usam seu capital para investir, criar negócios, fazer filantropia (sugiro pesquisar The Giving Pledge). Não porque “precisam”, em algum sentido popularesco. Outro argumento diz que muitos ricos são perigosos porque podem usar o dinheiro para lobby político. É verdade. Mas isso depende de muito dinheiro? Os maiores lobbies no Congresso vêm das altas carreiras do setor público, contra o teto salarial; dos militares, contra reformar sua previdência; da Zona Franca de Manaus, para manter os incentivos; dos sindicatos e agregados da educação estatal, mantendo o monopólio. É sobre isso que deveríamos perguntar: a riqueza foi ganha em um ambiente aberto, no mercado, ou via pressão, no mundo político?


Para ter uma boa pista sobre como a economia está longe de ser um jogo de soma zero, vale observar o que se passou com os dois maiores casos de redução da pobreza nos últimos quarenta anos: China e Índia. A China reduziu a pobreza extrema virtualmente a zero, depois que se livrou do maoismo e fez sua guinada para o mercado. A Índia foi de metade da população na extrema pobreza, no início dos anos 90, para menos de 1%, por agora. E aqui vem o detalhe: foram os dois países com maior crescimento de bilionários nesse mesmo período. Enquanto a miséria despencava, os bilionários chineses foram de nenhum a 408; os indianos, de 3 para 209, no ano passado. Não passa de um mito a ideia de que exista alguma contradição entre a geração de riqueza, de um lado, e a redução da pobreza, de outro. Ao contrário: são dois lados do mesmíssimo fenômeno de abertura e dinamização da economia.


O filósofo austríaco Helmut Schoeck escreveu um livro provocativo, ainda nos anos 60 (e hoje um tanto esquecido), tentando entender (entre muitas coisas) de onde vem o “ódio aos mais ricos”. O título da obra: A Inveja: uma Teoria da Sociedade. Ele vê a inveja tanto como uma força positiva como negativa em nossa vida. O lado positivo surge quando ela é “domesticada”, no mercado. Do sujeito que diz: “Vou mostrar a eles do que sou capaz”, e age dentro da regra, trabalhando duro. Quando mal direcionada, é força destruidora. Se torna Salieri, o bom músico, ainda que não genial, e sua relação tóxica com Mozart. Ou quem sabe um bocado de gente gastando energia em odiar empreendedores globais, em vez de se preocupar com o que realmente pode fazer a diferença na vida dos mais pobres.


A melhor resposta a esse dilema foi dada por um tranquilo professor de Harvard, John Rawls. Sua tese: em vez de combater a desigualdade, por si só, por que não fazer com que ela funcione em benefício dos que estão na pior? Ele nos pede para imaginar a seguinte situação: estamos reunidos para escolher as regras de justiça na sociedade. Temos muitas opções. Renda mínima? Mais ou menos desigualdade? Limitarismo? Livre mercado? Detalhe: ninguém sabe o lugar que vai ocupar nesta mesma sociedade. O que cada um escolheria: a sociedade “A”, mais igualitária, mas onde os mais pobres, vamos supor, ganham em média 1 000 reais? Ou a sociedade “B”, mais desigual (vamos imaginar: com Musk e Bezos na vizinhança), mas onde os mais pobres têm uma condição duas vezes melhor? Ou quem sabe: viver na China mais pobre e igual, por volta de 1980? Ou na China fortemente desigual, mas virtualmente sem pobreza, em 2025? Resumo da ópera: apenas a inveja, ou ao menos seu lado sombrio, identificado por Schoeck, faria com que as pessoas escolhessem a sociedade “A”. Uma escolha coletivamente irracional. O ponto não é que não seja natural ambicionar a posição dos outros. O ponto é que usar esse sentimento como parâmetro para as escolhas sociais fará com que todos se tornem perdedores. Algo como: “Eu aceito perder, desde que os outros percam mais do que eu”. O que nunca fez nem fará o menor sentido.


O melhor é mudar o foco. Em vez de gastarmos tempo e energia esbravejando com os resultados de Larry Page, no Google, ou de Larry Ellison, na Oracle, deveríamos nos preocupar com o que realmente importa. Se o ponto é universalizar o saneamento, por exemplo, por que não dar segurança para atrair investimento e fazer uma boa modelagem, com metas e bons contratos? Coisas que já se faz em muitos lugares, que avançaram com uma boa política, como o marco do saneamento. E que rigorosamente nada têm a ver com o valor das ações da Tesla ou da Amazon. É previsível que coisas como segurança jurídica, incentivos e investimento não sejam propriamente excitantes. São temas “a favor”, e não “contra”. Não polarizam, não geram likes e são impróprios para a guerra política, como é o tema da “desigualdade”. E quem sabe exatamente aí resida o problema sobre o qual valeria pensar."


Fernando Schüler é cientista político e professor do Insper


sábado, 15 de março de 2025

América em declínio

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 Deve ser duro a um jornalista consagrado, reputado e respeitado como o americano imigrado Fareed Zakaria, icone da abertura fenomenal dos EUA ao mundo, ter de escrever um artigo sobre o declínio do país que julgava ser a garantia de um mundo mais civilizado do que o das ditaduras e ter de afirmar wue não se trata de um declínio natural, esperado, inevitável, mas sim derivado de uma retração maldosa, ou desejada por um desequilibrado que assumiu a presidência. Tudo leva a crer que Trump está a serviço não da Rússia exatamente, mas de Putin pessoalmente, o genio do mal que tem um projeto de afundamento do mundo democrático.


Trump está fazendo tudo aquilo que os promotores das ditaduras personalísticas sempre desejarem obter: espaço livre e até colaboração voluntária para tornar o mundo o reduto da opressão que mentes doentias, narcisistas e megalomaníacas nunca tinham conseguido fazer, justamente pela presença de uma nação forte, comprometida com o bem comum e a dedesa de princípios e valores civilizatórios e humanistas. Esse mundo agora acabou, pelo menos enquanto Putin estiver na presidência dos EUA, e o temor é que ele tente, e consiga, mais um mandato, que será utilizado para completar a sua obra nefasta a serviço de uma cópia de Hitler no século XXI. 

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*AMERICANOS PAGARÃO POR ATAQUE À ORDEM GLOBAL* 


 _Trump vem desfazendo o sistema internacional; posição privilegiada americana também declinará._ 


Fareed Zakaria - Washington Post / O Estado de S. Paulo - 15.03.2025


"Cingapura joga suas cartas geopolíticas com cuidado, ao tentar manter boas relações com os EUA em uma região dominada pela China. Então, vale a pena prestar atenção quando seu ministro da Defesa diz que a imagem de Washington “mudou de libertador para grande desestabilizador, para um senhorio buscando aluguéis”. Seu premiê, Lee Hsien Loong, resumiu o desafio que o mundo enfrenta: “Os EUA não estão mais dispostos a garantir a ordem global”.


Em poucas semanas, o governo Trump pôs em prática uma revolução na política externa americana, abandonando um antigo aliado democrático, a Ucrânia, cuja segurança os EUA prometeram defender desde a assinatura do Memorando de Budapeste, há 30 anos. Agora, Trump pede uma parte da riqueza mineral da Ucrânia, que seu governo descreve como “retribuição”, em troca de apoio.


Enquanto isso, Washington declarou uma guerra comercial contra seus vizinhos e parceiros de negócios mais próximos, Canadá e México, e exigiu que a Dinamarca venda a Groenlândia e o Panamá entregue o Canal do Panamá. Os EUA se movimentaram para deixar a Organização Mundial da Saúde (OMS), que o país ajudou a fundar, tentaram encerrar a maioria de seus programas de ajuda externa, revertendo uma tradição de generosidade que remonta à 1.ª Guerra, e suas tarifas são violações claras das regras comerciais que Washington criou e defendeu por décadas.


DESCONFIANÇAS. Essas reviravoltas estão sendo notadas e resultarão em uma revolução na política externa em todo o mundo. Friedrich Merz, homem que provavelmente será o próximo chanceler da Alemanha, disse recentemente: “Nunca pensei que teria de dizer algo assim. Mas, depois das declarações de Donald Trump, está claro que os americanos – pelo menos esta parte dos americanos, este governo – são indiferentes em relação ao destino da Europa”.


A Alemanha estava no centro do sistema de segurança que os EUA construíram após a 2.ª Guerra. Para esse país começar a tremer, é porque a mudança é sísmica. Merz até aventou a ideia de a França e o Reino Unido estenderem seu guarda-chuva nuclear sobre a Alemanha, porque não está mais convencido de que os americanos defenderiam o país. Essa promessa dos EUA era a essência da Otan, mas ninguém na Europa está certo de que Trump a honrará.


Os habitantes de Taiwan assistiram nervosamente Trump voltar as costas à Ucrânia. Em vez de oferecer apoio contra as intenções predatórias do vizinho intimidador de Taiwan,


Trump repreendeu o governo taiwanês por não gastar o suficiente em sua própria defesa. Muitos na ilha agora temem que Trump possa fazer um acordo com Pequim que os deixe abandonados da mesma forma que a Ucrânia.


REAÇÃO. Todos esses movimentos dos EUA surtirão um efeito: começarão a engendrar um novo mundo multipolar. Inevitavelmente, grandes países, como Alemanha e Japão, cuidarão de sua própria segurança. Isso pode significar que, para o Japão, assim como para a Coreia do Sul, armas nucleares se tornarão uma opção atraente – uma apólice de seguro contra agressões.


Sob o guarda-chuva de segurança dos EUA, o mundo testemunhou uma proliferação nuclear notavelmente baixa. Isso pode mudar drasticamente. Cada país ponderará a respeito de maneiras de se livrar da dependência dos EUA.


À medida que buscarem independência em relação aos americanos, os países também poderão procurar alternativas ao domínio do dólar. Os europeus, que são na realidade os únicos capazes de montar uma alternativa, podem começar a emitir títulos da União Europeia, que seriam os concorrentes mais eficazes dos títulos do Tesouro dos EUA.


O “privilégio exorbitante” de os EUA serem donos da moeda em que as reservas mundiais estão depositadas – o que lhes permitiu acumular déficits enormes a baixo custo – pode se desgastar mais rapidamente do que poderíamos imaginar.


Todas essas mudanças são um presente para a Rússia e a China, cujo objetivo tem sido enfraquecer o poder e a presença dos EUA no mundo. Conforme um analista russo afirmou recentemente sobre a política de Trump para a Ucrânia: é como se fosse Natal, Chanuká, Páscoa e o aniversário de Putin – tudo no mesmo dia.


Para quem acha que já passou da hora de mudarmos um sistema internacional tão dependente dos EUA, você já pesou os custos e os benefícios? Os EUA passaram oito décadas construindo um sistema internacional com regras, normas e valores que produziram o período de paz e prosperidade global mais longo na história da humanidade.


Suas alianças são os maiores multiplicadores de força para sua influência no mundo. Os EUA têm sido os maiores beneficiários desse sistema, mesmo agora, décadas depois, ainda definindo agendas e dominando o mundo economicamente, tecnologicamente e militarmente.


À medida que essa ordem se desfaz, a posição privilegiada dos EUA também declinará, criando um mundo mais perigoso e empobrecido – e os EUA mais isolados, desconfiados e inseguros. O mundo pós-americano está agora à vista de todos. •


Fareed Zakaria - Colunista do Washington Post 


Tradução Guilherme Russ


Terceira Guerra Mundial

 https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/leonardo-coutinho/a-terceira-guerra-mundial-comecou-faz-tempo/#success=true


" *A Terceira Guerra Mundial começou faz tempo


Por Leonardo Coutinho


06/03/2025


Por muito tempo, a possibilidade de uma Terceira Guerra Mundial foi tratada como mera abstração geopolítica ou roteiro para filmes apocalípticos. Contudo, a invasão da Ucrânia pela Rússia, iniciada em fevereiro de 2022, revelou ao mundo que tal ameaça estava mais próxima e mais real do que jamais esteve desde o fim da Guerra Fria. Para muitos, ela ainda é uma ameaça - uma ameaça crescente.


Mas a Terceira Guerra Mundial já começou. E começou faz tempo. Não no sentido clássico de batalhas travadas em múltiplos continentes, mas como um conflito híbrido que envolve ameaças nucleares, guerras por procuração e uma complexa teia de alianças e antagonismos. Reconhecer essa realidade é o primeiro passo para evitar uma catástrofe de proporções inimagináveis.


Durante décadas, o ocidente viveu na ilusão reconfortante de que o colapso da União Soviética havia enterrado de vez a ameaça nuclear. A própria Ucrânia, recém-separada da URSS, concordou em desmontar seu arsenal nuclear, acreditando no “fim da história”. Tudo parecia concorrer para o desenvolvimento e a prosperidade.


Mas Vladimir Putin, movido por uma visão revisionista da história e pelo desejo de restaurar a influência perdida por Moscou, recolocou as armas nucleares no tabuleiro global e passou a ameaçar explicitamente seu uso, caso interesses russos fossem diretamente ameaçados.


Desde o início da agressão contra a Ucrânia, o ditador russo vem recorrendo repetidamente a uma retórica nuclear, lembrando ao ocidente a existência e disponibilidade das ogivas nucleares russas. Suas ameaças parecem ter um propósito duplo: intimidar e dividir a aliança ocidental, explorando o medo da destruição em massa como ferramenta diplomática, enquanto simultaneamente mantém aberta uma porta perigosa, que, uma vez atravessada, não teria retorno.


No entanto, nas últimas semanas, em meio às mudanças na postura dos Estados Unidos em relação à Ucrânia, o tema nuclear e o temor de uma guerra de proporções globais ganharam novas tintas. O presidente Donald Trump acusa o ucraniano Volodymyr Zelenski de estar “jogando com uma Terceira Guerra Mundial”.


Não dá para saber se Trump trata como uma “ameaça” de guerra global ou se ele afirma que a guerra já está instalada, considerando que há tempos o conflito ultrapassou as fronteiras ucranianas. A participação de Irã, Coreia do Norte e Belarus, com fornecimento de armas e munições a Moscou, transformou um conflito regional em algo muito próximo a uma guerra por procuração global. 


Neste contexto explosivo, no rastro do abandono dos Estados Unidos ao esforço ocidental que vinha dando suporte aos ucranianos, a declaração do presidente francês Emmanuel Macron de que a França estaria disposta a utilizar seu arsenal nuclear para defender seus aliados, caso a existência destes fosse ameaçada, aumentou severamente a têmpera do conflito.


Macron reforçou que a linha vermelha para um conflito nuclear está cada vez mais próxima e menos teórica. Este pronunciamento, apesar de estratégico na lógica de dissuasão, adiciona combustível a um fogo já perigoso e instável, mostrando ao Kremlin que o Ocidente não está apenas atento, mas também pronto para subir a aposta se necessário.


A combinação desses elementos é alarmante. As primeiras ameaças nucleares partiram do próprio Putin, mas hoje já ecoam nas palavras de líderes ocidentais.


Não há dúvidas de que estamos diante da mais grave crise nuclear desde a crise dos mísseis de Cuba, em 1962


Contudo, desta vez, o cenário é mais complexo e menos previsível, com múltiplos atores envolvidos, cada um com objetivos distintos e, muitas vezes, contraditórios.


A guerra na Ucrânia tem várias outras frentes que complementam os conflitos pela nova repartição da influência no mundo. As tensões da China com seus vizinhos pelo controle territorial e dos oceanos, as reivindicações por Taiwan e “compra” da África são partes da mesma reorganização do mundo. O terrorismo bandoleiro dos huthis e o terror do Hamas que deu origem a uma guerra no Oriente Médio não podem ser tratados de fora do mesmo quadro.


Nicolás Maduro ameaçando de tempos em tempos uma guerra com a Guiana, e a presença cada vez mais frequente de navios de guerra da Rússia em Cuba e Venezuela, relembram que uma guerra no Caribe não será apenas entre os caribenhos.


O risco real de um conflito global em larga escala nunca foi tão alto desde o auge da Guerra Fria. Embora ainda haja espaço para a diplomacia, a margem de erro é perigosamente reduzida. Qualquer equívoco, qualquer ação mal calculada, pode empurrar o mundo para um abismo irreversível.


Diante disso, é fundamental que as democracias ocidentais compreendam rapidamente a extensão do perigo atual. O conflito na Ucrânia não é apenas uma guerra localizada, mas uma batalha decisiva pelo futuro da ordem internacional e pela estabilidade global. Negligenciar isso, subestimando as intenções e capacidade de Putin ou ignorando a fragilidade atual das alianças ocidentais, pode ser um erro de consequências devastadoras.


Se ainda não está claro para todos, é preciso dizer sem rodeios: a Terceira Guerra Mundial, infelizmente, já começou. Resta saber se ainda há tempo de interrompê-la antes que ela se torne absolutamente incontornável.


 https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/leonardo-coutinho/a-terceira-guerra-mundial-comecou-faz-tempo/#success=true

sexta-feira, 14 de março de 2025

Bankinter Portugal Matinal 1403

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Trump ameaça com imposto alfandegário de 200% (ameaçar não é aplicar) e Pernod Ricard caiu -4% (LVMH aguentou bem: -1,1%). Esse é o problema: a imprevisibilidade das reações de um presidente americano que acredita firmemente na ameaça como forma de relação e o melhor caminho para alcançar objetivos que engrandeçam o seu ego. A confusão no comércio é absoluta (e, por extensão, sobre o PIB, a inflação… o ciclo económico em geral), mas não é menor na sua estratégia de bazar. A sua proposta de cessar-fogo na Ucrânia baseada na ameaça dos próprios aliados e não ao inimigo inevitavelmente fracassará, porque dá confiança à Rússia. Trump pensa que pode negociar com o espírito herdeiro do KGB como se estivesse a regatear algo em Coney Island, mas engana-se. E o pior é que provavelmente não terá um plano B, porque o seu ego é tão grande que está convencido que não pode falhar. O resultado da primeira ronda é que Rússia diz aceitar o cessar-fogo “incondicionalmente” para continuar a frase impondo condições prévias inaceitáveis (reter o território invadido, que a Ucrânia nunca entre na OTAN, etc.), o que é absolutamente previsível. 


O resultado é que, quando as bolsas caem novamente como ONTEM, as yields das obrigações quase não se reduzem e isso é um mau sinal de mercado. O contexto continua a complicar-se e, por isso, as bolsas combinam subidas e retrocessos erraticamente e/ou segundo a última notícia comercial (Trump) ou sobre estímulos fiscais (Alemanha)… os quais são sempre interpretados desde o lado da Oferta (mais despesa pública = mais dívida = mais impostos) e nunca do lado da Procura (descidas de impostos = mais Consumo e Investimento, reajuste de Despesa Pública), o que não é necessariamente bom. Insistimos que os riscos se movem em alta, as expetativas de crescimento económico em baixa, com um pouco mais de inflação na 2.ª ronda (não agora, mas acontecerá inevitavelmente com impostos alfandegários superiores), e as estimativas de EPS (lucros empresariais) são revistas em baixa. É óbvio que isso não é bom para as bolsas, é mau, e logo veremos como afeta as obrigações, mas de momento é mau para as obrigações europeias, enquanto continua um prémio de risco por geoestratégia elevado e a dívida pública aumenta ainda mais rápido. Porque, embora determinadas despesas (Defesa) hipoteticamente não sejam contabilizadas para os limites do Défice Fiscal, há que as pagar de igual forma. 


A realidade é que ninguém sabe quase nada fiável agora mesmo, quase ninguém se atreve a admiti-lo. Insistimos que não se pode tirar conclusões fiáveis com base em informações incompletas, entre outras coisas, porque ainda é cedo para que os indicadores económicos mostrem algo diferente, nem sequer os adiantados… o primeiro dos quais corresponde a março (qualquer registo de março tornou-se especialmente importante, porque fevereiro ainda terá pouco impacto negativo no sentimento) sai hoje (14 h): Confiança Univ. Michigan, que se espera que retroceda até 63,0 desde 64,7… embora já esteja um pouco descontado, porque já retrocedeu em fevereiro (64,7) e janeiro (71,7) desde o seu máximo recente em dezembro (74,0). O risco de que hoje saia inferior ao esperado (63,0) é elevado, e isso poderá começar a despertar o mercado em relação ao dano que está a acontecer sobre o sentimento (isto é, bolsas, Consumo Privado, Investimento Empresarial, etc.). O próximo indicador adiantado de primeira ordem será o Leading americano de quinta-feira da próxima semana (Q20), que será de fevereiro e, por isso, não se espera especialmente mau (-0,1% vs. -0,3%). Estes são os 2 indicadores mais importantes a monitorizar nos próximos dias. Estes e as reuniões do BoJ e Fed a 19 de fevereiro, e do BoJ no dia 20 de fevereiro, todas na próxima semana.


CONCLUSÃO TELEGRÁFICA: HOJE os futuros sobem um pouco (+0,2%/+0,5%), mas é uma simples contrarreação positiva às quedas de ontem. Nada de fundo muda. O mercado está abalado, de momento. A Confiança Univ. Michigan (14 h) decidirá os fechos nesta sexta-feira de uma semana em baixa (Wall St. ca.-6% e Europa ca.-2,5%), que no caso americano será a 4.ª consecutiva em negativo. E Wall St. marca a tendência global, não o esqueçamos. O risco de que a sessão de hoje se torne negativa durante a tarde não é desprezível. 


S&P500 -1,4% Nq-100 -1,9% SOX -0,6% ES-50 -0,6% IBEX +0,1% VIX 24,7 Bund 2,85% T-Note 4,29% Spread 2A-10A USA=+32pb B10A: ESP 3,49% PT 3,36% FRA 3,55% ITA 3,94% Euribor 12m 2,451% (fut.2,355%) USD 1,084 JPY 161,2 Ouro 2.986$ Brent 70,5$ WTI 67,2$ Bitcoin -1,8% (81.973$) Ether +0,9% (1.895$).


FIM

Vivara

 CEO da Vivara é investigado por possível ‘insider trading’




O CEO da Vivara, Icaro Borrello, virou réu em processo sancionador recentemente aberto pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para apurar possível prática de “insider trading” primário, a negociação de papéis com base em informações privilegiadas obtidas na qualidade de administrador de uma companhia.

Não estão claras quais acusações pesam contra Borrello, nem quais valores mobiliários foram negociados com base em suposto “insider trading”, pois os detalhes do processo da CVM — que regula o mercado de capitais — ainda não são públicos.

Processos sancionadores são aqueles com acusação formulada pela CVM e que vão a julgamento. 

Borrello chegou à Vivara no começo do ano passado, vindo da consultoria Alvarez & Marsal. Ele iniciou como diretor de desenvolvimento de negócios e foi logo promovido a diretor operacional. No fim de 2024, o executivo se tornou CEO, após meses turbulentos no comando da rede de lojas de joias.

A coluna entrou em contato com a Vivara no começo da tarde desta quinta-feira, mas a companhia ainda não respondeu.


https://oglobo.globo.com/blogs/capital/post/2025/03/ceo-da-vivara-e-investigado-por-possivel-insider-trading.ghtml

BDM Matinal Riscala 1403

 *Rosa Riscala: Varejo e dados fiscais encerram a semana*


… O Congresso americano tem até hoje para aprovar uma lei provisória que garantirá novo financiamento e mais recursos para o governo Trump, evitando um shutdown, que, segundo o presidente, pode levar a impostos “muito, muito mais altos”, à medida que atrasaria a proposta tributária. Em paralelo, Trump segue tentando o aval de Putin para fechar um acordo de cessar-fogo entre a Rússia e a Ucrânia e continua barbarizando com as tarifas. Está bravo com o Canadá, dizendo que não vai se curvar à taxação dos metais, e ameaça aplicar 200% para vinhos e champagnes da União Europeia. Na agenda dos indicadores, destaque para o sentimento do consumidor de Michigan, que traz as expectativas de inflação (11h), e, no Brasil, para os resultados fiscais de março (8h30) e do varejo em janeiro (9h).


… A mediana das estimativas do mercado indica um superávit primário de R$ 101,8 bilhões nas contas do setor público consolidado, após saldo positivo de R$ 15,745 bilhões em dezembro. As projeções do Broadcast oscilam entre R$ 76,4 bilhões e R$ 118,7 bilhões.


… A sazonalidade favorável do período e o resultado positivo do Governo Central, que somou R$ 84,882 bilhões, devem sustentar o saldo de janeiro. Os dados estavam previstos para 28/2 e foram adiados por duas vezes por indisponibilidade das estatísticas, segundo o BC.


… Já as vendas do varejo ampliado devem subir 1,7% em janeiro, após dois meses de queda (-1,4% em novembro e -1,1% em dezembro).


… Economistas consideram indicadores antecedentes que corroboram a estimativa de expansão, como o da Abras (supermercados), que mostrou alta de 8% nas vendas. Confirmada a reação, os números devem lançar dúvidas sobre a desaceleração da atividade.


… A expectativa de crescimento, no entanto, não é um consenso. Flávio Serrano (banco Bmg) espera recuo de 0,1% no varejo ampliado e diz que a queda menos intensa em janeiro é influenciada pelo bom desempenho da venda de automóveis no período.


… Para o varejo restrito, a mediana projeta alta de 0,2% em janeiro, também depois de duas quedas consecutivas (-0,1% em dezembro).


… Em entrevista à Agência Estado, o economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, concorda que a atividade econômica começou a desacelerar, “mas não de forma abrupta nem forte”, apenas eliminou o viés de alta à projeção de um PIB de 2% para este ano.


… A curva de juros está ajustada para uma Selic terminal de 15%, ou em torno disso, com uma alta de 1,00pp na próxima semana, quando o Copom se reúne e deve confirmar o forward guidance contratado pelo BC de Campos Neto.


… Já nos EUA, que tem reunião do Fomc na mesma 4ªF, é unânime a expectativa de estabilidade da taxa americana, a partir da sinalização de vários Fed Boys e do próprio Powell, que citam elevadas incertezas sobre o impacto das políticas de Trump sobre a inflação.


… Nesta semana, investidores deixaram de lado os resultados mais fracos do CPI e do PPI, que ainda não refletiram a pressão das tarifas, mas operaram pregões de forte aversão ao risco, em meio aos receios não só de inflação, mas também de recessão.


… Foram expressivas as quedas das bolsas, enquanto se registrava uma corrida para ativos seguros, como os Treasuries.


… Aqui, os ativos até que se seguraram bem e, ontem, descolaram completamente de NY, com o Ibovespa resgatando os 125 mil pontos, queda dos juros futuros e o câmbio encontrando boa resistência na faixa dos R$ 5,80 (leia abaixo).


TRUMP E O CANADÁ – “Não precisamos de carros, madeira e energia do Canadá”, disse o presidente, nesta 5ªF, admitindo que “haverá algumas interrupções, mas que não durarão muito”, referindo-se a problemas na cadeia dos produtos que são alvos de tarifas.


TRUMP E A RÚSSIA – Putin disse concordar com a proposta de cessar-fogo dos EUA, mas faz observações, dizendo, por exemplo, que o acordo deve levar a uma paz duradoura e eliminar as “causas raízes do conflito”.


… Em Washington, Trump disse que os detalhes de um acordo final entre a Ucrânia e a Rússia estão sendo discutidos e que um dos temas na mesa é o território da Ucrânia, assim como a questão de uma estação de energia.


… Já Zelensky disse que Putin planeja rejeitar a proposta de um cessar-fogo, por isso estabelece condições para que não aconteça.


… Trump também voltou a falar que quer anexar a Groenlândia na entrevista desta 5ªF. “Acho que a anexação da Groenlândia ocorrerá.”


MERCOSUL-UE – O governo Lula avalia que a guerra comercial travada por Trump pode impulsionar a aprovação do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, segundo fontes ouvidas pelo Broadcast Político.


… De acordo com interlocutores do governo, o “tarifaço” americano tende a melhorar a recepção do acordo pelo Parlamento Europeu, já que significará a oportunidade de comércio regulado.


… O acordo foi assinado no fim de 2024, mas o texto ainda precisa passar pela aprovação nos congressos nacionais dos países do Mercosul, além do Parlamento Europeu e da Comissão Europeia.


… Na Folha, o presidente Lula planeja focar na Ásia em suas viagens ao exterior este ano, fortalecendo o relacionamento comercial do Brasil com grandes mercados do continente, para além da China, o que não implica diminuir as relações com os chineses.


MAIS AGENDA – Entra em vigor hoje a alíquota zero do imposto de importação de 11 alimentos anunciada pelo governo Lula na semana passada para tentar conter a inflação de alimentos e aprovada pela Camex. O MDIC detalhou cada item.


… Carnes desossadas de bovinos, congeladas; café torrado e não torrado, não descafeinado, em grão; milho em grão; massas alimentícias não cozidas; bolachas e biscoitos; azeite de oliva extravirgem; óleo de girassol; açúcares de cana; e conservas de sardinhas.


… Em relação à sardinha, a alíquota de importação foi zerada dentro de uma quota estabelecida de 7,5 toneladas.


… O vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, disse que, se essas alíquotas ficarem zeradas por um ano, o governo federal deixará de arrecadar R$ 650 milhões. “O que a gente espera é que vai ser mais transitório, então será menor.”


LEILÃO – Governo de Mato Grosso leiloa hoje (14h) na B3 a concessão de 2 mil quilômetros de rodovias estaduais para a iniciativa privada. As concessões serão divididas em seis lotes, somando R$ 8 bilhões em investimentos (capex) ao longo de 30 anos de contrato.


BALANÇOS – Ainda no noticiário corporativo, Even divulga resultado/4Tri após o fechamento e as empresas que soltaram balanços ontem fazem teleconferências com investidores: às 9h, Magazine Luiz e Natura; às 10h, EzTec, LWSA e Vittia; às 11h, Eletrobras; às 16, Prio.


LÁ FORA – Na Europa, o dia começa com a inflação do CPI de fevereiro na Alemanha, que registrou resultado negativo em janeiro, com deflação de -0,2%, e pela produção industrial do Reino Unido em janeiro (+0,5% em dezembro).


TESLA – Alertou que a guerra comercial pode torná-la um alvo de tarifas retaliatórias contra os EUA e aumentar o custo de fabricação de veículos no país, em carta datada de 3ªF, 11, não assinada e endereçada ao representante de Comércio, Jamieson Greer.


… A fabricante de carros elétricos de Elon Musk disse que “apoia” o comércio justo, mas alertou que os exportadores americanos estavam “expostos a impactos desproporcionais quando outros países respondem às ações comerciais dos EUA”.


ESCALADA SEM FIM – Trump subiu mais o tom na guerra comercial ao prometer tarifa de 200% sobre bebidas alcoólicas da UE e dizer que os Estados Unidos não precisam de produtos do Canadá.


… Mais uma vez, o mercado ficou de pé atrás e, na fuga do risco, ações caíram em NY e os juros dos Treasuries cederam, após três altas consecutivas. A ameaça do presidente ocorreu depois que o bloco europeu impôs tarifa de 50% sobre o uísque americano.


… Enquanto lá fora os ativos reagiram mal à nova bravata de Trump, por aqui a expectativa de que o Brasil ganhe mercado com a guerra tarifária, além de boas notícias corporativas, fizeram o Ibovespa andar descolado do exterior.


…  Em NY, apenas três semanas após bater novos recordes, o S&P 500 engatou uma correção de 10% desde o pico de 19 de fevereiro, com queda de 1,39%, a 5.521,52 pontos. Na mesma toada, o Dow Jones cedeu 1,30% (40.813,57), a 4ª baixa seguida.


… Líder das perdas, o Nasdaq (-1,96%; 17.303,01) sentiu o peso da queda das ‘sete magníficas’, com destaque para a Tesla (-2,99%).


… Ao cabo do dia, o PPI de fevereiro (estável) abaixo do esperado (+0,3%) acabou ficando em segundo plano, mas reforçou a expectativa de três cortes de 25pb pelo Fed no ano e contribuiu para o alívio dos Treasuries.


… O rendimento da note de 2 anos afastou-se mais da marca dos 4%, caindo a 3,954%, o da note de 10 anos recuou a 4,267% e o do T-bond de 30 anos cedeu a 4,588%, com a demanda defensiva dos investidores.


… Essa baixa ajudou na queima de prêmios nos DIs médios e longos no mercado brasileiro, que, pela manhã, se assustou com o leilão grande de 27 milhões de LTNs, o maior desde dezembro de 2020, mas depois se acalmou.


… Os curtos rondaram a estabilidade na expectativa de aumento de 1pp na Selic no Copom da semana que vem.


… No fechamento, o Jan/26 marcava 14,720% (de 14,700%); Jan/27, a 14,490% (de 14,565%); o Jan/29, a 14,410% (de 14,545%); o Jan/31, a 14,560% (14,710%) e o Jan/33, a 14,580% (de 14,720%).


… A baixa dos juros dos Treasuries não deu alívio ao DXY, que subiu 0,21% (103,828), com queda no euro (-0,41%, a US$ 1,0854), libra (-0,18%, US$ 1,2949). O iene subiu (+0,40%, 147,765/US$).


… Por aqui, o dólar chegou a ensaiar uma alta pela manhã, mas entrou na onda do bom humor doméstico e cedeu 0,15%, a R$ 5,8002, com entrada de fluxo gringo na B3 e via leilão do Tesouro. De outro lado, a questão fiscal continuou a segurar maior alta no real.


… Apoiado nas blue chips de commodities, além de bancos e metálicas, o Ibovespa subiu 1,43%, maior alta desde 14 de fevereiro, aos 125.637,11 pontos. O giro financeiro de R$ 20,7 bilhões.


… Com perspectiva de maior demanda por minério na China, Vale avançou 1,38%, a R$ 54,50. Em Dalian, a commodity subiu 0,45%.


… O movimento favoreceu CSN Mineração (+9,09%; R$ 5,76) e CSN (+7,91%; R$ 9,14), com os balanços bem-recebidos pelo mercado.


… Petrobras andou na contramão do Brent (-1,50%; US$ 69,88) com a ação ON em alta de 0,71% (R$ 36,97) e a PN, +1,00% (R$ 34,44).


… Bancos subiram em bloco na esteira da queda dos juros futuros e do consignado privado: Bradesco PN, +1,75% (R$ 11,65) e ON, +1,14% (R$ 10,68), BB, +1,63% (R$ 27,49), Itaú, +1,62% (R$ 33,23), e Santander, +1,12% (R$ 25,34).


… B3 disparou 10,48% (R$ 11,60) após decisão favorável à companhia em processo de R$ 5,77 bilhões envolvendo amortização de ágio na incorporação de ações da Bovespa Holding. Cogna perdeu 6,40%, a R$ 1,61, em reação ao balanço trimestral da companhia.


EM TEMPO… PRIO registrou lucro líquido de US$ 1,074 bilhão no 4TRI, alta de 231% na comparação anual; Ebitda somou US$ 301,7 milhões, queda de 41% em relação ao mesmo trimestre de 2023…


… Empresa publicou nova certificação de reservas, elaborada pela DeGolyer & MacNaughton (D&M), com data de referência em 1º de janeiro deste ano; certificação inclui reservas dos clusters Polvo e TBMT, Frade e Wahoo, e o Campo de Albacora Leste.


ELETROBRAS registrou lucro líquido ajustado de R$ 517 milhões no 4TRI, queda de 54,7% na comparação anual; Ebitda ajustado somou R$ 4,672 bilhões, alta de 22,8% em relação ao mesmo trimestre de 2023.


MAGAZINE LUIZA teve lucro líquido de R$ 294,8 milhões no 4TRI24, alta de 38,9% s/ 4TRI23; Ebitda cresceu 53,6%, para R$ 842,4 milhões; Receita líquida aumenta 2,3%, para R$ 10,787 bi.


UNIPAR registrou lucro líquido de R$ 293 milhões no 4TRI, avanço de 82% na comparação anual; Ebitda ajustado recorrente somou R$ 342 milhões, alta de 44% em relação ao mesmo trimestre de 2023.


EZTEC registrou lucro líquido de R$ 126,6 milhões no 4TRI, avanço de 53% na comparação anual; Ebitda somou R$ 106,1 milhões, alta de 50,5% em relação ao mesmo trimestre de 2023.


… A empresa vai pagar R$ 30 milhões em dividendos intercalares, a R$ 0,13 por ação ON; ex em 21/03.


LWSA registrou prejuízo líquido de R$ 17,5 milhões no 4TRI, 61,2% menor frente o mesmo trimestre de 2023; Ebitda somou R$ 63,6 milhões, alta de 2,1% na comparação anual.


PETROBRAS informou que realizará em 20/3 pagamento da segunda parcela dos proventos como forma de dividendos e parte sob a forma de JCP; montante foi aprovado pelo Conselho de Administração da estatal em novembro, relativo ao 3TR24…


… Valor total bruto a ser distribuído foi atualizado para R$ 0,6814 por ação ON e PN.


VALE E BHP emitiram nota conjunta afirmando que trabalham “lado a lado” na compensação ao acidente de Mariana, de 2015, quando uma barragem da Samarco, joint-venture das duas empresas, se rompeu…


… Para as companhias, processo em andamento no Reino Unido “vende ilusões” por tratar de questões já resolvidas no Brasil…


… Nota veio em reação a afirmações do advogado britânico Tom Goodhead, chefe do escritório que representa pessoas e municípios vítimas do acidente, de que as empresas divergem na condução da defesa em ação sobre o acidente de Mariana na Justiça do Reino Unido…


… Vale concluiu 2º teste de capacidade de Salobo 3, com taxa de processamento acima de 35 Mtpa; Salobo receberá US$ 144 milhões pelo atingimento da taxa de processamento.


TELEFÔNICA aprovou a distribuição de R$ 200 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,1233 por ação ON, com pagamento em 30/4/26; ex em 25/3/25.


… Os acionistas aprovaram, em AGE, a proposta de grupamento da totalidade das ações ordinárias da empresa, na proporção de 40 para 1, e subsequente desdobramento, de modo que uma ação grupada corresponda a 80 ações.


OI informou que ocorreu nesta 5ªF (13) o fechamento da alienação e transferência de 100% das ações de emissão da SPE Imóveis e Torres Selecionados, cujo capital contribuiu com o Acervo Torres Selecionadas e o Acervo Imóveis Selecionados, mediante “dação” em pagamento de parte dos créditos detidos pela IHS Brasil, credor Take or Pay sem Garantia – Opção I, contra a companhia.


TOTVS. Subsidiária Totvs Large Enterprise Tecnologia vendeu sua participação na RJ Participações (representante de 80% das ações ON) à Bus Serviços de Agendamento, por R$ 49,6 milhões.


CCR negou negociação ou perspectiva de efetivação de qualquer operação relativa à venda de concessões em aeroportos; negativa surgiu após questionamento da CVM sobre notícias da contratação de bancos para vender suas 20 concessões.


CENTRO UNIVERSITÁRIO FMU entrou com pedido de recuperação judicial por dívidas de mais de R$ 116 milhões; empresa, que pertence à gestora Farallon, citou pandemia da Covid-19 como uma das causas para a dificuldade financeira, além de briga com fundadores da companhia.

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